1481: Pólo norte magnético está a deslocar-se muito depressa para a Sibéria

Deriva do norte magnético está a acelerar desde a década de 1990 e caminha agora à velocidade de 55 Km por ano. Modelo magnético global, que é utilizado na navegação, e que foi publicado em 2015, já teve de ser actualizado

© Arquivo Global Imagens

O pólo norte magnético, aquele ponto no topo norte do globo terrestre para o qual apontam sempre as bússolas, está em deriva rápida, do Árctico canadiano para a Sibéria, mas os cientistas não conseguem explicar porquê.

Os geólogos sabem que a alteração está relacionada com os movimentos que ocorrem no núcleo de ferro líquido que existe no interior do planeta, no entanto, o que está a acontecer exactamente para que as coisas se passem desta forma é uma incógnita.

Se a questão fosse apenas esta, já seria suficientemente interessante, mas este não é um problema exclusivamente científico. Na prática, esta deriva e a sua determinação exacta têm implicações para toda a navegação, da aviação aos transportes marítimos, ou à simples busca de uma localização com um smartphone, uma vez que para achar uma determinada direcção é preciso fazer a compensação da declinação magnética – aquele movimento simples de ajustar o Norte com a agulha da bússola.

Para garantir que a determinação das direcções mantém uma grande precisão, algo essencial para todas as actividades de navegação, os cientistas desenvolveram modelos globais que permitem determinar a declinação magnética e fazer os cálculos de compensação. Um desses modelos é o World Magnetic Model (ou, Modelo Magnético Mundial), cuja última versão foi publicada em 2015, e que deveria manter-se actualizada até 2020. Isso, no entanto, não aconteceu.

A deslocação do pólo norte magnético tem vindo a acelerar nas últimas décadas: passou de uma velocidade de 15 quilómetros por ano, em meados do século XX, para 55 km anuais actualmente. “O erro está sempre a aumentar”, adiantou à Nature Arnaud Chulliat, especialista em geomagnetismo da Universidade de Colorado Boulder e da NOOA, a Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera, dos Estados Unidos.

Para acompanhar a velocidade da deslocação, o modelo teve por isso de ser actualizado antes do final da década. A publicação do modelo actualizado estava prevista para esta terça-feira, 15 de Janeiro, mas o shut down decretado pela administração Trump, e que parece não ter fim à vista, ditou o seu adiamento para o final do mês.

A deriva do pólo Norte magnético não é um fenómeno de agora. Ele foi observado no século século XIX pelos exploradores polares, mas a velocidade da deslocação era muito reduzida, tendo os cientistas percebido que houve uma aceleração na década de 1990, ao ponto de desactualizar agora os modelos em apenas três anos.

Diário de Notícias
Filomena Naves
15 Janeiro 2019 — 13:42

 

1480: Uma semente de algodão germinou pela primeira vez na Lua

Responsáveis da missão chinesa Chang-4 anunciaram que uma das sementes na pequena biosfera que foi levada pela sonda para Lua já se transformou em plantinha e está a crescer

A imagem divulgada pela agência espacial chinesa
© DR

Os responsáveis da missão chinesa Chang-4, que pousou na lado oculto da Lua no dia 3 de janeiro, anunciaram que uma semente de algodão germinou e está a crescer dentro de uma pequena biosfera selada que a sonda transportou para a superfície lunar.

“É a primeira vez que os seres humanos fazem experiências biológicas na Lua”, afirmou Xie Gengxin, o cientista responsável pela experiência.

A equipa da Universidade de Chongqing que criou a experiência para a missão Chang-4, desenvolveu uma pequena caixa estanque com 18 centímetros (cm) de comprimento, na qual colocou água, ar e um pouco de terra, juntamente com sementes de algodão, de trigo e de batatas, bem como ovos de mosca-da-fruta.

As imagens divulgadas pelos responsáveis da missão mostram que uma semente de algodão já germinou e que a planta está a crescer. Mas para já, é a única, adianta a equipa.

A missão conta também com experiências de cientistas da Suécia, da Alemanha e de outras equipas da China para estudar as condições ambientais na Lua, incluindo os índices das radiações cósmicas e a interacções entre os ventos solares e o solo lunar.

A Chang-4 encontra-se na cratera Von Kármán, na bacia de Aitken, no Polo Sul lunar, uma planície ampla e sem grandes acidentes, onde aterrou a 3 de Janeiro, numa manobra considerada histórica por ter sido a primeira que desceu naquele lado da Lua que nunca se consegue ver da Terra.

A sonda libertou, entretanto, um pequeno rover, o Yutu-2, que está a fazer outras medições e experiências, mas sobre as quais nada foi adiantado ainda.

A agência espacial chinesa já tem planeadas mais quatro missões lunares. Uma delas, que será lançada no final do ano, de acordo com o calendário divulgado, tem por objectivo trazer de volta para a Terra amostras do solo.

Diário de Notícias
Filomena Naves
15 Janeiro 2019 — 11:03

]post-views}

 

1479: Telescópios encontram fonte de raios-x no interior de super-nova misteriosa

AT2018cow explodiu dentro de ou próximo da galáxia CGCG 137-068, localizada a cerca de 200 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação de Hércules. Esta ampliação mostra a posição do fenómeno.
Crédito: Sloan Digitized Sky Survey

Os telescópios espaciais de alta energia da ESA, INTEGRAL e XMM-Newton, ajudaram a encontrar uma poderosa fonte de raios-X no centro de uma explosão estelar, de brilho e evolução sem precedentes, que apareceu subitamente no céu.

O telescópio ATLAS no Hawaii foi o primeiro a avistar o fenómeno, desde então chamado AT2018cow, no dia 16 de junho. Pouco tempo depois, astrónomos de todo o mundo apontaram telescópios terrestres e espaciais para o objecto celeste recém-descoberto, localizado numa galáxia a aproximadamente 200 milhões de anos-luz.

Rapidamente perceberam que era algo completamente novo. Em apenas dois dias, o objecto excedeu o brilho de qualquer super-nova observada anteriormente – uma poderosa explosão de uma estrela massiva e velha que expele a maior parte do seu material para o espaço circundante, varrendo a poeira e os gases interestelares na sua vizinhança.

O novo artigo, aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal, descreve as observações dos primeiros 100 dias da existência do objecto, cobrindo todo o espectro electromagnético da explosão, desde o rádio até aos raios-gama.

A análise, que inclui observações do INTEGRAL e XMM-Newton da ESA, bem como dos telescópios espaciais NuSTAR e Swift da NASA, encontrou uma fonte de raios-X altamente energéticos situada no interior da explosão.

O comportamento desta fonte, revelado nos dados, sugere que o fenómeno estranho pode ser ou um buraco negro nascente ou uma estrela de neutrões com um poderoso campo magnético, sugando o material circundante.

“A interpretação mais empolgante é que podemos ter visto pela primeira vez o nascimento de um buraco negro ou de uma estrela de neutrões,” comenta Raffaella Margutti da Universidade Northwestern, EUA, autora principal do artigo.

“Sabemos que os buracos negros e as estrelas de neutrões se formam quando as estrelas colapsam e explodem como super-novas, mas nunca vimos tais objectos no momento exacto da sua formação,” acrescenta Indrek Vurm do Observatório Tartu, na Estónia, que trabalhou na modelagem das observações.

A explosão AT2018cow não foi apenas 10 a 100 vezes mais brilhante do que qualquer outra super-nova já observada anteriormente: também atingiu o pico de luminosidade muito mais depressa do que qualquer outro evento conhecido anteriormente – em apenas alguns dias em comparação com as duas semanas normais.

O INTEGRAL fez as suas primeiras observações do fenómeno cerca de cinco dias depois de ter sido relatado e manteve a monitorização durante 17 dias. Os seus dados mostraram-se cruciais para a compreensão do estranho objecto.

“O INTEGRAL estuda uma gama de comprimentos de onda que não é coberta por qualquer outro satélite,” realça Erik Kuulkers, cientista do projecto INTEGRAL da ESA. “Nós temos uma certa sobreposição com o NuSTAR na parte dos raios-X altamente energéticos, mas também podemos observar a energias mais altas.”

Assim, enquanto os dados do NuSTAR revelaram em grande detalhe o espectro de raios-X, com o INTEGRAL os astrónomos foram capazes de ver o espectro inteiro da fonte, incluindo o seu limite superior em raios-gama suaves.

“Vimos uma espécie de ‘solavanco’ com um corte acentuado no espectro mais energético,” explica Volodymyr Savchenko, astrónomo da Universidade de Genebra, na Suíça, que trabalhou nos dados do INTEGRAL. “Este ‘solavanco’ é um componente adicional da radiação libertada pela explosão, brilhando através de um meio opaco ou opticamente espesso.”

“Esta radiação altamente energética veio provavelmente de uma área de plasma muito quente e denso em torno da fonte,” acrescenta Carlo Ferrigno, também da Universidade de Genebra.

Dado que o INTEGRAL continuou a monitorizar a explosão AT2018cow por um maior período de tempo, os seus dados também puderam mostrar que o sinal de raios-X altamente energéticos estava gradualmente a desvanecer.

Raffaella explica que a estes raios-X altamente energéticos que desapareceram se dá o nome radiação reprocessada – radiação da fonte que interage com material expelido pela explosão. À medida que o material se afasta do centro da explosão, o sinal diminui gradualmente e acaba por desaparecer completamente.

No entanto, neste sinal os astrónomos foram capazes de encontrar padrões típicos de um objecto que atrai matéria dos seus arredores – seja um buraco negro ou uma estrela de neutrões.

“É a característica mais invulgar que observámos em AT2018cow e é definitivamente algo sem precedentes no mundo dos eventos astronómicos transientes e explosivos,” diz Raffaella.

Entretanto, o XMM-Newton observou esta explosão invulgar duas vezes nos primeiros 100 dias da sua existência. Detectou a parte menos energética da sua emissão de raios-X que, segundo os astrónomos, vem directamente do “motor” no núcleo da explosão. Ao contrário dos raios-X altamente energéticos provenientes do plasma circundante, ainda são visíveis os raios-X de baixa energia da fonte.

Os astrónomos planeiam usar o XMM-Newton para realizar uma observação de acompanhamento no futuro, o que permitirá com que compreendam o comportamento da fonte ao longo de um maior período de tempo e em grande detalhe.

“Continuamos a analisar os dados do XMM-Newton para tentar compreender a natureza da fonte,” realça a co-autora Giulia Migliori, da Universidade de Bolonha, na Itália, que trabalhou nos dados de raios-X. “A acreção dos buracos negros deixa marcas características em raios-X, que podemos detectar nos nossos dados.”

“Este evento foi completamente inesperado e mostra que há muito que não entendemos completamente,” diz Norbert Scharterl, cientista do projecto XMM-Newton da ESA. “Um satélite, um único instrumento, nunca seria capaz de entender um objecto tão complexo. Os conhecimentos detalhados que pudemos reunir sobre o funcionamento da misteriosa explosão AT2018cow só foram alcançados graças à ampla cooperação e combinação de muitos telescópios.”

Astronomia On-line
15 de Janeiro de 2019

 

1478: O que 100.000 fábricas estelares em 74 galáxias nos contam sobre a formação estelar em todo o Universo

Seis imagens obtidas pelo ALMA de uma colecção de 74. Fazem parte do levantamento PHANGS-ALMA, que tem o objectivo de estudar as propriedades das nuvens de formação estelar em galáxias de disco.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); NRAO/AUI/NSF, B. Saxton

As galáxias têm uma ampla variedade de formas e tamanhos. No entanto, algumas das diferenças mais significativas entre as galáxias dizem respeito a onde e como formam novas estrelas. As investigações convincentes para explicar essas diferenças têm sido elusivas, mas isso está prestes a mudar. O ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) está a levar a cabo um levantamento sem precedentes de galáxias de disco próximas com o objectivo de estudar os seus berçários estelares. Com ele, os astrónomos estão a começar a desvendar a relação complexa e ainda pouco entendida entre as nuvens de formação estelar e as suas galáxias hospedeiras.

Um novo e vasto projecto de investigação com o ALMA, conhecido como PHANGS-ALMA (Physics at High Angular Resolution in Nearby GalaxieS), debruça-se sobre esta questão com muito mais poder e precisão do que nunca, medindo a demografia e as características de uns impressionantes 100.000 berçários estelares individuais espalhados por 74 galáxias.

A campanha de pesquisa PHANGS-ALMA, sem precedentes, já acumulou um total de 750 horas de observações e deu aos astrónomos uma compreensão muito mais clara de como o ciclo de formação estelar muda, dependendo do tamanho, idade e dinâmica interna de cada galáxia individual. Esta campanha é dez a cem vezes mais poderosa (dependendo dos parâmetros) do que qualquer outro levantamento anterior do género.

“Algumas galáxias produzem furiosamente novas estrelas, enquanto outras já consumiram a maior parte do seu combustível para a formação estelar. A origem desta diversidade pode muito provavelmente estar nas propriedades dos próprios berçários estelares,” comenta Erik Rosolowsky, astrónomo da Universidade de Alberta no Canadá e um dos principais investigadores da equipa de investigação do levantamento PHANGS-ALMA.

Rosolowsky apresentou os achados iniciais da investigação na 233.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, que teve lugar a semana passada em Seattle, Washington, EUA. Vários artigos baseados nesta campanha também foram publicados nas revistas The Astrophysical Journal e The Astrophysical Journal Letters.

“As observações anteriores com as gerações anteriores de radiotelescópios fornecem algumas informações cruciais sobre a natureza dos berçários estelares densos e frios,” disse Rosolowsky. “No entanto, estas observações carecem de sensibilidade, de resolução e de poder para estudar a grande diversidade dos berçários estelares em toda a população de galáxias locais. Isto limitou seriamente a nossa capacidade para relacionar o comportamento ou propriedades dos berçários estelares individuais com as propriedades das galáxias em que residem.”

Durante décadas, os astrónomos especularam que existem diferenças fundamentais na forma como as galáxias de disco com vários tamanhos convertem o hidrogénio em novas estrelas. Alguns astrónomos teorizam que galáxias maiores e geralmente mais velhas não são tão eficientes na produção estelar quanto as suas primas mais pequenas. A explicação mais lógica seria que essas grandes galáxias têm berçários estelares menos eficientes. Mas tem sido difícil testar esta ideia com observações.

Pela primeira vez, o ALMA está a permitir com que os astrónomos realizem o censo abrangente necessário para determinar como as propriedades de grande escala (tamanho, movimento, etc.) de uma galáxia influenciam o ciclo de formação estelar à escala de nuvens moleculares individuais. Estas nuvens têm apenas algumas dezenas a centenas de anos-luz de tamanho, o que é fenomenalmente pequeno à escala de uma galáxia inteira, especialmente quando vista a milhões de anos-luz de distância.

“As estrelas formam-se de modo mais eficiente em algumas galáxias do que noutras, mas a falta de observações em alta resolução e à escala das nuvens fez com que as nossas teorias não fossem bem testadas, razão pela qual estas observações do ALMA são tão críticas,” explica Adam Leroy, astrónomo da Universidade Estatal do Ohio e co-investigador principal da equipa PHANGS-ALMA.

Parte do mistério da formação estelar, realçam os astrónomos, tem a ver com o meio interestelar – toda a matéria e energia que preenche o espaço entre as estrelas.

Os astrónomos entendem que existe um ciclo de feedback contínuo no interior e em redor dos berçários estelares. Dentro destas nuvens, regiões de gás denso colapsam e formam estrelas, o que perturba o meio interestelar.

“De facto, a comparação entre as observações iniciais do PHANGS e as posições das estrelas recém-formadas mostra que estas destroem rapidamente as suas nuvens natais,” acrescenta Rosolowsky. “A equipa PHANGS está a estudar como esta perturbação tem lugar em diferentes tipos de galáxias, o que pode ser um factor-chave na formação estelar.”

Para esta investigação, o ALMA está a observar moléculas de monóxido de carbono (CO) em todas as galáxias espirais relativamente massivas, vistas geralmente de face, visíveis do hemisfério sul. As moléculas de CO emitem naturalmente luz em comprimentos de onda milimétricos que o ALMA pode detectar. São particularmente eficazes em destacar a localização de nuvens de formação estelar.

“O ALMA é uma máquina incrivelmente eficiente a mapear monóxido de carbono em grandes áreas de galáxias próximas,” salienta Leroy. “Foi capaz de realizar este levantamento graças ao poder combinado das antenas de 12 metros, que estudam características de escala fina, e às antenas mais pequenas de 7 metros, no centro do complexo, sensíveis a características de grande escala, essencialmente preenchendo as lacunas.”

Um estudo complementar, PHANGS-MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), está a usar o VLT (Very Large Telescope) para obter imagens ópticas das primeiras 19 galáxias observadas pelo ALMA. Ainda outro levantamento, PHANGS-HST, usa o Telescópio Espacial Hubble para estudar 38 destas galáxias e para encontrar os seus mais jovens enxames estelares. Juntos, estes três levantamentos fornecem uma imagem surpreendentemente completa de quão eficazmente as galáxias produzem estrelas ao estudar o gás molecular frio, o seu movimento, a localização de gás ionizado (regiões onde as estrelas já estão a ser formadas) e as populações estelares completas das galáxias.

“Em astronomia, não temos capacidade para observar o cosmos a mudar ao longo do tempo; as escalas de tempo simplesmente superam avassaladoramente a existência humana,” diz Rosolowsky. “Não podemos observar um objecto para todo o sempre, mas podemos observar centenas de milhares de nuvens de formação estelar em galáxias de diferentes tamanhos e idades para inferir como a evolução galáctica funciona. Esse é o valor real da campanha PHANGS-ALMA.”

“Também analisamos milhares a dezenas de milhares de regiões de formação estelar dentro de cada galáxia, capturando-as ao longo do seu ciclo de vida. Isto permite-nos construir uma imagem do nascimento e da morte dos berçários estelares nas galáxias, algo quase impossível antes do ALMA,” acrescenta Leroy.

Até agora, o PHANGS-ALMA estudou aproximadamente 100.000 objectos semelhantes à Nebulosa de Orionte no Universo próximo. Espera-se que a campanha acabe eventualmente por observar cerca de 300.000 regiões de formação estelar.

Astronomia On-line
15 de Janeiro de 2019

 

1477: Super-Terra gelada vizinha do nosso planeta pode abrigar vida primitiva

ESO / M. Kornmesser
Ilustração artística da superfície do Barnard b

Edward Guinan e Scott Engle, investigadores da Universidade de Villanova, no estado norte-americano da Pensilvânia, anunciaram que pode existir vida primitiva em GJ 699b, a super-Terra gelada que orbita a estrela de Barnard, localizada a apenas seis anos-luz do Sol.

Em comunicado recentemente divulgado, os astrofísicos afirmam que este mundo, também conhecido como a estrela de Barnard b, apesar de ser extremamente frio – pode atingir temperaturas até -170 graus Celsius – tem o potencial de abrigar vida primitiva.

Por ser gelado e sombrio, este exoplaneta seria, à partida, hostil para a vida tal como a conhecemos. Contudo, e de acordo com os cientistas, o exoplaneta pode abrigar vida caso se reúnam duas condições: ter um grande núcleo de ferro quente ou níquel e actividade geotérmica.

“O aquecimento geotérmico poderia abrigar ‘zonas de vida’ abaixo da sua superfície, semelhante aos lagos subterrâneos encontrados na Antárctida”, disse o co-autor do estudo, Edward Guinan. “Percebemos que a temperatura da superfície na lua gelada de Júpiter, a Europa, é semelhante à do Barnard b, mas devido ao aquecimento da maré é provável que a Europa tenha oceanos líquidos sob sua superfície gelada”, acrescentou.

O exoplaneta Barnard b, cuja descoberta foi anunciada em Novembro passado, é 3,2 vezes maior do que a Terra – o que lhe vale a classificação de super-Terra. O mundo orbita em 233 dias terrestres a sua estrela, que é considerada a nossa vizinha mais próxima depois do sistema de três estrelas Alpha Centauri, localizado a 4,3 anos-luz de distância.

Tal como observou Scott Engle, “a estrela de Barnard é quase duas vezes mais velha do que o Sol: tem 9 mil milhões de anos, em comparação com 4,6 mil milhões de anos solares”. “O Universo tem estado a produzir planetas do tamanho da Terra muito antes da nossa existência, ou até mesmo antes da existência do próprio Sol”, rematou o cientista.

A descoberta foi anunciada na passada semana no 233.º encontro anual da American Astronomy Society, que decorreu na cidade de Seatle.

SA, ZAP //

Por SA
15 Janeiro, 2019

 

1476: Space X de Musk acaba de concluir o protótipo da “nave estelar” interplanetária

Elon Musk / Twitter

O sonho das viagens interplanetárias está a tornar-se mais palpável. A Space X de Elon Musk acaba de concluir a montagem do primeiro foguete para testes de voo da Starship – a “nave estelar” que voará até Marte – nas instalações de lançamento da empresa, no estado norte-americano do Texas. 

O protótipo da nave, que será utilizada em futuras viagens ao Planeta Vermelho, mede cerca de nove metros de diâmetro e foi divulgado pelo fundador e CEO da Tesla através da sua conta oficial no Twitter. De acordo com Musk, a versão orbital será mais alta, terá uma fuselagem mais grossa e uma secção superior levemente mais curvada.

“Está é uma foto real”, frisou Elon Musk na publicação.

Na mesma rede social, Musk esclarece que este é apenas um protótipo que será utilizado numa fase de testes em voos de baixa altitude. Numa outra publicação, o fundador da Space X tinha já revelado que a versão final terá janelas, para benefício dos ocupantes.

A Starship não terá a aparência comum dos foguetes, normalmente pintados a branco na Space X: “A Starship parecerá prata líquida”, escreveu ainda Musk.

Espera-se que os motores Raptor do foguete sejam testados no próximo mês. Quanto aos primeiros testes de voo, Musk aponta para Março ou Abril.

O objectivo final do multimilionário passa por fazer da versão orbital do Hopper um reforço, uma espécie de booster da Super Heavy – nome atribuído ao primeiro estágio da produção da nave da Space X -, projectada para fazer viagens de ida e volta até Marte com ocupação para 100 passageiros.

A versão inicial do veículo espacial, até agora conhecido como Big Falcon Rocket, foi renomeado no passado mês de Novembro, passando a chamar-se Starship. Super Heavy foi o nome atribuído à primeira fase de construção.

Segundo Musk, a versão orbital estará pronta em Junho, enquanto a Super Heavy deverá fazer o seu primeiro voo de teste ainda no decorrer deste ano. A Space X pretende que a primeira missão a Marte sejam lançada antes de 2022.

SA, ZAP //

Por SA
15 Janeiro, 2019