393: Novo estudo sugere que o tempo já existia antes do Big Bang

Gerd Altmann / pixabay

Será que o Big Bang foi mesmo o começo de “tudo”? Um novo estudo sugere que este evento não foi o início dos tempos, apenas que o Big Bang nos leva a um tipo diferente de início num universo invertido.

Há 90 anos, o astrónomo belga Georges Lemaître propôs que as mudanças observadas na luz de galáxias distantes implicavam que o universo estava em expansão. Se o universo está a ficar maior, isso significa que já foi menor.

Ao “voltar atrás na fita” cerca de 13,8 mil milhões de anos, chegamos finalmente a um ponto no qual o espaço deveria estar confinado a um volume incrivelmente pequeno, também conhecido como “singularidade”.

Há uma série de modelos que os físicos usam para descrever o “nada” do espaço vazio. A relatividade geral de Einstein é um deles: descreve a gravidade em relação à geometria do tecido subjacente do universo.

Mas teoremas propostos por Stephen Hawking e o matemático Roger Penrose, por exemplo, afirmam que as soluções para as equações da relatividade geral numa escala infinitamente densa – como dentro de uma singularidade – são incompletas.

Recentemente, Hawking deu a sua opinião sobre o que havia antes do Big Bang numa entrevista a Neil deGrasse Tyson, na qual comparou as dimensões espaço-tempo do Big Bang com o Polo Sul. “Não há nada a sul do Polo Sul, por isso não havia nada antes do Big Bang”, disse.

No entanto, outros físicos argumentam que há algo além do Big Bang. Uma das propostas, por exemplo, é de um universo espelho do outro lado desse evento, onde o tempo se move para trás.

Na nova pesquisa, os físicos Tim A. Koslowski, Flavio Mercati e David Sloan apresentaram um modelo que ressalta as contradições do Big Bang, conforme a relatividade geral.

Voltando a toda a questão da singularidade, os cientistas reinterpretaram o modelo existente do espaço em expansão, distinguindo o próprio espaço-tempo do “material” nele e chegaram a uma descrição do Big Bang onde a física permanece intacta conforme o estágio em que actua se reorienta.

Em vez de uma singularidade, a equipa chama a isso o “ponto de Janus“, em homenagem ao deus romano com dois rostos.

Antes do ponto de Janus, as posições relativas e as escalas das coisas que compõem o universo efectivamente achatar-se-iam numa “panqueca” bidimensional à medida que voltamos atrás no tempo.

Passando pelo ponto de Janus, essa panqueca torna-se 3D novamente, apenas de trás para a frente.

É como se estivéssemos num universo “invertido”. Os cientistas acreditam que isso poderia ter profundas implicações na simetria da física de partículas, talvez até produzindo um universo baseado principalmente em antimatéria.

Embora essa ideia de inversão não seja nova, a abordagem dos cientistas em torno do problema da singularidade é. “Não apresentamos novos princípios e não modificamos a teoria da relatividade geral de Einstein – apenas a interpretação que é colocada sobre os objectos”, disse um dos cientistas, David Sloan, da Universidade Oxford.

Novos debates e estudos podem avançar nesse sentido. A pesquisa foi publicada na revista científica Physics Letters B em Fevereiro.

ZAP // HypeScience / Science Alert

Por ZAP
23 Março, 2018

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