1771: Direitos de autor

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A nova directiva dos direitos de autor foi esta terça-feira aprovada no Parlamento Europeu, com 348 votos a favor, 247 votos contra e 36 abstenções. Portugal esteve representado pelos seus 21 deputados eleitos – e a maioria votou a favor.

A nova directiva promete mudar o mercado na União Europeia: as plataformas serão responsáveis pelos conteúdos carregados pelos utilizadores; os jornalistas deverão receber uma parte adequada das receitas geradas pela utilização das suas publicações; start-ups beneficiarão de um regime mais ligeiro e os memes e GIFs estão “a salvo”.

Por ZAP
27 Março, 2019

Nota da administração deste Blogue:

Sendo este Blogue integralmente composto por notícias veiculadas em diversos órgãos de comunicação social e sites especializados nas áreas de Astronomia, Ciência, Tecnologia e afins, possivelmente terá de dar por terminada esta tarefa e encerrar o Blogue na devida altura. Não tenho qualquer lucro com o Spacenews, apenas serve para “matar” o pouco tempo de vida que já disponho, além do mais, TODAS as publicações encontram-se devidamente identificadas com os seus autores e respectivos links de origem.

Sejam muito felizes!

27/03/2019

 

2331: Afinal, a descoberta de galáxias sem matéria escura não terá passado de um erro humano

P. van Dokkum / ESA / NASA

O mistério aumentou no início do ano com a descoberta do que parecia provar a existência de galáxias antigas “impossíveis”, uma vez que, aparentemente, não tinham nenhuma matéria escura.

No modelo actual da formação de galáxias, é impossível encontrar estes aglomerados estelares sem matéria escura, já que esta estranha forma de matéria é fundamental para produzir o colapso do gás que forma as estrelas.

Em 2018, um estudo anunciava a descoberta de uma galáxia sem matéria escura. Tratava-se da NGC1052-DF2, que tem mais ou menos o tamanho da Via Láctea. Já em Abril deste ano, os astrónomos encontraram uma segunda galáxia sem matéria escura chamada NGC 1052-DF4.

Em algumas galáxias, parece haver mais matéria escura que matéria normal. Até a descoberta do DF2, pensava-se que a matéria escura não é apenas um componente, mas um requisito para as galáxias se formarem.

Mas, agora, os astrónomos têm outras ideias. De acordo com novos cálculos de distância, a galáxia DF4 é muito mais próxima do que as medidas iniciais sugeridas, o que altera tanto a massa da galáxia como um todo como a proporção da massa que poderia ser matéria normal. Com base na nova medida, ela parece uma galáxia comum.

No mês passado, uma equipa diferente de astrónomos lançou uma “bomba”: recalcularam a distância até o DF2 e descobriram que não estavam a 64 milhões de anos-luz de distância, como encontrado anteriormente. Em vez disso, eram apenas 42 milhões de anos-luz da Terra.

Agora os astrofísicos Ignacio Trujillo e Matteo Monelli, do Instituto de Astrofísica das Canárias, aplicaram as suas técnicas à DF4 e tiveram um resultado semelhante. As conclusões foram aceites pela revista The Astrophysical Journal Letters e estão disponíveis no arXiv.

Ao Science Alert, Trujillo disse que a descoberta inicial do DF2 despertou o seu interesse. Não foi apenas a suposta falta de matéria escura que o intrigou, mas os aglomerados globulares. Estes são grandes aglomerados de estrelas que orbitam centros galácticos e são vistos em todos os tipos de galáxias.

“Todas as galáxias que conhecemos, portanto a nossa galáxia, a galáxia de Andrómeda, galáxias anãs e assim por diante, têm uma população de aglomerados globulares que são mais ou menos os mesmos“, disse Trujillo.

Mas os aglomerados globulares do DF2 eram incrivelmente grandes e incrivelmente brilhantes. Então, elaborou um cálculo rápido: a que distância os aglomerados globulares do DF2 precisariam ter luminosidade normal? E que distância para o tamanho normal?

Em dois cálculos separados e independentes, essa distância era de 42 milhões de anos-luz. O próximo passo foi medir a distância. Usando cinco métodos de medição diferentes, a distância foi sempre a mesma: 42 milhões de anos-luz.

“Então eles relataram outro ainda mais extremo”, disse Trujillo. “Me chamou a atenção que estava exactamente no mesmo campo de visão. Então eu digo, oh, talvez eles estejam cometendo exactamente o mesmo erro.”

O problema, diz Trujillo, é que ambas as galáxias são pequenas, mas a calibração de medição de distância que a equipa de Yale usou baseou-se em galáxias muito massivas e pouco adequada para DF2 e DF4.

Além disso, a equipe de Trujillo descobriu que, neste campo de visão específico, existem dois grupos de galáxias. Um deles está a uma distância de cerca de 65 milhões de anos-luz. Este é o grupo ao qual DF2 e DF4 originalmente pertenceram. O outro, no entanto, está mais próximo: 44 milhões de anos-luz. É possível que as duas galáxias estejam associadas ao grupo errado.

Esta distância mais próxima significaria que as duas galáxias teriam menos massa e a proporção de matéria normal é menor. Com a maioria das galáxias, objectos como aglomerados globulares orbitam mais rápido do que deveriam com base na massa que podemos detectar directamente. Alguma massa indetectável está a gerar mais gravidade do que podemos considerar com matéria normal. Essa massa indetectável é o que se chama de matéria escura.

A uma distância maior, a luminosidade das galáxias implicava que havia massa de matéria normal suficiente para produzir essas órbitas.

Trujillo notou que, com a DF4, era ainda mais estranho. “A galáxia é tão exótica que, mesmo com as estrelas sozinhas, são incapazes de explicar a dinâmica”, disse. “É tão artificialmente baixo, a dinâmica é tão baixa, as velocidades, que tem que ser ainda maior com as estrelas que afirmam ter. De alguma forma, para explicar o que têm, precisariam de algum tipo de anti-gravidade, algo extremamente, extremamente estranho”.

Mas o facto de a galáxia estar simplesmente mais próxima de nós acaba por resolver a estranheza. Os cosmologistas acham que as galáxias começam as suas vidas como uma gota de matéria escura, de modo que as galáxias de vida longa sem matéria escura exigiriam um novo modelo de formação de galáxias.

Em poucos meses, dados muito mais profundos do Telescópio Espacial Hubble estarão disponíveis, permitindo que ambas as equipas revejam as suas descobertas mais uma vez. E embora Trujillo acredite que as medições de distância feitas pela equipe de Yale estejam incorrectas porque a calibração estava errada, o cientista também acredita que há a possibilidade de alguma estranheza.

ZAP //

Por ZAP
18 Julho, 2019

 

2330: Localidade a 900km do Polo Norte registou uma temperatura de 21º, a mais alta desde 1956

Johannes Zielcke / Flickr

O termómetro atingiu, no domingo, os 21 graus centígrados em Alert – a localidade habitada mais setentrional do planeta, a menos de 900 quilómetros do Polo Norte, que fica em Nunavut, no Canadá – e estabeleceu um “recorde de calor absoluto” para o verão boreal.

De acordo com a informação revelada na terça-feira por uma instituição de meteorologia canadiana, citada pelo Sapo 24, Alert, uma base militar permanente estabelecida no paralelo 82 fundamentalmente para a intercepção de comunicações russas, é sede de uma estação meteorológica desde 1950.

“É impressionante do ponto de vista estatístico. É um exemplo entre centenas de outros recordes estabelecidos pelo aquecimento global”, explicou à agência France-Press (AFP) Armel Castellan, meteorologista do Ministério do Meio Ambiente do Canadá.

A 14 de Julho, a base registou 21 graus, já a 15 de Julho, registou 20. “Este é um recorde absoluto, nunca tínhamos visto nada assim”, disse Armel Castellan.

As altas temperaturas que se verificaram no norte “são totalmente devastadoras” sobretudo porque “tivemos temperaturas muito mais quentes que o habitual durante uma semana e meia”.

O recorde anterior de 20 graus centígrados foi estabelecido no dia 08 de Julho de 1956, mas desde 2012 que se registaram vários dias com temperaturas entre 19 e 20 graus nesta estação.

Refira-se que a média diária em Alert, para um mês de Julho, é de 3,4 graus e a temperatura média máxima é de 6,1 graus.

Portanto, não será exagerado falar de “uma onda de calor árctica”, disse David Phillips, especialista do gabinete do Meio Ambiente e Mudança Climática do governo canadiano. E reforçou à CBC que se trata de algo “sem precedentes”.

“O norte, do Yukon às ilhas do Árctico, registou a sua segunda ou terceira primavera mais quente”, assinalou David Phillips. E os modelos de previsões do governo canadiano “revelam que isto vai continuar em Julho e entre Agosto e princípio de Setembro”, revelou.

A actual onda de calor deve-se a uma frente de alta pressão sobre a Gronelândia, que é “bastante excepcional” e alimenta os ventos do sul no Oceano Árctico.

De acordo com David Phillips, o Árctico está a aquecer três vezes mais rápido do que outras partes do planeta. E, por essa razão, destacou a urgência em levar a cabo uma drástica redução das emissões de carbono.

TP, ZAP //

Por TP
17 Julho, 2019

 

2329: Crew Dragon. Já se sabe o que causou a misteriosa explosão da nave da SpaceX

SpaceX / Flickr
Cápsula Dragon vai ser enviada para Marte, lançada da Terra pelo foguetão Falcon Heavy

A NASA e a SpaceX explicaram, finalmente, o motivo da explosão da nave espacial Crew Dragon. Apesar de terem sido divulgadas imagens da explosão, nenhuma das agências explicou as razões do desastre.

As imagens da nave espacial Crew Dragon a explodir durante um teste na plataforma de lançamento correram as redes sociais em Abril. A SpaceX confirmou que um dos seus foguetões explodiu num misterioso acidente, mas não revelou o que aconteceu especificamente.

Apesar de nenhuma das agências ter comentado o sucedido na altura, tanto a NASA como a SpaceX explicam agora que a explosão foi causada por um incêndio de titânio.

Crew Dragon Anomaly/Static Fire Test Explosion

On April 20th, an anomaly was reported during a Crew Dragon static fire test. This video was leaked on Twitter of the event and shows an explosion that appears to completely destroy the spacecraft. It's understood that this was the same capsule that flew during DM-1 and was going to launch during the in-flight abort (IFA) test later this year. At this time we aren't sure how much this will impact SpaceX's Commercial Crew schedule, but we assume there will be some substantial delays as they investigate the issue and work on replacing this capsule.The video has been confirmed by many credible sources. Despite its extremely low quality, some (like Scott Manley) are analyzing this footage to speculate where the anomaly originated.We posted the Twitter link to this video last night, but had gotten a few requests to post the video on here for easier viewing/sharing. ⚠️ This video contains strong language ⚠️Video from @Astronut099 on Twitter(https://twitter.com/Astronut099/status/1119825093742530560)

Publicado por Launch360 em Domingo, 21 de abril de 2019

 

Eric Berger @SciGuySpace

SpaceX told key NASA officials about the accident less than an hour after it occurred. “Within minutes,” an official told me recently. https://spacenews.com/bridenstine-says-leadership-changes-linked-to-urgency-in-nasas-exploration-programs/ 

Conforme explica o ScienceAlert, o objectivo é que os detalhes da ocorrência e a explicação do sucedido sejam transmitidos “em poucas horas”, em vez de meses, no caso de uma possível anomalia.

Ambas as agências recusaram-se a responder se os testes iriam continuar e qual foi o impacto da explosão da Crew Dragon.

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17 Julho, 2019

2328: Como nasceu a Lua? Mega colisão entre a Terra e Teia é a teoria favorita, mas o mistério persiste

Senhora dos eclipses, rainha das marés, inspiradora de sortilégios, de romances e de poesia, a Lua, tão familiar, ainda esconde mistérios. Um deles é o da sua origem, mas os cientistas têm algumas pistas

© NASA/JPL-Caltech

Está lá sempre, no céu, na sua dança de luz e sombra, a marcar a passagem dos dias e a iluminar as nossas noites, sempre certas a cada novo mês, como um calendário cósmico. Senhora dos eclipses, rainha das marés, inspiradora de sortilégios, de romances e de poesia, a Lua, tão familiar, ainda esconde mistérios. Apesar de todas as missões espaciais, de todas as sondas e astronautas, e de todos os estudos, persistem ainda enigmas, e um dos maiores está ligado à sua origem.

Há teorias, claro, e uma delas, a da colisão da Terra com um astro de dimensão mais ou menos idêntica (Teia), há cerca de 4,5 mil milhões de anos, é a que reúne hoje maior popularidade entre os cientistas, por traçar o quadro que melhor explica as suas características geológicas. Mas, nem essa consegue explicar tudo e, por isso, as missões espaciais para recolher mais dados e observações sobre o satélite natural da Terra e as simulações computacionais para tentar encaixar todas as peças continuam.

Decisivas para ancorar o conhecimento sobre a Lua em terra firme foram as missões Apolo, que entre 1969 e 1972 levaram 12 homens a pisar o chão lunar – comemora-se este sábado meio século sobre a primeira alunagem.

Nesses três anos, os astronautas da NASA trouxeram para a Terra 382 quilos de rochas lunares, de diferentes tamanhos e qualidades, incluindo rochas, pedras grandes e pequenas, e até poeira do solo, que continuam a ser estudadas em diferentes laboratórios do mundo e que ainda hoje são fonte de novidades sobre a geologia da Lua e do próprio sistema solar.

Foram essas rochas da Lua trazidas pelos astronautas que forneceram, por exemplo, as primeiras pistas para existência de água na Lua – hoje sabe-se que há crateras junto aos pólos onde existe gelo permanente, porque não recebem radiação solar directa, e foram elas também que mostraram a grande similaridade geológica entre a Terra e o seu fascinante satélite.

As coisas não hão de ficar por aqui. É de esperar que os avanços tecnológicos e a criação de ferramentas de análise cada vez mais sensíveis e sofisticadas possam ajudar a novas revelações a partir dessas rochas, até porque muitas delas ainda não foram sequer estudadas.

Neste sábado, 20 de Julho, dia em que se cumprem os 50 anos da primeira alunagem, a NASA abre, aliás, pela primeira vez uma caixa com algumas das pedras trazidas pelas missões Apolo que permaneceram até hoje intocadas. Esse será um dos aguardados momentos das comemorações preparadas pela agência espacial dos Estados Unidos para assinalar o dia.

Uma colisão, ou muitas, e peças que não encaixam (ainda)

No século XX surgiram várias teorias científicas para tentar explicar a origem e a formação da Lua, mas até hoje nenhuma o conseguiu completamente – mesmo a da colisão, hoje a mais consensual, deixa algumas pontas de fora.

Uma das primeiras teses, muito popular até aos anos de 1970, propunha que a Lua seria uma espécie de corpo irmão da Terra, que se teria formado autonomamente na mesma altura. Outra igualmente em voga pela mesma época propunha que a Terra inicial, numa altura em que o sistema solar ainda estava em formação, teria capturado na sua órbita um astro de passagem pela sua vizinhança.

Face aos resultados das análises das amostras de rochas trazidas pelas missões Apolo, estas duas teses, porém, não conseguiam explicar, por exemplo, a inexistência de ferro nas rochas lunares (para a primeira teoria) ou, para a segunda, a similaridade entre a composição geológica da Lua e da Terra, que as pedras lunares revelaram.

Por essa altura, em 1975, dois astrónomos americanos William Hartmann e Donald Davis publicaram na revista científica Icarus, dedicada aos estudos sobre o sistema solar, um artigo sugerindo a possibilidade de uma mega-colisão para explicar a origem da Lua.

De acordo com a ideia, há cerca de 4,5 mil milhões de anos, um outro planeta de dimensão idêntica à da Terra, entretanto baptizado como Teia, numa alusão à deusa grega que era a mãe de Selene, a divindade da Lua, teria colidido com o nosso planeta, arrancando-lhe uma porção generosa que acabou por ficar presa na sua órbita.

Esta tese, hoje a mais consensual, tem o mérito de explicar a grande similaridade geológica entre a terra e a Lua. Por exemplo, a assinatura química dos isótopos (núcleos atómicos) de oxigénio é exactamente a mesma.

Para explicar, entretanto, a inexistência de ferro nas amostras da Lua, a teoria propõe que no momento em que a colisão ocorreu, o ferro, por ser um elemento pesado, já teria migrado quase todo para o interior da Terra. Mas há outras questões às quais esta tese não dá resposta. A mais substancial é a da inexistência aparente de materiais do tal astro Teia nas rochas lunares. Os modelos sugerem que pelo menos 60% da geologia lunar deveria ser idêntica à de Teia, mas esses materiais, aparentemente, não existirão ali, pelo menos em quantidade suficiente.

Para contornar essa dificuldade, alguns cientistas sugeriram que Teia e a Terra seriam corpos planetários muito idênticos entre si, dada a sua proximidade no contexto do sistema solar em formação, há 4,5 mil milhões de anos. E isso, claro, é uma possibilidade, mas a questão não está fechada. Inclusivamente, variantes desta teoria, como a possibilidade de ter havido, não uma, mas de muitas colisões entre inúmeras luas na origem da única que hoje conhecemos na órbita da Terra, têm sido publicadas na literatura científica nos últimos anos.

Os estudos, certamente, vão continuar. Há novas missões em curso, como a da sonda chinesa Chang-4, que em janeiro aterrou no lado oculto da lua, sendo a primeira de sempre a fazê-lo, e outros países, incluindo os Estados Unidos, a Europa, a Rússia e a Índia, estão a preparar também as suas próprias “pegadas” no satélite da Terra. Haverá muito na Lua para nos surpreender no futuro.

Diário de Notícias
Filomena Naves
17 Julho 2019 — 15:14

 

2327: Revelada a primeira fotografia de entrelaçamento quântico

CIÊNCIA

Universidade de Glasgow

Pela primeira vez na História, os cientistas capturaram uma fotografia de entrelaçamento quântico – um fenómeno tão estranho que o físico Albert Einstein o descreveu como “uma acção fantasmagórica à distância”.

A imagem foi capturada por físicos da Universidade de Glasgow, na Escócia. Esta fotografia cinzenta e difusa é a primeira vez que vemos a interacção de partículas que sustenta a estranha ciência da mecânica quântica e forma a base da computação quântica.

O emaranhamento quântico ocorre quando duas partículas se tornam inextricavelmente ligadas e o que quer que aconteça com uma afecta imediatamente a outra, independentemente de quão distantes estejam.

Esta fotografia em particular mostra o entrelaçamento entre dois fotões – duas partículas de luz, que estão a interagir e, por um breve momento, a compartilhar estados físicos.

Paul-Antoine Moreau, primeiro autor do artigo em que a imagem foi revelada, publicado a 12 de Julho na revista Science Advances, disse à BBC que a imagem era “uma elegante demonstração de uma propriedade fundamental da natureza”.

Para capturar a fotografia, Moreau e uma equipa de físicos criaram um sistema que explodiu fluxos de fotões entrelaçados no que descreveram como “objectos não convencionais”. A experiência envolveu a captura de quatro imagens dos fotões em quatro diferentes transições de fase.

Universidade de Glasgow

Os físicos dividiram os fotões emaranhados e percorreram um feixe através de um material de cristal líquido conhecido como borato de bário, desencadeando quatro transições de fase. Ao mesmo tempo, capturaram fotos do par entrelaçado a passar pelas mesmas transições de fase, mesmo não tendo passado pelo cristal líquido.

A câmara conseguiu capturar imagens dessas imagens ao mesmo tempo, mostrando que ambas mudaram da mesma maneira, apesar de estarem divididas. Noutras palavras, estavam emaranhadas.

Enquanto Einstein tornou famoso o emaranhamento quântico, o falecido físico John Stewart Bell ajudou a definir o entrelaçamento quântico e estabeleceu um teste conhecido como “Desigualdade de Bell”.

A chamada desigualdade de Bell é satisfeita apenas se as acções num local não puderem afectar outro lugar instantaneamente e os resultados das medições forem bem definidos de antemão – algo apelidado de “realismo local”.

Bell mostrou, teoricamente, que o entrelaçamento quântico violaria a sua teoria da desigualdade, mas teorias realistas contendo as variáveis ocultas, não. Isto ocorre porque a ligação entre partículas entrelaçadas é mais forte do que Einstein queria acreditar. Se a correlação medida entre pares de partículas de uma experiência fosse acima de um determinado limiar, seria inconsistente com variáveis ocultas e a teoria do emaranhamento quântico estaria correta.

“Aqui, relatamos uma experiência demonstrando a violação de uma desigualdade de Bell dentro das imagens observadas”, escreve a equipa. “Esse resultado abre o caminho para novos esquemas de imagens quânticas e sugere a promessa de esquemas de informação quântica baseados em variáveis espaciais”.

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17 Julho, 2019

 

2326: Stonehenge tinha um som (e já se sabe qual era)

CIÊNCIA

howardignatius / Flickr

Um modelo mais pequeno de Stonehenge foi construído para descobrir o que é que o visitantes ouviam no monumento há mais de quatro mil anos.

Os académicos da Universidade de Salford recriaram o antigo círculo para descobrir como o som se teria espalhado por todas as 157 pedras originais em 2.200 a.C. O modelo de escala foi feito usando impressão 3D e modelagem personalizada.

Trevor Cox, professor de engenharia acústica na instituição, disse que o modelo deu uma ideia “do que os nossos ancestrais teriam ouvido nos círculos de pedra”. “Agora sabemos que a voz teria sido reforçada por estar neste espaço“, acrescentou.

Os académicos trabalharam com o English Heritage usando scans a laser das pedras e pesquisas arquitectónicas para criar a forma e a posição das pedras numa câmara acústica. “Surpreendentemente, considerando que o henge não tem telhado e há muitos espaços entre as pedras, a acústica é mais como uma sala fechada do que um espaço ao ar livre“, disse ao The Guardian Cox, que liderou o projecto.

Mesmo que haja grandes lacunas entre as pedras “há uma sensação de estar numa sala”, segundo Cox. “Pensaria que o som simplesmente desapareceria para os céus, mas há suficientes pedras na horizontal para que o som fique a oscilar para frente e para trás. Acharíamos que tudo desapareceria, mas não. Os testes mostraram que a reverberação durou 0,6 segundo. Isso faz com que a voz soe mais poderosa“.

“Se falar num cinema, provavelmente é mais ou menos a acústica que estamos a receber”, disse Cox. “Se realizar uma cerimónia e tivesse muitas pessoas com quem conversar, fazê-lo fora das pedras seria muito mais difícil do que se fizesse dentro das pedras”.

Em 2012, uma equipa de académicos realizou as experiências acústicas usando uma reconstrução de betão em tamanho real do monumento em Maryhill, nos EUA. Cox disse, depois de comparar os resultados, que os cientistas estavam a receber “respostas semelhantes, excepto em frequências graves“.

“O problema com os outros modelos que temos é que as pedras não são exactamente da forma e tamanho, e como o som interage com as pedras depende criticamente das formas”, disse Cox. “Aqueles blocos em Maryhill são todos muito rectangulares, enquanto o verdadeiro Stonehenge, são todos um pouco mais amorfos porque são feitos de pedras que foram cinzeladas manualmente.”

“Não sabemos exactamente para que Stonehenge foi usado, mas o que aconteceu em torno ou dentro dele terá envolvido o som e entender a acústica é uma parte vital da compreensão de Stonehenge”, disse.

Acredita-se que Stonehenge tenha sido construído em etapas, com diferentes tribos e culturas a desenvolver o monumento em diferentes épocas. Enquanto esta última investigação ajuda a trazer a antiga estrutura de volta à vida, ainda há muitas questões sobre o uso que o monumento tinha.

Teorias sobre o propósito de Stonehenge são variadas. Alguns acreditam que era um templo druida, outros que era um local de coroação para a realeza nórdica. Outros ainda consideram-no um antigo atlas astrológico usado para calcular o movimento de objectos celestes.

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17 Julho, 2019

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2325: Aerogel de sílica pode ser a substância necessária para tornar Marte habitável

ESA

Marte é um lugar bastante inóspito e a NASA recentemente mostrou que não é possível transformá-lo numa “segunda Terra”.

No entanto, investigadores de Harvard mostraram que camadas finas de aerogel de sílica podem aquecer a superfície e bloquear a radiação ultravioleta, ao mesmo tempo que permitem a passagem da luz visível. Isto pode ser suficiente para manter a água líquida e permitir que as plantas façam a fotossíntese dentro de uma determinada região.

Marte já foi um mundo exuberante que poderia ter sustentado a vida. O Marte moderno é uma casca seca, com a única água ainda trancada nas calotas polares ou lagos salgados no subsolo. A fina atmosfera significa que há muito pouco oxigénio, é extremamente frio e não há protecção contra a radiação ultravioleta do sol.

O novo estudo de Harvard, publicado a 15 de Julho na revista Nature Astronomy, poderia resolver pelo menos alguns desses problemas graças ao aerogel de sílica.

É um dos materiais mais leves alguma vez criados, transparentes e um excelente isolante térmico, o que significa que, pelo menos em teoria, uma fina camada de aerogel de sílica no céu marciano poderia efectivamente terraformar um pequeno pedaço de terra abaixo dela. Isso tornaria a superfície mais quente e reflectiria a radiação ultravioleta sem bloquear a luz visível.

Os investigadores testaram a ideia recriando as condições de superfície de Marte em laboratório e colocando uma camada de aerogel de sílica sobre a parte superior para ver que mudanças poderia desencadear. Incrivelmente, descobriram que uma camada muito fina – apenas 2 a 3 centímetros de espessura poderia ser suficiente para aquecer a superfície subjacente em até 50°C.

Se feito no lugar certo, poderia trazer a temperatura superficial de Marte até -10°C – ainda frio, mas potencialmente habitável. De acordo com a equipa, citada em comunicado da Universidade de Harvard,  “o pico de aquecimento que pode obter é provavelmente ainda maior, porque o calor é perdido na nossa montagem experimental via paredes laterais e perdas térmicas de base e convecção”.

A equipa testou ainda a ideia usando um modelo climático de Marte. Isso mostrou que a colocação de aerogel de sílica no ar acima de uma região gelada e temperada do Planeta Vermelho poderia manter a água na forma líquida na superfície, e alguns metros abaixo, durante todo o ano.

Plantas e outras formas de vida poderiam sobreviver sob aquele abrigo, que ainda lhes dá luz para a fotossíntese, protegendo-as dos danos causados ​​pelos raios ultravioleta.

Por outro lado, a equipa reconhece que ainda há riscos astrobiológicos a serem considerados antes de o aerogel de sílica ser usado em Marte. Enquanto isso, os cientistas sugerem testá-lo aqui na Terra, em ambientes extremos como os desertos, por exemplo, a Antárctida e o Chile.

A discussão sobre tornar Marte habitável para seres humanos e a vida da Terra também levanta questões filosóficas e éticas importantes sobre a protecção planetária.

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17 Julho, 2019

 

2324: Em 2100, não haverá tartarugas macho (e a culpa é das alterações climáticas)

CIÊNCIA

As tartarugas-marinhas-comuns nascidas num terreno fértil em Cabo Verde serão todas fêmeas por causa das mudanças climáticas, alertou um novo estudo.

Mesmo sob um cenário de baixas emissões, 99,86% das crias de tartarugas seriam fêmeas até 2100, de acordo com investigadores da Universidade de Exeter. Se as emissões continuarem inabaláveis, mais de 90% poderão ser incubadas em “altas temperaturas letais”, matando jovens antes de eclodirem.

Cabo Verde tem uma das maiores populações de nidificação de tartarugas do mundo, com cerca de 15% do total global de nidificação. O sexo das tartarugas é determinado pelas temperaturas em que são incubadas e as temperaturas quentes favorecem as fêmeas.

Os cientistas analisaram as projecções de temperatura do Painel Inter-governamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) para 2100 – baixa (1,8°C), média (2,8°C) e alta (3,4°C).

Actualmente, 84% das crias em Cabo Verde são do sexo feminino, de acordo com o artigo publicado na revista Marine Ecology Progress Series. Temperaturas mais quentes poderão, então, aumentar dramaticamente esse número.

“Sob todos os três cenários de mudança climática, em 2100 mais de 99% das crias seriam fêmeas – e em cenários de média e alta emissão não poderia haver machos”, disse a Lucy Hawkes da Universidade de Exeter, de acordo com o The Independent.

A principal autora Claire Tanner, que trabalhou no estudo como parte de um mestrado na instituição, acrescentou: “O que nos surpreendeu foi como até mesmo o cenário de baixas emissões tem efeitos prejudiciais para esta população. O que isso mostra é que agora é a hora de agir sobre a mudança climática – antes que seja tarde demais para impedir as estimativas vistas neste artigo”.

As projecções baseiam-se no comportamento actual de aninhamento e os cientistas dizem que as tartarugas podem adaptar-se ao acasalar no início do ano, quando é mais frio. Em teoria, a selecção natural favorecerá as tartarugas que fizerem isso, mas a velocidade da mudança climática significará que não conseguem evoluir suficientemente rápido.

Os cientistas disseram que as tartarugas podem beneficiar de características específicas, como sombra debaixo das árvores, o que poderia fornecer condições um pouco mais frias.

A vida reprodutiva dos machos não é conhecida, portanto os machos mais velhos podem continuar a produzir anos após os novos machos deixarem de ser incubados, embora seja provável que, em algum momento, a população caia.

No ano passado, a investigação liderada pelo World Wide Fund for Nature (WWF) da Austrália descobriu que mais de 99% das tartarugas verdes que nasceram em partes da Grande Barreira de Corais eram fêmeas.

Também alertaram que as populações de tartarugas enfrentam “feminização completa” no futuro próximo. Em algumas praias do norte, perto da Grande Barreira de Corais da Austrália, os cientistas descobriram que praticamente todas as tartarugas jovens eram do sexo feminino, tal como mais de 85% dos adultos.

ZAP //

Por ZAP
17 Julho, 2019

 

2323: Sahara já foi casa de algumas das maiores criaturas marinhas

CIÊNCIA

American Museum of Natural History
Algumas das criaturas marinhas que viveram naquele que é agora o deserto do Sahara.

O Sahara nem sempre foi um deserto e há milhares de anos atrás tinha animais, plantas e lagos. Cientistas descobriram agora que algumas das maiores criaturas marinhas viveram lá.

O deserto do Sahara é um dos maiores desertos do mundo, mas há milhares de anos atrás não era esse o caso. Os cientistas reconstruiram espécies aquáticas extintas que viviam lá e verificaram que são algumas das maiores do mundo. Os resultados da investigação foram recentemente publicados pela American Museum of Natural History Library.

O mar do Sahara teria 50 metros de profundidade e cobria mais de 3 mil quilómetros quadrados. De acordo com a paleontóloga responsável pelo estudo, Maureen O’Leary, o norte do Mali “parecia-se mais com Porto Rico”.

Os investigadores também recolheram informações necessárias para traçar um mapa geológico, ilustrando como é que o mar fluía durante os seus 50 milhões de anos de existência. Segundo o jornal britânico The Guardian, a investigação também permitiu saber mais sobre o limite K-Pg, que marcou o final da Era Mesozóica com a extinção em massa dos dinossauros.

A reconstrução das espécies revelou a existência de, por exemplo, cobras do mar com mais de 12 metros. O’Leary sugere que muitas espécies que habitavam o Sahara eram gigantes.

American Museum of Natural History
Reconstrução de um Dipnoicos, apelidado de “peixe pulmonado”.

“Colocamos a ideia de que talvez esse gigantismo insular possa dizer respeito a ilhas de água”, disse a investigadora. O gigantismo insular corresponde a um fenómeno biológico através do qual o tamanho dos animais isolados numa ilha aumenta drasticamente ao longe de várias gerações. Isto porque, para além de terem menos predadores, têm mais recursos disponíveis.

“O Sahara está cheio de pessoas. Às vezes estávamos a trabalhar naquilo que pareceria ser um deserto remoto, e alguém passava por nós numa bicicleta a motor. É um ambiente muito vivo”, disse O’Leary.

Expedições de 1999, 2003 e 2009 ao Sahara já tinham provado a existência passada de criaturas marinhas — e os próprios locais sabiam que o mar tinha passado lá. “Eles falavam-nos das conchas que encontravam e sabiam que se tratavam de conchas marinhas”, disse a paleontóloga.

O’Leary explicou que o facto de o Sahara já ter estado submerso mostra que há um precedente para alterações climáticas e aumento do nível do mar. “Espero que, ao entenderem estes exemplos históricos, as pessoas possam aceitar que o que os cientistas lhes dizem é verdade. E não só é verdade, como existem exemplos históricos de magnitude muito maior onde o planeta mudou”, rematou.

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Por ZAP
17 Julho, 2019

 

Descoberto um disco circum-planetário, “formador de luas”, em torno de jovem planeta

CIÊNCIA

Imagem ALMA da poeira em PDS 70, um sistema localizado a aproximadamente 370 anos-luz da Terra. Duas manchas ténues na região interior do disco estão associadas com planetas recém-formados. Uma dessas concentrações de poeira é um disco circum-planetário, o primeiro já detectado em torno de uma estrela distante.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); A. Isella

Recorrendo ao ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos fizeram as primeiras observações de um disco circum-planetário, a cintura planetária de poeira e gás que os astrónomos fortemente teorizam controlar a formação de planetas e que dá origem a todo um sistema de luas, como o encontrado em redor de Júpiter.

Este jovem sistema estelar, PDS 70, está localizado a aproximadamente 370 anos-luz da Terra. Recentemente, os astrónomos confirmaram a presença de dois planetas massivos, semelhantes a Júpiter, em órbita da estrela. Esta descoberta foi feita com o VLT (Very Large Telescope) do ESO, que detectou o brilho quente naturalmente emitido pelo hidrogénio gasoso que se acumula nos planetas.

As novas observações do ALMA, ao invés, mostram as fracas ondas de rádio emitidas pelas partículas minúsculas (com cerca de um-décimo de milímetro) de poeira em redor da estrela.

Os dados do ALMA, combinados com as observações anteriores do VLT no óptico e no infravermelho, fornecem evidências convincentes de que um disco empoeirado capaz de formar múltiplas luas rodeia o planeta mais exterior conhecido do sistema.

“Pela primeira vez, podemos ver conclusivamente os sinais reveladores de um disco circum-planetário, que ajuda a suportar muitas das actuais teorias de formação planetária,” disse Andrea Isella, astrónomo da Universidade Rice em Houston, no estado norte-americano do Texas, autor principal de um artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

“Ao compararmos as nossas observações com imagens infravermelhas e ópticas de alta-resolução, podemos ver que uma concentração de minúsculas partículas de poeira, de outro modo enigmática, é um disco planetário de poeira, o primeiro do seu género já observado conclusivamente,” disse. De acordo com os investigadores, esta é a primeira vez que um planeta é visto nestas três bandas distintas de luz (visível, infravermelho e rádio).

Ao contrário dos gelados anéis de Saturno, que provavelmente se formaram pela colisão de cometas e corpos rochosos há relativamente pouco tempo na história do nosso Sistema Solar, o disco circum-planetário é o remanescente do processo de formação do planeta.

Os dados do ALMA também revelaram duas diferenças distintas entre os dois planetas recém-descobertos. O mais próximo dos dois, PDS 70 b, que está mais ou menos à mesma distância da sua estrela do que Úrano do Sol, tem uma massa de poeira atrás dele, lembrando uma cauda. “O que isto é, e o que significa para este sistema planetário, ainda não é conhecido,” disse Isella. “A única coisa conclusiva que podemos dizer é que está longe o suficiente do planeta para ser uma característica independente.”

O segundo planeta, PDS 70 c, reside no mesmo local que um nó claro de poeira visto nos dados do ALMA. Dado que este planeta brilha tão intensamente nas bandas do infravermelho e do hidrogénio, os astrónomos podem dizer de maneira convincente que um planeta totalmente formado já está em órbita e que o gás próximo continua a ser sugado para a superfície do planeta, terminando o seu surto de crescimento adolescente.

Este planeta exterior está localizado a mais ou menos 5,3 mil milhões de quilómetros da estrela hospedeira, aproximadamente à mesma distância que Neptuno está do Sol. Os astrónomos estimam que este planeta tenha entre 1 e 10 vezes a massa de Júpiter. “Se o planeta estiver do lado mais massivo dessa estimativa, é bem possível que existam luas do tamanho de um planeta formando-se em redor,” observou Isella.

Os dados do ALMA também acrescentam outro elemento importante a estas observações.

Os estudos ópticos de sistemas planetários são notoriamente complexos. Dado que a estrela é muito mais brilhante do que os planetas, é difícil filtrar o brilho, tal como tentar avistar um pirilampo ao lado de um holofote. No entanto, as observações do ALMA não têm essa limitação, já que as estrelas emitem comparativamente pouca luz em comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos.

“Isto significa que podemos voltar a este sistema a diferentes períodos e mapear com mais facilidade a órbita dos planetas e a concentração de poeira no sistema,” concluiu Isella. “Isto dar-nos-á uma visão única das propriedades orbitais dos sistemas solares nos seus primeiros estágios de desenvolvimento.”

Astronomia On-line
16 de Julho de 2019

 

2321: Descobrindo exoplanetas com ondas gravitacionais

CIÊNCIA

Representação artística de ondas gravitacionais produzidas por um sistema binário composto por anãs brancas e com um companheiro planetário de massa joviana.
Crédito: Simonluca Definis

Num artigo publicado recentemente na revista Nature Astronomy, investigadores do Instituto Max Planck para Física Gravitacional (Instituto Albert Einstein) em Potsdam, Alemanha, e da Comissão de Energias Alternativas e Energia Atómica em Saclay, Paris, sugerem como o futuro observatório espacial de ondas gravitacionais LISA poderá detectar exoplanetas em órbita de anãs brancas binárias em toda a nossa Via Láctea e nas vizinhas Nuvens de Magalhães. Este novo método irá superar certas limitações das técnicas actuais de detecção electromagnética e poderá permitir que o LISA detecte planetas com massas iguais ou superiores a 50 vezes a da Terra.

Nas últimas duas décadas, o nosso conhecimento sobre exoplanetas cresceu significativamente e já foram descobertos mais de 4000 planetas em órbita de uma grande variedade de estrelas. Até agora, as técnicas usadas para encontrar e caracterizar esses sistemas têm por base a radiação electromagnética e estão limitadas à vizinhança solar e a algumas partes da nossa Galáxia.

No artigo científico, o Dr. Nicola Tamanini, investigador do Instituto Albert Einstein em Potsdam e a sua colega, a Dra. Camilla Danielski, investigadora da Comissão de Energias Alternativas e Energia Atómica em Saclay (Paris), mostram como estas limitações podem ser ultrapassadas pela astronomia de ondas gravitacionais. “Propomos um método que utiliza ondas gravitacionais para encontrar exoplanetas que orbitam anãs brancas binárias,” disse Nicola Tamanini. As anãs brancas são remanescentes muito antigos e pequenos de estrelas uma vez semelhantes ao nosso Sol. “O LISA medirá ondas gravitacionais de milhares de anãs brancas binárias. Quando um planeta orbita um par de anãs brancas, o padrão observado de onda gravitacional será diferente do de um binário sem planetas. Essa mudança característica nas formas das ondas gravitacionais permitir-nos-á descobrir exoplanetas.”

O novo método explora a modulação do desvio Doppler do sinal de onda gravitacional provocado pela atracão gravitacional do planeta sob o par de anãs brancas. Esta técnica é análoga à do método de velocidade radial, uma técnica bem conhecida usada para encontrar exoplanetas com telescópios electromagnéticos. No entanto, a vantagem das ondas gravitacionais é que não são afectadas pela actividade estelar, o que pode dificultar as descobertas electromagnéticas.

No seu artigo, Tamanini e Danielski mostram que a próxima missão da ESA, LISA (Laser Interferometer Space Antenna), com lançamento previsto para 2034, pode detectar exoplanetas com a massa de Júpiter em torno de anãs brancas binárias em toda a nossa Galáxia, superando as limitações de distância dos telescópios electromagnético. Além disso, salientam que o LISA terá o potencial de também detectar esses exoplanetas em galáxias vizinhas, possivelmente levando à descoberta do primeiro exoplaneta extra-galáctico.

“O LISA vai ter como alvo uma população exoplanetária ainda completamente desprovida de resultados,” explica Tamanini. “De uma perspectiva teórica, nada impede a presença de exoplanetas em torno de anãs brancas binárias compactas.” Se estes sistemas existirem e forem encontrados pelo LISA, os cientistas vão obter novos dados para desenvolver ainda mais a teoria da evolução planetária. Vão melhor entender as condições sob as quais um planeta sobreviver à(s) fase(s) de gigante(s) vermelha(s) e também testar a existência de uma segunda geração de planetas, ou seja, planetas que se formam após a fase de gigante vermelha. Por outro lado, se o LISA não detectar exoplanetas em órbita de anãs brancas binárias, os cientistas serão capazes de estabelecer restrições no estágio final da evolução planetária na Via Láctea.

Astronomia On-line
16 de Julho de 2019