2286: “Boa sorte e céu limpo.” Os eclipses solares totais são ouro para os cientistas

CIÊNCIA

NASA

Além de ser um espectáculo imperdível para alguns turistas, os eclipses solares totais são também uma oportunidade de ouro para os cientistas observarem a atmosfera do Sol.

“Boa sorte e céu limpo.” Esta é uma expressão muito usada na Astronomia que, para um caçador de eclipses como Huw Morgan, tem um significado especial.

São milhares os turistas que se mobilizam para ver um eclipse solar total, assim como inúmeros cientistas, para os quais este fenómeno é uma oportunidade de ouro para observar a atmosfera do Sol, conhecida como coroa solar. Tal como a Terra, o Sol tem uma atmosfera e um campo magnético que se estende a grandes distâncias pelo Espaço.

A coroa solar é um plasma intenso de protões e electrões separados que atinge temperaturas de um milhão de graus Celsius, ou até mais. Neste ambiente, quente e magnetizado, a física comporta-se de forma bizarra. Morgan, investigador da Aberystwyth University, no País da Gales, acredita que uma melhor compreensão da coroa solar poderia aumentar a nossa segurança na Terra, uma vez que eventos explosivos na coroa podem ter efeitos dramáticos para o nosso planeta.

Uma vez que a sociedade se tornou cada vez mais dependente da tecnologia, entender o clima espacial e, sobretudo, ser capaz de prevê-lo pode ser uma valiosa arma para nós. As erupções do Sol, por exemplo, podem danificar sondas e naves espaciais, sistemas de energia, comunicações e sistemas de GPS. Uma grande erupção solar poderia causar enormes prejuízos à economia global.

A coroa solar é apenas visível durante um eclipse, uma vez que a luz extremamente brilhante vinda directamente da superfície visível do Sol – a fotosfera – a tapa. Uma vez que a fotosfera é cerca de um milhão de vezes mais brilhante do que as regiões mais brilhantes da coroa, observar a coroa solar é quase como estudar o comportamento de um pirilampo a pairar ao lado de um farol, explica Morgan, num artigo publicado no The Conversation.

Um eclipse total ocorre quando a Lua passa à frente do Sol, bloqueando o seu disco brilhante a lançando uma sombra profunda sobre a Terra. Durante este fenómeno, a coroa do Sol é evidenciada, para bom grado dos cientistas. A partir daqui, os especialistas têm poucos minutos para a observar, e tudo o que precisam é de sorte, para que nenhuma nuvem estrague o espectáculo que aguardaram durante tanto tempo.

Enquanto a Lua cobre o disco brilhante do Sol, a atmosfera circundante aparece como um anel fraco, com raios estendidos que apontam para fora da estrela como uma coroa – daí o nome. Estudar este ambiente misterioso poderia ajudar a preparar a Terra para as suas eventuais mudanças de humor, defende Huw Morgan.

Eclipses solares totais fornecem um quadro detalhado e instantâneo da atmosfera solar e são uma preciosa oportunidade para aprender mais sobre a camada oculta do Sol, que pode afectar (e muito) a vida no planeta Terra. Resta aos cientistas esperar “boa sorte e céu limpo”.

ZAP //

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7 Julho, 2019

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2285: Os idosos estão a contribuir para as alterações climáticas (e a sofrer com isso)

CIÊNCIA

jeremyhiebert / Flickr

A idade média está a aumentar nas populações de todo o mundo e isso pode representar um desafio para os esforços de controlo das alterações climáticas.

Hossein Estiri, da Universidade de Harvard, e Emilio Zagheni, do Instituto Max Planck de Pesquisa Demográfica, na Alemanha, descobriram que o uso de energia aumenta à medida que envelhecemos. Uma população envelhecida pode significar uma proporção maior da sociedade com altos níveis de consumo de energia, sugere um estudo recente.

Em média, o consumo de energia nas crianças aumenta à medida que crescem e, quando saem de casa, diminui. Por sua vez, uma análise dos dados dos Estados Unidos mostrou que o consumo sobre quando as pessoas atingem os 30 anos e atinge o seu pico aos 55 anos, caindo levemente antes de começar a subir outra vez.

De acordo com o New Scientist, o estudo avaliou factores como rendimento, clima, idade e tamanho da habitação. O aumento do uso de energia ao longo da vida parece estar relacionado com as nossas necessidades em cada fase da nossa vida.

A investigação concluiu que, nas cidades norte-americanas mais quentes, o uso de energia intensifica-se nas pessoas com mais de 65 anos de idade, e esse aumento parece estar relacionado com o uso de ar condicionado. Este dado sugere que as mudanças climáticas e o envelhecimento da população podem estar a aumentar os efeitos, um sobre o outro e vice versa.

As ondas de calor tornara-se mais comuns no país durante os últimos anos, e espera-se que se tornem ainda mais frequentes graças ao aquecimento global. Por sua vez, as pessoas mais velhas que usam energia para se refrescar podem estar a contribuir para mais aquecimento, pelo menos até o fornecimento de energia se ver livre dos combustíveis fósseis.

Benjamin Sovacool, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, afirma que esta investigação mostra a importância da demografia no que diz respeito à redução das emissões de carbono. “Este estudo desafia directamente toda a comunidade científica, desafiando-a a lidar com a temporalidade e a complexidade do consumo de energia.”

O artigo científico foi publicado na Energy Research & Social Science.

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7 Julho, 2019

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2284: Satélite revela lago de lava num vulcão isolado do Atlântico Sul

CIÊNCIA

LANDSAT / NASA

Um grupo de cientistas descobriu um raro lago de lava numa remota e inacessível ilha sub antárctica. Este vulcão nas Ilhas Sandwich do Sul é apenas o oitavo identificado em todo o mundo com um lago de lava persistente.

Piscinas de lavas fumegantes nas crateras vulcânicas. Apesar de ser esta a imagem a surgir na nossa mente assim que pensamos em vulcões, o vulcão das Ilhas Sandwich do Sul é apenas o oitavo identificado em todo o mundo que tem um lago de lava persistente.

A descoberta no Monte Michael na Ilha Saunders, detalhada na revista Volcanology and Geothermal Research, foi feita através de imagens de satélite. Este é o primeiro vulcão deste género a ser identificado dentro do Território Ultramarino Britânico, na Geórgia do Sul e Ilhas Sandwich do Sul.

Em 2001, a análise de dados de satélite de baixa resolução revelou uma anomalia geotérmica, mas não foi possível provar a existência de um lago de lava. Agora, imagens de satélite de maior resolução, combinadas com técnicas avançadas de processamento, revelaram um lago com 90-215 metros de diâmetro com lava derretida de 989-1279°C.

O autor do estudo, o geólogo Alex Burton-Johnson, da British Antarctic Survey, referiu em comunicado que a equipa está “muito feliz por ter descoberto uma característica geológica tão notável no Território Ultramarino Britânico”.

“A identificação do lago de lava melhorou a nossa compreensão da actividade vulcânica e do perigo nesta ilha remota, além de nos dar mais pormenores sobre as características raras desta ilha. Além disso, ajudou-nos a desenvolver técnicas de monitorização de vulcões desde o Espaço”, continuou, citado pelo portal Pshys.org.

A principal autora do artigo científico, Danielle Gray, da University College London, adiantou que o “Monte Michael é um vulcão numa ilha remota no Oceano Antárctico”. “É extremamente difícil ter acesso a este vulcão e, sem imagens de satélite de alta resolução, seria muito difícil aprender mais sobre este incrível recurso geológico”, completou.

Os outros sete lagos de lava ao redor do mundo são Nyiragongo, na República Democrática do Congo; o vulcão Erta Ale, na Etiópia; Erebus, na Antártica; Yasur, em Vanuatu; Kilauea, no Havai; Ambrym, em Vanuatu; e Masaya, em Nicarágua.

ZAP //

Por ZAP
7 Julho, 2019

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