1495: Antárctida está a derreter 6 vezes mais depressa (com consequências trágicas)

ravas51 / Wikimedia

A Antárctida está a derreter a uma velocidade inesperada, de acordo com um novo estudo que concluiu que entre 2000 e 2017, a perda de gelo aumentou 280% devido ao aquecimento global e ao influxo de água morna do oceano.

Este novo estudo publicado no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences demonstra os resultados da “avaliação mais duradoura da massa de gelo antárctica remanescente”, considerando imagens aéreas e de satélite das 18 regiões da Antárctida, incluindo 176 bacias e algumas ilhas vizinhas, para analisar como mudaram ao longo das últimas quatro décadas, como destaca o comunicado dos autores da pesquisa.

A equipa internacional de cientistas das Universidades da Califórnia em Irvine (UCI), nos EUA, do Laboratório de Propulsão da NASA e da Universidade de Utrecht, na Holanda, concluiu que a Antárctida perdeu cerca de 40 mil milhões de toneladas de gelo por ano entre 1970 e 1990.

Mas entre 2000 e 2017, esse número aumentou para os 252 mil milhões de toneladas. Uma subida assinalável e preocupante de 280% que está intimamente relacionada com o aquecimento global e com um influxo de água morna do oceano, notam os autores do estudo.

Os cientistas frisam que a Antárctida está a perder seis vezes mais gelo do que há quatro décadas, o que constitui um sinal de alarme.

Esta perda de gelo levou a um aumento do nível do mar de 1,27 centímetros entre 1970 e 2017. Mas “é apenas a ponta do icebergue”, como destaca o investigador que liderou o estudo, Eric Rignot, professor na UCI.

“À medida que o manto de gelo da Antárctida continua a derreter, esperamos uma elevação do nível do mar de vários metros nos próximos Séculos”, alerta Rignot.

Calor nos oceanos atingiu valor mais alto de sempre

O aquecimento dos oceanos a ritmos inesperados, devido às alterações climáticas, também contribui para o aumento do nível do mar, bem como para o derretimento do gelo antárctico.

E os mais recentes dados apontam que o calor contido no oceano atingiu o valor mais alto de sempre em 2018. Estamos perante um aumento que, comparativamente com 2017, “representa o equivalente a 100 milhões de vezes o calor produzido pela bomba atómica em Hiroxima”, como destaca a Lusa com base na medição de uma equipa internacional de investigadores que analisou a temperatura do mar em profundidades de até 2000 metros.

Este tipo de análise é visto como a melhor forma de aferir as consequências climáticas da concentração de gases com efeito de estufa resultantes da actividade humana.

“Os novos dados, juntamente com vasta literatura, servem como mais um aviso aos governos e ao público em geral sobre o inevitável aquecimento global que vivemos”, aponta o cientista Lijing Cheng, o principal autor desta investigação que foi publicada na revista científica Advances in Atmospheric Sciences.

O aumento do calor oceânico em 2018, comparativamente com 2017, é equivalente a 388 vezes a produção de electricidade da China no mesmo ano, frisa-se no estudo.

Contribuindo para a subida do nível do mar, o aumento da concentração de calor nos oceanos promove os riscos de inundações e coloca em perigo comunidades costeiras, além de fomentar o colapso do gelo antárctico.

As consequências podem ser catastróficas se não forem tomadas medidas para evitar esta tendência.

“O gelo da Antárctida contém 57,2 metros” de “aumento do nível do mar potencial”, atestam os investigadores da UCI. Se a queda de neve não ultrapassar o fluxo de gelo para o oceano, o nível do mar subirá de forma trágica.

Outro dado preocupante deste estudo concluiu que a Antárctida Oriental contribui de forma relevante para a perda de gelo – esta região pode, só por si, representar 52 metros para o potencial aumento do nível do mar.

“Esta região é, provavelmente, mais sensível ao clima do que foi tradicionalmente assumido, e é importante sabe-lo porque contém mais gelo do que a Antárctida Ocidental e do que a Península Antárctida juntas”, destaca Rignot.

“Não quero ser alarmista”. Mas “os locais que passam por mudanças na Antárctida não se limitam a um par deles” e “parecem ser mais extensos do que pensávamos”, o que é “motivo para preocupação”, conclui Rignot em declarações ao The Washington Post.

SV, ZAP //

Por SV
20 Janeiro, 2019

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