2083: A civilização Maia também lidou com alterações climáticas (e sobreviveu)

CIÊNCIA

Tony Hisgett / wikimedia
Chichén Itzá é uma cidade arqueológica maia, no Iucatã, que funcionou como centro político e económico da civilização maia.

As alterações climáticas não são nada de novo e, já na altura da civilização Maia, os povos tiveram de se readaptar para sobreviverem a uma nova realidade. Os Maias desenvolveram técnicas para remediarem situações de, por exemplo, épocas de seca.

As concentrações de dióxido de carbono na atmosfera da Terra atingiram 415 partes por milhão – um nível que se verificou pela última vez há mais de três milhões de anos, muito antes da evolução dos seres humanos. Esta notícia aumenta a preocupação crescente de que as mudanças climáticas provavelmente causarão sérios danos ao nosso planeta nas próximas décadas.

Apesar de a temperatura na Terra nunca ter estado tão alta, podemos aprender sobre como lidar com a mudança climática ao observar a civilização Maia, que prosperou entre 250-950 d.C. no leste da Mesoamérica, a região que hoje é ocupada pela Guatemala, Belize, México Oriental e partes de El Salvador e Honduras.

Muitas pessoas acreditam que a antiga civilização Maia terminou quando misteriosamente “entrou em colapso”. E é verdade que os Maias enfrentaram muitos desafios de mudanças climáticas, incluindo secas extremas que acabaram por contribuir para o colapso das suas grandes cidades-estado do Período Clássico.

No entanto, os Maias não desapareceram: mais de 6 milhões de pessoas com raízes Maia vivem hoje no leste da Mesoamérica. Além disso, com base na investigação de antropólogos na Península do Norte de Yucatán, acredita-se que a capacidade das comunidades Maias de adaptar as práticas de conservação de recursos desempenhou um papel crucial em permitir que sobrevivessem por tanto tempo.

Em vez de se concentrar nos momentos finais da civilização Maia, a sociedade pode aprender com as práticas que lhes permitiram sobreviver por quase 700 anos, quando consideramos os efeitos das mudanças climáticas nos dias de hoje.

Adaptação a condições secas

Uma combinação de factores, incluindo mudanças ambientais, contribuiu para o colapso de muitos grandes centros pré-clássicos após o início do primeiro milénio d.C.

Evidências disponíveis sugerem que, embora o clima tenha permanecido relativamente estável durante grande parte do Período Clássico, houve períodos ocasionais de diminuição da precipitação. Além disso, todos os anos, as épocas seca e chuvosa foram marcadamente divididas. Maximizar a eficiência e o armazenamento de água e correctamente sincronizar a época de plantio foi muito importante.

Se as chuvas não acontecessem como esperado por um ano ou dois, as comunidades poderiam contar com água armazenada. No entanto, secas mais prolongadas acentuaram a hierarquia política e complexas redes comerciais inter-regionais. A chave primordial para a sobrevivência foi aprender a adaptarem-se às mudanças ambientais.

Por exemplo, os Maias desenvolveram redes mais elaboradas de terraço e irrigação para proteger contra o escoamento do solo e o esgotamento de nutrientes. Projectaram também sistemas de drenagem e armazenamento que maximizaram a captação de água da chuva.

Declínio e colapso

Durante os séculos IX e X d.C., muitas das grandes cidades Maias clássicas caíram como resultado de várias tendências de longo prazo, como o crescimento populacional, a guerra cada vez mais frequente e uma burocracia cada vez mais complexa. O declínio das chuvas piorou a situação de risco.

No final, vários centros populacionais experienciaram eventos de abandono relativamente rápidos. No entanto, diferentes áreas decaíram ao longo de um período de mais de dois séculos. Chamar a esta série de eventos um colapso ignora a capacidade das comunidades Maias de se preservarem por gerações, apesar dos desafios crescentes.

Podemos ver padrões semelhantes em várias outras civilizações. As comunidades ancestrais de Puebloan no sudoeste dos Estados Unidos, anteriormente conhecidas como Anasazi, desenvolveram redes de irrigação para cultivar uma paisagem naturalmente árida começando por volta do início do primeiro milénio.

Quando as chuvas começaram a decair nos séculos XII e XIII, elas se reorganizaram em unidades menores e moveram-se pelas redondezas. Esta estratégia permitiu que eles sobrevivessem mais tempo do que teriam se se mantivessem no mesmo lugar.

ZAP // The Conversation

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31 Maio, 2019


2082: A colecção mais antiga de meteoritos foi encontrada no local mais seco da Terra

Racortesl / Flickr
Deserto do Atacama, no Chile

Meteoritos colidem na Terra quase constantemente e podemos encontrar os restos antigos em todos os lugares. Mas, para melhor entender de onde as rochas espaciais vieram, é útil visitar a mais densa colecção de meteoritos do planeta.

Onde? No local mais seco de todo o planeta Terra – o deserto do Atacama, no Chile. Este deserto é muito antigo, com mais de 15 milhões de anos, o que significa que os meteoritos que caíram na sua enorme área – cerca de 130 mil quilómetros quadrados – têm a possibilidade de serem muito antigos.

Isso representa uma vantagem geológica sobre outros desertos, incluindo a Antárctida, que possui vastos suprimentos de meteoritos, mas geralmente são jovens demais para abrigar rochas espaciais mais antigas do que meio milhão de anos, segundo Alexis Drouard, investigador da Universidade Aix-Marselha e autor do estudo publicado na revista Geology.

Drouard e os colegas fizeram recentemente uma viagem de caça a meteoritos no deserto de Atacama, na esperança de encontrar uma série de rochas que se estendiam por milhões de anos. “O nosso objectivo neste trabalho foi ver como o fluxo de meteoritos mudou ao longo de grandes escalas de tempo“, disse Drouard em comunicado, citado pela Live Science.

Para o novo estudo, os geólogos recolheram cerca de 400 meteoritos e estudaram 54, analisando as idades e as composições químicas das pedras alienígenas. Em consonância com a idade avançada do deserto, cerca de 30% dos meteoritos tinham mais de um milhão de anos, enquanto dois deles acumulavam poeira há mais de dois milhões de anos. Segundo Drouard, representa a mais antiga colecção de meteoritos na superfície da Terra.

A equipa extrapolou os resultados da sua pequena amostra para determinar que a actividade de impacto permaneceu relativamente constante nos últimos dois milhões de anos, totalizando cerca de 222 impactos de meteoros em cada quilómetro quadrado de deserto a cada um milhão de anos.

Surpreendentemente, a composição dos meteoritos mudou mais drasticamente. Segundo os investigadores, os meteoritos que bombardearam o Atacama entre um milhão e meio milhão de anos atrás eram significativamente mais ricos em ferro do que as rochas que caíam antes ou depois. É possível que todos tenham vindo de um único enxame de pedras soltas do cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter.

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31 Maio, 2019


2081: O “Planeta Proibido” foi encontrado no deserto Neptuniano

University of Warwick/ Mark Garlick

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu um exoplaneta único mais pequeno do que Neptuno e com atmosfera própria no deserto Neptuniano, recorrendo a dados do Next-Generation Transit Survey (NGTS).

Em comunicado, os cientistas explicam que este é o primeiro planeta a ser encontrado no deserto de Neptuno, região próxima às estrelas, onde não há mundos com as dimensões do oitavo planeta do Sistema Solar.

O exoplaneta NGTS-4b, também conhecido pela comunidade científica como “Planeta Proibido”, é mais pequeno do que Neptuno, tendo três vezes o tamanho da Terra e encontrando-se a 920 anos-luz do nosso planeta.

O deserto Neptuniano recebe fortes radiações da estrelas, o que significa que os planetas não retêm a sua atmosfera gasosa à medida que se evaporam, ficando reduzidos apenas a um núcleo rochoso. O NGTS-4b, contudo, ainda tem a sua atmosfera, o que o torna único.

Ao procurar por novos planetas, os astrónomos procuram rastrear uma decréscimo na luz da estrela. Por norma, investigações em telescópios de superfície mostram quedas de 1% ou mais, mas os telescópios como o NGTS, localizado no Observatório Paranal do Observatório Europeu do Sul, no Chile, podem capturar uma queda de apenas 0,2%.

Os cientistas acreditam que este exoplaneta pode ter-se mudado “recentemente” para o deserto de Neptuniano, nos últimos milhões de anos. Ou então, defendem, era muito grande e ainda está a evaporar.

“Este planeta deve ser resistente – está mesmo na zona onde esperávamos que os planetas com o tamanho de Neptuno não pudessem sobreviver. É verdadeiramente surpreendente que encontremos um planeta em trânsito através de uma atenuação de estrelas em menos de 0,2%”, disse o cientista Richard West, do Departamento de Física da Universidade de Warwick, na Inglaterra, que liderou o estudo.

“[Este procedimento] nunca tinha sido feito com telescópios terrestres, e foi óptimo encontrá-lo depois de trabalhar neste projecto durante um ano”, completou.

“Agora estamos a rastrear os dados para ver se podemos ver mais planetas no deserto de Neptuno… talvez o deserto seja mais verde do que se pensava”.

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31 Maio, 2019


2080: Os extraterrestres poderão ajudar a salvar a Humanidade

KELLEPICS / pixabay

Avi Loeb, presidente do departamento de Astronomia da Universidade de Harvard, alertou que a Humanidade por estar a traçar o mesmo caminho que ditou o fim de civilizações alienígenas avançadas. No entender do especialista, o passado destes seres extraterrestres pode ser útil para salvar o futuro da Humanidade.

As alterações climáticas que há décadas mudam o planeta e a fabricação de armas cada vez mais poderosas podem ser indícios de um caminho perigoso para o Homem.

Segundo Avi Loeb, um comportamento semelhante a este pode ter dizimado raças avançadas de seres alienígenas. “Uma possibilidade é que estas civilizações, baseadas na forma como nos comportamos actualmente, tenham uma vida vida curta“, disse Loeb na semana passada, durante uma palestra na The Humans to Mars Summit, que decorreu na cidade norte-americana de Washington.

“[Estes seres alienígenas] pensam a curto prazo e produzem ferimentos auto-infligidos que podem acabar por matá-los”, defendeu o especialista, citado pelo Live Science.

No entender de Loeb, a procura por vida extraterrestre deve ser ampla o suficiente para rastrear artefactos deixados por civilizações entretanto desaparecidas, tais como superfícies planetárias queimadas e produtos de guerra nuclear em mundos alienígenas.

Caso se encontrem outros tipos de vida diferentes dos que conhecemos, esta será a maior descoberta científica de sempre, defende Loeb, considerando ainda que estes seres podem trazer um benefício adicional ao Homem: servir-lhe de exemplo, colocando a Humanidade num caminho mais orientado e sustentável.

“A ideia é que possamos aprender algo no processo. Podemos aprender a comportar-nos melhor uns com os outros, a não iniciar uma guerra nuclear, a monitorizar o nosso planeta e garantir que este seja habitável enquanto pudermos mantê-lo habitável”.

Potencialidades tecnológicas

Loeb aponta ainda que há outras razões para a procura de seres extraterrestres, sobretudo no que respeita às potencialidades tecnológicas. “A nossa tecnologia tem apenas um século, mas se uma outra civilização tiver tido mil milhões de anos para desenvolver viagens espaciais, podem ensinar-nos a fazê-lo”, afirmou.

“A minha esperança passa por encontrar civilizações mortas que nos inspirem a ter um melhor comportamento e a actuar melhor em grupo (…) A outra esperança que temos é que, assim que deixemos o Sistema Solar, receberemos uma mensagem de volta: ‘Bem-vindos ao clube interestelar’. E aí vamos descobrir que há muito tráfego que não conhecíamos”, elencou o especialista.

Na verdade, defende Loeb, podemos ter tido já um vislumbre deste tráfego com o Oumuamua, o primeiro objecto interestelar já observado no Sistema Solar. O objecto, que foi também rotulado de Mensageiro das Estrelas, pode ser uma nave alienígena, como já insistiu o Professor de Harvard.

Apesar de todas as hipóteses sobre este corpo – que passam também pela possibilidade deste ser um asteróide – o especialista enfatiza que o importante é manter a mente aberta, não descartando nenhuma opção de forma precipitada. “Devemos manter a mente aberta e não presumir que sabemos a resposta antecipadamente (…) Não precisamos fingir que sabemos de alguma coisa”, rematou.

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31 Maio, 2019

2079: “Comboio” de satélites da Space X de Musk deixa astrónomos furiosos

CIÊNCIA

Vários astrónomos consideraram que a constelação de 60 satélites Starlink, lançada com sucesso na quinta-feira pela Space X de Elon Musk, podem ser prejudicais para a Ciência, podendo mesmo “arruinar” o céu de todo o planeta.  

Tal como noticia o portal Science Alert, os especialistas temem que o sistema de satélites recém-lançado interfira nas observações visuais e até na radioastronomia.

O astrónomo Alex Parker, que mostrou o seu descontentamento através da sua conta pessoal no Twitter, acredita que, a longo prazo, podem ser vistos mais satélites Starlink a olho nu no céu do que estrelas.

“Sei que as pessoas estão animadas com as imagens do ‘comboio’ de satélites Starlink da Space X (…) [Os satélites] são brilhantes, e haverá muitos deles. Se a SpaceX lançar os 12.000, os satélites superarão as estrelas visíveis a olho nu”

Por sua vez, Jonathan McDowell e outros cientistas temem que estes satélites de comunicação são brilhantes o suficiente para perturbar os trabalhos dos astrónomos. Starlink e outras mega-constelações arruinariam o céu para todos os que vivem no planeta”, advertiu Ronald Drimmel, especialista citado pela revista Forbes.

E acrescentou: “A tragédia potencial de uma mega constelação como a Starlink é que, para o resto da Humanidade, mudará a aparência do céu nocturno”.

Alan Duffy, em declarações ao Science Alert, traçou um cenário menos prejudicial, alertando, contudo, que estes lançamentos podem implicar “perdas para a Humanidade”. “Os satélites actuais são um problema, mas os astrónomos desenvolveram técnicas inteligentes para removê-los”, começou por explicar.

“Uma constelação completa de satélites Starlink provavelmente significará o fim dos telescópios de rádio baseados na Terra que são capazes de rastrear os céus, procurando objectos de rádio fracos (…) Os enormes benefícios da cobertura global da Internet superam o custo para os astrónomos, mas a perda do céu do rádio é um custo para a Humanidade, à medida que perdemos a nossa herança colectiva para ver o brilho do Big Bang ou o brilho da formação de estrelas a partir da Terra”.

Elon Musk, multimilionário e CEO da Space X, reagiu ao coro de críticas através do Twitter, explicando que a Starlink não afectará as observações espaciais, dando conta que “ajudar mil milhões de pessoas economicamente desfavorecidas é um bem maior”.

Fraser Cain @fcain

If they help billions of people in remote locations inexpensively access the internet, it’s a price I’d be willing to pay.

Elon Musk @elonmusk

Exactly, potentially helping billions of economically disadvantaged people is the greater good. That said, we’ll make sure Starlink has no material effect on discoveries in astronomy. We care a great deal about science.

Musk garantiu que vai assegurar que a constelação de satélites não afecte a pesquisa científica, até porque, enfatizou, “a Ciência é muito importante“.

Após o lançamento do conjunto de satélites artificiais, o astrónomo amador holandês Marco Langbroek conseguiu capturar em vídeo como é que estes cruzaram o céu nocturno a alta velocidade, movendo-se simultaneamente e com muito pouco espaço entre cada um. O autor da gravação comparou as imagens com um “comboio”, uma vez que as luzes dos satélites se assemelham às janelas dos vagões no escuro.

O objectivo do Musk passa por criar uma constelação de 12.000 satélites para oferecer Internet de banda larga para todos os cantos do mundo a partir da órbita baixa da Terra.

De acordo com o portal de astronomia Space.com, os satélites não são suficientemente brilhantes para serem visíveis a olho nu e, à medida que vão continuar a dispersar, devem ficar ligeiramente mais escuros.

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30 Maio, 2019


2078: Água portuguesa pode existir em Marte

A água que eventualmente possa existir no estado líquido no planeta Marte pode ser muito semelhante a uma água portuguesa.

Trata-se da água de Cabeço de Vide, uma nascente alcalina com características raras no mundo, que está a ser estudada pela NASA.

Uma grande reportagem Linha da Frente que pode ver esta quinta-feira, logo a seguir ao Telejornal.

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2077: Afinal, o fruto proibido de Adão e Eva não foi uma maçã

CIÊNCIA

nevsepic.com.ua / Wikimedia

Mesmo que Adão e Eva tenham existido, o tal fruto proibido do paraíso não poderia ter sido uma maçã. A popular fruta que conhecemos hoje é resultado de uma domesticação realizada muito tempo depois da “criação do mundo”.

Se hoje temos esse alimento em fartura nos supermercados e feiras, é graças à Rota da Seda – caminhos de mercadores na antiguidade, comprando e vendendo produtos de um ponto a outro, entre o extremo leste da Ásia e a Europa. Esse comércio, o primeiro movimento de globalização da humanidade, foi iniciado há cerca de 4,5 mil anos – e teve os seus mais intensos momentos a partir do século 3 a.C.

De acordo com um estudo desenvolvido pelo Instituto Max Planck, da Alemanha, e publicado esta segunda-feira pela revista especializada Frontiers in Plant Science, foi nesse período que a maçã deixou de ser uma fruta pequena, selvagem e pouco atraente para, por meio de processos de enxertos e selecção das árvores cujos frutos eram mais graúdos e apetitosos, se transformarem numa das frutas mais populares do mundo.

Assinado pelo director do Laboratório de Paleoetnobotânica do instituto alemão, Robert Spengler, o estudo baseia-se em investigações arqueológicas recentes de sementes de maçã antigas preservadas na Europa e na Ásia Ocidental e na combinação dessas informações com dados genéticos da fruta.

O cientista confirmou que a maçã, na sua versão selvagem, era um fruto pequeno e pouco atraente. A sua selecção e transformação num alimento popular deve-se a dois factores: a megafauna europeia que floresceu depois da última Era do Gelo, há 20 mil anos, e o trabalho dos mercadores da Rota da Seda.

Spengler partiu das ciências humanas, de acordo com a BBC. Encontrou descrições de grandes frutos vermelhos na arte clássica, acreditando que as maçãs já eram recolhidas pelo homem desde há dez mil anos no sul da Europa. Sementes antigas em sítios arqueológicos corroboram a tese.

Mas a maçã moderna seria um híbrido de pelo menos quatro espécies silvestres. Aí veio o papel da Rota da Seda. Em busca de frutos que fossem mais atraentes ao mercado, agricultores da época começaram a seleccionar as árvores que produziam maçãs mais apetitosas e a realizar enxertos. Esses cruzamentos foram resultando em frutos mais semelhantes aos de hoje.

De acordo com o cientistas, a origem genética da maçã moderna está nas montanhas Tien Shan, na fronteira entre Cazaquistão, Quirguistão e China. A natureza também fazia a sua parte. No período entre o fim da Era do Gelo e o início da Era Cristã, Europa e Ásia estavam muito mais cheias de animais selvagens de grande porte – parte deles depois extinta. Cavalos selvagens, cervos e outros animais em bandos livremente.

As artimanhas evolutivas têm uma verdade simples: frutos pequenos “querem” atrair aves – que os comem e acabam por espalhar as sementes. Frutos grandes não podem ser carregados por aves. Evoluíram para ser apetitosos para animais grandes. Foram esses  que se deliciaram e ajudaram a espalhar as maçãs.

Entretanto, ao contrário das aves, os mamíferos não levam as sementes para longe. É por isso que, conforme concluiu o investigador, geneticamente as maçãs selvagens são diferentes em diversas zonas consideradas “de refúgio glacial” desde a Era do Gelo. Não se espalharam muito, evoluíram a seu modo em variedades.

Essas “ilhas” de maçãs foram rompidas com a acção humana, de modo especial ao longo da Rota da Seda. As árvores passaram a ter contacto umas com as outras. Abelhas e outros polinizadores encarregaram-se de fazer sua parte. A descendência híbrida resultante originou frutos maiores, o que despertou a atenção dos humanos – que acabaram por dar uma mãozinha, replantando mudas das árvores mais favorecidas e realizando enxertos.

Spengler ressalta que esse processo foi muito mais rápido do que ocorreria em condições naturais. “O processo de hibridização não é o mesmo para todas as plantas. Ainda não sabemos muito sobre como ocorre em árvores de longa duração”, comenta o cientista. “Há centenas de plantas domesticadas no planeta”. A maçã é resultado da megafauna pós-Era do Gelo e dos mercadores da Antiguidade, portanto.

O fruto proibido

No relato bíblico da criação o mundo, no livro do Génesis, Eva desobedece à ordem de não comer o fruto da frondosa árvore do paraíso. Experimenta, gosta e acaba por oferecê-la a Adão. A fruta acabou por ser descrita como uma maçã. É assim que aparece em pinturas e configurou-se no imaginário humano.

O relato original, contudo, não menciona nome algum. Diz que era o “fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal”. A ideia de considerar esse fruto uma maçã veio aos poucos, muito provavelmente por obra dos antigos tradutores da Bíblia. Ao versarem o texto do grego antigo para o latim, utilizaram a palavra “pomum”, que acabaria por ser maçã, nas línguas modernas – mas poderia ser qualquer fruto com formato semelhante, como um figo ou uma pêra.

Uma outra versão também corrente entre investigadores é a de que a fruta acabou por ser chamada de maçã por causa de uma confusão entre as palavras malus – do latim, significando mal – com malum – do grego antigo, que significava maçã.

Facto é que a fruta tornou-se símbolo de pecado e tentação. Mas também de conhecimento. A historiadora Janik afirma que a maçã traz, nas diversas culturas, significados de amor, imortalidade, dom e amizade.

No livro apócrifo de Enoque, a árvore do Éden é descrita como “uma espécie de tamarineira, produzindo frutos que se assemelhavam a uvas”. O antigo texto diz que a “fragrância” podia ser sentida a uma distância considerável.

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30 Maio, 2019


2076: Há uma galáxia estranha que se está a mover em direcção a nós

ESA

A NASA publicou, na sexta-feira, uma fotografia da galáxia espiral Messier 90, que se move em direcção à Via Láctea, apesar da expansão do Universo que faz com que todas as galáxias se afastem umas das outras.

A galáxia localiza-se na constelação de Virgem, a cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra, de acordo com o comunicado. A aproximação foi detectada graças ao efeito conhecido como “mudança azul”, que consiste em aumentar a frequência aparente das ondas de luz emitidas por um objecto que se aproxima do observador. Desta maneira, a sua cor muda para tons azuis.

Ao analisar as imagens obtidas através do Telescópio Espacial Hubble de 1994 a 2010, os investigadores concluíram que a Messier 90 move-se em direcção à Via Láctea enquanto as outras 1.200 galáxias do aglomerado gigante ao qual pertence estão muito longe das nossas.

Provavelmente, isto estará a acontecer porque a massa colossal do conglomerado acelera algumas galáxias a velocidades maiores que a da expansão do Universo, fazendo-os os girar em caminhos estranhos, supõem os astrónomos.

Enquanto o aglomerado em si está a afasta-se de nós, algumas das suas galáxias constituintes, como a Messier 90, estão a mover-se mais rápido do que o aglomerado como um todo, fazendo com que, da Terra, vejamos a galáxia em direcção a nós. No entanto, alguns também estão se a mover na direcção oposta dentro do aglomerado e, portanto, parecem estar a afastar-se de nós em alta velocidade.

A imagem da Messier 90 foi criada a partir de uma ampla gama de comprimentos de onda de luz, incluindo luz infravermelha, ultravioleta e visível. Os dados foram recolhidos pelo Wide Field and Planetary Camera 2 (WFPC2) do Hubble, que capturou imagens entre 1994 e 2010. A galáxia Messier 90 foi descoberta em 1781 e contém cerca de mil milhões de estrelas.

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30 Maio, 2019


2075: NASA encontra um cometa com água semelhante à de um oceano

Pepe Manteca / Flickr

Em busca de respostas sobre quais foram as principais fontes de água do nosso planeta, uma equipa internacional de investigadores encontrou uma família de cometas que têm água semelhante à da Terra.

Do Observatório Estratosférico para a Astronomia Infravermelha da NASA (SOFIA), foram encontrados dados do Cometa 46P / Wirtanen, que passou pelo seu ponto mais próximo da Terra em Dezembro de 2018 e descobriu-se que este cometa contém água “semelhante à de um oceano”.

Essa descoberta reforça a ideia de que os corpos congelados desempenharam um papel fundamental na chegada do líquido ao nosso planeta.

“Identificamos um vasto reservatório de água semelhante à Terra nos confins do sistema solar”, disse Darek Lis, cientista do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA em Pasadena, Califórnia, e principal autor do estudo em comunicado. “A água foi crucial para o desenvolvimento da vida como a conhecemos, não apenas queremos entender como foi entregue à Terra, mas também se esse processo pode funcionar noutros sistemas planetários”, acrescentou o especialista.

De acordo com uma teoria padrão, acredita-se que a Terra foi formada a partir da colisão de pequenos corpos celestes chamados planetesimais ou proto-planetas, mas esses corpos tinham pouca água. É por isso que os cientistas agora prevêem que 70% da água da Terra veio de cometas que vieram de pontos distantes do sistema solar.

Para chegar a essas conclusões, os astrónomos analisaram dois tipos de água, a forma mais típica que conhecemos, composta pela composição de H2O, e outra chamada “água pesada” que contém deutério para estabelecer a origem do líquido. Analisaram a atmosfera de vapor de água que se forma quando o gelo central sublima ao aproximar-se do Sol.

Os dados, de acordo com o estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics, mostraram que a proporção de água do cometa 46P / Wirtanen é a mesma que a dos oceanos da Terra.

Ainda são necessários mais estudos para ver se esses achados são válidos para outros cometas. No entanto, para continuar com as investigações, é necessário esperar por uma nova abordagem do cometa, prevista para Novembro de 2021.

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30 Maio, 2019

2074: Encontrada matéria orgânica extraterrestre numa rocha com mais de 3.3 mil milhões de anos

Andrew Ashton / Flickr

Um grupo de cientistas de França e Itália detectou matéria orgânica de há 3.300 milhões de anos preservada num sedimento vulcânico nas montanhas de Barberton, na África do Sul.

Até ao momento, sabemos que as moléculas orgânicas, de metano e aminoácidos, existem no espaço, e talvez parte dessas moléculas tenha sido trazida para o nosso planeta por asteróides que continham carbono.

Cientistas, que estudam as antigas rochas na África do Sul, podem ter descoberto evidências dos exemplos mais antigos dessas moléculas extraterrestres. A pequena cadeia montanhosa, conhecida como Montanhas Makhonjwa ou Cinturão Greenstone Barbeton, está localizada no leste da África do Sul e de Suazilândia.

Ao estudar as amostras, os investigadores registaram matéria orgânica insolúvel de dois tipos. A primeira era semelhante às substâncias biogénicas já encontradas anteriormente por geólogos em rochas de uma época semelhantes. Mas a segunda, descoberta numa camada de dois milímetros de largura, parecia anómala.

Uma análise detalhada mostrou que se tratava de uma matéria extraterrestre semelhante à presente nos condritos carbonáceos, um grupo de meteoritos rochosos que contêm compostos de carbono. “Esta é a primeira vez que encontramos evidências reais de carbono extraterrestre em rochas terrestres“, disse Frances Westall, coautor do estudo publicado na revista Geochimica et Cosmochimica Acta, ao New Scientist.

A suspeita foi corroborada pela presença de nano-partículas de ferritas de espinélio, formadas durante a entrada de objectos espaciais na atmosfera. A presença de um número suficiente de materiais orgânicos presentes na área depois de 3,3 mil milhões de anos foi uma grande surpresa para os investigadores, que supuseram que a camada se formou após o impacto de um meteoro.

“A coexistência de matéria carbonácea extraterrestre e biogénica nos mesmos depósitos sedimentares destaca os futuros desafios colocados pela busca pela extinção da vida em Marte”, indica o estudo.

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30 Maio, 2019


Cientistas portugueses propõem solução para dois “problemas” do Universo

CIÊNCIA

Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Aveiro concluiu que as partículas que terão sido responsáveis por um período acelerado de expansão no início do Universo, os ‘inflatões’, podem constituir a ‘matéria escura’ que existe nas galáxias.

João Rosa é investigador do Departamento de Física e do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações da Universidade de Aveiro
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João Rosa, investigador do Departamento de Física e do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações da Universidade de Aveiro, disse à Lusa que a investigação, publicada recentemente na revista Physical Review Letters , propõe “soluções para dois grandes problemas em aberto” na área da cosmologia: a inflação do universo e a ‘matéria escura’.

Segundo o investigador, a teoria da inflação, proposta em 1981 pelo físico americano Alan Guth, avança que nas “primeiras fracções de segundos” após o Big Bang, o Universo teve uma “expansão acelerada”.

“A expansão do Universo só pode ser acelerada se o Universo tiver matéria num estado diferente da matéria que nós conhecemos hoje como os protões e os electrões”, afirmou João Rosa, acrescentando que a teoria da inflação propõe assim “a existência de novas partículas elementares”, denominadas pelos investigadores como ‘inflatões’.

Por sua vez, a origem da ‘matéria escura’, designação dada pelos especialistas a “partículas que não emitem luz” existentes nas galáxias e que exercem força gravitacional sobre a matéria luminosa (estrelas), permanece desconhecida.

“Temos aqui dois problemas que indicam a existência de novas partículas. É quase uma questão natural que se coloca: Será que estas partículas que são precisas para originar esta inflação, podem ser as mesmas partículas que hoje inferimos como sendo a ‘matéria escura’?”, inquiriu o investigador.

Apesar desta “nem sempre ser uma ligação óbvia”, uma vez que os modelos convencionais apontam que depois da explosão inicial do Universo existiu um arrefecimento e que os ‘inflatões’ se transformaram em outras partículas após a inflação (teoria da inflação fria), a investigação coordenada por João Rosa concluiu que os ‘inflatões’ “não se transformaram” e que acabaram por ser “uma fonte de calor” para o Universo.

“Nos modelos de inflação quente, como o próprio nome indica, não há este arrefecimento porque os inflatões estão num estado de energia muito grande, mas conseguem transferir lentamente uma pequena parte da sua energia para o resto do Universo e mantê-lo quente, como se fossem uma fonte de calor permanente”, sublinhou.

Segundo o modelo teórico desenvolvido pelos investigadores, os ‘inflatões’, que “sobreviveram desde a inflação até aos dias de hoje”, não emitem luz e são “extremamente frios”, uma vez que perderam a sua energia ao manter o Universo quente.

À Lusa, João Rosa adiantou que a equipa da UA vai continuar a “procurar modelos teóricos que possam explicar diferentes questões que permanecem em aberto”, esperando que a proposta apresentada “possa ser tida em consideração” em futuras observações astronómicas.

Diário de Notícias
Lusa
28 Maio 2019 — 23:00