2577: Um lago de água a ferver continua a crescer dentro do Kilauea (e não se sabe porquê)

CIÊNCIA

US Geological Survey

Um lago de água a ferver está a crescer no fundo da Cratera Halema’uma’u, uma grande cratera localizada na caldeira de Kilauea, na ilha do Hawai. Os cientistas não sabem de onde vem a água.

A misteriosa piscina foi descoberta em 31 de Julho, quando as investigações geológicas do LIDAR observaram uma “pequena mancha verde dentro da área visível mais profunda da nova caldeira do cume”, de acordo com o US Geological Survey (USGS), em comunicado. Duas pequenas piscinas continuaram a crescer, acabando por se fundir.

As medições rotineiras do telémetro a laser indicam que a lagoa continua a subir a uma taxa de pouco menos de um metro por semana. As fotos capturadas pelo USGS mostram como as lagoas aumentaram de tamanho entre 7 de Agosto e 23 de Agosto – apenas duas semanas.

US Geological Survey

“Que diferença uma quinzena pode fazer! Estas fotos mostram o crescimento da lagoa de água em Halema‘uma‘u por um período de duas semanas”, disse o USGS, em comunicado. “Em 7 de Agosto, a lagoa principal tinha cerca de 15 metros de largura e separou-se de duas lagoas menores; no dia seguinte, o nível da água subiu o suficiente para que todas as três lagoas se unissem. A 23 de Agosto, a lagoa única e alongada tinha cerca de 35 metros de largura e cerca de 80 metros de comprimento – e ainda está a crescer”.

As estimativas sugerem que a temperatura da superfície da água está em torno dos 70°C.

Os cientistas estão a tentar para confirmar a origem do lago, pois não têm certeza de onde vem a água a ferver, mas acreditam que possa estar relacionado com a erupção do ano passado. O Kilauea entrou em erupção durante vários meses no verão passado, durante o qual ferveu um lago de água doce, produziu as suas próprias nuvens de tempestade e tornado, fez fogo azul e novas terras ao longo da costa. Após uma série de colapsos, o fundo da cratera está mais baixo que o topo do lençol freático.

“Eu acho que, salvo qualquer tipo de distúrbio, continuará a penetrar e eventualmente equilibrar-se, de modo que o lençol freático e o nível da água na cratera sejam mais ou menos os mesmos”, disse o geólogo Scott Rowland em comunicado. A água não é observada na cratera há pelo menos 200 anos, mas Rowlands acrescenta que as lendas havaianas mencionam a água encontrada nas suas profundezas.

O Observatório do Vulcão Havaiano, um dos cinco observatórios do Serviço Geológico dos EUA, continuará a monitorizar este lagos na cratera do Kilauea.

ZAP //

Por ZAP
5 Setembro, 2019

 

2576: Sabia que por cima da sua cabeça gravitam mais de 19 500 objectos de lixo espacial?

Ontem vimos que há já “falta de espaço” no Espaço. Poderá ter suscitado alguma dúvida, mas se olhamos para os números poderemos perceber porque está a ficar apertado o Espaço em redor da Terra. Há mais de 19 500 objectos de lixo espacial flutuam por cima das nossas cabeças. Cada vez há mais lixo, mais poluição e mais risco destes objectos chocarem uns com os outros.

A Rússia e os Estados da ex-URSS são os que mais objectos enviaram para órbita, seguidos de perto pelos Estados Unidos.

Lixo espacial cresce a um ritmo alucinante

O lixo espacial que actualmente cerca a Terra, mais conhecido como detritos espaciais, continuam a crescer e agora totalizam já 19 524 objectos, de acordo com dados do Orbital Debris Program Office da NASA, actualizado em 30 de Junho de 2019.

Esta contagem anual feita pela agência espacial americana conta o número de satélites activos ou inactivos que foram lançados, ou deslocados das suas órbitas para serem lançados no mar, bem como de foguetes espaciais antigos e funcionais, e outros objectos resultantes da fragmentação de detritos, gerados, por exemplo, em explosões.

Rússia é quem mais produz lixo espacial

De forma detalhada, desses 19 524 corpos espaciais ao redor do planeta, a Comunidade de Estados Independentes (CEI) – antiga União Soviética – é tida como aquela com maior quantidade de lixo descartado no espaço, com um total de 6 589 objectos (102 mais do que o reflectido no relatório anterior, actualizado em 1 de Abril deste ano).

Por sua vez, os Estados Unidos seguem logo atrás com 6 581 destroços em órbita (mais 39 desde a última análise). No entanto, o número de fragmentos gerados neste país aumentou a um ritmo mais rápido do que a antiga URSS nos últimos anos. Assim, a diferença entre os dois está a diminuir. No final de 2016, os Estados Unidos eram responsáveis por 5 719 fragmentos, enquanto a Rússia havia gerado 6 346 até então.

Assim, até hoje, a Rússia continua a ser o maior criador de detritos espaciais, à frente dos Estados Unidos. A China já está em terceiro lugar, com 4 044 detritos em órbita (4 019 em 1 de Abril).

Além destes, segue a bom ritmo, com um total de 290 peças, o Japão. Colados aos nipónicos estão os indianos. Sim, a Índia é já responsável por 254 fragmentos (41 novos em 3 meses).

ESA é mais comedida no que coloca em órbita

Por sua vez, a Agência Espacial Europeia (ESA) continua a ser a entidade que menos poluição espacial faz. Assim, lança para o espaço os objectos menos descartados, com 145 contabilizados. Ao lado do Japão, eles são os únicos que não geraram detritos espaciais desde início de Abril.

Há também países que, independentemente da agência espacial a que pertencem, também enviam dispositivos espaciais na órbita da Terra. Assim, é o caso dos 556 franceses ou dos 1 065 de “outras” nações (1 052 até 1 de Abril).

NASA vigia o lixo e actua como fiscal

O programa de controlo de detritos espaciais da NASA é o U.S. Space Surveillance Network (SSN). A iniciativa está a ser desenvolvida pelo Governo dos EUA. Assim, o seu principal objectivo é detectar, controlar, catalogar e identificar esses objectos feitos pelo homem que orbitam a Terra.

Também é responsável por prever quando e onde um objecto irá cair novamente na Terra, qual é sua posição no espaço, detectando novos corpos residuais no espaço e a que país eles pertencem, e informando à NASA se esses objectos interferem com a Estação Espacial Internacional (ISS).

pplware
Imagem: Media DC
Fonte: Orbital Debris

 

2575: Encontrados edifícios e via romanos em escavações arqueológicas de Tavira

CIÊNCIA

Filipe Farinha/ Lusa
Escavação arqueológica na cidade de Balsa, em Tavira, desvendou edifícios e uma via romanos.

As escavações arqueológicas realizadas nos vestígios da antiga cidade romana de Balsa, em Tavira, confirmaram a existência de edificações e de uma via com orientação este-oeste.

A definição de onde acaba e começa a cidade romana do século I é o grande objectivo do projecto de investigação de três anos iniciado este verão.

João Pedro Bernardes, investigador da UAlg, fez um balanço positivo do trabalho desenvolvido no primeiro ano do projecto de investigação, que permitiu descobrir “os limites de duas edificações e a via que existia entre ambas, com direcção este-oeste”.

Durante um dia aberto na escavação, o arqueólogo mostrou-se satisfeito com os resultados alcançados, porque foram descobertas estruturas, que “confirmaram o que já se tinha identificado com as sondagens geofísicas” e os trabalhos de prospecção feitos em 2017.

“A cidade teve um período áureo entre o século I e século II, marcado por grandes construções e edifícios, e depois temos uma fase mais de decadência da cidade, que se regista a partir do século III e que vai até ao século VII, e que reaproveita os materiais da fase mais antiga”, afirmou o investigador da UAlg.

“É isso que estamos aqui a constatar e que é provado também por materiais que nos chegam aqui de todo o mediterrâneo”, acrescenta João Pedro Bernardes  entre esses materiais estão “cerâmicas finas“.

Os arqueólogos encontraram ainda um fragmento de uma peça “com a marca do oleiro” e que se sabe que foi “importada da actual França, da antiga Gália”, referiu o investigador.

Foi também possível, numa outra escavação mais acima no terreno, perceber os danos que a exploração agrícola na zona ao longo de anos e a utilização de máquinas provocou nos vestígios que estavam enterrados, “porque são visíveis as marcas das máquinas na pedra” que estava na base do terreno, explicou o arqueólogo.

Sobre o que fica para fazer nos próximos dois anos, a mesma fonte respondeu que falta o grande objectivo, que é o de “determinar a extensão da cidade“.

“E para isso precisaremos provavelmente de entrar em negociações com vários proprietários, porque pensamos que a cidade se prolonga para outras propriedades“, disse o investigador, referindo-se à zona a nascente da actual localização.

A autarquia de Tavira, através da vice-presidente, Ana Paula Martins, salientou ainda a importância de haver transparência em toda a informação disponível sobre Balsa, para que “se saiba exactamente o que lá está” e “libertar as zonas onde não há vestígios”, com a definição de uma nova Zona Especial de Protecção (ZEP).

Balsa situa-se na freguesia de Luz de Tavira, na zona da Torre D’Aires, numa área protegida localizada junto à ria Formosa, e está já abrangida por uma ZEP.

As escavações arqueológicas estão a ser conduzidas pela Universidade do Algarve (UAlg) e o Centro de Ciência Viva de Tavira, com o apoio da Direcção Regional de Cultura e a Câmara de Tavira, em terrenos privados da Quinta da Torre D’Aires, na freguesia de Luz de Tavira.

DR, ZAP //

Por DR
4 Setembro, 2019

 

2574: Cientistas vão levar células cancerígenas ao Espaço para que a baixa gravidade as mate

CIÊNCIA

Annie Cavanagh / Wellcome Images
Células cancerígenas

Através de estudos de simulação, um cientista australiano tem vindo a investigar de que forma o ambiente de baixa gravidade pode afectar a nossa fisiologia e, até mesmo, matar células cancerígenas.

Após ter recolhido dados de testes prévios, segundo os quais a ausência de gravidade no Espaço pode matar a maioria das células cancerígenas sem a necessidade de recorrer a medicamentos, um investigador australiano está agora a preparar-se para testar as suas experiências na Estação Espacial Internacional (EEI) no próximo ano.

O engenheiro biomédico Joshua Chou tem conduzido experiências num laboratório da Universidade de tecnologia de Sidney, usando um simulador de micro-gravidade para observar como as células cancerígenas respondem e, as suas possíveis razões.

Chou explicou à New Atlas que, antes da investigação, o foco estava na expressão genética do cancro sob micro-gravidade. “Mas ninguém analisou os mecanismos, e a estratégia que estamos a abordar é identificar os receptores sensoriais no cancro, na esperança de os enganar”, revelou o cientista.

Chou e Anthony Kirolos expuseram as células do cancro do ovário, mama, nariz e pulmão no simulador de micro-gravidade por 24 horas. 80% a 90% destas células morreram.

Os investigadores acreditam que isto ocorre porque a falta de força gravitacional nas células influencia a forma como estas comunicam entre si, tornando-as incapazes de sentir o ambiente — algo a que chamam descarga mecânica.

“Tenho de esclarecer que a micro-gravidade afecta outras células, como as células ósseas”, disse Chou. Desta forma, os investigadores conseguiram concluir que as células ósseas e do cancro são “super sensíveis aos efeitos da micro-gravidade.

Porque razão este efeito de descarga atinge mais as células cancerígenas do que as outras é uma das questões que Chou espera responder quando a sua experiência for realizada na EEI, no próximo ano.

Na primeira missão à EEI, as células vão ser compactadas num dispositivo mais pequeno do que o tamanho de uma caixa de lenços de papel e estudadas no ambiente de micro-gravidade durante uma semana.

A esperança é que a experiência possa elucidar os receptores e sensores específicos por detrás do efeito de descarga mecânica nas células cancerígenas, para que os cientistas possam projectar fármacos que repliquem os mesmo efeitos na Terra.

DR, ZAP //

Por DR
5 Setembro, 2019