1836: Foto do buraco negro: é como ler em Paris um jornal exposto em Nova Iorque

Veja o vídeo que demonstra bem a dimensão do feito.

https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/observar-um-buraco-negro-e-como-ler-em-paris-um-jornal-exposto-em-nova-iorque-10782782.html?jwsource=cl

A capacidade de observação da rede de radiotelescópios com a qual foi obtida a primeira ‘fotografia’ de um buraco negro, hoje divulgada, equivale a ler um jornal exposto em Nova Iorque a partir de um café em Paris.

A analogia é feita em comunicado pelo Observatório Europeu do Sul (OES) e pelo Event Horizon Telescope (EHT), uma rede à escala planetária de oito radiotelescópios em solo que foi formada sob colaboração internacional para capturar as primeiras imagens de um buraco negro, objecto no universo completamente escuro do qual nada pode escapar, nem mesmo a luz.

Um dos radiotelescópios usados foi o ALMA, do OES, composto por 66 antenas e que está localizado no planalto de Chajnantor, nos Andes Chilenos, a 5.000 metros de altitude, no norte do Chile.

Da equipa de mais de 200 investigadores que participaram na observação do buraco negro super-maciço e da sua sombra, que se situa no centro da galáxia M87, faz parte o astrofísico português Hugo Messias, do observatório ALMA. O Observatório Europeu do Sul é uma organização astronómica da qual Portugal faz parte.

As observações do EHT foram feitas a partir de uma técnica conhecida como “interferometria de linha de base muito longa”, que sincroniza os diversos telescópios colocados em diferentes pontos do mundo e “explora a rotação” da Terra para formar “um enorme telescópio do tamanho da Terra”.

A técnica permitiu à rede de oito radiotelescópios ter “a maior resolução angular alguma vez atingida”, ou seja, “o suficiente para se ler um jornal colocado em Nova Iorque”, nos Estados Unidos, “a partir de um café em Paris”, em França.

A resolução angular, que determina o desempenho de instrumentos de observação como os telescópios, é a capacidade de se distinguir dois objectos cujas imagens estão muito próximas.

Ao contrário de um telescópio óptico, que produz imagens a partir da luz visível, um radiotelescópio, como os oito utilizados para registar o buraco negro da M87, capta as ondas de rádio emitidas por corpos celestes através de uma ou várias antenas de grandes dimensões.

As observações feitas a alta altitude pelos oito radiotelescópios – um deles localizado na Serra Nevada, em Espanha, e outro na Antárctida – decorreram numa campanha em 2017.

A foto histórica
© Event Horizon Telescope (EHT)/National Science Foundation/via REUTERS

Apesar de os instrumentos não estarem fisicamente ligados, os seus dados foram sincronizados através de relógios atómicos, que deram o tempo exacto das observações.

Cada telescópio gerou “enormes quantidades de dados”, cerca de 350 ‘terabytes’ por dia, que foram guardados em discos rígidos com hélio, que pesam menos e têm maior capacidade de armazenamento.

Os dados foram migrados para supercomputadores do Instituto Max Planck, na Alemanha, e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, e convertidos numa imagem através de “ferramentas computacionais inovadoras”.

“Calibrações múltiplas e métodos de obtenção de imagens” revelaram, no final, “uma estrutura semelhante a um disco com uma região central escura – a sombra do buraco negro – que se manteve em várias observações independentes do EHT”. A sombra de um buraco negro “é o mais próximo” da imagem do buraco negro propriamente dito, uma vez que este é totalmente escuro.

Dada a sua enorme massa (6,5 mil milhões de vezes superior à do Sol) e a relativa proximidade (55 milhões de anos-luz da Terra), os cientistas vaticinaram que o buraco negro da galáxia M87 fosse um dos maiores que pudesse ser visto da Terra, “o que o tornou um excelente alvo” para o Event Horizon Telescope.

A presença de buracos negros, os objectos cósmicos mais extremos que foram previstos em 1915 pelo físico Albert Einstein na Teoria da Relatividade Geral, deforma o espaço-tempo e sobreaquece o material em seu redor.

Até à ‘fotografia’ hoje divulgada, as imagens de um buraco negro eram meramente concepções artísticas.

Os resultados do trabalho do Event Horizon Telescope são descritos em seis artigos publicados hoje num número especial da revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters.

A mesma rede de radiotelescópios também se propõe obter a primeira imagem do buraco negro super-maciço Sagitário A, localizado no centro da Via Láctea.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Abril 2019 — 18:19

 

O português que ajudou a “fotografar” o buraco negro: “Este resultado é espectacular”

Hugo Messias é investigador do telescópio ALMA, um dos oito do projecto Event Horizon Telescope, que obteve a primeira imagem de um buraco negro. Ao DN, o astrofísico português fala da nova descoberta e do que aí vem.

O astrofísico Hugo Messias.
© DR

Em 2014, um ano depois de o telescópio ALMA ter começado a funcionar no deserto de Atacama, no norte do Chile, Hugo Messias já estava a usar as suas observações, e assim fez uma descoberta. Não só conseguiu, nessa altura, obter a melhor imagem de sempre de uma colisão entre duas galáxias, como isso permitiu à equipa que então liderava caracterizar a “fábrica” de estrelas que a observação revelou. Agora, aos 34 anos, enquanto investigador do ALMA – “termino o contrato de três anos em Agosto, depois ainda não sei”, diz -, volta a estar no centro de uma grande descoberta: a da primeira imagem de um buraco negro, lá longe, a 55 milhões de anos-luz da Terra.

Um marco do qual já se disse que haverá um antes e um depois desta imagem. Para Hugo Messias, este é um resultado “espectacular”, que além disso levanta muitas perguntas a que vai ser preciso responder no futuro. Por exemplo: será que aquele buraco negro está a rodar? Neste momento, ninguém sabe.

(continua na versão paga PREMIUM do DN)

Diário de Notícias
Filomena Naves
11 Abril 2019 — 06:29

Pode continuar a ler esta notícia se pagar ao DN para o fazer. É um de muitos artigos deste online classificados de PREMIUM… Apenas inseri aqui o que esta “à mostra” por ser um português envolvido nesta matéria.

 

1834: A mulher por detrás do algoritmo que permitiu ver um buraco negro

Chama-se Katie Bouman e tem 29 anos. Diz que conseguir uma imagem de um buraco negro é como “fotografar uma uva na lua”.

© DR

Foi há pouco menos de um ano. Estava um dia quente de Junho quando Katie Bouman e três colegas se sentaram em frente aos computadores, numa sala apertada do Massachussets Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, longe de olhares curiosos. A informação sobre a qual estavam a trabalhar, uma quantidade tão massiva que não pôde ser enviada pela Internet e foi transportada em discos rígidos até à universidade, estava prestes a chegar ao resultado final. Ou não – tudo dependia do algoritmo que Katie Bouman e a sua equipa tinham criado para reunir e dar coerência aos dados recolhidos por oito radiotelescópios espalhados pelos quatro cantos do mundo. O algoritmo funcionou: naquele dia de Junho aquelas quatro pessoas foram as primeiras a ver a imagem de um buraco negro maciço, a mesma que foi revelada ao mundo esta quarta-feira.

A foto desse momento, em que a imagem de um buraco negro situado no centro da galáxia Messier 87, na constelação de Virgem, a 55 milhões de anos-luz da Terra, se desenha no ecrã dos supercomputadores que foram usados neste processo, foi agora revelada por Bouman e pelo MIT. “A olhar, incrédula, enquanto a primeira imagem que fiz de um buraco negro estava em processo de reconstrução”, escreve a cientista, que está esta quinta-feira em destaque em vários órgãos de comunicação internacional.

“O anel apareceu tão facilmente. Foi inacreditável”, afirmou Bouman à revista Time, acrescentando que “foi difícil ficar calada” todos estes meses – “Não contei sequer à minha família”.

Com 29 anos, Katie Bouman é licenciada em engenharia eléctrica e ciências da computação. Actualmente, dá aulas na Universidade de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena. Quando, há seis anos, começou a colaborar no projecto internacional do Telescópio Event Horizon (EHT, na sigla em inglês)​​​​​, liderando a equipa que criou o algoritmo, estava a fazer o doutoramento em visão computacional, mas não sabia nada de buracos negros. Mas o seu objectivo de criar formas de ver ou medir coisas que não são visíveis tornou-a uma boa candidata ao lugar e, depois, uma especialista no assunto.

Em declarações ao MIT, a jovem cientista afirma que conseguir uma imagem de um buraco negro é como “fotografar uma uva na lua, mas com um radiotelescópio. Isto significa que precisaríamos de um telescópio com dez mil quilómetros de diâmetro, o que não é prático porque o diâmetro da terra não chega a 13 mil quilómetros”.

No Twitter, o MIT compara Katie Bouman a Margaret Hamilton, a cientista a quem é atribuído o código de software que permitiu a missão espacial da NASA à lua.

MIT CSAIL

@MIT_CSAIL

Left: MIT computer scientist Katie Bouman w/stacks of hard drives of black hole image data.

Right: MIT computer scientist Margaret Hamilton w/the code she wrote that helped put a man on the moon.

(image credit @floragraham)#EHTblackhole #BlackHoleDay #BlackHole

Diário de Notícias
DN/Lusa
11 Abril 2019 — 09:42

 

1833: Nave espacial “autónoma” pode ajudar a salvar a Terra da colisão de asteróides

(CC0/PD) 9866112 / Pixabay

A próxima missão europeia a um asteróide, que será lançada em 2023 pela ESA, contará com um tipo de tecnologia de navegação semelhante à que é já utilizada em carros autónomos. Esta mesma tecnologia poderá, no futuro, ajudar a proteger a Terra do impacto de asteróides.

Nomeada de “Hera”, deusa da mitologia grega, a missão de defesa planetária da Agência Espacial Europeia (ESA) visitará o asteróide 65803 Didymos, que tem 780 metros de largura, e o seu pequeno satélite de 160 metros, denominado Didymoon.

Actualmente, as missões levadas a cabo no Espaço profundo são, por norma, realizadas através de controladores na Terra, que enviam comandos de navegação para as naves. Contudo, a Hera contará com um sistema de navegação automático, que permitirá uma condução autónoma em tempo real. Ou seja, com a Hera a navegação será feita em tempo real, não sendo necessário esperar por um comando enviado da Terra.

“Se acreditam que os carros autónomos são o futuro na Terra, então a Hera é a pioneira da autonomia no Espaço profundo”, disse Paolo Martino, engenheiro chefe dos sistemas da missão Hera, citado em comunicado.

De acordo com a ESA, o sistema de navegação autónomo habilitará a nave espacial a voar mais próxima tanto de Didymos como de Didymoon, permitindo consequentemente captar melhor imagens em alta resolução das suas superfícies.

Hera receberá também informações de sensores, câmaras e lasers – tal como recebem os carros autónomos – “para construir um modelo coerente dos arredores” dos objectos celestes, acrescentou Jesus Gil Fernandez, engenheiro da ESA.

A nave espacial será parcialmente operada a partir do solo, pelo menos no momento inicial. De acordo com a mesma nota, a nave espacial não deverá utilizar o novo sistema autónomo até ter completado todos os principais objectivos da missão.

Hera faz parte da missão Asteroid Impact and Deflection Assessment (AIDA), um projecto espacial conjunto da NASA e da ESA, que tem como objectivo estudar os efeitos da colisão de uma nave espacial com um asteróide, tal como observa o portal Space.com.

Com a AIDA, os cientistas esperam que, no futuro, as sondas orbitais sejam capazes de conduzir a própria navegação pelo Espaço e em torno dos objectos de interesse e possibilitem um maior número de missões exploratórias a custos mais baixos.

O objectivo da missão passa também por demonstrar uma estratégia de defesa planetária conhecida como deflexão de asteróide. Noutras palavras, os cientistas querem descobrir se é possível salvar a Terra de um ataque de asteróides potencialmente catastrófico ao lançar uma nave espacial para o corpo rochoso para impedi-lo de sair da sua rota.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
11 Abril, 2019

 

1832: Luzes “alienígenas” nos céus da Noruega eram afinal um teste da NASA

NASA

Vários noruegueses ficaram perplexos no passado sábado com um fenómeno nos céus. Luzes brilhantes e misteriosas surgiram no ar, levando a especulações sobre uma possível actividade alienígena.

De acordo com os relatos, surgiram no céu vários pontos coloridos, seguidos depois de grandes nuvens igualmente brilhantes com luzes roxas e verdes.

Apesar da especulação, o espectáculo de luzes fazia parte de uma experiência da agência espacial norte-americana, a AZURE, que testa o lançamento de foguetes.

Financiada pela NASA, a missão visa melhor compreender o fluxo de partículas na ionosfera – camada da atmosfera terrestre ionizada por radiação solar e cósmica – e descobrir mais sobre a contribuição de uma aurora para a quantidade de energia que entra e sai no sistema geo-espacial da Terra.

Foram lançados dois foguetes, que mediram a temperatura e a densidade atmosférica e implantaram também marcadores que ionizam quando expostos à luz solar.

“Parecia um ataque alienígena”, disse Michael Theusner, um habitante que gravou o fenómeno em vídeo.

“Essas misturas criam nuvens coloridas que permitem aos cientistas rastrear o fluxo de partículas neutras e carregadas, respectivamente”, explicou a NASA, acrescentando que os seus marcadores “não representam perigo para os moradores da região”.

As nuvens foram depois rastreadas para medir os ventos e o fluxo de partículas à medida que os pontos brilhantes se dispersavam.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
11 Abril, 2019