2082: A civilização Maia também lidou com alterações climáticas (e sobreviveu)

CIÊNCIA

Tony Hisgett / wikimedia
Chichén Itzá é uma cidade arqueológica maia, no Iucatã, que funcionou como centro político e económico da civilização maia.

As alterações climáticas não são nada de novo e, já na altura da civilização Maia, os povos tiveram de se readaptar para sobreviverem a uma nova realidade. Os Maias desenvolveram técnicas para remediarem situações de, por exemplo, épocas de seca.

As concentrações de dióxido de carbono na atmosfera da Terra atingiram 415 partes por milhão – um nível que se verificou pela última vez há mais de três milhões de anos, muito antes da evolução dos seres humanos. Esta notícia aumenta a preocupação crescente de que as mudanças climáticas provavelmente causarão sérios danos ao nosso planeta nas próximas décadas.

Apesar de a temperatura na Terra nunca ter estado tão alta, podemos aprender sobre como lidar com a mudança climática ao observar a civilização Maia, que prosperou entre 250-950 d.C. no leste da Mesoamérica, a região que hoje é ocupada pela Guatemala, Belize, México Oriental e partes de El Salvador e Honduras.

Muitas pessoas acreditam que a antiga civilização Maia terminou quando misteriosamente “entrou em colapso”. E é verdade que os Maias enfrentaram muitos desafios de mudanças climáticas, incluindo secas extremas que acabaram por contribuir para o colapso das suas grandes cidades-estado do Período Clássico.

No entanto, os Maias não desapareceram: mais de 6 milhões de pessoas com raízes Maia vivem hoje no leste da Mesoamérica. Além disso, com base na investigação de antropólogos na Península do Norte de Yucatán, acredita-se que a capacidade das comunidades Maias de adaptar as práticas de conservação de recursos desempenhou um papel crucial em permitir que sobrevivessem por tanto tempo.

Em vez de se concentrar nos momentos finais da civilização Maia, a sociedade pode aprender com as práticas que lhes permitiram sobreviver por quase 700 anos, quando consideramos os efeitos das mudanças climáticas nos dias de hoje.

Adaptação a condições secas

Uma combinação de factores, incluindo mudanças ambientais, contribuiu para o colapso de muitos grandes centros pré-clássicos após o início do primeiro milénio d.C.

Evidências disponíveis sugerem que, embora o clima tenha permanecido relativamente estável durante grande parte do Período Clássico, houve períodos ocasionais de diminuição da precipitação. Além disso, todos os anos, as épocas seca e chuvosa foram marcadamente divididas. Maximizar a eficiência e o armazenamento de água e correctamente sincronizar a época de plantio foi muito importante.

Se as chuvas não acontecessem como esperado por um ano ou dois, as comunidades poderiam contar com água armazenada. No entanto, secas mais prolongadas acentuaram a hierarquia política e complexas redes comerciais inter-regionais. A chave primordial para a sobrevivência foi aprender a adaptarem-se às mudanças ambientais.

Por exemplo, os Maias desenvolveram redes mais elaboradas de terraço e irrigação para proteger contra o escoamento do solo e o esgotamento de nutrientes. Projectaram também sistemas de drenagem e armazenamento que maximizaram a captação de água da chuva.

Declínio e colapso

Durante os séculos IX e X d.C., muitas das grandes cidades Maias clássicas caíram como resultado de várias tendências de longo prazo, como o crescimento populacional, a guerra cada vez mais frequente e uma burocracia cada vez mais complexa. O declínio das chuvas piorou a situação de risco.

No final, vários centros populacionais experienciaram eventos de abandono relativamente rápidos. No entanto, diferentes áreas decaíram ao longo de um período de mais de dois séculos. Chamar a esta série de eventos um colapso ignora a capacidade das comunidades Maias de se preservarem por gerações, apesar dos desafios crescentes.

Podemos ver padrões semelhantes em várias outras civilizações. As comunidades ancestrais de Puebloan no sudoeste dos Estados Unidos, anteriormente conhecidas como Anasazi, desenvolveram redes de irrigação para cultivar uma paisagem naturalmente árida começando por volta do início do primeiro milénio.

Quando as chuvas começaram a decair nos séculos XII e XIII, elas se reorganizaram em unidades menores e moveram-se pelas redondezas. Esta estratégia permitiu que eles sobrevivessem mais tempo do que teriam se se mantivessem no mesmo lugar.

ZAP // The Conversation

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31 Maio, 2019


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2081: A colecção mais antiga de meteoritos foi encontrada no local mais seco da Terra

Racortesl / Flickr
Deserto do Atacama, no Chile

Meteoritos colidem na Terra quase constantemente e podemos encontrar os restos antigos em todos os lugares. Mas, para melhor entender de onde as rochas espaciais vieram, é útil visitar a mais densa colecção de meteoritos do planeta.

Onde? No local mais seco de todo o planeta Terra – o deserto do Atacama, no Chile. Este deserto é muito antigo, com mais de 15 milhões de anos, o que significa que os meteoritos que caíram na sua enorme área – cerca de 130 mil quilómetros quadrados – têm a possibilidade de serem muito antigos.

Isso representa uma vantagem geológica sobre outros desertos, incluindo a Antárctida, que possui vastos suprimentos de meteoritos, mas geralmente são jovens demais para abrigar rochas espaciais mais antigas do que meio milhão de anos, segundo Alexis Drouard, investigador da Universidade Aix-Marselha e autor do estudo publicado na revista Geology.

Drouard e os colegas fizeram recentemente uma viagem de caça a meteoritos no deserto de Atacama, na esperança de encontrar uma série de rochas que se estendiam por milhões de anos. “O nosso objectivo neste trabalho foi ver como o fluxo de meteoritos mudou ao longo de grandes escalas de tempo“, disse Drouard em comunicado, citado pela Live Science.

Para o novo estudo, os geólogos recolheram cerca de 400 meteoritos e estudaram 54, analisando as idades e as composições químicas das pedras alienígenas. Em consonância com a idade avançada do deserto, cerca de 30% dos meteoritos tinham mais de um milhão de anos, enquanto dois deles acumulavam poeira há mais de dois milhões de anos. Segundo Drouard, representa a mais antiga colecção de meteoritos na superfície da Terra.

A equipa extrapolou os resultados da sua pequena amostra para determinar que a actividade de impacto permaneceu relativamente constante nos últimos dois milhões de anos, totalizando cerca de 222 impactos de meteoros em cada quilómetro quadrado de deserto a cada um milhão de anos.

Surpreendentemente, a composição dos meteoritos mudou mais drasticamente. Segundo os investigadores, os meteoritos que bombardearam o Atacama entre um milhão e meio milhão de anos atrás eram significativamente mais ricos em ferro do que as rochas que caíam antes ou depois. É possível que todos tenham vindo de um único enxame de pedras soltas do cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter.

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31 Maio, 2019


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2080: O “Planeta Proibido” foi encontrado no deserto Neptuniano

University of Warwick/ Mark Garlick

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu um exoplaneta único mais pequeno do que Neptuno e com atmosfera própria no deserto Neptuniano, recorrendo a dados do Next-Generation Transit Survey (NGTS).

Em comunicado, os cientistas explicam que este é o primeiro planeta a ser encontrado no deserto de Neptuno, região próxima às estrelas, onde não há mundos com as dimensões do oitavo planeta do Sistema Solar.

O exoplaneta NGTS-4b, também conhecido pela comunidade científica como “Planeta Proibido”, é mais pequeno do que Neptuno, tendo três vezes o tamanho da Terra e encontrando-se a 920 anos-luz do nosso planeta.

O deserto Neptuniano recebe fortes radiações da estrelas, o que significa que os planetas não retêm a sua atmosfera gasosa à medida que se evaporam, ficando reduzidos apenas a um núcleo rochoso. O NGTS-4b, contudo, ainda tem a sua atmosfera, o que o torna único.

Ao procurar por novos planetas, os astrónomos procuram rastrear uma decréscimo na luz da estrela. Por norma, investigações em telescópios de superfície mostram quedas de 1% ou mais, mas os telescópios como o NGTS, localizado no Observatório Paranal do Observatório Europeu do Sul, no Chile, podem capturar uma queda de apenas 0,2%.

Os cientistas acreditam que este exoplaneta pode ter-se mudado “recentemente” para o deserto de Neptuniano, nos últimos milhões de anos. Ou então, defendem, era muito grande e ainda está a evaporar.

“Este planeta deve ser resistente – está mesmo na zona onde esperávamos que os planetas com o tamanho de Neptuno não pudessem sobreviver. É verdadeiramente surpreendente que encontremos um planeta em trânsito através de uma atenuação de estrelas em menos de 0,2%”, disse o cientista Richard West, do Departamento de Física da Universidade de Warwick, na Inglaterra, que liderou o estudo.

“[Este procedimento] nunca tinha sido feito com telescópios terrestres, e foi óptimo encontrá-lo depois de trabalhar neste projecto durante um ano”, completou.

“Agora estamos a rastrear os dados para ver se podemos ver mais planetas no deserto de Neptuno… talvez o deserto seja mais verde do que se pensava”.

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31 Maio, 2019


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2079: Os extraterrestres poderão ajudar a salvar a Humanidade

KELLEPICS / pixabay

Avi Loeb, presidente do departamento de Astronomia da Universidade de Harvard, alertou que a Humanidade por estar a traçar o mesmo caminho que ditou o fim de civilizações alienígenas avançadas. No entender do especialista, o passado destes seres extraterrestres pode ser útil para salvar o futuro da Humanidade.

As alterações climáticas que há décadas mudam o planeta e a fabricação de armas cada vez mais poderosas podem ser indícios de um caminho perigoso para o Homem.

Segundo Avi Loeb, um comportamento semelhante a este pode ter dizimado raças avançadas de seres alienígenas. “Uma possibilidade é que estas civilizações, baseadas na forma como nos comportamos actualmente, tenham uma vida vida curta“, disse Loeb na semana passada, durante uma palestra na The Humans to Mars Summit, que decorreu na cidade norte-americana de Washington.

“[Estes seres alienígenas] pensam a curto prazo e produzem ferimentos auto-infligidos que podem acabar por matá-los”, defendeu o especialista, citado pelo Live Science.

No entender de Loeb, a procura por vida extraterrestre deve ser ampla o suficiente para rastrear artefactos deixados por civilizações entretanto desaparecidas, tais como superfícies planetárias queimadas e produtos de guerra nuclear em mundos alienígenas.

Caso se encontrem outros tipos de vida diferentes dos que conhecemos, esta será a maior descoberta científica de sempre, defende Loeb, considerando ainda que estes seres podem trazer um benefício adicional ao Homem: servir-lhe de exemplo, colocando a Humanidade num caminho mais orientado e sustentável.

“A ideia é que possamos aprender algo no processo. Podemos aprender a comportar-nos melhor uns com os outros, a não iniciar uma guerra nuclear, a monitorizar o nosso planeta e garantir que este seja habitável enquanto pudermos mantê-lo habitável”.

Potencialidades tecnológicas

Loeb aponta ainda que há outras razões para a procura de seres extraterrestres, sobretudo no que respeita às potencialidades tecnológicas. “A nossa tecnologia tem apenas um século, mas se uma outra civilização tiver tido mil milhões de anos para desenvolver viagens espaciais, podem ensinar-nos a fazê-lo”, afirmou.

“A minha esperança passa por encontrar civilizações mortas que nos inspirem a ter um melhor comportamento e a actuar melhor em grupo (…) A outra esperança que temos é que, assim que deixemos o Sistema Solar, receberemos uma mensagem de volta: ‘Bem-vindos ao clube interestelar’. E aí vamos descobrir que há muito tráfego que não conhecíamos”, elencou o especialista.

Na verdade, defende Loeb, podemos ter tido já um vislumbre deste tráfego com o Oumuamua, o primeiro objecto interestelar já observado no Sistema Solar. O objecto, que foi também rotulado de Mensageiro das Estrelas, pode ser uma nave alienígena, como já insistiu o Professor de Harvard.

Apesar de todas as hipóteses sobre este corpo – que passam também pela possibilidade deste ser um asteróide – o especialista enfatiza que o importante é manter a mente aberta, não descartando nenhuma opção de forma precipitada. “Devemos manter a mente aberta e não presumir que sabemos a resposta antecipadamente (…) Não precisamos fingir que sabemos de alguma coisa”, rematou.

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31 Maio, 2019

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2078: “Comboio” de satélites da Space X de Musk deixa astrónomos furiosos

CIÊNCIA

Vários astrónomos consideraram que a constelação de 60 satélites Starlink, lançada com sucesso na quinta-feira pela Space X de Elon Musk, podem ser prejudicais para a Ciência, podendo mesmo “arruinar” o céu de todo o planeta.  

Tal como noticia o portal Science Alert, os especialistas temem que o sistema de satélites recém-lançado interfira nas observações visuais e até na radioastronomia.

O astrónomo Alex Parker, que mostrou o seu descontentamento através da sua conta pessoal no Twitter, acredita que, a longo prazo, podem ser vistos mais satélites Starlink a olho nu no céu do que estrelas.

“Sei que as pessoas estão animadas com as imagens do ‘comboio’ de satélites Starlink da Space X (…) [Os satélites] são brilhantes, e haverá muitos deles. Se a SpaceX lançar os 12.000, os satélites superarão as estrelas visíveis a olho nu”

Por sua vez, Jonathan McDowell e outros cientistas temem que estes satélites de comunicação são brilhantes o suficiente para perturbar os trabalhos dos astrónomos. Starlink e outras mega-constelações arruinariam o céu para todos os que vivem no planeta”, advertiu Ronald Drimmel, especialista citado pela revista Forbes.

E acrescentou: “A tragédia potencial de uma mega constelação como a Starlink é que, para o resto da Humanidade, mudará a aparência do céu nocturno”.

Alan Duffy, em declarações ao Science Alert, traçou um cenário menos prejudicial, alertando, contudo, que estes lançamentos podem implicar “perdas para a Humanidade”. “Os satélites actuais são um problema, mas os astrónomos desenvolveram técnicas inteligentes para removê-los”, começou por explicar.

“Uma constelação completa de satélites Starlink provavelmente significará o fim dos telescópios de rádio baseados na Terra que são capazes de rastrear os céus, procurando objectos de rádio fracos (…) Os enormes benefícios da cobertura global da Internet superam o custo para os astrónomos, mas a perda do céu do rádio é um custo para a Humanidade, à medida que perdemos a nossa herança colectiva para ver o brilho do Big Bang ou o brilho da formação de estrelas a partir da Terra”.

Elon Musk, multimilionário e CEO da Space X, reagiu ao coro de críticas através do Twitter, explicando que a Starlink não afectará as observações espaciais, dando conta que “ajudar mil milhões de pessoas economicamente desfavorecidas é um bem maior”.

Fraser Cain @fcain

If they help billions of people in remote locations inexpensively access the internet, it’s a price I’d be willing to pay.

Elon Musk @elonmusk

Exactly, potentially helping billions of economically disadvantaged people is the greater good. That said, we’ll make sure Starlink has no material effect on discoveries in astronomy. We care a great deal about science.

Musk garantiu que vai assegurar que a constelação de satélites não afecte a pesquisa científica, até porque, enfatizou, “a Ciência é muito importante“.

Após o lançamento do conjunto de satélites artificiais, o astrónomo amador holandês Marco Langbroek conseguiu capturar em vídeo como é que estes cruzaram o céu nocturno a alta velocidade, movendo-se simultaneamente e com muito pouco espaço entre cada um. O autor da gravação comparou as imagens com um “comboio”, uma vez que as luzes dos satélites se assemelham às janelas dos vagões no escuro.

O objectivo do Musk passa por criar uma constelação de 12.000 satélites para oferecer Internet de banda larga para todos os cantos do mundo a partir da órbita baixa da Terra.

De acordo com o portal de astronomia Space.com, os satélites não são suficientemente brilhantes para serem visíveis a olho nu e, à medida que vão continuar a dispersar, devem ficar ligeiramente mais escuros.

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30 Maio, 2019


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2077: Água portuguesa pode existir em Marte

A água que eventualmente possa existir no estado líquido no planeta Marte pode ser muito semelhante a uma água portuguesa.

Trata-se da água de Cabeço de Vide, uma nascente alcalina com características raras no mundo, que está a ser estudada pela NASA.

Uma grande reportagem Linha da Frente que pode ver esta quinta-feira, logo a seguir ao Telejornal.

msn notícias

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2076: Afinal, o fruto proibido de Adão e Eva não foi uma maçã

CIÊNCIA

nevsepic.com.ua / Wikimedia

Mesmo que Adão e Eva tenham existido, o tal fruto proibido do paraíso não poderia ter sido uma maçã. A popular fruta que conhecemos hoje é resultado de uma domesticação realizada muito tempo depois da “criação do mundo”.

Se hoje temos esse alimento em fartura nos supermercados e feiras, é graças à Rota da Seda – caminhos de mercadores na antiguidade, comprando e vendendo produtos de um ponto a outro, entre o extremo leste da Ásia e a Europa. Esse comércio, o primeiro movimento de globalização da humanidade, foi iniciado há cerca de 4,5 mil anos – e teve os seus mais intensos momentos a partir do século 3 a.C.

De acordo com um estudo desenvolvido pelo Instituto Max Planck, da Alemanha, e publicado esta segunda-feira pela revista especializada Frontiers in Plant Science, foi nesse período que a maçã deixou de ser uma fruta pequena, selvagem e pouco atraente para, por meio de processos de enxertos e selecção das árvores cujos frutos eram mais graúdos e apetitosos, se transformarem numa das frutas mais populares do mundo.

Assinado pelo director do Laboratório de Paleoetnobotânica do instituto alemão, Robert Spengler, o estudo baseia-se em investigações arqueológicas recentes de sementes de maçã antigas preservadas na Europa e na Ásia Ocidental e na combinação dessas informações com dados genéticos da fruta.

O cientista confirmou que a maçã, na sua versão selvagem, era um fruto pequeno e pouco atraente. A sua selecção e transformação num alimento popular deve-se a dois factores: a megafauna europeia que floresceu depois da última Era do Gelo, há 20 mil anos, e o trabalho dos mercadores da Rota da Seda.

Spengler partiu das ciências humanas, de acordo com a BBC. Encontrou descrições de grandes frutos vermelhos na arte clássica, acreditando que as maçãs já eram recolhidas pelo homem desde há dez mil anos no sul da Europa. Sementes antigas em sítios arqueológicos corroboram a tese.

Mas a maçã moderna seria um híbrido de pelo menos quatro espécies silvestres. Aí veio o papel da Rota da Seda. Em busca de frutos que fossem mais atraentes ao mercado, agricultores da época começaram a seleccionar as árvores que produziam maçãs mais apetitosas e a realizar enxertos. Esses cruzamentos foram resultando em frutos mais semelhantes aos de hoje.

De acordo com o cientistas, a origem genética da maçã moderna está nas montanhas Tien Shan, na fronteira entre Cazaquistão, Quirguistão e China. A natureza também fazia a sua parte. No período entre o fim da Era do Gelo e o início da Era Cristã, Europa e Ásia estavam muito mais cheias de animais selvagens de grande porte – parte deles depois extinta. Cavalos selvagens, cervos e outros animais em bandos livremente.

As artimanhas evolutivas têm uma verdade simples: frutos pequenos “querem” atrair aves – que os comem e acabam por espalhar as sementes. Frutos grandes não podem ser carregados por aves. Evoluíram para ser apetitosos para animais grandes. Foram esses  que se deliciaram e ajudaram a espalhar as maçãs.

Entretanto, ao contrário das aves, os mamíferos não levam as sementes para longe. É por isso que, conforme concluiu o investigador, geneticamente as maçãs selvagens são diferentes em diversas zonas consideradas “de refúgio glacial” desde a Era do Gelo. Não se espalharam muito, evoluíram a seu modo em variedades.

Essas “ilhas” de maçãs foram rompidas com a acção humana, de modo especial ao longo da Rota da Seda. As árvores passaram a ter contacto umas com as outras. Abelhas e outros polinizadores encarregaram-se de fazer sua parte. A descendência híbrida resultante originou frutos maiores, o que despertou a atenção dos humanos – que acabaram por dar uma mãozinha, replantando mudas das árvores mais favorecidas e realizando enxertos.

Spengler ressalta que esse processo foi muito mais rápido do que ocorreria em condições naturais. “O processo de hibridização não é o mesmo para todas as plantas. Ainda não sabemos muito sobre como ocorre em árvores de longa duração”, comenta o cientista. “Há centenas de plantas domesticadas no planeta”. A maçã é resultado da megafauna pós-Era do Gelo e dos mercadores da Antiguidade, portanto.

O fruto proibido

No relato bíblico da criação o mundo, no livro do Génesis, Eva desobedece à ordem de não comer o fruto da frondosa árvore do paraíso. Experimenta, gosta e acaba por oferecê-la a Adão. A fruta acabou por ser descrita como uma maçã. É assim que aparece em pinturas e configurou-se no imaginário humano.

O relato original, contudo, não menciona nome algum. Diz que era o “fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal”. A ideia de considerar esse fruto uma maçã veio aos poucos, muito provavelmente por obra dos antigos tradutores da Bíblia. Ao versarem o texto do grego antigo para o latim, utilizaram a palavra “pomum”, que acabaria por ser maçã, nas línguas modernas – mas poderia ser qualquer fruto com formato semelhante, como um figo ou uma pêra.

Uma outra versão também corrente entre investigadores é a de que a fruta acabou por ser chamada de maçã por causa de uma confusão entre as palavras malus – do latim, significando mal – com malum – do grego antigo, que significava maçã.

Facto é que a fruta tornou-se símbolo de pecado e tentação. Mas também de conhecimento. A historiadora Janik afirma que a maçã traz, nas diversas culturas, significados de amor, imortalidade, dom e amizade.

No livro apócrifo de Enoque, a árvore do Éden é descrita como “uma espécie de tamarineira, produzindo frutos que se assemelhavam a uvas”. O antigo texto diz que a “fragrância” podia ser sentida a uma distância considerável.

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30 Maio, 2019


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2075: Há uma galáxia estranha que se está a mover em direcção a nós

ESA

A NASA publicou, na sexta-feira, uma fotografia da galáxia espiral Messier 90, que se move em direcção à Via Láctea, apesar da expansão do Universo que faz com que todas as galáxias se afastem umas das outras.

A galáxia localiza-se na constelação de Virgem, a cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra, de acordo com o comunicado. A aproximação foi detectada graças ao efeito conhecido como “mudança azul”, que consiste em aumentar a frequência aparente das ondas de luz emitidas por um objecto que se aproxima do observador. Desta maneira, a sua cor muda para tons azuis.

Ao analisar as imagens obtidas através do Telescópio Espacial Hubble de 1994 a 2010, os investigadores concluíram que a Messier 90 move-se em direcção à Via Láctea enquanto as outras 1.200 galáxias do aglomerado gigante ao qual pertence estão muito longe das nossas.

Provavelmente, isto estará a acontecer porque a massa colossal do conglomerado acelera algumas galáxias a velocidades maiores que a da expansão do Universo, fazendo-os os girar em caminhos estranhos, supõem os astrónomos.

Enquanto o aglomerado em si está a afasta-se de nós, algumas das suas galáxias constituintes, como a Messier 90, estão a mover-se mais rápido do que o aglomerado como um todo, fazendo com que, da Terra, vejamos a galáxia em direcção a nós. No entanto, alguns também estão se a mover na direcção oposta dentro do aglomerado e, portanto, parecem estar a afastar-se de nós em alta velocidade.

A imagem da Messier 90 foi criada a partir de uma ampla gama de comprimentos de onda de luz, incluindo luz infravermelha, ultravioleta e visível. Os dados foram recolhidos pelo Wide Field and Planetary Camera 2 (WFPC2) do Hubble, que capturou imagens entre 1994 e 2010. A galáxia Messier 90 foi descoberta em 1781 e contém cerca de mil milhões de estrelas.

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30 Maio, 2019


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2074: NASA encontra um cometa com água semelhante à de um oceano

Pepe Manteca / Flickr

Em busca de respostas sobre quais foram as principais fontes de água do nosso planeta, uma equipa internacional de investigadores encontrou uma família de cometas que têm água semelhante à da Terra.

Do Observatório Estratosférico para a Astronomia Infravermelha da NASA (SOFIA), foram encontrados dados do Cometa 46P / Wirtanen, que passou pelo seu ponto mais próximo da Terra em Dezembro de 2018 e descobriu-se que este cometa contém água “semelhante à de um oceano”.

Essa descoberta reforça a ideia de que os corpos congelados desempenharam um papel fundamental na chegada do líquido ao nosso planeta.

“Identificamos um vasto reservatório de água semelhante à Terra nos confins do sistema solar”, disse Darek Lis, cientista do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA em Pasadena, Califórnia, e principal autor do estudo em comunicado. “A água foi crucial para o desenvolvimento da vida como a conhecemos, não apenas queremos entender como foi entregue à Terra, mas também se esse processo pode funcionar noutros sistemas planetários”, acrescentou o especialista.

De acordo com uma teoria padrão, acredita-se que a Terra foi formada a partir da colisão de pequenos corpos celestes chamados planetesimais ou proto-planetas, mas esses corpos tinham pouca água. É por isso que os cientistas agora prevêem que 70% da água da Terra veio de cometas que vieram de pontos distantes do sistema solar.

Para chegar a essas conclusões, os astrónomos analisaram dois tipos de água, a forma mais típica que conhecemos, composta pela composição de H2O, e outra chamada “água pesada” que contém deutério para estabelecer a origem do líquido. Analisaram a atmosfera de vapor de água que se forma quando o gelo central sublima ao aproximar-se do Sol.

Os dados, de acordo com o estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics, mostraram que a proporção de água do cometa 46P / Wirtanen é a mesma que a dos oceanos da Terra.

Ainda são necessários mais estudos para ver se esses achados são válidos para outros cometas. No entanto, para continuar com as investigações, é necessário esperar por uma nova abordagem do cometa, prevista para Novembro de 2021.

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30 Maio, 2019

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2073: Encontrada matéria orgânica extraterrestre numa rocha com mais de 3.3 mil milhões de anos

Andrew Ashton / Flickr

Um grupo de cientistas de França e Itália detectou matéria orgânica de há 3.300 milhões de anos preservada num sedimento vulcânico nas montanhas de Barberton, na África do Sul.

Até ao momento, sabemos que as moléculas orgânicas, de metano e aminoácidos, existem no espaço, e talvez parte dessas moléculas tenha sido trazida para o nosso planeta por asteróides que continham carbono.

Cientistas, que estudam as antigas rochas na África do Sul, podem ter descoberto evidências dos exemplos mais antigos dessas moléculas extraterrestres. A pequena cadeia montanhosa, conhecida como Montanhas Makhonjwa ou Cinturão Greenstone Barbeton, está localizada no leste da África do Sul e de Suazilândia.

Ao estudar as amostras, os investigadores registaram matéria orgânica insolúvel de dois tipos. A primeira era semelhante às substâncias biogénicas já encontradas anteriormente por geólogos em rochas de uma época semelhantes. Mas a segunda, descoberta numa camada de dois milímetros de largura, parecia anómala.

Uma análise detalhada mostrou que se tratava de uma matéria extraterrestre semelhante à presente nos condritos carbonáceos, um grupo de meteoritos rochosos que contêm compostos de carbono. “Esta é a primeira vez que encontramos evidências reais de carbono extraterrestre em rochas terrestres“, disse Frances Westall, coautor do estudo publicado na revista Geochimica et Cosmochimica Acta, ao New Scientist.

A suspeita foi corroborada pela presença de nano-partículas de ferritas de espinélio, formadas durante a entrada de objectos espaciais na atmosfera. A presença de um número suficiente de materiais orgânicos presentes na área depois de 3,3 mil milhões de anos foi uma grande surpresa para os investigadores, que supuseram que a camada se formou após o impacto de um meteoro.

“A coexistência de matéria carbonácea extraterrestre e biogénica nos mesmos depósitos sedimentares destaca os futuros desafios colocados pela busca pela extinção da vida em Marte”, indica o estudo.

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30 Maio, 2019


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Cientistas portugueses propõem solução para dois “problemas” do Universo

CIÊNCIA

Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Aveiro concluiu que as partículas que terão sido responsáveis por um período acelerado de expansão no início do Universo, os ‘inflatões’, podem constituir a ‘matéria escura’ que existe nas galáxias.

João Rosa é investigador do Departamento de Física e do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações da Universidade de Aveiro
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João Rosa, investigador do Departamento de Física e do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações da Universidade de Aveiro, disse à Lusa que a investigação, publicada recentemente na revista Physical Review Letters , propõe “soluções para dois grandes problemas em aberto” na área da cosmologia: a inflação do universo e a ‘matéria escura’.

Segundo o investigador, a teoria da inflação, proposta em 1981 pelo físico americano Alan Guth, avança que nas “primeiras fracções de segundos” após o Big Bang, o Universo teve uma “expansão acelerada”.

“A expansão do Universo só pode ser acelerada se o Universo tiver matéria num estado diferente da matéria que nós conhecemos hoje como os protões e os electrões”, afirmou João Rosa, acrescentando que a teoria da inflação propõe assim “a existência de novas partículas elementares”, denominadas pelos investigadores como ‘inflatões’.

Por sua vez, a origem da ‘matéria escura’, designação dada pelos especialistas a “partículas que não emitem luz” existentes nas galáxias e que exercem força gravitacional sobre a matéria luminosa (estrelas), permanece desconhecida.

“Temos aqui dois problemas que indicam a existência de novas partículas. É quase uma questão natural que se coloca: Será que estas partículas que são precisas para originar esta inflação, podem ser as mesmas partículas que hoje inferimos como sendo a ‘matéria escura’?”, inquiriu o investigador.

Apesar desta “nem sempre ser uma ligação óbvia”, uma vez que os modelos convencionais apontam que depois da explosão inicial do Universo existiu um arrefecimento e que os ‘inflatões’ se transformaram em outras partículas após a inflação (teoria da inflação fria), a investigação coordenada por João Rosa concluiu que os ‘inflatões’ “não se transformaram” e que acabaram por ser “uma fonte de calor” para o Universo.

“Nos modelos de inflação quente, como o próprio nome indica, não há este arrefecimento porque os inflatões estão num estado de energia muito grande, mas conseguem transferir lentamente uma pequena parte da sua energia para o resto do Universo e mantê-lo quente, como se fossem uma fonte de calor permanente”, sublinhou.

Segundo o modelo teórico desenvolvido pelos investigadores, os ‘inflatões’, que “sobreviveram desde a inflação até aos dias de hoje”, não emitem luz e são “extremamente frios”, uma vez que perderam a sua energia ao manter o Universo quente.

À Lusa, João Rosa adiantou que a equipa da UA vai continuar a “procurar modelos teóricos que possam explicar diferentes questões que permanecem em aberto”, esperando que a proposta apresentada “possa ser tida em consideração” em futuras observações astronómicas.

Diário de Notícias
Lusa
28 Maio 2019 — 23:00


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2071: Recuperada a cerveja que os faraós do Egipto bebiam há 5.000 anos

CIÊNCIA

(dr) Yaniv Berman / Autoridade de Antiguidades de Israel

Há evidências de que a cerveja já está com os humanos há pelo menos 13 mil anos, quando a cultura natufiana, um grupo de caçadores-colectores que viviam no Mediterrâneo oriental, preparou a bebida para venerar os mortos em celebrações rituais.

Segundo alguns investigadores, é possível até que a cerveja tenha impulsionado a agricultura. Mais tarde, o destino da cerveja correu em paralelo ao dos primeiros assentamentos e civilizações humanas. Na Mesopotâmia, bebiam uma cerveja, que chamaram “kas” em 4.000 a.C. Mesmo antes, em 5.000 a.C, sabe-se que os egípcios faziam o líquido dourado a partir de uma mistura de cevada e água fervida.

No antigo Egipto, a cerveja fazia parte da dieta diária, relacionava-se com a adoração dos deuses e considerava-se que tinha propriedades curativas. Um grupo de investigadores da Universidade Hebraica de Jerusalém conseguiu criar cerveja a partir da levedura recuperada na superfície de embarcações que foram enterradas pelos antigos egípcios há 5.000 anos.

“A coisa mais maravilhosa é que as colónias de levedura sobreviveram dentro dos contentores durante milénios”, disse Ronen Hazan, um dos líderes da investigação, em comunicado, juntamente com Michael Kutstein. “Graças a essas leveduras antigas, criamos uma cerveja que nos permitiu descobrir como a cerveja era saboreada. E não é má”, ressaltou o investigador, cujo estudo foi publicado na revista mBio.

Os especialistas conseguiram extrair as leveduras e cultivá-las para fazer a bebida. Ron Hazan disse à ABC que o trabalho é importante no campo da arqueologia experimental: “A nossa investigação oferece novas ferramentas para estudar métodos antigos”.

Os fungos permaneceram durante milénios dentro de contentores que eram usados ​​para fabricar cerveja e hidromel. Especificamente, os recipientes foram enterrados na época do faraó Narmer (3000 a.C), o rei Aramean Hazael (800 a.C) e o Neemias (400 a.C).

Recuperá-los e aproveitá-los tem sido trabalhoso. Primeiro, os cientistas tiveram que procurar métodos para extrair as leveduras. Para isso, tiveram a colaboração de viticultores da vinícola Kadma, que produz vinho em recipientes de barro. Além disso, recriaram a antiga cerveja egípcia com a ajuda do especialista em cerveja Itai Gutman, até se certificar de criar uma bebida adequada para consumo humano.

Finalmente, sequenciaram o genoma da levedura e descobriram que são similares àqueles tradicionalmente usados ​​em receitas de bebidas africanas, como tej, e variedades mais modernas de leveduras.

“Estamos a falar de uma conquista importante”, disse Yuval Gadot, co-autor do estudo e investigador da Universidade de Tel Aviv. “Esta é a primeira vez que conseguimos produzir álcool antigo a partir de leveduras antigas. Noutras palavras, fizemos isso a partir das substâncias originais”.

ZAP //

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29 Maio, 2019


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2070: Cientistas descobriram a galáxia mais solitária de todo o Universo

CIÊNCIA

ESA

O nosso canto do Universo tem uma panóplia de galáxias vizinhas brilhantes que iluminam o caminho pelo cosmos. Há um século, espirais e elipses mostraram que a Via Láctea não estava sozinha.

Mesmo os astrónomos anteriores tinham galáxias brilhantes que podiam observar com os seus telescópios. Medindo as velocidades e distâncias dessas galáxias, descobrimos um universo em expansão. Sem elas, poderíamos nunca ter entendido as nossas origens cósmicas: o Big Bang.

Mas nem todas as galáxias são sortudas. A maioria das galáxias agrupa-se em grupos, aglomerados ou ao longo de filamentos, mas algumas residem em regiões sub-densas. A estrutura em larga escala do Universo contém grandes vazios cósmicos, bem como aglomerados excessivamente densos.

Nessas regiões extremamente subdesenvolvidas, entretanto, as galáxias ainda se formam ocasionalmente. Os cientistas encontraram a galáxia MCG+01-02-015, que será provavelmente a galáxia mais solitária de todo o Universo.

As estrelas brilhantes, destacadas pelos picos de difracção em redor delas, estão, na verdade, dentro da nossa própria galáxia. Esta galáxia ultra distante é maior e mais brilhante do que a nossa Via Láctea e contém mais de um trilião de estrelas, talvez cerca de 5 a 10 vezes mais do que a nossa própria galáxia.

Além disso, assim como em muitos locais do Universo, pode ver-se o grande cenário cósmico de galáxias que aparecem em todas as direcções e locais mais amplos que já vimos. Contudo, em todas as residires, não encontramos outras galáxias dentro de cem milhões de anos-luz.

Se tivéssemos crescido nesta galáxia, de acordo com a Forbes, os nossos telescópios não teriam observado outras galáxias até à década de 1960. Talvez sejamos verdadeiramente afortunados.

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29 Maio, 2019


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2069: Vénus pode ter tido um passado habitável (mas um oceano asfixiou-o)

NASA

Uma equipa de cientistas acredita que Vénus foi, no passado, um mundo com condições para alojar vida. De acordo com os cientistas, terá sido um oceano que, paradoxalmente, ditou o fim da sua habitabilidade.

Em comunicado, a Universidade de Bangor, no País de Gales, observa que, apesar de Vénus ser hoje um lugar muito inóspito, com temperaturas superficiais quentes o suficiente para derreter chumbo, o seu passado pode ter sido muito diferente.

Segundo a equipa, que sustenta a argumentação em testes geológicos e em modelos computorizados, Vénus pode ter sido mais frio há mil milhões de anos e ter tido até um oceano, havendo por isso algumas semelhanças com a Terra.

Contudo, não é só a temperatura e a atmosfera altamente corrosiva que distanciam o Vénus de hoje do planeta Terra. O segundo planeta do Sistema Solar gira muito lentamente, levando 243 dias terrestres para completar um dia venusiano. No passado, este movimento pode também ter sido mais rápido, escrevem os cientistas, o que teria ajudado a tornar o planeta mais habitável.

As marés actuam para retardar a velocidade de rotação dos planetas devido ao atrito entre as correntes de maré e o fundo do mar. Hoje em dia, na Terra, esta “travagem” muda a duração de um dia em cerca de 20 segundos a cada um milhão de anos.

O novo estudo levado a cabo pelo cientista Mattias Green da Escola de Ciências Oceânicas da Universidade de Bangor e por uma equipa da NASA e da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, quantificaram este efeito de frenagem no Vénus do passado.

A investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters, revelou que as marés de um oceano venusiano terão sido grandes o suficiente para diminuir a velocidade de rotação de Vénus em dezenas de dias terrestres num milhão de anos.

Este resultado sugere que o “travão” imposto pela maré pode ter atrasado Vénus até ao seu estado de rotação actual em 10 a 50 milhões de anos e, consequentemente, tenha evitado que Vénus fosse habitável por um curto espaço de tempo.

“O nosso trabalho mostra como é que as marés podem ser importantes para remodelar a rotação de um planeta, mesmo que esse oceano só exista por cerca de 100 milhões de anos, e como é que as marés são importantes para tornar um planeta habitável”, apontou o Mattias Green, citado na mesma nota de imprensa.

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29 Maio, 2019


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2068: Descoberta água do mar preservada desde a última Idade do Gelo. Tem 20 mil anos

CIÊNCIA

(dr) Jean Lachat

Há 20 mil anos, a vida na Terra era bem mais fria. Era o final de uma Idade do Gelo com mais de cem mil anos e a América do Norte, o norte da Europa e a Ásia estavam cobertas por gelo.

Cientistas estudam esta parte da história da Terra com base em fósseis de corais e sedimentos do fundo do mar. Mas, agora, uma equipa de investigadores marítimos pode ter encontrado um pedaço do passado muito mais importante: uma amostra real de água do mar com 20 mil anos, espremida de uma antiga formação rochosa do Oceano Índico.

De acordo com os investigadores, cujo estudo será publicado em Julho na revista Geochimica et Cosmochimica Acta, esta descoberta representa o primeiro remanescente directo do oceano como era durante a última era glacial da Terra.

Os cientistas encontraram a amostra enquanto extraíam amostras de sedimentos dos depósitos submarinos de calcário que compõem o arquipélago das Maldivas no sul da Ásia. Depois de transportar cada núcleo, a equipa cortou a rocha e colocou as peças numa prensa hidráulica que espremia qualquer humidade remanescente dos poros.

Quando os investigadores testaram a composição das amostras de água recém-prensadas, ficaram surpreendidos ao descobrir que a água era extremamente salgada – muito mais salgada do que o Oceano Índico é hoje. Fizeram mais testes em terra para ver os elementos específicos e isótopos que compunham a água e todos os resultados pareciam estar fora do lugar em comparação com o oceano moderno.

Na verdade, tudo sobre as amostras de água indicava que vinham de uma época em que o oceano era significativamente mais salgado, mais frio e mais clorado – exactamente como se pensava ter sido durante o Último Máximo Glacial, quando os lençóis de gelo sugavam a água do mar e os níveis estavam bem mais abaixo do que os níveis actuais.

“De todas as indicações, parece bastante claro que temos uma parte real desse oceano de há 20 mil anos”, disse Clara Blättler, professora assistente de ciências geofísicas da Universidade de Chicago, em comunicado.

As novas amostras fornecem a primeira visão directa de como o oceano reagiu às oscilações geofísicas da última era glacial. Esse entendimento poderia levar a melhores modelos climáticos para ajudar a entender o nosso próprio mundo em mudança, disse Blättler, como “qualquer modelo que se construa sobre o clima tem de ser capaz de prever com precisão o passado”.

ZAP //

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29 Maio, 2019


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2067: Dois buracos negros em fusão

Dois buracos negros em fusão.
Crédito: ESA

Os buracos negros estão entre os objectos mais fascinantes do Universo. Envolvendo enormes quantidades de matéria em regiões relativamente pequenas, estes objectos compactos têm densidades enormes que dão origem a alguns dos campos gravitacionais mais fortes do cosmos, tão fortes que nada pode escapar – nem mesmo a luz.

Esta impressão artística mostra dois buracos negros que estão em espiral um em direcção ao outro e, eventualmente, ir-se-ão fundir. Uma fusão de um buraco negro foi detectada pela primeira vez em 2015 pelo LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory), que detectou as ondas gravitacionais – flutuações no tecido do espaço-tempo – criadas pela colisão gigante.

Buracos negros e ondas gravitacionais são previsões da relatividade geral de Albert Einstein, a qual foi apresentada em 1915 e permanece, até hoje, a melhor teoria para descrever a gravidade em todo o Universo.

Karl Schwarzschild derivou as equações para buracos negros em 1916, mas estas permaneceram uma curiosidade teórica durante várias décadas, até que as observações de raios-X realizadas com telescópios espaciais puderam finalmente sondar a emissão altamente energética da matéria na vizinhança desses objectos extremos. A primeira imagem da silhueta escura de um buraco negro, lançada contra a luz da matéria no seu entorno imediato, só foi capturada recentemente pelo EHT (Event Horizon Telescope) e publicada no mês passado.

Quanto às ondas gravitacionais, foi o próprio Einstein quem previu a sua existência a partir da sua teoria, também em 1916, mas levaria outro século para finalmente se observar essas flutuações. Desde 2015, os observatórios terrestres LIGO e Virgo reuniram mais de uma dúzia de detecções e a astronomia de ondas gravitacionais é um novo campo de investigação em desenvolvimento.

Mas outra das previsões de Einstein encontrou prova de observação muito mais cedo: a curvatura gravitacional da luz, que foi demonstrada apenas alguns anos depois da teoria aparecer, durante um eclipse total do Sol em 1919.

No contexto da relatividade geral, qualquer objecto com massa dobra o tecido do espaço-tempo, desviando o caminho de qualquer coisa que passe por perto – incluindo a luz. Uma visão artística dessa distorção, também conhecida como lente gravitacional, encontra-se retratada nesta representação de dois buracos negros em fusão.

Há cem anos, os astrónomos começaram a testar a relatividade geral, observando se e como a massa do Sol desvia a luz de estrelas distantes. Esta experiência só poderia ser realizada obscurecendo a luz do Sol para revelar as estrelas ao seu redor, algo que é possível durante um eclipse solar total.

Em 29 de maio de 1919, Sir Arthur Eddington observou as estrelas distantes ao redor do Sol durante um eclipse na ilha do Príncipe, na África Ocidental, enquanto Andrew Crommelin realizou observações semelhantes em Sobral, no nordeste do Brasil. Os seus resultados, apresentados seis meses depois, indicaram que as estrelas observadas perto do disco solar durante o eclipse foram levemente deslocadas em relação à sua posição normal no céu, aproximadamente pela quantidade prevista pela teoria de Einstein para o seu desvio devido à massa do Sol.

“Acende todos os mortos no céu”, destacou o New York Times em Novembro de 1919 para anunciar o triunfo da nova teoria de Einstein. Isto inaugurou um século de experiências excitantes a investigar a gravidade na Terra e no espaço e a provar a relatividade geral de um modo cada vez mais preciso.

Demos saltos gigantescos nos últimos cem anos, mas ainda há muito para descobrir. Athena, o futuro observatório de raios-X da ESA, investigará detalhadamente, e sem precedentes, os buracos negros super-massivos que se situam no centro das galáxias. LISA, outra futura missão da ESA, detectará as ondas gravitacionais a partir de órbita, procurando as flutuações de baixa frequência que são libertadas quando dois buracos negros super-massivos se fundem e só podem ser detectados a partir do espaço.

Ambas as missões estão actualmente em fase de estudo e estão programadas para lançamento no início da década de 2030. Se Athena e LISA pudessem operar em conjunto por pelo menos alguns anos, poderiam realizar uma experiência única: observar a fusão de buracos negros super-massivos tanto em ondas gravitacionais quanto em raios-X, utilizando uma abordagem conhecida como astronomia multi-mensageira.

Nunca observámos tal fusão: precisamos de LISA para detectar as ondas gravitacionais e nos dizer onde procurar no céu, depois precisamos que Athena a observe com alta precisão em raios-X para ver como a poderosa colisão afecta o gás que circunda os buracos negros. Não sabemos o que acontece durante um confronto cósmico deste tipo, portanto, essa experiência, muito parecida com o eclipse de 1919 que primeiro provou a teoria de Einstein, está preparada para abalar a nossa compreensão da gravidade e do Universo.

Astronomia On-line
28 de Maio de 2019


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2066: NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx

Esta imagem mostra a superfície do asteróide Bennu numa região perto do equador. Foi obtida pela PolyCam a bordo da sonda OSIRIS-REx no dia 21 de Março a uma distância de 3,5 km. O campo de visão mede 48,3 metros. Para efeitos de escala, a rocha clara no canto superior esquerdo da imagem tem 7,4 m de comprimento.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

A missão OSIRIS-REx da NASA, actualmente em órbita do asteróide Bennu, precisa de mais pares de olhos para ajudar a escolher o local de recolha de amostras – e para procurar qualquer outra coisa que possa ser cientificamente interessante.

A sonda OSIRIS-REx encontra-se em Bennu desde 3 de Dezembro de 2018, mapeando detalhadamente o asteróide, enquanto a equipa da missão procura um local de recolha de amostras seguro, propício à colecta de amostras e digno de estudo mais detalhado. Um dos maiores desafios deste esforço, que a equipa descobriu logo após chegar ao asteróide há cinco meses atrás, é que Bennu tem uma superfície extremamente rochosa e cada pedregulho representa um perigo para a segurança da nave. Para agilizar o processo de selecção de amostras, a equipa está a solicitar a cidadãos, cientistas voluntários, que desenvolvam um mapa de risco contando pedregulhos.

“Pela segurança da sonda, a equipa da missão precisa de um catálogo abrangente de todos os pedregulhos próximos dos potenciais locais de recolha de amostras, e convido os membros do público a ajudar a equipa da missão OSIRIS-REx a realizar esta tarefa essencial,” disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx da Universidade do Arizona, em Tucson, EUA.

Para este esforço, a NASA fez parceria com o CosmoQuest, um projecto do PSI (Planetary Science Institute) que apoia iniciativas de ciência cidadã. Os voluntários realizarão as mesmas tarefas que os cientistas planetários – medindo as rochas de Benu e mapeando os seus pedregulhos e crateras – através da utilização de uma simples interface web. Também vão marcar outras características cientificamente interessantes no asteróide para futuras investigações.

O trabalho de mapeamento de rochas envolve um alto grau de precisão, mas não é difícil. A aplicação de mapeamento do CosmoQuest requer um computador, um monitor e um rato capaz de fazer marcas precisas. Para ajudar os voluntários a começar, a equipa do CosmoQuest fornece um tutorial interactivo, bem como assistência adicional ao utilizador por meio de uma comunidade Discord e sessões de “livestreaming” no site Twitch.

“Estamos muito satisfeitos e empolgados por disponibilizar as imagens da OSIRIS-REx para este importante empreendimento de ciência cidadã,” disse Rich Burns, gerente do projecto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. “Bennu surpreendeu-nos com uma abundância de pedregulhos. Pedimos a ajuda dos cientistas cidadãos para avaliar este terreno acidentado, para que possamos manter a nossa nave em segurança durante as operações de recolha de amostras.”

A recolha de amostras não é algo novo para a NASA – este ano, a agência espacial comemora o 50.º aniversário das missões Apolo à Lua, que permitiram com que os astronautas trouxessem 382 kg de amostras de rochas e solo lunar. Essas amostras ajudaram os cientistas a descobrir que a Lua tem água nas rochas e até permanentemente gelada nas crateras. Estes achados, e outros, inspiraram a agência a criar o programa Artemis para fazer regressar humanos à Lua até 2024 e a começar a preparar a exploração humana de Marte.

“A missão OSIRIS-REx vai continuar o legado da Apolo dando aos cientistas amostras preciosas de um asteróide,” disse Lori Glaze, directora da Divisão de Ciência Planetária na sede da NASA em Washington. “Estas amostras vão ajudar os cientistas a descobrir os segredos da formação planetária e as origens do nosso planeta Terra.”

A campanha de mapeamento de Bennu continua até 10 de Julho, quando a missão inicia o processo de selecção do local de recolha de amostras. Assim que os locais primários e secundários sejam seleccionados, a nave começará um reconhecimento mais próximo para mapear os dois locais a uma resolução inferior a um centímetro. A manobra de amostragem TAG (Touch-and-Go) está programada para Julho de 2020, e a sonda regressará à Terra com a sua carga em Setembro de 2023.

Para juntar-se como voluntário à iniciativa de mapeamento de Bennu, visite:

http://bennu.cosmoquest.org/

Astronomia On-line
28 de Maio de 2019


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2065: Dinossauro com mais de 20 toneladas andava em “bicos de pés”

CIÊNCIA

Konstantinov, Atuchin & Hocknull.

Uma nova investigação da Universidade de Queensland, na Austrália, descobriu que um dinossauro massivo do Jurássico (com cerca de 24 tonelada) andava em “bicos de pés”, como se estivesse a usar “saltos altos”. 

O estudante de doutoramento Andréas Jannel e os seus colegas analisaram fósseis do saurópode Rhoetosaurus brownei, que datam de 160 a 170 milhões de anos e foram encontrados no sudoeste de Queensland. A investigação visava melhor compreender como é que uma criatura tão grande poderia suportar o seu próprio peso corporal.

Ao analisar os ossos das extremidades do dinossauro, “ficou claro que o Rhoetossauro andava com o calcanhar elevado, o que levanta a questão: como é que as suas pernas poderiam suportar a imensa massa corporal deste animal, que poderia pesar até 40 toneladas?”, questiona Jannel em comunicado.

Embora o Rhoetossauro tenha andado em “bicos de pés”, o seu calcanhar foi “amortecido por uma almofada carnuda”, semelhante às patas dos elefantes, aponta o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados no Journal of Morphology.

Contudo, há uma pequena grande diferença entre estes animais: os dinossauros eram, pelo menos, cinco vezes mais pesados do que um elefante.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas criaram uma réplica do fóssil e manipularam-no fisicamente de forma a tentar perceber o movimento dos seus ossos. Os cientistas recorreram também a técnicas de modelagem 3-D.

Segundo Jannel, a novidade da “almofada de amortecimento” parece ser “uma inovação-chave durante a evolução dos saurópodes”, cujas vantagens podem ter facilitado a tendência dos enormes corpos destes animais.

ZAP //

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28 Maio, 2019


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2064: Descobertos micro-organismos que ajudam a explicar habitabilidade da Terra

CIÊNCIA

(PD/CC0) Comfreak / pixabay

Pequenos micro-organismos foram descobertos num dos ambientes mais extremos do planeta, o vulcão Dallol, na Etiópia, sendo esta uma importante descoberta para entender os limites de habitabilidade da Terra e fora dela.

Esta descoberta, publicada esta segunda-feira na revista Nature Scientif Reports, foi liderada por cientistas espanhóis do Centro de Astrobiologia que agrega o Conselho Superior de Investigações Científicas e o Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial.

A região geotérmica de Dallol, situada na depressão de Dankil, encontra-se entre 124 e 155 metros abaixo do nível do mar e é considerada um dos ambientes mais extremos e mais quentes do planeta. Neste lugar, os investigadores encontraram estruturas muito pequenas enterradas dentro de depósitos minerais, que são a primeira prova da existência de vida nesta região.

“Descobrimos, pela primeira vez, a evidência morfológica e molecular de ‘nano-microorganismos termo-haloacidófilos’ (amantes de altas temperaturas, alta salinidade, da presença de sais e metais e de baixos valores de pH) neste novo ambiente múltiplo extremo”, afirmou o chefe da investigação, Felipe Gómez.

De acordo com o cientista, estes microrganismos são “pequenas bactérias” que pertencem à ordem ‘Nanohaloarchaea’, apesar de não se descartar a hipótese de serem novos microrganismos não descritos até ao momento.

Este ambiente extremo situa-se na depressão de Afar, um fundo marinho no córtex terrestre que se localiza na convergência de três placas tectónicas terrestres – a placa Núbia, a Somali e a Arábia. Estas placas têm, em alguns pontos, um córtex continental muito fino (menos de 15 km de espessura) e magma – lava retida no subsolo – entre três a cinco quilómetros de profundidade.

A interacção entre os depósitos de sal e o vulcanismo deu origem a águas termais, excepcionalmente ácidas e salgadas, cujas temperatura máximas são entre 90º e 109º Celsius.

Os resultados deste estudo têm importantes implicações na compreensão dos limites ambientais da vida, proporcionando informação útil para avaliar a habitabilidade da Terra e de outras partes do Sistema Solar, como Marte. Este estudo pode também ser um importante passo na selecção de sítios de aterragem para futuras missões que pretendam detectar vida.

ZAP // Lusa

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27 Maio, 2019


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2063: O plasma solar pode ajudar a construir reactores de energia nuclear segura

Uma equipa de cientistas da Irlanda e da França descobriu como é que a matéria se comporta nas condições extremas da atmosfera do Sol, podendo esta investigação ajudar a construir reactores de energia nuclear segura.

Na nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature, a equipa recorda que o pouco compreendido plasma – também conhecido como o “quarto estado da matéria” – pode ser a chave para o desenvolvimento de geradores de energia nuclear seguros, limpos e eficientes na Terra.

Apesar de ser a forma mais comum de matéria no Universo, o plasma continua a ser um mistério para os cientistas, especialmente devido à sua escassez nas condições naturais da Terra, o que dificulta consequentemente o seu estudo, observam os cientistas.

Tendo em conta esta dificuldade, o Sol é uma espécie de laboratório natural perfeito para estudar de que forma é que o plasma se comporta sob condições muitas vezes extremas para os laboratórios terrestres.

“Combinámos observações de rádio com câmaras ultravioleta da nave espacial do observatório de Dinâmica Solar da NASA para mostrar que o plasma do Sol pode muitas vezes emitir uma luz de rádio que emite pulsos, como um farol de rádio”, começou por explicar Eoin Carley, do Trinity College, em Dublin.

“Sabemos desta actividade há décadas, mas o uso que demos a estes instrumentos e ao equipamento que temos na Terra permitiu-nos obter imagens dos pulsos de rádio pela primeira vez e ver exactamente como é que os pulsos de plasma se tornam instáveis na atmosfera solar”, sustentou o cientista.

Segundo explicam os cientistas, as linhas do campo magnético que passam pelos pontos na superfície do Sol partem-se repentinamente e começam a conectar-se, gerando chamas. Consequentemente, a energia do campo magnético encerrada na coroa – a camada superior da atmosfera solar – começa a fluir para o seu interior.

Este processo é acompanhado pela libertação de enormes quantidades de energia, que aquecem o plasma da estrela em dezenas de milhões de graus, fazendo também com que esta se expanda e se mova para o lado, passando para o seu interior, onde colide com grupos mais frescos de matéria solar.

De acordo com os cientistas, algo semelhante a este processo pode vir a ser replicado em reactores termo-nucleares, mas neste caso os processos vão interferir na manutenção da reacção. “O único problema é que os plasmas de fusão nuclear são altamente instáveis, assim que o plasma começar a gerar energia, alguns processos naturais desconectam a reacção. Contudo este ‘apagão’ funciona como uma espécie de interruptor de segurança inerente, os reactores de fusão não pode gerar reacções fora do controle”, apontou Peter Gallagher, investigador da Irlanda.

E acrescentou: “Isto também significa que o plasma é difícil de manter num estado estável para gerar de energia”. Contudo, estudar como é que “os plasmas se tornam instáveis no Sol, pode ajudar-nos a aprender a controlá-los na Terra”, rematou.

ZAP //

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28 Maio, 2019

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2062: Astrónomo captou vídeo espectacular da passagem dos 60 satélites Starlink no céu

CIÊNCIA

Há dois dias, a SpaceX colocou no espaço os primeiros 60 satélites da rede Starlink. Conforme foi avançado, a rede, que irá fornecer Internet a locais remotos, será composta por 12 mil. Depois do seu lançamento com sucesso, um astrónomo holandês captou imagens de vídeo mostrando uma sequência dos 60 satélites Starlink.

O vídeo mostra o “comboio” da Starlink a acelerar em linha recta enquanto orbitam ao redor da Terra.

Satélites Starlink já gravitam a Terra

Um impressionante vídeo gravado por um astrónomo holandês captou uma série de aproximadamente 60 unidades Starlink a cruzar pelo céu nocturno, um dia depois de serem lançados em órbita.

Surpreendentemente, podemos ver uma espécie de comboio de satélites alinhados em órbita da Terra.

Elon Musk @elonmusk

First 60 @SpaceX Starlink satellites loaded into Falcon fairing. Tight fit.

Órbita estava a ser vigiada pelos astrónomos amadores

O astrónomo Marco Langbroek escreveu um post no seu blog que dava informações de onde deveriam ser procurados os satélites em órbita. Assim, este aficionado pela astronomia, descobriu quando e onde iriam passar. Desta forma, quando entrassem na área visível, estes seriam captados pela sua câmara.

Segundo o que foi disponibilizado por Langbroek, os dispositivos espaciais apareceram três minutos mais cedo do que era esperado.

Começou com dois objectos fracos e cintilantes a mover-se para o campo de visão. Então, algumas dezenas de segundos depois, o meu queixo caiu quando o ‘comboio’ entrou no campo de visão. Eu não pude deixar de gritar ‘OAAAAAH !!!!’ (seguido por alguns palavrões…).

Exclamou Langbroek.

Estes são ainda uma parte pequena do que será uma rede global de dispositivos espaciais para fornecer Internet. O projecto só deverá estar concluído no ano 2027.

pplware
Vitor M.
26 Mai 2019


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2061: Fenómeno astronómico deixou o México sem sombras durante 3 dias

CIÊNCIA

(dr) Noticieros Cadena RASA / Facebook

Habitantes de Yucatán viveram um dos casos mais estranhos que ocorrem durante o ano em território mexicano. Entre os dias 23 e 25 de maio, um fenómeno astronómico deixou o estado mexicano sem sombras. Chama-se a passagem do “sol no topo”.

Este fenómeno acontece quando o Sol fica no seu ponto de maior verticalidade sobre a Terra, o que faz que as sombras laterais desapareçam. Outra consequência do “sol no topo” é o aumento da radiação solar.

O astrónomo Eddie Salazar Gamboa anunciou a semana passa que a partir do dia 23 (às 13h14, horário local) até o dia 25 de maio, o fenómeno astronómico do sol seria registado em Yucatán, de modo que os habitantes dessa área não iria ter sombras.

“Naqueles dias, o Sol estará bem acima das nossas cabeças, por isso as pessoas não projectarão sombra durante vários minutos“, explicou. “O mesmo acontecerá com os edifícios verticais e, portanto, também haverá mais radiação solar na região.”

A passagem do sol pelo topo ocorre duas vezes por ano, quando a nossa estrela e dirige para o norte na primavera e no seu regresso após o solstício de verão. O fenómeno pode ser testemunhado nos lugares compreendidos dentro do Trópico de Caranguejo e do Trópico de Capricórnio. O próximo “sol no topo” acontecerá em Julho.

As zonas arqueológicas de Uxmal, Chichén Itzá e Mayapán, entre outras, também testemunharam o fenómeno. Para a civilização maia, o “sol no topo” significava o início da época de semeadura. Na Cidade do México, o fenómeno foi observado em 17 de Maio.

O estado de Yucatán é um dos mais quentes do país, por isso as sombras são geralmente autênticos oásis para pessoas que sofrem com o calor abafado. Na sexta-feira, as temperaturas quentes persistiram em grande parte do país. Em Yucatán, oscilou entre 40 e 45ºC em 13 estados, informou o Serviço Meteorológico Nacional (SMN).

A agência explicou que as temperaturas de 40 a 45ºC estavam previstas em lugares como Yucatán, bem como Sinaloa, Tamaulipas, Nayarit, Jalisco, Michoacán, Guerrero, San Luis Potosí, Oaxaca, Veracruz, Chiapas, Tabasco e Campeche.

ZAP //

Por ZAP
27 Maio, 2019


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