2560: Alimentar vacas com esta alga cor-de-rosa pode ajudar a combater as alterações climáticas

CIÊNCIA

Jean-Pascal Quod / Wikimedia
A alga Asparagopsis taxiformis

Uma alga rosada que cresce em águas tropicais temperadas pode vir a ser uma enorme ajuda para combater as alterações climáticas.

De acordo com o Science Alert, investigadores australianos estão a tentar encontrar uma forma de produzir em massa — mas de forma sustentável — a Asparagopsis taxiformis, uma vez que há, cinco anos, um estudo mostrou que esta alga quase anulou por completo a libertação de metano expelido pelas vacas.

“Quando adicionado à ração, mesmo que seja a menos de 2% desta, a alga elimina completamente a produção de metano. A alga contém substâncias químicas que reduzem os micróbios nos estômagos das vacas que as fazem arrotar quando comem erva”, explica o biólogo de aquacultura Nick Paul, da Universidade de Sunshine Coast, citado num comunicado.

Paul foi um dos membros da equipa australiana que, em 2014, analisou 20 diferentes espécies de macro-algas tropicais para identificar se alguma conseguiria reduzir a produção de metano libertada pelo gado. Das candidatas testadas, a A. taxiformis revelou ser a mais eficaz, inibindo 98,9% da produção de metano dos animais após 72 horas.

Tal como recorda o site, embora o metano represente uma fonte global muito menor de poluição atmosférica do que o dióxido de carbono (CO2), o seu potencial de retenção de calor torna-o muito mais prejudicial do que o CO2, especialmente a curto prazo.

Ao longo de 100 anos, o metano atmosférico é cerca de 28 vezes mais eficaz na captura de calor do que o CO2 e, num período de 20 anos, estima-se que seja ainda 100 vezes pior.

Com isso em mente — e com o facto de o gado ser responsável por cerca de 14,5% de todas as emissões antropogénicas de gases de efeito estufa (65% dos quais se devem ao gado bovino) – fica então claro que esta pode vir a ter um papel fundamental.

O desafio agora é perceber como aumentar a produção e o crescimento destas algas, de forma a que consigam alimentar as vacas de toda a Austrália e, a longo prazo, de todo o mundo.

“Esta alga despertou interesse global e pessoas em todo o mundo estão a trabalhar para garantir que as vacas sejam saudáveis e que a carne e o leite sejam de boa qualidade. A única coisa que falta, e que vai fazer com que isto funcione à escala global, é garantir que podemos produzir as algas de forma sustentável“, afirma Paul.

Com esse objectivo, Paul e a sua equipa estão a tentar encontrar óptimas condições de crescimento das algas, estudando o seu crescimento em grandes tanques de aquacultura ao ar livre, enquanto também investigam maneiras de maximizar a concentração dos compostos químicos activos das algas.

Uma das dificuldades é descobrir como fazer com que uma alga se torne algo semelhante a uma safra agrícola que pode ser colhida noutros tipos de ambientes.

ZAP //

Por ZAP
1 Setembro, 2019

 

2559: Astrónomos intrigados com estranho asteróide que muda de cor e age como um cometa

Segundo o comunicado do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), foi captado um asteróide estranho. De acordo com os astrónomos, este corpo celeste muda de cor do vermelho para azul no espectro próximo ao infravermelho.

Este astro tem uma órbita entre Marte e Júpiter e a sua condição está a deixar os astrónomos intrigados.

Asteróide muda de vermelho para azul e confunde-se com um cometa

O evento captado tornou-se assim no primeiro fenómeno deste tipo observado em tempo real. Conforme informações, cientistas do MIT acham que o comportamento estranho do asteróide pode ser causado pela sua rotação muito rápida ejectando camadas de poeira da sua superfície para o espaço.

Este astro peculiar, baptizado de 6487 Gault, está localizado dentro do cinturão de asteróides entre as órbitas de Marte e de Júpiter. O comportamento do asteróide anteriormente tinha sido associado com o dos cometas, que deixam dois rastros de poeira na passagem.

Descoberta foi uma grande surpresa

Os investigadores descreveram tal desenvolvimento como uma “grande surpresa”. Segundo Michael Marsset, especialista do Departamento de Estudos Terrestres, Atmosféricos e Planetários do MIT, a equipa de cientistas julga que “testemunhou o asteróide a perder a sua poeira avermelhada no espaço”.

Desse modo, os cientistas agora julgam estar a observar “as camadas subjacentes, frescas e azuis”.

Os astrónomos entendem que tal mudança de cor e actividade semelhante à de um cometa podem ser provocadas pelo facto deste astro ter a “rotação rápida sendo o suficiente para despir camadas de poeira da sua superfície, graças à força centrifuga”.

Conforme foi dado a conhecer, os cientistas pretendem agora estudar o asteróide. A ideia é obter mais pistas sobre a actividade, quando este aparecer no céu da próxima vez.

Imagem: MT
Fonte: MIT

pplware
01 Set 2019

 

2558: Novo aparelho consegue retirar água potável do ar seco do deserto

CIÊNCIA

Grant Glover / Universidade do Sul de Alabama

Investigadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, desenvolveram um dispositivo que consegue extrair quantidades de água potável do ar mais seco encontrado no deserto.

O grupo de investigadores diz que o novo colector de água pode produzir mais de 1,3 litros por quilograma de um determinado material absorvente de água, num só dia. A investigação publicada na revista ACS Central Science refere que a produção pode ser feita com menos de 40% de humidade relativa.

Pode não parecer uma grande quantidade de água, mas já é o suficiente para manter uma pessoa viva caso o estado de desidratação seja grave.

A máquina foi posta à prova, durante três dias, no deserto de Mojave, nos EUA. Durante esse período de tempo, o dispositivo produziu 0,7 litros de água por kg de material. Mesmo no dia mais seco, com humidade relativa a 7%, conseguiu recolher 200 ml de água.

O principal componente do recolhedor de água é um tipo de material conhecido como estrutura metal-orgânica (MOF). Este composto tem áreas de superfície grandes o suficiente para permitir que várias moléculas de água do ar se acumulem e condensem dentro delas à temperatura ambiente.

Mathieu Prévot / UC Berkeley
O aparelho de recolha de água é constituído por um ventilador que sopra o ar sobre cartuchos dos MOF’s dentro de uma caixa, que retira a água e a liberta num condensador

O aparelho é uma caixa de acrílico transparente, constituído por um ventilador que sopra o ar sobre cartuchos de MOF’s, que retiram a água. Essa água é então removida dos MOF’s com algum aquecimento e libertada para um condensador onde a água líquida se acumula.

Esta é a terceira versão de colector de água que a equipa de investigadores criou. Em 2017, o primeiro protótipo recolheu água do ar durante a noite, antes de usar o calor do sol no dia seguinte para colher e condensar. A segunda versão, de 2018, tinha melhorias que permitiam recolher até 100 ml de água por kg de MOF’s.

O grupo de cientistas afirma que a última versão é 10 vezes mais eficiente que o modelo do ano passado e 100 vezes mais eficiente do que o protótipo de 2017.

Isto deve-se à introdução do ventilador eléctrico, que sopra mais ar sobre os MOF’s e aos aquecedores que permitem que a água seja libertada. Ambos consomem energia recolhida de painéis solares, para além de terem baterias que permitem ao dispositivo funcionar durante a noite.

Mathieu Prévot / UC Berkeley
Da esquerda, os investigadores Nikita Hanikel, Grant Glover e Mathieu Prévot com o dispositivo de recolha de água

Como a máquina é independente, podia ajustar-se a regiões rurais ou países em desenvolvimento, onde a escassez de água é um problema recorrente.

A equipa diz ainda que o dispositivo pode vir a funcionar em escalas. Uma startup criada pelo grupo está a testar uma versão do tamanho de um micro-ondas que pode produzir entre sete a 10 litros de água por dia água potável suficiente para três adultos.

Uma versão ainda maior, do tamanho de um frigorífico, podia fornecer 200 a 250 litros por dia, o que satisfazia as necessidades de uma família inteira. O objectivo final seria um dispositivo muito maior que produzisse 20 mil litros por dia, ajudando vilas inteiras.

Omar Yaghi, investigador principal do projecto, sustenta que esta mobilidade de água pode vir a possibilitar que a água seja um direito humano. “Estamos a produzir água ultra pura, que tem potencial de vir a ser disponibilizada amplamente sem conexão com a rede de distribuição de água”, explica Omar.

DR, ZAP //

Por DR
31 Agosto, 2019

 

2557: Elon Musk tem uma nova ideia para tornar Marte habitável

Bret Hartman, TED / Flickr
Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX

O multimilionário norte-americano Elon Musk tem uma nova ideia para tornar Marte habitável: instalar milhares de satélites solares reflectores para aquecer o Planeta Vermelho, revelou o também CEO da Space X e Tesla no Twitter.

Musk não revelou muito sobre a sua ideia, mas o mas o CNET avança que o projecto dos satélites solares está de alguma forma relacionado com o trabalho realizado pelo cientista Rigel Woida, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

Em 2006, Woida foi premiado pela NASA por estudar o “uso de grandes espelhos orbitais leves e de grande abertura para ‘terraformar’ uma área de superfície marciana para que os humanos pudessem colonizar o Planeta Vermelho de forma acessível”.

Tal como recorda o portal, tornar Marte mais habitável para humanos é um sonho antigo da ficção científica. O planeta pode ficar extremamente frio, exigindo investimentos significativos em habitats seguros, bem como em roupas espaciais desenhadas para enfrentar temperaturas extremas.

Na base da ideia de Musk estará o conceito de reflector. Em 2007, Woida publicou um relatório detalhando como é que um sistema deste poderia funcionar. A ideia do cientista passava por colocar uma série de satélites em órbita que reflectissem estrategicamente o calor do sol na superfície de Marte.

Agora, a ideia de Musk pode ser semelhante a de Woida.

“Pode fazer sentido ter milhares de satélites reflectores solares para aquecer Martes versus sóis artificiais”, escreveu o multimilionário, dando conta, contudo, que a melhor ideia está ainda “a ser determinada”.

Musk aproveitou ainda para esclarecer outra das suas ideias antigas para Marte, o Nuke Mars, que seriam uma espécie de explosões nucleares no Planeta Vermelho.

Nuke Mars refere-se a “um fluxo contínuo de explosões de fusão nuclear muito baixas sobre a atmosfera [de Marte] para criar sóis artificiais. Tal como acontece com o nosso Sol, estas explosões não fariam com que Marte se tornasse radioactivo”, assegurou.

Quando apresentada por Musk, esta ideia mais antiga gerou alguma controvérsia entre a comunidade científica. O multimilionário sugeriu criar um efeito estufa no Planeta Vermelho por meio de explosões nucleares, para que se gerasse uma quantidade suficiente do oxigénio e os humanos pudesse caminhar pela superfície do planeta sem trajes espaciais, tal como recorda a Sputnik News.

Contudo, alguns cientistas defenderam que estas explosões poderiam gerar nuvens na atmosfera marciana que, por sua vez, iria bloquear a luz do Sol, tornando-o mais frio. Ou seja, a ideia de Musk poderia ter o efeito contrário ao desejado.

A nova ideia pode, no entanto, não ser suficiente para tornar Marte “hospitaleiro” para futuros colonos no planeta. Em 2018, a NASA publicou um estudo no qual apontava que a transformação do meio marciano inóspito num lugar onde astronautas poderiam trabalhar sem suporte vital não é possível recorrendo às tecnologias modernas.

De acordo com um dos autores da investigação, Bruce Jakosky, da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos, “não existe dióxido de carbono suficiente” para gerar um aquecimento significativo através do efeito estufa. “A maioria do dióxido de carbono não é acessível e não seria fácil mobilizá-lo”, defendeu.

ZAP //

Por ZAP
31 Agosto, 2019