870: Obrigado!

Em destaque

 Agradeço a todos os visitantes deste Blogue o interesse demonstrado na sua leitura. A estatística de post-views, um plugin da plataforma, assim o indica. Obrigado uma vez mais.

  Thanks to all visitors of this Blog for their interest in reading. A post-view statistic, a platform plugin, indicates this. Thank you one more time.

感謝本博客的所有訪問者對閱讀它的興趣。 後視圖的統計數據,平台插件,所以表明。 再次感謝你。

 Merci à tous les visiteurs de ce blog pour leur intérêt pour la lecture. Une statistique post-vue, un plug-in de plate-forme, l’indique. Merci encore une fois.

 Agradezco a todos los visitantes de este Blog de interés en su lectura. Una estadística de post-vistas, un plugin de la plataforma, así lo indica. Gracias una vez más.

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

1293: TRABALHO DE DETECTIVE CÓSMICO: A IMPORTÂNCIA DAS ROCHAS ESPACIAIS

Os mundos pequenos do nosso Sistema Solar ajudam-nos a traçar a sua história e evolução, incluindo os cometas. Esta pequena animação foi compilada com imagens obtidas pela missão EPOXI da NASA durante a sua passagem pelo cometa Hartley 2 no no dia 4 de Novembro de 2010.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UMD

Toda a história da existência humana é um pequeno ponto na cronologia com 4,5 mil milhões de anos do nosso Sistema Solar. Ainda ninguém existia para poder ver a formação dos planetas e para ver as mudanças dramáticas por que passaram antes de se estabelecerem na sua configuração actual. A fim de entendermos o que se passou antes do ser humano – antes da vida na Terra e antes da própria Terra – os cientistas precisam procurar pistas desse misterioso e distante passado.

Estas pistas vêm na forma de asteróides, cometas e outros pequenos objectos. Como detectives que examinam evidências forenses, os cientistas examinam cuidadosamente estes pequenos corpos em busca de informações sobre as nossas origens. Contam-nos mais sobre uma época em que inúmeros meteoros e asteróides choviam nos planetas, morriam no Sol e eram disparados para lá da órbita de Neptuno ou colidiam uns com outros e davam origem a corpos mais pequenos. Desde os distantes e gélidos cometas, até ao asteróide que terminou o reino dos dinossauros, cada rocha espacial contém pistas de eventos épicos que moldaram o Sistema Solar como o conhecemos hoje – incluindo a vida na Terra.

As missões da NASA para estudar esses “não-planetas” ajudam-nos a compreender como os planetas, incluindo a Terra, se formaram, a localizar perigos de objectos vindouros e a pensar sobre o futuro da exploração. Desempenharam papéis importantes na história do nosso Sistema Solar e refletem como continua a mudar ainda hoje.

“Podem não ter vulcões gigantes, oceanos globais ou tempestades de areia, mas os mundos pequenos podem responder a grandes questões que temos sobre as origens do nosso Sistema Solar,” comenta Lori Graze, directora interina da Divisão de Ciência Planetária na sede da NASA em Washington.

A NASA tem uma longa história de exploração de pequenos corpos, começando com a passagem em 1991 da Galileo pelo asteroide Gaspra. A primeira sonda a orbitar um asteróide, a NEAR (Near Earth Asteroid Rendezvous) Shoemaker também aterrou com sucesso no asteroide Eros em 2000 e obteve medições que originalmente não haviam sido planeadas. A missão Deep Impact conduziu uma sonda até ao Cometa Tempel 1 em 2005 e levou os cientistas a repensarem a formação dos cometas. Esforços mais recentes basearam-se nesses sucessos e vão continuar a ensinar-nos mais sobre o nosso Sistema Solar. Aqui fica uma visão geral do que podemos aprender:

Esta representação em cores falsas da Cratera Occator em Ceres mostra diferenças na composição da superfície.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

Os Blocos de Construção dos Planetas

O nosso Sistema Solar, como o conhecemos hoje, formou-se a partir de grãos de poeira – partículas pequenas de rocha, metal e gelo – girando num disco em torno do nosso jovem Sol. A maioria do material desse disco caiu na estrela recém-nascida, mas parte evitou esse destino e permaneceu em órbita, aglomerando-se em asteróides, cometas e até planetas. Ainda hoje sobrevivem muitos detritos desse processo. O crescimento dos planetas, a partir de objectos mais pequenos, é uma parte da nossa história que os asteróides e cometas podem ajudar a investigar.

“Os asteróides, cometas e outros corpos pequenos contêm material do nascimento do Sistema Solar. Se quisermos saber de onde viemos, temos que estudar esses objectos,” comenta Glaze.

Dois fósseis antigos que fornecem pistas desta história são Vesta e Ceres, os maiores corpos da cintura de asteróides entre Marte e Júpiter. A sonda Dawn da NASA, que recentemente terminou a sua missão, orbitou os dois e mostrou definitivamente que não fazem parte do típico “clube dos asteróides”. Embora muitos asteróides sejam colecções um tanto ou quanto soltas de entulho, os interiores de Vesta e Ceres estão dispostos em camadas, estando o material mais denso nos núcleos (em termos científicos, dizemos que os seus interiores são “diferenciados”). Isto indica que ambos os corpos estavam a caminho de se tornarem planetas, mas o seu crescimento foi atrófico – nunca tiveram material suficiente para ficarem tão grandes quanto os planetas principais.

Mas enquanto Vesta é em grande parte seco, Ceres é molhado. Pode ter até 25% de água, principalmente ligada a minerais ou sob a forma de gelo, com a possibilidade de água líquida subterrânea. A presença de amónia em Ceres também é interessante, porque normalmente requer temperaturas mais baixas do que a posição actual de Ceres permite. Isto indica que o planeta anão pode ter-se formado para lá de Júpiter e migrado para o interior, ou pelo menos ter incorporado materiais originários de locais mais afastados do Sol. O mistério das origens de Ceres mostra quão complexa pode ser a formação planetária e destaca a história complicada do nosso Sistema Solar.

Esta impressão de artista mostra a nave da missão Psyche da NASA perto do seu alvo, o asteróide metálico Psyche.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade Estatal do Arizona/Space Systems Loral/Peter Rubin

Embora possamos estudar indirectamente os interiores profundos dos planetas em busca de pistas das suas origens, como a missão InSight da NASA fará em Marte, é impossível perfurar até ao núcleo de qualquer objecto considerável no espaço, incluindo a Terra. No entanto, um objecto raro chamado Psyche pode fornecer a oportunidade de explorar o núcleo de um corpo semelhante a um planeta sem qualquer tipo de perfuração. O asteróide Psyche parece ser o núcleo exposto de ferro-níquel de um protoplaneta – um mundo pequeno que se formou no início da história do nosso Sistema Solar, mas que nunca atingiu o tamanho planetário. Tal como Ceres e Vesta, Psyche viu o seu percurso para planeta igualmente impedido. A missão Psyche da NASA, com lançamento previsto para 2022, vai ajudar a contar a história da formação planetária através do estudo detalhado deste objecto metálico.

Impressão de artista da sonda New Horizons da NASA a encontrar 2014 MU69, um objecto da Cintura de Kuiper que orbita o Sol a 1,6 mil milhões de quilómetros para lá de Plutão, no dia 1 de Janeiro de 2019.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

Mais adiante, a nave New Horizons da NASA está actualmente a caminho de um objecto distante de nome 2014 MU69, apelidado “Ultima Thule” pela missão. A mais de mil milhões de quilómetros para lá de Plutão, MU69 é um residente da Cintura de Kuiper, uma região rica em objectos gelados situada para lá da órbita de Neptuno. Objectos como MU69 podem representar o material mais primitivo, mais inalterado, que ainda existe no Sistema Solar. Embora os planetas orbitem em elipses em redor do Sol, MU69 e muitos outros objectos da Cintura de Kuiper têm órbitas bastante circulares, sugerindo que não se moveram dos seus percursos originais em 4,5 mil milhões de anos. Estes objectos podem representar os blocos de construção de Plutão e de outros mundos gelados e distantes. A New Horizons fará a sua maior aproximação a MU69 no dia 1 de Janeiro de 2019 – o “flyby” planetário mais distante da História da Humanidade.

“Ultima Thule é incrivelmente valioso, cientificamente falando, para a compreensão da origem do nosso Sistema Solar e dos seus planetas,” comenta Alan Stern, investigador principal da New Horizons, no SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. “É antigo e pristino, não é nada como qualquer objecto que tenhamos visto antes.”

Entrega dos Elementos da Vida

Os mundos pequenos são também provavelmente responsáveis por semear a Terra com os ingredientes da vida. O estudo da sua quantidade de água é evidência de como ajudaram a semear a vida na Terra.

“Os corpos pequenos mudam o jogo. Participam na evolução lenta e constante do nosso Sistema Solar ao longo do tempo e influenciam as atmosferas planetárias e as oportunidades para a vida. A Terra faz parte dessa história, comenta o cientista-chefe da NASA, Jim Green.

Esta imagem em “super-resolução” do asteróide Bennu foi criada com oito exposições obtidas pela sonda OSIRIS-REx da NASA no dia 29 de Outubro de 2018, a uma distância de mais ou menos 330 km.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

Um exemplo de um asteróide que contém os blocos de construção da vida é Bennu, o alvo da missão ORISIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) da NASA. Bennu pode estar carregado com moléculas de carbono e água, ambas necessárias para a vida como a conhecemos. À medida que a Terra se formava – e depois -, objectos como Bennu choveram e entregaram estes materiais ao nosso planeta. Estes objectos não tinham oceanos, mas sim moléculas de água ligadas a minerais. Pensa-se que até 80% da água da Terra tenha vindo de pequenos corpos como Bennu. Ao estudar Bennu, podemos compreender melhor os tipos de objectos que permitiram que uma jovem e estéril Terra florescesse com vida.

Bennu provavelmente teve origem na cintura principal de asteróides entre Marte e Júpiter e pensa-se que tenha sobrevivido a uma colisão catastrófica que ocorreu há 800-2000 milhões de anos. Os cientistas pensam que um grande asteróide, rico em carbono, estilhaçou-se em milhares de fragmentos, e que Bennu é um desses remanescentes. Em vez de um objecto sólido, Bennu é um asteróide “pilha de escombros” – uma colecção solta de rochas mantidas unidas através da gravidade e de outra força que os cientistas chamam de “coesão”. A OSIRIS-REx, que chegará a Bennu no início de Dezembro de 2018, depois de uma viagem de 2 mil milhões de quilómetros, vai recolher e enviar para a Terra uma amostra deste intrigante objecto, com chegada prevista para 2023.

A missão japonesa Hayabusa-2 também está a estudar um asteróide da mesma família de corpos que supostamente entregaram ingredientes da vida na Terra. Actualmente em órbita do asteróide Ryugu, com pequenos robôs saltitantes à superfície, a missão vai recolher amostras e enviá-las numa cápsula para a Terra para análise no final de 2020. Vamos aprender muito pela comparação de Bennu e Ryugu, pela compreensão das semelhanças e diferenças entre as suas amostras.

Indícios da Evolução do Sistema Solar

A maior parte do material que formou o nosso Sistema Solar, incluindo a Terra, não viveu para contar a história. Caiu no Sol ou foi expelido para lá do alcance dos nossos telescópios mais poderosos; apenas uma pequena fracção formou os planetas. Mas existem alguns remanescentes renegados destes primeiros dias, quando o material dos planetas girava com um destino incerto em redor do Sol.

Entre 50 e 500 milhões de anos após a formação do Sol – um tempo particularmente catastrófico para o Sistema Solar. Júpiter e Saturno, os gigantes mais massivos do nosso Sistema Solar reorganizaram os objectos à sua volta à medida que a sua gravidade interagia com mundos menores, como os asteróides. Úrano e Neptuno podem ter tido origem mais perto do Sol e ter sido expulsos para fora à medida que Júpiter e Saturno se moviam. Saturno, de facto, pode ter impedido Júpiter de “comer” alguns planetas terrestres, incluindo a Terra, pois a sua gravidade neutralizou o movimento adicional de Júpiter em direcção ao Sol.

Imagem conceptual da missão Lucy aos asteróides Troianos.
Crédito: NASA/SwRI

Enxames de asteróides chamados Troianos podem ajudar a resolver os detalhes daquele período turbulento. Os Troianos compreendem dois grupos de corpos pequenos que partilham a órbita de Júpiter em redor do Sol, com um grupo à frente de Júpiter e o outro atrás. Mas alguns Troianos parecem ser compostos por materiais diferentes, como indicam as suas cores variadas. Alguns são muito mais avermelhados do que outros e podem ter tido origem para lá da órbita de Neptuno, enquanto os mais cinzentos podem ter-se formado muito mais perto do Sol. A principal teoria é que, à medida que Júpiter se movia há muito tempo atrás, estes objectos ficaram encurralados nos Pontos de Lagrange – locais onde a gravidade de Júpiter e do Sol criam áreas onde os asteróides podem ser capturados. A diversidade dos Troianos, dizem os cientistas, reflete a jornada de Júpiter até à sua posição actual. “São os remanescentes do que estava a acontecer da última vez que Júpiter se mudou,” explica Hal Levison, investigador do SwRI.

A missão Lucy da NASA, com lançamento previsto para Outubro de 2021, enviará uma nave pela primeira vez até aos Troianos, investigando minuciosamente seis Troianos (três asteróides em cada enxame). Para Levison, investigador principal da missão, a sonda testará as ideias que ele e os seus colegas vêm trabalhando há décadas sobre a reformulação do Sistema Solar por Júpiter. “O realmente interessante é aquilo que não esperamos,” acrescenta.

Processos num Sistema Solar em Evolução

Após o pôr-do-Sol, sob as condições certas, podemos notar luz solar espalhada ao longo do plano da eclíptica, a região do céu onde os planetas orbitam. Isto porque a luz solar é dispersada por poeira que sobrou das colisões de pequenos corpos como cometas e asteróides. Os cientistas chamam a este fenómeno “luz zodiacal” e é uma indicação de que o nosso Sistema Solar ainda está activo. A poeira zodiacal em torno de outras estrelas indica que elas podem, também, abrigar sistemas planetários activos.

A poeira de corpos pequenos teve um papel importante, em particular, no nosso planeta. Cerca de 100 toneladas de material meteorítico e poeira caem na Terra todos os dias. Parte vem dos cometas, cuja actividade tem implicações directas para a evolução da Terra. À medida que os cometas se aproximam do Sol e são aquecidos, os gases no interior são libertados e transportam com eles material empoeirado do cometa – incluindo os ingredientes da vida. A nave Stardust da NASA passou pelo Cometa 81P/Wild e descobriu que a poeira cometária contém aminoácidos, os blocos de construção da vida.

Esta imagem mostra o Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko visto pela câmara OSIRIS da sonda Rosetta da ESA no dia 29 de Setembro de 2016, quando se encontrava a uma altitude de 23 km.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para a equipa da OSIRIS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

As explosões ocasionais de gás e poeira observadas em cometas indicam actividade à superfície ou perto, como deslizamentos de terra. A missão Rosetta da ESA, que completou a sua exploração do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2016, forneceu informações sem precedentes sobre a actividade cometária. Entre as mudanças no cometa, a nave observou um enorme colapso de um penhasco, o crescimento de uma grande fenda e o movimento de um pedregulho. “Nós descobrimos que os pedregulhos do tamanho de um grande camião podem ser movidos através da superfície do cometa até uma distância de campo e meio de futebol,” comentou em 2017 Ramy El-Maarry, membro da equipa científica norte-americana da Rosetta e da Universidade do Colorado em Boulder.

Os cometas também influenciam o movimento planetário de hoje. À medida que Júpiter continua a arremessar cometas para fora, move-se ligeiramente para dentro por causa da dança gravitacional com os corpos gelados. Neptuno, entretanto, lança cometas para o interior e, por sua vez, recebe um pequeno empurrão para longe. Úrano e Saturno também se movem para longe do Sol neste processo muito lento.

“Neste momento estamos a falar de pequenos movimentos porque não resta muita massa,” explica Levison.

Curiosamente, a sonda que mais cometas viu é a SOHO (Solar & Heliospheric Observatory) da NASA, mais famosa pelo seu estudo do Sol. A SOHO viu o Sol “comer” milhares de cometas, o que significa que esses pequenos mundos estavam pulverizando material nas regiões mais internas do Sistema Solar na sua viagem para se tornarem alimento estelar.

Esta animação mostra um cometa à medida que se aproxima do Sistema Solar interior. A luz do Sol aquece o núcleo do cometa, um objecto tão pequeno que não pode ser visto a esta escala.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Perigos para a Terra

Os asteróides ainda podem representar um risco de impacto para os planetas, incluindo o nosso.

Enquanto os Troianos estão presos como “fãs” de Júpiter, Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, é um dos asteróides potencialmente mais perigosos para a Terra actualmente conhecidos, embora as suas chances de colidir com a Terra ainda sejam relativamente pequenas; os cientistas estimam que Bennu tem uma probabilidade, entre 2700, de colidir com o nosso planeta durante uma das suas aproximações à Terra no final do século XXII. Actualmente, os cientistas podem prever o percurso de Bennu com bastante precisão até ao ano de 2135, quando o asteróide fizer uma das suas passagens mais próximas pela Terra. Observações íntimas pela OSIRIS-REx ajudarão os cientistas a refinar ainda mais a órbita de Bennu, o que só ajudará à protecção do nosso planeta contra asteróides perigosos e a melhor entender o que seria necessário para desviar um deles de uma trajectória de impacto.

“Estamos a desenvolver muitas tecnologias para operar com precisão em torno desses tipos de corpos e a escolher alvos à superfície, bem como a caracterizar as suas propriedades físicas e químicas. Precisamos destas informações se queremos desenhar uma missão de desvio de asteróides,” disse Dante Lauretta, investigador principal da missão OSIRIS-REx, na Universidade do Arizona em Tucson, EUA.

Outra missão que testará uma técnica para defender o planeta de perigos de impacto que ocorrem naturalmente é a missão DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA, que tentará mudar o movimento de um pequeno asteróide. Como? Através de impacto cinético – por outras palavras, fazendo colidir algo contra ele, mas de uma maneira mais precisa e controlada do que a Natureza colide.

O alvo da missão DART é Didymos, um asteróide binário composto por dois objectos em órbita um do outro. O corpo maior tem aproximadamente 800 metros, com uma pequena lua com 150 metros. Um asteróide deste tamanho poderia resultar em danos regionais generalizados caso impactasse a Terra. A DART irá deliberadamente chocar contra a lua e assim mudar ligeiramente a velocidade orbital do pequeno objecto. Os telescópios cá na Terra vão então medir esta alteração em termos de velocidade, observando o novo período orbital da lua em torno do corpo principal, que deverá corresponder a uma variação de menos de uma fracção de 1%. Mas até mesmo essa pequena mudança pode ser suficiente para fazer com que um corpo com impacto previsto falhe a Terra nalgum cenário futuro. A nave, que está a ser construída pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, tem lançamento previsto para a primavera-verão de 2021.

Didymos e Bennu são apenas dois dos quase 19.000 asteróides conhecidos próximos da Terra. Existem mais de 8300 asteróides conhecidos próximos da Terra do tamanho da lua de Dydimos e maior, mas os cientistas estimam que possam existir no espaço próximo à Terra – e nessa gama de tamanhos – aproximadamente 25.000 asteróides. O telescópio espacial que ajuda os cientistas a descobrir e a entender esses tipos de objectos, incluindo potenciais perigos, é chamado NEOWISE (que significa Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer).

“Para a maioria dos asteróides, sabemos pouco sobre eles, excepto a sua órbita e quão brilhantes parecem. Com o NEOWISE, podemos usar o calor emitido pelos objectos para termos uma melhor avaliação dos seus tamanhos,” explica Amy Mainzer, investigadora principal do NEOWISE, no JPL da NASA. “Isto é importante porque os impactos de asteróides podem ser muito perigosos e a quantidade de energia depende fortemente do tamanho do objecto.”

Impressão de artista que mostra a nave WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer), na sua órbita em torno da Terra. A sua missão NEOWISE é encontrar e caracterizar asteróides.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Mundos Pequenos como Paragens, Recursos para a Exploração Futura

Ainda não temos postos de gasolina no espaço, mas os cientistas e os engenheiros estão já a começar a pensar em como os asteróides poderão um dia servir como estações de reabastecimento de espaço-naves a caminho de destinos mais longínquos. Estes mundos pequenos também podem ajudar os astronautas a reabastecer os seus aprovisionamentos. Por exemplo, Bennu provavelmente tem água encapsulada em minerais argilosos, que talvez possa um dia ser colhida para hidratar viajantes espaciais sedentos.

“Além da ciência, o futuro passará certamente pela mineração,” comenta Green. “Os materiais no espaço serão usados, no espaço, para uma maior exploração.”

Como é que os metais ficam em asteróides? À medida que se formavam, os asteróides e outros pequenos mundos recolheram elementos pesados forjados há milhares de milhões de anos. O ferro e o níquel encontrados nos asteróides foram produzidos por gerações anteriores de estrelas e incorporados na formação do nosso Sistema Solar.

Estes corpos pequenos também contêm metais mais pesados forjados em explosões estelares chamadas super-novas. A morte violenta de uma estrela, que pode levar à criação de um buraco negro, espalha elementos mais pesados que o hidrogénio e hélio pelo Universo. Estes incluem metais como o ouro, prata e platina, bem como oxigénio, carbono e outros elementos que precisamos para a nossa sobrevivência. Outro tipo de cataclismo – a colisão de remanescentes de super-nova chamadas estrelas de neutrões – também pode produzir e espalhar metais pesados. Desta maneira, corpos pequenos também são evidências forenses das explosões ou colisões de estrelas mortas há muito tempo.

Graças a coisas grandes, temos agora muitas coisas pequenas. E, de coisas pequenas, obtemos grandes pistas sobre o nosso passado – e possivelmente recursos para o nosso futuro. A exploração destes objectos é importante, mesmo que não sejam planetas.

Pois, afinal, são mundos pequenos.

Astronomia On-line
13 de Novembro de 2018

 

1292: Arqueólogos descobrem a cidade perdida de Tenea

CIÊNCIA

Ministério da Cultura da Grécia

O Ministério da Cultura da Grécia anunciou que uma equipa de arqueólogos acredita ter encontrado a cidade perdida de Tenea. Entre os vestígios do assentamento, foram encontradas jóias, dezenas de moedas e vários túmulos.  

De acordo com as lendas, a cidade de Tenea foi fundada logo após a mítica Guerra de Troia, entre o século XII e XII a.C, por prisioneiros de guerra a quem Agamenon, o rei Micenas, permitiu construir o seu próprio assentamento para viver.

Segundo a nota divulgada esta terça-feira pelo ministério grego, a cidade agora encontrada pelos arqueólogos é Tenea, localizada na antiga região de Coríntia, no nordeste de Peloponeso. Os vestígios arqueológicos foram encontrados durante escavações realizadas entre Setembro e Outubro perto da aldeia de Jiliomodi.

Acredita-se que os nativos desta antiga cidade grega formavam também grande parte do grupo de colonizadores que formaram a cidade de Siracusa, na cidade italiana de Sicília.

Durante a expedição arqueológica, os cientistas encontraram as antigas muralhas da cidade e fragmentos do solo feitos de barro, pedra e mármore, em como peças construídas em cerâmica, um dado de osso e mais de 200 moedas antigas.

Foram também encontrados sete túmulos na área do cemitério da cidade, quatro dos quais da época e três da época helenista – embora um destes tenha sido reutilizado pelos romanos. No interior dos túmulos, os arqueólogos identificaram esqueletos de dois homens, cinco mulheres e duas crianças. Havia ainda vasos, ouro, jóias de bronze e osso e várias moedas junto dos esqueletos.

Em declarações à agência Reuters, a arqueóloga Elena Korka, que liderou a expedição, disse que as estradas pavimentadas e a estrutura arqueológica de Tenena pode agora ser vista. “Encontramos a evidência da vida e da morte, e tudo isso é apenas uma pequena parte da história deste lugar”, considerou.

As escavações na área começaram já em 2003, mas até agora os arqueólogos apenas se tinham debruçado a estudar os cemitérios perto de Tenea, sem descobrir os vestígios da cidade perdida, explicou a arqueóloga à agência AP.

A arqueóloga explicou ainda que os trabalhos na área continuam mas, pelos vestígios até agora encontrados, acredita-se que os moradores de Tenea eram ricos.

Algumas das cerâmicas encontradas tinham formas que denotam alguma influência oriental, explicou Korka, acrescentando que a cidade de Tenea “tinha contacto com o Oriente e o Ocidente”. De acordo com a especialista, os moradores desta cidade tinham um “modo de pensar próprio que definia, em certa medida, as suas políticas”.

Tenea – até agora considerada como uma lenda – floresceu durante a era romana e sobreviveu à destruição da cidade vizinha de Corinto pelas mãos dos romanos em meados de 146 a.C. Acredita-se também que tenha sofrido danos durante a invasão gótica no final do século IV d.C, podendo ter sido abandonada dois séculos depois, durante as incursões dos eslavos.

ZAP // RT

Por ZAP
15 Novembro, 2018

 

1291: Há uma “galáxia fantasma” escondida ao lado da Via Láctea

CIÊNCIA

V. Belokurov based on the images by Marcus and Gail Davies and Robert Gendler
Da esquerda para a direita: Grande Nuvem de Magalhães, Via Láctea, Antlia 2

Uma equipa de astrónomos descobriu um enorme objecto nos dados do satélite Gaia da Agência Espacial Europeia. Com o nome “Antlia 2” ou “Ant 2”, o objecto não foi detectado até agora devido à sua densidade extremamente baixa.

Ant 2, apesar de ser uma vizinha da nossa galáxia, escondeu-se bem: atrás do manto do disco da Via Láctea.

De acordo com o estudo publicado a 9 de Novembro no arxiv, o repositório da Universidade de Cornwell, Ant 2 é uma galáxia anã. À medida que as estruturas surgiram no início do Universo, as galáxias anãs foram as primeiras a serem formadas, por isso, a maior parte das suas estrelas são mais velhas, com uma massa baixa e pobres em metal.

Contudo, em comparação com os outros satélites anões conhecidos da nossa galáxia, a Ant 2 é enorme, sendo tão grande como a Grande Nuvem de Magalhães e um terço do tamanho da Via Láctea.

“Este é um fantasma de uma galáxia“, disse Gabriel Torrealba, principal autor do estudo. “Objectos tão difusos como a Ant 2 nunca foram vistos antes. A nossa descoberta só foi possível graças à qualidade dos dados de Gaia”.

A missão Gaia da ESA produziu o mais rico catálogo de estrelas até hoje, incluindo medições de alta precisão de aproximadamente 1,7 mil milhões de estrelas e revelando detalhes inéditos sobre a Via Láctea.

Os autores do estudo, provenientes do Taiwan, Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Alemanha, procuraram satélites da Via Láctea nos novos dados de Gaia, usando as estrelas RR Lyrae. Estas estrelas são velhas e pobres em metal, tipicamente encontradas numa galáxia anã.

“Estrelas RR Lyrae foram encontradas em todos os satélites anões conhecidos, por isso quando vimos um grupo em cima do disco galáctico, não ficámos surpreendidos”, disse o co-autor Vasily Belokurov. “Só quando reparámos na sua localização no céu é que descobrimos que tínhamos encontrado algo novo, já que nenhum objecto previamente identificado surgiu em nenhum dos bancos de dados pelos quais passámos”.

A equipa contactou colegas do Telescópio Anglo-Australiano (AAT), mas, quando verificaram as coordenadas da Ant 2, perceberam que as oportunidades para obter dados de acompanhamento eram limitadas. Só foram capazes de medir os espectros de mais de 100 estrelas gigantes vermelhas pouco antes do movimento da Terra ao redor do Sol tornar Ant 2 inobservável durante meses.

Os espectros permitiram que a equipa confirmasse que o objecto fantasma que viram era real: todas as estrelas estavam a mover-se ao mesmo tempo. Ant 2 nunca se aproximava muito da Via Láctea, ficando sempre a pelo menos 130 mil anos-luz de distância. Os investigadores também confirmaram a massa da galáxia, que era muito menor do que o esperado para um objecto do seu tamanho.

Para o co-autor Sergey Koposov, a explicação mais simples para a baixa massa da Ant 2 seria se estivesse a ser “destruída” pelas marés da nossa galáxia. Contudo, o tamanho do objecto permanece sem explicação. “Normalmente, quando as galáxias perdem massa por causa das marés da Via Láctea, encolhem, não crescem”.

Nesta lógica, a Ant 2 teria que ter nascido grande. Embora objectos deste tamanho e luminosidade não estejam previstos nos modelos de formação de galáxias, recentemente têm-se especulado que alguns anões poderiam ser inflamados por uma formação de estrelas vigorosa.

Ventos estelares e explosões de super-novas afastariam o gás não utilizado, enfraquecendo a gravidade que une a galáxia e permitindo que a matéria escura se desviasse também.

Alternativamente, a baixa densidade da Ant 2 pode significar que é necessária uma modificação nas propriedades da matéria escura. A actual teoria predominante prevê que a matéria escura se acumule nos centros das galáxias. Dada a aparência da nova anã, pode ser necessária uma partícula de matéria escura que não se agrupe.

“Estamos a perguntar-nos se esta galáxia é apenas a ponta de um icebergue, e a Via Láctea está cercada por uma grande população de anãs quase invisíveis semelhantes a esta”, admitiu o co-autor Matthew Walker.

O espaço entre a Ant 2 e o resto das anãs galácticas é tão grande que isso pode ser uma indicação de que falta alguma física importante nos modelos de formação de galáxias anãs.

Encontrar mais objectos como este mostrará quão comuns são estas “galáxias fantasmagóricas”. E resolver este enigma pode ajudar os investigadores a entender como as primeiras estruturas do Universo primitivo surgiram.

ZAP // Phys

Por ZAP
15 Novembro, 2018

 

1290: Foi descoberta uma nova super-Terra aqui mesmo ao lado

Foram necessários 20 anos de dados e sete instrumentos para os cientistas conseguirem identificar este novo exoplaneta. Está a seis anos-luz daqui – muito perto, considerando as distâncias astronómicas do universo

Uma visão possível do Barnard b
Foto ESO/M. Kornmesser

Há um novo exoplaneta nas proximidades do sistema solar. É um mundo rochoso, gelado e sombrio, com pelo menos três vezes a massa da Terra, e nada indica que possa ter condições para a vida tal como a conhecemos, mas tem várias particularidades que fazem dele um mundo interessante para os astrónomos. Uma delas é que está aqui, quase ao virar da esquina, na órbita da estrela de Barnard, a escassos seis anos-luz de distância – um pulinho, considerando a imensidão do universo.

Mas há mais. O Barnard b, como entrou para a catálogo geral destes mundos extra-solares, é o segundo planeta extra-solar mais próximo deste cantinho da Via Láctea até hoje identificado.

Em 2016 os astrónomos descobriram um exoplaneta ainda mais próximo daqui, na órbita da estrela Proxima Centauri, com massa idêntica à da Terra e condições que não tornam impossível a vida ali. Mas esse exoplaneta está num sistema de três estrelas, e o que agora foi descoberto orbita uma estrela individual, como é o caso do Sol, embora as suas naturezas sejam diferentes. A estrela de Barnard, assim chamada em homenagem ao astrónomo que a caracterizou, é uma anã vermelha, o que quer dizer que é uma estrela fria de pequena massa e bem mais antiga do que o Sol.

A descoberta do Barnard b, que é anunciada hoje num artigo publicado na revista Nature, é importante por tudo isto, mas também porque foi o resultado de uma das maiores e mais longas campanhas de observação astronómica na busca de exoplanetas, que envolveu a participação de múltiplos instrumentos.

Na verdade, há muito que se suspeitava de que a estrela de Barnard deveria ter algum planeta na sua órbita, mas apesar da longa busca, só agora foi possível confirmar a sua presença.

© ESO/M. Kornmesser

Para o conseguir, a equipa de astrónomos liderada por Ignasi Ribas, dos institutos de Estudos Espaciais da Catalunha e de Ciências Espaciais de Espanha, passou a pente fino duas décadas de dados observacionais de vários telescópios.

“Usámos observações de sete instrumentos diferentes, correspondentes a 20 anos de medições, o que faz desta a maior e mais extensa base de dados alguma vez utilizada no estudo de velocidades radiais muito precisas,” explica Ignasi Ribas, sublinhando que a combinação de todos os dados levou a 771 medições no total “, uma “quantidade de informação enorme”.

Entre os instrumentos utilizados, os espectrógrafos instalados nos telescópios do European Southern Observatory (ESO), no Chile, que têm justamente como propósito identificar exoplanetas, tiveram um papel decisivo, como sublinha a própria equipa.

“O HARPS desempenhou um papel vital neste projecto. Combinámos dados de arquivo de outras equipas com medições novas da Estrela de Barnard obtidas por diferentes infra-estruturas,” conta, por seu turno Guillem Anglada-Escudé, da Universidade de Queen Mary, em Londres, o outro coordenador da equipa. “A combinação dos instrumentos foi crucial para verificarmos o nosso resultado”, garante.

A descoberta do novo exoplaneta foi feita através do chamado método das velocidades radiais, que mede as variações provocadas na velocidade de uma estrela pelos exoplanetas na sua órbita. Esta foi a primeira vez que se fez uma detecção com este método de uma super-Terra com órbita tão extensa em torno da sua estrela. E a sua proximidade da Terra faz dele um potencial alvo de estudo para nova geração de instrumentos que a partir de 2020 vão conseguir obter imagens dos exoplanetas.

Diário de Notícias
Filomena Naves
14 Novembro 2018 — 18:10

 

1289: Einstein previu o Holocausto. A sua carta foi leiloada por 28 mil euros

CIÊNCIA

(dr)
Albert Einstein, Prémio Nobel da Física em 1921

Albert Einstein receava o crescimento do antissemitismo alemão e escreveu sobre isso uma década antes de os nazis chegarem ao poder. A carta foi vendida por mais de 28 mil euros.

A carta, datada de 1922, foi adquirida na terça-feira num leilão em Jerusalém. A destinatária era a sua irmã Maria, de acordo com a Reuters.

“Aqui estão a nascer tempos economicamente e politicamente sombrios, por isso fico feliz em poder afastar-me de tudo”, escreveu o físico de 43 anos, após sair de Berlim para um local não identificado na carta.

Albert Einstein, que três meses depois ganhou o Prémio Nobel, deixou a capital alemã depois de extremistas de extrema-direita terem assassinado o ministro dos Negócios Estrangeiros, Walter Rathenu, um amigo e colega judeu, com a polícia a avisá-lo de que poderia ser a próxima vítima.

“Ninguém sabe onde estou e acredito em ficar desaparecido“, escreveu Einstein. “Estou muito bem, apesar de todos os antissemitas que existem entre os meus colegas alemães.”

A carta fala numa viagem planeada por Einstein ao Japão, o que sugere que ele a escreveu enquanto esperava para partir do porto de Kiel, no norte da Alemanha.

Quando os nazis chegaram ao poder na Alemanha, em 1933, iniciaram uma campanha de perseguição anti-judaica que culminaria no Holocausto. Einstein acabaria por renunciar à cidadania alemã e ficar a viver nos EUA.

“O que é especial nesta carta é que Einstein realmente prevê. Ele percebe, com 10 anos de antecedência, o que vai acontecer na Alemanha”, observou Meron Eren, co-fundador da leiloeira Kedem Auction House, que vendeu a carta a um comprador não identificado.

Esta é a segunda carta de Einstein que vai a leilão no espaço de três meses mês. A famosa carta em que o físico alemão afirmava que a Bíblia não passa de uma “lenda primitiva” e que Deus é uma fraqueza humana vai ser leiloada pela Christie’s a 4 de Dezembro.

O texto, escrito por Albert Einstein em 1954, um ano antes da sua morte, em resposta ao livro Choose Life: The Biblical Call to Revolt do filósofo Eric Gutkind, poderá valer algo entre 870 mil euros e 1,3 milhões de euros.

ZAP //

Por ZAP
14 Novembro, 2018

 

1288: Mega-tempestade solar detonou bombas escondidas durante Guerra do Vietname

NASA

Registos da Marinha norte-americana revelam que uma tempestade solar, em 1972, provocou a detonação de minas que tinham sido escondidas no mar, para fazer explodir navios, durante a Guerra do Vietname.

Este dado é apontado num artigo científico publicado no jornal Space Weather, onde se destaca que “entre 2 a 4 de Agosto de 1972, uma mancha solar produziu uma série de clarões brilhantes, aprimoramentos energéticos de partículas e material ejectado em direcção à Terra”.

Esses clarões abriram caminho para “o choque ultra-rápido” que se seguiu e que atingiu a Terra no “tempo recorde” de 14,6 horas, apontam os investigadores.

Praticamente todas as pessoas na Terra conseguiam ver estes clarões que provocaram o aparecimento de “auroras espectaculares” em locais como a costa sul do Reino Unido e Espanha, realça o Live Science.

Esta mega-tempestade solar também provocou blackouts de rádio” durante o dia, levando à “súbita detonação de um grande número” de bombas subaquáticas dos EUA que “tinham sido largadas na costa do Vietname do Norte, três meses antes”.

Os pilotos que sobrevoavam a zona na altura, detectaram duas dúzias de explosões na área minada, num espaço de apenas 30 segundos, referem os autores da pesquisa.

Investigadores da Marinha norte-americana concluíram que a tempestade solar terá activado os sensores magnéticos das minas que estavam preparados para detectar navios.

O fenómeno levou a uma mudança estratégica na Marinha dos EUA, que foi forçada a procurar alternativas a esses sensores magnéticos, reforça o Live Science.

Quanto à enorme tempestade solar de 1972, as emissões de raios-X de longa duração que causou “permaneceram durante mais de 16 horas“.

Um detector espacial assinalou, pela primeira vez, raios gama durante a tempestade solar que foi colocada no nível mais elevado da classificação existente e que só é atribuído “às chamas mais extremas e de amplo espectro”, como reparam os autores da pesquisa.

Os clarões provocaram danos nos painéis solares dos satélites em órbita no espaço e num satélite de comunicações de defesa, ligando indevidamente sensores da Força Aérea que marcavam a falsa detonação de uma bomba nuclear algures no planeta.

Eventos que poderiam ter causado “uma ameaça imediata à segurança dos astronautas”, caso algum estivesse em viagem para a Lua naquela altura, alertam também os investigadores.

Uma tempestade semelhante na actualidade poderia ter consequências muito mais perigosas, dada a dependência tecnológica e de aparelhos eléctricos que temos nos dias de hoje. Deste modo, salientam os cientistas, perceber melhor o fenómeno das tempestades solares é essencial para saber como lidar com elas futuramente.

ZAP //

Por ZAP
14 Novembro, 2018

 

1287: Reactor nuclear na China atinge temperatura sete vezes superior à do Sol

CIÊNCIA

© EPA / NASA/JOHNS HOPKINS APL HANDOUT NASA/JOHNS HOPKINS APL HANDOUT/NASA

Pequim, 14 Nov (Lusa) – Um reactor nuclear experimental localizado no leste da China atingiu uma temperatura do plasma superior a 100 milhões graus celsius, quase sete vezes superior ao centro do Sol e capaz de realizar a fusão do núcleo dos átomos.

O reactor manteve aquela temperatura durante quase dez segundos, informou hoje o portal de notícias China.org.cn, acrescentando que é a primeira vez que o reactor de fusão termonuclear EAST (sigla em inglês para Tokamak Supercondutor Experimental Avançado), conhecido como “Sol artificial”, atinge aquela temperatura.

O Instituto de Física de Hefei, que está sob alçada da Academia de Ciências da China, afirmou que o feito “lança as bases para o desenvolvimento de energia nuclear limpa”, devido ao uso de deutério e trítio, dois isótopos radioactivos que existem em grande quantidade nos oceanos.

A fusão nuclear é o processo de geração de calor das estrelas, e é considerada a forma mais eficiente e limpa de gerar energia, não produzido material radioactivo.

Este avanço contribuirá para a construção do Reactor Experimental Termonuclear Internacional (ITER, sigla em inglês), no sul de França, e que conta com a colaboração de 35 países, incluindo China, Estados Unidos e Rússia, e da União Europeia.

Por agora, o EAST é um dos poucos dispositivos no mundo capazes de levar a cabo experiências relacionadas com a fusão do núcleo atómico.

A fusão é uma reacção química que consiste na união de dois átomos, para formar um superior, um processo que liberta uma enorme quantidade de energia, maior inclusive do que a fissão realizada em centrais nucleares, onde se rompem átomos grandes em partículas mais pequenas.

Há dois anos, cientistas da Academia de Ciências da China conseguiram manter estável a fusão do núcleo durante 102 segundos, um recorde até à data, após elevarem a temperatura do hidrogénio até 50 milhões de graus celsius.

Após o aumento térmico, o hidrogénio passou de gás a plasma, o quarto estado da matéria – além do sólido, líquido e gasoso -, em que as partículas se movem a tal velocidade e chocam com tanta força que os electrões se separam do núcleo dos átomos, formando um conjunto ionizado.

O desafio actual é prolongar ao máximo o tempo de fusão, de forma estável e controlada, um esforço que poderá levar ainda vários anos ou décadas, segundo especialistas.

MSN notícias
LUSA
João Pimenta
JPI // HB
14/11/2018

 

1286: Fóssil com 75 milhões de anos adensa mistério sobre a extinção das aves

CIÊNCIA

Brian Engh / dontmesswithdinosaurs.com
Exemplares de Mirarce eatoni, ilustração de Brian Engh

Há mais de 65 milhões de anos, aves de centenas de espécies diferentes voavam sobre as florestas. Mas, depois do cataclismo que destruiu a maioria dos dinossauros, apenas um grupo de aves sobreviveu.

O mistério é exactamente esse: porque é que apenas uma família sobreviveu? A descoberta de um fóssil de um dos grupos extintos, “primos” das aves de hoje, aprofunda o enigma.

O fóssil com 75 milhões de anos, de um pássaro do tamanho de um peru, é o esqueleto mais completo descoberto na América do Norte dos chamados “enantiornitinos”, ou “oposto de aves” – assim chamados porque os ossos das suas patas são formados de maneira diferente nas aves modernas.

Descoberto em 1992 na área de Grand Staircase-Escalante, no Utah, pelo paleontólogo Howard Hutchison, da Universidade da Califórnia, o fóssil permaneceu relativamente intacto no Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia, até que a estudante de doutoramento Jessie Atterholt o começou a estudar em 2009.

Os dois investigadores colaboraram com Jingmai O’Conner, especialista em enantiornitina, para analisar o fóssil. Com base no seu estudo, publicado a 13 de Novembro na revista PeerJ, os enantiornitinos do final do período Cretáceo eram extremamente semelhantes aos ancestrais das aves de hoje, capazes de voar com agilidade.

“Sabemos que as aves no início do Cretáceo, há cerca de 115 a 130 milhões de anos, eram capazes de voar, mas não eram tão bem adaptadas como as aves modernas“, disse Atterholt. “O que este novo fóssil mostra é que os enantiornitinos desenvolveram algumas das mesmas adaptações para estilos de voo avançados altamente sofisticados”.

O osso do peito do fóssil, onde os músculos do voo se ligam, é mais profundamente desgastado do que outros enantiornitinos, o que implica um músculo maior e um voo mais forte, mais semelhante aos pássaros modernos. Em forma de V, o osso é mais semelhante ao dos pássaros modernos, ao contrário do osso com a forma de U dos pássaros anteriores.

Scott Hartman
Esqueleto de Mirarce eatoni

“Esta ave em particular tem cerca de 75 milhões de anos, cerca de 10 milhões de anos antes do cataclismo”, referiu a investigadora. “Uma das coisas misteriosas sobre os enantiornitinos é que os encontramos em todo o Cretáceo, durante cerca 100 milhões de anos de existência, e foram muito bem sucedidos“.

Fósseis de enantiornitinos são encontrados em todos os continentes. Em muitas áreas, são mais comuns que o grupo que levou às aves modernas”, afirmou Atterholt. “No entanto, as aves modernas sobreviveram e os enantiornitinos foram extintos”.

Uma hipótese recentemente proposta argumenta que os enantiornitinos viviam na floresta, por isso, quando a área florestal ficou envolta em fumo depois da queda do asteróide que sinalizou o fim do Cretáceo e dos dinossauros não-aviários, estas aves também desapareceram. Muitos enantiornitinos têm fortes garras curvadas, ideais para se empoleirarem e escalar.

“Acho que é uma hipótese realmente interessante e a melhor explicação que ouvi até agora”, disse Atterholt. “Mas precisamos de fazer estudos rigorosos sobre a ecologia dos enantiornitinos, porque, de momento, esta parte do quebra-cabeças não é explícita“.

ZAP // Phys

Por ZAP
14 Novembro, 2018

 

1285: “Furacão” de matéria escura vai colidir com a Terra

NASA / JPL-Caltech
Terra cercada por filamentos de matéria escura

Se os cálculos de uma equipa de astrónomos estiverem correctos, o Sistema Solar estará, em breve, no meio de um evento turbulento: um “furacão” de matéria escura, a soprar a uma velocidade de 500 quilómetros por segundo.

Apesar de não conseguirmos ver nem sentir, está para muito breve uma detecção directa de matéria escura, avança uma equipa de astrónomos que desconfia que um “furacão” de matéria escura colidirá com a Terra.

A matéria escura continua a ser um dos grandes enigmas do Universo. Não sabemos o que é, mas sabemos que existe. E como é que temos a certeza disso? Os astrónomos sabem-no com base nos movimentos das estrelas e galáxias, que são rápidas demais para a quantidade de massa observável.

Há, então, uma outra massa a criar gravidade e a influenciar esses movimentos cósmicos. Aliás, com base nesses movimentos, os astrónomos conseguem calcular essa massa invisível – ou “matéria escura”, como lhe chamam os entendidos.

Os cientistas trabalham diariamente para conseguir novas e inovadoras formas de detectar esse tipo de matéria, mas ainda não chegaram lá. No entanto, isso não impediu um conjunto de físicos de afirmar que estamos o meio de uma tremenda tempestade de matéria escura. Mas como sabem isso?

Com o lançamento dos dados do satélite Gaia, no ano passado, os astrónomos descobriram uma corrente estelar, deixada para trás por uma grande galáxia anã esferoidal que foi “engolida” pela Via Láctea há muitos anos. Apesar de ter havido várias detecções de fluxos parecidos na Via Láctea, o S1 (como agora é conhecido) é incomum.

Segundo os astrónomos, a corrente estelar associada à matéria escura move-se como se fosse um riacho. Ciaran O’Hare, físico da Universidade de Zaragoza, em Espanha, liderou uma equipa de investigadores para descobrir o efeito de S1 na matéria escura no nosso cantinho da Via Láctea. O estudo foi publicado recentemente na Physical Review D.

Assim, através da análise de modelos diferentes para a densidade e distribuição da matéria escura que flui no fluxo de S1, os cientistas previram assinaturas de matéria escura para cada um desses modelos, passíveis de serem detectadas na Terra.

Uma dessas assinaturas é produzida pelas partículas massivas de interacção fraca hipotética, conhecidas como WIMPs. Se essas partículas existirem, devemos ser capazes de detectá-las através das suas colisões com electrões ou núcleos atómicos. Isso faria com que as partículas carregadas na Terra recuassem, produzindo uma luz que poderia ser captada por xénon líquido ou detectores de cristal.

Através de vários cálculos, a equipa determinou que é muito improvável que estes detectores de WIMP captem qualquer efeito de S1, apesar de ser possível no futuro, conforme a tecnologia progride.

Detectores de axiões – como o Axion Dark Matter Experiment – têm uma maior probabilidade de detectar, mas, para já, são apenas hipotéticos. Os axiões, se existirem, são incrivelmente leves – cerca de 500 milhões de vezes mais leves do que um electrão. Além disso, é possível que os axiões sejam um dos componentes principais da matéria escura.

Segundo os cálculos dos físicos, estas partículas ultra-leves (que não conseguimos observar) poderiam ser convertidas em fotões, passíveis de serem detectados.

Na verdade, não passam de partículas hipotéticas. No entanto, como o fluxo de S1 viaja directamente através do Sistema Solar, o furacão de matéria escura provavelmente cruzará o caminho de vários detectores espalhados pelo mundo.

O estudo admite que os detectores WIMP provavelmente não verão matéria escura do fluxo S1. No entanto, estes são voltados para detectar “matéria escura axiónica“, baseada no axião.

Como a matéria escura é teorizada para representar cerca de 85% da matéria no Universo, a detecção da partícula ou das partículas que a compõem mudaria fundamentalmente a maneira como olhamos para o Universo. Na verdade, não há motivo para temermos o “furacão de matéria escura” – na verdade, é uma coisa boa.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
14 Novembro, 2018

 

1284: Descoberto o segredo da sobrevivência dos antigos povos dos Andes

CIÊNCIA

(CC0/PD) etifae / Pixabay
Cordilheira dos Andes

Uma nova investigação, baseada nos antigos assentamentos das populações que viveram na Cordilheira dos Andes, revelou que estes povos sofreram mutações genéticas que lhes permitiram sobreviver em condições tão adversas.

De acordo com o novo estudo, publicado na semana passada na revista Science Advances, estas populações que viviam em territórios de elevada altitude foram modificando e adaptando os seus organismos ao longos dos anos.

E foi graças a estas alterações genéticas – que incluem corações maiores e pressão arterial ligeiramente mais alta – que conseguiram resistir e sobreviver às condições adversas dos Andes, evitando também certas doenças.

“Apesar das duras condições ambientais, os Andes foram povoados relativamente cedo após a entrada no continente [sul-americano]. As características adaptativas necessárias para a ocupação permanente podem ter sido seleccionadas por um período de tempo relativamente curto, na ordem dos milhares de anos“, pode ler-se na publicação.

Segundo o artigo, uma das mutações foi identificada foi no gene DST, que fez com que a anatomia dos corações da população dos Andes fosse mudando. A análise genética notou que os ventrículos direitos deste povo eram maiores comparativamente a um coração normal, melhorando assim o fornecimento de sangue oxigenado.

Outro sinal de adaptação foi encontrado no gene MGAM (maltase-glucoamilase), uma enzima intestinal. Os ancestrais do Andes, que habitaram estas terras altas há cerca de 7.000 anos, consumiam muito milho e batatas – produtos tradicionalmente consumidos naquela zona da América de Sul – e a evolução do MGAM permitiu-lhe fazer uma melhor digestão do amido.

A presença do MGAM produziu “uma mudança significativa na dieta” deste povo. Apesar de estas populações ingerirem muito amido, os seu genomas não produziram cópias adicionais do gene da amilase, como aconteceu nas áreas rurais da Europa.

No que respeita ao sistema imunológico, os povos dos Andes mostraram também ser mais resistentes. Durante a a epidemia de varíola na América Latina, causada pela chegada dos espanhóis, as taxas de mortalidade nos Andes foram entre 23% e 27%. No resto das Américas, as taxas de mortalidade ascenderam a 90%.

A análise genética, que analisou os vestígios mortais de vários ancestrais que viveram nos Andes, revelou que a adaptação foi o grande segredo para a prosperidade desta população.

ZAP // RT / LiveScience

Por ZAP
14 Novembro, 2018