2556: “Muito mau”. Austrália baixa classificação do estado da Grande Barreira de Coral

CIÊNCIA

Keith Ellenbogen

A agência governamental australiana que gere a Grande Barreira de Coral baixou a classificação do estado dos corais de “mau” para “muito mau”, devido ao aquecimento global.

O relatório da Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Coral, que é actualizado a cada cinco anos, é a mais recente má notícia para os mais de 345 mil quilómetros quadrados de recife que se estendem ao longo da costa nordeste da Austrália, à medida que se agrava o impacto das alterações climáticas e do branqueamento de corais, provocado pelo aumento da temperatura da água.

O documento, divulgado esta sexta-feira, revela que a maior ameaça ao recife continua a ser a mudança climática. As outras ameaças estão associadas ao desenvolvimento costeiro, escoamento de águas de terrenos agrícolas e actividades humanas como a pesca ilegal. “Acções globais significativas para lidar com as alterações climáticas são cruciais para retardar a deterioração do ecossistema”, lê-se no relatório.

“Tais acções completarão e aumentarão muito a eficácia das iniciativas de gestão local nos recifes e na bacia hidrográfica”, frisam os relatores. Este é o terceiro relatório da agência e a deterioração continua desde o primeiro, em 2009.

A deterioração dos recifes reflecte-se essencialmente na expansão da área de corais mortos ou danificados pelo branqueamento.

O documento aponta também que as ameaças — que incluem a estrela do mar Coroa de Espinhos (Acanthaster planci) espécie predadora dos pólipos dos corais — são “múltiplos, cumulativos e crescentes”. “A acumulação de impactos, através do tempo e numa área crescente, está a afectar a capacidade de recuperação, com implicações nas comunidades e indústrias dependentes dos corais”, afirmou o presidente da autoridade, Ian Poiner.

Um estudo recente, publicado no passado mês de Abril na revista científica Nature, dava conta de uma uma descida histórica no surgimento de novos corais na Grande Barreira de Coral, apontando o aquecimento global como o principal culpado.

ZAP // Lusa

Por ZAP
31 Agosto, 2019

 

2555: Tele-transporte quântico dá passo importante rumo à Internet mais rápida do mundo

CIÊNCIA

(dr) Harald Ritsch

Cientistas testaram com sucesso o tele-transporte quântico em três dimensões. Esta inovação pode abrir caminho ao desenvolvimento de uma Internet quântica.

Enquanto nos computadores normais a informação é armazenada em bits, que podem ser 0 ou 1, nos computadores quânticos, os “qubits” podem existir como ambos ao mesmo tempo. Agora, cientistas austríacos e chineses criaram fotões que podem simultaneamente existir como 0, 1 e 2 e podem ser “tele-transportados” a qualquer distância.

O tele-transporte quântico é uma tecnologia que permite o tele-transporte de informação por meios exclusivamente quânticos. Assim, um bit de informação não está limitado a ser 0 ou 1, podendo existir como ambos. Ao adicionar um 2 à equação, o leque de estados possíveis sobe exponencialmente. O New Atlas explica que um qubit pode ser um valor individual, um par ou até mesmo os três ao mesmo tempo.

Para além de conseguirem demonstrar este princípio em laboratório, os investigadores conseguiram também tele-transportar estes estados quânticos a qualquer distância. Os resultados do estudo foram publicados este mês na revista Physical Review Letters.

Para conduzir a sua experiência, os académicos usaram como base o chamado Teorema de Bell. Basicamente, um fotão é emitido em duas direcções diferentes ao mesmo tempo e, quando uma propriedade de um dos protões é manipulada, a do outro também acaba por ser igual, quase como se a informação tivesse sido tele-transportada.

É aqui que entra o trunfo deste novo estudo. Os cientistas aplicaram esta experiência, mas usando três dimensões. A equipa de investigadores acabou por conseguir tele-transportar com sucesso as informações quânticas de um fotão para os outros dois.

Teoricamente, este princípio pode ser aplicado não só a três dimensões, mas a um qualquer número de dimensões desejadas. Isto pode pavimentar caminho para interligar computadores através de uma Internet quântica, capaz de enviar informação a uma velocidade nunca antes vista.

ZAP //

Por ZAP
31 Agosto, 2019

 

2554: Afinal, Cristóvão Colombo não terá sido o primeiro europeu a pisar as Américas

CIÊNCIA

Prang Educational Co., 1893. 40802Y U.S. Copyright Office
Ilustração da chegada de Cristóvão Colombo à América em 1492.

Cristóvão Colombo tornou-se numa figura controversa nos anos recentes. Discussões sobre a sua “descoberta” da América do Norte levam às conversas sobre o massacre e os maus tratos aos nativos americanos por quem terá passado.

Tem-se falado cada vez mais de que Colombo nem sequer terá alguma vez pisado a América do Norte. Por outro lado, há provas de que o fez.

Porém, de acordo com relatos contemporâneos e evidências arqueológicas descobertas na década de 1960, muitos estudiosos acreditam que o explorador Viking Leif Erikson chegou à América do Norte por volta de 1000 – o que pode fazer dele o primeiro europeu a pisar o Novo Mundo, escreve o All That’s Interesting.

Segundo a Enciclopédia da História Antiga, Leif Erikson nasceu na Islândia por volta de 970-980 e foi apelidado de “Leif the Lucky” pelo seu pai, o famoso Erik Red, que estabeleceu a primeira colónia Viking na Gronelândia em 985 depois de ter sido banido da Islândia por assassinato.

Na Gronelândia, o jovem Erikson encontrou ricos senhorios e chefes pioneiros na nova terra. Talvez tenha sido isso que lhe deu vontade de navegar no Atlântico num certo verão.

Compreender a história dos Vikings como um todo não é uma tarefa direta. A maioria das informações que os historiadores reuniram sobre Leif Erikson deriva da Vinland Sagas do século III, uma colecção de contos que conta a história da herança de Erikson, começando com o seu pai. Porém, nenhum dos documentos é, de forma alguma, inteiramente factual.,

Essas meias-lendas são relatos semi-históricos e corroboram a afirmação de que Leif Erikson desembarcou na América centenas de anos antes de Colombo. Mas esses contos também não são fontes totalmente confiáveis.

Em vez disso, as contas foram escritas mais de 200 anos depois de os eventos terem alegadamente acontecido. Os documentos sugerem, no entanto, que esses eventos terão ocorrido, foram mencionados em histórias que foram transmitidas oralmente e referenciadas a pessoas reais e incidentes reais em alguns aspectos.

Além disso, forem desenterrados em 1961 vestígios arqueológicos de um assentamento nórdico em L’Anse aux Meadows, no extremo norte da Terra Nova. Esses remanescentes estavam exactamente onde as histórias diziam que os Vikings se haviam estabelecido. Mas muito antes de serem descobertas essas evidências, as sagas das viagens de Leif Erikson foram os únicos documentos sobre as suas aventuras.

Existem dois relatos diferentes da chegada de Erikson à América do Norte. Um relato descrito na saga de Erik, o Vermelho, afirma que Erikson se desviou do Atlântico enquanto navegava de volta para a Noruega e acidentalmente desembarcou na costa americana.

A saga dos gronelandeses, enquanto isso, explica que a viagem do Viking à América do Norte não foi um erro – Erikson tinha ouvido falar do continente inexplorado por um comerciante islandês chamado Bjarni Herjólfsson, que o descobriu uma década antes, ao calcular mal uma viagem à Gronelândia. Mas Herjólfsson nunca desembarcou lá, o que ainda daria a Erikson o legítimo título de primeiro europeu a chegar à América do Norte.

Na conta da Saga of the Greenlanders, Erikson comprou o navio de Herjólfsson, organizou uma tripulação de 35 pessoas e rastreou com sucesso a rota do comerciante. Ao cruzar o Atlântico, a tripulação encontrou um pedaço de terra coberto de pedra que apropriadamente chamaram de Helluland ou “Terra da Laje de Pedra”, que provavelmente era a Ilha Labrador ou Baffin. Depois, viram uma terra arborizada chamada Markland ou “Forest Land”, que provavelmente era Labrador.

Finalmente, estabeleceram uma base em Leifsbúdir ou “Leif’s Booths”, que provavelmente ficava no extremo norte da ilha de Newfoundland.

O grupo de vikings se aventurou para sul, onde encontrou madeira e uvas. Aqui, chamaram a terra “Vinland” ou Wineland. Erikson e os seus homens terão passado todo o inverno lá, deleitando-se com o clima e os prados e comendo salmão e uvas. A saga termina quando os vikings regressam à Gronelândia.

Erikson nunca voltou ao Novo Mundo, talvez porque o irmão de Erikson, Thorwald, terá sido morto num dos muitos encontros violentos com a população indígena da América do Norte. Pouco se sabe sobre a vida posterior de Leif Erikson, embora as últimas menções escritas datam de 1019, tendo o seu status de chefe passado para o seu filho em 1025.

Os vestígios arqueológicos descobertos em 1961 consistiam numa pequena capela dedicada à esposa de Erikson, Thjodhild. Era suficientemente grande para acomodar entre 20 a 30 pessoas, de acordo com o Ancient Origins. Durante o processo de escavação, foram desenterrados 144 esqueletos. A maioria dos vestígios indica que eram pessoas altas, o que reforçou a teoria de que poderiam ser escandinavos.

De acordo com a BBC, o assentamento do tipo Viking correspondeu completamente às descrições. Estas descobertas servem como fortes evidências científicas de que esses contos foram ambos enraizados numa aparente precisão histórica. O sítio é agora um Património Mundial da UNESCO.

Mas, apesar dessa evidência, Cristóvão Colombo tem sido firmemente instalado na história e na cultura global como a figura de proa da descoberta europeia e a consequente colonização da América do Norte.

ZAP //

Por ZAP
31 Agosto, 2019

 

2553: O Homem já muda o ambiente há 10 mil anos (e o primeiro impacto global deu-se há 3 mil anos)

CIÊNCIA

andreas160578 / Pixabay

Um novo estudo garante que, antes da agricultura intensiva e da domesticação de plantas e animais, o Homem já tinha começado a modificar o meio ambiente há dez mil anos e o primeiro impacto global deu-se sete mil anos depois.

O estudo publicado esta quinta-feira na revista científica Science provou que a actividade humana na pré-história não era tão inofensiva quanto se achava, através de uma avaliação arqueológica global do uso antigo da terra.

Assim, os primeiros caçadores-recolectores, agricultores e pastores tiveram um efeito muito maior na paisagem da Terra, muito mais cedo e amplo do que o que se pensava. Segundo autores do trabalho, os seres humanos começaram a desflorestar terras para fazer agricultura e criação intensiva de animais.

A investigação contraria a ideia de que as mudanças ambientais em larga escala causadas pelo Homem são um fenómeno recente  ideia assumida por causa do foco actual que se dá às alterações climáticas, ao aquecimento global e às energias renováveis.

Segundo Gary Feinman, curador do Museu de História Nacional de Chicago, nos EUA e, um dos 250 autores do estudo, o Homem começou a modificar o meio ambiente há dez mil anos e, o primeiro impacto global tem pelo menos três mil anos.

De acordo com o investigador, para se entender a actual crise climática é necessário primeiro entender a história dos humanos que têm vindo a alterar o meio ambiente.

O estudo, liderado por Lucas Stephens, da Universidade da Pensilvânia, faz parte do projecto ArchaeoGLOBE, que reúne informações online de especialistas regionais sobre como o uso da terra mudou ao longo do tempo, em 146 diferentes áreas do mundo.

Essas informações mostram que a pegada ecológica não era tão pequena quanto se imaginava, disse Feinman. O autor afirma que há três mil anos o Homem fazia agricultura bastante invasiva em diversas partes do mundo.

“Embora a taxa em que o ambiente está a mudar seja muito mais drástica, vemos os efeitos que o impacto humano teve na Terra há milhares de anos”, revelou Ryan Williams, um dos autores do estudo.

O estudo permite conhecer o início dos impactos ambientais, o que pode ajudar a perceber que soluções as civilizações antigas usaram para mitigar os efeitos negativos da mudança do ambiente provocada pelo Homem.

DR, ZAP //

Por DR
30 Agosto, 2019

 

2552: NASA procura nome para rover marciano. Sugestões reservadas a crianças

A NASA lançou uma competição de nomes para o seu rover que vai a Marte em 2020. O detalhe curioso é: apenas crianças podem participar.

A NASA lançou uma competição de nomes para o seu rover que vai a Marte em 2020. O detalhe curioso é: apenas crianças podem participar.

Com a intenção de dar ao robô explorador uma identidade própria, a NASA tem em vigor uma iniciativa que inclui a participação dos alunos do ensino básico e secundário. Os interessados devem enviar um texto com a sua sugestão de nome para o rover até o dia 1º de Novembro. Os textos serão avaliados consoantes a adequação, originalidade e relevância e vão ser seleccionados e separados em três grupos.

A competição terá 52 semifinalistas por grupo e cada um destes vai representar o seu Estado ou país. A decisão final será dada de acordo com a participação do público.

O voto popular terá a possibilidade de escolher nove finalistas. A votação está prevista decorrer em Janeiro de 2020. E, no dia 18 de Fevereiro de 2020, o resultado é revelado, um ano antes de o rover aterrar na superfície marciana.

Dinheiro Vivo
30.08.2019 / 00:29

 

2551: Cientistas descobriram vida antiga na Biosfera Profunda da Terra

CIÊNCIA

P199 / Wikimedia

A Mina de Kidd Creek, em Ontário, Canadá, é o lar de algumas das águas mais antigas do planeta. Agora, ao que parece, o sulfato do riacho e a água rica em hidrogénio podem abrigar vida microbiana.

Estudos anteriores determinaram que a água foi aprisionada a 2,4 quilómetros abaixo da superfície na rocha pré-cambriana do riacho durante milhares de milhões de anos. No mês passado, um estudo publicado na revista especializada Geomicrobiology Journal descobriu a existência de vida microbiana intocada pela água da superfície.

Investigadores da Universidade de Toronto, no Canadá, encontraram células microbianas entre os sedimentos em amostras recolhidas através de dois furos. Os resultados acrescentam mais peso à evidência de que existe uma biosfera sub-superficial na crosta terrestre – uma área considerada hostil à vida – que tem muito pouca interacção com a superfície.

Em Dezembro de 2018, um projecto de uma década expôs uma biosfera profunda composta de milhares de milhões de micróbios que vivem a quilómetros abaixo do subsolo. Na verdade, suspeitam que até 70% de todos os microorganismos que vivem na Terra existem no subsolo quente, muito escuro e com muito pouco nutrientes para sustentar seres vivos.

Acredita-se que esses micróbios criem 15 a 23 mil milhões de toneladas de carbono – o que é 245 a 385 vezes maior do que a massa de carbono dos seres humanos acima da superfície.

Os cientistas envolvidos descreveram-no como um “Galápagos subterrâneo”, composto por bactérias, micróbios sem um núcleo ligado à membrana e micróbios e organismos multi-celulares com um núcleo e organelas ligadas à membrana. Diferentemente dos seus parentes que vivem na superfície, os micróbios vivem em escalas de tempo quase geológicas. Alguns subsistem apenas com energia das rochas.

Esses microrganismos são um fenómeno pouco estudado que precisa de muito mais exploração, mas a evidência inicial sugere que os níveis de diferença genética podem ser tão amplos como a superfície acima – e talvez ainda mais.

Quanto aos que existem na Mina de Kidd Creek, a equipa da Universidade de Toronto analisou a sua actividade metabólica medindo a rapidez com que metabolizavam certos tipos de alimentos. Os resultados mostram que a comunidade de micróbios eram quase todos redutores de sulfato – ou seja, os microorganismos que realizam respiração anaeróbica que utiliza sulfato, reduzindo a substância ao sulfeto de hidrogénio (H2S).

“A identificação de organismos redutores de sulfato nesses fluidos, tanto no passado geológico como nos dias actuais, é uma descoberta importante que amplia a nossa compreensão sobre a profunda biosfera sub-superficial”, escrevem os autores do estudo. “Compreender quando esses fluidos de fractura foram colonizados pela vida continua a ser uma questão pendente, mas pode começar a ser restringido pela aplicação de uma variedade de abordagens de datação de águas subterrâneas.”

Os resultados levantam questões sobre quanto tempo os ecossistemas microbianos existentes podem durar, os cientistas esperam que as descobertas possam ser usadas para melhorar a nossa compreensão da biosfera profunda da Terra e tentar encontrar vida extinta em Marte – ou em qualquer outro lugar do Sistema Solar.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019

 

2550: A Rússia tem cinco novas ilhas (e isso é má notícia)

CIÊNCIA

Christopher Michel / Wikimedia

Investigadores encontraram cinco novas ilhas nas águas geladas da costa norte da Rússia. Embora novas descobertas sejam tipicamente algo para comemorar, desta vez, é má notícia.

As ilhas encontradas na Rússia só foram reveladas graças ao derretimento glacial acelerado das mudanças climáticas.

A presença de novas ilhas na área foi sugerida pela primeira vez por uma estudante universitária que estudava imagens de satélite enquanto escrevia o seu trabalho final no fim de 2016. A presença de pelo menos cinco novas ilhas foi confirmada esta semana pelo Ministério da Defesa da Rússia após uma expedição recente pelo Vizir, um navio de investigação da Marinha Russa.

“Foi realizada uma investigação topográfica nas novas ilhas”, disseram os militares em comunicado. “Foram descritos em detalhes e fotografados.” As novas ilhas, com tamanho entre 900 a 54.500 metros quadrados, podem ser encontradas perto de Novaya Zemlya e Franz Josef Land, no Oceano Árctico, dois arquipélagos de centenas de ilhas habitadas apenas por militares.

Todas as ilhas foram anteriormente engolidas pelo gelo do glaciar Nansen, também conhecida como Vylka. No entanto, foram expostas após o recuar do gelo devido ao aumento da temperatura do ar e do oceano.

O Círculo Polar Árctico está a experimentar alguns dos aumentos mais acentuados no clima mais quente do mundo, especialmente no ano passado, que registou um calor recorde em grande parte do Árctico. Num exemplo particularmente chocante, as temperaturas numa vila sueca no Círculo Polar Árctico atingiram 34,8°C em 26 de Julho de 2019. O noroeste da Rússia também viu as temperaturas subirem para 29°C..

Com as temperaturas quentes, vem o degelo do gelo e o derretimento dos glaciares. Os principais episódios de derretimento de superfície ocorreram em muitas partes do Árctico este ano, principalmente na Gronelândia, onde cerca de 197 mil milhões de toneladas de gelo derreteram apenas no mês de Julho.

Um estudo de 2018, publicado na revista especializada Remote Sensing of Environment, analisou os glaciares em redor do arquipélago de Franz Josef Land e descobriu que a perda de massa de gelo entre 2011 e 2015 duplicou em comparação com os intervalos de tempo anteriores.

“Actualmente, o Árctico está a aquecer duas a três vezes mais rápido que o resto do mundo, por isso, naturalmente, glaciares e calotas polares reagirão mais depressa”, disse Simon Pendleton, da Universidade do Colorado, no Instituto de Pesquisa Árctica e Alpina de Boulder, que não está envolvido nesta nova descoberta, em Janeiro.

Além da descoberta de novas terras, as dramáticas mudanças no Árctico estão a causar um efeito devastador na biodiversidade e assentamentos humanos na área e fora dela.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019

 

Gaia “desembaraça” as “cordas” estelares da Via Láctea

CIÊNCIA

Este diagrama mostra uma visão frontal das “famílias” estelares – enxames (pontos) e grupos co-móveis (linhas grossas) de estrelas – até 3000 anos-luz do Sol, localizado no centro da imagem. O diagrama baseia-se na segunda divulgação de dados da missão Gaia da ESA.
Cada família é identificada com uma cor diferente e compreende uma população de estrelas que se formaram ao mesmo tempo. Tons roxos representam as populações estelares mais antigas, formadas há cerca de mil milhões de anos; os tons azul e verde representam idades intermédias, com estrelas que se formaram há centenas de milhões de anos; os tons laranja e vermelho mostram as populações estelares mais jovens, formadas há menos de cem milhões de anos.
As linhas finas mostram as velocidades previstas de cada grupo estelar nos próximos 5 milhões de anos, com base nas medições do Gaia. A falta de estruturas no centro é um artefacto do método usado para rastrear populações individuais, não devido a uma bolha física.
Um estudo recente usando dados do segundo lançamento do Gaia descobriu quase 2000 enxames não identificados e grupos de estrelas co-móveis e determinou as idades de centenas de milhares de estrelas, tornando possível o rastreamento de “irmãs” estelares e a descoberta dos seus surpreendentes arranjos. O estudo revelou que os mais massivos destes grupos familiares de estrelas podem continuar a mover-se juntas pela Galáxia em configurações longas e semelhantes a cordas milhares de milhões de anos após o nascimento.
Crédito: M. Kounkel & K. Covey (2019)

Um novo estudo de dados da nave Gaia da ESA descobriu que, em vez de sair de casa jovens, como esperado, as “irmãs” estelares preferem ficar juntas em grupos duradouros, semelhantes a cordas.

A exploração da distribuição e da história passada dos residentes estelares da nossa Galáxia é especialmente complexa, pois exige que os astrónomos determinem a idade das estrelas. Isto não é nada trivial, já que estrelas “médias” de massa semelhante, mas idades diferentes, são muito parecidas.

Para descobrir quando uma estrela se formou, os astrónomos devem ao invés olhar para populações de estrelas que se pensa terem-se formado ao mesmo tempo – mas saber quais as estrelas que são irmãs representa um desafio adicional, já que as estrelas não ficam muito tempo nos berços estelares onde se formaram.

“Para identificar quais as estrelas que se formam juntas, procuramos estrelas que se movem da mesma forma, como todas as estrelas que se formaram na mesma nuvem ou enxame se moveriam de maneira semelhante,” diz Marina Kounkel da Western Washington University, principal autora do novo estudo.

“Nós sabíamos de alguns destes grupos estelares em ‘co-movimento’ perto do Sistema Solar, mas o Gaia permitiu-nos explorar a Via Láctea em grande detalhe, a distâncias muito maiores, revelando muitos mais destes grupos.”

Marina usou dados do segundo lançamento do Gaia para rastrear a estrutura e a atividade de formação estelar de uma grande região do espaço em redor do Sistema Solar, e para explorar como isto mudou com o tempo. Este lançamento de dados, divulgado em Abril de 2018, lista os movimentos e posições de mais de mil milhões de estrelas com uma precisão sem precedentes.

A análise dos dados do Gaia, com base num algoritmo de aprendizagem de máquina, descobriu quase 2000 enxames não identificados anteriormente e grupos co-móveis de estrelas que se movem até 3000 anos-luz de distância – aproximadamente 750 vezes a distância até Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol. O estudo também determinou as idades de centenas de milhares de estrelas, tornando possível o rastreamento de “famílias” estelares e a descoberta dos seus surpreendentes arranjos.

“Cerca de metade destas estrelas encontram-se em configurações longas, semelhantes a cordas, que reflectem características presentes nas suas gigantescas nuvens natais,” acrescenta Marina.

“Geralmente, pensávamos que as estrelas jovens deixavam os seus locais de nascimento apenas alguns milhões de anos depois de se formarem, perdendo completamente os laços com a sua família original – mas parece que as estrelas podem ficar próximas das suas irmãs até alguns milhares de milhões de anos.”

As estruturas em forma de corda também parecem estar orientadas de maneiras particulares em relação aos braços espirais da nossa Galáxia – algo que depende da idade das estrelas dentro de uma corda. Isto é parcialmente evidente para as cordas mais jovens, compreendendo estrelas com menos de 100 milhões de anos, que tendem a estar orientadas num ângulo recto em relação ao braço espiral mais próximo do nosso Sistema Solar.

Os astrónomos suspeitam que as cordas estelares mais antigas devam ter estado perpendiculares aos braços espirais que existiam quando essas estrelas se formaram, que agora foram reorganizadas ao longo dos últimos mil milhões de anos.

“A proximidade e a orientação das cordas mais jovens dos braços espirais actuais da Via Láctea mostram que as cordas mais antigas são um importante “registo fóssil” da estrutura espiral da nossa Galáxia,” diz o co-autor Kevin Covey, também da Western Washington University, no EUA.

“A natureza dos braços espirais ainda é debatida, com o seu veredicto sendo estáveis ou estruturas dinâmicas ainda não definidas. O estudo destas cordas mais antigas ajudar-nos-á a entender se os braços são na maioria estáticos, ou se se movem ou se dissipam e se reformam [no sentido de formar novamente] ao longo de algumas centenas de milhões de anos – aproximadamente o tempo que o Sol leva para completar mais ou menos duas órbitas em torno do Centro Galáctico.”

O Gaia foi lançado em 2013 e tem como missão construir um mapa tridimensional da nossa Galáxia, identificando os locais, movimentos e dinâmicas de aproximadamente 1% das estrelas da Via Láctea, juntamente com informações adicionais sobre muitas destas estrelas. Versões posteriores dos dados do Gaia, incluindo mais dados, e cada vez mais precisos, estão planeadas para a próxima década, fornecendo aos astrónomos as informações necessárias para revelar a história da formação estelar da nossa Galáxia.

“O Gaia é uma missão verdadeiramente inovadora que está a revelar a história da Via Láctea – e das suas estrelas constituintes – como nunca antes,” acrescenta Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA.

“Dado que vamos determinar as idades para um número maior de estrelas distribuídas por toda a nossa Galáxia, não apenas daquelas que residem em enxames compactos, vamos estar numa posição ainda melhor para analisar como estas estrelas evoluíram ao longo do tempo.”

Astronomia On-line
30 de Agosto de 2019

 

2548: Descoberto exoplaneta gigante com órbita altamente excêntrica

CIÊNCIA

Esta ilustração compara a órbita excêntrica de HR 5183 b com as órbitas mais circulares dos planetas do nosso próprio Sistema Solar.
Crédito. Observatório W. M. Keck/Adam Makarenko

Os astrónomos descobriram um planeta com três vezes a massa de Júpiter e com uma longa órbita em forma de ovo ao redor da sua estrela. Se este planeta fosse, de algum modo, colocado no nosso próprio Sistema Solar, ele oscilaria de dentro da nossa cintura de asteróides até para lá de Neptuno. Outros planetas gigantes com órbitas altamente elípticas já foram encontrados em torno de outras estrelas, mas nenhum desses mundos estava localizado nos confins dos seus sistemas estelares como este.

“Este planeta é diferente dos planetas do nosso Sistema Solar, mas mais do que isso, é diferente de qualquer outro exoplaneta que descobrimos até agora,” diz Sarah Blunt, estudante do Caltech e autora principal do novo estudo publicado na revista The Astronomical Journal. “Outros planetas detectados longe das suas estrelas tendem a ter excentricidades muito baixas, o que significa que as suas órbitas são mais circulares. O facto de que este planeta tem uma excentricidade tão alta indica alguma diferença na maneira como se formou ou evoluiu em relação aos outros planetas.”

O planeta foi descoberto usando o método de velocidade radial, um “cavalo de batalha” da descoberta de exoplanetas que detecta novos mundos rastreando como as suas estrelas-mãe “oscilam” em resposta aos puxões gravitacionais desses planetas. No entanto, as análises destes dados geralmente requerem observações feitas durante todo o período orbital de um planeta. Para planetas que orbitam longe das suas estrelas, isso pode ser difícil: uma órbita completa pode levar dezenas ou até centenas de anos.

O CPS (California Planet Search), liderado pelo professor de Astronomia do Caltech Andrew R. Howard, é um dos poucos grupos que observa estrelas nas escalas de tempo de décadas necessárias para detectar exoplanetas de longo período usando velocidade radial. Os dados necessários para a descoberta do novo planeta foram fornecidos pelos dois observatórios usados pelo CPS – o Observatório Lick no norte da Califórnia e o Observatório W. M. Keck no Hawaii – e pelo Observatório McDonald no estado norte-americano do Texas.

Os astrónomos observam a estrela do planeta, chamada HR 5183, desde a década de 1990, mas não possuem dados correspondentes a uma órbita completa do planeta, chamado HR 5183 b, porque completa uma translação em torno da sua estrela aproximadamente a cada 45 a 100 anos. A equipa encontrou a planeta por causa da sua estranha órbita.

“Este planeta passa a maior parte do seu tempo vagueando na orla externa do sistema planetário da sua estrela nesta órbita altamente excêntrica, depois começa a acelerar e é projectado em torno da sua estrela,” explica Howard. “Detectámos este movimento rápido. Vimos o planeta a passar o mais perto da sua estrela e agora está a afastar-se. Isto cria uma assinatura tão distinta que podemos ter a certeza de que este é um planeta real, mesmo que não o tenhamos visto a completar uma órbita.”

Os novos achados mostram que é possível usar o método da velocidade radial para fazer detecções de outros planetas distantes sem esperar décadas. E, sugerem os investigadores, a procura de mais planetas poderá iluminar o papel de planetas gigantes na formação dos seus sistemas solares.

Os planetas tomam forma a partir dos discos de material que sobram após a formação das estrelas. Isto significa que os planetas devem começar em órbitas planas e circulares. Para que o planeta recém-detectado esteja numa órbita tão excêntrica, deve ter recebido um “pontapé” gravitacional de algum outro objecto. O cenário mais plausível, sugerem os investigadores, é que o planeta já teve um vizinho de tamanho semelhante. Quando os dois planetas se aproximaram o suficiente, um empurrou o outro para fora do sistema, forçando HR 5183 b para uma órbita altamente excêntrica.

“Este recém-descoberto planeta basicamente teria chegado como uma bola de demolição,” diz Howard, “derrubando qualquer coisa para fora do sistema.”

Esta descoberta demonstra que a nossa compreensão dos planetas para lá do nosso Sistema Solar ainda está a evoluir. Os cientistas continuam a encontrar mundos diferentes dos do nosso Sistema Solar ou de outros situados em sistemas exoplanetários já descobertos.

“Copérnico ensinou-nos que a Terra não é o centro do Sistema Solar e, à medida que passámos a descobrir outros sistemas com exoplanetas, esperávamos que fossem cópias do nosso próprio Sistema Solar,” explica Howard, “mas é surpresa atrás de surpresa neste campo. Este novo planeta é outro exemplo de um sistema diferente do nosso Sistema Solar, mas possui características notáveis que tornam o nosso Universo incrivelmente rico no que toca à sua diversidade.”

Astronomia On-line
30 de Agosto de 2019

 

2547: Astrónomos encontram brilho dourado de colisão estelar distante

CIÊNCIA

Nesta série de imagens capturadas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA, uma recém-confirmada quilonova (seta vermelha) – uma explosão cósmica que cria enormes quantidades de ouro e platina – desvanece rapidamente de vista à medida que o brilho da explosão diminui ao longo de 10 dias. A quilonova foi originalmente identificada como uma explosão de raios-gama, mas uma equipa de astrónomos reexaminou recentemente os dados e descobriu evidências de uma quilonova.
Crédito: NASA/ESA/E. Troja

No dia 17 de Agosto de 2017, os cientistas fizeram história com a primeira observação directa de uma fusão entre duas estrelas de neutrões. Foi o primeiro evento cósmico detectado com ondas gravitacionais e no espectro electromagnético, desde raios-gama ao rádio.

O impacto também criou uma quilonova – uma explosão “turbinada” que forjou instantaneamente o equivalente a centenas de planetas em ouro e platina. As observações forneceram a primeira evidência convincente de que as quilonovas produzem grandes quantidades de metais pesados, uma descoberta há muito prevista pela teoria. Os astrónomos suspeitam que todo o ouro e toda a platina da Terra se formaram como resultado de antigas quilonovas criadas durante colisões entre estrelas de neutrões.

Com base nos dados do evento de 2017, descoberto pela primeira vez pelo LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory), os astrónomos começaram a ajustar as suas suposições de como uma quilonova deveria aparecer para os observadores terrestres. Uma equipa liderada por Eleonora Troja, investigadora associada do Departamento de Astronomia da Universidade de Maryland, EUA, reexaminou dados de uma explosão de raios-gama detectada em Agosto de 2016 e encontrou novas evidências de uma quilonova que passou despercebida durante as observações iniciais.

O Observatório Neil Gehrels Swift da NASA começou a rastrear o evento de 2016, com o nome GRB160821B, minutos depois de ter sido detectado. A captura antecipada permitiu à equipa de investigação reunir novas informações que faltavam às observações da quilonova detectada pelo LIGO, que só começaram 12 horas após a colisão inicial. Troja e colegas relataram estas novas descobertas na edição de 27 de Agosto da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

“O evento de 2016 foi, ao início, muito emocionante. Estava próximo e foi visível a todos os principais telescópios, incluindo o Telescópio Espacial Hubble da NASA. Mas não correspondia às nossas previsões – esperávamos ver a emissão infravermelha tornar-se cada vez mais brilhante ao longo de várias semanas,” explicou Troja, também do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. “Dez dias após o evento, quase nenhum sinal permanecia. Ficámos todos muito desapontados. Então, um ano mais tarde, aconteceu o evento LIGO. Analisámos os nossos dados antigos com novos olhos e percebemos que, de facto, havíamos capturado uma quilonova em 2016. Os dados infravermelhos dos dois eventos têm luminosidades semelhantes e exactamente a mesma escala de tempo.”

As semelhanças entre os dois eventos sugerem que a quilonova de 2016 também resultou da fusão de duas estrelas de neutrões. As quilonovas podem também resultar da fusão de um buraco negro e de uma estrela de neutrões, mas não se sabe se tal evento produziria uma assinatura diferente em observações de raios-X, infravermelho, rádio e no visível.

Segundo Troja, as informações recolhidas durante o evento de 2016 não contêm tantos detalhes quanto as observações do evento LIGO. Mas a cobertura dessas primeiras horas – ausentes do registo do evento LIGO – revelou novas informações importantes sobre os estágios iniciais de uma quilonova. Por exemplo, a equipa observou pela primeira vez o novo objecto que permaneceu após a colisão, que não foi visível nos dados do evento LIGO.

“O remanescente pode ser uma estrela de neutrões hiper-massiva e altamente magnetizada, conhecida como magnetar, que sobreviveu à colisão e depois colapsou para um buraco negro,” disse Geoffrey Ryan, do Departamento de Astronomia da Universidade de Maryland e co-autor do artigo científico. “Isto é interessante, porque a teoria sugere que um magnetar devia retardar ou até interromper a produção de metais pesados, que é a principal fonte da assinatura de radiação infravermelha de uma quilonova. A nossa análise sugere que os metais pesados são, de alguma forma, capazes de escapar à influência da mitigação do objecto remanescente.”

Troja e colegas planeiam aplicar as lições aprendidas para reavaliar eventos passados, além de melhorar a sua abordagem para observações futuras. Vários eventos candidatos foram identificados com observações no visível, mas Troja está mais interessada em eventos com uma forte assinatura infravermelha – o indicador revelador da produção de metais pesados.

“O sinal infravermelho, muito brilhante, deste evento, provavelmente torna-o na quilonova mais evidente já observada no Universo distante,” acrescentou Troja. “Estou muito interessada em saber como as propriedades da quilonova mudam com progenitores e remanescentes finais diferentes. À medida que observamos mais destes eventos, podemos aprender que existem muitos tipos diferentes de quilonovas na mesma família, como é o caso dos muitos tipos diferentes de super-novas. É muito empolgante moldar o nosso conhecimento em tempo real.”

Astronomia On-line
30 de Agosto de 2019

 

2546: ONU. Subida da água do mar pode provocar 280 milhões de deslocados

CIÊNCIA

(cv) Fox News

A subida do nível das águas do mar, em consequência do aquecimento global, pode fazer 280 milhões de deslocados, segundo um relatório preliminar científico que a ONU divulga em Setembro.

De acordo com o documento, com o aumento da frequência dos ciclones, muitas grandes cidades podem ser inundadas todos os anos a partir de 2050. Até ao fim do século, as previsões do relatório é que 30 a 99% do terreno permanentemente congelado (permafrost) deixe de o ser, libertando grandes quantidades de dióxido de carbono e de metano.

Ao mesmo tempo, os fenómenos resultantes do aquecimento global podem levar a um declínio constante da quantidade de peixe, um produto do qual muitas pessoas dependem para se alimentar.

O relatório preliminar da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado pela agência France Press, é da responsabilidade do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC na sigla original), cuja versão final será divulgada em Setembro.

O relatório vai ser discutido pelos representes dos países membros do IPCC, que se reúnem no Mónaco a partir de 20 de Setembro, por alturas da cimeira mundial sobre o clima em Nova Iorque, marcada para 23 de Setembro pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O objectivo é alcançar compromissos mais fortes dos países para reduzir as suas emissões de dióxido de carbono, que caso se mantenham no ritmo actual farão subir as temperaturas de 2 a 3 graus Celsius até ao fim do século.

Especialistas temem que a China, Estados Unidos, União Europeia e Índia, os quatro principais emissores de gases com efeito de estufa, estejam a fazer promessas que não cumprem. Estas regiões do mundo vão também ser afectadas pela subida das águas do mar, alerta o relatório, especificando que não serão só afectadas as pequenas nações insulares ou as comunidades costeiras expostas.

Xangai, a cidade mais populosa da China, está localizada num delta, formado pela foz do rio Yangtze e pode começar a ser inundada regularmente se nada for feito para parar as alterações climáticas. E o país tem mais nove cidades em risco.

Essa subida do nível do mar coloca os Estados Unidos como um dos países mais vulneráveis, a aumentar em cinco vezes o risco de inundações, incluindo em Nova Iorque.

A União Europeia está menos vulnerável, mas os especialistas do IPCC alertam para inundações no delta do Reno. E para a Índia esperam que milhões de pessoas tenham de ser deslocadas.

A elevação do nível das águas do mar deve-se ao aumento das temperaturas que está a derreter as grandes massas de gelo nos pólos. Segundo o documento as calotes polares da Antárctica e da Gronelândia perderam mais de 400 mil milhões de toneladas de massa por ano na década antes de 2015. Os glaciares das montanhas também perderam 280 mil milhões de toneladas.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Agosto, 2019

 

2545: Descoberto fóssil de crânio do “avô” da Humanidade. Tem 3,8 milhões de anos e é mais antigo do que a Lucy

CIÊNCIA

Cleveland Museum of Natural History

Investigadores descobriram na Etiópia um fóssil de um crânio de um antepassado do Homem com 3,8 milhões de anos, mais antigo do que o popular fóssil “Lucy”, encontrado na década de 1970 no mesmo local, foi esta quarta-feira divulgado.

O crânio completo fossilizado dá novas informações sobre a morfologia crânio-encefálica do Australopithecus anamensis, a espécie de hominídeo do género dos australopitecos mais antiga, que vinha sendo datada entre 4,2 e 3,9 milhões de anos.

A equipa de especialistas que analisou o fóssil, descoberto em Fevereiro de 2016 na região de Afar, na Etiópia, admite que o Australopithecus anamensis terá coexistido durante cerca de 100 mil anos com uma outra espécie de australopiteco, que a sucedeu, a Australopithecus afarensis, da qual foi encontrado em 1974, na mesma região, o fóssil “Lucy”, com 3,2 milhões de anos.

Ambos os fósseis foram descobertos por peritos do Museu de História Natural de Cleveland, nos Estados Unidos, que divulga em comunicado os resultados do estudo do fóssil do crânio, também publicados na revista científica Nature.

Segundo o comunicado do museu, o crânio fossilizado, o primeiro da espécie Australopithecus anamensis descoberto, está datado no intervalo de tempo entre 4,1 e 3,6 milhões de anos, em que os fósseis dos antepassados humanos são “extremamente raros”, especialmente fora da jazida paleontológica de Woranso-Mille, na região etíope de Afar.

A idade do fóssil do crânio do Australopithecus anamensis – 3,8 milhões de anos – foi calculada por uma equipa da universidade norte-americana Case Western Reserve, em Cleveland, que datou os minerais das camadas rochosas vulcânicas nas proximidades do local onde o fóssil foi encontrado.

O crânio fossilizado partilha características com a espécie Australopithecus afarensis, mas também com outras mais antigas, como as dos géneros de hominídeos Sahelanthropus e Ardipithecus.

John Gurche / Matt Crow / Cleveland Museum of Natural History

O fóssil tem traços distintos em relação a um fragmento de um crânio fossilizado que foi descoberto em 1981 no sítio paleontológico de Belohdelie, igualmente da região etíope de Afar, e que os especialistas datam de 3,9 milhões de anos e como pertencendo à mesma espécie de “Lucy”. Tal significa, segundo os autores do estudo, que o Australopithecus anamensis terá coexistido cerca de 100 mil anos com o Australopithecus afarensis.

De acordo com uma das co-autoras da investigação, Naomi Levi, da Universidade de Michigan, também nos Estados Unidos, o antepassado de “Lucy” terá vivido perto de um grande lago que estava a maioria das vezes seco.

“Estamos ávidos por realizar mais pesquisas sobre estes depósitos para compreender as condições ambientais do espécime de Australopithecus anamensis, a relação com as alterações climáticas e de que forma ou não afectaram a evolução humana”, afirmou, citada no mesmo comunicado.

ZAP // Lusa

Por Lusa
29 Agosto, 2019

 

2544: Encontrados três exoplanetas rochosos em órbita de uma estrela a apenas 12 anos-luz

CIÊNCIA

ESO / M. Kornmesser
Impressão artística de planetas a orbitar uma estrela anã vermelha

Três novos exoplanetas foram encontrados em órbita de uma estrela próxima, e um deles está muito bem classificado para ser potencialmente habitável.

De acordo com o Science Alert, os três exoplanetas agora encontrados são rochosos, sendo que o mais externo está a orbitar a estrela na zona habitável, onde as temperaturas são compatíveis com a possibilidade de água líquida na superfície.

Estamos a falar da estrela Gliese 1061, que se encontra a cerca de 12 anos-luz, tornando-a a 20.ª estrela mais próxima do Sistema Solar. Os exoplanetas foram agora apelidados de Gliese 1016 b, Gliese 1016 c e Gliese 1016 d.

Os investigadores também encontraram evidências que poderiam indicar um quarto planeta, hipótese que depois foi descartada. As descobertas são relatadas no arXiv e foram submetidas no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

A Gliese 1061 é uma anã vermelha. Estas estrelas são frias e fracas, o que significa que a sua zona habitável é muito mais próxima da estrela do que uma estrela mais quente e brilhante como, por exemplo, o Sol. E os planetas que orbitam as suas estrelas de perto são mais fáceis de encontrar do que estrelas muito mais distantes, tornando-as um bom alvo para procurar exoplanetas habitáveis.

Anãs vermelhas são muitas vezes inquietas e selvagens, amarrando o espaço à sua volta com explosões estelares. É o caso do Proxima b, o exoplaneta encontrado a orbitar a zona habitável da sua estrela mais próxima, Proxima Centauri.

A Gliese 1061 é muito parecida com a Proxima Centauri, mas com uma grande diferença: é muito mais silenciosa, o que significa probabilidades de habitabilidade potencialmente maiores.

O Gliese 1016 b, o planeta mais interno, é 1,38 vezes a massa da Terra. O planeta do meio, Gliese 1016 c, é 1,75 vezes a massa da Terra. E o planeta mais externo, Gliese 1016 d, é 1,68 vezes a massa da Terra. São estas dimensões que permitem inferir que os planetas são rochosos, uma vez que estas massas raramente são vistas em exoplanetas gasosos.

Além disso, os três orbitam a estrela muito mais perto do que qualquer um dos planetas do Sistema Solar. O Gliese 1016 b dá a volta a cada 3,1 dias, o Gliese 1016 c a cada 6,7 dias e o Gliese 1016 d a cada 13 dias, estando este último na zona habitável.

Claro que isso não significa que a vida está à nossa espera a apenas 12 anos-luz de distância. Tal como notam os investigadores, a estrela pode estar agora sossegada mas provavelmente já foi bastante activa no seu passado recente. Se estiver a banhar os seus planetas em radiação estelar, qualquer vida que lá esteja provavelmente não irá sobreviver.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019

 

2543: ESA já sabe qual será a casa dos humanos que colonizarem a Lua: cavernas subterrâneas

CIÊNCIA

(dr) Anton Chikishev / Hebrew University

A Agência Espacial Europeia (ESA) quer que os humanos que, um dia, colonizarem a Lua se abriguem em cavernas subterrâneas.

Enquanto que a superfície da Lua foi explorada, relativamente pouco se sabe sobre o que se esconde abaixo da superfície. A ESA quer explorar sob esta superfície, particularmente os poços que os geólogos planetários sugeriram que poderiam ser causados ​​pelo colapso de tubos de lava quando a lava fluiu sob a superfície há mais de mil milhões de anos.

Os mares lunares – planícies grandes e escuras – foram causados ​​por enormes fluxos de lava basáltica, quase exactamente o mesmo tipo se veria no Hawai, que inundou após impactos de vários tipos de rocha espacial.

“Explorando e mapeando esses tubos poderia fornecer novas informações sobre a geologia da Lua, mas também poderiam ser uma opção interessante como abrigo a longo prazo para futuros visitantes humanos à Lua”, disse Francesco Sauro, director do treinamento de astronauta em geologia planetária da ESA PANGEA em comunicado. “Eles protegem os astronautas da radiação cósmica e micro-meteoritos e, possivelmente, fornecem acesso à água gelada e outros recursos presos no subsolo.”

A agência solicitou ideias sobre como explorar áreas sob os mares lunares e que mais locais essas missões poderiam investigar. A ESA diz que está à procura de ideias para missões além de como aceder e navegar pelas cavernas – por exemplo de que forma poderia ser estabelecido um sistema de comunicação entre as cavernas subterrâneas e o mundo exterior.

“Conceitos de missão podem ser baseados num único rover ou num sistema distribuído de sistemas de satélites, robóticos ou rover que operam juntos”, disse Loredana Bessone, que está a liderar a busca por ideias como chefe de testes de campo analógicos e treino de exploração na ESA. “De qualquer maneira, estamos à procura de sistemas que pousem na superfície lunar, identifiquem e acedam uma caverna e contribuam para a exploração científica da Lua.”

À semelhança da ESA, a Agência Espacial Norte-Americana também está a planear a exploração das cavernas lunares e está a testar o “Moon Diver”, um robô especializado em percorrer os territórios nunca antes analisados do satélite natural da Terra, nos túneis de lava do Havai.

Em 2024, a NASA planeia lançar uma missão para pousar a primeira mulher na Lua como parte do programa de exploração lunar Artemis. Recentemente, revelou detalhes da nave espacial que será usada durante esta missão histórica.

A NASA vai agora trabalhar com empresas privadas para desenvolver a nave espacial. Está a planear enviar duas pessoas do espaço para trabalhar no Pólo Sul da Lua.

Cientistas chineses recentemente publicaram novos planos para um posto robótico no lado oposto da lua para a NASA e a Agência Espacial Europeia, que também está a planear a sua própria “aldeia lunar” no sul lunar.

Pequim anunciou anteriormente planos para lançar uma missão lunar tripulada na próxima década antes da construção de uma base do pólo norte.

Já a Rússia prepara-se para ir à Lua em 2030, 61 anos depois de os EUA terem ganho a corrida lunar à União Soviética, que tinha sido pioneira nas viagens espaciais.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019

 

2542: Portuguesa Critical Software volta a ajudar a ESA a preparar missões espaciais mais seguras

CIÊNCIA

Com 20 anos de experiência na área, a empresa portuguesa de tecnologia que já trabalhou com a NASA vai agora participar na modernização das directrizes de referência da Agência Espacial Europeia.

Depois de ter participado, em 2006, na criação do guia de Verificação e Validação Independente de Software (ISVV) da Agência Espacial Europeia (ESA), a Critical Software vai agora colaborar com a Rovsing, a empresa de equipamentos para satélites, na modernização das directrizes de referência deste sector.

De acordo com o comunicado feito pela empresa internacional de tecnologia fundada em Portugal, o novo manual vai estabelecer regras relativamente à forma como são levadas a cabo as actividades de ISVV nos sistemas de software da ESA. Embora não sofra alterações desde 2008, o guia vai passar a seguir as normas da European Cooperation for Space Standardization, tendo em conta não só as observações realizadas na área da exploração espacial, mas também os avanços tecnológicos registados no desenvolvimento de software.

Segundo Nuno Pedro Silva, responsável pelo projecto, “na indústria espacial os acidentes podem ter proporções catastróficas”, motivo pelo qual a Critical Software vai trazer os seus 20 anos de experiência na área para garantir que o guia ajude profissionais a criar sistemas cada vez mais seguros.

De acordo com o website da empresa, a ISVV assume uma importância fulcral na preparação de uma missão espacial. Por mais surpreendente que pareça, as naves espaciais não são totalmente testadas antes de serem lançadas, excepto em casos muito particulares, ou então quando se trata de foguetões.

Além do facto de que lançar uma nave apenas para a testar seria economicamente insustentável, dificilmente se conseguem recriar as condições do espaço no nosso planeta. Assim, a ISVV permite aos profissionais independentes e empresas que trabalham na área das actividades espaciais consigam averiguar se o software por eles produzido é seguro.

Sendo uma das primeiras na Europa a disponibilizar serviços de ISVV, a Critical Software teve como primeiros clientes a ESA e a NASA, tendo também participado em mais de 20 missões espaciais.

Sapo Tek
29 Ago 2019 19:20

 

2541: Nave espacial da Força Aérea dos EUA está a orbitar secretamente a Terra…

O que andará a fazer?

A Força Aérea dos EUA gabou-se recentemente de que a sua nave/drone X-37B acaba de bater um recorde ao orbitar a Terra durante 719 dias consecutivos.

Se o recorde é uma façanha, o alvo da curiosidade não é este ato, mas sim, o que andará a nave a fazer lá em cima há tanto tempo?

Conforme o que é referido nas informações fornecidas pela Força Aérea norte-americana, este é o Projecto X-37B. O seu objectivo é desenvolver naves espaciais não tripuladas e reutilizáveis “para o futuro da América no espaço”. Estas serão assim capazes de hospedar experiências que podem ser levadas de volta à Terra para análise.

Mas o que é o Projecto X-37B?

A primeira coisa a entender é o que é afinal este projecto. Na realidade, tudo nasceu a 1999 na NASA com o “Projecto X-37”. Na altura, a agência americana foi responsável pelo projecto de um “avião espacial” fabricado pela Boeing. Sendo também parte de um desenvolvimento conjunto entre a NASA, a DARPA e a Boeing.

O avião é autónomo com a capacidade de ser operado remotamente. Além disso, a sua energia é obtida através de painéis solares que lhe permitem operar por longos períodos de tempo… neste caso, vários anos.

O futuro

Trata-se de uma aeronave que não requer muito dinheiro para ser construída e que também é reutilizável. Por isso, em 2004 a DARPA decidiu assumir o projecto para tarefas militares. Assim, levou a NASA a descartar os modelos X-37A que tinha na altura. A DARPA fez alguns ajustes e encomendou à Boeing melhorias que deram vida à X-37B. Nomeadamente, reduzindo o seu tamanho, aumentando as suas capacidades de comunicação e ainda a sua autonomia.

Corria o ano de 2010 e a Força Aérea dos EUA adoptava esta aeronave para missões classificadas como “Orbital Test Vehicle” (OTV). Segundo a informação pública da agência, até hoje esta aeronave completou quatro missões bem-sucedidas e estará com a quinta missão em andamento.

A primeira missão OTV durou 224 dias em órbita, enquanto a OTV-4 bateu o recorde ao passar 717 dias, 20 horas e 42 minutos em voo. Agora, o OTV-5 tem orbitado a Terra desde 7 de Setembro de 2017 e pretende estar lá por mais vários meses, embora não seja assim tão claro o que está lá a fazer.

De acordo com as informações do Daily Beast, o X-37B foi “concebido para transportar cargas úteis experimentais de câmaras de alta tecnologia de vários tipos, sensores electrónicos e radares de cartografia do solo”.

Em resumo, tecnologia tem muita, informação sobre o que anda a fazer existe pouca. Mas ainda vai lá ficar por muito tempo.

pplware
28 Ago 2019
Imagem: U.S. Air Force
Fonte: Space.com

artigo associado: Um avião espacial orbita a Terra há 719 dias (mas não se sabe porquê)

 

2540: Cientistas acreditam que pode haver mundos com mais variedade de vida do que a Terra

CIÊNCIA

A ideia de que não estamos sós no Universo deverá fazer parte das convicções da maioria de nós. Mas o estudo de tudo aquilo que é extra-terrestre, por astrónomos, cientistas e astrofísicos, começa a ganhar mais forma à medida que os anos avançam.

Agora, uma nova investigação define quais os exoplanetas têm melhores hipóteses de desenvolvimento e manutenção de biosferas prósperas. Assim, havendo vida, que tipo de seres serão?

Há mais vida para lá da Terra

Se pensarmos na vida e nos planetas, que melhor exemplo do que a nossa Terra? Milhões de espécies animais e vegetais têm vivido em relativa harmonia durante milénios. No entanto, até agora não encontrámos nenhuma evidência de que o mesmo possa acontecer noutros lugares.

Mas, se houver um mundo em que a vida floresça ainda mais do que no nosso planeta e a sua variedade seja mais rica do que nos nossos domínios?

Isso é o que alguns especialistas acreditam que ocorre em alguns (ou vários) dos 4.000 exoplanetas que o homem conhece.

É uma conclusão surpreendente. Este modelo mostra que as condições em alguns exoplanetas com padrões favoráveis de circulação oceânica podem ser mais adequadas para suportar uma vida mais abundante ou mais activa do que a própria vida na Terra.

Explicou Stephanie Olson, investigadora da Universidade de Chicago e autora principal do estudo apresentado no Congresso de Geoquímica de Goldschmidt em Barcelona.

Procurar vida noutros planetas

A descoberta dos exoplanetas acelerou a procura pela vida fora das fronteiras do nosso Sistema Solar. No entanto, a enorme distância que nos separa deles (anos-luz) significa que são efectivamente impossíveis de alcançar com sondas espaciais. Assim, os cientistas estão a trabalhar com ferramentas de detecção remota, tais como telescópios para compreender que condições prevalecem nos diferentes exoplanetas.

O sentido dessas observações remotas requer o desenvolvimento de modelos sofisticados de clima e evolução planetária que permitam aos cientistas reconhecer quais desses planetas distantes poderiam abrigar vida.

A procura da NASA pela vida no Universo concentra-se nos chamados planetas de ‘zona habitável’, que são mundos que têm o potencial de ter oceanos de água líquida. Mas nem todos os oceanos são igualmente hospitaleiros, e alguns serão lugares melhores para se viver do que outros por causa dos seus padrões de circulação global.

Relatou a investigadora à Phys.org.

A equipa de Olson modelou as condições prováveis em diferentes tipos de exoplanetas usando o software ROCKE-3-D, desenvolvido pelo Goddard Institute for Space Studies (GISS) da NASA, para simular os climas e habitats oceânicos de diferentes tipos de exoplanetas.

Oceanos como base de vida

Conforme já se percebeu, os planetas potencialmente habitáveis, aqueles que primeiro irão ser pesquisados, são os que podem ter oceanos.

A vida nos oceanos da Terra depende da corrente ascendente (fluxo ascendente) que devolve nutrientes das profundezas escuras do oceano para as partes iluminadas pelo Sol onde vive a vida fotos-sintética. Mais afloramento significa mais reposição de nutrientes, o que significa mais actividade biológica. Essas são as condições que devemos procurar nos exoplanetas.

Dessa forma, os cientistas desenvolveram modelos de uma variedade de possíveis exoplanetas e foram capazes de definir quais tipos de mundos têm a melhor hipótese de desenvolver e manter bioesferas prósperas.

Usamos um modelo de circulação oceânica para identificar quais os planetas que têm o afloramento mais eficiente e, portanto, oferecem oceanos especialmente hospitaleiros. Verificámos que uma maior densidade atmosférica, taxas de rotação mais lentas e a presença de continentes produzem taxas de entrada mais elevadas. Uma implicação adicional é que a Terra pode não ser perfeitamente habitável, e a vida noutros lugares pode desfrutar de um planeta que é ainda mais hospitaleiro do que o nosso.

Concluíram os investigadores.

Limitações

Apesar da muita investigação, a procura e descoberta de vida noutros planetas continua a estar limitada à tecnologia existente. No entanto, segundo os especialistas, é quase certo que a vida fora da Terra existe.

Outra das limitações, passada a barreira dos oceanos, prende-se com “por onde se deve começar a procurar”. Para os investigadores, este sim, é o grande desafio.

A vida na Terra não é a mais adequada e poderá haver planetas com melhores condições do que o nosso. No entanto, onde estará aquela que pode ser a Nova Terra?

pplware
28 Ago 2019
Imagem: NASA | iStock

post relacionado: O Universo pode “guardar” mundos melhores do que a Terra para albergar vida

 

2539: Plutão volta a ser planeta do Sistema Solar? Novo administrador da NASA tem essa vontade

Quando conhecemos Plutão como planeta, nunca o questionámos até que a comunidade científica tivesse reunido provas que, afinal, este não reunia as condições para de facto ser um planeta.

Posteriormente, em 2006, a comunidade científica resolveu descrever o corpo celeste como “planeta-anão”. Esta descida de escalão ainda hoje causa debate na comunidade científica. Mas tudo isto pode mudar…

Com o passar do tempo, o Sistema Solar foi ligeiramente alterado. O planeta Plutão, como a maioria de nós o conheceu, passou de planeta a não planeta… e por fim, a planeta-anão. Agora, desapareceu dos livros educativos, contudo, isso pode mudar.

Administrador da NASA tem mão de Trump

Trump nomeou um novo administrador da NASA. Chama-se Jim Bridenstine e parece querer já a fazer alterações… ao próprio Sistema Solar. Este homem já se declarou completamente a favor que Plutão volte ser considerado um planeta novamente.

@CReppWx

My favorite soundbyte of the day that probably won’t make it to TV. It came from NASA Administrator Jim Bridenstine. As a Pluto Supporter, I really appreciated this. #9wx #PlutoLoversRejoice @JimBridenstine

pplware
28 Ago 2019
Imagem: NASA

 

2538: Nem Asteróide do Apocalipse, nem Deus do Caos. Nenhum asteróide (conhecido) vai colidir com a Terra nos próximos 100 anos

forplayday / Canva

A NASA continua a afirmar que nenhum asteróide conhecido representa um risco significativo de impacto com a Terra nos próximos 100 anos.

Vários média noticiaram nos últimos dias a aproximação à Terra do asteróide 99942 Apophis, também conhecido como “Deus do Caos”.

Este corpo rochoso, que tem 340 metros de largura, “passará” pela Terra nos próximos 10 anos, de acordo com as estimativas dos cientistas, e ficará a 30.500 quilómetros de distância do nosso planeta, recorda a agência Europa Press.

O Apophis é um dos maiores asteróides a passar tão perto da Terra e uma eventual colisão poderia ser devastara para toda a vida na Terra.

O jornal britânico The Express escreveu que a NASA já iniciou os preparativos para a passagem do Apophis, dando conta que a agência norte-americana está também atenta a eventuais mudanças na sua trajectória e a futuros impactos com a Terra.

Contudo, a NASA desdramatiza a situação. Na sua página oficial, escreve que o maior risco de impacto para um asteróide conhecido (FD 2009) ocorrerá em 2185 e tem uma probabilidade de impacto de 1 em 714 – ou seja, uma possibilidade menor que 0,2%.

A tabela de risco que monitoriza riscos de impactos é da responsabilidade do NEO Study Center do Jet Propulsion Laboratory, sendo também continuamente actualizada à medida que novos asteróides são descobertos e que mais asteróides conhecidos são observados.

Um dos asteróide que a NASA estuda de perto é o Bennu, que tem uma possibilidade de impactar a Terra de 1 em 2.700 entre 2175 e 2195.

A nave espacial OSIRIS-REx completará uma investigação de 2 anos ao asteróide antes de extrair uma amostra de material da superfície do corpo rochoso para depois devolvê-la à Terra. O lugares para pousar no Bennu, também conhecido como Asteróide do Apocalipse, foram recentemente definidos.

Além de recolher uma amostra, OSIRIS-REx também estudará como é que a luz absorvida pelo Sol e re-irradiada pelo Bennu afecta a sua órbita e, consequentemente, como é que esta órbita se pode tornar mais perigosa para a Terra.

ZAP //

Por ZAP
29 Agosto, 2019

(extra-notícia) Asteróide “Deus do Caos”

 

2537: Um avião espacial orbita a Terra há 719 dias (mas não se sabe porquê)

Um avião militar sem tripulantes, movido a energia solar, quebrou o seu recorde de duração de voo espacial e passou mais de 719 dias a orbitar a Terra.

O avião espacial X-37B pertence à Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e esta é a sua quinta missão — o Orbital Test Vehicle 5 (OTV-5). No entanto, os resultados das suas missões permanecem confidenciais.

Na segunda-feira, o avião quebrou o recorde estabelecido pela missão anterior, o OTV-4, que permaneceu no ar por 717 dias, 20 horas e 42 minutos. O OTV-5 bateu esse às 10 horas e 43 minutos, no dia 26 de Agosto. Hoje, o avião está quase no final do dia 719.

Embora a USAF não evite falar sobre o avião espacial, usa termos muito gerais. Mas, é de conhecimento público que a USAF tem, pelo menos, duas aeronaves movidas a energia solar, construídas pela Boeing.

A última missão foi lançada a 7 de Setembro de 2017 pelo foguete Falcon 9 da SpaceX e ainda está activa. Não está claro quando termina a sua missão, mas o avião está preparado com rodas para aterrar na pista.

De acordo com a USAF, os objectivos primários do X-37B são pesquisar tecnologias de veículos espaciais reutilizáveis para o futuro dos EUA no espaço e, conduzir experiências que se possam trazer para a Terra para as examinar.

Segundo a Space, as tecnologias testadas no programa incluem: orientação avançada, navegação e controlo, sistemas de protecção térmica, aviónica, estruturas e vedações de alta temperatura, isolamento reutilizável conforme, sistemas electromecânicos de voos leves, sistemas avançados de propulsão, materiais avançados, voo orbital autónomo, reentrada e aterragem.

No passado, o mistério em torno desta missão levou à especulação de que os militares podiam estar a testar um EM Drive no espaço — um hipotético sistema de propulsão sem combustível que foi estudado pela NASA e que a China alega já estar a testar.

Outras especulações sugeriam que a USAF podia estar a usar o X-37B para pesquisa de armas ou operações de vigilância da órbita. Contudo, em 2010 a Força Aérea negou que o programa envolvesse qualquer “capacidade ofensiva”.

“O programa apoia a redução de riscos tecnológicos, a experiência e o desenvolvimento de conceitos operacionais”, disse um porta-voz na altura.

Independentemente da missão do avião, este foi projectado para um tempo de órbita de apenas 270 dias. O facto de ter sido capaz de mais do que duplicar o tempo é uma conquista para as aeronaves movidas a energia solar.

DR, ZAP //

Por DR
28 Agosto, 2019

 

2536: Cientistas criam o primeiro lagarto mutante geneticamente modificado

CIÊNCIA

(CC0/PD) torstensimon / Pixabay

Uma equipa de cientistas da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, conseguiu criar o primeiro lagarto geneticamente modificado recorrendo à técnica de edição genética CRISPR.

No novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Cell Reports, a equipa explica que a técnica de CRISPR consiste numa série de “tesouras moleculares” capazes de inserir, remover, modificar ou substituir partes de ADN do genoma de um organismos vivo.

Outros cientistas tinham já utilizado este método para modificar o ADN de mamíferos, peixes, pássaros e anfíbios, mas esta foi a primeira vez que a técnica CRISPR foi aplicada em répteis. Os especialistas enfrentavam dificuldades com a edição genética neste tipo de animais devido à forma como estes se reproduzem. Ao contrário dos outros animais, os répteis fertilizam os seus óvulos em momentos imprevisíveis.

Para a nova investigação, escreve o jornal britânico Daily Star, a equipa inserir algumas modificações ao método, permitindo assim que esta limitação fosse superada.

Os cientistas injectaram reagentes CRISPR em óvulos não fertilizados em ovários de lagartos. Quando os ovos eclodiram, aproximadamente metade dos lagartos mutantes herdaram genes da mãe e do pai com o ADN modificado.

Os cientistas escolheram levar a cabo a edição genética num o animal albino, uma vez que esta é uma mutação não prejudicial ao espécime.

Além disso, e tendo em conta que os humanos com albinismo têm, por norma, problemas de visão, os cientistas esperam ainda utilizar os lagartos modificados para estudar como é que a perda deste gene afecta o desenvolvimento da retina.

Após esta edição genética bem sucedida, os  geneticistas planeiam agora usar esta mesma técnica noutros animais e esperam poder ajudar a curar doenças e prolongar a esperança de vida humana.

ZAP //

Por ZAP
29 Agosto, 2019

 

2535: Afinal, não foi o frio que matou o urso das cavernas

CIÊNCIA

Jacek Halicki / Wikimedia

Uma equipa europeia encontrou provas de que não foi o frio que levou à extinção do urso das cavernas. Na verdade, foram os humanos.

Num artigo publicado em Agosto na revista especializada Scientific Reports, o grupo estudou o ADN mitocondrial dos restos destes animais e concluiu que as hipóteses anteriores que indicavam que o urso da caverna simplesmente não resistiu ao frio na Idade do Gelo estavam erradas. A investigação sugere que este factor esteve relacionado com a sua extinção, mas não foi decisivo no desaparecimento dos animais.

O trabalho da equipa incluiu provas mitocondriais de 59 restos de ossos encontrados em cavernas em toda a Europa. O estudo dos dados mostrou que as populações de ursos começaram a declinar muito antes do início da última Idade do Gelo, há aproximadamente 40 mil anos.

Os cientistas também descobriram que os ursos conseguiram sobreviver às eras glaciais anteriores sem grandes reduções na população. Os investigadores apontam que os humanos modernos começaram a povoar as áreas onde os ursos viviam no início da Idade do Gelo. Além disso, apontam que os neandertais também viviam na área, mas que coexistiram com os ursos das cavernas durante milhares de anos, por isso é improvável que tenham contribuído para a extinção.

Os cientistas sugerem que os humanos modernos terão tido habilidades de caça mais sofisticadas e eram menos relutantes em aventurar-se em cavernas onde os ursos poderiam estar a residir. Também apontam que os seres humanos modernos poderiam ter matado os ursos das cavernas por várias razões, incluindo caçá-los para comida, usar as suas peles para se aquecer e eliminá-los como potenciais ameaças.

O ADN mitocondrial também mostrou que os ursos tornaram-se mais isolados à medida que o seu número diminuía, o que tornava os sobreviventes mais propensos a doenças à medida que o fundo genético diminuía.

Os ursos das cavernas também eram sensíveis a um clima em mudança, de acordo com os cientistas. Como não eram carnívoros, as mudanças na vegetação durante a última Idade do Gelo tornaram a procura por comida mais difícil.

Os investigadores concluíram, assim, que os humanos que reduziram o seu número fizerem com que fosse impossível sobreviver à última Era do Gelo.

ZAP //

Por ZAP
28 Agosto, 2019