1908: Afinal, o Universo é mais novo do que pensávamos

(CC0/PD) myersalex216 / Pixabay

Volvidos mais de 10 mil milhões de anos após a sua formação, o Universo parece ter ainda muito por contar. Uma nova investigação, levada a cabo pelo Nobel da Física Adam Riess, concluiu que o Cosmos não só é mais novo do que os cientistas imaginavam, como também se expande 9% mais rápido do que apontavam cálculos anteriores baseados no rescaldo do Big Bang.

A nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Astrophysical Journal, recorreu a novas medições do Telescópio Espacial Hubble para calcular a taxa de expansão do Universo que há décadas intriga cientistas.

Riess, astrónomo da Universidade de Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e vencedor do Nobel da Física em 2011, acredita que a discrepância observada relativamente aos dados anteriores não é um mero acidente científico, defendendo que pode ser necessária uma “nova Física” para compreender a velocidade de expansão do Universo.

“Este descompasso tem vindo a crescer e agora atingiu um ponto no qual é realmente impossível descartá-lo como um acaso. Esta disparidade não poderia ocorrer de forma plausível por mero acaso”, explicou Riess, que liderou o projecto, em comunicado.

Para esta investigação, Riess e a sua equipa (SH0ES) analisaram a luz de 70 estrelas na galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães, recorrendo a um novo método que permitiu capturar imagens rápidas destas estrelas. As estrelas em causa – chamadas de variáveis ​​Cefeidas – iluminam-se e perdem intensidade no seu brilho em taxas previsíveis que são comummente utilizadas para medir distâncias intergalácticas próximas.

Apesar de comum, este método é extremamente lento: o telescópio Hubble só consegue observar uma estrela a cada órbita de 90 minutos em torno da Terra. Recorrendo ao novo método, a que a equipa chamou de DASH, os cientistas usaram a câmara como uma ferramenta de “apontar e disparar” para observar as Cefeidas, permitindo realizar observações a uma dúzia de estrelas em simultâneo.

A partir destes dados, Riess e a sua equipa conseguiram fortalecer a base da “escada” de distância cósmica, que é utilizada para determinar distâncias no Universo, e calcular a constante de Hubble – valor que mede a velocidade com que o Cosmos se expande. O seu inverso, chamado o “tempo de Hubble”, corresponde ao tempo volvido desde o Big Bang, ou seja, corresponde à idade do Universo.

Recolhidos os dados, a equipa comparo-os depois com outras observações realizadas pelo Projecto Araucaria, que reúne astrónomos da Europa, Chile e Estados Unidos.

À medida que as medições se tornaram mais precisas, o cálculo da constante de Hubble manteve-se em desequilíbrio com o valor esperado derivado das observações da expansão do Universo primordial pelo satélite Planck da Agência Espacial Europeia (ESA).

De acordo com o recente estudo, o valor da constante de Hubble é de 74,03 quilómetros por segundo por megaparsec. Por isso, os cientistas deduziram a partir deste número que o Universo expande-se actualmente 9% mais rápido do que o que foi observado pelo telescópio Planck no Universo primordial, que calcou o valor de 67,4 quilómetros por segundo por megaparsec para a mesma constante.

“Não se trata apenas de dois procedimentos experimentais em desacordo”, sustentou Riess. “Estamos a medir algo fundamentalmente diferente. Um [procedimento] mede a rapidez com que o Universo se está a expandir hoje, tal como o vemos. O outro é uma previsão baseada na Física do Universo primitivo e nas medidas que mostram o quão rápido o Cosmos se devem expandir”, explicou.

“Se estes valores não estão de acordo, há uma grande probabilidade de nos estar a falar algo no Modelo Cosmológico que liga as duas coisas”, defendeu o astrónomo.

Partindo também dos dados do Hubble, o astrónomo calculou que o Universo tem entre 12,5 mil milhões e 13 mil milhões de anos – o “velho” Cosmos é, na verdade, mais jovem do que apontavam as estimativas anteriores (13,6 e 13,8 mil milhões de anos).

Riess não sabe explicar por que motivo se dá esta discrepância nos valores, mas vai continuar com o projecto SH0ES para refinar a constante de Hubble, visando reduzir a sua incerteza para 1%. Desde o final da década de 90, importa frisar, este valor foi sendo ajustado por diversas vezes: a taxa de incerteza era de 10% em 2010, passando para 5% em 2009 e ficando agora em 1,9% no estudo recém-publicado.

O Nobel da Física, que até aponta o dedo à misteriosa energia escura como um dos factores que pode acelerar a expansão do Universo, acredita que começa a tornar-se inevitável encontrar “algo novo” para explicar a discrepância de valores – uma “nova Física” pode estar no horizonte. “A tensão do Hubble entre o Universo primordial e o Universo tardio pode ser o desenvolvimento mais excitante da Cosmologia em décadas”, rematou.

SA, ZAP //

Por SA
30 Abril, 2019

 

1907: NASA realiza exercícios “apocalípticos” para preparar um possível impacto na Terra

(CC0/PD) Bibbi228 / pixabay

A NASA está a levar a cabo uma série de “exercícios de mesa” durante a Conferência de Defesa Planetária, que está a decorrer desde esta segunda-feira e que se estende até 3 de maio no estado norte-americano de Maryland.

O encontro, que conta com a participação de agências federais dos Estados Unidos, organizações internacionais e vários especialistas, visa traçar um plano de defesa face a um possível impacto de asteróides ou cometas na Terra.

Tal como explicou a agência espacial norte-americana, os trabalhos realizados durante a conferência vão lidar com um cenário fictício de um impacto de um Near Earth Objects (NEO), desenvolvido pelo NEO Study Center do Laboratório de Propulsão (JPL) da NASA.

Os cientistas trabalham com a hipótese de um suposto asteróide, (falsamente) descoberto a 26 de Março, qualificado como potencialmente perigoso para a Terra.

“Os participantes discutirão missões de reconhecimento e possível deflexão, bem como formas de mitigar os efeitos do impacto caso o plano de deflexão não seja capaz de evitar a crise”, explicou Lindley Johnson, do departamento de Defesa Planetária da NASA, citada em comunicado. “Este exercício vai ajudar-nos a desenvolver comunicações mais efectivas entre nós e com os nossos Governos”, completou.

Num tweet publicado nesta segunda-feira, a NASA recorda que, à semelhança dos treinamentos e dos simulacros estudados para terramotos, incêndios e tornados, este é momento para saber o que fazer face a uma hipotética queda de um asteróide na Terra.

“Gostaríamos de estar preparados. Enquanto a Terra está a salvo de todos os asteróides conhecidos, esta semana estamos a reunir os nosso parceiros para praticar o que teremos que fazer numa situação diferente”, pode ler-se na mesma publicação.

✅Fire drill

✅Earthquake drill

✅Tornado drill

🔲Asteroid drill We like to be prepared. While Earth is safe from all known asteroids, this week we’re joining our partners to practice what to do if in a different situation. Follow this :

NASA @NASA

We like to be prepared. While Earth is safe from all known asteroids, this week we’re joining our partners to practice what to do if in a different situation. Follow this #ExerciseOnly: https://go.nasa.gov/2GHURIe 

Outro dos cenários que será analisado pelos especialistas que participam no encontro é a possível ameaça de um cometa, detectado a 4 de Abril, que poderia impactar a Terra a 28 de Fevereiro de 2021. À semelhança do asteróide, importa frisar, também este cometa foi “inventado” como o propósito de servir de mote para os exercícios de preparação.

Este tipo de exercícios, que fazem parte de um plano desenvolvido já há seis anos e que em 2018 foi publicado pela Casa Branca, é frequentemente utilizado para planear a gestão de possíveis desastres, bem como para ajudar a informar as partes envolvidas. No fundo, o projecto visa antecipar um potencial evento “apocalíptico”, tendo como principal objectivo accionar uma resposta planeada de forma a mitigá-lo ou minimizá-lo.

Além da NASA e do Departamento de Coordenação de Defesa Planetária, participam também neste evento representantes dos Departamentos de Estado e Defesa dos Estados Unidos, a Rede Internacional de Alerta de Asteróides, entre outros organismos como a Agência Federal de Gestão de Emergências nos Estados Unidos (FEMA).

“A NASA e a FEMA vão continuar a realizar exercícios periódicos com uma comunidade cada vez maior de agências do Governo dos Estados Unidos e parceiros internacionais”, apontou Johnson. Estes exercícios “são uma óptima forma de aprendermos a trabalhar juntos e atender às necessidades de todos, bem como aos objectivos estabelecidos no Plano de Acção Nacional de Preparação para possíveis NEOs da Casa Branca, rematou.

ZAP //

Por ZAP
30 Abril, 2019

 

1906: Impressão de pele de dinossauro encontrada perfeitamente preservada. É única no mundo

CIÊNCIA

philjrenaud / Flickr

Várias pegadas de dinossauro com uma precisão sem precedentes foram identificadas por uma equipa de cientistas numa camada de uma rocha extraída na cidade de Jinju, na Coreia do Sul. 

No total são cinco impressões, quatro das quais foram atribuídas com certeza a um mesmo animal bípede que atravessou a lama húmida daquela região há milhões de anos. A equipa de geólogos internacionais considerou que o autor das pegadas foi um dinossauro nomeado como Minisauripus, que terá sido o menor terópode até então conhecido.

Em comunicado, Martin Lockley, professor da Universidade do Colorado em Denver, nos Estados Unidos, explicou que estas são as primeiras amostras já encontradas “onde as impressões perfeitas da pele cobrem toda a superfície de cada pegada”. As impressões representam a “maior resolução de detalhes já registada para qualquer impressão de pele de dinossauro”, observaram os cientistas.

“As pegadas formaram-se numa camada muito subtil de lama fina“, sustentou o especialista norte-americano, comparando estas impressões a  “uma camada de tinta fresca de apenas um milímetro de espessura. Quando o pequeno dinossauro – com o tamanho de um melro – pisou aquela superfície firme e pegajosa, sem escorregar, a textura da pele da planta do seu pé ficou registada em detalhe, completou.

As impressões foram descobertas durante uma escavação de grande escala liderada pelo cientista coreano Kyung Soo Kim, responsável pela prospecção paleontológica da local. Mias tarde, juntou-se à equipa de investigação. Soo Kim viu a primeira marca numa pedra partida e parou de imediato os trabalhos até recuperar todas as impressões.

Gizmodo @Gizmodo

Intricate skin impressions still visible on ‘exquisitely preserved’ dinosaur footprints http://gizmo.do/hXVrfF1 

1905: A Lua lança para o Espaço 200 toneladas de água por ano (e a culpa é dos meteoritos)

Marshall Space Flight Center / NASA

A Lua dispõe de importantes reservas de água, mas isso já se sabe há vários anos. Há água congelada em forma de gelo puro no fundo das crateras que jamais receberão a luz do sol, mas também misturada, em menor quantidade, com a poeira e as rochas da superfície lunar.

Agora, um novo estudo publicado na revista Nature Goscience, acaba de revelar que o satélite aparentemente seco está a perder essa água – e a um ritmo considerável: cerca de 200 toneladas por ano. A culpa é dos meteoritos que caem quase continuamente no nosso satélite.

Segundo os cientistas planetários Mehdi Benna, Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, e Dana Hurley, Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, o impacto de pequenos meteoritos impulsionam, frequentemente, poeira e água na atmosfera escura do nosso satélite.

Os investigadores conseguiram detectar com os instrumentos da sonda Lunar Atmosphere e a Dust Environment Explorer da NASA até 29 lançamentos de água entre Outubro de 2013 e Abril de 2014 – e justamente no momento em que a Lua passou por chuvas de meteoros. Segundo os cientistas, quanto mais forte a corrente de meteoro, mais partículas são libertadas no espaço da Lua.

“A Lua é atingida por minúsculas partículas de poeira todos os dias”, explica Dana Hurley, “e ocasionalmente voa através de correntes de meteoros, e o bombardeio torna-se mais intenso”. De facto, as maiores detecções de água na atmosfera lunar foram detectadas precisamente ao mesmo tempo em que a Lua passou por estas correntes. “Isso fez pensar-nos que estávamos a testemunhar a libertação da água lunar pelos meteoros.”

No artigo, conta a ABC, os investigadores explicam que a quantidade de água detectada pelos sensores da sonda era alta demais para vir dos próprios meteoros. Em vez disso, propõem que a maior parte da água foi provavelmente separada dos grãos do solo lunar perto dos locais de impacto.

De acordo com os cálculos de Hurley, durante um ano, os meteoritos podem libertar cerca de 300 toneladas de água do solo da Lua. Cerca de um terço da água cai em algum outro lugar no satélite. Mas o resto – cerca de 200 toneladas por ano – fica perdido eternamente no espaço.

As análises realizadas mostram que a água lunar está escondida sob uma camada de aproximadamente oito centímetros de solo completamente seco. O foco, no entanto, é apenas 0,05%, de modo que o subsolo “molhado” nunca poderia tornar-se um terreno fértil. Apesar de conter água, o solo é mais seco do que deserto mais seco na Terra.

Os investigadores acreditam que a água poderia vir do impacto de um cometa gelado há centenas de milhões de anos e que, agora, tudo está a ser perdido por causa dos meteoritos. No entanto, a presença na superfície poderia permitir que, a partir de 2024, toda a água possa ser extraída para consumo humano, bem como para combustível.

ZAP //

Por ZAP
29 Abril, 2019

 

1904: Metabolismo artificial. Cientistas criam máquinas que “comem” e evoluem como organismos vivos

CIÊNCIA

Depois da Inteligência Artificial, estaremos a um passo do metabolismo artificial? Uma equipa de cientistas desenvolveu um novo bio-material que é capaz de replicar algumas das propriedades que associamos a seres vivos.

Num mundo onde máquinas e robôs estão a desenvolver-se a passos largos, a linha entre organismos vivos e coisas artificiais acaba de ficar mais ténue. Uma equipa de investigadores da Universidade de Cornell, em Nova Iorque, acaba de desenvolver um novo bio-material que, apesar de não ter vida, é capaz de replicar algumas propriedades que associamos a organismos vivos.

De acordo com o Cornell Chronicle, a equipa criou máquinas orgânicas que se movem sozinhas, consumindo recursos para obtenção de energia. Além disso, estas máquinas crescem, mudam e, eventualmente, morrem – tal como um ser vivo.

Os cientistas criaram um conjunto de materiais dinâmicos à base de ADN, o polímero responsável por todos os aspectos da vida, que tem um metabolismo artificial e capacidades de se formar e de se organizar sozinhos – três componentes-chave dos seres vivos.

Dan Luo, professor de engenharia biológica e ambiental da Universidade de Cornell, explicou que este é um “novo tipo de bio-material com o seu próprio metabolismo artificial”. “Não estamos a fazer algo que tem vida, mas sim a criar materiais que têm mais vida do que os que já foram vistos antes”, sintetizou.

No artigo científico, publicado no dia 10 de Abril na Science Robotics, os cientistas explicam que usaram a tecnologia a que chamaram DASH (DNA-based Assembly and Synthesis of Hierarchical) para conseguir que estas máquinas desenvolvessem metabolismo e a capacidade de se auto-compor e organizar.

Apesar de esta criação parecer muito algo que está vivo, os cientistas realçam que estão a “introduzir um novo conceito de matéria natural, alimentado pelo próprio metabolismo artificial”.

Este trabalho é um grande avanço e uma promessa para o futuro no que diz respeito à criação de robôs avançados. Os cientistas acreditam que poderá ser possível, um dia, tirar um robô de uma embalagem, colocá-lo dois minutos do micro-ondas et voilá: vê-lo crescer e formar-se à nossa frente.

Apesar de parecer uma cena retirada de um filme de ficção científica, esta realidade pode não ser assim tão distante, uma vez que os organismos semi-artificiais-semi-naturais desenvolvidos em Cornell conseguem andar, consumir recursos para gerir energia, crescer, acabando por enfraquecer e eventualmente morrer.

ZAP //

Por ZAP
29 Abril, 2019

 

1903: Bolhas de areia. Cientistas encontram explicação física para deslizamentos de terra e vulcões

CIÊNCIA

Boaworm / Wikimedia Commons

Uma equipa de cientistas descobriu como dois tipos de areia se comportam como líquidos, o que permite uma melhor compreensão sobre processos geológicos, como deslizamentos de terra e vulcões.

Pela primeira vez, engenheiros demonstraram como “bolhas” de grãos mais leves se podem formar na areia, assim como noutros fluidos, apesar de os materiais granulares terem tendência a misturar-se.

Apesar de os grãos de areia individuais serem sólidos, quando os juntamos têm tendência a comportarem-se como um fluido. É fácil entendermos esta informação se pensarmos em dunas de areia a desmoronarem-se ou areia a fluir dentro de uma ampulheta. Estes são os chamados materiais granulares.

De que forma estes materiais granulares fluem era, até agora, um mistério. Na dinâmica de fluidos, existe um mecanismo de instabilidade chamado Rayleigh-Taylor (RT), que acontece quando um fluido de baixa densidade empurra outro de alta densidade. Mas nada semelhante tinha sido observado num material granular.

“Achamos que a nossa descoberta é transformadora”, afirmou o engenheiro químico Chris Boyce, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

“Encontramos um análogo granular de uma das últimas grandes instabilidades mecânicas dos fluidos. Enquanto os análogos de outras grandes instabilidades foram descobertos em fluxos granulares nas últimas décadas, a instabilidade RT escapou à comparação directa”, acrescentou, citado pelo Science Alert.

A equipa descobriu que tanto a vibração quanto o fluxo ascendente de gás através de um material granular podem produzir um processo muito semelhante à instabilidade RT. Este estudo é o primeiro a demonstrar que as “bolhas” de areia mais leve se formam e sobem através da areia mais pesada, quando os dois tipos de areia estão sujeitos à tal vibração vertical ou ao fluxo de gás.

Na prática, da mesma forma que as bolhas de ar e de óleo se elevam na água porque são mais leves e não se misturam com a água, as bolhas de areia leve elevam-se através da areia mais pesada.

Através de modelos experimentais computacionais, os cientistas chegaram à conclusão que os aglomerados de grãos maiores e mais leves permitem que o gás (que, neste caso, é o ar) flua mais facilmente do que os grãos menores e mais pesados. Este processo aumenta a tensão entre a força de arrasto ascendente criada pelo fluxo de gás e as forças de contacto que “empurram” para baixo, criando uma instabilidade semelhante à RT.

De acordo com os cientistas, esta recente descoberta, cujo artigo científico foi publicado na PNAS, pode explicar as formações geológicas e os processos subjacentes aos depósitos minerais e pode ser usada em tecnologias de processamento de poeira nas indústrias de energia, construções e produtos farmacêuticos.

A equipa está especialmente empolgada com o impacto potencial das descobertas nas ciências geológicas, já que as tais instabilidades podem ajudar os cientistas a entender como se formaram as estruturas ao longo da História e prever como se poderão formar no futuro.

ZAP //

Por ZAP
29 Abril, 2019

 

1902: Vídeo mostra como é realmente difícil andar na Terra após 6 meses no Espaço

CIÊNCIA

(dr) Roscosmos

Drew Feustel conseguiu concretizar um sonho que muitos nunca terão oportunidade de realizar: ir ao Espaço. Mas, quando voltou, deparou-se com um verdadeiro desafio: caminhar.

O astronauta Drew Feustel passou 197 dias no Espaço – pouco mais de meio ano – a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI). Apesar de ser um sonho tornado realidade, a verdade é que os humanos não foram feitos para flutuar sem peso e passar tanto tempo em micro-gravidade.

Quando os nossos corpos não estão numa constante luta contra a força da gravidade, algo estranho pode acontecer. Os músculos podem atrofiar e podemos ainda perder muita densidade óssea.

Além disso, quando os astronautas retornam à Terra, o retorno à gravidade pode produzir uma vertigem muito severa à medida que o sentido de equilíbrio se reajusta.

Por esse motivo, movimentar é um desafio e uma tarefa muito mais difícil do que o que esperavam. Feustel publicou um vídeo no Twitter, em Dezembro do ano passado, que mostra essa dificuldade. O astronauta tropeça quando tenta andar apenas alguns passos em linha recta.

A Estação  Espacial, ciente desse obstáculo, está actualmente equipada com um número vasto de equipamentos para dar aos astronautas um treino de corpo inteiro. Os astronautas gastam, em média, duas horas por dia a treinar.

Esta solução foi concebida para mitigar a atrofia. No entanto, mesmo com o programa de exercícios actualmente em vigor, são necessários, pelo menos, três a quatro anos para que um astronauta recupere totalmente após um período de seis meses no Espaço.

Este é apenas um dos muitos desafios que os cientistas precisam de resolver para uma possível viagem a Marte. Quanto mais tempo de estadia, maior a perda de densidade óssea – a viagem ao Planeta Vermelho implica, pelo menos, seis meses em cada sentido.

De Março de 2015 a Março de 2016, os astronautas Scott Kelly da NASA e Mikhail Korniyenko de Roscosmos passaram 342 dias no Espaço para descobrirem mais sobre os efeitos na saúde de uma longa missão espacial. Como era de esperar, voltaram com o equilíbrio muito instável e um enorme desafio pela frente.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
28 Abril, 2019

 

1901: O aquecimento global está a tornar o planeta mais desigual

CIÊNCIA

Tim J Keegan / Flickr

O aquecimento global agravou as desigualdades económicas desde a década de 60 do século XX, favorecendo os países mais frios, indica um estudo da Universidade de Stanford, Estados Unidos, divulgado nesta segunda-feira.

As mudanças causadas pela concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera da Terra enriqueceram países como a Noruega ou a Suécia mas reduziram o crescimento económico de outros como a Índia ou a Nigéria, diz o estudo, publicado na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

“Os nossos resultados mostram que a maioria dos países mais pobres da Terra é consideravelmente mais pobre do que seria sem o aquecimento global“, disse o cientista Noah Diffenbaugh, especialista em clima e principal autor do estudo. Ao mesmo tempo, acrescentou, dando conta que “a maioria dos países ricos é mais rica do que teria sido” sem alterações climáticas.

O estudo, em co-autoria com Marshall Burke, professor em Stanford, indica que entre 1961 e 2010 o aquecimento global diminuiu a riqueza por pessoa nos países mais pobres do mundo num valor entre 17% e 30%. Em simultâneo, a diferença entre os países mais ricos e mais pobres é agora 25% superior ao que seria sem alterações climáticas, conclui.

Embora a desigualdade económica entre países tenha diminuído nas últimas décadas, a investigação sugere que a diferença teria diminuído mais rapidamente se não existisse o aquecimento global.

O trabalho baseia-se em investigações anteriores em que os autores analisaram 50 anos de temperaturas anuais e o Produto Interno Bruto (PIB) de 165 países. E os responsáveis demonstraram que o crescimento durante os anos mais quentes do que a média acelerou nos países frios e desacelerou nos países quentes.

“Os dados históricos mostram claramente que as culturas são mais produtivas, as pessoas são mais saudáveis e somos mais produtivos no trabalho quando as temperaturas não são nem muito quentes nem muito frias. Isso significa que em países frios um pouco de aquecimento pode ajudar. O contrário é verdadeiro em países que já são quentes”, disse Marshall Burke, citado em comunicado.

Nas palavras do responsável os países tropicais tendem a ter temperaturas muito aquém do ideal para o crescimento económico. Os países nas latitudes médias, como Portugal, os impactos económicos das alterações climáticas têm um peso negativo de 10%.

Os cientistas frisam ainda a importância de aumentar o acesso à energia sustentável para que o desenvolvimento económico dos países mais pobres. “Quanto mais estes países aquecerem, maior será a resistência ao seu desenvolvimento”, concluiu.

ZAP // Lusa

Por ZAP
28 Abril, 2019

 

1900: Golfinhos fluviais comunicam através de 237 sons diferentes

CIÊNCIA

Rio Cicica / Wikimedia

Uma equipa de cientistas descobriu que o boto (golfinho) cor-de-rosa produz uma variedade surpreendente de sons, uma pista importante para a nossa compreensão de como e por que os golfinhos evoluíram a capacidade de comunicação.

Os golfinhos fluviais uruguaios, também conhecidos como botos, foram identificados pela primeira vez em 2014. Estes animais vivem exclusivamente nas bacias dos rios Amazonas, Orinoco e Tocantins, na América do Sul, onde usam seus longos bicos para caçar peixes.

Estes golfinhos são considerados por muitos como relíquias evolutivas, tendo divergido de outros cetáceos mais cedo do que outros golfinhos. Pelo facto de ocuparem uma posição única na árvore genealógica dos cetáceos, os cientistas entusiasmam-se a estudar estes animais para melhor entender os ancestrais dos golfinhos.

Ao contrário dos golfinhos marinhos, estes botos não fazem barulho quando vêm à tona. Segundo o Gizmodo, tendem a ser animais solitários que vivem em pequenos grupos sociais.

Não se sabe muito sobre a sua capacidade de criar sons ou de se comunicar, mas investigações anteriores sugerem que estes animais podem fazer sons como assobios.

Os cientistas acreditavam que os botos da região amazónica tinham um perfil marcadamente solitário, mas um estudo recente mostrou que os animais interagem bastante uns com os outros e têm, inclusivamente, um repertório diverso. Ao todo, foram identificados 237 sons diferentes.

“Foi uma grande surpresa quando descobrimos mais de 200 tipos de som. Os nossos resultados indicam que há mais para descobrir”, afirmou Gabriel Melo-Santos, principal autor do estudo da Universidade de St. Andrews, na Escócia. “Descobrimos que os sons mais comummente produzidos parecem desempenhar um papel importante na comunicação entre mãe e filho“.

Para esta investigação, os cientistas usaram câmaras e microfones subaquáticos. Com mais de 20 horas de gravação e mais de 200 sons identificados, os investigadores acreditam que ainda há muito por descobrir.

“Os sons emitidos pelos botos podem ajudar-nos a entender como se deu a evolução da comunicação sonora nos cetáceos. Além disso, precisamos de saber como acontece o sistema de comunicação dos botos para entender como podem ser afectados por actividades humanas (como o tráfego de embarcações, por exemplo)”, realça Melo-Santos.

A equipa descobriu que os sons emitidos pelos botos são diferentes dos assobios produzido pelos golfinhos. Além disso, os botos fazem assobios mais longos e menos frequentes. Há indícios de que, nesta espécie, os assobios são usados para afastar outros grupos, e não para a comunicação entre eles, como acontece nos golfinhos.

Os sons produzidos pelos botos encaixam-se numa frequência entre os sons de baixa frequência emitidos por baleias e os de alta frequência emitidos por golfinhos. Laura May Collado, bióloga da Universidade de Vermont, acredita que isso acontece por causa do habitat dos botos.

“Há muitos obstáculos, como florestas inundadas e vegetação. Este sinal pode ter evoluído para evitar ecos da vegetação e melhorar o alcance de comunicação entre as mães e os seus filhotes”, explica a investigadora, que também participou neste estudo.

O artigo científico, publicado recentemente na Peer J, indica que os sons usados para a comunicação entre cetáceos podem ter aparecido muito antes do que se pensava e para uma comunicação muito semelhante à dos mamíferos.

“Assim como a de algumas espécies de golfinhos marinhos (orcas, baleias piloto, entre outros), os botos emitem sons com voz dupla, por exemplo. Para orcas, baleias piloto e outras espécies, esses sons podem indicar a identidade de um grupo social. Fenómenos não-lineares, como a bifonação (voz dupla) e a presença de sub-harmónicos, estão presentes em várias espécies de mamíferos terrestres“, sustenta Melo-Santos.

Alguns destes sons estão, aliás, muito presentes no nosso quotidiano, como o choro de um bebé ou o latido de um cão. Em diferentes espécies, os sons podem indicar o estado emocional e a identidade individual.

ZAP //

Por ZAP
28 Abril, 2019

 

1899: Why Does the Earth Rotate?

Credit: Shutterstock

This story was updated at 9:40 a.m. E.D.T. on Monday, Sept. 10.

Every day, the Earth spins once around its axis, making sunrises and sunsets a daily feature of life on the planet. It has done so since it formed 4.6 billion years ago, and it will continue to do so until the world ends — likely when the sun swells into a red giant star and swallows the planet. But why does it rotate at all?

The Earth formed out of a disk of gas and dust that swirled around the newborn sun. In this spinning disk, bits of dust and rock stuck together to form the Earth, according to Space.com, a sister site of Live Science. As it grew, space rocks continued colliding with the nascent planet, exerting forces that sent it spinning, explained Smadar Naoz, an astrophysicist at the University of California, Los Angeles. Because all the debris in the early solar system was rotating around the sun in roughly the same direction, the collisions also spun the Earth — and most everything else in the solar system — in that direction. [Photo Timeline How the Earth Formed]

But why was the solar system spinning in the first place? The sun, and the solar system, formed when a cloud of dust and gas collapsed due to its own weight. Most of the gas condensed to become the sun, while the remaining material went into the surrounding, planet-forming disk. Before it collapsed, the gas molecules and dust particles were moving all over the place, but at a certain point, some gas and dust happened to shift a bit more in one particular direction, setting its spin in motion. When the gas cloud then collapsed, the cloud’s rotation sped up — just as figure skaters spin faster when they tuck their arms and legs in.

Because there isn’t much in space to slow things down, once something starts rotating, it usually keeps going. The rotating baby solar system in this case had lots of what’s called angular momentum, a quantity that describes the object’s tendency to keep spinning. As a result, all the planets likely spun in the same direction when the solar system formed.

Today, however, some planets have put their own spin on their motion. Venus rotates in the opposite direction as Earth, and Uranus’ spin axis is inclined 90 degrees. Scientists aren’t sure how these planets got this way, but they have some ideas. For Venus, maybe a collision caused its rotation to flip. Or maybe it began rotating just like the other planets. Over time, the sun’s gravitational tug on Venus’ thick clouds, combined with friction between the planet’s core and mantle, caused the spin to flip. A 2001 study published in Nature suggested that gravitational interactions with the sun and other factors might have caused Venus’ spin to slow down and reverse.

In the case of Uranus, scientists have suggested that collisions — one huge crash with a big rock or maybe a one-two punchwith two different objects — knocked it off kilter, Scientific American reported.

Despite these kinds of disturbances, everything in space rotates in one direction or another. “Rotating is a fundamental behavior of objects in the universe,” Naoz said.

Asteroids rotate. Stars rotate. Galaxies rotate (it takes 230 million years for the solar system to complete one circuit around the Milky Way, according to NASA). Some of the fastest things in the universe are dense, whirling objects called pulsars, which are the corpses of massive stars. Some pulsars, which have a diameter about the size of a city, can spin hundreds of times per second. The fastest one, announced in Science in 2006 and dubbed Terzan 5ad, rotates 716 times per second.

Black holes can be even faster. One, called GRS 1915+105, may be spinning anywhere between 920 and 1,150 times per second, a 2006 study in the Astrophysical Journal found.

But things slow down, too. When the sun formed, it spun once around its axis every four days, Naoz said. But today, it takes about 25 days for the sun to spin once, she said. Its magnetic field interacts with the solar wind to slow its rotation, Naoz said.

Even Earth’s rotation decelerates. Gravity from the moon pulls on Earth in a way that ever so slightly slows it down. A 2016 analysis in the journal Proceedings of the Royal Society A of ancient eclipses showed that Earth’s rotation slowed by 1.78 milliseconds over a century.

So, while the sun will rise tomorrow, it just may be a tad late.

Originally published on Live Science.

Editor’s Note: This story was updated to remove an incorrect calculation. Earth’s rotation did not slow down by 6 hours over the last 2,740 years.

By Marcus Woo, Live Science Contributor
August 26, 2018 07:02am ET

 

1898: China vai lançar satélite português “Infante” em 2021

(dr) Ilustração do satélite Infante

A China vai lançar para o Espaço o satélite português “Infante”, com data prevista para 2021, no quadro da sua participação no laboratório tecnológico STARlab, uma parceria luso-chinesa.

Em declarações à Lusa, o presidente da empresa aeroespacial portuguesa Tekever, Ricardo Mendes, adiantou que o envolvimento da China no satélite “Infante” passa pelo seu lançamento e pelo desenvolvimento de alguns sensores.

A colaboração da China na construção e no lançamento do satélite de observação da Terra, “totalmente português“, é feita ao abrigo do STARlab, que resulta de uma parceria entre entidades públicas e privadas portuguesas e chinesas.

A Tekever é um dos parceiros e lidera o consórcio de empresas e universidades responsável pelo desenvolvimento do satélite “Infante”, que irá recolher dados marítimos e da superfície terrestre.

Ricardo Mendes espera que o “Infante”, que tem um custo de cerca de 10 milhões de euros, co-financiado por fundos europeus, possa ser a antecâmara para o fabrico de novos satélites em Portugal.

Em Outubro, o Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ), que faz parte do consórcio de construção do satélite, anunciou que o “Infante” será o precursor de outros satélites a lançar até 2025 para observação da Terra e comunicações, com foco em aplicações marítimas. Direccionado para a produção de pequenos satélites e a observação dos oceanos, o STARlab está em fase de instalação em Portugal.

Para breve, disse o presidente da Tekever, sem precisar prazos, está a criação de um pólo de investigação em Matosinhos, no CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, outro dos parceiros portugueses e que tem projectos na área da vigilância marítima e exploração do mar profundo.

O anunciado pólo de Peniche do laboratório transitou para as Caldas da Rainha, onde a Tekever tem instalações, adiantou Ricardo Mendes, acrescentando que o STARlab será constituído como uma associação sem fins lucrativos, entre os parceiros públicos chineses e os privados portugueses.

Em Novembro, em declarações à Lusa, o ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, afirmou que o STARlab estaria a funcionar em pleno em Março deste ano e teria dois pólos em Portugal, um em Matosinhos e outro em Peniche.

Para Ricardo Mendes, o que tem demorado mais tempo é a harmonização entre a legislação portuguesa e a chinesa para formalizar a constituição do laboratório.

O STARlab vai candidatar-se a fontes de financiamento nacional, comunitário e chinês, estimando investir, em cinco anos, 50 milhões de euros, montante repartido em partes iguais entre Portugal e China, país que tem crescido no sector da construção e do lançamento de micros-satélites.

O laboratório luso-chinês está também envolvido em projectos de robótica subaquática (veículos e sensores) e na produção e no lançamento de uma constelação de pequenos satélites para validar “tecnologias de posicionamento” de satélites no espaço.

O STARlab resulta da colaboração entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia, a Tekever, o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, do lado português, e a Academia de Ciências Chinesa, através dos institutos de micros-satélites e de oceanografia.

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, o laboratório deverá incentivar a abertura de centros científicos e tecnológicos em Portugal e na China, neste caso em Xangai.

ZAP // Lusa

Por Lusa
27 Abril, 2019