2466: Virgin Galactic abre as portas do primeiro aeroporto espacial do mundo

A empresa norte-americana Virgin Galactic, do bilionário Richard Branson, está a preparar o primeiro aeroporto espacial comercial do mundo, tendo revelado esta semana algumas das imagens daquelas que vão ser as instalações.

O aeroporto, localizado no estado do Novo México, nos Estados Unidos, permitirá a realização de voos destinados ao turismo espacial comercial.

O terminal Gateway to Space (Porta para o Espaço), de design futurista, será composto por dois andares, que incluem o centro de controlo, uma área de preparação para o piloto e um espaço exclusivo para os passageiros e os seus acompanhantes.

No seu site oficial, a Virgin Galactic adianta ainda que terá um hangar que irá abrigar todas as naves da propriedade da empresa norte-americana.

“A instalação Foster + Partners Gateway to Space é uma homenagem ao passado, num respeito pela antiga paisagem circundante, enquanto abraça o futuro com eficiência e sustentabilidade energética”, pode ler-se na publicação da empresa.

Com a apresentação das suas novas instalações, a Virgin Galactic indica que o aeroporto “está agora funcionalmente operacional” e mais perto de iniciar o seu serviço comercial.

A empresa do britânico Richard Branson oferece-se para levar civis para o Espaço, cobrando para isso cerca de 250.000 dólares. No momento, a Virgin Galactic tem 600 clientes à espera que o serviço comece a ser operacionalizado.

Na corrida ao turismo espacial estão também a agência espacial norte-americana (NASA), a Blue Origin, de Jeff Bezos, e a Space X, de Elon Musk.

ZAP //

Por ZAP
18 Agosto, 2019

 

2465: Febre do lítio pede licença para chegar a Portugal

Com o potencial de ter as maiores reservas da Europa, a febre do lítio chegou a Portugal, onde se registaram duas dezenas de solicitações de prospecção este ano, embora as empresas mineiras continuem à espera dos concursos prometidos pelo Governo.

Perante a perspectiva de um aumento exponencial da procura pelo seu uso nas baterias de carros eléctricos, a descoberta de grandes reservas deste “ouro branco” em Portugal despertou o interesse pela sua exploração, levando ao aumento das vozes de preocupação com o seu impacto ambiental.

As estimativas apontam que as reservas nacionais de lítio rondem as 60.000 toneladas métricas, embora o número real seja desconhecido — ainda não se estudaram todas as zonas nas quais se poderá encontrar este metal, concentrado no centro e norte do país

Caso se confirme, Portugal estaria entre os países com mais depósitos do mundo, embora muito afastado dos cinco gigantes — Bolívia, Chile, China, Austrália e Argentina, onde as reservas se contam em milhões de toneladas métricas.

Em Portugal já se produz lítio, que é para já apenas destinado à indústria cerâmica, e as minas já activas não produzem o volume suficiente para abastecer as fábricas das baterias, explica à agência EFE o geólogo português e consultor John Morris Pereira.

Segundo o geólogo, o preço da matéria-prima para a cerâmica é “relativamente baixo”, pelo que depois “chega um momento em que deixa de ser económico aprofundar as explorações”. Mas o seu uso para a mobilidade eléctrica poderia dar uma reviravolta ao sector em Portugal.

O geólogo calcula que num prazo de dois anos já poderá haver pelo menos duas unidades a produzir lítio para as fábricas de baterias, já que os trâmites legais estão bastante adiantados.

A mais avançada é a mina de Barroso, no norte do país, onde a britânica Savannah Resources anunciou ter encontrado a maior reserva de lítio da Europa ocidental. Prevê investir cerca de 500 milhões e começar a produzir no final de 2020. Mas para que Portugal se posicione com força no mercado do lítio é necessário realizar mais prospecções, algo na agenda do Governo socialista português.

À espera de licenças

Em Janeiro de 2018, o Executivo aprovou uma estratégia para “dinamizar os concursos públicos para a atribuição de licenças de prospecção e investigação, assim como para a respectiva exploração”. No entanto, ano e meio depois, ainda não os lançou.

A previsão é que sejam abertos 8 concursos de prospecção nas zonas onde se identificaram reservas. No entanto, o Ministério de Ambiente e Transição Energética, que tem a tutela sobre estas concessões, não deu detalhes sobre a data prevista.

Nos últimos dois anos devemos ter perdido entre 8 e 10 milhões de euros em investimentos só em prospecção e investigação devido à demora nos concursos”, lamenta Morris Pereira.

Além da Savannah Resources, várias empresas estrangeiras mostraram um grande interesse no lítio português, como as australianas Fortescue, que este ano apresentou duas dezenas de solicitações de prospecção, ou a Dakota Minerals, que inclusivamente decidiu adaptar o seu nome ao português e trocá-lo para “Novo Lítio”.

Para as explorações que têm que esperar pelos concursos de prospecção, o processo de licenças pode demorar até uma década, segundo os geólogos. Em pleno Agosto e com eleições legislativas em Outubro, não têm muita esperança que cheguem antes do voto.

Contestação ambiental

Poderá a contestação ambiental que o assunto levantou no país estar a influenciar a demora? O geólogo considera que sim, uma opinião compartilhada pelas organizações “verdes”. Nas zonas nas quais se poderão lançar os concursos surgiram nos últimos anos movimentos de oposição liderados por moradores e municípios e apoiados pelas associações ambientais.

“Este processo não pode avançar da forma anárquica como se está a fazer”, disse à EFE o ambientalista Pedro Santos, da associação Quercus, que alertou sobre o impacto que as minas podem ter sobre a paisagem, os ecossistemas, os cursos de água e as populações.

A Quercus tem “muitas dúvidas” que a indústria do lítio, tal como se planeia em Portugal, com minas ao ar livre, possa ter um “impacto positivo”, apesar de se destinar à mobilidade eléctrica.

“Entendemos que o lítio tem um papel importante no contexto actual das baterias e da tecnologia, mas existem outras formas de extracção com menos impacto no meio ambiente e outras formas de mobilidade”, defende Santos, que apelou ao incentivo de soluções baseadas no hidrogénio.

#semcomentarios

Publicado por John Pereira em Sábado, 22 de junho de 2019

Por tudo isso, a Quercus pede o fim das concessões e que o Parlamento discuta na próxima legislatura uma estratégia para preservar os meios naturais e debater o impacto ambiental das minas de lítio.

ZAP // EFE

Por EFE
18 Agosto, 2019

 

2464: Terraplanista “Mad” Hughes vai voltar ao Espaço num foguete caseiro para tentar provar a sua teoria

Kevin Carden / Deviant Art

“Mad” Mike Hughes, um teórico autodidacta e teórico da conspiração, tentará mais uma vez lançar-se ao céu sobre o Deserto de Mojave, na Califórnia, num foguete a vapor este sábado, alcançando 1.500 metros antes de saltar de pára-quedas voltando com segurança à Terra.

Mike Hughes não se cansa: já tentou três vezes voar num foguete para defender a ideia de que a Terra é plana. Anunciou a primeira empreitada em 2016, mas a jornada foi adiada para o final de 2017, quando fez um voo que durou menos de dois minutos. Depois, voou de novo em Março de 2018, porém, ainda não conseguiu provar o terraplanismo. Agora, espera fazer mais uma viagem neste sábado, 17 de Agosto.

Como de costume, o norte-americano de 63 anos quer aventurar-se um foguete construído por ele mesmo. A descolagem aconteceria na semana passada, mas a sua invenção falhou pois tinha comprado um aquecedor defeituoso. O equipamento não chegou aos 200°C necessários para dar impulso para o voo.

Em 2017, segundo o norte-americano, o seu foguete voou a 160 quilómetros por hora e alcançou uma altura de 571 metros, o que é insuficiente para ver a curvatura da Terra, que só pode ser observada a pelo menos 11 quilómetros de altitude, marca alcançada todos os dias por pilotos de aviões que rondam os céus.

Desta vez, de acordo com um comunicado, Hughes planeia alcançar 640 quilómetros por hora e arrecadar fundos para uma próxima jornada. O seu objectivo é construir em breve o Rock-oon, um equipamento metade foguete e metade balão para subir a 100 quilómetros de altura e ver a Linha de Kármán, limite estabelecido como fronteira entre a atmosfera terrestre e o espaço.

Essencialmente, o balão se juntaria ao foguete e levaria Hughes a uma parte do caminho, em seguida, dispararia o foguete movido a água oxigenada e percorreria o resto da distância. Ambos esperam ter esse dispositivo pronto em cerca de dois anos, embora antes precisem de arrecadar 2,8 milhões de dólares.

À agência de notícias Associated Press, o terraplanista contou que não acredita em ciência. “Eu conheço aerodinâmica e a dinâmica dos fluidos e sei como as coisas se movimentam no ar”, disse. “Sei o tamanho dos foguetes e o impulso. Mas isso não é ciência, é só uma fórmula. Não há diferença entre ciência e ficção científica.”

Hughes, um motorista de limusina, tem um histórico de aventuras com resultados mistos. Segundo o portal Ars Technica, o entusiasta detém o recorde mundial Guinness reconhecido em 2002 por saltar cerca de 31 metros numa limusina.

O homem também já sobreviveu a um voo de foguete tripulado em 2014, no qual alcançou uma altitude de 418 metros e percorreu cerca de 250 metros, mas passou três dias a recuperar das pressões exercidas pela força gravitacional e duas semanas a andar de muletas.

Adepto da teoria da Terra Plana, Hughes prometeu à comunidade que ia expor a mentira que será a “Terra Redonda”.

ZAP //

Por ZAP
16 Agosto, 2019

 

2463: O Pólo Norte está a ser atingido por relâmpagos (e isso não é normal)

CIÊNCIA

Mathias Krumbholz / wikimedia

Uma tempestade perto do Pólo Norte pode não parecer a maior preocupação, tendo em conta o rápido aquecimento do Árctico. Mas é mais um sinal de que o Árctico continua a ter um verão anormal.

A Terra é atingida por raios, cerca de 8 milhões de vezes por dia. São 100 ataques por minuto. Mas muito poucos desses raios atingem o nível norte do planeta – e muito raramente perto do Árctico. No entanto, no fim de semana passado, o escritório do Serviço Nacional de Meteorologia de Fairbanks relatou um raio a 482 quilómetros do Pólo Norte.

Brian Brettschneider, especialista em clima, destacou pela primeira vez a bizarra previsão do tempo no sábado. Os dados vieram do Global Lightning Dataset, um conjunto de dados criado de forma privada usando sensores implantados em todo o mundo que conseguem detectar raios a quase seis mil quilómetros de distância. Imagens de satélite confirmaram as tempestades sobre o Oceano Árctico.

“Este é um dos mais distantes raios do norte do Alasca na memória de previsão meteorológica”, disse o NWS. Um meteorologista citado pelo Capital Weather Gang sustenta que o evento foi “certamente incomum e chamou a nossa atenção”.

Nos trópicos – ou mesmo nas latitudes médias -, as tempestades são comuns. Porém, é uma história completamente diferente sobre o Oceano Árctico. São necessários alguns ingredientes-chave para gerar raios, mas o principal deles é a instabilidade atmosférica. Especificamente, a atmosfera inferior deve ser quente e húmida, enquanto a camada acima é fria e seca. Esse tipo de ambiente ajuda a estimular a convecção, que, por sua vez, pode gerar nuvens altas com relâmpagos.

O Árctico não é estranho ao ar frio e seco. Mas condições quentes e húmidas no solo não são a norma para a região. Mas neste verão as temperaturas do Árctico aumentaram e o gelo do mar atingiu quase o recorde quase diário.

A number of lightning strikes were recorded Saturday evening (Aug. 10th) within 300 miles of the North Pole. The lightning strikes occurred near 85°N and 126°E. This lightning was detected by Vaisala’s GLD lightning detection network. #akwx

Há sinais de que as latitudes do norte estão a tornar-se mais propensas a tempestades eléctricas. De acordo com o Gizmodo, um artigo publicado em 2017 revelou que os incêndios provocados por raios aumentaram de 2 a 5% por ano nos últimos 40 anos. Com a mudança climática a aumentar o calor duas vezes mais rápido no Árctico do que no resto do mundo, é provável que as condições instáveis ​​necessárias para provocar um raio se possam tornar mais comuns no futuro.

Este verão foi particularmente estranho para o Árctico. De maciços incêndios florestais a um dos mais extensos derretimentos da camada de gelo da Gronelândia, esta estação do ano tem sido de crise para a zona norte do globo.

ZAP //

Por ZAP
18 Agosto, 2019

 

2462: NASA detectou (e mediu) o primeiro choque interplanetário

CIÊNCIA

Rainee Colacurcio / NASA

A Multiscale Magnetospheric Mission (MMS) da agência espacial norte-americana conseguir fazer as primeiras medições de um choque interplanetário.

Em comunicado, a NASA explica que os choques interplanetários são um tipo de choque sem colisão, no qual as partículas transferem energia através de campos magnéticos, em vez de “saltar” directamente umas nas outras. Este fenómeno ocorre em todo o Universo, incluindo super-novas, buracos negros e estrelas distantes.

Estes choques começam no Sol, que liberta de forma continuada correntes de partículas carregas – o chamado “vento solar”. A NASA publicou agora um vídeo descritivo sobre o vento solar, que pode ser lento ou rápido. Quando uma corrente rápida de vento solar excede uma corrente mais lenta, cria uma onda de choque.

“O MMS foi capaz de medir o impacto [interplanetário] graças aos seus inéditos instrumentos de alta resolução e velocidade. Este conjunto de instrumentos pode medir iões e electrões em torno de uma nave espacial até seis vezes por segundo”, começam por explicar os cientistas na mesma nota de imprensa.

“Tendo em conta que as ondas de choque de alta velocidade podem passar antes da nave espacial em apenas meio segundo, esta amostragem de alta velocidade é essencial para travar o acidente”, explicou a equipa.

A missão, lançada em 2015, tem como objectivo estudar o ambiente magnético que envolve a Terra. No novo estudo, os cientistas analisaram um fenómeno que ocorreu em Janeiro passado. Durante a observação, os dispositivos da NASA capturaram o primeiro teste visual da transferência de energia que ocorre durante um acidente interplanetário.

“A MMS obteve medições de partículas multi-ponto e de campo de alta resolução sem precedentes de um choque interplanetário”, escrevam os cientistas no novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista Journal of Geophysical Research.

ZAP //

Por ZAP
18 Agosto, 2019