Cientistas descobrem “Rei da Antárctida”, fóssil de parente precoce dos dinossauros

Tinha o tamanho de uma iguana, provavelmente era carnívoro, e viveu na Antártida há 250 milhões de anos

O “Antarctanax Shackletoni”
© Adrienne Stroup, Field Museum

Um parente precoce dos dinossauros, do tamanho de uma iguana, viveu na Antárctida há 250 milhões de anos, segundo cientistas norte-americanos citados hoje na publicação científica Journal of Vertebrate Paleontology (Boletim de Paleontologia de Vertebrados).

Nessa altura o que é hoje a Antárctida estava coberto de florestas e tinha temperaturas amenas, abrigando animais selvagens como o réptil agora descoberto, a cujo fóssil foi dado o nome de “Rei da Antárctida”.

“Este novo animal era um arcossauro, um antepassado primitivo de crocodilos e dinossauros”, disse Brandon Peecook, um investigador do museu Field de História Natural, em Chicago, Estados Unidos.

Segundo o responsável, principal autor do artigo em que é descrita a descoberta, a nova espécie era parecida com um lagarto, mas evolutivamente foi um dos primeiros membros desse grande grupo. “Ele explica como é que os dinossauros e os seus parentes mais próximos evoluíram e se disseminaram”, disse.

O esqueleto fossilizado foi encontrado incompleto, mas os paleontólogos dizem ter ainda assim uma ideia aproximada do animal, classificado como “Antarctanax Shackletoni”, com a primeira palavra a traduzir-se por “Rei da Antárctida” e a segunda sendo uma homenagem ao explorador Ernest Shackleton, um britânico que viveu no início do século XX e que liderou três expedições à Antárctida.

Com base nas semelhanças com outros fósseis, Peecook e outros autores do artigo dizem que provavelmente o “Antarctanax Shackletoni” era um carnívoro, que caçava insectos, mamíferos e anfíbios.

“Pensávamos que os animais da Antárctida seriam similares aos que viviam no sul de África, já que as duas massas de terra estavam juntas nessa altura. Mas descobrimos que a vida selvagem da Antárctida é surpreendentemente única”, disse Peecook.

Dizem os autores do artigo que cerca de dois milhões de anos antes do “Antarctanax” viver a Terra teve a maior extinção em massa de todos os tempos, causada por alterações climáticas devido a erupções vulcânicas. Cerca de 90% da vida animal foi morta.

O período seguinte foi de descontrolo evolutivo, com novos grupos a competirem para preencher os espaços deixados livres pela extinção em massa. Os arcossauros foram um desses grupos que tiveram um grande crescimento.

Segundo Peecook, antes da extinção os arcossauros só eram encontrados junto do equador e depois estavam “por todo o lado”. Na Antárctida havia, disse, uma combinação de novos animais e de outros que já estavam extintos em toda a parte mas que sobreviviam ali.

O facto de os cientistas terem encontrado o “Antarctanax Shackletoni” ajuda a reforçar a ideia de que a Antárctida foi um local de rápida evolução e de diversificação, após a extinção em massa.

“Quanto mais tipos diferentes de animais encontramos mais aprendemos sobre o lugar ocupado pelos arcossauros após a extinção em massa”, disse também Peecook.

Diário de Notícias
DN/Lusa
31/01/2019

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1540: Revelado o segredo da misteriosa atmosfera de Titã, a lua de Saturno

IPGP/Labex UnivEarthS/Universidade de Paris Diderot – C. Epitalon & S. Rodriguez

Um novo estudo do Centro de Engenharia e Ciência Espacial resolve um dos maiores mistérios de Titã, a lua de Saturno: a origem da actual atmosfera de nitrogénio.

O trabalho, publicado na revista Astrophysical Journal, sugere que o interior de Titã é provavelmente quente e o nitrogénio do material orgânico no interior da lua pode contribuir em 50% para a sua atmosfera – rica em nitrogénio.

“Titã é um lua muito interessante porque tem uma atmosfera muito espessa, o que a torna única em relação às outras luas no nosso Sistema Solar”, disse Kelly Miller, investigadora no Centro de Engenharia e Ciência Espacial.

“É também o único corpo o Sistema Solar, além da Terra, que tem largas quantidades de líquido na superfície. Titã, no entanto, tem hidrocarbonetos líquidos em vez de água. Muita química orgânica, sem dúvida, está a acontecer em Titã, por isso é uma fonte inegável de curiosidade”, referiu.

A atmosfera da maior lua de Saturno é extremamente densa, ainda mais espessa que a atmosfera da Terra, e é composta principalmente de gás nitrogénio. “Como Titã é a única lua no nosso Sistema Solar com uma atmosfera substancial, os cientistas perguntam-se há muito tempo qual é a sua fonte”, disse Miller.

“A principal teoria é que o gelo de amónia dos cometas foi convertido, por impactos ou fotoquímica, em nitrogénio para formar a atmosfera de Titã. Embora isto ainda possa ser um processo importante, negligencia os efeitos do que hoje sabemos ser uma parcela substancial dos cometas: material orgânico complexo”.

Outro aspecto estranho da atmosfera de Titã é que também é cerca de 5% de metano, que reage rapidamente para formar compostos orgânicos que caem gradualmente para a superfície. Como resultado, o metano atmosférico teria de ser reabastecido de alguma forma ou, estão, este período de tempo actual é simplesmente uma era única para Titã.

O estudo foi estimulado por dados da sonda Rosetta, da ESA, uma sonda que estudou o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e fez a descoberta surpreendente de que o cometa era aproximadamente metade do gelo, um quarto de rocha e um quarto de matéria orgânica. “Cometas e corpos primitivos no Sistema Solar externo são realmente interessantes porque são considerados blocos de construção remanescentes do Sistema Solar”, disse Miller.

“Estes pequenos corpos poderiam ser incorporados em corpos maiores, como Titã, e o material rochoso denso e rico em orgânicos poderia ser encontrado no núcleo”.

Para estudar o mistério de Titã, Miller e co-autores combinaram dados existentes de material orgânico encontrado em meteoritos com modelos térmicos do interior da Lua para ver quanto material gasoso poderia ser produzido e se era comparável à atmosfera actual.

Seguindo a regra padrão de “Se cozinhar algo, produzirá gases”, os cientistas descobriram que aproximadamente metade da atmosfera de nitrogénio, e potencialmente todo o metano, poderia resultar do “cozinhado” destes compostos orgânicos que foram incorporados em Titã no início da sua vida.

ZAP // Sci News

Por ZAP
31 Janeiro, 2019

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1539: Astrónomos descobrem “embrião” de planeta no Sistema Solar

Ko Arimatsu / National Astronomical Observatory of Japan

Astrónomos no Japão encontraram um corpo celestial com 1,3 quilómetros de rádio no limite do Sistema Solar. O objeto era desconhecido à ciência até agora.

É um dos talvez mil milhões de minúsculos objectos que se prevê existirem há mais de 70 anos, mas até agora não detectados, e acredita-se que este Objecto da Cintura de Kuiper (KBO) do tamanho de um quilómetro é evidência de um estágio crucial na formação de planetas.

Os astrónomos descobriram o corpo celeste com recurso a dois pequenos telescópios de 11 polegadas no telhado de uma escola na ilha de Miyako, no sul do Japão. “É uma verdadeira vitória para projectos pequenos”, disse Ko Arimatsu, que liderou o estudo publicado na revista Nature Astronomy.

“A nossa equipa tinha menos de 0,3% do orçamento dos grandes projectos internacionais e pensámos que não tínhamos dinheiro suficiente para construir uma segunda cúpula para proteger o nosso segundo telescópio. Ainda assim conseguimos fazer uma descoberta que é impossível para os grandes projectos“.

O corpo foi encontrado além da órbita de Neptuno, na Cintura de Kuiper, uma região em forma de disco em redor do distante Sistema Solar externo que se acredita ser povoada por objectos e cometas gelados.

A importância desta descoberta reside no facto de que se acredita que este objeto represente os remanescentes da formação do Sistema Solar há cerca de 4,6 mil milhões de anos. Isto é do interesse dos astrónomos, que ainda estão a tentar entender como o Sistema Solar se originou.

Tendo fotografado o anão Plutão em 2014, a espaço-nave New Horizons da NASA acaba de fotografar a MU69 de 30 quilómetros de largura de 2014, apelidada de Ultima Thule. Este novo e muito menor objeto poderia ser um estágio inicial do processo de formação do planeta entre pequenas combinações iniciais de poeira, gelo e planetas.

O corpo foi encontrado através da ocultação, a mesma técnica usada para encontrar muitos exoplanetas em sistemas distantes. Os KBOs de um quilómetro de raio são muito pequenos, escuros e distantes para serem vistos directamente por enormes telescópios.

Por isso, os astrónomos do Observatório Astronómico Nacional do Japão decidiram usar o método de ocultação. Em vez de procurar um objeto directamente, monitorizaram um grande número de estrelas e observaram a sombra de um objeto a passar na frente de uma dessas estrelas.

A equipa colocou dois pequenos telescópios e monitorizou aproximadamente duas mil estrelas num total de 60 horas. O resultado foi uma estrela a escurecer, um evento consistente com uma estrela a ser ocultada por um KBO com um raio de 1,3 quilómetros.

A detecção de um KBO tão pequeno indica que estes objectos são mais numerosos do que se pensava anteriormente. A equipa afirma que a sua investigação apoia modelos em que os “planetesimais” (um minúsculo planeta) crescem lentamente para objectos do tamanho de quilómetros. Depois, o crescimento desenfreado faz com se fundam em planetas.

“Agora que sabemos que o nosso sistema funciona, investigaremos a Cintura de Kuiper com mais detalhe”, disse Arimatsu. “Também estamos de olho na ainda não descoberta Nuvem de Oort“.

Acredita-se que a Nuvem de Oort, uma concha esférica teorizada de objectos gelados nos confins mais distantes do Sistema Solar, é o local de onde vêm os planetesimais e os cometas.

ZAP // Forbes

Por ZAP
31 Janeiro, 2019

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