2585: NASA vai levar um drone voador autónomo a Marte para fazer história

CIÊNCIA

A NASA está bastante mais à frente de qualquer outra agência espacial no que toca à exploração de Marte. Nesse sentido, esta já percebeu como colocar no solo do planeta vermelho os seus rovers e sondas. Os engenheiros do Jet Propulsion Laboratory, na Califórnia, anexaram um drone voador à barriga do rover Marte 2020. Este será lançado em Julho próximo.

Este veículo, totalmente autónomo, tem uma aparência de mini-helicóptero e terá uma missão de auto adaptação.

Que tipo de drone irá sobrevoar Marte?

O mini-helicóptero para Marte (Helicóptero Marte), será movido a energia solar. Apesar do seu tamanho, cerca de 80 centímetros de altura (quando aberto e pronto a voar), esta será a primeira aeronave a voar noutro planeta. O robô drone irá para o planeta vermelho com a sonda Mars 2020 da NASA.

Conforme foi avançado, a missão Mars 2020 está programada para ser lançada a 17 de Julho de 2020. A partir do Cabo Canaveral, o rover será então transportado pelo foguetão Atlas 5 da United Launch Alliance.

Missão Mars 2020 será um marco na história da exploração de Marte

A instalação do helicóptero para Marte será feita na parte inferior do rover Mars 2020. Actualmente, os engenheiros estão a conceber e a preparar a nave a uma série de verificações antes do voo. Para já, o veículo que aterrará no solo marciano está a ser submetido a um teste de vibração. O processo é assim idêntico ao que foi usado na aterragem que entregou o rover Curiosity em Marte em 2012.

Com esta união de duas grandes naves espaciais, posso dizer definitivamente que todas as peças estão prontas para uma missão histórica de exploração. Juntos, Marte 2020 e o Helicóptero Marte, ajudarão a definir o futuro da ciência e da exploração do Planeta Vermelho nas próximas décadas.

Referiu Thomas Zurbuchen, responsável da NASA em Washington.

Os principais objectivos da missão Mars 2020 incluem a procura de sinais de vida microbiana antiga em Marte. Nesse sentido, o rover irá recolher amostras de rocha para serem recuperadas e trazidas para a Terra numa futura missão. Além disso, será testado um dispositivo para gerar oxigénio a partir do dióxido de carbono na atmosfera marciana.

Helicóptero Marte – Uma inovação na atmosfera marciana

Equipado com um par de lâminas contra-rotativas, o mini-helicóptero é uma experiência de demonstração tecnológica. Depois do rover chegar a Marte em 18 de Fevereiro de 2021, este deixará cair o drone sobre a superfície marciana e afastar-se-á para uma distância segura. Posteriormente, o rover irá continuar com as suas próprias investigações científicas independentes do helicóptero.

O novo dispositivo voador, terá uma cobertura que o protegerá contra detritos durante a entrada, descida e aterragem do rover em Marte.

O nosso trabalho é provar que o voo autónomo e controlado pode ser executado na atmosfera marciana extremamente fina. Como o nosso helicóptero é projectado como um teste de voo de tecnologia experimental, ele não transporta instrumentos científicos. Mas se provarmos que o voo motorizado em Marte pode funcionar, estamos ansiosos pelo dia em que os helicópteros de Marte possam desempenhar um papel importante nas futuras explorações do Planeta Vermelho.

Comentou MiMi Aung, do JPL.

Helicóptero será autónomo e voará à sua vontade

O helicóptero voará autonomamente, sem entrada em tempo real de controladores terrestres que estão a milhões de quilómetros de distância. O drone transporta então duas câmaras e a telemetria do helicóptero será encaminhada através de uma estação base no rover.

A atmosfera na superfície marciana tem cerca de 1% da densidade da Terra. Dessa forma, o desempenho de uma aeronave de asa rotativa como o Helicóptero Marte é mais limitado.

Assim sendo, os rotores do Helicóptero Marte girarão entre 2400 e 2900 rpm. Este valor é cerca de 10 vezes mais rápido que um helicóptero a voar na atmosfera da Terra. O recorde de altitude de um helicóptero na Terra é de cerca de 12000 metros.

Estas máquinas voadoras poderão ser os batedores do futuro

A NASA diz que os futuros helicópteros de Marte poderão transportar instrumentos científicos e actuar como batedores de rovers e, eventualmente, humanos, explorando o Planeta Vermelho. Os drones poderiam examinar penhascos, cavernas e crateras profundas, lugares onde poderia ser muito arriscado enviar uma tripulação ou um rover caro, disse a NASA num comunicado.

Com toda a certeza, estas imagens aéreas também podem ajudar a localizar obstáculos para os rovers atravessarem a superfície marciana.

Lua de Saturno também vai receber um helicóptero da NASA

O Helicóptero Marte não é o único robô voador que a NASA está a desenvolver para enviar para outros mundos. Na verdade, no início deste ano, a NASA aprovou o desenvolvimento de uma missão chamada Dragonfly, que usará uma aeronave a rotor para voar através da atmosfera Titan, a maior lua de Saturno.

Ao contrário do Helicóptero Marte, a Dragonfly é uma missão de investigação completa com o seu próprio conjunto de instrumentos científicos. Titan é coberto por uma atmosfera mais espessa do que a da Terra, tornando-o um ambiente mais favorável para uma aeronave de asa rotativa do que Marte.

Contudo, Saturno está seis vezes mais distante do Sol do que Marte, por isso os projectistas planeiam contar com um gerador nuclear para alimentar a Dragonfly em torno de Titã.


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Imagem: NASA
Fonte: Space Flight Now

 

2584: Elemento químico potássio detectado em atmosfera exoplanetária

CIÊNCIA

Impressão de artista de um Júpiter quente (direita) e da sua estrela fria hospedeira.
Crédito: AIP/Kristin Riebe

Desde as primeiras previsões teóricas, há 20 anos atrás, que se esperava que os elementos químicos potássio e sódio fossem detectáveis nas atmosferas de “Júpiteres quentes”, planetas gasosos com temperaturas na ordem dos milhares de graus Kelvin que orbitam perto de estrelas distantes. Enquanto o sódio foi detectado com observações de alta resolução bastante cedo, o potássio não o foi, o que criou um quebra-cabeças para a química e física atmosféricas.

Os elementos podem ser descobertos analisando o espectro de luz da estrela quando o planeta passa à sua frente, a partir do ponto de vista da Terra. Diferentes elementos provocam sinais de absorção específicos no espectro, linhas escuras que sugerem a composição química da atmosfera. No entanto, a presença de nuvens nas atmosferas dos Júpiteres quentes enfraquece fortemente qualquer característica de absorção espectral e, portanto, dificulta a sua detecção.

Até para HD 189733b, o Júpiter quente mais bem estudado, até agora os cientistas possuíam apenas um conhecimento muito vago e impreciso da absorção do potássio. O exoplaneta, situado a 64 anos-luz de distância e com aproximadamente o tamanho de Júpiter, orbita a sua estrela – uma anã com 0,8 vezes a massa do Sol – em 53 horas e está 30 vezes mais próxima da sua estrela do que a Terra do Sol.

Foi necessária a capacidade de captação de luz do LBT (Large Binocular Telescope) de 2×8,4 m e a alta resolução espectral do PEPSI (Potsdam Echelle Polarimetric and Spectroscopic Instrument) para medir, definitivamente, o potássio pela primeira vez em alta resolução nas camadas atmosféricas acima das nuvens.

Com estas novas medições, os cientistas podem agora comparar os sinais de absorção de potássio e sódio e, assim, aprender mais sobre processos como condensação ou fotoionização nessas atmosferas exoplanetárias.

A técnica aplicada neste estudo com o LBT é denominada espectroscopia de transmissão. Exige que o exoplaneta transite a estrela hospedeira. “Obtivemos uma série temporal de espectros de luz durante o trânsito e comparámos a profundidade de absorção,” disse o autor principal do estudo, Engin Keles, estudante de doutoramento do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam e do grupo de Física Estelar e Exoplanetas. “Durante o trânsito, detectámos a assinatura do potássio, que desapareceu antes e depois do trânsito como esperado, o que indica que a absorção é induzida pela atmosfera planetária.”

As investigações de outras equipas já tinham tentado detectar potássio no mesmo exoplaneta; no entanto, nada foi encontrado ou o que foi encontrado era muito fraco para ser estatisticamente significativo. Até agora, não havia uma detecção significativa de potássio em observações de alta resolução para qualquer exoplaneta.

“As nossas observações claramente conseguiram alcançar este feito,” enfatiza o co-líder do projecto, o Dr. Matthias Mallonn, vice-investigador principal do PEPSI, atrás do professor Klaus Strasseier: “O PEPSI está adequado para esta tarefa devido à sua alta resolução espectral que permite recolher mais fotões por pixel de linhas espectrais muito estreitas do que qualquer outra combinação telescópio-espectrógrafo.”

“Tanto como espectrógrafo quando espectropolarímetro, o PEPSI já fez contribuições significativas para a física estelar,” acrescenta Christian Veillet, Diretor do Observatório LBT. “Esta forte detecção de potássio na atmosfera de um exoplaneta estabelece o PEPSI como uma ferramenta incrível para a caracterização dos exoplanetas, bem como um recurso único para a comunidade do LBT.”

A equipa incluiu colegas da Dinamarca, Países Baixos, Suíça, Itália e Estados Unidos e apresentou os resultados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Astronomia On-line
6 de Setembro de 2019

 

2583: O antigo campo magnético de Mercúrio provavelmente evoluiu ao longo do tempo

CIÊNCIA

Imagem com cores melhoradas do terreno de Mercúrio, captada pela MESSENGER.
Crédito: NASA/JHUAPL/Instituto Carnegie

Um novo estudo diz que os antigos pólos magnéticos de Mercúrio estavam longe da localização dos seus pólos de hoje, implicando que o seu campo magnético, como o da Terra, mudou com o tempo.

Alguns planetas têm núcleos metálicos líquidos. Os cientistas geralmente pensam que o campo magnético de um planeta provém dos movimentos fluídos do seu núcleo metálico. O campo magnético cria uma magnetosfera que rodeia o planeta. A magnetosfera da Terra bloqueia grande parte da radiação cósmica e solar, permitindo que a vida exista.

Mercúrio é o outro corpo do Sistema Solar, além da terra, com um núcleo fundido confirmado capaz de gerar um campo magnético.

Uma nova investigação publicada na revista Journal of Geophysical Research: Planets descobriu que os antigos pólos magnéticos de Mercúrio, chamados paleopolos, mudaram ao longo do seu passado. O novo estudo também sugere que o legado magnético de Mercúrio pode ser mais complicado do que se pensava anteriormente.

O estudo dos campos magnéticos dos outros planetas ajuda os cientistas a entender como os campos magnéticos evoluem, inclusive na Terra. A observação do comportamento de outros núcleos metálicos ajuda os cientistas a entender mais sobre a formação inicial e subsequente maturação dos planetas no Sistema Solar.

Os cientistas sabem que Mercúrio evoluiu ao longo do tempo, mas não podem dizer definitivamente como, disse Joana S. Oliveira, astrofísica do ESTEC (European Space Research and Technology Centre) da ESA em Noordwijk, Países Baixos, autora principal do estudo.

Turbulência magnética no Sistema Solar

As alterações no campo magnético não são específicas a Mercúrio. O pólo norte magnético da Terra vagueia entre 55 e 60 km por ano enquanto o pólo magnético sul da Terra cerca de 10 a 15 km. A orientação do seu campo magnético já inverteu mais de 100 vezes ao longo dos seus 4,5 mil milhões de anos.

Os cientistas usam rochas para estudar como os campos magnéticos dos planetas evoluem. As rochas ígneas, criadas a partir do arrefecimento de lava, podem preservar um registo de como o campo magnético era no momento em que as rochas arrefeceram. O material magnético de arrefecimento das rochas alinha-se com o campo do núcleo. Este processo é chamado de magnetização termo-remanescente. Os geólogos analisaram rochas ígneas para determinar que a última inversão do campo magnético da Terra ocorreu há mais ou menos 780.000 anos atrás.

A Terra e a Lua são os únicos estudos de caso que os cientistas possuem para mudanças nos pólos magnéticos dos corpos planetários, porque não há amostras de rochas de outros planetas.

“Se queremos encontrar pistas do passado, fazendo uma espécie de arqueologia do campo magnético, as rochas precisam de ser magnetizadas de maneira mais permanente,” disse Oliveira.

Usando a arqueologia planetária para descobrir a história magnética de Mercúrio

Investigações anteriores já tinham estudado o campo magnético actual de Mercúrio, mas não havia como estudar o campo magnético da crosta sem observações a baixa altitude. Então, em 2015, a sonda MESSENGER começou a sua descida até à superfície de Mercúrio. Recolheu três meses de informações a baixa altitude sobre Mercúrio durante a sua descida. Algumas dessas informações revelaram detalhes sobre a magnetização crustal de Mercúrio. O novo estudo examinou essas diferentes regiões crustais para extrapolar a estrutura magnética do núcleo antigo de Mercúrio.

“Existem vários modelos da evolução do planeta, mas ninguém usou o campo magnético da crosta para obter a evolução do planeta,” disse Oliveira.

Os dados a baixa altitude da MESSENGER, durante o seu percurso de descida, detectaram crateras antigas com diferentes assinaturas magnéticas do que a maioria dos terrenos observados pela MESSENGER. Os investigadores pensavam que as crateras, formadas há cerca de 4,1 a 3,8 mil milhões de anos, podiam conter pistas sobre os paleopolos de Mercúrio.

As crateras são mais propensas a ter rochas magnetizadas termo-remanescentes. Durante a sua formação, a energia de um impacto faz com que o solo derreta, dando ao material magnético a hipótese de se realinhar com o actual campo magnético do planeta. À medida que esse material solidifica, preserva a direcção e a posição do campo magnético do planeta como um instantâneo no tempo.

Oliveira e colegas usaram observações de naves espaciais de cinco crateras com irregularidades magnéticas. Eles suspeitavam que essas crateras tinham sido formadas durante uma altura com uma diferente orientação de campo magnético da de hoje. Eles modelaram o antigo campo magnético de Mercúrio com base nos dados da cratera para estimar as possíveis localizações dos paleopolos de Mercúrio. A área que a MESSENGER sobrevoou e registou durante a sua queda fatídica foi limitada, de modo que os cientistas só puderam usar medições de parte do hemisfério norte.

Surpresas no paleopolo

Os investigadores descobriram que os antigos pólos magnéticos de Mercúrio estavam longe do actual pólo sul geográfico do planeta e podem ter mudado ao longo do tempo, o que foi inesperado. Eles esperavam que os pólos se agrupassem em dois pontos mais próximos do eixo de rotação de Mercúrio no norte e sul geográficos do planeta. No entanto, os pólos estavam distribuídos aleatoriamente e eram todos encontrados no pólo sul.

Os paleopolos não se alinham com o actual pólo norte magnético de Mercúrio ou com o pólo geográfico sul, indicando que o campo magnético dipolar do planeta se moveu. Os resultados reforçam a teoria de que a evolução magnética de Mercúrio foi muito diferente da da Terra ou até mesmo de outros planetas no Sistema Solar. Eles também sugerem que o planeta pode ter mudado ao longo do seu eixo, num evento chamado verdadeira caminhada polar, onde as localizações geográficas dos pólos norte e sul mudam.

A Terra tem um campo dipolar com dois pólos, mas Mercúrio tem um campo dipolar-quadrupolar com dois pólos e uma mudança no equador magnético. O seu antigo campo magnético pode ter sido parecido com um destes, ou até mesmo ser multipolar com “linhas de campo parecidas a esparguete,” finalizou Oliveira. Não há como saber sem várias amostras físicas de rochas de Mercúrio, concluiu.

Oliveira espera que a nova missão a Mercúrio, BepiColombo, recolha mais dados do campo magnético e potencialmente restrinja as conclusões do estudo.

Astronomia On-line
6 de Setembro de 2019

 

2582: Metais lunares: nova investigação considera o que está por baixo da superfície da Lua

CIÊNCIA

Esta paisagem da superfície da Lua foi fotografada pelos astronautas da Apolo 10 em Maio de 1969.
Crédito: NASA

Um novo estudo realizado por geólogos no Canadá e nos Estados Unidos sugere que um repositório de metais preciosos pode estar trancado bem abaixo da superfície da Lua.

James Brenan, professor do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade Dalhousie, Canadá, e autor principal do estudo publicado na revista Nature Geoscience, diz que ele e outros investigadores foram capazes de traçar paralelos entre os depósitos minerais encontrados na Terra e na Lua.

“Conseguimos ligar o conteúdo de enxofre das rochas vulcânicas lunares com a presença de sulfeto de ferro nas profundezas da Lua,” disse o Dr. Brenan, que colaborou com geólogos da Universidade Carleton e do Laboratório Geofísico em Washington, D.C. para o artigo publicado no dia 19 de Agosto.

“A análise de depósitos minerais na Terra sugere que o sulfeto de ferro é um óptimo local para armazenar metais preciosos, como platina e paládio.”

Sob a superfície da Lua

Os geólogos há muito que especulam que a Lua foi formada pelo impacto de um objecto massivo do tamanho de um planeta com a Terra há 4,5 mil milhões de anos. Por causa desta história comum, pensa-se que os dois corpos tenham uma composição semelhante. Medições anteriores das concentrações de metais preciosos nas rochas vulcânicas lunares realizadas em 2006, no entanto, mostraram níveis invulgarmente baixos, levantando uma questão que deixou os cientistas perplexos durante mais uma década sobre a razão destes valores tão baixos.

O Dr. Brenan diz que se pensava que estes baixos níveis reflectiam uma depleção geral dos metais preciosos na Lua como um todo.

Esta nova investigação fornece uma explicação dos níveis surpreendentemente baixos e acrescenta informações valiosas sobre a composição da Lua.

“Os nossos resultados mostram que o enxofre nas rochas vulcânicas lunares é uma impressão digital da presença de sulfeto de ferro no interior rochoso da Lua, onde pensamos que os metais preciosos foram deixados para trás quando as lavas foram criadas,” explicou.

Uma recriação científica

Brenan, juntamente com os colegas Jim Mungall da Universidade Carleton e Neil Bennett, anteriormente do Laboratório Geofísico dos EUA, fizeram experiências para recriar a pressão e a temperatura extremas do interior da Lua a fim de determinar quanto sulfeto de ferro se formaria.

Eles mediram a composição da rocha e do sulfeto de ferro resultantes e confirmaram que os metais preciosos seriam ligados pelo sulfeto de ferro, tornando-os indisponíveis para os magmas que fluíram para a superfície lunar. Brenan esclareceu que provavelmente não havia suficiente para formar um depósito de minério, mas “certamente o suficiente para explicar os baixos níveis nas lavas lunares.”

O Dr. Brenan disse que precisarão de amostras da parte rochosa e profunda da Lua, onde as lavas lunares tiveram origem, para confirmar as suas descobertas.

Território não forjado

Os geólogos têm acesso a amostras científicas de centenas de quilómetros de profundidade do interior da Terra, mas material a essas profundezas ainda não foi recuperado da Lua.

“Estudamos a superfície da Terra há já muito tempo, pelo que temos uma boa ideia da sua composição, mas com a Lua já não é o caso,” disse.

“Temos um total de 400 kg de amostras trazidas pelas missões Apolo e por outras missões lunares… é uma quantidade muito pequena de material. Assim sendo, para descobrir algo sobre o interior da Lua, precisamos de ‘começar do fim’ e inverter o nosso estudo da composição das lavas que chegaram até à superfície.”

Estudos remotos por satélites sugerem a existência de afloramentos das partes mais profundas da Lua, reveladas após impactos massivos terem formado as crateras Schrödinger e Zeeman na bacia Aitken do pólo sul.

“É muito emocionante pensar que vamos voltar à Lua,” disse Brenan. “E, a ser verdade, o pólo sul parece ser um bom local para recolha de amostras.”

Astronomia On-line
6 de Setembro de 2019

 

2581: Primeira imagem de buraco negro vale prémio de 2,7 milhões de euros

CIÊNCIA

EHT Collaboration
A primeira fotografia de um buraco negro.

A primeira imagem de um buraco negro, revelada em Abril, valeu à equipa de cientistas envolvida no trabalho, incluindo o astrofísico português Hugo Messias, um prémio de três milhões de dólares (2,7 milhões de euros).

O Prémio Breakthrough, atribuído nos Estados Unidos, reconhece o avanço científico de excelência, tendo como patrocinadores Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook, e Sergey Brin, ex-presidente da Google.

A equipa internacional de 347 cientistas que obteve a primeira imagem de um buraco negro super-maciço, neste caso a sua silhueta formada por gás quente e luminoso a rodopiar em seu redor, foi premiada na categoria de Física Fundamental.

A entrega do galardão será feita numa cerimónia em 3 de Novembro, na Califórnia, indicou a organização do Prémio Breakthrough no seu portal.

A “fotografia” do buraco negro – localizado no centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz da Terra, e com uma massa 6,5 mil milhões de vezes superior à do Sol – foi conseguida graças aos dados recolhidos das observações feitas, no comprimento de onda rádio, com uma rede de oito radiotelescópios espalhados pelo mundo, que funcionaram como um só e com uma resolução sem precedentes.

Einstein estava certo

O “telescópio gigante” foi designado Event Horizon Telescope, tendo o astrofísico português Hugo Messias participado nas observações com um dos radiotelescópios, o ALMA, no Chile.

A imagem dos contornos do buraco negro – o buraco em si, um corpo denso e escuro de onde nem a luz escapa, não se vê – permitiu comprovar mais uma vez a Teoria da Relatividade Geral, de 1915, do físico Albert Einstein, que postula que a presença de buracos negros, os objectos cósmicos mais extremos do Universo, deforma o espaço-tempo e sobreaquece o material em seu redor.

Em declarações em Abril à agência Lusa, o director do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, José Afonso, explicou que na imagem do buraco negro da M87 “há uma zona mais escura” e uma auréola, que corresponde a luz proveniente de material (gás) que está por detrás do buraco negro propriamente dito, sendo que a luz “vem na direcção” de um observador na Terra “devido à deformação do espaço” provocada por esse material.

De acordo com a equipa científica envolvida na observação, a sombra do buraco negro registada é o mais próximo da imagem do buraco negro em si, uma vez que este é totalmente escuro.

Para José Afonso, especialista no estudo de galáxias, a imagem obtida permitirá conhecer melhor a natureza dos buracos negros e perceber como as galáxias se formaram.

Baptizado de Powehi

O buraco negro foi depois baptizado de Powehi. A palavra – que tem raízes em “Kumulipo”, o poema épico da antiga religião havaiana – significa “a obscura fonte embelezada da criação infinita” e foi proposta pelo professor de línguas da Universidade do Havaí em Hilo, nos Estados Unidos, Larry Kimura.

Em comunicado, a instituição explica que o objecto espacial foi baptizado com um nome havaiano porque dois dos telescópios que foram utilizados para a descoberta localizam-se no território deste estado norte-americano.

“Ter o privilégio de dar um nome havaiano à primeira confirmação científica de um buraco negro é muito importante para mim e para a minha linhagem havaiana”, disse Kimura.

ZAP // Lusa

Por ZAP
5 Setembro, 2019

 

2580: Um enorme navio quebra-gelo vai ficar preso (de propósito) no oceano Árctico

CIÊNCIA

O navio quebra-gelo RV Polarstern vai sair da Noruega nas próximas semanas, com destino ao Árctico, para estudar nos próximos meses como as alterações climáticas estão a remodelar este oceano.

Um dos navios mais indestrutíveis do mundo — RV Polarstern — vai partir da Noruega no próximo dia 20 de Setembro, em direcção ao Oceano Árctico, onde ficará preso nos próximos 13 meses (de forma propositada). O quebra-gelo tem um objectivo ambicioso: determinar como as alterações climáticas estão a remodelar este oceano, escreve o Live Science.

A expedição, chamada de Multidisciplinary drifting Observatory for the Study of Arctic Climate (MOSAIC) — algo como Observatório Multidisciplinar de Deriva para o Estudo do Clima do Árctico —, está a ser planeada há anos. Com um investimento de mais de 118 milhões de euros, vai exigir a participação de mais de 600 pessoas, entre cientistas e equipa técnica.

O líder da expedição, Markus Rex, do Instituto Alfred Wegener (que opera o Polarstern), afirma que o navio vai entrar provavelmente no gelo marinho flutuante em meados de Outubro e depois ficará à deriva no Árctico, cercado de gelo, até ao próximo verão, antes de voltar ao seu porto de origem em Bremerhaven, na Alemanha, no outono.

A MOSAIC vai investigar as fontes de energia ambiental envolvidas no derretimento e movimentação do gelo marinho; a formação e precipitação das nuvens do Árctico e os efeitos das transferências de calor e massa entre a atmosfera, o gelo e o oceano. Depois, as descobertas serão usadas para refinar os modelos computacionais do clima global.

Em diferentes fases da expedição, centenas de pessoas vão ser transportadas para este navio através de outros quatros quebra-gelo — a partir da Suécia, Rússia e China — e por aeronaves que vão pousar numa pista de gelo construída nas proximidades.

Ao contrário de outras expedições científicas, os cientistas vão estudar o ambiente do Árctico durante todo o seu ciclo anual de congelamento e descongelamento, desde o crescimento do gelo marinho no outono até à sua ruptura no verão seguinte.

Quando o gelo for espesso o suficiente (cerca de 1,5 quilómetros de espessura), vão ser instalados acampamentos e instrumentos científicos a até 50 quilómetros do navio. As medições serão feitas até quatro mil metros abaixo da superfície e a altitudes superiores a 35 mil metros.

A nova expedição recorda a viagem realizada, no final do século XIX, pelo Fram, navio de Fridtjof Nansen. O cientista norueguês e a sua equipa de 12 elementos deixaram Tromsø, a mesma cidade de onde vai partir agora o RV Polarstern, em Julho de 1893, e começaram a flutuar pelo gelo marinho em Outubro, perto das Ilhas da Nova Sibéria.

Depois de andar à deriva durante quase dois anos, Nansen ficou insatisfeito com o progresso do navio, tendo decidido deixá-lo, em Março de 1895, na tentativa de alcançar o Polo Norte sobre o gelo, juntamente com Hjalmar Johansen, um dos tripulantes.

Mas menos de um mês mais tarde, o frio intenso e o agravamento do clima obrigaram os dois exploradores a suspender a expedição e a passar o inverno polar na Terra de Francisco José, um arquipélago polar russo.

Nansen e Johansen acabariam por ser resgatados por outra expedição no Árctico, e o Fram permaneceu congelado até Agosto de 1896, antes de voltar com a restante equipa para a Noruega.

ZAP //

Por ZAP
5 Setembro, 2019

 

2579: O clima de Vénus está a mudar (e a razão está escondida nas suas nuvens)

(CC0) GooKingSword / Pixabay

Vénus, há muito considerada a gémea muito mais quente da Terra, guarda muitos mistérios dentro das suas nuvens, que também podem ser responsáveis pelas dramáticas mudanças climáticas do planeta.

Um novo estudo sobre uma década de observações ultravioletas de Vénus de 2006 a 2017 mostrou que o reflexo da luz ultravioleta no planeta diminuiu para metade antes de voltar a disparar.

Essa mudança resultou em grandes variações na quantidade de energia solar absorvida pelas nuvens de Vénus e na circulação na sua atmosfera, causando as mudanças no clima do planeta.

“As mudanças climáticas actuais em Vénus não foram consideradas antes”, disse Yeon Joo Lee, investigadora do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade Técnica de Berlim e principal autora do estudo, à Space.com. “Além disso, o nível de variação de UV-albedo [reflectividade] é significativamente grande, suficiente para afectar a dinâmica atmosférica”.

Os cientistas combinaram observações da missão Venus Express da Europa, da japonesa Akatsuki Venus orbiter, da espaço-nave Messenger da NASA (que voou por Vénus a caminho de Mercúrio) e do Telescópio Espacial Hubble para o estudo.

O clima em Vénus, como o da Terra, é afectado pela radiação solar e pelas mudanças no reflexo das nuvens circundantes. Mas, ao contrário da Terra, as nuvens de Vénus são compostas de ácido sulfúrico e contêm manchas escuras que os cientistas chamam de “absorvedores desconhecidos”, uma vez que absorvem a maior parte do calor e da luz ultravioleta emitida pelo sol.

O novo estudo sugere que os absorvedores podem ser o que está a causar essas mudanças no clima de Vénus, embora a equipa de cientistas acredite que a única maneira de saber com certeza é através de observações adicionais. “Pelo menos mais uma década de observações. Isso abrangerá mais um ciclo de actividade solar e poderemos descobrir se essa mudança é cíclica”, disse Lee.

Sanjay Limaye, cientista da Universidade de Wisconsin–Madison e co-autor do novo estudo, sublinhou também que estas partículas super-absorventes se assemelham a microrganismos presentes na atmosfera da Terra.

O clima no planeta já é bastante extremo, com temperaturas a atingir 471ºC e ventos com velocidades de 724 quilómetros por hora.

Uma hipótese mais estranha faz com que os absorvedores sejam realmente de origem biológica. Enquanto a superfície de Vénus é infernal, o topo das nuvens é suficientemente suave para sustentar a vida. Essa ideia tem surgido desde o final da década de 1960.

Se mais observações provassem que a actividade solar está conectada a esta mudança no clima, poderia ser aplicada a todos os outros planetas com aerossóis, partículas sólidas ou líquidas que reflectem a luz solar, como Terra e Titã. No entanto, o grau de mudança seria diferente em cada um.

Lee disse que está a desenvolver planos para mais investigações sobre absorvedores desconhecidos nas nuvens de Vénus, acrescentando que uma missão futura em Vénus pode ajudar os cientistas a entender melhor as mudanças climáticas do planeta.

O estudo foi publicado a 26 de Agosto na revista especializada The Astronomical Journal.

ZAP //

Por ZAP
6 Setembro, 2019

 

2578: O monstro do Lago Ness pode ser uma enguia gigante

CIÊNCIA

(CC0/PD) woodypino / pixabay

Depois de levar a cabo uma série de análises de ADN, uma equipa internacional de cientistas concluiu que o famoso monstro do Lago Ness, na Escócia, pode ser, na verdade, uma enguia gigante.

A equipa, composta por cientistas do Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e França, catalogou as espécies vivas no lago escocês e extraiu amostras de ADN da água.

Ao analisar as amostras recolhidas, noticia a emissora britânica BBC, os especialistas descartaram a possibilidade de existir no lago alguma espécie de grandes dimensões que possa ser confundida com o monstro que várias pessoas relataram já ter avistado.

A nova investigação não encontrou evidências, por exemplo, de répteis marinhos pré-históricos – que tinham cerca de 4,5 metros de comprimento – ou peixes enormes como o esturjão (que chega a atingir os 8 metros). Estas são algumas da teorias apontadas para justificar a existência do animal. A equipa descartou também que o animal pudesse ser algum tubarão oriundo da Gronelândia, tal como já foi apontado.

Contudo, a equipa encontrou amostras de ADN de enguias europeias, que chegam às águas dos rios e lagos britânicos depois de migrarem mais de 5 mil quilómetros. Estes espécimes são oriundos do Mar dos Sargaços, perto das Bahamas.

“As enguias são muito comuns em lagos. Todos os locais que visitámos para recolha de amostragem tinham, no entanto, uma quantidade de enguias que surpreendeu”, afirmou Neil Gemmell, geneticista da Universidade de Otago, na Nova Zelândia.

Não podemos excluir a possibilidade de que há uma enguia gigante no Lago Ness, mas não sabemos se estas amostras que recolhemos são de um monstro gigante ou de um animal normal”, acrescentou.

O cientista frisou ainda que o objectivo da pesquisa não era desvendar o mistério do monstro do Lago Ness, mas antes melhorar o conhecimento sobre os animais e plantas que vivem no lago. “As pessoas adoram um mistério. Recorremos à Ciência para acrescentar mais um capítulo à mística do Lago Ness”, rematou.

A história do monstro do Lago Ness

Tal como recorda a BBC, o monstro do Lago Ness é uma das lendas mais antigas e persistentes da Escócia, tendo inspirado filmes, livros, programas de televisão. Esta figura sustenta também o turismo local.

De acordo com a lenda, o monstro terá sido avistado pela primeira vez há 1,5 mil anos pelo missionário irlandês São Columba no ano 565 d.C. Muito depois, em 1933, o jornal Inverness Courier reportou que uma mulher, Aldie Mackay, disse avistado o que seria o monstro do lago, parecido com uma baleia, enquanto as águas “se agitavam”.

À época, Evan Barron, editor do jornal, sugeriu que a besta fosse descrita como um “monstro”, dando início ao mito moderno do Monstro do Lago Ness.

No ano seguinte, um respeitado cirurgião britânico, o coronel Robert Wilson, afirmou ter fotografado o monstro enquanto conduzia pela costa norte do lago. Conhecida como a “fotografia do cirurgião”, a imagem foi publicada pelo jornal The Daily Mail, despertando curiosidade em todo o mundo. Com a fotografia, começou a especular-se que o monstro da fotografia poderia ser um plesiossauro, animal extinto há 65,5 milhões de anos.

Contudo, 60 ano mais tarde, descobriu-se que o “monstro” retratado na fotografia era, na verdade, um submarino brinquedo. Apesar das inúmeras investigações sobre o monstro, o animal continua a ser um dos maiores mistérios da Escócia.

ZAP // BBC

Por ZAP
6 Setembro, 2019