1771: Direitos de autor

Em destaque

A nova directiva dos direitos de autor foi esta terça-feira aprovada no Parlamento Europeu, com 348 votos a favor, 247 votos contra e 36 abstenções. Portugal esteve representado pelos seus 21 deputados eleitos – e a maioria votou a favor.

A nova directiva promete mudar o mercado na União Europeia: as plataformas serão responsáveis pelos conteúdos carregados pelos utilizadores; os jornalistas deverão receber uma parte adequada das receitas geradas pela utilização das suas publicações; start-ups beneficiarão de um regime mais ligeiro e os memes e GIFs estão “a salvo”.

Por ZAP
27 Março, 2019

Nota da administração deste Blogue:

Sendo este Blogue integralmente composto por notícias veiculadas em diversos órgãos de comunicação social e sites especializados nas áreas de Astronomia, Ciência, Tecnologia e afins, possivelmente terá de dar por terminada esta tarefa e encerrar o Blogue na devida altura. Não tenho qualquer lucro com o Spacenews, apenas serve para “matar” o pouco tempo de vida que já disponho, além do mais, TODAS as publicações encontram-se devidamente identificadas com os seus autores e respectivos links de origem.

Sejam muito felizes!

27/03/2019

 

2013: Vírus gigantes nas águas da Índia podem resolver mistério evolutivo

CIÊNCIA

(cv) National Geographic / Youtube

Uma equipa liderada por cientistas do Instituto Indiano de Tecnologia em Bombaim descobriu mais de 20 novos vírus nas águas da cidade, incluindo versões gigantes destes agentes biológicos que podem ajudar a desvendar questões importantes e actuais no campo da genética.

Na investigação, levada a cabo durante cinco anos, os cientistas analisaram a águas residuais e pré-filtradas nesta cidade indiana e encontraram variantes destes vírus baptizados como mega vírus Powai Lake, Mimivirus Bombay, Kurlavirus e mega vírus Bandra, sendo este último o maior dos vírus gigantes já encontrados na Índia.

Para a descoberta, os cientistas recorreram a novos métodos de análises de amostras biológicas e análises de dados, incluindo medições do mega vírus Bandra, que os cientistas determinaram ter uma espessura de 465 nanómetros. Esta espessura, apesar de ser inferior à das bactérias e centenas de vezes menor do que a espessura de um fio de cabelo humano, é dezenas de vezes maior do que a dos outros vírus comuns.

Apesar dos novos organismos encontrados, o interesse da equipa reside na perspectiva genética, uma vez que desde a descoberta do primeiro espécie (1992)  descobriu-se que os vírus gigantes têm traços do genoma das bactérias, eucariontes e outros vírus. Esta diversidade genética observada nos novos organismos poderia ajudar a determinar de que forma se transmite o ADN entre os organismos complexos e como evoluíram a partir de formas de vida mais simples.

Anirvan Chatterjee, um dos líderes do estudo, especificou que os genes que codificam as proteínas mais importantes para os vírus foram encontrados principalmente na parte central do seu genomas, enquanto que as suas extremidades alojam genes menos importantes. Esta particularidade foi também observada em vírus gigantes noutras parte do mundo, mas o caso da Índia tem algumas particularidades.

इंस वायर @indianscinews

Scientists discovered Bandramegavirus (BMV), a novel, and so far, the largest Giant Virus reported from India@dineshcsharma @TVVen @VigyanPrasar @IndiaDST @iitbombay @SciReportshttps://vigyanprasar.gov.in/isw/Giant-Viruses-found-water-samples-from-Mumbai.html 

Giant Viruses found in water samples from Mumbai-India Science Wire

Science News:You may have never heard of Bandra megavirus or Kurlavirus. — By Hansika Chhabra

vigyanprasar.gov.in

“Embora o genoma ou o material genético total no mega vírus Bandra e no mega vírus Powai Lake seja semelhante, a sua organização é diferente“, explicou Chatterjee, em declarações à India Science Wire.

O estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista especializada Scientific Reports – sustenta a teoria de que existem vírus gigantes em todas as partes do mundo. No entanto, escreveram os cientistas “não há evidências suficientes para sugerir que estes microrganismos estão directamente relacionados com infecções em humanos”, apontou.

ZAP //

Por ZAP
19 Maio, 2019


2012: Alerta de erupção vulcânica. Monte Hakone fechado a turistas

WorldContributor / Wikimedia
O Monte Fiji e o santuário de Hakone vistos na primavera a partir do lago Ashinoko, no Japão

As autoridades japonesas activaram este domingo o alerta por possível erupção vulcânica no monte Hakone, e fecharam todos os acessos à popular paisagem natural, que é visitada anualmente por milhões de turistas.

A Agência Meteorológica do Japão, JMA, declarou o segundo nível de alerta numa escala de cinco níveis, após detectar um aumento da actividade sísmica e emanações incomuns de vapores perto da cima do vulcão.

As autoridades fecharam todas as estradas e caminhos de acesso e recomendaram que os turistas não se aproximem do monte, situado num parque nacional  a cerca de 80 quilómetros a sudoeste de Tóquio, e para o qual não se activava a alerta vulcânico desde 2015.

A zona de Hakone é conhecida pelas paisagens naturais e pela vista que oferece para o famoso monte Fuji, o mais alto do Japão, pelas suas rotas de caminhada e pelos onsen, os conhecidos banhos termais japoneses).

O parque natural em que o monte está localizado foi o mais visitado no país em 2017, com um total de 2,58 milhões de visitantes, segundo dados do Ministério do Ambiente do país.

O Japão, que tem mais de cem vulcões activos e latentes, está localizado no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma zona de forte actividade sísmica e vulcânica, com mais de 400 vulcões, dos quais pelo menos 129 se encontram activos.

Gringer / wikimedia
Anel de Fogo do Pacífico

Em Setembro 2014, uma erupção inesperada do Monte Ontake surpreendeu um grupo de montanhistas e provocou 27 mortos. O Monte Ontake, localizado a 200 quilómetros de Tóquio, começou a expelir grandes quantidades de cinzas e rochas, formando uma imensa nuvem de fumo sobre a sua cratera.

ZAP // EFE

Por EFE
19 Maio, 2019


2011: Planetas pequenos e resistentes com maior probabilidade de sobreviver à morte das suas estrelas

Um asteróide quebrado pela forte gravidade de uma anã branca formou um anel de partículas de poeira e detritos em órbita do remanescente estelar.
Crédito: Universidade de Warwick/Mark Garlick

De acordo com uma nova investigação da Universidade de Warwick, os planetas pequenos e resistentes, repletos de elementos densos, têm a melhor probabilidade de evitar serem esmagados e engolidos quando a sua estrela-mãe morre. A nova investigação foi publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os astrofísicos do Grupo de Astronomia e Astrofísica de Warwick modelaram a probabilidade de diferentes planetas serem destruídos pelas forças de maré quando as suas estrelas hospedeiras se tornam anãs brancas e determinaram os factores mais significativos que decidem se evitam a destruição ou não.

O seu “guia de sobrevivência” para exoplanetas pode ajudar os astrónomos a localizar potenciais exoplanetas em torno de estrelas anãs brancas, enquanto uma nova geração de telescópios ainda mais poderosos está a ser desenvolvida para procurá-los.

A maioria das estrelas como o nosso Sol acabarão ficando sem combustível, encolherão e tornar-se-ão anãs brancas. Alguns corpos em órbita, que não são destruídos neste ambiente cataclísmico instigado quando a estrela expele as suas camadas exteriores, serão então submetidos a mudanças nas forças de maré à medida que a estrela colapsa e se torna super-densa. As forças gravitacionais exercidas em qualquer planeta em órbita seriam intensas e potencialmente os arrastariam para novas órbitas, chegando mesmo a empurrar alguns deles para fora dos seus sistemas solares.

Ao modelar os efeitos da mudança na gravidade de uma anã branca com corpos rochosos em órbita, os investigadores determinaram os factores mais prováveis que farão com que um planeta se mova para dentro do “raio de destruição” da estrela; a distância da estrela onde um objecto mantido unido apenas pela sua própria gravidade se desintegrará devido às forças de maré. Dentro do raio de destruição formar-se-á um disco de detritos planetários.

Embora a sobrevivência de um planeta esteja dependente de muitos factores, os modelos revelam que quanto mais massivo um planeta, maior a probabilidade de que seja destruído por interacções de maré.

Mas a destruição não é certa, com base apenas na massa, e depende parcialmente da viscosidade, uma medida da resistência à deformação: exo-Terras com baixa viscosidade são facilmente engolidas mesmo que habitem até cinco vezes a distância entre o centro da anã branca e o raio de destruição. A lua de Saturno, Encélado – frequentemente descrita como uma “bola de neve suja” – é um bom exemplo de um planeta homogéneo com baixíssima viscosidade.

As exo-Terras com alta viscosidade são facilmente engolidas somente se residirem até duas vezes a distância entre o centro da anã branca e o seu raio de destruição. Estes planetas seriam compostos inteiramente por um núcleo denso de elementos mais pesados, com uma composição similar ao planetesimal de metais pesados descoberto recentemente por outra equipa de astrónomos da Universidade de Warwick. Esse planetesimal evitou ser engolido porque é tão pequeno quanto um asteróide.

O Dr. Dimitri Veras, do Departamento de Física da Universidade de Warwick, disse: “O artigo é um dos primeiros estudos dedicados a investigar os efeitos de maré entre as anãs brancas e os planetas. Este tipo de modelagem terá uma relevância crescente nos próximos anos, quando corpos rochosos adicionais provavelmente forem descobertos perto de anãs brancas.”

“O nosso estudo, embora sofisticado em vários aspectos, trata apenas planetas rochosos homogéneos que são consistentes na sua estrutura. Um planeta com várias camadas, como a Terra, seria significativamente mais complexo de modelar, mas estamos a investigar a viabilidade de também fazer isso.”

A distância à estrela, tal como a massa do planeta, tem uma correlação robusta com a sobrevivência ou com a imersão. Haverá sempre uma distância segura da estrela e essa distância segura depende de muitos parâmetros. Em geral, um planeta rochoso homogéneo que resida a uma distância da sua anã branca equivalente a um-terço da distância entre Mercúrio e o Sol, garantidamente consegue evitar ser engolido pelas forças de maré.

O Dr. Veras acrescentou: “O nosso estudo leva os astrónomos a procurar planetas rochosos perto – mas ainda fora – do raio de destruição da anã branca. Até agora, as observações concentraram-se nesta região interior, mas o nosso estudo demonstra que os planetas rochosos podem sobreviver a interacções de maré com a anã branca de uma maneira que empurra os planetas ligeiramente para fora.

“Os astrónomos também devem procurar assinaturas geométricas em discos de detritos conhecidos. Estas assinaturas podem ser o resultado de perturbações gravitacionais de um planeta que reside muito perto, mas ainda fora do raio de destruição. Nestes casos, os discos teriam sido formados mais cedo pela fragmentação de asteróides que periodicamente se aproximam e entram no raio de destruição da anã branca.”

Astronomia On-line
17 de Maio de 2019



2010: Descobertas inscrições neolíticas com símbolos da realeza egípcia

CIÊNCIA

Alchemica / Wikimedia

Uma missão arqueológica do Ministério de Antiguidades de Egipto descobriu perto da cidade de Assuão, no sul do país, as primeiras inscrições reais que remontam ao período neolítico.

Este período começou há 12 mil anos e terminou em diferentes datas nas distintas partes do mundo, recorda o portal Ahram Online.

O secretário geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Mostafa Waziri, assinalou que milhares de inscrições em pedra, datadas da época anterior à primeira dinastia, foram encontradas num vale circular semi-fechado.

Alguns representam cenas com animais que habitavam a área naquela época, como girafas, elefantes e crocodilos. Outros mostram uma pequena cidade, pastoreio de gado e plantio de árvores.

É especificado que algumas das inscrições trazem sinais da realeza egípcia, como o deus Hórus, o falcão. Segundo o site do Luxor Times, especialistas reconheceram alguns dos símbolos que pertencem aos reis que governaram o Egipto em tempos pré-dinásticos, como Narmer.

Abdel-Moneim Saeed, director-geral da Aswan and Nubian Antiquities, disse que também foram encontrados motivos sagrados em alguns blocos, como o símbolo sagrado de Hórus, bem como outras decorações de folhagem.

Assuão é uma cidade do sul do Egipto, a 950 quilómetros de distância do Cairo. É um movimentado mercado e centro turístico, na margem leste do Nilo, na primeira catarata. A cidade moderna expandiu-se e inclui a comunidade anteriormente separada na ilha de Elefantina. A cidade faz parte da Rede de Cidades Criativas da UNESCO na categoria de artesanato e arte popular

ZAP //

Por ZAP
19 Maio, 2019



– Todos os textos publicados neste Blogue SPACENEWS, são traduzidos de brasuquês para Português Ibérico. Os seguidores do novo acordo ortográfico fazem gala de omitirem os “c”, os “p”, etc., em número inimaginável. Acho que aboliram o “c” e o “p” da sua escrita. Mas o paradoxo é, por exemplo, neste artigo acima, escreverem “Egito” (sem o p, outra letra do nosso alfabeto que detestam) mas escreverem: “sinais da realeza egípcia“. Ora, deviam também abolir o “p” e escreverem “sinais da realeza egícia“!

2009: Uma das ilhas mais remotas do mundo está a afogar-se num mar de plástico

CIÊNCIA

Stéphane Enten / Flickr

Localizada a mais de dois mil quilómetros da costa noroeste da Austrália, a ilha dos Cocos pode não ter muita população, mas lidera em termos de acumulação de plástico.

De acordo com um estudo publicado na revista Scientific Reports, as praias remotas encontradas nas ilhas do Oceano Índico estão repletas com cerca de 414 milhões de resíduos de plástico com cerca de 238 toneladas – incluindo quase um milhão de sapatos e 373 mil escovas de dentes.

“Ilhas como estas são como canários numa mina de carvão e é cada vez mais urgente que ajamos em relação aos alertas que nos estão a dar”, disse a autora do estudo, Jennifer Lavers, em comunicado. “A poluição plástica é agora omnipresente nos nossos oceanos e as ilhas remotas são o lugar ideal para obter uma visão objectiva do volume de detritos plásticos que circulam pelo globo”.

De acordo com o IFL Science, Jennifer Lavers esteve nas manchetes dos jornais quando revelou que a Ilha Henderson, uma das mais remotas ilhas do Oceano Pacífico, estava envolvida em lixo plástico. Praticamente intocada pelos humanos, o atol do Património Mundial da UNESCO tem a maior densidade de plástico do que qualquer lugar da Terra.

“A nossa estimativa de 414 milhões de peças com um peso de 238 toneladas na Ilha dos Cocos é conservadora, já que apenas amostramos uma profundidade de dez centímetros e não pudemos aceder algumas praias conhecidas como locais de destroços“, disse Lavers, acrescentando que ilhas remotas sem grandes populações humanas para depositar lixo destacam a extensão da circulação de plástico nos oceanos do planeta.

Aproximadamente um quarto de todos os plásticos estudados ​​eram itens de uso único. Já 93% dos detritos estavam enterrados até dez centímetros abaixo da superfície do solo.

ZAP //

Por ZAP
18 Maio, 2019



2008: Astrónomos encontram módulo lunar da Apolo 10 meio século depois

InSapphoWeTrust / Wikimedia
Módulo de comando da Apolo 10, apelidado de Charlie Brown.

Cinquenta anos depois da missão Apolo 10, cientistas encontraram o seu módulo lunar, que andou deriva a poucos quilómetros da superfície da Lua.

O módulo lunar conhecido como “Snoopy” foi encontrado em órbita a pouco mais de 15 quilómetros de distância da Lua, por onde tem navegado à deriva desde os últimos 50 anos.

O módulo foi utilizado pela missão Apolo 10 — a que antecedeu o pouso de Neil Armstrong e Buzz Aldrin no solo Lunar em 1969 —, tendo sido dispensado após ajudar os astronautas Thomas P. Stanfford e Eugene A. Cernan a recolherem e analisarem dados de navegação que viriam a ser usados na histórica missão seguinte.

A procura pelo módulo perdido já durava há cerca de 10 anos e estava ser conduzida pela Royal Astronomical Society britânica, coordenada por Nick Howes e diversos técnicos que participaram das missões Apolo.

Originalmente, o Snoopy foi conduzido pela Apolo 10 a dez quilómetros de distância do solo lunar, onde cumpriu a recolha de dados de navegação e se juntou ao seu módulo principal, conhecido como “Charlie Brown“.

Ao contrário de outras missões que envolveram esta tecnologia, o Snoopy não foi abandonado em direcção à Lua, permanecendo às voltas na sua órbita pelas últimas cinco décadas.

Agora, especialistas argumentam que o Snoopy pode e deve ser recuperado e trazido de volta à Terra, para que a NASA conduza estudos de exposição prolongada à órbita da Lua e, com isso, implemente novos recursos em missões futuras espaciais tripuladas.

ZAP // Canaltech

Por CT
18 Maio, 2019



 

2007: Primavera em Plutão: uma análise ao longo de 30 anos

New Horizons / NASA
Imagem de Plutão enviada pela New Horizons em julho de 2015

Sempre que passa em frente de uma estrela, Plutão fornece informações preciosas sobre a sua atmosfera, preciosas porque as ocultações de Plutão são raras.  A investigação realizada por investigadores do Observatório de Paris, ao longo de várias décadas, foi publicada dia 10 de maio de 2019 na revista Astronomy & Astrophysics.

Interpretada à luz dos dados recolhidos em 2015 pela sonda New Horizons, permite refinar os parâmetros físicos essenciais para uma melhor compreensão do clima de Plutão e para prever futuras ocultações do planeta anão. Tal como a Terra, a atmosfera de Plutão é essencialmente composta por azoto, mas a comparação para aí.

Situado para lá de Neptuno, Plutão leva 248 anos a completar uma órbita em torno do Sol. Durante o ano plutoniano, a sua distância ao Sol varia muito, de 30 a 50 UA, levando a ciclos sazonais extremos. Com temperaturas superficiais extremamente baixas, inferiores a -230º C, há um equilíbrio sólido-gasoso, onde uma ténue atmosfera de essencialmente azoto coexiste com depósitos de gelo à superfície.

Actualmente, estima-se que o vapor de azoto esteja estabilizado a uma pressão de mais ou menos 1,3 pascal (ao passo que na Terra a pressão é de cerca de 100.000 Pa).

Dada a obliquidade (o ângulo formado entre o eixo polar e o plano orbital) do planeta anão, 120 graus, os pólos de Plutão enfrentam sucessivamente um dia permanente durante várias décadas, e depois uma noite permanente. Isto leva a um ciclo complexo de redistribuição dos seus materiais voláteis como azoto, metano e monóxido de carbono. Assim sendo, Plutão teve o seu equinócio em 1988, antes de passar pelo periélio (a 30 UA) em 1989. Desde então, o planeta anão afastou-se continuamente do Sol até alcançar 32 UA em 2016, o que representa uma perda de 25% da sua insolação média.

Ingenuamente, era esperada uma queda acentuada na pressão atmosférica. De facto, o equilíbrio gasoso-sólido do azoto impõe que para cada grau Kelvin perdido à superfície, a pressão diminua por um factor de dois.

Mas ocorre o exacto oposto. A prova é fornecida pelo artigo publicado na Astronomy & Astrophysics de dia 10 de maio, que analisa uma dúzia de ocultações estelares observadas ao longo de quase 30 anos, durante a primavera no hemisfério norte de Plutão: a pressão atmosférica aumentou por um factor de três entre 1988 e 2016.

Este cenário paradoxal já era considerado pelos modelos climáticos globais de Plutão desde a década de 1990, mas sem certeza, apenas como um cenário entre muitos outros. Vários parâmetros importantes do modelo permaneciam por restringir pelas observações.

Estas observações das ocultações estelares a partir da Terra, juntamente com dados recolhidos durante a passagem da New Horizons da NASA por Plutão em Julho de 2015, permitem agora descrever um cenário muito mais preciso.

A New Horizons mapeou a distribuição e a topografia do gelo à superfície do planeta anão, revelando uma vasta depressão com mais de 1000 km de diâmetro e 4 km de profundidade, localizada perto do equador entre as latitudes 25º S e 50º N, de nome Sputnik Planitia. Esta depressão retém uma parte do azoto disponível na atmosfera, formando um glaciar gigantesco que é o verdadeiro “coração” do clima do planeta anão, pois regula a circulação atmosférica por meio da sublimação do azoto.

Em adição, as ocultações estelares permitem restringir a inércia térmica do subsolo no modelo, explicando a mudança de fase de trinta anos entre a transição para o periélio (1989) e o aumento da pressão ainda observado hoje em dia. O subsolo armazenou o calor e está a restaurá-lo gradualmente. As ocultações também restringem a fracção de energia solar devolvida ao espaço (albedo de Bond) do azoto gelado e a sua emissividade.

Finalmente, estas observações eliminam a possibilidade da presença de um reservatório de azoto no hemisfério sul (actualmente em noite permanente), que produziria um máximo de pressão muito mais cedo do que o observado (curva magenta na figura).

Este estudo é uma boa ilustração da complementaridade entre as observações terrestres e espaciais. Sem a passagem da New Horizons, a distribuição do gelo e a topografia permaneceriam desconhecidas, e sem a monitorização a longo prazo da atmosfera, os modelos climáticos de Plutão não poderiam ser restringidos.

Previsão de ocultações futuras

Finalmente, as ocultações também fornecem 19 posições de Plutão entre 1988 e 2016, com uma precisão inigualável de alguns milissegundos de arco no céu. Tal precisão, possível graças à segunda versão de dados da missão europeia Gaia, permite que os autores calculem efemérides de Plutão com a mesma precisão para a próxima década.

Assim, será possível observar outras ocultações por Plutão e monitorizar o seu clima… os modelos teóricos indicam que a atmosfera de Plutão está actualmente perto da sua expansão máxima. As observações futuras podem confirmar ou refutar esta previsão.

Será que vamos em breve ver o começo desse lento declínio, que deverá reduzir por um factor de 20 a pressão atmosférica de Plutão no final, e cobrir a sua superfície com uma fina camada de “geada branca”?

ZAP // CCVAlg

Por CCVAlg
18 Maio, 2019


 

2006: Os extraterrestres podem estar a comunicar através de ondas gravitacionais

CIÊNCIA

Maxwell Hamilton / Flickr
Buracos negros em colisão e as ondas gravitacionais que se formam

Uma equipa de cientistas defende que os extraterrestres podem ser dotados de uma tecnologia avançada capaz de gerar ondas gravitacionais. Através destas ferramentas, sustentam os cientistas, poderá ser possível encontrar uma civilização avançada no interior da Via Láctea.

O Universo é demasiado vasto e pouco explorado para que a comunidade científica possa descartar totalmente a existência de outras formas de vida para lá do Sistema Solar. Além disso, vários cientistas defendem a existência de outras formas de vida, alicerçados no número cada vez maior de exoplanetas descobertos.

Estas formas de vida – que podem habitar Marte, a exótica Titã (Lua de Saturno) ou até o tórrido Vénus – não foram ainda encontradas. A procura têm sido em vão, mas os cientistas não desistem e vão procurando novas teorias para o silêncio destes seres.

Um dos principais problemas apontados pelos cientistas para justificar este silêncio é a falta de conhecimento e ou tecnologia humana para reconhecer e rastrear os sinais dos seres alienígenas, muitas vezes chamadas de bio-assinaturas.

Num novo esforço para encontrar vida extraterrestre, uma equipa de cientistas, liderada por Marek Abramowicz, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, sugere que estes seres podem ser dotados de uma tecnologia capaz de gerar ondas gravitacionais.

Estas ondas, previstas pela primeira vez por Albert Einstein, são ondulações fracas que se propagam no tecido espaço-tempo, podendo ser formadas por fenómenos violentos como colisões de estrelas ou buracos negros. No fundo, e tal como observa o diário ABC, estas ondulações são como as ondas geradas por uma pedra que cai num lago.

Apesar de estas ondas terem sido já teorizadas durante o século XX, a sua observação directa na Terra ocorreu só em 2015. Actualmente, estes fenómenos continuam a ser estudados, sendo encarados como uma janela científica para o Universo.

Baseado neste fenómeno, Abramowicz e a sua equipa defendem que uma pequena mudança operacional na antena da missão LISA – detector espacial de ondas gravitacionais projectado pela Agência Espacial Europeia (ESA) programado para ser lançado em 2034 – seria suficiente para permitir que esta missão procure também eventuais sinais de civilizações extraterrestres avançadas.

Segundo escreveram os cientistas, esta pequena mudança neste mega-detector poderá também permitir a descoberta de uma civilização avançada dentro da Via Láctea.

“A nossa existência no Universo é o resultado de uma rara combinação de circunstâncias. E o mesmo deve ser certo para qualquer civilização extraterrestre avançada”, pode ler-se no estudo, cujos resultados foram disponibilizados para pré-visualização no Arxiv.org.

“Se houver alguns [seres alienígenas] na Via Láctea, é provável que estejam espalhados por grandes distâncias no espaço e no tempo. No entanto, [os extraterrestres] sabem certamente da propriedade única do nosso centro galáctico: aloja um buraco negro massivo mais perto e acessível para nós”.

No entender da equipa de cientistas, “uma civilização suficientemente avançada pode ter colocado uma tecnologia na órbita deste buraco negro, visando estudá-lo, extrair energia ou até para fins de comunicação. Em qualquer das opções, o seu movimento orbital será necessariamente uma fonte de ondas gravitacionais”, escreveram.

Simplificando: os especialistas acreditam que o centro da Via Láctea seria um local ideal para colocar um “farol” que transmite mensagens para o resto da galáxia. Um dispositivo deste género, sustentou Abramowicz, enviaria as mensagens destes seres através das ondas gravitacionais porque “uma vez emitidas, estas ondas viajam pelo espaço sem serem praticamente perturbadas”.

Este farol, que os cientistas baptizaram de “O Mensageiro”, deveria ter o tamanho e a massa de Júpiter para conter energia suficiente para efectuar as comunicações. Nestas condições, argumentam os cientistas, a ferramenta “poderia sustentar-se por alguns mil milhões de anos e emitir de forma contínua um sinal inconfundível de ondas gravitacionais que seria observável com detectores do tipo LISA”, remataram.

ZAP //

Por ZAP
18 Maio, 2019



 

2005: Algo estranho empurrou estrelas e fez um buraco na Via Láctea (e não se sabe o que é)

(dr) Annedirkse
A Via Láctea, vista do Paquistão

Há algo a abrir buracos na nossa galáxia. Nós não o conseguimos ver e pode não ser feito de matéria normal. Os telescópios não o detectaram directamente, mas há de certeza algo estranho a acontecer.

“É uma bala densa de alguma coisa”, disse Ana Bonaca, investigadora do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, que descobriu estas evidências. A evidência de Bonaca, apresentada na conferência de 15 de Abril da American Physical Society em Denver, é uma série de buracos no fluxo estelar mais longo da galáxia, o GD-1.

Fluxos estelares são linhas de estrelas que se movem juntas através de galáxias, muitas vezes originadas em pequenas bolhas de estrelas que colidiram com a galáxia em questão. As estrelas em GD-1, remanescentes de um “aglomerado globular” que mergulhou na Via Láctea há muito tempo, estão estendidas numa longa linha no céu.

Em condições normais, a corrente deveria ser uma linha, esticada pela gravidade da galáxia. Os astrónomos esperariam um único espaço no ponto em que o aglomerado globular original estava antes das suas estrelas se afastarem em duas direcções.

Mas Bonaca mostrou que o GD-1 tem um segundo buraco. E essa lacuna tem uma margem irregular, como se algo enorme tivesse mergulhado na corrente há não muito tempo, arrastando estrelas com a sua enorme gravidade. GD-1, ao que parece, foi atingido por essa bala invisível.

“Não conseguimos mapeá-lo para qualquer objecto luminoso que tenhamos observado”, disse Bonaca à Live Science. “É muito mais massivo do que uma estrela. Algo como um milhão de vezes a massa do Sol. Não há estrelas dessa massa. Podemos descartar isso. E se fosse um buraco negro, seria um preto super-massivo do tipo que encontramos no centro da nossa própria galáxia”.

Não é impossível que haja um segundo buraco negro super-massivo na galáxia. Mas espera-se ver algum sinal, como chamas ou radiação do seu disco de acréscimo. A maioria das grandes galáxias parece ter apenas um único buraco negro super-massivo no seu centro.

Sem objectos gigantes, brilhantes, visíveis a sair de GD-1, e sem evidência de um segundo buraco negro super-massivo oculto na nossa galáxia, a única opção óbvia que resta é um grande aglomerado de matéria escura. Isso não significa que o objecto é definitivamente absolutamente feito de matéria escura, ressalvou Bonaca.

“Pode ser que seja um objecto luminoso que foi para algum lugar e está escondido em algum lugar da galáxia”, acrescentou. Mas isso parece improvável, em parte devido à grande escala do objecto. “Sabemos que estão a 30 a 65 anos-luz“, disse. “Do tamanho de um aglomerado globular.”

Mas é difícil descartar totalmente um objecto luminoso, em parte porque os investigadores não sabem com que velocidade se estava a mover durante o impacto. Sem uma resposta para isso, é impossível ter certeza de onde a “coisa” terá ido.

Ainda assim, a possibilidade de encontrar um objecto real da matéria escura é tentadora. De momento, os astrónomos não sabem o que é matéria escura. A matéria luminosa, o material que conseguimos ver, parece ser apenas uma pequena fracção do que há lá fora. As galáxias unem-se como se houvesse algo pesado dentro delas, agrupadas nos centros e criando uma enorme gravidade. A maioria dos físicos raciocina que há algo mais e invisível.

Esta esfera densa de algo invisível que mergulha na nossa Via Láctea oferece aos físicos uma nova evidência de que a matéria escura pode ser real. Sugeriria que a matéria escura é realmente “desajeitada”, como prevê a maioria das teorias sobre o seu comportamento.

Se a matéria escura é “desajeitada”, é concentrada em pedaços irregulares distribuídos entre galáxias. Algumas teorias alternativas, incluindo teorias que sugerem que a matéria escura não existe, não incluiriam aglomerados e teriam os efeitos da matéria escura distribuída suavemente pelas galáxias.

Até agora, a descoberta de Bonaca é única, tão nova que ainda não foi publicada numa revista. A investigadora baseou-se em dados da missão Gaia, um programa da Agência Espacial Europeia para mapear milhões de estrelas na Via Láctea e os seus movimentos pelo céu.

Bonaca reforçou os dados com observações do Telescópio Multi-Espelho no Arizona, que mostrou que estrelas se estavam a mover em direcção à Terra e que corpos se estavam a afasta. Bonaca quer fazer mais projectos de mapeamento para revelar outras regiões do céu onde algo invisível parece estar a derrubar estrelas. O objectivo é mapear aglomerados de matéria escura por toda a Via Láctea.

ZAP //

Por ZAP
18 Maio, 2019



 

2004: Descoberto o culpado dos misteriosos terramotos na cordilheira Hindu Kush

CIÊNCIA

Faizi.be87 / Wikimedia

A cordilheira Hindu Kush – que se estende por 800 quilómetros ao longo da fronteira do Afeganistão com o Paquistão – treme com mais de cem terramotos de magnitude 4,0 ou mais por ano.

A área é um dos locais mais sismicamente activos do mundo, especialmente para terramotos de profundidade intermediária – tremores que se formam entre 70 e 300 quilómetros abaixo da superfície do planeta). No entanto, os cientistas não têm certeza do porquê.

As montanhas não se localizam numa grande falha geológica, onde se espera alta actividade sísmica, e a região fica a muitos quilómetros de distância da zona de colisão em movimento lento, onde as placas tectónicas euro-asiática e indiana colidem continuamente.

Um novo estudo publicado em 17 de Abril na revista Tectonics pode ter uma resposta para os terramotos misteriosos do Hindu Kush – e, como todos os grandes mistérios geológicos, envolve massas viscosas.

De acordo com o estudo, as montanhas Hindu Kush devem a sua reputação sísmica a uma longa “massa” de rocha que lentamente escorre da parte subterrânea da cordilheira para o manto quente e viscoso por baixo. Como uma gota de água solitária que se afasta da borda de uma torneira, a faixa de 150 quilómetros de montanha pode estar a afastar-se da crosta continental a uma velocidade de até dez centímetros por ano. Esse stress subterrâneo pode estar a desencadear terremotos.

Os investigadores descobriram a problemática massa após vários anos de observações de terramotos perto das montanhas Hindu Kush. Viram que os terramotos formaram-se num padrão, criando o que parecia ser um “caminho redondo” de actividade sísmica na superfície do planeta, disse Rebecca Bendick, geofísica da Universidade de Montana em Missoula, citada pela Live Science.

Esses terramotos também se formaram ao longo de um eixo vertical claro, começando entre 160 e 230 quilómetros abaixo do continente e eram mais comuns mais abaixo, onde a sólida crosta continental encontra o manto superior, quente e viscoso. Aqui, é onde a massa de alongamento lento é mais tensa.

Todas as observações foram consistentes com uma massa de rocha sólida que lentamente escorria no submundo pegajoso – uma hipótese que foi usada anteriormente para explicar a actividade sísmica semelhante sob as Montanhas dos Cárpatos na Europa central. De acordo com os geólogos, Hindu Kush terá começado a pingar não antes de há dez milhões de anos e continua a estender-se quase dez vezes mais rápido que a superfície das montanhas, enquanto as placas da Índia e da Eurásia colidem.

Se confirmados, estes resultados podem ser mais uma evidência de que as forças geofísicas além da subducção de placas tectónicas podem enviar terramotos pelo planeta.

ZAP //

Por ZAP
18 Maio, 2019



 

2003: Revelada nova espécie de dinossauro saurópode na Lourinhã

CIÊNCIA

Carlos Giachetti / Flickr

Paleontólogos portugueses e espanhóis descreveram uma nova espécie de dinossauro herbívoro saurópode, cujos fósseis foram recolhidos há mais de 20 anos numa praia da Lourinhã, num artigo científico publicado num boletim especializado.

O Oceanotitan dantasi é descrito como sendo um novo género e uma nova espécie de dinossauro saurópode no artigo “Um novo saurópode macronário do Jurássico Superior de Portugal”, publicado na quarta-feira no Journal of Vertebrate Paleontology, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Um dos autores, Pedro Mocho, do Instituto Don Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, disse à Lusa que, enquanto outros saurópodes já conhecidos atingem grandes dimensões, este animal chamou a atenção dos investigadores “pelo seu tamanho mediano”.

As características morfológicas encontradas neste herbívoro “colocava-o fora dos grupos do Jurássico Superior e assemelhava-o a formas do Cretáceo”, explicou. Esta espécie vem contribuir para a enorme diversidade de dinossauros saurópodes encontrados em Portugal com 150 a 145 milhões de anos, pertencentes ao período do Jurássico Superior.

Os autores do estudo escolheram o nome Oceanotitan dantasi, em alusão à costa atlântica, onde foram encontrados os fósseis, à música “oceania” da cantora islandesa Björk e ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90 do século XX e então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.

O estudo em que é descrita a nova espécie é também subscrito pelos espanhóis Rafael Royo-Torres, investigador do Museu Aragonês de Paleontologia, e Francisco Ortega, da Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

Os achados deste dinossauro agora estudado foram feitos em 1996 nas arribas da praia de Valmitão, concelho da Lourinhã, por José Joaquim dos Santos, um cidadão de Torres Vedras que, nos seus tempos livres de carpinteiro, se ocupa a encontrar fósseis de dinossauro e outros animais nas arribas.

Durante mais de 20 anos, José Joaquim dos Santos recolheu alguns milhares de fósseis pertencentes a dinossauros, tartarugas, crocodilos, peixes e até tubarões, cuja colecção foi vendida em 2009 à Câmara de Torres Vedras, para vir a expo-los num futuro museu. A colecção tem vindo a ser estudada desde essa altura por investigadores associados da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Maio, 2019