4376: A água é, em simultâneo, dois líquidos num só

CIÊNCIA/FÍSICA/QUÍMICA

(CC0/PD) mars_ / pixabay

O super-resfriamento da água líquida a temperaturas mais baixas do que as alcançadas anteriormente revelou novas evidências de que a água pode existir como dois líquidos diferentes ao mesmo tempo.

Uma equipa do Pacific Northwest National Laboratory (PNNL) fez as primeiras medições de água líquida a temperaturas muito mais frias do que o seu ponto de congelamento típico e chegou à conclusão que a água super-resfriada é, na verdade, dois líquidos em um, avança o Inverse.

“Mostramos que a água líquida a temperaturas extremamente baixas não é apenas relativamente estável: ela existe em dois motivos estruturais“, explicou Greg Kimmel, físico químico do PNNL. “As descobertas explicam uma controvérsia de longa data sobre se a água super-resfriada cristaliza ou não antes de se equilibrar. A resposta é: não.”

Nos últimos 25 anos, Greg Kimmel trabalhou com o físico Bruce Kay no estudo da água, porque, “no que diz respeito aos líquidos, é mais estranha do que a maioria”.

A conversão de água líquida em gelo não acontece por acaso, nem apenas por causa do frio. Quando não há cristal de semente ou núcleo para as moléculas de água começarem a formar estruturas cristalinas, a forma da matéria da água não muda. Para evitar a formação de um núcleo, a água deve estar livre de impurezas e movimento.

É assim que surge a água super-resfriada que, além de relativamente estável, existe em dois motivos estruturais, segundo os cientistas. O artigo científico foi publicado no dia 18 de Setembro na Science.

Através da espectroscopia infravermelha, os cientistas observaram atentamente de que forma as moléculas de água reagiriam quando um laser foi disparado contra um bloco de gelo – produzindo água líquida super-resfriada por alguns nano-segundos.

De acordo com o Inverse, os testes de laser foram executados várias vezes, provando que todas as mudanças estruturais eram reversíveis e reproduzíveis.

Esta experiência pode ajudar a explicar o granizo, as pequenas bolas que caem do céu durante as tempestades do Inverno. O granizo forma-se quando um floco de neve interage com água líquida super-resfriada na alta atmosfera.

O estudo também pode ajudar a compreender como é que a água líquida pode existir em planetas muito frios, como Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. O vapor de água super-resfriado também cria as caudas na traseira dos cometas.

Os especialistas defendem que existem vários usos potenciais para a água super-resfriada: o rápido processo de congelamento poderia ser usado para detectar matéria escura, por exemplo. Também poderia ser usada no estudo do clima, já que a cobertura de nuvens desempenha um papel importante na temperatura e está “relacionada com a forma como as nuvens se formam e como a água super-resfriada se cristaliza”.

Apesar de considerar que observar o que acontece com a água muito fria em certas condições por um milissegundo é “esotérico”, Kimmel defende que a água é crucial para a Humanidade e que a devemos “entender ao máximo”.

ZAP //

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23 Setembro, 2020

 

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4375: Descoberto novo tipo de planeta no Deserto Neptuniano. Tem um “ano” que dura 19 horas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Universidade do Chile

Uma equipa de cientistas da Universidade do Chile acaba de descobrir um novo tipo de exoplaneta, com um período orbital de 19 horas.

Em comunicado, a equipa precisa que o planeta, baptizado de LTT 9779 b, tem uma temperatura de 1.700 graus Celsius, mas ainda assim mantém a sua atmosfera.

O exoplaneta foi encontrado a 260 anos-luz da Terra, no Deserto Neptuniano, uma área com baixa densidade planetária que, por possuir corpos gasosos semelhantes a Neptuno, permite aos cientistas estudar as atmosferas planetárias e resolver alguns dos mistérios relacionados com a sua formação e evolução.

Liderada pelo astrónomo da Universidade do Chile James Jenkins, a equipa recorreu a leituras do “caçador” de exoplanetas da agência espacial norte-americana (NASA) TESS.

“É muito difícil explicar porque é que este planeta não se tornou num núcleo de rocha. Não acho que possamos encontrar muitos outros exemplos como este a orbitar outras estrelas tão brilhantes”, afirmou o líder da investigação.

O sistema ao qual pertence o LTT 9779 b tem cerca de metade da idade do Sol, isto é, cerca de 2 mil milhões de anos. A intensa radiação da estrela não deve permitir que uma atmosfera como a de Neptuno perdure por tanto tempo.

Para Jenkins, a descoberta é relevante para investigações futuras, uma vez que permitirá aos cientistas “entender muito melhor os processos químicos e físicos das atmosferas de planetas com características semelhantes a Neptuno”.

“Vai permitir-nos aprender muito mais sobre os processos de formação e evolução dos planetas em geral (…) É um planeta muito especial”, rematou.

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23 Setembro, 2020

 

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4374: Dynetics revela o módulo lunar do programa Artemis (incluindo o interior)

CIÊNCIA/ESPAÇO/LUA


– Vídeo editado por captura de écran dado não estar disponível o endereço do original.

A empresa norte-americana Dynetics revelou, no dia 15 de Setembro, um modelo em escala real do módulo lunar especialmente projectado para levar os astronautas da NASA à Lua já em 2024, como parte do programa Artemis.

O Homem vai, novamente, à Lua pelas mãos da NASA em 2024. A data está a aproximar-se, o que leva a que alguns detalhes da missão Artemis sejam revelados. No dia 15 de Setembro, a empresa Dynetics revelou um vídeo que mostra alguns detalhes do módulo de pouso lunar que será usado na viagem espacial, incluindo o seu interior.

De acordo com o Futurism, o modelo em escala real foi construído para que os engenheiros espaciais tenham uma melhor visão de como os astronautas irão interagir com o equipamento na viagem ao satélite natural da Terra.

“O design flexível é prontamente reconfigurável, permitindo que a equipa de integração de sistemas humanos (HSI) e a tripulação de voo analisem e forneçam feedback sobre os primeiros designs de conceito e executem iterações rápidas”, adiantou a empresa, com sede no Alabama, Estados Unidos.

No fundo, os diferentes módulos de controlo são essencialmente pedaços de espuma colocados nas paredes internas do modelo, que podem ser facilmente movidos para que os astronautas consigam encontrar o melhor layout.

O módulo é reutilizável e reduzirá drasticamente o custo da exploração lunar. Um dos objectivos da Dynetics era desenvolver um equipamento que pudesse transportar uma grande variedade de cargas úteis, como experiências científicos e rovers pressurizados.

Além disso, acomoda várias instalações para os astronautas conduzirem pesquisas avançadas e inclui tanques de combustível para voos e aterrisagens.

Encontrar um equipamento eficiente, funcional e barato pode ser fundamental para a empresa, já que, além da Dynetics, também a Blue Origin, de Jeff Bezos, e a SpaceX, de Elon Musk, possuem contratos com a NASA para desenvolver equipamentos para a missão Artemis.

Em Abril, a agência espacial norte-americana contratou a empresa para levar a cabo o projecto Human Landing System (HLS), uma cabine pressurizada que será responsável por abrigar e transportar astronautas em expedições de curta duração na superfície da Lua.

A Dynetics pretende que a cabine seja utilizada em múltiplas viagens, como acontece actualmente com os foguetes e cápsulas da SpaceX.

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22 Setembro, 2020

 

 

4373: O outono acaba de chegar ao hemisfério norte. E há uma razão para ter sido hoje

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Paul Bica / Flickr

Setembro é o mês do regresso às aulas e ao trabalho. Após os dias quentes de verão, chega o outono. Este ano, a estação começa hoje, dia 22 de Setembro, mais precisamente às 15h31, segundo os cálculos do Observatório Astronómico Nacional de Espanha. Mas por que razão o equinócio de outono ocorre no dia 22 e não no dia 21 ou 23? A chave está em cima das nossas cabeças.

Três, dois, um… o outono acaba de chegar, agora mesmo, à hora a que esta notícia viu a luz. O início das estações é normalmente regulado quando a Terra está em uma determinada posição na sua órbita ao redor do Sol. No caso do outono ocorre quando o centro do Sol, visto do planeta, cruza o equador celestial num movimento para o sul.

Quando isso acontece, a duração do dia e da noite praticamente coincidem. Este fenómeno é chamado de equinócio de outono – que acontece apenas no hemisfério norte, já que os países do sul recebem a primavera, explica o ABC.

O Observatório Astronómico Nacional espanhol indica que o equinócio desta estação pode ocorrer em quatro datas diferentes, ou seja, entre 21 e 24 de Setembro. Ao longo deste século (quase) que só será possível ver o início do outono a 22 ou 23 de Setembro, sendo que o início da estação um dia mais cedo só deverá acontecer em 2096. O último aconteceu em 2003, ocorrendo no dia 21.

As datas dos equinócios variam de um ano para o outro, devido aos anos não terem exactamente 365 dias, fazendo com que o momento preciso do equinócio varie ao longo de um período de dezoito horas, que não se encaixa necessariamente no mesmo dia.

O outono é a época do ano em que a duração do dia diminui mais rapidamente. Nas latitudes da península, o Sol nasce de manhã todos os dias mais de um minuto depois do dia anterior, e à tarde põe-se mais de um minuto antes. Desta forma, o tempo que o Sol está acima do horizonte, no início do outono, é reduzido em quase três minutos todos os dias nas latitudes da Península Ibérica.

Contudo, mesmo que a estação mude – e irá estar presente nos próximos 89 dias e 20 horas até ao dia 21 de Dezembro, dia em que começa o inverno –  ainda temos de esperar até o último domingo de Outubro para atrasar o relógio uma hora.

Em relação aos fenómenos astrológicos, a primeira lua cheia do outono deverá ocorrer a 1 de Outubro e a seguinte, 29 ou 30 dias depois. Quanto aos planetas, ao amanhecer o céu será dominado por Vénus, e ao anoitecer por Júpiter e Saturno. Marte será visível pela manhã no início do outono e deverá tornar-se visível ao anoitecer em meados de Outubro.

A 30 de Novembro, os amantes de astrologia vão poder assistir a um eclipse lunar visível na Ásia, Oceânia e América. No mês seguinte, no dia 14 de Dezembro, vai haver um eclipse solar total que poderá ser visto no Oceano Pacífico, América do Sul, Antárctica e Oceano Atlântico.

Nenhum destes dois eclipses será visível em Portugal.

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22 Setembro, 2020

 

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4372: Deserto Neptuniano: Astrónomos descobriram um novo exoplaneta

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Que o Universo é gigante já todos sabemos. Aliás, sabemos também que, dele, conhecemos muito pouco e que representa ainda uma incógnita muito grande. No entanto, a tecnologia permite que este seja cada vez mais explorado e, assim, vão sendo encontradas novidades, como um planeta ou um exoplaneta, que despertam curiosidade nos especialistas.

Assim sendo, uma equipa de astrónomos descobriu um novo exoplaneta no Deserto Neptuniano.

Novo exoplaneta espoleta curiosidade

A descoberta foi feita por astrónomos conduziu uma investigação que os levou até ao LTT 9779 b. Além de se tratar de um novo tipo de planeta, ainda foi descoberto no chamado Deserto Neptuniano. Ademais, as suas características tornam-se impressionante e curioso, na perspectiva dos astrónomos.

O LTT 9779 b orbita extremamente perto da sua estrela e o seu ano dura cerca de 19 horas. Além disso, a temperatura deste novo exoplaneta sobe aos 1700º Celsius, mantendo, ainda assim, a sua atmosfera.

Conforme ficou conhecido, o LTT 9779 b é “o primeiro Neptuno ultra quente” da história da astrofísica. Então, está localizado a 260 anos-luz da nossa Terra e atinge temperaturas absurdamente altas.

De acordo com os astrónomos que descobriram este novo exoplaneta LTT 9779 b, esta novidade era improvável, por ter sido feita numa área de baixa densidade planetária. A dirigi-la estão James Jenkins, do Departamento de Astronomia da Universidade do Chile, e Matías Díaz, doutorado em Astronomia na mesma universidade. Ambos recolheram informações sobre o LTT 9779 b através do Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS).

O novo exoplaneta foi descoberto numa área com metade da idade do nosso Sol, o Deserto Neptuniano, ou seja, cerca de 2 milhões de anos de idade. Segundo Jenkins, a descoberta deste novo exoplaneta irá permitir que os astrónomos compreendam mais sobre a química e os processos físicos das atmosferas dos planetas com características semelhantes.

PPlware
Autor: Ana Sofia
22 Set 2020

 

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4371: VLBA faz primeira medição directa da distância até um magnetar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de um magnetar – uma estrela de neutrões super-densa com um campo magnético extremamente forte. Nesta imagem, o magnetar está a emitir um surto de radiação.
Crédito: Sophia Dagnello, NRAO/AUI/NSF

Usando o VLBA (Very Long Baseline Array) da NSF (National Science Foundation), astrónomos fizeram a primeira medição geométrica directa da distância até um magnetar dentro da nossa Galáxia, a Via Láctea – uma medição que pode ajudar a determinar se os magnetares são as fontes das há muito misteriosas FRBs (Fast Radio Bursts, em português “rajadas rápidas de rádio”).

Os magnetares são uma variedade de estrelas de neutrões – os remanescentes super-densos de estrelas massivas que explodiram como super-novas – com campos magnéticos extremamente fortes. Um campo magnético típico de um magnetar é um bilião de vezes mais forte do que o campo magnético da Terra, tornando os magnetares os objectos mais magnéticos do Universo. Podem emitir fortes rajadas de raios-X e raios-gama, e recentemente tornaram-se candidatos principais para as fontes de FRBs.

Um magnetar chamado XTE J1810-197, descoberto em 2003, foi o primeiro de apenas seis destes objectos encontrados a emitir pulsos de rádio. Fê-lo de 2003 a 2008, depois cessou por uma década. Em Dezembro de 2018, retomou a emissão de brilhantes pulsos de rádio.

Uma equipa de astrónomos usou o VLBA para observar regularmente XTE J1810-197 de Janeiro a Novembro de 2019, e novamente durante Março e Abril de 2020. Ao visualizarem o magnetar de lados opostos da órbita da Terra em torno do Sol, foram capazes de detectar uma ligeira mudança na sua posição aparente em relação a objectos de fundo muito mais distantes. Este efeito, chamado de paralaxe, permite que os astrónomos usem a geometria para calcular diretamente a distância ao objecto.

“Esta é a primeira medição de paralaxe para um magnetar, e mostra que está entre os magnetares mais próximos conhecidos – cerca de 8100 anos-luz – tornando-o um alvo principal para estudos futuros,” disse Hao Ding, estudante da Universidade Swinburne de Tecnologia na Austrália.

No dia 28 de Abril, um magnetar diferente, chamado SGR 1935+2154, emitiu um breve surto de rádio que foi o mais forte já registado na Via Láctea. Embora não seja tão forte quanto as FRBs vindas de outras galáxias, esta explosão sugeriu aos astrónomos que os magnetares podiam gerar FRBs.

As rajadas rápidas de rádio foram descobertas pela primeira vez em 2007. São muito energéticas e duram no máximo alguns milissegundos. A maioria veio de fora da Via Láctea. A sua origem permanece desconhecida, mas as suas características indicam que o ambiente extremo de um magnetar pode gerá-las.

“Ter uma distância precisa até este magnetar significa que podemos calcular com precisão a força dos seus pulsos de rádio. Se emitir algo semelhante a uma FRB, saberemos quão forte é esse pulso,” disse Adam Deller, também da Universidade Swinburne. “As FRBs variam na sua força, de modo que gostaríamos de saber se um pulso magnetar chega perto ou se sobrepõe à força das FRBs conhecidas”, acrescentou.

“A chave para responder a esta questão será obter mais medições de distâncias para outros magnetares, para que possamos expandir a nossa amostra e obter mais dados. O VLBA é a ferramenta ideal para fazer isto,” disse Walter Brisken, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory).

Além disso, “sabemos que os pulsares, como o da famosa Nebulosa do Caranguejo, emitem ‘pulsos gigantes’, muito mais fortes do que os normais. A determinação das distâncias destes magnetares vai ajudar-nos a entender este fenómeno, e a aprender se talvez as FRBs sejam o exemplo mais extremo de pulsos gigantes,” disse Ding.

O objectivo final é determinar o mecanismo exacto que produz as rajadas rápidas de rádio, disseram os cientistas.

Ding, Deller, Brisken e colegas relataram os seus resultados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Astronomia On-line
22 de Setembro de 2020

 

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4370: Rochas antigas e estratificadas de Vénus apontam para origem vulcânica

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagem simulada aérea de Tellus Tessera, uma das regiões de Vénus onde Byrne et al. identificam a presença de estratificação.
Crédito: Byrne et al., NASA (Magellan)

Uma equipa internacional de investigadores descobriu que alguns dos terrenos mais antigos de Vénus, conhecidos como “tesserae”, têm camadas que parecem consistentes com actividade vulcânica. A descoberta pode fornecer informações sobre a enigmática história geológica do planeta.

As “tesserae” são regiões tectonicamente deformadas na superfície de Vénus, frequentemente mais elevadas do que a paisagem circundante. Compreendem cerca de 7% da superfície do planeta e são sempre a característica mais antiga das suas imediações, com mais ou menos 750 milhões de anos. Num novo estudo publicado na revista Geology, os investigadores mostram que uma parte significativa das “tesserae” têm estrias consistentes com camadas.

“Geralmente, há duas explicações para as ‘tesserae’ – ou são feitas de rochas vulcânicas ou são contrapartes da crosta continental da Terra,” diz Paul Byrne, professor associado de ciência planetária da Universidade Estatal da Carolina do Norte e autor principal do estudo. “Mas as camadas que encontramos em algumas das ‘tesserae’ não são consistentes com a explicação da crosta continental.”

A equipa analisou imagens da superfície de Vénus obtidas pela missão Magellan da NASA em 1989, que usou radar para fotografar 98% do planeta através da sua atmosfera densa. Embora os cientistas tenham estudado as ‘tesserae’ durante décadas, antes deste trabalho, a estratificação das ‘tesserae’ não foi reconhecida como generalizada. E, segundo Byrne, essa estratificação não seria possível se as ‘tesserae’ fossem porções da crosta continental.

“A crosta continental é composta principalmente de granito, uma rocha ígnea formada quando as placas tectónicas se movem e a água é subduzida da superfície,” diz Byrne. “Mas o granito não forma camadas. Se houver crosta continental em Vénus, então é abaixo das camadas de rochas que vemos.

“Além da actividade vulcânica, a outra forma de fazer rochas em camadas é por meio de depósitos sedimentares, como arenito ou calcário. Não há um único lugar hoje em Vénus onde estes tipos de rochas possam formar-se. A superfície de Vénus é tão quente quanto um forno e a pressão é equivalente a 900 metros debaixo de água. Portanto, as evidências agora apontam para algumas porções das ‘tesserae’ sendo feitas de rochas vulcânicas em camadas, semelhantes às encontradas na Terra.”

Byrne espera que o trabalho ajude a esclarecer mais sobre a complicada história geológica de Vénus.

“Embora os dados que temos agora apontem para as origens vulcânicas das ‘tesserae’, se um dia pudéssemos recolher amostras e descobrir que são rochas sedimentares, então teriam que ter sido formadas quando o clima era muito diferente – talvez até mesmo como o da Terra,” diz Byrne.

“Vénus hoje é um inferno, mas não sabemos se foi sempre assim. Será que já foi como a Terra, mas sofreu erupções vulcânicas catastróficas que arruinaram o planeta? De momento não podemos dizer com certeza, mas o facto das ‘tesserae’ terem camadas restringe as potenciais origens desta rocha.”

Astronomia On-line
22 de Setembro de 2020

 

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4369: Astrónomos capturam ventos estelares em detalhes sem precedentes

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta galeria de imagens de ventos estelares em torno de estrelas velhas e frias mostra uma variedade de morfologias, incluindo discos, cones e espirais. A cor azul representa o material que vem na nossa direcção; o vermelho é material que se move para longe de nós.
Crédito: L. Decin, ESO/ALMA

Astrónomos apresentaram uma explicação para as formas hipnotizantes das nebulosas planetárias. A descoberta é baseada num extraordinário conjunto de observações de ventos estelares em torno de estrelas envelhecidas.

Ao contrário do consenso comum, a equipa descobriu que os ventos estelares não são esféricos, mas têm um formato semelhante ao das nebulosas planetárias. A equipa conclui que a interacção com uma estrela ou exoplaneta acompanhante molda tanto os ventos estelares quanto as nebulosas planetárias. Os resultados foram publicados na revista Science.

As estrelas moribundas incham e arrefecem para eventualmente se tornarem gigantes vermelhas. Produzem ventos estelares, fluxos de partículas que a estrela expele, o que faz com que percam massa. Tendo em conta que faltavam observações detalhadas, os astrónomos sempre assumiram que estes ventos eram esféricos, como as estrelas que rodeiam. À medida que a estrela evolui mais, ela aquece novamente e a radiação estelar faz com que as camadas ejectadas de material estelar em expansão brilhem, formando uma nebulosa planetária.

Durante séculos, os astrónomos estiveram no “escuro” no que toca à variedade extraordinária de formas coloridas das nebulosas planetárias que foram observadas. Todas as nebulosas parecem ter uma certa simetria, mas quase nunca são redondas. “O Sol – que antes do fim se tornará uma gigante vermelha – é redondo como uma bola de bilhar, por isso perguntámo-nos: como é que uma estrela pode produzir todas estas formas diferentes?” diz a autora Leen Decin (Universidade Católica de Leuven).

A sua equipa observou ventos estelares em torno de estrelas gigantes vermelhas frias com o observatório ALMA no Chile, o maior radiotelescópio do mundo. Pela primeira vez, reuniram uma colecção grande e detalhada de observações, cada uma feita usando exactamente o mesmo método. Isto foi crucial para poder comparar directamente os dados e excluir vieses.

O que os astrónomos viram surpreendeu-os. “Notámos que estes ventos são tudo menos simétricos ou redondos,” diz a professora Decin. “Alguns são bastante semelhantes em forma às nebulosas planetárias.”

Companheiros

Os astrónomos podiam até identificar diferentes categorias de formas. “Alguns ventos estelares eram em forma de disco, outros continham espirais e, num terceiro grupo, identificámos cones.” Esta é uma indicação clara de que as formas não foram criadas aleatoriamente. A equipa percebeu que outras estrelas de baixa massa, ou até mesmo planetas massivos nas proximidades da estrela moribunda, estavam a provocar os diferentes padrões. Estes companheiros são demasiado pequenos e ténues para detectar directamente. “Assim como uma colher que usamos para misturar uma chávena de café com um pouco de leite pode criar um padrão em espiral, a companheira suga o material na sua direcção enquanto gira em torno da estrela e esculpe o vento estelar,” explica Decin.

A equipa colocou esta teoria em modelos e de facto: a forma dos ventos estelares pode ser explicada pelas companheiras que os rodeiam, e o ritmo no qual a estrela evoluída fria está a perder a sua massa devido ao vento estelar é um parâmetro importante. Decin: “Todas as nossas observações podem ser explicadas pelo facto de que as estrelas têm uma companheira”.

Até agora, os cálculos sobre a evolução das estrelas baseavam-se na suposição de que estrelas envelhecidas como o Sol têm ventos estelares esféricos. “As nossas descobertas mudam muito. Uma vez que a complexidade dos ventos estelares não foi contabilizada no passado, qualquer estimativa anterior do ritmo de perda de massa de estrelas velhas pode estar errada até um factor de 10.” A equipa está agora a fazer investigações adicionais para ver como isto pode impactar os cálculos de outras características cruciais da evolução estelar e galáctica.

O futuro do Sol

O estudo também ajuda a imaginar o aspecto do Sol quando este morrer daqui a 7000 milhões de anos. “Júpiter ou mesmo Saturno – dado que têm uma massa tão grande – vão influenciar se o Sol passa os seus últimos milénios no coração de uma espiral, de uma borboleta ou de qualquer outra forma fascinante que vemos nas nebulosas planetárias de hoje,” realça Decin. “Os nossos cálculos indicam que se formará uma fraca espiral no vento estelar do velho e moribundo Sol.”

“Ficámos muito entusiasmados quando explorámos as primeiras imagens,” diz o co-autor Miguel Montargès da mesma universidade. “Cada estrela, que antes era apenas um número, tornou-se um indivíduo. Agora, para nós, têm uma identidade própria. Esta é a magia de ter observações de alta precisão: as estrelas deixam de ser apenas pontos.”

O estudo faz parte do projecto ATOMIUM, que visa aprender mais sobre a física e sobre a química das estrelas velhas. “As estrelas frias e antigas são consideradas chatas, velhas e simples, mas agora provámos que não são: contam a história do que vem depois. Demorámos algum tempo para perceber que os ventos estelares podem ter a forma de pétalas de rosa (ver, por exemplo, o vento estelar de R Aquilae) mas, como disse Antoine de Saint-Exupéry disse no seu livro ‘O Principezinho ‘: ‘Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante’,” conclui Decin.

Astronomia On-line
22 de Setembro de 2020

 

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4368: O Ciclo Solar 25 vai afectar a vida na Terra (e a NASA explica como)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA


– Vídeo caprurado via écran dado que não se encontra disponibilizado o endereço original.

A cada 11 anos, o Sol inicia um novo ciclo solar, marcado por períodos de violentas erupções e explosões magnéticas.

Em Dezembro de 2019, teve início um novo ciclo solar. Na semana passada, a NASA e a NOAA, a agência focada no Oceano e na Atmosfera, anunciaram que o Ciclo Solar 25 será muito semelhante ao último – relativamente calmo, sendo que incluiu o máximo solar mais fraco desde 1928.

Segundo o Inverse, as agências partilharam informação sobre o trabalho do Solar Cycle 25 Prediction Panel e de que forma as mudanças do clima espacial vão afectar as nossas vidas e a tecnologia na Terra.

Lika Guhathakurta, cientista da divisão de Heliofísica da NASA, explicou que, “conforme emergimos do mínimo solar e nos aproximamos do máximo do Ciclo 25, é importante lembrar que a actividade solar nunca para; ele muda de forma conforme o pêndulo oscila”.

À semelhança do que já acontece na Terra, os cientistas querem compreender melhor o clima espacial e desenhar modelos de previsão. “O clima espacial é o que é, o nosso trabalho é preparar-nos”, disse Jake Bleacher, cientista-chefe do Directório de Exploração Humana e Operações da NASA.

Para determinar o início de um novo ciclo, os investigadores analisaram os dados mensais sobre as manchas solares do World Data Center para o Índice de Manchas Solares e Observações Solares de Longo Prazo, localizado no Observatório Real da Bélgica, em Bruxelas.

“Mantemos um registo detalhado das poucas manchas solares minúsculas que marcam o início e a ascensão do novo ciclo”, explicou Frédéric Clette, director do centro. “Estes são os pequenos arautos dos futuros fogos de artifício solares gigantes. Ao rastrear a tendência geral ao longo de muitos meses podemos determinar o ponto de inflexão entre dois ciclos.”

Assim, de acordo com as previsões dos cientistas, o próximo máximo do ciclo solar deverá acontecer em Julho de 2025. Os investigadores preveem que poderá ser tão forte quanto o último ciclo solar, que foi um ciclo abaixo da média, mas que pode acarretar alguns riscos.

Determinar o comportamento da nossa estrela é uma tarefa difícil. “Em fases de alta actividade, erupções violentas de partículas e radiação do Sol também podem afectar a Terra”, salientou Robert Cameron, do Instituto Max Planck, na Alemanha.

Na pior das hipóteses, o evento pode causar danos em satélites, redes de comunicação e de transmissão de energia, ou colocar em perigo os astronautas da Estação Espacial Internacional (EEI).

No entanto, o novo ciclo solar, que se prevê fraco, deve dar poucos motivos para preocupações.

ZAP //

Por ZAP
22 Setembro, 2020

 

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4367: Eis os quatro mundos mais promissores de albergar vida alienígena

CIÊNCIA/MARTE/VIDA ALIENÍGENA

Kevin Gill / Flickr

Marte, Europa, Encélado e Titã são, de acordo com as descobertas científicas, os mundos mais promissores de albergar vida alienígena.

A biosfera da Terra contém todos os ingredientes conhecidos necessários para a vida como a conhecemos. Em termos gerais, são: água líquida, pelo menos uma fonte de energia e um inventário de elementos e moléculas biologicamente úteis.

Mas a recente descoberta de fosfina possivelmente biogénica nas nuvens de Vénus lembra-nos que pelo menos alguns desses ingredientes existem também noutras partes do sistema solar. Então, onde estão os outros locais mais promissores de albergar vida extraterrestre?

Marte

Marte é um dos mundos mais semelhantes à Terra no sistema solar. Tem um dia de 24,5 horas, calotas polares que se expandem e se contraem com as estações, e uma grande variedade de características de superfície que foram esculpidas pela água durante a história do planeta.

A detecção de um lago sob a calota polar sul e de metano na atmosfera marciana (que varia com as estações e até mesmo a hora do dia) torna Marte um candidato muito interessante para conter vida. O metano é importante, pois pode ser produzido por processos biológicos. Mas a fonte real do metano em Marte ainda não é conhecida.

É possível que a vida tenha ganho um ponto de apoio, dadas as evidências de que o planeta já teve um ambiente muito mais benigno. Hoje, Marte tem uma atmosfera muito seca composta quase inteiramente por dióxido de carbono. Isto oferece pouca protecção contra a radiação solar e cósmica. Se Marte conseguiu reter algumas reservas de água abaixo da sua superfície, não é impossível que ainda exista vida.

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Europa

Europa foi descoberta por Galileo Galilei em 1610, juntamente com as três outras luas maiores de Júpiter. É ligeiramente menor que a lua da Terra e orbita o gigante gasoso a uma distância de cerca de 670.000 km a cada 3,5 dias. Europa é constantemente comprimida e esticada pelos campos gravitacionais concorrentes de Júpiter e das outras luas galileanas, um processo conhecido como aquecimento de maré.

A lua é considerada um mundo geologicamente activo, como a Terra, porque o forte aquecimento de maré aquece o seu interior rochoso e metálico e mantém-no parcialmente derretido.

A superfície de Europa é uma vasta extensão de gelo de água. Muitos cientistas pensam que abaixo da superfície congelada há uma camada de água líquida – um oceano global – que é impedida de congelar pelo calor e que pode ter mais de 100 km de profundidade.

As evidências para a existência deste oceano incluem géiseres em erupção através de fissuras na superfície do gelo, um campo magnético fraco e terreno caótico na superfície, que poderia ter sido deformado pelas correntes oceânicas. Este escudo de gelo isola o oceano subterrâneo do frio extremo e do vácuo do espaço, bem como dos ferozes cinturões de radiação de Júpiter.

No fundo deste mundo oceânico, é concebível que possamos encontrar fontes hidrotermais e vulcões no fundo do oceano. Na Terra, esses recursos geralmente suportam ecossistemas muito ricos e diversos.

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Encélado

Como Europa, Encélado é uma lua coberta de gelo com um oceano subterrâneo de água líquida. Encélado orbita Saturno e chamou a atenção dos cientistas pela primeira vez como um mundo potencialmente habitável após a descoberta surpreendente de enormes géiseres perto do pólo sul da lua.

Estes jactos de água escapam de grandes fissuras na superfície e, devido ao fraco campo gravitacional de Encélado, espalham-se para o Espaço. Eles são evidências claras de um armazenamento subterrâneo de água líquida.

Não só foi detectada água nesses géiseres, mas também uma série de moléculas orgânicas e pequenos grãos de partículas rochosas de silicato que só podem estar presentes se a água do oceano sub-superficial estiver em contacto com o fundo do oceano rochoso a uma temperatura de pelo menos 90˚C.

Esta é uma evidência muito forte da existência de fontes hidrotermais no fundo do oceano, fornecendo a química necessária para a vida e fontes localizadas de energia.

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Titã

Titã é a maior lua de Saturno e a única lua do sistema solar com uma atmosfera substancial. Ela contém uma espessa névoa de moléculas orgânicas complexas e um sistema climático de metano no lugar da água.

A atmosfera consiste principalmente de azoto, um importante elemento químico usado na construção de proteínas em todas as formas de vida conhecidas. As observações feitas detectaram a presença de rios e lagos de metano e etano líquidos e, possivelmente, a presença de crio-vulcões – características semelhantes a vulcões que erupcionam água líquida em vez de lava.

Isto sugere que Titã, como Europa e Encélado, tem uma reserva subterrânea de água líquida.

A uma distância tão enorme do Sol, as temperaturas da superfície de Titã são gélidas, -180˚C – muito frias para água líquida. No entanto, os abundantes produtos químicos disponíveis em Titã levantaram especulações de que formas de vida – potencialmente com uma química fundamentalmente diferente dos organismos terrestres – poderiam existir lá.

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ZAP // The Conversation

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22 Setembro, 2020

 

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4366: Relógio em Nova Iorque mostra o tempo restante para reverter efeitos do aquecimento global

CIÊNCIA/AQUECIMENTO GLOBAL/CLIMA

The Climate Clock / Twitter
The Climate Clock no lugar do Metronome, em Nova Iorque

O Metronome, icónico relógio digital de Nova Iorque, deixou de mostrar o tempo do dia-a-dia e mostra agora o tempo restante que o nosso planeta tem para reverter os efeitos do aquecimento global.

O relógio digital com 15 dígitos e quase 19 metros de comprimento é, há mais de 20 anos, um dos projectos mais proeminentes e icónicos da cidade.

Situado na Union Square, em Manhattan, o relógio costumava mostrar o tempo de uma forma peculiar, contando as horas, os minutos, os segundos e as suas fracções, a partir de e até à meia noite.

Durante anos, algumas pessoas não entendiam como funcionava e sugeriam que o mostrador media os hectares de floresta destruída todos os anos, a população mundial, ou que estaria mesmo relacionado com o número pi.

Segundo o New York Times, o relógio adoptou, agora, uma nova missão ecológica. Em vez de medir ciclos de 24 horas, mostra o tempo restante para impedir que os efeitos do aquecimento global se tornem irreversíveis, referindo-se principalmente ao tempo restante para controlar as emissões de carbono antes de atingir o ponto crítico.

No sábado, algumas mensagens como “A Terra tem um prazo” apareceram no ecrã, seguidas de números – 7:103:15:40:07 – que mostravam os anos, dias, horas, minutos e segundos restantes até que o planeta passe esse limite irreversível.

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TheClimateClock
@theclimateclock
“The world is literally counting on us.” #ClimateClock #GreenNewDeal #ActInTime #ClimateWeekNYC
A New York Clock That Told Time Now Tells the Time Remaining
Metronome’s digital clock in Manhattan has been reprogrammed to illustrate a critical window for action to prevent the effects of global warming from becoming irreversible.
nytimes.com

De acordo com Gan Golan e Andrew Boyd, dois climate deadline artists, os números apresentados no ecrã gigante baseiam-se em estimativas feitas pela equipa do Mercator Research Institute of Global Commons and Climate Change.

“Esta é a nossa maneira de gritar aquele número”, disse Golan mesmo antes da contagem decrescente começar. “Agora o mundo está, literalmente, a contar connosco“, acrescentou o artista.

O Relógio Climático, como os criadores chamam ao projecto, será exibido até dia 27 de Setembro, o último dia da Climate Week. Golan e Boyd pretendem que o relógio esteja permanentemente naquele ou noutro local.

Relógio do Apocalipse avançou mais meio minuto

O grupo de cientistas responsável pelo “Relógio do Juízo Final” diz que o mundo se aproximou do Apocalipse no último…

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21 Setembro, 2020

 

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4365: A Antárctida está em perigo. “Glaciar do juízo final” está a derreter a um ritmo alarmante

CIÊNCIA/AQUECIMENTO GLOBAL

Jeremy Harbeck / Nasa

Novas estudos deixam um alerta: A Antárctica está a correr sérios perigos de desaparecer. Os cientistas já apelidaram o Thwaites – um glaciar do tamanho da Grã-Bretanha localizado no oeste do continente –  de “glaciar do juízo final”, devido à rapidez com que está a derreter.

O Thwaites, está a derreter a um ritmo alarmante: está a recuar cerca 800 metros por ano. Os cientistas acreditam que o glaciar deverá perder todo o seu gelo nos próximos 200 a 600 anos. Quando isso acontecer, haverá um inevitável aumento do nível do mar em cerca de 0,5 metros. Contudo, o aumento do nível do mar não é a única consequência do derretimento de gelo na Antárctida – revela o Science Alert.

O colapso do Thwaites pode trazer com ele carradas de gelo que estão presentes no oeste da Antárctica. Sendo assim o aumento do nível do mar não aumentaria apenas 0,5 metros, mas sim 3 metros, o que acabaria por colocar grandes cidades submersas, como é o caso de Nova York, Miami e Holanda – regiões costeiras.

David Holland, professor de ciência atmosférica na Universidade de Nova York diz que este fenómeno pode implicar “uma grande mudança”.

Dois novos estudos acrescentaram ainda mais detalhes a este quadro que já é alarmante. Uma pesquisa publicada na semana passada no jornal Cryosphere, descobriu que as correntes oceânicas quentes podem estar a corroer os extremos do glaciar Thwaites.

Entretanto, um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences na segunda-feira, usou imagens de satélite para mostrar o Thwaites e o seu vizinho, o glaciar Pine Island. Os dois estão a fragmentar-se mais rapidamente do que se pensava e já contribuíram com cerca de 5% para o aumento global do nível do mar.

A má notícia é que não é só o Thwaites que está a desmoronar, pois a camada de gelo da Antárctica está a derreter seis vezes mais rápido do que na década de 1980, perdendo assim 252 mil milhões de toneladas por ano da sua composição, contra os 40 mil milhões de toneladas por ano que perdia há 40 anos.

O novo estudo PNAS descobriu que as margens de cisalhamento nos glaciares Pine Island e no Thwaites estão a enfraquecer, e por isso estão mais vulneráveis o que faz com que se partam –  o que pode estar a causar o fluxo de gelo para o oceano.

Quando as camadas de gelo derretem por baixo, podem perder a sua estrutura, fazendo com que derretam ainda mais rápido e se desintegrem no oceano, como está a acontecer com o glaciar Thwaites.

A fusão do glaciar Thwaites é tão preocupante que os EUA, e o Reino Unido criaram uma agência internacional para estudar o fenómeno, a Colaboração Internacional do Glaciar Thwaites.

Os investigadores calcularam que o glaciar de Pine Island perdeu uma área equivalente ao tamanho de 10 cidades de Lisboa, nos últimos seis anos. “São os primeiros sinais que temos de que a plataforma de gelo de Pine Island está mesmo a desaparecer“, disse Stef Lhermitte, especialista em satélites e principal autor do estudo PNAS.

De acordo com um relatório de 2018, o aumento do nível do mar pode afectar até 800 milhões de pessoas até 2050.

O relatório, da rede climática C40 Cities, descobriu que o aumento do nível do mar pode ameaçar o fornecimento de energia a 470 milhões de pessoas,e regularmente expor 1,6 mil milhões de pessoas a temperaturas extremamente altas.

Num cenário mais trágico, se todo o de gelo da Antárctica derretesse, os cientistas estimam que o nível do mar aumentaria 60 metros.

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21 Setembro, 2020

 

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4364: Cientista sugere construir abrigos em Marte com polímeros de insectos e solo marciano

CIÊNCIA/MARTE

D Mitriy / Wikimedia

Um cientista da Universidade de Tecnologia e Design de Singapura desenvolveu uma tecnologia à base de quitina que poderia ser utilizada para produzir ferramentas e abrigos marcianos.

Javier Fernandez e os seus colegas utilizaram substâncias químicas simples, mas que seriam adequadas para a construção das primeiras instalações marcianas com pouquíssima energia e sem equipamentos complexos.

Com a quitosana, substância derivada de quitina, e um mineral semelhante ao solo marciano, desenvolveram um material e utilizaram-nos para construir um primeiro modelo de habitat em Marte.

A equipa demonstrou que o material pode ser usado para criar ferramentas e abrigos resistentes. Os autores acreditam que esta será a chave para o desenvolvimento dos humanos como uma espécie interplanetária.

O material resultante “parece betão, mas muito mais leve”, disse Fernandez, em declarações à CNN. “Uma rocha muito leve.”

O material desenvolvido pode ser fabricado com facilidade e não utiliza a quitina por acaso: este é um dos polímeros orgânicos mais presentes no nosso planeta. A quitina é produzida e metabolizada por diversos organismos e compõe a parede celular de fungos, além de formar também os exoesqueletos de crustáceos e insectos.

O material inspirado na quitina foi criado originalmente para ecossistemas em ambientes urbanos e tem potencial com recursos tão escassos como é o caso de planetas ou satélites sem vida.

Assim, esta tecnologia é eficiente, poderia ser utilizada com requisitos simples de produção e seria bastante versátil em Marte.

Por fim, Fernandez ressalta que, ao contrário da percepção geral, os materiais sustentáveis não substituem polímeros sintéticos. São muito mais uma tecnologia que poderá representar avanços que não seriam possíveis com os componentes sintéticos.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica PLOS ONE.

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21 Setembro, 2020

 

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4363: As girafas são tão altas que podem funcionar como um pára-raios fatal

CIÊNCIA/BIOLOGIA

AindriúH / Wikimedia

A ideia de que a girafa pode funcionar como um pára-raios não é nova e já se sabe que estes animais já foram mortos por relâmpagos. Porém, agora, cientistas descreveram as circunstâncias em detalhe pela primeira vez.

A cientistas conservacionista Ciska Scheijen, que tem estudado girafas na Conservação Rockwood, na África do Sul, no último ano, descreveu dois casos do que parece ser morte por um raio.

Em 29 de Fevereiro deste ano, Rockwood foi atingido por uma forte tempestade, mas breve, com raios e chuvas fortes. No dia anterior, a manada de oito girafas do parque foi visto junta. O dia da tempestade impediu observações, mas nem 1 de Março apenas seis foram vistas, algo que Scheijen diz ser incomum para este rebanho.

No dia seguinte, encontraram dois membros da manada – uma fêmea de 5 anos e uma mais jovem – mortos a poucos metros de distância. Como foram encontrados não muito longe de onde foram observadas na véspera da tempestade, era provável que tivessem morrido durante a tempestade.

Porém, numa inspecção mais próxima, encontraram uma grande fractura no crânio da girafa mais velha, onde o ossicone direito – as protuberâncias em forma de chifre no topo da cabeça das girafas – encontrava o crânio. Esta fractura sugeria que tinha sido atingida por um raio.

Por outro lado, as girafas não tinham marcas de queimaduras nas carcaças, sinal visto noutros animais que foram atingidos por relâmpagos.

Existem quatro formas pelas quais relâmpagos podem matar um animal: ser atingido directamente, estar perto de um objecto que é atingido por um raio (flash lateral), uma descarga de luz no solo (tensão de passo) e quando parte do corpo entra em contacto com um objecto atingido enquanto ainda está a tocar no solo.

Scheijen suspeita que, como as girafas não estavam perto de nenhuma árvore alta, os ossicones da girafa mais velha – e, portanto, a mais alta com mais de 2 metros de altura –  era o ponto mais alto de contacto para relâmpagos e foi atingida directamente. A mais jovem a sete metros de distância foi vítima de flash lateral ou tensão de passo.

“Eu não diria que os ossicones agem como um pára-raios, mas a altura imponente das girafas sim”, disse Scheijen, em declarações à IFLScience. “Se forem o ponto mais alto na área, as hipóteses podem ser altas de que são os que correm o maior risco de serem atingidos por um raio.”

Embora a altura das girafas as torne particularmente vulneráveis ​​à electrocussão por raios, não é claro se se adaptaram para evitar isso. O facto de as girafas não serem encontradas mortas com mais frequência por relâmpagos pode significar que sabem abrigar-se sob árvores maiores, mas ainda não há evidências claras disso.

Embora Scheijen indique que estas são apenas observações porque estava no lugar certo na hora certa, a investigadora espera que isto inspire mais investigações sobre os efeitos dos raios na morte de girafas.

Este estudo foi publicado em Agosto na revista científica African Journal of Ecology.

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21 Setembro, 2020

 

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4362: Os dinossauros conquistaram o mundo após uma extinção em massa na Terra

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Chase Stone

Uma equipa internacional de cientistas identificou um evento anteriormente desconhecido de extinção massiva da vida na Terra que ocorreu há 223 milhões de anos e desencadeou a conquista do mundo pelos dinossauros.

O estudo liderado por Jacopo Dal Corso, da Universidade de Geociências da China, e Mike Benton, da Faculdade de Ciências da Terra da Universidade de Bristol, reviu evidências geológicas e paleontológicas para determinar o que aconteceu durante o período de crise chamado de Evento Pluvial Carniano.

Segundo os especialistas, a causa mais provável foram erupções vulcânicas maciças na província de Wrangellia, no oeste do actual Canadá, onde foram derramadas grandes quantidades de basalto vulcânico, que formava parte da costa oeste da América do Norte. As erupções foram tão grandes que gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, geraram picos no aquecimento global.

Os fenómenos naturais e as mudanças climáticas causaram uma grande perda de biodiversidade no oceano e na terra. Muitas espécies de plantas e animais estavam a morrer – até desaparecerem completamente.

Logo depois, esse fenómeno de extinção abriu caminho para novas espécies que estavam a fomentar ecossistemas mais modernos, segundo os autores.

“Agora sabemos que os dinossauros originaram-se cerca de 20 milhões de anos antes deste evento, mas eram muito raros e sem importância até o Episódio Pluvial Carniano chegar”, disse Mike Benton, em comunicado, acrescentando que foram as condições áridas repentinas após um período molhado que durou cerca de um milhão de anos que deram aos dinossauros a sua oportunidade.

De acordo com os cientistas, este fenómeno não só foi benéfico para os dinossauros, como também deu origem a muitos grupos modernos de plantas e animais, incluindo algumas das primeiras tartarugas, crocodilos, lagartos e os primeiros mamíferos.

Além disso, as mudanças tiveram impacto na vida marinha. O evento deu início a recifes de coral de estilo moderno, bem como a novos tipos de plâncton, que podem ter causado profundas mudanças na química dos oceanos.

Até agora, os paleontólogos identificaram cinco grandes extinções em massa nos últimos 500 milhões de anos. “Cada uma delas teve um efeito profundo na evolução da Terra e da vida. Identificámos outro grande evento de extinção e, evidentemente, desempenhou um papel importante em ajudar a restabelecer a vida na terra e nos oceanos, marcando a origem dos ecossistemas”, concluiu Jacopo Dal Corso.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Science Advances.

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21 Setembro, 2020

 

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4361: NASA descobriu uma nova técnica para pousar com segurança na Lua

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/NASA

Pousar na Lua é um processo arriscado. A humanidade tem poucos exemplos de humanos a alunar e em todas elas, os testemunhos são coerentes, é arriscado pousar na Lua. Assim, depois de vários anos a estudar um processo mais seguro, a NASA descobriu uma nova maneira de pousar com segurança no nosso satélite natural.

Segundo a agência espacial americana, está a ser desenvolvido um sistema totalmente novo que pode tornar o pouso na Lua e em Marte muito menos arriscado.

ecnologia da NASA substitui piloto humano no pouso na Lua

O projecto Evolução das capacidades integradas de aterragem segura e precisa (SPLICE) da agência visa melhorar a segurança de pouso. Então, a NASA pretende usar um conjunto de sensores a laser, combinado com uma câmara, um computador de alta velocidade e alguns algoritmos sofisticados. Como resultado, o piloto humano fica dispensado na hora de chegar ao solo.

O que estamos a construir é um sistema completo de descida e pouso que funcionará em futuras missões Artemis à Lua e pode ser adaptado para Marte.

O nosso trabalho é colocar os componentes individuais todos juntos e garantir que trabalham como um sistema funcional.

Explicou o gestor do projecto Ron Sostaric numa publicação da NASA.

O sistema pode permitir que as sondas pousem numa variedade muito maior de locais, incluindo pedregulhos ou crateras próximas. Além disso, também pode identificar áreas-alvo seguras que têm apenas metade do tamanho de um campo de futebol.

Para percebermos esta alusão, é importante referir que a Apollo 11 tinha como área de pouso cerca de 17 quilómetros para um lado e 5 para o outro. Isto eram os cálculos de 1968.

Imagem da área que a Apollo 11 tinha calculado para aterrar na lua versus o que a nave Artemis terá em 2024.

Como funciona o SPLICE da NASA

Segundo o que é explicado pela agência norte-americana, o SPLICE começa por varrer o espaço logo por baixo de si com lasers. Depois de captado o estado do solo, o sistema compara o que captou com uma base de dados que têm referenciados certos pontos conhecidos na superfície da Lua.

Posteriormente, o computador compara toda a informação e recebe o local exacto onde se encontra. Esta identificação dá-se quando a nave está a cerca de 4 quilómetros acima da superfície para a guiar ao local de pouso seguro. A NASA espera que o sistema permita à primeira mulher pousar na Lua já em 2024 como parte do seu programa Artemis.

O sistema terá de ser testado e para isso, a agência planeia o primeiro teste do sistema durante um voo de um foguete Blue Origin New Shepard durante uma próxima missão. Apesar de já haver a nave escolhida, ainda não há data para quando ocorrerá.

Portanto, aqui a questão é, em vez da nave e dos responsáveis da missão andarem no momento a procurar um local seguro para o pouso, quem o fará e mais rapidamente será o SPLICE. Para já, e porque há ainda muito trabalho a fazer, esta tecnologia irá pousar o foguete New Shepard na Terra.

O pouso com segurança e precisão noutro mundo ainda tem muitos desafios. Ainda não há tecnologia comercial que possamos sair e comprá-la. Cada missão de superfície futura poderia usar esta capacidade de pouso de precisão. Então a NASA está a atender a essa necessidade agora.

Concluiu John Carson, gestor de integração técnica para pouso de precisão.

Pplware
Autor: Vítor M.
20 Set 2020

 

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4360: Super-vulcão Yellowstone registou 91 terramotos em apenas 24 horas

CIÊNCIA/GEOLOGIA/VULCANOLOGIA/YELLOWSTONE

Brocken Inaglory / Wikimedia
A Grand Prismatic Spring, no Parque National de Yellowstone, EUA

Os vulcanólogos têm andado atentos ao super-vulcão localizado no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) relatou recentemente a ocorrência de 91 terremotos em apenas 24 horas. Estes não ultrapassaram os 3 graus de intensidade e manifestaram-se a sudoeste do Lago Yellowstone.

Michael Poland, cientista do observatório do vulcão Yellowstone, explicou que apesar de este ser um número elevado de terramotos a acontecer em tão pouco tempo “está longe de ser o mais impactante”. Entre Junho e Setembro de 2017, 2400 terramotos atingiram o parque, sendo que um deles atingiu uma magnitude de 4,4 graus. Na verdade, o parque regista entre 1500 e 2000 terramotos por ano.

Segundo o ABC, os geólogos estão a conduzir experiências que estão a causar vibrações de frequência muito baixa — experiências controversas, uma vez que alguns especialistas defendem que 2020 não é o ano ideal para mexer no Yellowstone. “Felizmente, o vulcão não sabe em que ano estamos”, respondeu o USGS no Twitter.

mjonno79
@mjonno79

11 de set de 2020

Em resposta a @USGSVolcanoes

Although I don’t particularly doubt the science and the chance of triggering an eruption is basically inconceivable, 2020 its just not the year to be messing about with things like Yellowstones magma chamber.

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USGS Volcanoes
@USGSVolcanoes
Well, happily, the volcano doesn’t know what year it is. And even more happily, the Yellowstone magma chamber is mostly solid! (usgs.gov/center-news/us
) We know that from past experiments just like this one.

As observações e experiências dos vulcanologistas têm como objectivo reconhecer a parte superior da grande câmara magmática do Yellowstone, para o que foram colocadas centenas de sismómetros temporários. Os últimos terramotos foram assim registados com um grande nível de detalhe.

Actualmente, o parque está num nível de alerta verde ou “normal”, ou seja, não há sinais de uma erupção iminente. No entanto, os vulcanologistas continuam a estudar os possíveis terramotos, a actividade hidro-térmica e possíveis deformações do solo que podem anunciar um.

Debaixo da caldeira de Yellowstone há uma grande câmara magmática de 60 quilómetros de comprimento, 29 de largura e 5 a 12 de profundidade. De acordo com as estimativas dos geólogos, as super-erupções de Yellowstone ocorrem com uma frequência de uma vez a cada um a dois milhões de anos.


– Vídeo carregado por cópia de écran por não estar disponibilizado o endereço original.

Em Junho deste ano uma nova investigação internacional concluiu que a região vulcânica de Yellowstone, nos Estados Unidos, parecia estar em declínio. Contudo, o especialista Thomas Knott alertou que os números apresentados eram apenas estimativas e que era crucial continuar a monitorizar a actividade deste super-vulcão de perto.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2020

 

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4359: NASA encontra provas de “gelo fresco” na Enceladus, a sexta maior Lua de Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A sonda Cassini, que explorou Saturno durante 13 anos e que despenhou no planeta em 2017, deixou dados captados que ainda são hoje escrutinados. Então, ao escavarem nas imagens infravermelhas detalhadas da lua gelada Enceladus, os cientistas da NASA dizem ter encontrado “fortes indícios” de gelo fresco no hemisfério norte da lua.

Esta pode ser uma boa notícia para as hipóteses de vida na lua gigante, a “bola de neve” de Saturno.

NASA descobre importantes evidências de gelo em Saturno

Os cientistas analisaram os dados deixados pela Cassini sobre a Enceladus, a sexta maior Lua de Saturno. Segundo eles, o gelo, que se acredita ter origem no interior desta Lua, pode ser uma boa notícia.

Esta Lua, para os astrónomos, é considerada um dos lugares mais promissores para procurar vida no sistema solar.

Conforme é referido pela NASA, o conjunto de dados detalhados através de imagens infravermelhas foi recolhido pelo Visible and Infrared Mapping Spectrometer (VIMS) da Cassini.

A tecnologia da Cassini permitiu a leitura de comprimentos de onda variáveis, incluindo luz visível e infravermelha.

Lua de Saturno atira bolas de neve para o espaço

Em 2005, os cientistas descobriram, pela primeira vez, que Enceladus lança gigantescas plumas de grãos de gelo e vapor de um oceano subterrâneo suspeito, escondido sob uma espessa crosta de gelo.

Lua de Saturno Encélado está a atirar bolas de neve contra as outras luas

Saturno é um planeta rico em motivos de curiosidade cósmica. Este gigante gasoso tem mais de sessenta satélites naturais na sua órbita. Contudo, a maioria deles são corpos pequenos, sendo que somente nove luas … Continue a ler Lua de Saturno Encélado está a atirar bolas de neve contra as outras luas

Portanto, os novos sinais infravermelhos combinam perfeitamente com a localização desta actividade, tornada altamente visível na forma de cortes em néon vermelho “faixa de tigre”, no Polo Sul da lua.

Características semelhantes também foram detectadas no hemisfério norte, levando os cientistas a acreditar que o mesmo processo está a acontecer em ambos os hemisférios.

O infravermelho mostra-nos que a superfície do Polo Sul é jovem, o que não é surpresa, porque sabíamos dos jactos que lançam material gelado ali.

Afirmou Gabriel Tobie, cientista do VIMS da Universidade de Nantes, num comunicado da NASA.

Conforme foi referido pelos investigadores, se as condições forem adequadas, poderão existir moléculas provenientes do oceano profundo de Enceladus. Estas moléculas podem estar na mesma via de reacção que vemos aqui na Terra.

Ainda não sabemos se os aminoácidos são necessários para a vida além da Terra. Contudo, encontrar as moléculas que formam aminoácidos é uma peça importante do puzzle.

Pplware
Autor: Vítor M.
19 Set 2020

 

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4358: Milhares de pássaros migratórios estão (misteriosamente) a morrer no Novo México

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Allison Salas / New Mexico State University

Um elevado número de pássaros migratórios está a morrer em todo o Novo México, numa misteriosa mortalidade em massa que está a preocupar os cientistas.

Estima-se que o número de pássaros mortos seja de centenas de milhares, “se não forem milhões”, explica Martha Desmond, professora da New Mexico State University, ao jornal Las Cruces Sun-News.

A investigadora americana explica que, em conjunto com biólogos da NMSU, examinou quase 300 carcaças de pássaros que foram encontradas perto do condado de Doña Ana, na semana passada. Contudo, os biólogos também viram relatórios, fotografias e vídeos do fenómeno, que está a afectar todo o estado, mas que também está a ocorrer no Colorado e no Texas.

Segundo a IFLS, embora pareça afectar apenas aves migratórias, a mortalidade afectou também uma grande variedade de espécies de aves, como é o caso de andorinhas, papa-moscas e toutinegras-de-cabeça-preta.

Os habitantes do Novo México garantem que os pássaros agiam de forma estranha, uma vez que não comiam, voavam baixo, moviam-se lentamente, e estavam tão lentos que eram frequentemente atropelados por veículos.

A causa deste mistério ainda não foi descoberta, mas os biólogos estão a investigar algumas teorias. Os incêndios florestais que estão a devastar a Califórnia, podem ser uma das principais causas deste cenário trágico.

Acredita-se que esta situação possa ter estimulado os pássaros a iniciar a migração de outono mais cedo do que o normal. Porém à medida que se deslocavam para o interior, as fontes de comida e água estavam a diminuir devido às secas trazidas pelo verão longo e quente. Alguns cientistas também consideram que as aves podem ter inalado fumo e isso lhes tenha causado danos nos pulmões.

Esta região dos EUA também foi atingida por uma frente fria local na primeira semana de Setembro, o que também pode ter prejudicado os planos de migração das aves. Os biólogos acreditam que a junção de todos estes factores criam um ambiente perfeito para estimular problemas às aves, que depois acabam por morrer.

Foto do perfil, abre a página do perfil no Twitter em uma nova aba

Simon Romero
@viaSimonRomero
NEW: What’s causing huge bird die-off in New Mexico? Biologists say wildfires, combined with drought & record heat waves, could be trigger
New Mexico Mystery: Why Are So Many Birds Dropping Dead?
Scientists say that the wildfires in the West combined with drought and record heat waves could be triggering one of the Southwest’s largest migratory bird die-offs in recent decades.
nytimes.com

Para ajudar a desvendar o mistério, o Southwest Avian Mortality Project está a pedir ajuda aos habitantes locais, para que estes registem qualquer ave morta que encontram através da aplicação, ou do site iNaturalist.

Como alternativa, os investigadores estão a pedir à população para recolher amostras em sacos plásticos, armazená-las no frigorífico e, em seguida, entrar em contacto com os a equipa para que possam analisar o estado em que os animais acabam por sucumbir.

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20 Setembro, 2020

 

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4357: Chama-se Elios, é um drone e vai explorar as profundezas das cavernas de gelo da Gronelândia

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/BIOLOGIA/GEOLOGIA

Elios é o drone que está a ajudar os investigadores a descobrirem mais sobre os mistérios da Gronelândia. Inserido numa estrutura própria, tem explorado as cavernas de gelo, facilitando assim o acesso a locais mais difíceis e perigosos.

O drone Elios da Flyability foi usado para explorar cavernas de gelo profundas na Gronelândia, e fica dentro de uma estrutura protectora própria. À medida que voa, essa estrutura de fibra de carbono sofre o impacto das colisões com objectos como paredes ou árvores, poupando o próprio drone de possíveis danos,  revela o New Atlas.

Anteriormente, o drone foi usado para explorar fendas glaciares nos Alpes suíços e nas cavernas da Sicília. Mais recentemente foi utilizado para alcançar o fundo de algumas das cavernas de gelo mais profundas da Gronelândia.

Embora anunciada este mês, a expedição aconteceu durante duas semanas em 2018. Liderada por Francesco Sauro, professor da Universidade de Bolonha, em Itália, uma equipa internacional de geólogos, glaciologistas, espeleólogos, geógrafos e biólogos viajou para uma área a aproximadamente 80 quilómetros da cidade de Kangerlussuaq.

Numa expedição anterior na mesma região, os cientistas estudaram os rios que ficam debaixo do gelo. Esses rios eram acessíveis através de poços de gelo verticais conhecidos como moulins. No entanto, os investigadores só foram capazes de descer a uma profundidade de 130 metros, mas os moulins podem atingir 300 metros de profundidade. A estrutura de gelo é muito perigosa nestes locais.

Na expedição de 2018, Sauro e sua equipa viveram um verdadeiro momento de aventura, fazendo rapel nas cavernas de gelo. Através da câmara HD e dos focos de LED, o drone transmitiu um vídeo do lago anteriormente desconhecido, em tempo real.

Adrien Briod, CTO da Flyability, explicou que a utilização deste drone tem como objectivo “criar soluções de inspecção interna para substituir a necessidade de as pessoas entrarem em espaços confinados e perigosos”, acrescentando que também “querem ajudar a expandir os limites do conhecimento humano, através do acesso a locais que não poderiam ser alcançados de outra forma”.

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20 Setembro, 2020

 

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4356: Há uma nova explicação para o naufrágio do Titanic: Uma fantástica Aurora Boreal

CIÊNCIA/GEOLOGIA/METEOROLOGIA

Tobias Bjørkli / Pexels; Roland Arhelger / Wikimedia

Todos conhecemos a história do Titanic. Também todos sabemos que o seu naufrágio aconteceu após o grande navio ter embatido num icebergue. Contudo, um investigador americano põe novas hipóteses em cima da mesa. E se uma fantástica Aurora Boreal fosse a principal causa deste histórico acidente?

O naufrágio do Titanic tem sido assunto de muitos livros, artigos e filmes. Ao que tudo indica, o navio inafundável afundou-se devido a uma colisão com um icebergue. Mas como é que isso aconteceu?

Uma meteorologista norte-americana acredita que a Aurora Boreal, mais conhecida como Northern Lights, desempenhou um papel no naufrágio do Titanic. Num artigo publicado na Royal Meteorological Society em Agosto, Mila Zinkova explica que este fenómeno óptico trouxe problemas de navegação que fizeram com que o famoso navio colidisse com um icebergue.

O Titanic foi o maior navio já construído na época, e teve o seu acidente durante uma viagem em 1912. Cinco dias após o início da viagem, o navio bateu num icebergue e isso fez com que o casco partisse. O gigante afundou em apenas duas horas e meia, e cerca de 1500 passageiros e tripulantes morreram afogados.

A investigação oficial do naufrágio do Titanic concluiu que o capitão e o projecto do navio eram os culpados pelo acidente. Agora, uma investigadora acredita que a Aurora Boreal foi o factor que mais contribuiu para o desastre. Relata-se que pelo menos quatro sobreviventes do navio mais famoso do mundo viram as luzes de uma explosão solar na noite fatídica.

Zinkova disse à Hakai Magazine que “a maioria das pessoas que relataram ou retrataram o acidente do Titanic não sabem que as luzes foram vistas naquela noite”. Esse fenómeno, conhecido como erupção solar, é um verdadeiro espectáculo de luzes nos céus, causado por partículas carregadas pelo sol.

James Bisset, segundo oficial do RMS Carpathia – o primeiro navio a chegar ao local após o acidente – escreveu no seu diário que a “Aurora Boreal brilhava intensamente disparando raios do horizonte norte” na noite do naufrágio. Embora a Aurora Boreal possa ser linda, também é considerada como potencialmente perigosa, pois está associada a tempestades geo-magnéticas.

Tempestades geo-magnéticas afectam redes sem fios

Zinkova explica que a  “tempestade geo-magnética pode ter sido tão grande que influenciou a navegação a um nível baixo, mas ainda assim significativo”. Este acontecimento pode ter feito com que a tripulação decidisse fazer ajustes de navegação, o que acabaria por colocar o navio ligeiramente fora de curso. Esta inesperada deslocação fez com que o navio se deparasse com um icebergue gigantesco, onde acabou por embater.

A investigadora explica que nesta situação “mesmo que a bússola se movesse apenas um grau, já pode ter feito toda a diferença”. A explosão solar provavelmente também interrompeu o equipamento de comunicação sem fios que era auxiliar da tripulação. Por causa da explosão solar, o Titanic ficou incapaz de pedir ajuda rapidamente, e isso pode ter sido a da morte de muitas pessoas.

A meteorologista acredita que o acontecimento foi forte o suficiente para impedir que equipamentos sem fio e a bússola funcionassem adequadamente.

Zinkova explica que “o evento meteorológico espacial veio na forma de uma tempestade geo-magnética moderada a forte, e as evidências observacionais sugerem que estava em vigor no Atlântico Norte no momento da tragédia.” Mesmo hoje, é bem conhecido que eventos climáticos espaciais podem interromper a tecnologia.

Chris Scott, da University of Reading – que não esteve envolvido no estudo –  disse à Hakai Magazine que um exemplo de perturbação do clima espacial também ocorreu “em 1972, quando dezenas de minas marítimas explodiram de repente na costa do Vietname – acredita-se que também nesta situação o clima espacial foi o causa“.

Ironicamente, a aurora boreal pode ter ajudado

O investigador americano também acredita que o clima espacial incomum contribuiu para o naufrágio do Titanic. No entanto, ironicamente, a explosão solar pode ter ajudado nos esforços de resgate.

O “Carpathia conseguiu navegar directamente para os botes salva-vidas à deriva do Titanic”, disse Scott que considera que isto aconteceu porque o clima espacial impediu a tripulação do Titanic de enviar as coordenadas incorrectas para Carpathia. Para além disso, a iluminação do céu pode ter permitido que se vissem os botes salva-vidas do Titanic.

Ainda assim, nem todos concordam com esta teoria. Tim Maltin – um conhecido especialista no acidente do Titanic – admitiu que embora tenha ocorrido uma explosão solar naquela noite terrível, “não foi um factor significativo para o naufrágio”.

Alguns especialistas acreditam que uma poderosa explosão solar poderia destruir ou paralisar a sociedade humana moderna, pois esta é muito dependente de tecnologias.

ZAP //

Por ZAP
18 Setembro, 2020

 

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4355: Antiga civilização foi controlada por algo inesperado: poeira

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/GEOLOGIA

(CC0/PD) LoggaWiggler / Pixabay

Um novo estudo mostra que a existência de uma antiga civilização humana numa região fértil a leste do Mediterrâneo dependia quase inteiramente de algo inesperado: poeira.

Quando os primeiros humanos começaram a sair de África e a espalhar-se para a Eurásia há mais de 100 mil anos, uma região fértil ao redor do Mar Mediterrâneo oriental chamada Levante serviu como um ponto crítico entre o norte da África e a Eurásia.

No entanto, se a fonte de poeira na área não tivesse mudado há 200 mil, os primeiros humanos teriam tido mais dificuldade em deixar o continente africano.

Da mesma forma, os especialistas consideram que a presença de solos espessos no Levante, que tendem a formar-se em climas húmidos, facilitou a instalação dos primeiros humanos na região, ao contrário dos solos finos que se formam em ambientes áridos com taxas de intemperismo (decomposição de minerais e rochas) inferior.

No entanto, em torno do Mediterrâneo ocorre o oposto. As regiões mais húmidas do norte apresentam solos finos e improdutivos, enquanto as regiões mais áridas do sudeste apresentam solos espessos e produtivos.

Até agora, estes padrões foram atribuídos a diferenças nas taxas de erosão impulsionadas pela actividade humana. No entanto, Rivka Amit, do Serviço Geológico de Israel, e a sua equipa sentiram que esta não era razão suficiente.

Depois de analisar amostras de poeira dos solos da região, os especialistas concluíram que a entrada de poeira provavelmente desempenhou um papel determinante nas taxas de intemperismo, quando eram demasiado lentas para formar solos de rocha.

Geólogos identificaram que os solos finos tinham um tamanho de grão de poeira mais fino de desertos distantes como o Saara, em oposição aos solos produtivos, que tinham uma poeira grossa chamada loesse, proveniente do deserto de Negev e do seu enorme campos de dunas.

Amit considera que a erosão no local não é tão relevante. “O importante é se se obtém um influxo de fracções grosseiras [de poeira]. [Sem isso], obtém-se solos finos e improdutivos”, disse, em comunicado, acrescentando que, naquela época, “todo o planeta era muito mais empoeirado”.

Por fim, os cientistas ficaram surpreendidos ao encontrar solos muito finos sob o loesse identificado no Levante, também conhecido como “terra do leite e do mel” devido à sua produtividade.

“Sem a mudança dos ventos e a formação do campo de dunas do Negev, a área fértil que serviu de passagem para os primeiros humanos poderia ter sido muito difícil de atravessar e sobreviver”, pois teria sido um ambiente hostil, concluiu Amit.

Este estudo foi publicado na revista científica Geology.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2020

 

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