2443: UAI aprova segundo conjunto de nomes para características à superfície de Plutão

Este mapa, compilado a partir de imagens e dados recolhidos pela sonda New Horizons da NASA durante a sua passagem pelo sistema de Plutão em 2015, contém os nomes de várias características da superfície aprovados pela União Astronómica Internacional. Os nomes desta mais recente “ronda” estão a amarelo.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Ross Beyer

Várias pessoas e missões que abriram caminho à exploração histórica de Plutão e da Cintura de Kuiper – os mais distantes mundos já explorados – são homenageados no segundo conjunto de nomes oficiais de Plutão aprovados pela União Astronómica Internacional (UAI), a autoridade internacional responsável pela nomenclatura de corpos celestes e das suas características à superfície.

Os novos nomes foram propostos pela equipa da New Horizons da NASA, que realizou o primeiro reconhecimento de Plutão e das suas luas com a sonda New Horizons em 2015. Juntamente com uma pequena lista de nomes oficiais que a UAI já havia aprovado, a equipa científica da missão tem vindo a usar estes outros nomes informais para descrever as muitas regiões, cadeias de montanhas, planícies, vales e crateras descobertas durante o primeiro olhar detalhado da superfície de Plutão.

A UAI aprovou o primeiro conjunto de 14 nomes de características à superfície de Plutão em 2017, bem como um conjunto de nomes para a maior lua de Plutão, Caronte, em 2018. A equipa reuniu muitas das ideias durante uma campanha online em 2015.

Os 14 novos nomes de características de Plutão ficam aqui listadas abaixo por ordem alfabética. Os nomes homenageiam a mitologia do submundo, missões espaciais pioneiras que levaram ao sucesso da New Horizons, pioneiros históricos que cruzaram novos horizontes na exploração da Terra e cientistas e engenheiros associados com o estudo e exploração de Plutão e da Cintura de Kuiper.

  • Alcyonia Lacus, um possível lago de azoto gelado à superfície de Plutão, recebe o nome do lago “sem fundo” em Lerna, uma região da Grécia conhecida pelas suas nascentes e pelos seus pântanos; o lago alcioniano era uma das entradas para o submundo da mitologia grega;
  • Elcano Montes é uma cordilheira que homenageia Juan Sebastián Elcano (1476-1526), o explorador espanhol que em 1522 completou a primeira circum-navegarão da Terra (uma viagem iniciada em 1519 por Fernão de Magalhães);
  • Hunahpu Valles é um sistema de desfiladeiros em honra de um dos heróis gémeos da mitologia maia, que derrotou os senhores do submundo durante um jogo de bola (meso-americano);
  • A cratera Khare homenageia o cientista planetário Bishun Khare (1933-2013), especialista em química de atmosferas planetárias que fez trabalho de laboratório levando a vários artigos seminais sobre tolinas – as moléculas orgânicas que provavelmente são responsáveis pelas regiões mais escuras e avermelhadas de Plutão;
  • A cratera Kiladze homenageia Rolan Kiladze (1931-2010), o astrónomo georgiano (do Cáucaso) que fez investigações pioneiras sobre a dinâmica, astrometria e fotometria de Plutão;
  • Lowell Regio é uma grande região em honra a Percival Lowell (1855-1916), o astrónomo americano que fundou o Observatório Lowell e organizou uma busca sistemática por um planeta para lá de Neptuno;
  • Mwindo Fossae é uma rede de depressões longas e estreitas em honra de Nyanga (República Democrática do Congo/Zaire), o herói épico que viajou até ao submundo e, após regressar a casa, tornou-se um sábio e poderoso rei;
  • Piccard Mons é uma montanha e suspeito crio-vulcão que homenageia Auguste Piccard (1884-1962), inventor e físico do século XX, mais conhecido pelos seus voos pioneiros de balão até à atmosfera superior da Terra;
  • Pigafetta Montes homenageia Antonio Pigafetta (circa 1491-1531), o erudito e explorador italiano que narrou as descobertas feitas durante a primeira circum-navegarão da Terra, a bordo dos navios de Fernão de Magalhães;
  • Piri Rupes é um longo penhasco que homenageia Ahmed Muhiddin Piri (circa 1470-1553), também conhecido como Piri Reis, navegador e cartógrafo otomano famoso pelo seu mapa-múndi. Desenhou também alguns dos primeiros mapas existentes da América do Norte e Central;
  • A cratera Simonelli homenageia o astrónomo Damon Simonelli (1959-2004), cuja ampla investigação incluiu a história da formação de Plutão;
  • Wright Mons homenageia os irmãos Wright, Orville (1871-1948) e Wilbur (1867-1912), os pioneiros da aviação norte-americana que construíram e pilotaram, com sucesso, o primeiro avião do mundo;
  • Vega Terra é uma grande massa de terra em honra das missões soviéticas Vega 1 e 2, as primeiras naves espaciais a enviar balões para outro planeta (Vénus) e a fotografar o núcleo de um cometa (1P/Halley);
  • Venera Terra tem o nome das missões Venera, enviadas a Vénus pela União Soviética entre 1961 e 1984; incluíram o primeiro objecto feito pelo Homem a entrar na atmosfera de outro planeta, a fazer uma aterragem suave noutro planeta e a transmitir imagens de outra superfície planetária.

A sonda New Horizons está quase a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra. Está de boa saúde e a transmitir dados registados durante o “flyby” de Ano Novo de 2019 pelo objecto 2014 MU69 da Cintura de Kuiper, de nome Ultima Thule, o objecto mais distante e primitivo já explorado.

Astronomia On-line
13 de Agosto de 2019

 

Descoberto buraco negro “encoberto” no Universo inicial

Dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA revelaram o que poderá ser o mais distante buraco negro “encoberto”.
Crédito: raios-X – NASA/CXO/Pontificia Universidad Católica de Chile/F. Vito; rádio – ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); óptico – Pan-STARRS

Os astrónomos descobriram evidências do mais distante buraco negro “encoberto” até à data, usando o Observatório de raios-X Chandra da NASA. A apenas 6% da idade do Universo, esta é a primeira indicação de um buraco negro escondido por gás numa altura tão precoce na história do cosmos.

Os buracos negros super-massivos, com milhões a milhares de milhões de vezes a massa do nosso Sol, normalmente crescem puxando material de um disco de matéria circundante. O crescimento rápido gera grandes quantidades de radiação numa região muito pequena em redor do buraco negro. Os cientistas chamam “quasar” a esta fonte extremamente brilhante e compacta.

De acordo com as teorias actuais, uma densa nuvem de gás alimenta o material no disco em torno do buraco negro super-massivo durante o seu período de crescimento inicial, que “envolve” ou esconde da nossa observação a maior parte da luz brilhante do quasar. À medida que o buraco negro consome material e se torna mais massivo, o gás na nuvem esgota-se, até que o buraco negro e o seu disco brilhante ficam a descoberto.

“É extraordinariamente desafiador encontrar quasares nesta fase encoberta, porque grande parte da sua radiação é absorvida e não pode ser detectada pelos instrumentos actuais,” disse Fábio Vito da Pontificia Universidad Católica de Chile, em Santiago, Chile, que liderou o estudo. “Graças ao Chandra e à capacidade dos raios-X em penetrarem através da nuvem obscura, pensamos que finalmente conseguimos.”

A nova descoberta surgiu de observações de um quasar chamado PSO167-13, que foi descoberto pela primeira vez pelo Pan-STARRS, um telescópio óptico no Hawaii. Observações ópticas deste e de outros levantamentos detectaram cerca de 200 quasares que já brilhavam intensamente quando o Universo tinha menos de mil milhão de anos, ou cerca de 7% da sua idade actual. Estas pesquisas só foram consideradas eficazes para encontrar buracos negros não cobertos, porque a radiação que detectam é suprimida até por finas nuvens de gás e poeira. Como PSO167-13 fazia parte destas observações, esperava-se que este quasar também estivesse desobstruído.

A equipa de Vito testou esta ideia usando o Chandra para observar PSO167-13 e outros nove quasares descobertos com levantamentos ópticos. Após 16 horas de observações, apenas três fotões de raios-X foram detectados de PSO167-13, todos com energias relativamente altas. Dado que os raios-X de baixa energia são mais facilmente absorvidos do que os de mais alta energia, a explicação provável é que o quasar é altamente obscurecido pelo gás, permitindo que sejam detectados apenas raios-X de alta energia.

“Esta foi uma completa surpresa,” disse o co-autor Niel Brandt da Universidade Estatal da Pensilvânia em University Park, EUA. “Era como se estivéssemos à espera de uma borboleta, mas ao invés víssemos um casulo. Nenhum dos outros nove quasares que observámos estava coberto, que foi o que previmos.”

Uma reviravolta interessante no que toca a PSO167-13 é que a galáxia hospedeira tem uma galáxia companheira, visível nos dados anteriormente obtidos com o ALMA (Atacama Large Millimeter Array) no Chile e com o Telescópio Espacial Hubble da NASA. Dada a sua pequena separação e o fraco brilho da fonte em raios-X, a equipa não foi capaz de determinar se a recém-descoberta emissão de raios-X está associada com o quasar PSO167-13 ou com a galáxia companheira.

Se os raios-X vierem do quasar conhecido, então os astrónomos precisam de desenvolver uma explicação para o porquê de o quasar parecer altamente obscurecido em raios-X, mas não no visível. Uma possibilidade é que houve um aumento grande e rápido no “disfarce” do quasar durante os três anos que separam as observações ópticas das de raios-X.

Por outro lado, se em vez disso os raios-X tiverem origem na galáxia companheira, então representa a detecção de um novo quasar em íntima proximidade com PSO167-13. Este par de quasares seria o mais distante já detectado.

Em qualquer um destes dois casos, o quasar detectado pelo Chandra seria o quasar encoberto mais distante já visto, 850 milhões de anos após o Big Bang. O recordista anterior foi observado 1,3 mil milhões de anos após o Big Bang.

Os autores planeiam prosseguir com mais observações a fim de aprender mais.

“Com uma observação mais longa do Chandra, podemos obter uma estimativa melhor de quão encoberto está este buraco negro,” disse o co-autor Franz Bauer, também da Pontificia Universidad Católica de Chile e membro associado do Millenium Institute de Astrofísica, “e fazer uma identificação confiante da fonte de raios-X com o quasar conhecido ou com a galáxia companheira.”

Os autores também planeiam procurar mais exemplos de buracos negros altamente obscurecidos.

“Nós suspeitamos que a maioria dos buracos negros super-massivos no Universo inicial está encoberta: é, pois, crucial detectá-los e estudá-los para entender como podem crescer até massas de mil milhões de sóis tão rapidamente,” comentou o co-autor Roberto Gilli do INAF em Bolonha, Itália.

O artigo que descreve estes resultados foi aceite para publicação na revista Astronomy and Astrophysics e está disponível online.

Astronomia On-line
13 de Agosto de 2019

 

ALMA identificou antepassados “escuros” de galáxias elípticas gigantes

O ALMA identificou 39 galáxias ténues não identificadas na visão mais profunda do Universo do Telescópio Espacial Hubble, a 10 mil milhões de anos-luz de distância. Este exemplo mostra uma comparação das observações do Hubble e do ALMA. As imagens numeradas de 1 a 4 são as posições das galáxias ténues não observadas na imagem do Hubble.
Crédito: Universidade de Tóquio/CEA/NAOJ

Os astrónomos usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para identificar 39 galáxias ténues que não foram observadas na visão mais profunda do Universo do Telescópio Espacial Hubble, a 10 mil milhões de anos-luz de distância. São dez vezes mais numerosas do que galáxias igualmente massivas, mas visualmente brilhantes, detectadas com o Hubble. A equipa de investigação assume que estas galáxias fracas antecedem as galáxias elípticas massivas no Universo actual. No entanto, nenhuma teoria significativa para a evolução do Universo previu uma população tão abundante de galáxias massivas escuras e formadoras de estrelas. Os novos resultados do ALMA colocam em questão a nossa compreensão do Universo primitivo. Os resultados foram publicados na última edição da revista Nature.

“Estudos anteriores descobriram galáxias com formação estelar extrema no Universo primitivo, mas a população é bastante limitada,” disse Tao Wang, autor principal da investigação da Universidade de Tóquio, da Comissão Francesa de Energias Alternativas e Energia Atómica (CEA) e do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) do Japão. “A formação estelar nas galáxias ténues que identificámos é menos intensa do que em galáxias extremamente activas, mas estas são 100 vezes mais abundantes. É importante estudar um componente tão importante da história do Universo para compreender a formação das galáxias.”

Wang e a sua equipa observaram três “janelas” ALMA do Universo profundo, abertas pelo Telescópio Espacial Hubble: os campos CANDELS. A equipa descobriu 63 objectos extremamente vermelhos nas imagens infravermelhas obtidas pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA: são demasiado vermelhas para serem detectadas com o Hubble. No entanto, a resolução espacial limitada do Spitzer impediu que os astrónomos identificassem a sua natureza.

O ALMA detectou emissão de ondas sub-milimétricas de 39 dos 63 objectos extremamente vermelhos. Graças à sua alta resolução e sensibilidade, o ALMA confirmou que são galáxias massivas com formação estelar e que estão a produzir estrelas 100 vezes de modo mais eficiente do que a Via Láctea. Estas galáxias são representativas da maioria das galáxias massivas do Universo de há 10 mil milhões de anos, a maioria das quais até agora não tinham sido discernidas por estudos anteriores.

“Ao manter este ritmo de formação estelar, as galáxias detectadas pelo ALMA provavelmente transformar-se-iam na primeira população de galáxias elípticas massivas formadas no início do Universo,” disse David Elbaz, astrónomo da CEA e co-autor do artigo. “Mas há um problema. São inesperadamente abundantes.” Os cientistas estimaram a sua densidade numérica como equivalente a 530 objectos por cada grau quadrado do céu. Esta densidade numérica excede em muito as previsões dos modelos teóricos actuais e das simulações de computador. Além disso, de acordo com o modelo amplamente aceite do Universo com um tipo particular de matéria escura, é um desafio construir um grande número de objectos massivos numa fase tão inicial do Universo. Como um todo, os resultados actuais do ALMA desafiam a nossa actual compreensão da evolução do Universo.

“Tal como a galáxia M87, da qual os astrónomos recentemente obtiveram a primeira imagem de um buraco negro, as galáxias elípticas massivas estão localizadas no coração de aglomerados de galáxias. Os cientistas pensam que estas galáxias formaram a maioria das suas estrelas no início do Universo,” explica Kotaro Kohno, professor da Universidade de Tóquio e membro da equipa de investigação. “No entanto, pesquisas anteriores pelas progenitoras destas galáxias massivas não tiveram sucesso porque foram baseadas apenas em galáxias que são facilmente detectáveis com o Hubble. A descoberta deste grande número de galáxias ténues e massivas, invisíveis ao Hubble, fornece evidências directas da montagem precoce de galáxias massivas durante os primeiros mil milhões de anos do Universo.” Observações de acompanhamento mais detalhadas, com o ALMA e com o futuro Telescópio Espacial James Webb da NASA, serão essenciais para fornecer informações adicionais sobre a natureza destas galáxias. Os novos estudos poderão construir um quadro completo da formação galáctica no Universo inicial.”

Astronomia On-line
13 de Agosto de 2019

 

2440: Captadas ondas de rádio “zombies” emanadas por planetas mortos

CIÊNCIA

Mark A. Garlick / NASA

Uma equipa de cientistas da Universidade de Warwick , no Reino Unido, está a investigar ondas de rádio “zombies” captadas a partir da Terra, que são emanadas devido à interacção de planetas mortos com estrelas que terminaram já as suas vidas úteis, revelou um novo estudo.

De acordo com os cientistas, que publicaram esta semana os resultados da investigação na revista científica Monthly Notices da Royal Astronomical Society, as estrelas em causa destacam-se das suas camadas externas, tornando-se anãs brancas. Durante este processo, destroem objectos próximos, eliminado as camadas externas de planetas.

Os núcleos dos planeta – que podem sobreviver mais de 100 milhões de anos – e as estrelas anãs forma depois um circuito a partir do qual são emitidas ondas de rádio que pode ser detectada por radiotelescópios instalados na Terra.

O objectivo dos astrónomos passa por encontrar estes núcleos para que possam definir quais são as anãs brancas candidatas para iniciar o processo. Os sinais “zombies” detectados são um dos elementos para realizar esta selecção.

“Nunca ninguém encontrou o núcleo nu de um planeta importante ou um planeta importante através da monitorização das assinaturas magnéticas, nem um planeta importante em torno de uma anã branca”, começou por explicar Dimitri Veras, do Departamento de Física da Universidade de Warwick, citado pelo portal Universe Today.

“Por isso, uma descoberta [neste campo] representaria a “primeira” de três formas diferentes para os sistemas planetários”, acrescentou o cientista.

Veras recordou ainda que esta procura, a ser bem sucedida, “ajudaria a revelar a história deste sistemas estelares”, uma vez que para um núcleo de um planeta “ter alcançado esse estágio” deve ter sido “violentamente despido da sua atmosfera e do seu manto”, e depois “atirado para anã branca”. “Esse núcleo poderia fornecer uma visão sobre o nosso futuro distante e como o sistema solar acabará evoluindo”, concluiu.

“O núcleo poderia fornecer uma visão do nosso futuro distante, bem como uma perspectiva sobre como é que o Sistema Solar vai acabar por evoluir”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
13 Agosto, 2019

 

2439: O calor da crosta terrestre poderia tornar-se na fonte suprema de energia

Mitch Battros / Earth Changes Media

A necessidade urgente de reduzir as emissões e a ascensão das energias renováveis alterou substancialmente a forma como abastecemos a nossa geração de energia.

Uma das tecnologias mais emergentes do mundo são aquelas destinadas a produzir energia. Além das fontes de geração de energia já existentes, há uma outra permanente, enorme e inexplorada: a energia geotérmica.

A energia geotérmica é derivada do calor da Terra. Produzir este tipo de energia requer dispositivos que possam, de alguma forma, fazer uso do calor dentro da crosta terrestre.

Recentemente, uma equipa de cientistas do Tokyo Institute of Technology fizeram progressos significativos no desenvolvimento de células térmicas sensibilizadas (STCs), um tipo de bateria que pode gerar energia eléctrica a 100℃ ou menos.

Os investigadores propuseram o uso de STCs como um novo método para converter calor directamente em energia eléctrica usando células solares sensibilizadas por corantes. De seguida, os cientistas substituíram o corante por um semicondutor para permitir que o sistema trabalhasse usando calor em vez de luz, explica o Tech Explorist.

(dr) Sachiko Matsushita

A bateria desenvolvida é composta por três camadas intercaladas entre eléctrodos: uma camada de transporte de electrões (ETM), uma camada de semicondutor (germânio) e uma camada de electrólito sólido (iões de cobre). Os electrões passam de um estado de baixa energia para um estado de alta energia no semicondutor, tornando-se termicamente excitados e, depois, transferidos naturalmente para o ETM.

Depois desse processo, os electrões viajam do eléctrodo, passam por um circuito externo e pelo eléctrodo do contador e alcançam o electrólito. Em ambas as interfaces do electrólito, acontecem reacções de oxidação e redução envolvendo iões de cobre, resultando na transferência de electrões de baixa energia para a camada semi-condutora, para que o processo possa iniciar um novo circuito, completando assim um circuito eléctrico.

Durante a experiência, os cientistas descobriram que a electricidade parou de fluir após um período específico e propuseram um mecanismo para explicar esse fenómeno: a corrente pára porque as reacções redox na camada de electrólito terminam devido à realocação dos diferentes tipos de iões de cobre.

O que mais entusiasma os cientistas é o facto de esta bateria ser capaz de reverter a própria situação na presença de calor abrindo o circuito externo durante um período curto de tempo.

Sachiko Matsushita, líder da investigação, cujo artigo científico foi recentemente publicado no Journal of Materials Chemistry A, disse que, “com este projecto, o calor, geralmente considerado como energia de baixa qualidade, poderia tornar-se numa óptima fonte de energia renovável”.

“Estamos muito entusiasmados com a descoberta por causa da sua aplicabilidade, ecologia e potencial para ajudar a resolver a crise global de energia”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
13 Agosto, 2019

 

2438: Um meteoro explodiu em Júpiter (e há um vídeo a registar o momento)

Um astro-fotógrafo conseguiu captar por acaso, esta quarta-feira, o momento em que um meteoro explodiu na atmosfera superior espessa de Júpiter.

“Depois de ver o vídeo e me ter apercebido do flash, a minha mente começou a andar às voltas. Senti urgentemente a necessidade de partilhar isto com as pessoas que achassem os resultados úteis”, explica Ethan Chappel ao Science Alert.

O vídeo foi captado pelo astro-fotógrafo, esta quarta-feira, no Texas. Se estiver atento às imagens, consegue perceber que logo abaixo da linha do equador, do lado esquerdo, algo se ilumina visivelmente e depois desaparece.

“É um feito conseguir um vídeo como este, nunca vi nada parecido antes. É totalmente de tirar o fôlego”, disse ao mesmo site o astrónomo da Universidade de Southern Queensland, na Austrália, Jonti Horner.

A luz que se vê no vídeo não é provocada pelos processos habituais do planeta, como raios ou auroras. Os cientistas acreditam que se tenha tratado do impacto de um meteoro, que também não é necessariamente um evento raro.

Além disso, Júpiter está rodeado de objectos que podem chocar com a sua gravidade: cometas de período curto e de longo período, bem como asteróides do cinturão entre este planeta gasoso e Marte.

Na verdade, um estudo publicado em 1998 descobriu que a taxa de grandes impactos em Júpiter seria provavelmente entre 2.000 e 8.000 vezes a taxa de impactos na Terra, o que não significa que os consigamos ver com facilidade (poucos foram capturados).

“É um evento muito fugaz, acontece em poucos segundos. Muitas vezes estas coisas passam despercebidas e não são observadas. E metade delas acontecerá do outro lado do planeta. Por isso, há muitos factores que dificultam a possibilidade de ver estes eventos”, afirma Horner ao mesmo site.

A parte mais entusiasmante do vídeo de Chappel é que os cientistas podem agora comparar este impacto com outros, como é o caso do meteoro de Cheliabinsk, que caiu na cidade russa com o mesmo nome em 2013.

Também é possível que o impacto deste meteoro tenha deixado uma cicatriz em Júpiter, que pode ser estudada por outros instrumentos como, por exemplo, a sonda espacial da NASA Juno. Para já, os primeiros relatórios sugerem que o impacto foi pequeno demais para produzir uma cicatriz.

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Por ZAP
13 Agosto, 2019

(artigo relacionado): Júpiter acabou de ser atingido por algo tão grande que se viu da Terra

 

2437: No Canadá, o “turismo de icebergues” cresce alimentado pelas alterações climáticas

Jason Ardell / Flickr

A abundância de icebergues que deslizam do Pólo Norte para o Sul gerou uma nova atracção turística estreitamente vinculada à aceleração do aquecimento global.

Na hora do crepúsculo, um icebergue desaparece no mar, terminando a sua jornada da Gronelândia até Terra Nova, uma ilha do Canadá que tem vista privilegiada para assistir ao derretimento destes grandes blocos de gelo – para o fascínio dos visitantes que procuram a região nesta época do ano.

Outrora epicentro da pesca de bacalhau, a província de Terra Nova e Labrador recebe agora nas suas tranquilas aldeias costeiras hordas de fotógrafos amadores que vieram imortalizar os pedaços gigantes de gelo, cada vez em maior número, que desaguam no leste do Canadá no fim do inverno.

“Melhora de um ano para o outro. Cerca de 140 autocarros turísticos chegam à povoação a cada temporada, é bom para a economia“, disse Barry Strickland, ex-pescador de 58 anos que se tornou guia turístico em King’s Point, no norte de Terra Nova, à AFP. Há quatro anos, organiza excursões relacionadas com estes gigantes de gelo milenares que podem atingir dezenas de metros de altura e pesar centenas de milhares de toneladas.

À mercê dos ventos e das correntes, as calotas polares realizam uma viagem de milhares de quilómetros para o sul, aproximando-se da costa canadiana. Em poucas semanas, a sua água doce voltará para o oceano, depois de se ter mantido congelada.

As expedições na pequena embarcação de Barry com frequência enchem durante a “temporada alta de icebergues”, entre maio e Julho, e atraem para esta aldeia de 600 habitantes visitantes de todo o mundo. O menor movimento dos colossais blocos de gelo pode ser rastreado através de um mapa de satélite interactivo disponibilizado na Internet pelo governo da província.

“Não há muito o que fazer para os habitantes destas pequenas e isoladas cidades portuárias, de modo que o turismo é uma grande parte de nossa economia“, explica Devon Chaulk, empregado de uma loja de souvenirs em Elliston, uma aldeia de 300 habitantes situada na trajectória do “corredor de icebergues”.

“Vivi aqui toda a minha vida e o aumento do turismo nos últimos 10, 15 anos foi incrível”, conta entusiasmado Chaulk, de 28 anos.

No ano passado, mais de 500 mil turistas visitaram a província de Terra Nova, a mesma quantidade de residentes, e contribuíram para a economia local com cerca de 570 milhões de dólares canadianos (385 milhões de euros), segundo estimativas do governo local. O turismo suplantou parcialmente os rendimentos cada vez mais baixos da indústria da pesca, em crise devido à exploração excessiva do oceano no fim do século passado.

Mas, por trás dos icebergues, esconde-se uma realidade obscura: a aceleração do aquecimento global no Pólo Norte, que favorece o aparecimento de icebergues mas também faz com que a temporada seja cada vez mais imprevisível, o que prejudica as actividades que tiram benefício do fenómeno.

O Árctico aquece três vezes mais rápido do que o resto do mundo. Em Junho, a Gronelândia experimentou um derretimento de geleiras inédito para esta época do ano e temperaturas recorde foram registadas perto do Polo Norte em meados de Julho. Com os anos, os icebergues entram cada vez mais a sul, criando um risco para a navegação comercial nesta rota marítima que une a Europa com a América do Norte.

ZAP //

Por ZAP
12 Agosto, 2019