1474: Hubble descobre o buraco negro mais brilhante dos primórdios do Universo

NASA / ESA

O telescópio espacial Hubble descobriu um buraco negro excepcionalmente amplo e brilhante no início do Universo, que atingiu uma massa incrivelmente alta apenas 850 milhões de anos depois do Big Bang.

“Temos procurado por tal objecto há muito tempo, estudando arredores mais distantes do espaço. Os nossos cálculos mostram que provavelmente não há quasares mais brilhantes no Universo primordial e até mesmo moderno”, declarou Xiaohui Fan da Universidade do Arizona, nos EUA.

Acredita-se que buracos negros super-maciços, cuja massa pode ser várias vezes maior do que a solar, habitam o centro da maioria das galáxias massivas.

Nos últimos anos, o Hubble e outros poderosos telescópios do mundo têm procurado os buracos negros antigos e os seus potenciais “embriões”, usando lentes gravitacionais. Em alguns casos, a curvatura do espaço ajuda os astrónomos a verem os objectos super-distantes do Universo.

Recentemente, Fan e a sua equipa tiveram sorte: conseguiram encontrar uma lente gravitacional, gerada por uma galáxia muito opaca, localizada a oito mil milhões de anos-luz da Terra. A sua atracção aumentou e distorceu a luz de uma galáxia ainda mais distante e antiga na constelação de Touro, que está a 12,8 mil milhões de anos-luz de distância, o que tornou o objecto visível para o Hubble.

Esta “megacidade estrelar”, chamada J0439+1634, é única e extremamente interessante. Há um buraco negro e brilhante no seu centro que produz cerca de 600 mil milhões de vezes mais luz e outras formas de radiação do que o Sol. A sua massa, de acordo com as estimativas mais conservadoras dos astrónomos, deve ser pelo menos 430 milhões de vezes maior que a da nossa estrela – mas pode ser muito maior.

Além disso, os cientistas conseguiram estudar não apenas o quasar em si, mas também as nuvens vizinhas de gás e mostraram que J0439+1634 está a experimentar um recorde de boom de nascimento”. Todos os anos, dezenas de milhares de novas estrelas são formadas neste quasar, o que é três vezes mais do que na Via Láctea e outras galáxias modernas.

Segundo Fan, este fenómeno pode explicar como um buraco negro no centro desta antiga galáxia atingiu este tamanho imenso em tão pouco tempo. Uma taxa tão alta de formação de novas estrelas somente é possível se grandes quantidades de gás “fresco” e frio atingir constantemente o centro da galáxia.

Os cientistas planeiam testar a teoria depois de lançar o telescópio James Webb, o sucessor do Hubble, que poderá observar como o gás flui nas proximidades do centro do J0439+1634. Estas observações mostrarão a quantidade do gás dentro do buraco negro e como a sua atracção afecta a velocidade da formação de estrelas.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
13 Janeiro, 2019

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1473: Descoberta super-Terra potencialmente habitável a 224 anos-luz

Gabriel Pérez / IAC

Investigadores da Universidade de Oviedo descobriram e caracterizaram um planeta na zona de habitabilidade de uma estrela anã vermelha.

Uma equipe de investigadores da Universidade de Oviedo e do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) descobriram e caracterizaram uma super-Terra a orbitar dentro da borda da zona habitável de uma estrela anã vermelha de tipo M0 chamada K2-286. Para isso, usaram dados do Telescópio Espacial Kepler.

O satélite Kepler foi projectado para descobrir exoplanetas. O método de procura consiste em medir o brilho vindo de uma estrela e observar se o seu brilho diminui periodicamente, como num eclipse. Se esta mudança no brilho ocorre, há um planeta a passar em frente da estrela regularmente.

A estrela K2-286, localizada na constelação de Libra a uma distância de 244 anos-luz, tem um raio de 0,62 raios solares e uma temperatura efectiva de 3650°C. O planeta tem 2,1 vezes o raio terrestre, um período orbital de 27,36 dias e uma temperatura de equilíbrio que pode ser cerca de 60ºC.

O planeta, de acordo com o estudo publicado em Dezembro na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, está localizado no limite interno da zona de habitabilidade, de modo que, sob as condições certas, poderia manter a água líquida na sua superfície, um requisito indispensável para o desenvolvimento da vida como a conhecemos.

O planeta é de interesse especial não só para ser localizado na zona habitável da sua estrela, mas por estar entre os mais adequados para a caracterização atmosférica futuro do Telescópio Espacial James Webb, bem como para uma monitorização para estabelecer a sua massa com precisão.

“Temos verificado que a actividade da estrela é moderada em comparação com outras estrelas de características semelhantes, o que aumentem as possibilidade de o planeta ter sido habitável”, referiram Javier de Cos e Enrique Díez.

“Este exoplaneta pode ser um candidato adequado para um instrumento de nova geração como ESPRESSO recentemente instalado nos telescópios VLT do Observatório de Paranal (Chile)”, acrescenta Jonay González, investigador no IAC.

ZAP //

Por ZAP
13 Janeiro, 2019

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