2449: Está a chover plástico nos Estados Unidos: fibras microscópicas caem do céu

Os avisos não são de agora e não é novidade que o planeta está cada vez mais poluído pelo plástico. Há plástico por todos o lado, é nas águas que bebemos, no sal que ingerimos, nas correntes dos oceanos, nos picos gelados montanhosos, no interior dos glaciares e agora já chovem resíduos de plástico. Literalmente, está a chover plástico nos Estados Unidos.

Embora os cientistas estudem a poluição plástica há mais de uma década, ainda não se sabe os efeitos na saúde.

A água, os alimentos e até o ar está contaminado com micro-plásticos

A descoberta levanta novas questões sobre a quantidade de resíduos plásticos que permeiam o ar, a água e o solo em praticamente todo o mundo. Conforme podemos ler no The Guardian, o plástico era a coisa mais distante da mente do investigador do US Geological Survey, Gregory Wetherbee. Este ficou surpreso ao detectar fibras plásticas microscópicas multicoloridas de plástico nas amostras de água da chuva recolhidas nas Montanhas.

A descoberta, publicada num estudo recente intitulado “Está a chover plástico”, levanta novas questões sobre a quantidade de resíduos plásticos que existem no ar, na água e no solo em praticamente todos os lugares da Terra.

Penso que o resultado mais importante que nós podemos partilhar com o público americano é que há mais plástico lá fora do que o que se encontra à nossa vista. É na chuva, é na neve. Agora faz parte do nosso ambiente.

Referiu Wetherbee.

Plástico pode viajar com o vento ao longo de milhares de quilómetros

As amostras de água da chuva recolhidas em todo o Estado do Colorado e analisadas sob um microscópio, continham um arco-íris de fibras plásticas. Além disso, existiam também grãos e fragmentos. As descobertas chocaram Wetherbee, que estava a recolher as amostras para estudar a poluição por nitrogénio.

Conforme o investigador referiu, os resultados que recolheu são puramente acidentais. Contudo, estes dados são consistentes com outro estudo recente que encontrou micro-plásticos nos Pirenéus. Assim, tais coincidências sugerem que as partículas de plástico podem viajar no vento por centenas, se não milhares, de quilómetros.

Está a chover plástico nos Estados Unidos

De maneira idêntica, existem estudos que revelaram micro-plásticos nos pontos mais profundos do oceano. Além desses, também foram detectados micro-plásticos em lagos e rios do Reino Unido e nas águas subterrâneas dos Estados Unidos.

Um dos principais contribuintes é o lixo, disse Sherri Mason, investigadora de micro-plásticos e coordenadora de sustentabilidade da Penn State Behrend. Mais de 90% dos resíduos de plástico não são reciclados e, à medida que se degradam lentamente, são decompostos em pedaços cada vez menores.

As fibras plásticas também se partem do nosso vestuário sempre o que o lavamos.

Explicou a investigadora. Na verdade, as partículas de plástico são subprodutos de uma variedade de processos industriais.

Perdemos o controlo, o plástico conquistou o planeta

Segundo as palavras de Mason, é impossível perseguir as pequenas peças até às suas fontes. Isto porque actualmente quase tudo o que é feito de plástico pode estar a lançar partículas na atmosfera.

E então estas partículas são incorporadas em gotículas de água quando chove.

Sintetizou a investigadora.

Posteriormente, a chuva leva esses plásticos para os rios, lagos, baías e oceanos. De seguida, tudo isto é passado para as fontes de água subterrânea, aquelas que também consumimos.

Animais e humanos consomem micro-plásticos via água e comida, e provavelmente respiramos partículas micro e nano-plásticas no ar. Contudo, os cientistas ainda não conseguiram apurar os efeitos que isso tem na nossa saúde. Os micro-plásticos também podem atrair e anexar metais pesados ​​como o mercúrio e outros químicos perigosos, além de bactérias tóxicas.

Como estamos todos expostos a centenas de substâncias químicas sintéticas assim que nascemos, é difícil dizer quanto tempo mais viveríamos se não fôssemos expostos.

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Imagem: 3BLmedia
Fonte: The Guardian

 

2448: Há um peixe que pode viver mais de 100 anos (mas isso não é necessariamente uma boa notícia)

CIÊNCIA

(dr) Lackmann et al., Communications Biology, 2019
Ictiobus cyprinellus

Embora seja um dado impressionante, os biólogos descobriram que os 112 anos de um exemplar da espécie Ictiobus cyprinellus também significam um problema que, mais uma vez, tem a actividade humana como principal culpada.

Novas técnicas revelaram que um Ictiobus cyprinellus, peixe de água doce nativo da América do Norte, viveu cerca de 112 anos. Além de superar largamente a expectativa de vida de 26 anos desta espécie, esta idade excede ainda a expectativa de vida de qualquer peixe de água doce conhecido por quase 40 anos.

Segundo o Science Alert, os biólogos já suspeitavam que este peixe podia viver mais tempo do que se pensava, por isso puseram mãos à obra para descobrir quantos anos podiam ter. Entre 2011 e 2018, apanharam um grande número de peixes para fazer uma recolha de dados.

Alguns dos espécimes foram fotografados, medidos, identificados pelo sexo e etiquetados antes de serem devolvidos à natureza, para que depois a equipa pudesse medir as suas mudanças ao longo do tempo. Outros 386 exemplares não tiveram a mesma sorte e foram dissecados para determinar a sua idade.

Os investigadores retiraram finas aparas dos seus otólitos, estruturas de carbonato de cálcio nos ouvidos dos peixes ósseos que os ajudam a manter o equilíbrio. No estudo, publicado em maio na revista Communications Biology, os anéis otolíticos deram um resultado inicial de 80 a 90 anos — um número impressionante pois, até então, o mais antigo peixe ósseo de água doce era um Aplodinotus grunniens, com 73 anos.

Para verificar este resultado inicial, os biólogos usaram a datação por carbono bomba, uma técnica que existe graças ao teste da bomba atómica em meados do século XX. Esses testes duplicaram a quantidade de carbono-14 na atmosfera antes de recuar lentamente para os níveis anteriores.

Os cientistas procuraram então pelo carbono-14 nos anéis dos otólitos que recolheram para determinar quantos anos o peixe tinha, o que lhes permitiu que o exemplar em causa tinha mesmo 112 anos. Mas entre 85% e 90% de algumas das populações de peixes estudadas tinham mais de 80 anos, o que estranhamente significa um problema.

“Documentamos numerosas populações que são compostas em grande parte por indivíduos com mais de 80 anos, o que sugere um fracasso no recrutamento a longo prazo desde a construção de uma barragem nos anos 30″, escreveram os autores no artigo científico.

“As barragens em rios são citadas como a principal causa de fracasso no recrutamento deste peixe porque restringem o acesso a habitats de desova e podem silenciar as sugestões ambientais pensadas para iniciar o comportamento de desova”, acrescentam.

Noutras palavras, escreve o Science Alert, algumas populações de peixes não estão a produzir jovens e parece que, mais uma vez, a actividade humana é a principal culpada. Os investigadores esperam agora que esta descoberta inspire uma maior apreciação sobre uma espécie que consideram ser incompreendida.

ZAP //

Por ZAP
15 Agosto, 2019

 

2447: NASA prepara próxima missão a Marte em campo de lava na Islândia

A NASA prepara em campos de lava na Islândia a próxima missão a Marte, prevista para 2020, para dar continuação ao trabalho do robô “Curiosity”, que desde 2012 explora o planeta em busca de sinais de vida.

© iStock A NASA prepara em campos de lava na Islândia a próxima missão a Marte, prevista para 2020, para dar continuação ao trabalho do robô “Curiosity”, que desde 2012 explora o planeta em busca de sinais de vida.

Junto ao Langjokull, o segundo maior glaciar da Islândia, na região oeste da ilha, o campo de lava de Lambahraun foi durante três semanas de Julho o local de trabalho de uma quinzena de cientistas e engenheiros enviados pela Agência Espacial Norte-Americana.

A ilha vulcânica do meio do Atlântico Norte tem características a fazer lembrar o planeta vermelho, com a sua areia preta de basalto, as dunas moldadas pelo vento, as rochas negras e os cumes das montanhas à volta.

“Temos exactamente o tipo de padrões e transporte de matérias que os cientistas querem ver”, disse no local um responsável dos Serviços Espaciais de Controlo da Missão, Adam Deslauriers, de uma empresa do Canadá contratada pela NASA para testar um protótipo de veículo espacial.

Trata-se de um pequeno veículo eléctrico, branco e cor de laranja, com tracção nas quatro rodas e accionado por dois motores laterais, que funciona como uma retro-escavadora e que tem 12 pequenas baterias no interior. Basicamente “é indestrutível” disse Deslauriers, citado hoje pela AFP.

Equipado com sensores 3D, um computador, uma câmara com duas objectivas e instrumentos científicos, os 570 quilos do equipamento movem-se por controlo remoto a 20 centímetros por segundo.

O veículo recolhe e classifica dados do ambiente à sua volta graças às câmaras e envia-os para a equipa de engenheiros que estão a várias centenas de metros, que por sua vez os transmitem aos cientistas que estão confinados numa tenda. Tudo para simular o envio de informações de Marte para a Terra.

Os investigadores vão depois até ao local do veículo robô para medir a radiação e recolher amostras, coisa que o protótipo só conseguirá fazer na versão final.

Os locais de treino são escolhidos tendo em conta a forma como a areia e as rochas mudam tanto na composição química quanto nas propriedades físicas à medida que se mudam do glaciar para o rio vizinho.

Antes de Marte se tornar um deserto congelado e inóspito, onde a temperatura média ronda os 63 graus negativos, os cientistas admitem que se pareceria muito com a ilha.

“A mineralogia na Islândia é muito similar à que encontrámos em Marte”, disse Ryan Ewing, professor de geologia e geofísica na Universidade do Texas, Estados Unidos.

A Islândia já serviu de cenário para outros exercícios da NASA, nomeadamente por ocasião de missões da Apollo (missão que levou o homem à Lusa), quando 32 astronautas fizeram formação na ilha, em 1965 e 1967.

msn notícias
Lusa
14/08/2019