2483: Hubble captou a imagem impressionante do “beijo” de duas galáxias

O Telescópio Espacial Hubble conseguiu fotografar duas galáxias que se “tocaram” pela primeira vez. É um duo conhecido como UGC 2369, e ambos os sistemas serão apenas um… mas daqui a milhões de anos.

Os dois sistemas fotografados pelo telescópio Hubble podem dar pistas do que acontecerá com a nossa Via Láctea.

Hubble captou o beijo entre galáxias

Na impressionante imagem podemos ver a rotação de um ao redor do outro. Isto porque as suas gravidades são atraídas para o fim inevitável: a fusão. Conforme explica a Agência Espacial Europeia (ESA), tudo o que actualmente liga as duas galáxias é uma “ponte fina de gás, poeira e estrelas”.

A maioria das galáxias pertence a um grupo de vários sistemas, nos quais as interacções entre eles são frequentes. E nem sempre acontece de forma violenta ou abrupta. Na verdade, tudo pode ser muito mais subtil, como no caso do UGC 2369. Em muitas ocasiões, o fio invisível da atracção faz com que as galáxias se deformem, com “caudas” e “braços” estendendo-se do centro e transformando-as em formas impressionantes, como é o caso aqui.

This is UGC 2369, seen by NASA/ESA @HUBBLE_space. It’s actually two galaxies interacting, being pulled closer together by their gravitational attraction, in a similar process that will see our galaxy, the Milky Way, collide with the Andromeda galaxy. See http://socsi.in/1myr9 

Via Láctea: Um dia também iremos ser esmagados

As fusões, por outro lado, são muito mais destrutivas, e isso é mais provável de ocorrer especialmente quando as galáxias são semelhantes em tamanho. Esses eventos maiores são menos comuns do que fusões menores, mas acredita-se que a nossa própria galáxia tenha uma colisão “próxima” no futuro.

Neste momento, a Via-Láctea em que vivemos está ocupada esmagando e absorvendo duas galáxias anãs próximas, conhecidas como Sagitário e Cão Maior. Mas um dia, a nossa galáxia pode tornar-se o menu de uma galáxia maior. De facto, os astrónomos estão certos de que a Via Láctea e as galáxias de Andrómeda irão colidir nalgum momento daqui a mil milhões de anos. Exactamente quando poderá ser e como se irá desenvolver ainda está a ser debatido pela comunidade científica.

Embora a fusão UGC 2369 pareça nova, este duo galáctico é considerado num estágio relativamente avançado. Portanto, treinar o olho de Hubble em interacções como esta pode dar-nos uma ideia do destino da nossa própria galáxia.

2482: Beta Pictoris C: Novo planeta gigante está a 63,4 anos-luz da Terra

Foi na órbita da estrela Beta Pictori que os cientistas descobriram um novo planeta gigante, o Beta Pictoris C. Esta descoberta acontece 10 anos após ter sido também encontrado um outro planeta gigante, o Beta Pictoris B. Os exoplanetas Beta Pictoris B e Beta Pictoris C estão em órbita da estrela Beta Pictoris.

O novo planeta está a 63,4 anos-luz da Terra. Sabe-se também que tem uma massa cerca de 3.000 vezes maior do que a do nosso planeta.

O estudo foi publicado na revista da especialidade Nature Astronomy e revela que há um novo planeta no universo. Este novo planeta gigante orbita a sua estrela a uma distância quase três vezes superior à que separa o Sol da Terra.

Beta Pictoris C  está entre a sua estrela e o planeta Beta Pictoris B

O Beta Pictoris C foi caçado pelo espectrógrafo HARPS do Observatório Europeu do Sul, no Chile. Está situado entre a sua estrela e o planeta Beta Pictoris B, que é 16 vezes maior do que a Terra. O Beta Pictoris B orbita a sua estrela a uma distância oito vezes superior à que separa o Sol da Terra. Um dia neste planeta não excede as oito horas.

Segundo os cientistas, os dois planetas estão ainda a formar-se.

A estrela Beta Pictoris ganhou destaque na década de 1980. Nessa altura permitiu aos astrónomos obterem a primeira imagem de um disco de poeira e gás em torno de uma estrela. Além disso, o sistema planetário do qual a estrela faz parte tem “apenas” 20 milhões de anos. Isto significa que é mais jovem do que o Sistema Solar, que tem 4,6 mil milhões de anos. No entanto poderá assemelhar-se ao que deveria ser a Terra e outros planetas solares após a sua formação.

A Beta Pictoris é a segunda estrela mais brilhante na constelação de Pictor. Tem uma massa 1,75 vezes maior que a do Sol e possui uma luminosidade 8,7 vezes maior. Devido às temperaturas muito altas, a vida dificilmente poderia existir na sua superfície, bem como nos satélites

pplware
19/08/2019

 

2481: Aniquilação total para estrelas super-massivas

Impressão de artista da super-nova por instabilidade de pares SN 2016iet.
Crédito: Observatório Gemini/NSF/AURA; ilustração por Joy Pollard

Uma estrela renegada, que explodiu numa galáxia distante, forçou os astrónomos a colocar de lado décadas de investigação e a concentraram-se num novo tipo de super-nova que pode aniquilar completamente a sua estrela-mãe – não deixando nenhum remanescente para trás. O evento de assinatura, algo que os astrónomos nunca haviam testemunhado antes, pode representar o modo pelo qual as estrelas mais massivas do Universo, incluindo as primeiras estrelas, morrem.

O satélite Gaia da ESA notou pela primeira vez a super-nova, conhecida como SN 2016iet, no dia 14 de Novembro de 2016. Três anos de observações intensivas de acompanhamento com uma variedade de telescópios, incluindo o Gemini Norte no Hawaii, o Observatório MMT de Harvard e do Smithsonian, localizado no Observatório Fred Lawrence Whipple em Amado, Arizona, EUA, e os Telescópios Magellan, no Observatório Las Campanas, no Chile, forneceram perspectivas cruciais sobre a distância e a composição do objecto.

“Os dados do Gemini forneceram uma visão mais profunda da super-nova do que qualquer outra das nossas observações,” disse Edo Berger do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e membro da equipa de investigação. “Isto permitiu-nos estudar SN 2016iet mais de 800 dias após a sua descoberta, quando diminuiu para um centésimo do seu brilho máximo.”

Chris Davis, director de programas na NSF (National Science Foundation), uma das agências patrocinadoras do Gemini, acrescentou: “Estas observações notáveis do Gemini demonstram a importância de estudar o Universo em constante mudança. A procura, nos céus, por eventos explosivos repentinos, a sua observação rápida e, igualmente importante, a sua monitorização ao longo de dias, semanas, meses, e às vezes até anos é fundamental para obter uma visão geral. Daqui a apenas alguns anos, o LSST (Large Synoptic Survey Telescope) da NSF irá descobrir milhares destes eventos e o Gemini está bem posicionado para fazer o trabalho crucial de acompanhamento.”

Neste caso, este olhar profundo revelou apenas uma fraca emissão de hidrogénio na posição da super-nova, evidenciando que a estrela progenitora de SN 2016iet viveu numa região isolada com muito pouca formação estelar. Este é um ambiente invulgar para uma estrela tão massiva. “Apesar de procurarmos, há décadas, milhares de super-novas,” retomou Berger, “esta parece diferente de tudo o que já vimos antes. Às vezes, vemos super-novas que são invulgares num único aspecto, mas que por outro lado são normais; esta é única de todas as maneiras possíveis.”

SN 2016iet tem uma infinidade de excentricidades, incluindo a sua duração incrivelmente longa, grande energia, impressões digitais químicas incomuns e ambiente pobre em elementos mais pesados – para os quais não existem análogos óbvios na literatura astronómica.

“Quando percebemos o quão invulgar era SN 2016iet, a minha reacção foi ‘Whoa – será que está algo horrivelmente errado com os nossos dados?'” disse Sebastian Gomez, também do Centro para Astrofísica e autor principal da investigação. A pesquisa foi publicada na edição de 15 de Agosto da revista The Astrophysical Journal.

A natureza invulgar de SN 2016iet, como revelado pelo Gemini e por outros dados, sugere que começou a sua vida como uma estrela com cerca de 200 vezes a massa do nosso Sol – tornando-se uma das explosões estelares mais massivas e poderosas já observadas. Evidências crescentes sugerem que as primeiras estrelas nascidas no Universo podem ter sido igualmente massivas. Os astrónomos previram que se tais gigantes mantiverem a sua massa durante a sua breve vida (alguns milhões de anos), morrerão como super-novas por instabilidade de pares, que recebe o nome dos pares de matéria-antimatéria formados na explosão.

A maioria das estrelas massivas terminam as suas vidas num evento explosivo que expele matéria rica em metais pesados para o espaço, enquanto o seu núcleo colapsa numa estrela de neutrões ou buraco negro. Mas as super-novas por instabilidade de pares pertencem a outra classe. O núcleo em colapso produz enormes quantidades de raios-gama, levando a uma produção descontrolada de pares de partículas e anti-partículas que, eventualmente, desencadeiam uma explosão termonuclear catastrófica que aniquila toda a estrela, incluindo o núcleo.

Os modelos de super-novas por instabilidade de pares prevêem que ocorrerão em ambientes pobres em metais (termo astronómico para elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio), como em galáxias anãs e no Universo inicial – e a investigação da equipa descobriu exactamente isso. O evento ocorreu a uma distância de mil milhões de anos-luz numa galáxia anã, anteriormente não catalogada, pobre em metais. “Esta é a primeira super-nova em que o conteúdo de massa e metal da estrela está no intervalo previsto pelos modelos teóricos,” disse Gomez.

Outra característica surpreendente é a localização de SN 2016iet. A maioria das estrelas massivas nasce em enxames densos de estrelas, mas SN 2016iet formou-se isolada a cerca de 54.000 anos-luz do centro da sua galáxia anã hospedeira.

“Como uma estrela tão massiva se pode formar em completo isolamento ainda é um mistério,” acrescentou Gomez. “Na nossa vizinhança cósmica local, só conhecemos algumas estrelas que se aproximam da massa da estrela que explodiu e deu origem a SN 2016iet, mas todas vivem em enxames gigantescos com milhares de outras estrelas.” A fim de explicar a longa duração do evento e a sua lenta evolução de brilho, a equipa avança a ideia de que a estrela progenitora expeliu matéria para o seu ambiente circundante a um ritmo de cerca de três vezes a massa do Sol por ano durante uma década antes da explosão estelar. Quando a estrela finalmente se tornou super-nova, os detritos colidiram com este material, alimentando a emissão de SN 2016iet.

“A maioria das super-novas desaparecem e tornam-se invisíveis contra o brilho das suas galáxias hospedeiras em poucos meses. Mas dado que SN 2016iet é tão brilhante e está tão isolada, podemos estudar a sua evolução durante anos,” acrescentou Gomez. “A ideia das super-novas por instabilidade de pares existe há décadas,” disse Berger. “Mas termos, finalmente, o primeiro exemplo observacional que coloca uma estrela moribunda no regime correto de massa, com o comportamento correto, e numa galáxia anã pobre em metais, é um incrível passo em frente.”

Há não muito tempo atrás, não se sabia se tais estrelas super-massivas podiam realmente existir. A descoberta e as observações de acompanhamento de SN 2016iet forneceram evidências claras da sua existência e do potencial para afectar o desenvolvimento do Universo inicial. “O papel do Gemini nesta descoberta surpreendente é significativo,” disse Gomez, “pois ajuda-nos a entender melhor como o Universo primordial se desenvolveu depois da sua ‘idade das trevas’ – quando não ocorreu formação estelar – para formar o esplêndido Universo que vemos hoje.”

Astronomia On-line
20 de Agosto de 2019

 

2480: Lua brilha mais do que o Sol em imagens do Fermi da NASA

Estas imagens mostram a visão cada vez mais aprimorada do brilho de raios-gama da Lua do Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA. Cada imagem de 5 por 5 graus é centrada na Lua e mostra raios-gama com energias acima dos 31 milhões de electrões-volt, dezenas de milhões de vezes superiores à da luz visível. Nestas energias, a Lua é realmente mais brilhante do que o Sol. As cores mais brilhantes indicam um maior número de raios-gama. Esta sequência de imagens mostra como exposições mais longas, variando de dois a 128 meses (10,7 anos), melhorou a visão.
Crédito: NASA/DOE/Colaboração LAT do Fermi

Se os nossos olhos pudessem ver radiação altamente energética chamada raios-gama, a Lua pareceria mais brilhante do que o Sol! É assim que o Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA tem visto o nosso vizinho no espaço ao longo da última década.

As observações de raios-gama não são sensíveis o suficiente para ver claramente a forma de disco da Lua ou quaisquer características da superfície. Em vez disso, o LAT (Large Area Telescope) do Fermi detecta um brilho proeminente centrado na posição da Lua no céu.

Mario Nicola Mazziotta e Francesco Loparco, ambos do Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália em Bari, têm analisado o brilho da radiação gama da Lua como forma de entender melhor um outro tipo de radiação espacial: partículas velozes chamadas raios cósmicos.

“Os raios cósmicos são principalmente fotões acelerados por alguns dos fenómenos mais energéticos do Universo, como ondas de choque de estrelas explosivas e jactos produzidos quando a matéria cai em buracos negros,” explicou Mazziotta.

Dado que as partículas são electricamente carregadas, são fortemente afectadas por campos magnéticos, que a Lua não possui. Como resultado, até raios cósmicos de baixa energia podem alcançar a superfície, transformando a Lua num prático detector espacial de partículas. Quando os raios cósmicos atacam, interagem com a superfície poeirenta da Lua, de nome rególito, para produzir emissão de raios-gama. A Lua absorve a maioria destes raios-gama, mas alguns escapam.

Mazziotta e Loparco analisaram as observações lunares do LAT do Fermi para mostrar como a visão melhorou durante a missão. Eles reuniram dados de raios-gama altamente energéticos acima dos 31 milhões eV (electrão-volt) – mais de 10 milhões de vezes superior à energia da luz visível – e organizaram-nos ao longo do tempo, mostrando como exposições mais longas melhoram a visão.

“Vista a estas energias, a Lua nunca passaria pelo seu ciclo mensal de fases e ficaria sempre Cheia,” explicou Loparco.

À medida que a NASA planeia enviar novamente seres humanos à Lua até 2024 através do programa Artemis, com o objectivo eventual de enviar astronautas a Marte, a compreensão dos vários aspectos do ambiente lunar assume uma nova importância. Estas observações de raios-gama são uma lembrança de que os astronautas da Lua precisarão de protecção contra os mesmos raios cósmicos que produzem esta radiação gama de alta energia.

Embora o brilho de raios-gama da Lua seja surpreendente e impressionante, o Sol ainda brilha mais, com energias superiores a mil milhões de electrões-volt. Os raios cósmicos com energias mais baixas não alcançam o Sol porque o seu poderoso campo magnético os impede. Mas os raios-gama muito mais energéticos podem penetrar este campo magnético e atingir a atmosfera mais densa do Sol, produzindo raios-gama que chegam ao Fermi.

Embora a Lua, em raios-gama, não mostre um ciclo mensal de fases, o seu brilho varia com o tempo. Os dados do LAT do Fermi mostram que o brilho da Lua varia em cerca de 20% ao longo do ciclo de 11 anos do Sol. As variações na intensidade do campo magnético do Sol durante o ciclo mudam a quantidade de raios cósmicos que chegam à Lua, alterando a produção de raios-gama.

Astronomia On-line
20 de Agosto de 2019

 

2479: Buraco negro super-massivo poderá “engolir” todo o Universo

CIÊNCIA

tose / Canva

A descoberta recente de um buraco negro super-massivo deu aos astrónomos uma nova perspectiva sobre a força potencial destes objectos celestes. 

Em entrevista ao Express UK, o cientista David Whitehouse afirma que o Universo poderá, num futuro longínquo, vir a ser “engolido” por um buraco negro gigante.

Para sustentar esta afirmação, o astrónomo recordou o buraco negro recém-descoberto por astrónomos da América do Sul, cuja descoberta trouxe novos dados sobre quão grandes estes corpos podem ser. “Este [buraco negro recém-descoberto] é enorme, então talvez possam existir buracos negros ainda maiores“, explicou o cientista, dando conta que estes corpos crescem ao alimentar-se de matéria, gás, estrelas e pó.

Existem várias teorias físicas, segundo Whitehouse, que defendem que, num determinado momento no futuro, um buraco negro pode tornar-se suficientemente grande para absorver cada vez mais estrelas e, eventualmente, poderá “engolir” o Universo.

“Existem teorias que nos indicam que, possivelmente, num futuro muito remoto, tudo acabará num buraco negro, todo o Universo”, opinou Whitehouse.

Por isso, o cientista afirma que é importante investigar estes corpos celeste, uma vez que as suas propriedades físicas únicas permitem que os cientistas tenham uma “perspectiva diferente sobre o Universo e aquilo que este é capaz de criar”.

“Os buracos negros têm diferentes tipos de formas e tamanhos. Existem buracos negros do tamanho de um átomo. Por outro lado, no centro das galáxias, há buracos negros gigantescos que excedem o tamanho do Sol em mil milhões de vezes, são objectos fascinantes”, apontou ainda o cientista.

Os buracos negros são tão densos que criam uma força gravitacional capaz de capturar a luz – nada lhes consegue escapar. Contudo, esta incrível massa também deforma o tempo e o espaço nas suas imediações. De acordo com equações teoréticas, apenas as estrelas que são muito maiores que o Sol podem formar um buraco negro.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
20 Agosto, 2019

 

2478: O Cometa 67p tem companhia. É uma mini-lua

ESA/Rosetta/NavCam

A nave Rosetta não era o único objecto em redor do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2015, de acordo com uma descoberta feita recentemente.

No início deste ano, o astro-fotógrafo espanhol Jacint Roger estava a “passar os olhos” pelas imagens recolhidas pela Rosetta durante a observação do 67P e reparou num pequeno fragmento orbital nos registos do dia 21 de Outubro de 2015, quando a nave estava a cerca de 400 quilómetros do cometa.

Jacint Roger publicou um GIF animado na sua conta do Twitter, em Maio passado, mostrando o movimento deste objecto recém-identificado, que a ESA apelidou de “Churymoon”.

De acordo com a Agência Espacial Europeia, a lua terá apenas cerca de quatro metros de largura e um dia já fez parte do 67P. “A modelagem das imagens da Rosetta indica que este objecto passou as primeiras 12 horas após a sua ejecção num caminho orbital em torno do 67P a uma distância de 2,4 a 3,9 quilómetros do centro do cometa”, refere a equipa da ESA.

Depois disso, “a parte cruzou uma porção do coma, que parece muito brilhante nas imagens, dificultando o seu acompanhamento com precisão; no entanto, observações posteriores no lado oposto do coma confirmam uma detecção consistente com a órbita do objecto, fornecendo uma indicação do seu movimento em torno do cometa até 23 de Outubro de 2015″, explica-se.

Os cometas ejectam constantemente detritos à medida em que se aproximam do Sol. Mas Churymoon é especial: “é provavelmente a maior porção detectada em torno do cometa e será alvo de mais investigações”, garante a ESA.

A Rosetta deixou a Terra em 2004 para perseguir e analisar o cometa 67P, um corpo celeste estudado minuciosamente e que os cientistas acreditam que esconde indícios da génese do nosso Sistema Solar. Só no final de 2014 encontrou o seu alvo e, pouco depois, ejectou a sua pequena Philae que viajou em direcção ao 67P. Esta sonda de menores dimensões captou as primeiras imagens da superfície de um cometa.

Cometas são rochas geladas do sistema solar que normalmente têm órbitas oblongas e, quando se aproximam do Sol, aquecem e emitem gás e poeira para criar um tipo de “coma” (nuvem de poeira e gás que circunda o núcleo de um cometa) atmosférico e, às vezes, uma cauda.

O 67P é um desses exemplos, um objecto de dois lobos medindo até 40,2 quilómetros de diâmetro no seu lóbulo mais longo e 25,7 quilómetros de diâmetro no seu lóbulo mais curto. A sua órbita aproxima-o dos caminhos da Terra e de Júpiter.

A missão Rosetta foi a primeira a pousar um objecto feito por humanos num cometa. A missão também identificou o oxigénio molecular do 67P, o tipo que existe na Terra, que pode remontar ao início do sistema solar.

A jornada de 12 anos que inclui aproximações à Terra, Marte e a dois asteróides antes de chegar ao P67 chegou ao fim em Setembro de 2016.

ZAP //

Por ZAP
20 Agosto, 2019

 

2477: Cientistas encontraram uma nova forma de plástico que se parece com pedras

CIÊNCIA

Turner et al., Science of the Total Environment, 2019

Cientistas ambientais descobriram resíduos de plástico que se parecem com pedras. As amostras analisadas eram feitas principalmente de polietileno e polipropileno, materiais usados em sacos de plástico e embalagens.

Segundo o Science Alert, estes pequenos pedaços de plástico, chamados piro-plásticos, são criados quando o plástico é aquecido durante o processo de fabrico ou quando pedaços de plástico são derretidos por processos desconhecidos no ambiente. Estes são então desgastados da mesma forma que as rochas, deixando micro-plásticos por todo o lado.

“Os piro-plásticos são evidentemente formados a partir do derretimento ou da queima de plástico e são distintamente diferentes dos plásticos marinhos manufacturados (primários e secundários) em termos de origem, aparência e espessura”, escrevem os investigadores no artigo publicado na revista Science of The Total Environment.

“Uma vez que os piro-plásticos já foram recuperados em praias de Espanha e de Vancouver, isto mostra que não são um fenómeno regional, e suspeita-se que a sua distribuição seja generalizada”, dizem ainda.

A investigação foi levada a cabo pelo cientista ambiental Andrew Turner, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido. Juntamente com alguns colegas, o investigador analisou quase 200 pedaços de plástico encontrados em várias praias de Whitsand Bay, na Cornualha; nas Órcades, arquipélago na Escócia; no Condado de Kerry, na Irlanda; e no noroeste de Espanha.

A equipa submeteu as amostras a testes e descobriu que eram feitas principalmente de polietileno (comummente usado em sacos de plástico e embalagens), polipropileno (plástico rígido também usado em embalagens e recipientes), ou uma mistura de ambos.

Além disso, a análise de fluorescência de raios-X revelou a presença de chumbo, muitas vezes acompanhada de cromo, o que implica a presença de cromato de chumbo, um composto que pode ser misturado com plástico para dar-lhe um tom amarelo, vermelho ou laranja.

O uso desta substância foi reduzido graças à Directiva de Restrição de Substâncias Perigosas (RoHS), adoptada em Fevereiro de 2003 pela União Europeia, mas as quantidades encontradas nestas amostras excedem os limites da directiva, o que implica que o plástico é anterior a esse ano.

E, de acordo com o Science Alert, é aqui que as coisas ficam verdadeiramente preocupantes. Algumas das amostras analisadas foram encontradas nos tubos de carbonato de cálcio do verme marinho Spirobranchus triqueter.

De acordo com os investigadores, isto sugere que os compostos do plástico podem ser parcialmente bio-disponíveis, ou seja, podem ser absorvidos pelo organismo. Desta forma, se o chumbo pode ser absorvido pelos vermes, também poderá estar nos seus excrementos ou ser passado para os predadores destes animais.

Os investigadores sugerem que se façam mais pesquisas para determinar quanto deste plástico camuflado está escondido por aí. Só então poderemos medir com precisão a quantidade de micro-plásticos e compostos perigosos que estão a libertar no ambiente.

ZAP //

Por ZAP
20 Agosto, 2019

 

2476: Portugal usa 4 vezes mais luz por candeeiro do que a Alemanha. É o país europeu com mais poluição luminosa

Patrick Tomasso / unsplash

Portugal é o pior país da Europa em poluição luminosa, no que respeita ao fluxo luminoso per capita e fluxo luminoso por produto interno bruto (PIB).

Esta é uma das conclusões de um artigo publicado na revista Journal of Environmental Management com o título: “Poluição luminosa nos EUA e Europa: os bons, os maus e os feios”. Portugal merece várias referências particulares no estudo por maus motivos.

Um deles, no capítulo das disparidades observadas na Europa, é o facto de usarmos um fluxo de luz em média quatro vezes superior ao utilizado na Alemanha ou na Suíça.

Os investigadores usaram os dados do Novo Atlas Mundial de Brilho Artificial do Céu Nocturno, divulgado em 2016, e comparam os níveis de poluição luminosa e o fluxo de luz com o tamanho da população e PIB nos vários estados norte-americanos e em vários países e regiões na Europa.

“Encontrámos diferenças até 6.800 vezes mais entre as regiões mais e menos poluídas da Europa, até 120 vezes mais no seu fluxo de luz per capita e até 267 vezes mais no fluxo por unidade do PIB”, escrevem no artigo, de acordo com o Público.

No entanto, as maiores diferenças identificadas foram entre os condados dos EUA: diferenças até 200 mil vezes na poluição do céu, até 16 mil vezes no fluxo de luz per capita e até 40 mil vezes no fluxo de luz por unidade de PIB. “Estes resultados podem informar os decisores políticos, ajudando a reduzir o desperdício de energia e as consequências ambientais, culturais e de saúde adversas associadas à poluição luminosa”, concluem.

Segundo os cientistas, as diferenças notadas entre países são muito importantes. “A Alemanha, por exemplo, aparece consistentemente muito bem em todas as classificações, enquanto Portugal e os EUA tendem a ter um desempenho fraco”, referem.

No primeiro parágrafo das conclusões insistem no mau comportamento de Portugal: “Na presente análise, descobrimos que existem grandes diferenças nos parâmetros estudados entre a Europa e os EUA como, por exemplo, os EUA tendo quase três vezes o fluxo per capita em comparação com a Europa. Encontrámos também diferenças entre países dentro da União Europeia (por exemplo, Portugal com quatro vezes o fluxo per capita da Alemanha) e dos EUA (por exemplo, Dakota do Sul com cinco vezes o fluxo per capita em comparação com Nova Iorque)”.

“Diferenças maiores são encontradas entre as unidades administrativas menores, em parte devido a diferenças nas densidades populacionais, presença de plantas industriais, mas também devido a diferentes hábitos de iluminação com os alemães a usar menos luz nas cidades em comparação com Portugal, Espanha, Itália e Grécia.”

Numa das tabelas do artigo, onde se apresenta o desempenho de 1359 unidades territoriais (as NUTS3) da Europa, a maior parte das regiões portuguesas encontra-se nas 50 com pior resultado.

O investigador Raul Cerveira Lima, que não participou neste estudo assinado por uma equipa internacional com cientistas dos EUA, Itália e Israel, resume: “Em Portugal, usamos em média quatro vezes mais luz por candeeiro do que a Alemanha ou a Suíça. Isto dá que pensar.”

ZAP //

Por ZAP
19 Agosto, 2019

 

2475: Elon Musk quer largar bombas nucleares em Marte

Elon Musk quer bombardear o “planeta vermelho” para torná-lo habitável para a raça humana. Pode parecer contraditório, mas a ideia do fundador da Tesla e da SpaceX até poderia resultar.

Bombardear Marte para tornar o planeta habitável para humanos. Sim, é esta a solução de Elon Musk, que já tinha sido mencionada anteriormente pelo empresário americano, e que voltou à tona após tweets publicados na sexta-feira passada.

Nuke Mars!

Elon Musk @elonmusk

T-shirt soon

 

Bombardeiem Marte!“, escreveu Musk. “T-shirt disponível em breve”, acrescentou, prometendo uma espécie de merchandising relativo à ideia.

Não se sabe até que ponto é que Elon Musk está a falar a sério, mas algumas das suas mais disparatadas ideias anteriores  — veja-se o hyperloop, o lança-chamas pessoal, e para começar, um famoso “super-desportivo eléctrico com autonomia para 500km” que há 10 anos parecia ficção — acabaram mesmo por se tornar realidade.

E a verdade é que a ideia não é completamente disparatada. O uso de bombas nucleares em Marte, dizem alguns especialistas, poderia fundir as calotas polares do planeta e libertar grandes quantidades de dióxido de carbono para a atmosfera.

Isto permitiria criar uma espécie de efeito de estufa, que acabaria por aumentar a temperatura e a pressão atmosférica do planeta. Teoricamente, estas condições tornariam o planeta habitável para seres humanos.

Em 2015, Musk esteve no talk show americano “The Late Show with Stephen Colbert”, onde abordou a sua ideia de colonizar Marte.

Durante a entrevista, o CEO da SpaceX disse que havia duas formas de aumentar a temperatura do planeta: uma rápida e uma lenta. Desafiado a falar sobre a alternativa mais célere, Musk falou em bombardear Marte com armas nucleares.

Em Novembro do ano passado, Musk disse que havia uma probabilidade de 70% de ir viver para Marte. Além disso, disse que bilhetes para uma viagem ao planeta podem estar disponíveis daqui a sensivelmente seis anos, por “alguns milhares de dólares”.

Confrontado com a hipótese de a mudança para Marte ser um refúgio dos ricos para os problemas da Terra, o norte-americano de 47 anos, respondeu que não achava que seria, uma vez que há uma maior probabilidade de morrer em Marte.

A probabilidade de morrer em Marte é muito maior do que na Terra“. Se aterrar, quer “trabalhar sem pausas para construir a base. Não haverá muito tempo para lazer. E mesmo depois de fazer tudo isto, será um ambiente muito difícil. Portanto haverá uma boa hipótese de morrer”, acrescenta.

Entretanto, Elon Musk continua a gostar de se manter fiel às suas promessas. Aqui estão as prometidas t-shirts “Nuke Mars”.

Elon Musk

@elonmusk

ZAP //

Por ZAP
19 Agosto, 2019