1297: NASA revela fotografia de disco voador (e conta a sua verdadeira história)

USAF 388th Range Sqd. / Genesis Mission / NASA

Qualquer espécie que alcance as estrelas está condenada a acabar com as pontas dos dedos chamuscadas. Uma das últimas publicações da NASA no site Astronomy Picture of the Day é um lembrete dos percalços da nossa história espacial.

“Um disco voador do espaço caiu no deserto de Utah após ser detectado por radar e perseguido por helicópteros”, afirma a descrição da fotografia publicada no site Astronomy Picture of the Day. Ainda assim, a NASA não está a insinuar que tenha havido uma visita alienígena neste deserto.

O disco enterrado na areia era, na verdade, a cápsula de retorno da sonda espacial Genesis. Lançada a 8 de Agosto de 2001, a missão Genesis foi o ambicioso esforço da agência espacial para enviar uma nave com o objectivo de recolher amostras de vento espacial.

Ao recolher dados sobre a composição das partículas carregadas que fluíam da coroa do Sol, os investigadores esperavam determinar com precisão a composição da estrela e aprender mais sobre os elementos que estavam por perto quando os planetas do Sistema Solar foram formados. Para nos trazer essas amostras, a sonda Genesis foi equipada com uma cápsula de retorno.

A nave capturou o vento solar ao dobrar uma série de painéis, cada um carregado com materiais de alta pureza, como alumínio, safira, silício e até ouro.

“Os materiais que usamos nas matrizes dos colectores da Genesis tinham que ser fortes o suficiente para serem lançados sem quebrar; reter a amostra enquanto eram aquecidos pelo Sol e ser puros o suficiente para podermos analisar os elementos do vento solar”, explicou a cientista do projecto Amy Jurewicz, no dia 3 de Setembro de 2004.

Cinco dias depois, esta cápsula e as suas preciosas matrizes atingiram o solo em Utah, a uma velocidade de 310 quilómetros por hora – algo que não deveria ter acontecido.

Exactamente 127 segundos após reentrar na atmosfera, o morteiro a bordo da cápsula deveria ter explodido, libertando um para-quedas preliminar para desacelerar e estabilizar a descida. Aí, o para-quedas principal deveria abrir, fornecendo à cápsula uma descida suave até ao solo.

Após uma investigação minuciosa, descobriu-se que o erro se devia a um pequeno conjunto de sensores: eles haviam sido instalados de cabeça para baixo. Esses pequenos dispositivos detectaram as forças quando a cápsula caiu em direcção ao solo.

Infelizmente para a missão, o impacto causou sérios danos, destruindo vários arranjos e contaminando a preciosa carga que continha. No entanto, a missão não foi um fracasso. Alguns dos materiais resistentes dos colectores sobreviveram, e os investigadores conseguiram limpar as superfícies sem perturbar o material solar embutido no interior.

Com Genesis, aprendemos detalhes sem precedentes sobre a composição do Sol e as diferenças elementares entre a nossa estrela e os planetas internos do Sistema Solar.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
16 Novembro, 2018

 

1296: Cratera de meteorito com o tamanho de Lisboa descoberta na Gronelândia

Natural History Museum of Denmark / Cryospheric Sciences Lab / NASA Goddard Space Flight Center
Mapa da topografia rochosa

Uma equipa de cientistas descobriu, sob uma camada de gelo na Gronelândia, uma cratera com mais de 31 quilómetros de diâmetro, criada pelo impacto de um meteorito.

A cratera, descoberta por uma equipa internacional liderada por especialistas do Museu de História Natural da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, é uma das 25 maiores que se conhecem na Terra fruto do impacto de corpos celestes. Com 31km de diâmetro, tem uma área de cerca de 97km – sensivelmente a mesma dimensão de Lisboa.

Segundo a Universidade de Copenhaga, que divulgou a descoberta a 14 de Novembro na revista Science Advances, é a primeira vez que uma cratera é encontrada sob uma das camadas de gelo continentais da Terra.

A cratera foi originalmente descoberta em Julho de 2015 e uma grande equipa passou 3 anos a trabalhar para verificar a descoberta. “Descobertas extraordinárias têm evidências extraordinárias”, disse Kurt H. Kjær, do Museu de História Natural da Dinamarca.

A descoberta inicial partiu da análise de mais de uma década de dados de radar, recolhidos por investigadores entre 1997 e 2014 para o Programa de Avaliação do Clima Regional e Operação IceBridge da NASA.

Esta técnica usa o radar para espreitar através do gelo e construir um mapa topográfico do solo sob uma camada de gelo. Isto permite, por exemplo, a medição da espessura do gelo, o que pode ser útil na estimativa do derretimento do gelo devido ao aquecimento global.

Enquanto observavam os dados, os geólogos notaram algo realmente incomum: uma grande depressão circular sob o Glaciar Hiawatha. “Imediatamente soubemos que isto era algo especial, mas, ao mesmo tempo, sabíamos que seria difícil confirmar a origem da depressão”, disse Kjær.

Na investigação, que durou três anos, incluiu pesquisas com radares e recolha de amostras de sedimentos. A cratera, “excepcionalmente bem preservada”, de acordo com os especialistas, formou-se quando um meteorito de ferro que teria um quilómetro de largura atingiu o actual norte da Gronelândia, na zona do glaciar Hiawatha.

Os peritos sugerem, apesar de ainda não terem conseguido datar a cratera, que esta se terá formado depois de o gelo começar a cobrir a Gronelândia, situando o intervalo de tempo entre os três milhões de anos e os 12 mil anos.

A equipa científica vai agora tentar datar a cratera, um desafio que requer a recuperação de material que derreteu durante o impacto do meteorito. Sabendo a idade da cratera, será possível perceber como a queda do meteorito terá afectado a vida na Terra num determinado período.

ZAP // Lusa / Science Alert

Por ZAP
16 Novembro, 2018

 

1295: Mini-exército de Terracota descoberto em fossa milenar na China

CIÊNCIA

Uma equipa de arqueólogos descobriu uma espécie de exército em miniatura no interior de uma fossa milenar na China. Foram encontradas centenas de figuras, que incluem carruagens cuidadosamente organizadas, mini-estátuas de cavalaria, torres de vigia, infantaria e até músicos.

As figuras agora encontradas parecem personalizar a versão miniatura do mítico Exército de Terracota – uma colecção de carruagens e esculturas de soldados, cavalos, animadores e autoridades civis em tamanho real – construída por Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China.

Tendo em conta o design dos artefactos agora descobertos, os arqueólogos acreditam que o enorme buraco foi construído há cerca de 2.100 anos, ou então um século após a construção do Exército de Terracota.

De acordo com o relato dos cientistas, a parte sul do cavidade estava preenchida com formações de cavalaria e bigas – carros romanos puxados a cavalo -, bem como modelos de torres de vigia com 140 centímetros de altura.

Já no centro da escavação, foram encontrados cerca de 300 cavala de infantaria em alerta, organizados numa formação quadrada. Por sua vez, a parte norte da fossa tinha um modelo de um pavilhão teatral, compostos por pequenas esculturas de músicos.

“A forma e a escala da cova sugerem que este acompanha um grande local de sepultamento”, escreveram os arqueólogos no artigo recentemente publicado na revista Chinese Cultural Relics. Os “veículos, cavalaria e infantaria em formação quadrada foram reservados para enterros de monarcas, oficiais ou príncipes meritórios“, pode ler-se.

Tal como explicado acima, os soldados e a cavalaria do exército agora descobertos são bastante menores do que as esculturas do Exército de Terracota. Com base na data, dimensão e localização da fossa, os especialistas acreditam que o exército recém-descoberto pode ter sido construído para Liu Hong, príncipe de Qi – poderoso estado da China antiga -, filho do imperador Wu (reinou entre 141 e 84 a.C).

Hong viveu na cidade de Linzi que fica localizada perto da cavidade agora descoberta, tendo morrido em 110 a.C. “Fontes textuais registaram que Liu Hong foi instalado como o príncipe de Qi ainda muito jovem e, infelizmente, morreu cedo, sem deixar qualquer herdeiro”, notaram os arqueólogos na publicação.

Túmulo fica por encontrar

Se esta espécie de poço e o exército de estatuetas de cerâmica foram construídos para proteger Hong, ou qualquer outro membro da família real, na vida após a morte, o seu túmulo deve estar nas proximidades.

“Há possivelmente vestígios arquitectónicos ou um caminho vai até ao local da sepultura, mas não há como explorar a câmara funerária principal”, escrevam os arqueólogos, notando que a tumba pode mesmo ter sido destruída.

Habitantes mais velhos da região relataram um proeminente monte de terra, com cerca de quatro metros de altura perto da cova. Mais tarde, conta os especialista, a terra foi movida e o terreno achatado para ampliar a linha ferroviária.

Esta descrição é corroborada por uma fotografia aérea capturada em 1938 pela Força Área Japonesa – na época, em guerra com a China -, que mostra um possível monte funerário perto da ferrovia.

A fossa foi descoberto no inverno de 2017 juntamente com outros sítios arqueológicos durante obras de construção na área. Após a descoberta, o local foi escavado pela Agência de Relíquias Culturais do Distrito Linzi da cidade de Zibo.

Após a conclusão da escavação, foi publicado pela primeira vez, e na língua chinesa, um artigo em 2016. O artigo foi recentemente traduzido para inglês, sendo depois publicado na revista Chinese Cultural Relics.

Mítico Exército de Terracota

As escavações do Exército de Terracota, encontrados ao lado do túmulo do primeiro imperador da China, são as únicas até agora encontradas na China com um exército de soldados de cerâmica em tamanho real.

Logo após a sua morte, em 210 a.C, a sua dinastia, conhecida como dinastia de Qin, entrou e colapso e uma nova dinastia, conhecida como dinastia de Han, ascendeu, tomando o poder na China.

Alguns dos governantes da dinastia de Han continuaram a construir fossas com exércitos de soldados de cerâmica para os seus enterros, mas os soldados eram consideravelmente menores. Por exemplo, o exército recém-descoberto é composto por figuras de 20 a 30 centímetros de altura, estátuas bem mais pequenas do que as do Exército de Terracota.

O mítico exército de Qin Shi Huang era composto por mais de oito mil soldados, 130 carruagens com 520 cavalos e 150 cavalos de cavalaria, a maioria das peças ainda permanecem enterradas na proximidades da sua sepultura.

A construção deste mausoléu começou em 246 a.C. e, os historiadores acreditam que tenha sido necessário 700.000 trabalhadores e artesãos para o completar, num trabalho de construção que terá levado 38 anos a completar.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
16 Novembro, 2018

 

1294: SpaceX lança satélite do Qatar com foguetão usado. E aterra-o em segurança

O veículo espacial saiu da Florida, colocou um satélite em órbita e a sua secção principal aterrou minutos depois numa plataforma flutuante no oceano.

Momento da aterragem em segurança do foguetão
© Twitter

A SpaceX lançou esta quinta-feira um dos seus foguetões Falcon 9, às 15.46, do Centro Espacial Kennedy da NASA, na Florida, com a missão de colocar um satélite em órbita. Aproximadamente 32 minutos depois, conta a empresa em comunicado, o satélite de comunicações Es’hail-2 já se encontrava implementado na órbita geo-estacionária.

Cerca de 8,5 minutos após o lançamento, a primeira fase do foguetão aterrou com sucesso na plataforma “Off course I still love you” (é claro que ainda te amo, em português), que se encontra no oceano Atlântico, na costa da Florida.

Este Falcon 9 era já usado, tendo sido também usado no lançamento do satélite Telstar 19, no dia 22 de Julho deste ano.

O satélite Es’hail-2 foi construído pela empresa Mitsubishi Electric Corp. e será operado pela empresa Es’hailSat do Qatar. Esta equipamento fornece serviços de banda Ku e Ka, permitindo aos sectores empresariais e governamentais usufruir de comunicações seguras em toda a região do Médio Oriente e do Norte de África.

Num vídeo publicado no Youtube, é possível assistir ao lançamento do foguetão da empresa do multimilionário Elon Musk.

Esta é a 31.ª aterragem da primeira fase de foguetões da Space X, que, ao reutilizar os lançadores, consegue reduzir drasticamente os custos dos voos espaciais.

A Space X fez história em 2015, quando conseguiu, pela primeira vez, lançar o seu foguetão e recuperar a primeira fase do veículo espacial, que colocou em órbita 11 satélites.

Diário de Notícias
DN
16 Novembro 2018 — 00:23