1283: Os Pirenéus estão com “febre” e vão perder metade da neve até 2050

CIÊNCIA

Akuppa / Flickr

Um recente relatório revela que o aumento da temperatura vai reduzir drasticamente a neve na cordilheira que forma uma fronteira natural entre França e Espanha.

O aumento da temperatura média nos Pirenéus em 1,2 graus centígrados nos últimos 50 anos faz prever que esta cordilheira perca metade da sua neve até 2050 e, se nada for feito, 80% antes do final do século.

Esta é uma das principais conclusões divulgada esta terça-feira durante a apresentação do relatório As Alterações Climáticas nos Pirenéus: Impacto, Vulnerabilidades e Adaptação, feito por mais de cem cientistas de Espanha, França e Andorra, para o Observatório Pirenaico das Alterações Climáticas (OPCC).

Tendo em conta que a subida média da temperatura na cordilheira foi de 1,2 graus nos últimos 50 anos, o panorama é muito preocupante. A média mundial foi de 0,85 graus, pelo que o aquecimento dos Pirenéus foi 41% superior.

O coordenador do estudo, Juan Terrádez, destacou na ocasião que metade dos glaciares dos Pirenéus já desapareceu. Além disso, salientou, a “escassez e variabilidade” da disponibilidade hídrica como um dos problemas socioeconómicos mais importantes derivados das alterações climáticas nos Pirenéus, uma vez que diminui a água disponível para a geração de energia hidroeléctrica e a produção agrícola.

Acresce ainda que a maior instabilidade climática provoca um aumento dos riscos, como deslizes de terras, inundações e incêndios florestais, bem como episódios de seca e chuvas torrenciais cada vez mais intensos.

Juan Terrádez também explicou que uma das consequências mais relevantes para a fauna e flora regionais é “a falta de sincronia” entre espécies que dependem umas das outras, como os insectos polinizadores e as plantas.

Idoia Arauzo, coordenadora do Observatório, classificou como “grave” a situação actual nos Pirenéus e reclamou uma “actuação urgente” e a “incorporação das alterações climáticas nas políticas”, porque “estão a ocorrer a uma velocidade muito rápida”.

Os Pirenéus têm “febre”, o que “é um sintoma de que se está a passar alguma coisa”, apontou Idoia Arauzo, que também enumerou os dez desafios das alterações climáticas nos Pirenéus deduzidos do relatório, entre os quais preparar a população para as alterações climáticas, reforçar a segurança perante os riscos naturais e acompanhar a população nos períodos de seca.

A lista dos desafios é completada com a garantia da qualidade da água, manutenção da atractividade turística dos Pirenéus, resposta às mudanças na produtividade e qualidade da produção agrícola, previsão das transformações irreversíveis na paisagem e a possível perda de biodiversidade, adaptação aos desequilíbrios entre oferta e procura energética e enfrentar a propagação de pragas.

A coordenadora do OPCC insistiu na “redução das emissões poluentes” e “adaptação” como formas de enfrentar o problema, e recordou que as alterações climáticas são “mais um factor de pressão” sobre o território, como pode ser a perda de população ou a falta de substituição de gerações na agricultura.

A apresentação do relatório realizou-se um dia antes da reunião da Comunidade de Trabalho dos Pirenéus, que vai decorrer em Saragoça e que integra as comunidades autónomas de Espanha e os departamentos de França unidos pela cordilheira, bem como Andorra.

ZAP // Lusa

Por Lusa
13 Novembro, 2018

 

1282: Avistamento de OVNIs ao largo da costa irlandesa sob investigação

A hipótese de poder tratar-se de um meteoro não foi suficiente para que a autoridade irlandesa decidisse não investigar o assunto. O alerta foi dado por um piloto da British Airways.

© Reuters/Mike Blake

Depois de relatos de luzes brilhantes e avistamento de OVNIs na costa sudoeste do país, a Autoridade da Aviação da Irlanda (IAA) decidiu dar início a uma investigação oficial. De acordo com a BBC, às 6:47 da passada sexta-feira, uma piloto da British Airways comunicou à torre de controlo aéreo de Shannon ter visto um dispositivo “mover-se muito rapidamente”, questionando se se trataria de um exercício militar. Mas a hipótese foi negada pelo controlador do tráfego aéreo.

Foi uma “luz muito brilhante” e um objecto a subir pelo lado esquerdo do avião que fizeram a piloto desconfiar. A velocidade do objecto voador, que se desviava “muito rapidamente para o norte”, foi outro elemento que contribuiu para a tese de que poderia tratar-se de um OVNI. A comunicação da piloto com a torre de controlo pode ser ouvida aqui.

Um outro piloto de um avião da Virgin sugeriu que o objecto pudesse ser um meteoro a reentrar na atmosfera terrestre, admitindo que há “múltiplos objectos que seguem o mesmo tipo de trajectória” e são igualmente brilhantes. Mas diz ter visto duas luzes brilhantes” à direita da aeronave que pilotava, e que desapareceram a alta velocidade. Outro comandante garante que a velocidade era “astronómica”, como Mach 2 – que é o dobro da velocidade do som.

A Autoridade de Aviação irlandesa decidiu, então, dar início a uma investigação. “Na sequência de relatos de actividade aérea anormal de um pequeno número de aeronaves, na sexta-feira, 9 de Novembro, o IAA apresentou um relatório”, seguiu em comunicado.

“Este relatório será investigado no processo normal de investigação de ocorrências confidenciais”, explicou ainda a autoridade.

O porta-voz do aeroporto de Shannon recusou dar quaisquer declarações sobre o tema, pelo menos enquanto a investigação estiver a decorrer.

Diário de Notícias
Catarina Reis
13 Novembro 2018 — 08:30

 

1281: Cientistas criam líquido que armazena energia solar durante 18 anos

CIÊNCIA

SDO / NASA

Não interessa se é abundante ou renovável. O grande calcanhar de Aquiles da energia solar é o facto de ainda não haver armazenamento barato e eficiente a longo prazo para a energia que gera. Mas cientistas suecos acreditam ter encontrado uma solução.

A energia solar é um tipo de energia “verde” que ainda será muito explorada pela humanidade no futuro. Ainda assim, a verdade é que, para já, armazená-la de maneira eficiente e a longo prazo é algo bastante caro – ou seja, um grande impedimento para a sua adopção em grande escala.

Agora, uma equipa de cientistas suecos acredita ter uma possível solução. Os cientistas acabam de desenvolver um fluido especial, chamado de “combustível solar térmico”, que é capaz de armazenar energia solar durante 18 anos.

“Um combustível térmico solar é como uma bateria recarregável, mas, em vez de electricidade, a luz solar aquece e é accionada sob demanda”, explica Jeffrey Grossman, engenheiro do MIT.

Este fluido é, na verdade, uma molécula na sua forma líquida na qual os cientistas da Chalmers University of Technology, na Suécia, têm vindo a analisar e a trabalhar para a aprimorar há mais de um ano.

Esta molécula é composta de carbono, hidrogénio e nitrogénio. quando é atingida pela luz do Sol, as ligações entre os seus átomos são rearranjadas, transformando-se numa nova versão energizada de isómero. Desta forma, a energia do Sol é então capturada pelas ligações químicas do isómero, permanecendo ali mesmo após o resfriamento da molécula à temperatura ambiente, explica o CanalTech.

Desta forma, para gerar energia eléctrica para um aquecedor doméstico, por exemplo, o fluido é extraído de um catalisador que retorna a molécula à sua forma original, processo no qual existe libertação de energia na forma de calor.

“Quando extraímos energia para a usar, conseguimos um aumento de calor que é maior do que ousamos esperar”, disse Kasper Moth-Poulse, cientista que participou no estudo, recentemente publicado na revista Energy & Environmental Science.

(dr) Chalmers University of Technology

Durante a experiência, a equipa de investigadores colocou um protótipo deste sistema no telhado do prédio da universidade sueca, um aparelho que é composto por um reflector côncavo com um tubo no meio, que procura o Sol como se fosse uma antena parabólica com vida.

Quando é aquecido pela luz solar, o fluido, que fica em tubos transparentes, transforma a molécula no seu isómero, aprisionando o calor.

Os resultados são muito promissores e até já chamaram a atenção, tanto pela sua eficiência como também pelo facto de este processo ser livre de emissões prejudiciais ao meio ambiente.

O objectivo é adoptar esta tecnologia em sistemas domésticos de aquecimento, ainda que a equipa acredite, no entanto, que este sistema pode também ser disponibilizado, no futuro, para uso comercial.

ZAP //

Por ZAP
13 Novembro, 2018

 

1280: ESO apresenta primeiro vídeo de sempre de um planeta a orbitar uma estrela

Astrónomos europeus conseguiram observar pela primeira vez como um dos exoplanetas próximos à Terra orbita em torno da sua estrela.

A Beta Pictoris é a segunda estrela mais brilhante na constelação de Pictor e está localizada a 64 anos-luz do Sistema Solar. Com uma massa 1,75 vezes maior que a do Sol e possui uma luminosidade 8,7 vezes maior. O sistema de Beta Pictoris é muito jovem, tendo apenas entre 8 e 20 milhões de anos.

Este corpo celeste atraiu a atenção dos astrónomos no início dos anos 1980, tendo uma radiação infravermelha invulgarmente forte. Verificou-se que a fonte era um disco de gases e poeira, que orbitava em torno da estrela, onde foi encontrado o planeta Beta Pictoris b.

As primeiras fotos deste mundo emergente e do seu “manto” de gases e poeira foram obtidas pelo telescópio Hubble em 2009. As observações posteriores do planeta revelaram várias particularidades estranhas, inclusive o seu tamanho gigante e uma órbita invulgarmente inclinada.

Utilizando a ferramenta NACO, através do telescópio VLT no Chile, ao longo dos últimos quatro anos os cientistas do Observatório Europeu do Sul observaram o Beta Pictoris b a orbitar em torno do astro e sobrevoando a borda do disco no momento em que a estrela e o exoplaneta “olham” em direcção à Terra.

ESO/Lagrange/SPHERE

A primeira gravação em vídeo do movimento de um planeta em torno de outra estrela, segundo os investigadores, ajudou a determinar a temperatura do mesmo, a duração do seu ano e outras características do Beta Pictoris b.

Devido às temperaturas muito altas, a vida dificilmente poderia existir na sua superfície, bem como nos satélites. Por outro lado, a observação destes mundos pode ajudar a entender como surgem os planetas e do que depende a localização de “zonas de vida” em grandes estrelas brilhantes.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
13 Novembro, 2018