2208: Nuvens marcianas geladas podem formar-se a partir do fumo de meteoros mortos

CIÊNCIA

M. Kornmesser / ESO

Há muito que os astrónomos observam as nuvens na atmosfera intermediária de Marte, que começa a cerca de 30 quilómetros acima da superfície. Mas não têm conseguido explicar o fenómeno.

Agora, um novo estudo, publicado na revista Nature Geoscience, examina essas acumulações e sugere que devem a sua existência a um fenómeno chamado “fumo meteórico” . Essencialmente, a poeira gelada criada por detritos espaciais a bater na atmosfera do planeta.

“Estamos acostumados a pensar na Terra, Marte e outros corpos como planetas independentes que determinam os seus próprios climas”, disse Victoria Hartwick, estudante de pós-graduação do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas (ATOC) e principal autora do estudo, em comunicado. “Mas o clima não é independente do sistema solar circundante”.

A investigação, que incluiu os co-autores Brian Toon na CU Boulder e Nicholas Heavens na Hampton University na Virginia, baseia-se em um facto básico sobre as nuvens: não surgem do nada. “As nuvens não se formam sozinhas“, disse Hartwick, também do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da CU Boulder. “Precisam de algo em que se possam condensar.”

Na Terra, por exemplo, nuvens baixas começam a vida como minúsculos grãos de sal marinho ou poeira lançados ao ar. Moléculas de água aglomeram-se em torno das partículas, tornando-se maiores. Mas, até onde os cientistas podem dizer, esse tipo de nuvem não existe na atmosfera intermediária de Marte.

Hartwick explicou que cerca de duas a três toneladas de detritos espaciais caem em Marte todos os dias, em média. Quando esses meteoros se dilaceram na atmosfera do planeta, injectam um enorme volume de poeira no ar. Para descobrir se tal fumaça seria suficiente para originar misteriosas nuvens de Marte, a equipa de Hartwick usou simulações maciças de computador que tentam imitar os fluxos e a turbulência da atmosfera do planeta.

“O nosso modelo não poderia formar nuvens nessas altitudes antes”, disse Hartwick. “Mas agora, estão todos lá e parecem estar nos lugares certos.”

Mas não se deve esperar ver nuvens gigantescas a formar-se acima da superfície de Marte tão cedo. As nuvens que a equipa estudou eram muito mais parecidas com pedaços de algodão doce do que as nuvens da Terra.

As simulações dos investigadores mostraram que as nuvens da atmosfera média podem ter um grande impacto no clima marciano. As nuvens poderiam fazer com que as temperaturas em altas altitudes oscilassem em até 10ºC.

Brian Toon, um professor da ATOC, disse que as descobertas da equipa podem ajudar a revelar a evolução passada do planeta. “Mais modelos climáticos estão a descobrir que o clima antigo de Marte, quando os rios fluíam através da superfície e a vida pode ter originado, foi aquecido por nuvens de alta altitude”, disse.

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21 Junho, 2019

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2207: Os pterossauros-bebé podiam voar logo depois de nascer

James Brown (University of Leicester)

Depois de analisar os fósseis de embriões de pterossauros encontrados na China e na Argentina, um grupo de cientistas britânicos concluiu que os descendentes deste répteis voadores eram capazes de voar logo após o nascimento, ao contrário do que acontece com os pássaros e morcegos, por exemplo.

Para levar a investigação a cabo, especialistas analisaram a extensão dos membros embrionados e o tamanho e a forma dos ovos em centenas de fósseis e compararam depois os resultados com o crescimento de pássaros modernos e crocodilos.

Com esta análise, os cientistas conseguiram classificar os embriões de acordo com as suas fases de desenvolvimento, pode ler-se no estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Proceedings, da Royal Society B.

Em seguida, a equipa estudou os diferentes estágios de formação óssea em nove espécies de diferentes de pterossauros. No decorrer da análise, os cientistas descobriram que um dedo especial – que corresponde ao quarto dedo da mão humana e é importante para a habilidade de voo das aves – endureceu juntamente com outros ossos essenciais ainda antes do nascimento do pterossauros-bebé. Esta formação facilitou, segundo os cientistas, o desenvolvimento completo do aparelho de voo antes da eclosão.

De acordo com os autores do estudo, a descoberta não significa necessariamente que os pterossauros-bebé não receberam protecção dos seus progenitores face aos predadores, embora não haja evidência de que precisassem dos seus pais para aprender a voar.

Até então, acreditava-se que os pterossauros só eram capazes de voar depois de atingir alcançar o seu tamanho completo, tal como acontece com pássaros e morcegos. Esta hipótese foi baseada em embriões fossilizados com asas subdesenvolvidas.

“O nosso estudo técnica mostra que os pterossauros eram diferentes dos pássaros e morcegos, e que a anatomia comparativa pode revelar novos modos de desenvolvimento em espécies já extintas”, disse um dos autores do estudo, Charles Deeming.

Em declarações ao portal Gizmodo, o autor principal do estudo, David Unwin, paleobiologista da Universidade de Leicester, no Reino Unido, explicou que o erro do passado foi “tentar interpretar os pterossauros no contexto dos pássaros e morcegos”.

Contudo, alguns cientistas receberam com algum cepticismo a descoberta. Segundo a paleontóloga belga Edina Prondvai, os autores devem comparar os seus resultados com as espécies de pássaros talégalos, também conhecidos como megápodos, cujas crias são capazes de voar no mesmo dia em que eclodem.

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21 Junho, 2019

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2206: Hoje é o dia mais longo do ano. O solstício de verão está prestes a chegar

Ronnie Robertson / Wikimedia

Às 16h54 em ponto desta sexta-feira, 21 de Junho, começa mais um verão no hemisfério norte – e mais um inverno no hemisfério sul. Será nesse momento exacto que a Terra atinge a maior inclinação em relação ao Sol. É o solstício de verão.

Esta sexta-feira é também o dia mais longo do ano, com maior duração de luz solar – 14 horas, 53 minutos e 7 segundos no território nacional. São mais dois segundos em relação a quinta-feira, o dia anterior, mas é quanto basta para deter o recorde.

Já a partir de sábado, no entanto, os dias começam a diminuir em duração da luz solar (sábado já terá menos um segundo, domingo menos cinco), até atingirem um novo mínimo dentro de seis meses, no momento do solstício de inverno, em 21 de Dezembro.

O Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) explica que os solstícios são “pontos da eclíptica em que o Sol atinge as alturas (distância angular) máxima e mínima em relação ao equador, isto é, pontos em que a declinação solar atinge extremos: máxima no solstício de Verão (+23° 26′) e mínima no solstício de Inverno (-23° 26′)”.

Solstício tem origem na palavra latina solstitium, que descreve o facto de o Sol, nesse ponto, “travar o movimento diário de afastamento ao plano equatorial e “estacionar” ao atingir a sua posição mais alta ou mais baixa no céu local”.

Em Stonehenge, na Inglaterra, o círculo de pedras gigantes, com cerca de seis mil anos, que se acredita ter sido um local de celebrações religiosas e um referente astronómico para os povos de então, este é um dia muito especial, em que milhares de pessoas se juntam para saudar o início do verão.

Neste dia, de acordo com o Diário de Notícias, o sol nasce duplamente alinhado com a pedra de Heel, que se ergue à entrada de Stonehenge, e com o seu altar. Nesta altura do ano, são milhares as pessoas que viajam para lá, para assistir a esse momento inicial do nascimento do dia alinhado com as pedras. Depois, a festa prolonga-se pelo dia fora, para culminar no momento exacto do solstício, pelas 16h54.

Muitos do que ali comparecem para a festa do solstício de verão vestem-se de druidas, à maneira antiga, lembrando celebrações pagãs ligadas ao ciclo anual agrícola.

Em Portugal, segundo o IPMA, o verão vai começar com céu pouco nublado ou limpo, com períodos de maior nebulosidade no Norte e Centro pela manhã. O vento anuncia-se fraco a moderado e as temperaturas, para já, não se antecipam especialmente quentes.

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21 Junho, 2019

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