1922: Buraco negro veloz e torto observado a cuspir “balas” de plasma

Dados do observatório de alta energia, Integral, da ESA, ajudaram a esclarecer o funcionamento de um misterioso buraco negro que se encontra a lançar “balas” de plasma enquanto gira no espaço.

O buraco negro faz parte de um sistema binário conhecido como V404 Cygni e está a sugar material de uma estrela companheira. Encontra-se na nossa Via Láctea, a cerca de 8000 anos-luz da Terra, e foi identificado pela primeira vez em 1989, quando provocou um enorme surto de radiação altamente energética e de material.

Após 26 anos de dormência, acordou novamente em 2015, tornando-se por um curto período de tempo o objecto mais brilhante no céu observável em raios-X altamente energéticos. Astrónomos de todo o mundo apontaram os seus telescópios terrestres e espaciais na direcção do objecto celeste e descobriram que o buraco negro estava a comportar-se de maneira um tanto ou quanto estranha.

Um novo estudo, com base em dados recolhidos durante a explosão de 2015, revelou agora o funcionamento interno desse monstro cósmico. Os resultados foram esta semana divulgados na revista científica Nature.

“Durante a explosão observámos detalhes das emissões dos jactos quando o material é expelido a uma velocidade muito alta da vizinhança do buraco negro,” diz Simone Migliari, astrofísica da ESA e co-autora do artigo. “Podemos ver os jactos disparados em várias direcções numa escala de tempo de menos de uma hora, o que significa que as regiões internas do sistema estão a girar muito depressa.”

Normalmente, os astrónomos observam os jactos disparados directamente dos pólos dos buracos negros, perpendicularmente ao disco circundante de material que é acretado da estrela companheira. Anteriormente, havia apenas um buraco negro observado com um jacto giratório. No entanto, estava a girar muito mais lentamente, completando um ciclo a cada seis meses.

Os astrónomos puderam observar os jactos de V404 Cygni no rádio recorrendo a telescópios como o VLBA (Very Long Baseline Array) nos EUA. Entretanto, dados de raios-X altamente energéticos obtidos pelo Integral e por outros observatórios espaciais ajudaram a descodificar o que estava a acontecer ao mesmo tempo dentro da região interna do disco de acrecção com 10 milhões de quilómetros de diâmetro. Isto foi importante, já que é a mecânica do disco que provoca o comportamento estranho do jacto.

“V404 Cygni é diferente pois achamos que o disco de material e o buraco negro estão desalinhados,” diz o professor James Miller-Jones, do ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research) e da Universidade Curtin, na Austrália, que é o principal autor do novo artigo científico. “Parece estar a fazer com que a parte interna do disco oscile como um pião que está a desacelerar, e dispara jactos em direcções diferentes conforma muda de orientação.”

Durante a explosão, uma grande quantidade do material circundante estava a cair no buraco negro de uma só vez, aumentando temporariamente a taxa de acrecção do material do disco em direcção ao buraco negro e resultando num súbito surto energético. Isto foi visto pelo Integral como um aumento repentino na emissão de raios-X.

As observações do Integral foram usadas para estimar a energia e a geometria da acrecção para o buraco negro, o que por sua vez foi crucial para entender a ligação entre o material que entra e o que sai para criar uma imagem completa da situação. “Com o Integral, pudemos observar V404 Cygni continuamente durante 4 semanas, enquanto outros satélites de alta energia só podiam obter exposições mais curtas,” explica Erik Kuulkers, cientista do projecto Integral na ESA.

“Os dados de raios-X suportam um modelo em que a parte interna do disco de acrecção está inclinada em relação ao resto do sistema, provavelmente devido à rotação do buraco negro, inclinado em relação à órbita da estrela companheira,” explica Simone.

Os cientistas têm vindo a estudar o que provocou este estranho desalinhamento. Uma possibilidade é que o eixo de rotação do buraco negro pode ter sido inclinado pelo “pontapé” recebido durante a explosão da super-nova que o criou. “Os resultados encaixam num cenário, também estudado em simulações computacionais recentes, onde o fluxo de acrecção na vizinhança do buraco negro e os jactos podem girar juntos,” diz Erik.

“Devemos esperar dinâmicas semelhantes em qualquer buraco negro com forte acrecção cuja rotação está desalinhada com o influxo de gás, e temos que levar em conta os diferentes ângulos de inclinação do jacto ao interpretar observações de buracos negros em todo o Universo.”

ZAP // CCVAlg

Por ZAP
3 Maio, 2019

[vasaioqrcode]

 

1921: Mais de 2,25 milhões de corpos celestes podem ser perigosos para a Terra

CIÊNCIA

Ethan Tweedie

No espaço existem numerosos asteróides e meteoritos de diferentes tamanhos. Enquanto grandes objectos celestes são estudados adequadamente, os cientistas ainda sabem muito pouco sobre aqueles cujo diâmetro não excede um quilómetro.

Embora existam mais de 2,25 milhões de corpos celestes que existem e que são potencialmente perigosos para a Terra, apenas 19 mil deles são conhecidos pela ciência, disse Sergei Naroenkov, especialista do Instituto de Astronomia da Academia Russa de Ciências, ao portal russo de divulgação científica Cherdak.

Felizmente, dos 900 asteróides com mais de um quilómetro de diâmetro e potencialmente perigosos para o planeta, as trajectórias de 893 já são conhecidas.

O impacto de um corpo desse tamanho poderia ter consequências catastróficas para a Terra. A queda de um meteorito de 10 quilómetros de diâmetro em Chicxulub, no México, há cerca de 65 milhões de anos, causou a extinção dos dinossauros – e outras espécies de biodiversidade continental e marinha não sobreviveram após a explosão.

As explosões mais poderosas deste tipo nos tempos modernos foram as causadas pelo meteorito de Chelyabinsk (cerca de 20 metros de diâmetro) e o de Tunguska (com cerca de 50 metros de diâmetro).

Naroenkov afirma que, de acordo com estimativas, mais de 250 mil objectos do tamanho do meteorito de Tunguska e mais de dois milhões em magnitude semelhante ao de Chelyabinsk ainda não são conhecidos pela ciência.

O astrónomo russo assegura que, a fim de detectar asteróides perigosos no tempo, é necessário construir novos observatórios com telescópios modernos com grandes aberturas, uma vez que essas ferramentas nos permitem antecipar a aproximação dos corpos celestes de 140 metros em dois meses.

ZAP //

Por ZAP
4 Maio, 2019

[vasaioqrcode]

 

1920: Metade da água nos nossos oceanos pode ter vindo do Espaço (à boleia de asteróides)

CIÊNCIA

(dr) JAXA

Mais de 70% da superfície da Terra está coberta de água, quase toda ela nos oceanos. Mas de onde veio toda esta água?

Várias hipóteses procuram explicar como é que a água chegou ao nosso planeta nos primeiros dias da sua formação, incluindo a ideia de que a água molecular saiu de minerais hidratados na Terra e a possibilidade de que os asteróides e os cometas tenham libertado água para a Terra.

Novas investigações publicadas na revista Science Advances apoiam a hipótese do asteróide, sugerindo que estes visitantes rochosos poderiam ter fornecido até metade da água da Terra há milhões de anos.

Actualmente há duas missões a recolher material de asteróides, Hayabusa-2 e OSIRIS-REx. Mas antes deles, havia a Hayabusa (a original), que trouxe pequenas amostras de rochas espaciais para serem analisadas na Terra em 2010.

Investigadores da Universidade Estadual do Arizona descobriram que o asteróide Itokawa tem materiais ricos em água. A equipe encontrou o piroxénio mineral em duas das cinco amostras. Na Terra, este mineral contém moléculas de água na sua estrutura cristalina e os cientistas esperavam que esse também fosse o caso de Itokawa.

O asteróide Itokawa é um asteróide em forma de amendoim com diâmetro máximo de 535 metros e largura de 209 a 294 metros. Sofreu vários impactos, aquecimento, choques e fragmentações. Esses eventos aumentariam a temperatura do asteróide e levariam a uma perda de água.

Itokawa parece ser o produto final de um corpo parental de 19 quilómetros que atingiu temperaturas de até 800°C e foi destruído por impactos, com um final que o separou completamente. Alguns dos fragmentos fundiram-se com o que vemos hoje. “Embora as amostras tenham sido recolhidas na superfície, não sabemos onde estes grãos estavam no corpo original. Mas o melhor palpite é que tenham sido enterrados a mais de cem metros de profundidade”, explicou Jin.

O mistério da origem da água da Terra é fascinante, escreve a IFL Science. Enquanto alguma água foi libertada por processos vulcânicos, acredita-se que uma grande fracção tenha vindo do espaço. Cometas e asteróides do tipo C, que são ricos em gelo, foram considerados culpados, mas a composição isotópica da sua água não corresponde à da Terra. Já as amostras de Itokawa são indistinguíveis das amostras de água na Terra.

ZAP //

Por ZAP
4 Maio, 2019

[vasaioqrcode]

 

1919: Navy Plans to Document UFO Sightings, But Keep Them Confidential

Credit: Shutterstock

Extraterrestrials, take note: The U.S. Navy plans to set up an official reporting and investigative system that will monitor reports from its pilots about unidentified flying objects.

But while this “X-Files”-worthy operation sounds newsy, don’t expect to hear details about it anytime soon. The Navy doesn’t intend to make the data public, citing the privileged and classified information that these reports usually include, according to The Washington Post.

“Military aviation safety organizations always retain reporting of hazards to aviation as privileged information in order to preserve the free and honest prioritization and discussion of safety among aircrew,” Joe Gradisher, a spokesman for the Office of the Deputy Chief of Naval Operations for Information Warfare, told The Washington Post. [7 Things Most Often Mistaken for UFOs]

In fact, beyond the announcement that the Navy is setting up this UFO-reporting procedure, “no release of information to the general public is expected,” Gradisher said.

The upcoming procedure comes in the wake of other government-related UFO news. In late 2017, word came out that the Pentagon had a secret “UFO” office that spent $22 million over five years to study strange and threatening aeronautical events. Although funding for the venture, called the Advanced Aerospace Threat Identification Program (AATIP), ended in 2012, the program didn’t entirely stop, according to those reports.

When news of AATIP became public in 2017, the Defense Department released two declassified videos, which showed pilots talking about a bizarre aircraft that appeared to accelerate quickly, even though it had no recognizable means of propulsion. These aircraft, which looked like blobs on the video, could allegedly drive thousands of feet in an instant.

By creating this new program, the Navy hopes to destigmatize any reporting associated with incidents that involve UFOs, which could, after all, be militarized aircraft from other parts of the world.

“There have been a number of reports of unauthorized and/or unidentified aircraft entering various military-controlled ranges and designated air space in recent years,” the Navy told Politico, which broke the story. “For safety and security concerns, the Navy and the [U.S. Air Force] takes these reports very seriously and investigates each and every report.”

The public may get a whiff of these incidents eventually, although the details may be scarce. For instance, perhaps unclassified parts, broad overviews or statistics about the number of sightings could be released, Luis Elizondo, an intelligence officer who ran AATIP before leaving the Pentagon, told The Washington Post.

“If it remains strictly within classified channels, then the ‘right person’ may not actually get the information,” Elizondo said. “The right person doesn’t necessarily mean a military leader. It can be a lawmaker. It can be a whole host of different individuals.”

The government is making a smart move by announcing its intentions to formally document and analyze these UFOs, said Seth Shostak, a senior astronomer at the Search for Extraterrestrial Intelligence (SETI) Institute in Mountain View, California.

“It will make everybody happy because it sounds like a move toward transparency,” Shostak told Live Science.

With this announcement, the Navy benefits not only because it will formally investigate these strange sightings, which may well be reconnaissance or enemy aircraft from other nations; the Navy is also winning a nod from the roughly two-thirds of Americans who think that the government isn’t divulging everything it knows about extraterrestrials and UFOs, said Shostak, citing a 2002 study on attitudes about aliens.

That said, the government probably isn’t formalizing this program because it’s looking for E.T.

“The military is interested in this stuff not because they think that Klingons are sailing in the skies, but i think because maybe they think the Chinese or the Russians are sailing through the skies,” Shostak said.

Originally published on Live Science
By Laura Geggel, Associate Editor
May 2, 2019 03:38pm ET

[vasaioqrcode]