2199: Misteriosas ilhas artificiais na Escócia são mais antigas que Stonehenge

CIÊNCIA

(dr) Fraser Sturt)

Arqueólogos da Universidade de Southampton, que trabalharam com colegas da Universidade de Reading e com o arqueólogo local Chris Murray, descobriram que alguns “crannogs” escoceses datam do período neolítico – muito mais antigos do que se supunha.

Pensava-se que estas ilhas artificiais, construídas em lagos e enseadas no mar, tinham sido construídas, usadas e reutilizadas durante mais de 2.500 anos entre a Idade do Ferro e o período pós-medieval.

No entanto, agora, os investigadores dataram com radio-carbono quatro crannogs nas Hébridas Exteriores de 3640 a 3360 a.C, mudando a linha do tempo em milhares de anos, de acordo com o estudo publicado na revista Antiquity. Segundo o Phys, a construção do Stonehenge começou nos anos 3.000 a.C.

​Supõe-se que quase todas as ilhotas tenham servido como habitação. Em 2012, foram descobertos potes extraordinariamente bem preservados do início ou meio do Neolítico num leito do lago pelo residente de Lewis Chris Murray. Mais tarde, trabalhando com Mark Elliot, do Museum nan Eilean, recuperou colecções semelhantes em mais cinco locais crannog em toda a ilha.

Estas descobertas de cerâmica sugeriram que os crannogs podiam datar do período neolítico e levaram os investigadores a estudar usando uma combinação de levantamento de solo e submarino, fotogrametria e perfuração paleo-ambiental. Concluíram que havia evidências de construção de ilhas artificiais nas Hébridas Exteriores durante o Neolítico.

“Esses crannogs representam um esforço monumental feito há milhares de anos para construir mini-ilhas, acumulando muitas toneladas de pedras no leito do lago”, disse Fraser Sturt, arqueólogo da Universidade de Southampton, em comunicado.

(dr) Fraser Sturt)

Foram recuperadas quantidades substanciais de vasos cerâmicos neolíticos dos lagos e os seus grandes tamanhos fragmentados sugerem que – pelo menos alguns – estavam completos quando entraram na água. Noutras palavras, houve um depósito sistemático e possivelmente ritualizado das ilhas.

Com entre 10 a 30 metros de comprimentos, os crannogs seriam lugares especiais para reuniões públicas ou construções para ritos e refeições conjuntas. Duncan Garrow, da Universidade de Readimng, admitiu que o facto de as construções serem cercadas de água pode simbolizar a separação do homem da vida quotidiana.

Embora as Hébridas Exteriores tenham um número significativo de crannogs, também são comuns no restante da Escócia e da Irlanda. Apenas 10% foram datados por radio-carbono e apenas 20% no total foram datados.

“Parece muito provável que sejam encontrados muitos outros crannogs neolíticos. A nossa investigação mostra que este é um novo tipo de sítio para o neolítico britânico, indicando diferentes formas de prática pré-histórica. É muito emocionante pensar no potencial que estes sítios têm para melhorara  nossa compreensão do passado”, concluiu Sturt.

ZAP //

Por ZAP
18 Junho, 2019

2198: Degelo na Gronelândia: Esta foto é a prova de que precisa para acreditar

© Twitter Superfície de gelo é agora água.

Uma imagem captada pelo climatólogo Steffen M. Olsen, no passado dia 13 de Junho, prova o impacto que as alterações climáticas estão a ter no Árctico.

O dinamarquês estava no noroeste da Gronelândia, sendo que uma das suas funções seria recuperar os dispositivos de medição que tinham sido colocados no gelo no âmbito da missão Acção Azul. Preparava-se para fazê-lo, a bordo de um trenó guiado por cães, quando percebeu que os caminhos de gelo percorridos pelos animais estavam, afinal, transformados em água.

“As comunidades na Gronelância contam com o gelo para transporte, caça e pesca. Eventos extremos, neste caso a inundação pelo início abrupto do derretimento da superfície, exige uma capacidade de previsão mais apurada no Árctico”, alertou Steffen M. Olsen, no Twitter.

16:08 – 14 de jun de 2019

A sua publicação está a tornar-se viral e um verdadeiro exemplo, alertando para a rapidez com que o gelo do árctico está a derreter.

A Gronelândia tem vindo a perder gelo nas últimas décadas devido ao aquecimento progressivo. Desde os anos 1990 que as temperaturas médias sobre o manto de gelo subiram 1,8 graus celsius no verão e até 3 graus no inverno.

Estimativas indicam que o manto gelado esteja a perder 270 mil milhões de toneladas de gelo em cada ano. Até recentemente grande parte do gelo perdia-se em icebergues, mas agora o derretimento directo já representa 70% das perdas, especialmente por causa da chuva, dizem os investigadores.

msn meteorologia
Notícias Ao Minuto
18/06/2019

2197: ESO Astronomy

ESO #Flashback: Two of the sky’s more famous residents share the stage with a lesser-known neighbour in this enormous three gigapixel image from ESO’s VLT Survey Telescope (VST). On the right lies the faint, glowing cloud of gas called Sharpless 2-54, the iconic Eagle Nebula (Messier 16) is in the centre, and the Omega Nebula (Messier 17) to the left. Image credit: ESO Astronomy View larger image at: http://socsi.in/QIVrJ
ESO #Flashback: dois dos moradores mais famosos do céu compartilham o palco com um vizinho menor, nesta enorme imagem de três gigapixel do telescópio de pesquisa VLT de ESO (VST). À direita está a fraca e brilhante nuvem de gás chamada sharpless 2-54, a icónica nebulosa de águia (Messier 16) está no centro, e a nebulosa Ómega (Messier 17) para a esquerda. Crédito da imagem: Eso Astronomy vista a imagem maior em: http://socsi.in/QIVrJ
18/06/2019

2196: ESO Astronomy

On 21 June 1953, during a conference at Leiden Observatory, a group of astronomers discussed the idea of a joint European effort in astronomy, later to become ESO. The people in this picture, from left to right: V. Kourganoff of France, J.H. Oort of the Netherlands, and H. Spencer-Jones of Great Britain. Credit: ESO Astronomy /A.Blaauw http://socsi.in/6zaMI

Em 21 de Junho de 1953, durante uma conferência no Observatório de Leiden, um grupo de astrónomos discutiu a ideia de um esforço europeu conjunto em astronomia, mais tarde para se tornar ESO. As pessoas nesta foto, da esquerda para a direita: v. Kourganoff da França, j.h. oort dos países baixos, e h. Spencer-Jones da Grã-Bretanha. Crédito: Eso Astronomy / a. Blaauw http://socsi.in/6zaMI

18/06/2019

 

2195: Os elementos pesados da Terra nasceram em explosões de super-nova

Impressão de artista de um colapsar.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

O ouro das nossas jóias é de outro mundo – e isto não é apenas um elogio.

Numa descoberta que pode derrubar a nossa compreensão de onde os elementos pesados da Terra, como ouro e platina, vêm, uma nova investigação feita por um físico da Universidade de Guelph sugere que a maior parte destes materiais foram expelidos por um tipo de explosão estelar largamente negligenciada, bem longe no espaço e no tempo.

Cerca de 80% dos elementos pesados do Universo formaram-se provavelmente em colapsares, uma forma rara de explosão de super-nova, mas rica em elementos pesados, após o colapso de estrelas massivas e velhas tipicamente 30 vezes mais massivas do que o nosso Sol, disse o professor de física Daniel Siegel.

Essa descoberta anula a ideia generalizada de que estes elementos vêm principalmente de colisões entre estrelas de neutrões ou entre uma estrela de neutrões e um buraco negro, explicou Siegel.

O seu trabalho, em co-autoria com colegas da Universidade de Columbia, foi publicado na revista Nature.

Usando supercomputadores, os três cientistas simularam a dinâmica dos colapsares, ou estrelas antigas cuja gravidade faz com que implodam e formem buracos negros.

No seu modelo, os colapsares massivos e com rápida rotação ejectam elementos pesados, cujas quantidades e distribuição são “surpreendentemente semelhantes ao que observamos no nosso Sistema Solar,” explicou Spiegel.

A maioria dos elementos encontrados na natureza foram produzidos em reacções nucleares em estrelas e, finalmente, expelidos por enormes explosões estelares.

Os elementos pesados encontrados na Terra e noutras partes do Universo, de explosões remotas, variam de ouro a platina, de urânio a plutónio usados em reactores nucleares, até elementos químicos mais exóticos como o neodímio, encontrado em produtos electrónicos.

Até agora, os cientistas pensavam que estes elementos eram “cozinhados” principalmente em colisões estelares envolvendo estrelas de neutrões ou buracos negros, como numa colisão entre duas estrelas de neutrões observada por detectores terrestres bastante noticiada em 2017.

Ironicamente, disse Siegel, a sua equipa começou a trabalhar para entender a física dessa fusão antes das suas simulações apontarem para os colapsares como uma incubadora de elementos pesados. “A nossa investigação sobre estrelas de neutrões levou-nos a pensar que o nascimento de buracos negros, num tipo muito diferente de explosão estelar, podia produzir ainda mais ouro do que as fusões entre estrelas de neutrões.”

O que aos colapsares falta em frequência, compensa no fabrico de elementos pesados, realçou Siegel. Os colapsares também produzem flashes intensos de raios-gama.

“Oitenta por cento destes elementos pesados que vemos devem vir dos colapsares. Os colapsares são bastante raros em termos de ocorrência de super-novas, ainda mais raros do que as fusões de estrelas de neutrões – mas a quantidade de material ejectado para o espaço é muito maior do que a das fusões de estrelas de neutrões.”

A equipa espera agora ver o seu modelo teórico validado por observações. Siegel disse que instrumentos infravermelhos como os do Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para 2021, devem ser capazes de detectar a radiação indicadora de elementos pesados de um colapsar numa galáxia distante.

“Essa seria uma assinatura clara,” disse, acrescentando que os astrónomos também podem detectar evidências de colapsares observando as quantidades e a distribuição de elementos pesados noutras estrelas da nossa Via Láctea.

Siegel salientou que esta investigação pode fornecer pistas sobre a formação da nossa Galáxia.

“Tentar descobrir de onde vêm os elementos pesados pode ajudar-nos a entender como a Via Láctea foi ‘montada’ quimicamente e como se formou. Isto pode realmente ajudar a resolver algumas grandes questões da cosmologia, já que os elementos pesados são um bom rastreador.”

Este ano assinala-se o 150.º aniversário da criação da tabela periódica dos elementos químicos de Dmitri Mendeleev. Desde então, os cientistas acrescentaram muitos outros elementos à tabela periódica, um marco dos livros escolares e científicos de todo o mundo.

Referindo-se ao químico russo, Siegel disse: “Conhecemos muitos outros elementos químicos que ele não conhecia. O que é fascinante e surpreendente é que, após 150 anos a estudar os blocos fundamentais da natureza, ainda não entendemos bem como o Universo produz uma grande parte dos elementos da tabela periódica.”

Astronomia On-line
18 de Junho de 2019

2194: Cassini revela nova escultura nos anéis de Saturno

Mosaico de imagens a cores falsas que mostra Dafne, uma das luas embebidas nos anéis de Saturno, e das ondas que levanta na divisão de Keeler. As imagens recolhidas durante as órbitas próximas da Cassini em 2017 estão a fornecer novas informações sobre o funcionamento complexo dos anéis.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

Uma nova análise mostra que à medida que a sonda Cassini da NASA mergulhava perto de Saturno durante o seu último ano, a nave fornecia detalhes intrincados sobre o funcionamento dos anéis complexos do planeta.

Embora a missão tenha terminado em 2017, continua a surgir ciência dos dados recolhidos. Um novo artigo publicado na edição de 13 de Junho da revista Science descreve resultados de quatro instrumentos da Cassini, as observações mais próximas dos anéis principais.

As descobertas incluem detalhes finos de características esculpidas por massas embutidas nos anéis. Texturas e padrões, de amontoados a parecidos com palha, sobressaem das imagens, levantando questões sobre as interacções que os moldaram. Novos mapas revelam como as cores, a química e a temperatura mudam nos anéis.

Como um planeta em construção dentro de um disco de material proto-planetário, minúsculas luas inseridas nos anéis de Saturno (chamadas de A a G, na ordem da sua descoberta) interagem com as partículas em redor. Desta forma, o artigo fornece mais evidências de que os anéis são uma janela para os processos astrofísicos de discos que moldam o nosso Sistema Solar.

As observações também aprofundam a compreensão dos cientistas do complexo sistema de Saturno. Os cientistas concluem que na orla externa dos anéis principais, uma série de estrias similares geradas por impactos no anel F têm o mesmo comprimento e orientação, mostrando que provavelmente foram provocadas por um bando de impactores que atingiram o anel ao mesmo tempo. Isto mostra que o anel é esculpido por correntes de material que orbita o próprio Saturno em vez de, por exemplo, detritos cometários (que se movem em torno do Sol) que chocam contra os anéis.

“Estes novos detalhes de como as luas estão a esculpir, de várias maneiras, os anéis, fornecem uma janela para a formação do Sistema Solar, onde também temos discos evoluindo sob a influência de massas embutidas,” disse Matt Tiscareno, autor principal e cientista da Cassini, do Instituto SETI em Mountain View, no estado norte-americano da Califórnia.

Mistérios Duradouros

Ao mesmo tempo, surgiram novos puzzles e mistérios antigos aprofundaram-se com as investigações mais recentes. As imagens detalhadas dos anéis trouxeram para o foco três texturas diferentes – amontoadas, macias e “riscadas” – e deixaram claro que estas texturas ocorrem em cinturas com limites nítidos. Mas porquê? Em muitos lugares, as cinturas não estão ligadas a quaisquer características dos anéis que os cientistas já tenham identificado.

“Isto diz-nos que a aparência dos anéis não é apenas uma função de quanto material existe,” disse Tiscareno. “Tem que haver algo diferente sobre as características das partículas, talvez afectando o que acontece quando duas partículas dos anéis colidem e ressaltam uma da outra. E nós ainda não sabemos o que é.”

Os dados analisados foram recolhidos durante as Órbitas Rasantes pelos Anéis (entre Dezembro de 2016 e Abril de 2017) e durante o Grande Final (de Abril a Setembro de 2017), quando a Cassini voou logo acima das nuvens de Saturno. À medida que a espaço-nave ficava sem combustível, a equipa da missão fê-la mergulhar deliberadamente na atmosfera do planeta em Setembro de 2017.

O instrumento VIMS (Visible and Infrared Mapping Spectrometer) da Cassini descobriu outro mistério. O espectrómetro, que observou os anéis no visível e no infravermelho próximo, identificou bandas anormalmente fracas de água gelada na parte mais externa do anel A. Isto foi uma surpresa, porque a área é conhecida por ser altamente reflectiva, o que geralmente é um sinal de gelo menos contaminado e, portanto, de bandas de água gelada mais fortes.

O novo mapa espectral também esclarece a composição dos anéis. E apesar dos cientistas já saberem que a água gelada era o principal componente, o mapa espectral descartou gelo de amónia e gelo de metano detectáveis como ingredientes. Mas também não indica compostos orgânicos – uma surpresa, dado o material orgânico que a Cassini descobriu a fluir do anel D para a atmosfera de Saturno.

“Se existisse material orgânico em grandes quantidades – pelo menos nos anéis principais A, B e C – nós tínhamo-lo visto,” disse Phil Nicholson, cientista do VIMS da Cassini da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, EUA. “Ainda não estou convencido de que são um componente importante dos anéis principais.”

Este estudo assinala o início da próxima era de ciência da Cassini, disse Jeff Cuzzi, do Centro de Pesquisa Ames da NASA, que estuda os anéis de Saturno desde a década de 1970 e é o cientista interdisciplinar dos anéis da missão Cassini.

“Nós vemos muito mais, e mais de perto, e estamos a obter quebra-cabeças novos e mais interessantes,” acrescentou Cuzzi. “Estamos apenas a adaptar-nos à nova fase, que é a de construir novos modelos detalhados da evolução dos anéis – incluindo a nova revelação de dados da Cassini de que os anéis são muito mais jovens do que Saturno.”

As novas observações dão aos cientistas uma visão ainda mais íntima dos anéis e cada análise revela novas complexidades, disse a cientista do projecto Cassini, Linda Spilker, do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

“É como aumentar a ampliação durante a observação dos anéis. Todos nós conseguimos ver em mais detalhe o que está a acontecer,” salientou Spilker. “A obtenção desta resolução extra respondeu a muitas perguntas, mas muitas outras permanecem.”

Astronomia On-line
18 de Junho de 2019

Exoplanetas tipo-Júpiter encontrados no “ponto ideal” da maioria dos sistemas planetários

O GPI procurou exoplanetas em centenas de estrelas próximas usando o Telescópio Gemini Sul localizado nos Andes Chilenos. O astrónomo Marshall Perrin está no plano da frente com as Nuvens de Magalhães – duas galáxias satélites da Via Láctea – descendo em direcção ao horizonte a oeste.
Crédito: Marshall Perrin, STScI

À medida que os planetas se formam no turbilhão de gás e poeira em torno de estrelas jovens, parece haver um ponto ideal onde a maioria dos grandes gigantes gasosos, como Júpiter, se reúnem, centrados na órbita onde Júpiter está hoje no nosso próprio Sistema Solar.

A localização deste ponto ideal está a 3-10 vezes a distância que a Terra fica do nosso Sol (3-10 UA, ou unidades astronómicas). Júpiter está a 5,2 UA do nosso Sol.

Esta é apenas uma das conclusões de uma análise sem precedentes de 300 estrelas estudadas pelo GPI (Gemini Planet Imager), um detector infravermelho sensível montado no Telescópio Gemini Sul de 8 metros no Chile.

O GPI Exoplanet Survey, ou GPIES, é um de dois grandes projectos que procuram exoplanetas directamente, bloqueando a luz estelar e fotografando os próprios planetas, em vez de procurar oscilações na estrela – o método de velocidade radial – ou planetas que passam em frente da estrela – a técnica de trânsito. A câmara GPI é sensível ao calor emitido por planetas recém-formados e anãs castanhas, que são mais massivas do que os planetas gigantes gasosos, mas ainda pequenas demais para despoletar a fusão e assim tornarem-se estrelas.

A análise das primeiras 300, entre mais de 500 estrelas investigadas pelo GPIES, publicada na edição de 12 de Junho da revista The Astronomical Journal, “é um marco,” disse Eugene Chiang, professor de astronomia da Universidade da Califórnia em Berkeley e membro do grupo teórico da colaboração. “Agora temos excelentes estatísticas da frequência com que os planetas ocorrem, a sua distribuição de massa e quão longe estão das suas estrelas. É a análise mais abrangente que já vi neste campo.”

O estudo complementa investigações exoplanetárias anteriores através da contagem de planetas entre 10 e 100 UA, uma gama na qual é improvável que as observações de trânsitos pelo Telescópio Espacial Kepler e observações de velocidade radial detectem planetas. Foi liderado por Eric Nielsen, investigador do Instituto Kavli para Astrofísica de Partículas e Cosmologia da Universidade de Stanford e envolveu mais de 100 investigadores de 40 instituições de todo o mundo.

Um novo planeta, uma nova anã castanha

Desde que o levantamento GPIES começou há cinco anos, que a equipa fotografou seis planetas e três anãs castanhas em órbita destas 300 estrelas. A equipa estima que cerca de 9% das estrelas massivas têm gigantes gasosos entre 5 e 13 massas de Júpiter para lá das 10 UA, e menos de 1% têm anãs castanhas entre 10 e 100 UA.

O novo conjunto de dados fornece informações importantes sobre como e onde os objectos massivos se formam nos sistemas planetários.

“À medida que nos afastamos da estrela central, os planetas gigantes tornam-se mais frequentes. Mais ou menos a 3-10 UA, a taxa de ocorrência aumenta,” disse Chiang. “Sabemos que este pico ocorre porque o Kepler e os levantamentos via velocidade radial observam um aumento nesta taxa, indo de Júpiteres quentes muito próximos da estrela a Júpiteres a algumas unidades astronómicas da estrela. O GPI preencheu a outra extremidade, indo de 10 a 100 UA, e descobrindo que a taxa de ocorrência cai; os planetas gigantes são encontrados mais frequentemente a 10 do que a 100. Se combinarmos tudo, há um ponto ideal para a ocorrência de planetas gigantes a 3-10 UA.”

“Com observatórios futuros, particularmente o TMT (Thirty-Meter Telescope) e missões espaciais ambiciosas, começaremos a fotografar os planetas que residem no local ideal para estrelas parecidas com o Sol,” disse o membro da equipa, Paul Kalas, professor adjunto de astronomia da Universidade da Califórnia em Berkeley.

O levantamento exoplanetário descobriu apenas um planeta anteriormente desconhecido – 51 Eridani b, com quase três vezes a massa de Júpiter – e uma anã castanha anteriormente desconhecida – HR 2562 B, com aproximadamente 26 vezes a massa de Júpiter. Nenhum dos planetas gigantes fotografados estão em redor de estrelas parecidas com o Sol. Ao invés, os planetas gigantes gasosos foram descobertos apenas em torno de estrelas mais massivas, pelo menos 50% maiores do que o nosso Sol, ou 1,5 massas solares.

“Tendo em conta o que nós e outros levantamentos vimos até agora, o nosso Sistema Solar não se parece com outros sistemas solares,” comentou Bruce Macintosh, investigador principal do GPI e professor de física em Stanford. “Não temos tantos planetas acondicionados tão próximos do Sol quanto outras estrelas e agora temos mais evidências de que somos raros devido à existência destes planetas tipo-Júpiter e ainda maiores.”

“O facto de os planetas gigantes serem mais comuns em estrelas mais massivas do que estrelas parecidas com o Sol é um enigma interessante,” disse Chiang.

Dado que muitas estrelas visíveis no céu nocturno são jovens e massivas, chamadas estrelas A, isto significa que “as estrelas que vemos no céu noturno à vista desarmada são mais propensas a ter planetas com massas tipo-Júpiter em seu redor do que as estrelas mais ténues para as quais precisamos de telescópios,” disse Kalas. “Isto é interessante.”

A análise também mostra que planetas gigantes gasosos e anãs castanhas, embora aparentemente num continuum de massa crescente, podem ser duas populações distintas formadas de diferentes maneiras. Os gigantes gasosos até cerca de 13 vezes a massa de Júpiter parecem ter sido formados por acreção de gás e poeira em objectos mais pequenos – de baixo para cima. As anãs castanhas, entre 13 e 80 vezes a massa de Júpiter, formaram-se como estrelas, por colapso gravitacional – de cima para baixo – dentro da mesma nuvem de gás e poeira que deu origem às estrelas.

“Penso que esta é a evidência mais clara de que estes dois grupos de objectos, planetas e anãs castanhas, formam-se de modo diferente,” explicou Chiang.

Fotografia directa é o futuro

O GPI pode fotografar planetas em torno de estrelas distantes graças à extrema óptica adaptativa, que detecta rapidamente a turbulência na atmosfera e reduz a desfocagem ajustando a forma de um espelho flexível. O instrumento detecta o calor de corpos ainda brilhando graças à sua própria energia interna, como exoplanetas grandes, entre 2 e 13 vezes a massa de Júpiter, e jovens, com menos de 100 milhões de anos, em comparação com a idade do nosso Sol de 4,6 mil milhões de anos. Apesar de bloquear a maior parte da luz da estrela central, o brilho ainda limita o GPI a observar apenas planetas e anãs castanhas longe das estrelas que orbitam, entre 10 e 100 UA.

A equipa planeia analisar os dados das estrelas restantes da investigação, na esperança de obter mais informações sobre os tipos e tamanhos mais comuns de planetas e anãs castanhas.

Chiang salientou que o sucesso do GPIES mostra que a observação directa tornar-se-á cada vez mais importante no estudo dos exoplanetas, especialmente para entender a sua formação.

“A observação directa é a melhor maneira de estudar planetas jovens,” acrescentou. “Quando os planetas jovens estão a ser formados, as suas estrelas jovens são demasiado activas, demasiado ‘nervosas’, para que os métodos de velocidade radial ou de trânsito funcionem facilmente. Mas com imagens directas, é ver para crer.”

Astronomia On-line
18 de Junho de 2019

2192: As árvores não existem. Quem o diz são os terraplanistas

PARANÓIAS

Uma teoria da conspiração sobre árvores está agora a intrigar o mundo. Um terraplanista explica que as árvores não existem e que não passam de arbustos.

A teoria surgiu num vídeo publicado em 2016 no YouTube, que reuniu centenas de milhares de visualizações, mas que entretanto já foi removido da plataforma. O utilizador, Людин Рɣси, explicava neste vídeo a sua bizarra teoria sobre o facto de árvores não existirem. A opinião parece ter ganho popularidade entre vários terraplanistas.

A teoria da conspiração explica que as árvores como hoje as conhecemos não passam na realidade de arbustos, que alegadamente derivam das árvores ancestrais e que tinham 65 quilómetros de altura e três quilómetros de grossura.

O vídeo com mais de uma hora foi entretanto publicado por outro utilizador do YouTube, desta vez com dobragem em inglês. Numa longa e detalhada explicação, a narradora explica que há milhares de anos atrás um evento cataclísmico destruiu 99% da biosfera e levou consigo as “verdadeiras florestas”.

O IFL Science explica que o autor desta teoria aponta algumas evidências da existência desta árvores de dimensões gigantes. O terraplanista sugere que alguns montes, montanhas e planaltos que hoje vemos na paisagem são, na verdade, restos dos milenários troncos dessas árvores.

No vídeo são mostradas imagens de alguns montes e ao lado fotos de troncos de árvores reais. De seguida, é pedido aos espectadores para identificarem as diferenças, que segundo o autor, são apenas notáveis no material e no tamanho.

Esta teoria, agora apoiada por muitos terraplanistas, explica que as pedras da Terra não são pedra, mas destroços deixados pelas árvores gigantes após serem destruídas por um desastre.

O caso foi também notícia na Quartz, onde o autor do artigo, William Thomson, arborista e consultor ambiental, fala sobre esta teoria. “Eu ganho a vida a plantar árvores, mas os terraplanistas dizem-me que elas não existem” é o título deste artigo – que parece resumir perfeitamente quão bizarra é a ideia.

ZAP //

Por ZAP
18 Junho, 2019

2191: Sal de mesa descoberto numa Lua de Júpiter aumenta esperanças de vida alienígena

CIÊNCIA

JPL-Caltech / NASA
A superfície brilhante de Europa, a misteriosa lua de Júpiter

A descoberta dos compostos de sal de mesa na Europa, uma das luas de Júpiter, pode abrir a possibilidade de que haja lá vida alienígena ou que este seja um lugar habitável no futuro.

Acredita-se que Europa, uma lua congelada em torno de Júpiter, seja um dos mundos mais habitáveis do sistema solar. Foi primeiro avistado em detalhe pela sonda Voyager 1 em 1979, revelando uma superfície quase desprovida de grandes crateras.

Este satélite é principalmente feito de silicato e, segundo o Tech Explorist, tem uma crosta de gelo e provavelmente um núcleo de ferro e níquel. A sua atmosfera é composta maioritariamente por oxigénio e, por debaixo do gelo, água salgada. No entanto, as observações não permitiram saber ao certo como é a água salgada desta Lua.

Agora, um novo estudo, publicado esta quarta-feira na revista Science Advances, mostra que pode ser cloreto de sódio, conhecido como sal de mesa. Isto tem implicações importantes para a potencial existência de vida nas profundezas ocultas da Europa.

Os cientistas acreditam que a circulação hidrotermal no oceano, possivelmente impulsionada por fontes hidrotermais, pode naturalmente enriquecer o oceano em cloreto de sódio, através de reacções químicas entre o oceano e a rocha. Na Terra, acredita-se que as fontes hidrotermais sejam uma fonte de vida, como as bactérias.

De acordo com o The Conversation, descobriu-se que as plumas que emanam do pólo sul da lua de Saturno Enceladus, que tem um oceano semelhante, contêm cloreto de sódio, tornando tanto Europa quanto Enceladus alvos ainda mais atraentes para exploração.

Se olharmos para o espectro da luz reflectida da superfície, podemos inferir quais as substâncias que lá estão. Isto mostra evidências de gelo. A questão pertinente dos cientistas é se essas substâncias vêm do interior da Europa.

Para produzir ácido sulfúrico em água gelada, é necessário uma fonte de enxofre e energia para impulsionar a reacção química. Parte disso pode vir de dentro da lua na forma de sais de sulfato, alguns dos quais podem ser libertados por meteoritos, mas a explicação mais plausível é que vem da sua lua vulcânica, Io.

A equipa responsável por este novo estudo argumentou que o lado da Europa ao longo da sua órbita, o principal hemisfério, que é protegido do bombardeamento de enxofre, pode ser o melhor lugar para procurar evidências de quais sais realmente existem dentro da lua.

Os investigadores usaram o poderoso Telescópio Espacial Hubble e descobriram evidências de cloreto de sódio. Embora já houvessem suspeitas de sais na Europa, os dados mais recentes do Hubble permitiram que os cientistas o reduzissem a uma região chamada de terreno do caos. Isto significa que eles provavelmente virão do interior da Europa.

A vida como a conhecemos precisa de água líquida e energia. O facto da Europa ter um oceano líquido diz-nos que há água líquida e uma fonte de energia para impedir que ela congele. Mas a composição química do oceano também é crucial. Salmoura, “água salgada”, tem um ponto de congelamento menor do que a água pura, o que significa que torna a água mais habitável.

O sal, especificamente os iões de sódio no sal de mesa, é também crucial para toda uma gama de processos metabólicos na vida vegetal e animal. Em contraste, alguns outros sais, como os sulfatos, podem inibir a vida se presentes em grandes quantidades.

Os cientistas estavam ansiosos para puderem apontar que podem estar a ver apenas a ponto do icebergue de uma complicada cadeia de processos sub-superficiais. Mas, para aqueles que esperam que haja vida na Europa, a descoberta do cloreto de sódio é uma excelente notícia.

ZAP //

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18 Junho, 2019

 

2190: Astrónomos descobrem uma misteriosa “ponte intergaláctica” gigante

INAF

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma “ponte intergaláctica”, uma misteriosa corrente de ondas de rádio que abrange dez milhões de anos-luz e conecta dois aglomerados de galáxias que estão em processo de colisão lenta.

No Universo, a matéria é distribuída na forma de uma “teia cósmica”, que consiste de estruturas filamentosas cujas intersecções formam concentrações colossais de milhares de galáxias chamadas aglomerados.

Os investigadores, liderados por Federica Govoni, do Instituto Nacional de Astrofísica de Cagliari, em Itália, estudaram dois grupos denominados Abell 0399 e Abell 0401, usando a rede de radiotelescópios LoFar.

Os aglomerados de galáxias são os maiores objectos ligados gravitacionalmente no universo. Estes aumentam lentamente em massa, capturando gás nas proximidades e fundindo-se com outros aglomerados. Estão em pontos cruciais da distribuição de matéria no universo.

Observações anteriores descobriram um filamento que ligava as enormes concentrações de galáxias. O novo estudo, publicado na revista Science, determinou pela primeira vez que este filamento tem um campo magnético.

Os dois aglomerados localizam-se a cerca de 330 milhões de anos-luz da Terra. Um filamento de gás que conecta os dois aglomerados contém partículas carregadas electricamente aceleradas, emitindo radiação sincrotrão e produzindo um sinal de rádio caracteristicamente difuso (muitas vezes chamado de halo). Os próprios aglomerados de galáxias possuem esses halos.

“Normalmente observamos esse mecanismo de emissão em acção em galáxias individuais e até mesmo em aglomerados de galáxias, mas nunca antes foi observada uma emissão de rádio a conectar dois desses sistemas”, explicou Matteo Murgia, do Instituto Nacional de Astrofísica, em comunicado.

“A presença desse filamento despertou a nossa curiosidade e levou-nos a investigar se o campo magnético poderia estender-se além do centro dos aglomerados, permeando o filamento da matéria que os conecta. Com grande satisfação, a imagem obtida com o radiotelescópio LOFAR confirmou a nossa intuição, mostrando o que pode ser definido como uma espécie de “aurora” em escalas cósmicas”, continuou Govoni.

Agora, o objectivo é entender “se esse filamento magnetizador é um fenómeno comum na rede cósmica”.

ZAP //

Por ZAP
18 Junho, 2019