1195: 313 novos casos e 5 mortes. Número de internados volta a aumentar. R(t) e incidência a subir

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Há mais 21 pessoas internadas devido à covid-19. São, agora, 290. Deste total, 59 estão em unidades de cuidados intensivos (mais sete), diz o relatório diário da DGS. Foram registados mais 313 casos e cinco mortes.

Indicação de atendimento covid-19 no Hospital de Santa Maria, em Lisboa
© Paulo Spranger/Global Imagens (Arquivo)

Portugal confirmou, em 24 horas, 313 novos casos de covid-19 em Portugal, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Registaram-se mais cinco mortes associadas à infecção por SARS-CoV-2, indica ainda o relatório desta segunda-feira (25 de Outubro).

Os dados sobre a situação dos hospitais portugueses indicam que o número de internados subiu para 290 (mais 21 face ao reportado no domingo), dos quais 59 (mais sete doentes) estão em unidades de cuidados intensivos.

Em dia de actualização dos valores da matriz de risco, os dados mostram que o índice de transmissibilidade, R(t), subiu de 1,02 para 1,06, a nível nacional e em território continental.

Regista-se também um aumento na taxa de incidência a 14 dias, que passou de 86,1 para 92,4 casos de covid-19 por 100 mil habitantes em todo o território nacional. Já no continente, a incidência é agora de 92,8 infecções por 100 mil habitantes (era de 86,5).

© DGS

Os cinco óbitos, reportados em 24 horas, ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo (dois), na região Centro (um), Algarve (um) e na região autónoma dos Açores (um). Todas as vítimas mortais tinham mais de 80 anos.

Já em relação à distribuição geográfica dos novos casos, a região da capital continua a registar o maior número diário de infecções (118), seguida do Norte (90).

Verificam-se mais 46 casos no Centro, 24 no Algarve e quatro no Alentejo. Foram também confirmados mais 20 infecções na Madeira e 11 nos Açores.

© DGS

Há mais 284 casos de pessoas que recuperaram da doença, totalizando 1.035.977 desde o início da pandemia. Deste modo, o número de casos activos de covid-19 sobe para 31.336 (mais 24).

Com esta nova actualização, Portugal registou, no total, 1.085.451 casos da infecção por SARS-CoV-2 e 18.138 óbitos.

Relatório da DGS indica ainda que há mais 321 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde, num total de 21 124.

“Se for preciso fazer reforço de vacinas a mais idades e outros grupos sociais, faremos”, diz directora-geral da Saúde

E numa altura em que se sabe que uma nova sub-variante da Delta, a AY.4.2 está a ter grande impacto epidemiológico, levando alguns países de novo ao confinamento, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, fez um balanço da pandemia ao DN. E diz que, do ponto de vista do vírus, “ainda há muito para saber e em aberto”.

“Se for preciso fazer reforço de vacinas a mais idades e outros grupos sociais, faremos”, admitiu a responsável pela DGS.

Neste momento, diz, “já estamos a fazer o reforço da população com mais de 80 anos e depois vamos fazer o reforço de todos os maiores de 65 anos, porque já se percebeu que são os mais frágeis e que têm uma perda de imunidade após a vacinação e ao longo do tempo”.

Ao DN, Graça Freitas disse ser ainda prematuro dizer que todos nós, jovens e adultos, vamos receber um reforço vacinal. “Não sabemos se vamos ter de fazer reforços a toda a população, se vão ser reforços anuais, quinquenais, de dez em dez anos. A ciência ainda não nos indicou isso”, justificou.

Cientistas suíços descobrem como evitar que coronavírus infecte outras células

E no que se refere aos avanços da ciência, soube-se esta segunda-feira que uma equipa de cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausana, na Suíça, descobriu um método para evitar que o coronavírus SARS-CoV-2, responsável pela covid-19, infecte outras células.

A descoberta que pode ser crucial para futuros tratamentos contra a doença foi publicada na revista especializada “Developmental Cell”.

Os especialistas descobriram como é que certas enzimas transformam ácidos gordos num dos componentes mais importantes do coronavírus SARS-CoV-2, a proteína spike, que é fundamental no processo de infecção de outras células.

Assim, os medicamentos que consigam modificar os ácidos gordos “evitam de forma eficaz que o SARS-CoV-2 infecte outras células”, destaca a escola suíça, em comunicado, realçando que a descoberta também se pode aplicar a outros vírus, como os da gripe ou do herpes.

Diário de Notícias
DN
25 Outubro 2021 — 14:12

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

Please follow and like us:
Pin Share

“Se for preciso fazer reforço de vacinas a mais idades e outros grupos sociais, faremos”

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VACINAÇÃO

Na semana em que se sabe que uma nova sub-variante da Delta, a AY.4.2 está a ter grande impacto epidemiológico, levando alguns países de novo ao confinamento, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, faz um balanço da pandemia ao DN. E diz que, do ponto de vista do vírus, “ainda há muito para saber e em aberto”. As medidas de protecção individual continuam a ser fundamentais. Do ponto de vista pessoal, a pandemia tirou-lhe o sono, que se sentiu algumas vezes injustiçada, mas tinha tanto para fazer que não “sofri muito”. E quando se reformar já sabe o que quer fazer: nada.

Tem 64 anos e trabalha quase há 40 anos. A Saúde Pública foi uma opção de vida e a Direcção-Geral da Saúde a ‘casa’ onde mais viveu intensamente a profissão.

Teve a sorte de nascer em Angola, de começar a sua vida de forma diferente, mais livre, do que a que teve depois na Europa. Veio com os pais para Portugal, escolheu Medicina, e dentro desta a saúde pública. Fez o primeiro internato da especialidade e quando ainda era “uma especialidade desconhecida”, mas o momento da escolha marcou o resto da sua vida. Graça Freitas tem 64 anos. De um momento para o outro passou do anonimato para figura pública, o que a incomoda, e muito. Como profissional já tinha lidado com outras epidemias e pandemias, mas só esta teve dimensão única e foi vivida num mundo digital. E assume que houve coisas que correram bem, como o comportamento exemplar dos cidadãos, e outras menos, o ruído na comunicação. Um ano e sete meses depois, diz ser cedo para se falar de todas as lições aprendidas. “Temos de ter tempo para fazer leituras”, mas há uma evidente: sociedade, saúde, segurança social, trabalho, educação, têm de trabalhar juntos na resposta às crises. Na casa que dirige, a Direcção-Geral da Saúde, o debate interno sobre o futuro já começou.

Na última semana dados sobre uma nova variante da Delta, a AY.4.2, fizeram soar de novo os alarmes, alguns países voltaram ao confinamento. Isto quer dizer que, apesar da vacinação, ainda poderemos ser surpreendidos pelo vírus?
Afirmativo. Publicámos agora o Plano Referencial Outono-Inverno 2021-2022 onde estão previstos três cenários e um deles é exactamente esse, de maior surpresa e gravidade. O primeiro cenário é o que vivemos, perfeitamente estável, o segundo é aquele em que a efectividade da vacina começa a cair, havendo a necessidade de fazer reforços para aumentar a protecção da população, é o que estamos a fazer agora com os maiores de 65 anos, e o terceiro, o pior, é aquele em que apareceria uma nova variante, mais agressiva, com capacidade de escapar ao nosso sistema imunitário. Portanto, estas três realidades têm de estar sempre presentes até que o vírus termine o seu percurso entre nós.

Isso quer dizer que não se sabe mesmo o que pode acontecer?
Este vírus é muito novo e, na verdade, não podemos dizer que sabemos o que vai acontecer, porque não sabemos se as variantes que vão aparecendo tenderão sempre para uma estabilidade – ou seja, se vão ser variações das mesmas mutações que se vão juntando de formas diferentes – ou se as mutações vão transformar-se numa outra variante, mais forte. Em relação ao vírus da gripe, por exemplo, já o conhecemos há dezenas de anos e com muitas variações, sobre este ainda não sabemos tudo. Portanto, a questão de poderem aparecer novas variantes tem de estar sempre presente no nosso pensamento e no planeamento que fizermos.

“A DGS é a minha casa e ficarei nela se não me expulsar e eu não me sentir mal. É nela que quero acabar a minha carreira, não necessariamente como directora-geral.”

Qual é o objectivo deste plano?
A nossa principal preocupação para o outono-inverno é conseguirmos conter a doença grave, mais do que não ter infecção. Imagine que, de facto, aparece uma variante que escapa à imunidade que já construímos, uma variante agressiva que traz de novo a propagação e formas graves da doença, com potencial para aumentar internamentos e a taxa de letalidade, é claro que este é o pior cenário, não é o mais plausível, mas é possível e tem de ser tido em conta. E este cenário preocupa-nos, porque pode resultar num retrocesso. Em última análise pode levar-nos de novo a confinamentos selectivos ou generalizados, que é ao que estamos a assistir em alguns países.

Mas em que assenta o plano Outono-Inverno 2021-2022?
Como já disse assenta em três cenários – estabilidade, aumento da transmissibilidade e aparecimento de novas variantes que escapam à imunidade das vacinas – e as medidas vão ter de ser adequadas a cada realidade, e conforme o nível de alerta seja menor ou maior. No fundo, assenta nas medidas já conhecidas de todos nós. Por exemplo, as medidas não farmacológicas, centradas na responsabilidade individual de cada um, como o uso de máscara, distanciamento, higienização das mãos, são para manter.

São fundamentais até com mais de 85% da população vacinada?
São. Há uma coisa muito importante que todos temos de perceber. É que temos de passar mais um inverno sem sabermos o que aí vem. Embora este inverno vá ser diferente do anterior. O primeiro que passámos com o vírus, estávamos completamente desprotegidos, só tínhamos a protecção que a doença nos dava. Este vai ser um inverno já modelado pela protecção da vacinação.

Se passarmos este inverno, conseguindo conter a transmissão e a gravidade da doença, estamos a salvo do vírus ou não?
Ainda não. Continuo a dizer que é um vírus muito recente, no máximo tem dois anos. Soubemos da sua existência no final de 2019, mas, por esta altura, já estaria a emergir na China. Portanto, é mesmo muito cedo para sabermos o que vai acontecer. Temos de perceber melhor a sua história e como se comporta a nossa imunidade.

No gabinete, simples, alguns pormenores pessoas. As fotos de menina, ainda com dois anos e já de pregadeira ao peito, ou orquídeas, que gosta de cultivar.

É a grande questão: imunidade?
É uma das grandes questões para se perceber, e enquanto o vírus continuar presente entre nós, qual a necessidade – apesar de todos podermos ter pequenas doses de reforço de imunidade natural, devido à exposição da doença, mesmo apesar do uso de máscaras – de ter de haver um reforço para a protecção da imunidade com as vacinas. Dou-lhe um exemplo, a vacina do tétano, que é a vacina mais bem conseguida até hoje, tem várias doses de reforço, porque ao longo do tempo fomos percebendo que era necessário fazê-lo para ficarmos protegidos em relação à doença. E é isto que temos de saber em relação ao SARS-CoV-2.

Tudo está em aberto?
Exactamente. Não sei se vamos voltar aos confinamentos, o que sei é que as pandemias têm características próprias. Atingem todo o mundo, por isso se chamam pandemias, mas não da mesma forma e ao mesmo tempo. Têm diferenças geográficas, de intensidade, na forma como se manifestam, e depois as diferenças que surgem pelas medidas que cada país toma por achar que são as mais adequadas à sua população. O aspecto cultural é muito importante, porque há países que aceitam melhor determinados efeitos da doença, outros que aceitam pior. Há países em que os cidadãos são mais disciplinados, outros em que são menos. É assim mesmo, faz parte da diversidade humana. As pandemias também nos têm ensinado que somos diferentes e vamos agindo conforme essas diferenças.

Tendo em conta a questão da imunidade ou de novas variantes, como vai ser a gestão da evolução da pandemia?
No fundo, vamos jogar com todas as armas que já temos e com as medidas que conhecemos, como a protecção individual, a detecção precoce dos casos, a testagem em massa, o isolamento profilático. Vamos fazer tudo o que é necessário fazer, de acordo com o que já aprendemos, mas de forma diferente, doseando melhor as acções e as medidas. Não estamos a descobrir nada de novo, porque a única descoberta de que todos ainda estamos à espera é que surja um medicamento ou vários que consigam juntamente com as vacinas ser curativos e impedirem o desfecho negativo da doença. Por isso é que o primeiro pilar deste plano é a manutenção e o reforço da vigilância epidemiológica, porque é através desta que temos acesso à informação que nos dirá o que é preciso fazer.

Quer concretizar?
Imagine que a vigilância nos indica que é necessário fazer reforços com a vacinação para proteger a população de mais transmissibilidade e de variantes mais agressivas. Neste momento, volto a dizer, já estamos a fazer o reforço da população com mais de 80 anos e depois vamos fazer o reforço de todos os maiores de 65 anos, porque já se percebeu que são os mais frágeis e que têm uma perda de imunidade após a vacinação e ao longo do tempo. A necessidade deste reforço foi-nos dada pela ciência, mas imagine que daqui a uns tempos a ciência nos indica que é preciso fazer reforços a outras idades e a outros grupos sociais. Nós também o faremos.

Isso quer dizer que todos nós, jovens e adultos, vamos receber um reforço vacinal?
Neste momento, ainda é prematuro dizer isso. Não sabemos se vamos ter de fazer reforços a toda a população, se vão ser reforços anuais, quinquenais, de dez em dez anos. A ciência ainda não nos indicou isso. Veja, levámos muitos anos para saber como é que as vacinas clássicas, que temos no Plano Nacional de Vacinação, se comportavam, muitas não requerem reforços, mas a maior parte requer um ou dois numa idade precoce, mas depois acabaram. Portanto, temos de esperar pelo que a ciência nos vai indicar. A resposta concreta é que tudo é possível. Voltando à mesma questão, uma coisa é um antibiótico ser muito eficaz, mas eu posso não precisar dele, e não é por uma coisa ser muito eficaz que a vou tomar. Há o princípio da utilidade, da proporcionalidade e da necessidade. Tudo isto junto é que nos faz perceber se é preciso ou não. Se a ciência nos indicar que sim, teremos de levar o reforço, se não for necessário não levaremos, mas é precoce dar uma resposta.


“Não há nenhum tabu em relação à vacinação das crianças, temos é de ter a evidência científica de que a relação benefício-risco é positiva.”


A vacinação das crianças tem sido muito discutida. A Pfizer já avançou com um pedido de autorização às entidades internacionais para administrar uma dose três vezes menor do que a dos adultos por os estudos indicarem protecção e segurança elevadas. Que fará Portugal?
À medida que o tempo vai passando vamos conhecendo melhor as vacinas que estão a ser administradas e vamos tendo um histórico da vacinação. Começámos pelos mais velhos, porque eram os que tinham melhor relação benefício-risco, fomos progredindo, e quando chegar a altura das crianças mais pequenas esse histórico será ainda maior do que o que temos agora. Portanto, não há nenhum tabu em relação à vacinação das crianças, temos é de ter a evidência científica de que a relação benefício-risco é positiva. Se a vacinação for aconselhada e aprovada, não há tabu em vaciná-las. Já vacinamos as crianças dentro das maternidades.

Na última semana havia cerca de 70 mil pessoas com reforço à covid e vacinadas contra a gripe. Agora, esse número já está em 123 mil no reforço e em 279 mil na gripe. Tendo em conta que esta população é de 2,2 milhões e que o inverno está à porta, não é necessário acelerar o processo?
O que está a marcar o ritmo é a vacinação da gripe. Durante o mês de Outubro recebemos pouco menos de meio milhão de doses para a gripe e estamos a fazer tudo junto das farmacêuticas para que estas antecipem a vinda de vacinas para Portugal, mas esta é uma questão que não tem só que ver com o nosso país. Tem que ver com a dinâmica do mercado das vacinas para a gripe, que é limitado. Prevemos que Novembro vai ser um mês de maior intensidade, é quando vamos receber a grande maioria das vacinas para o SNS para se perfazer as 2,5 milhões de doses necessárias. Se por acaso houver uma rarefacção desta vacina, e falo só da gripe, avança-se com o reforço contra a covid-19, porque temos em stock.

Vai haver capacidade de vacinação?
Se houve antes, terá de haver agora. Obviamente, mais uma vez, poderemos ter de adaptar os recursos para este processo de vacinação, mas creio que o mais difícil já foi feito, que foi ensaiar metodologias para convocar as pessoas e organizar os centros. O que está previsto pelas equipas que estão a fazer o planeamento é que haja capacidade do SNS para até meados de Dezembro conseguirmos dois objectivos, vacinar contra a gripe e fazer o reforço da covid acima dos 65 anos.

Voltando ao plano outono-inverno, o que vai mudar na gestão?
Vai ser muito importante a forma como vamos gerir os casos. A tendência vai ser para manter a maior parte das pessoas no seu domicílio e com uma gestão à distância do médico assistente. Se me perguntar se será necessária uma atenção tão pormenorizada como a que foi dada antes, se calhar não, no sentido em que talvez possamos fazer intervalos maiores neste tipo de vigilância. Até porque as pessoas já são capazes de se auto-monitorizar. Elas próprias, através das plataformas de registo de sintomas, podem dar o alerta ao médico se estão a ter alguma alteração nos sintomas. Portanto, podemos ter de fazer algumas alterações à forma como vamos gerir os casos.

Numa situação, como a que envolve o segundo cenário do plano, mais propagação da doença, aumento de casos, vai manter-se o mesmo número de dias de isolamento, as pessoas vão ter mais acesso ao médico assistente, esta era uma das críticas?
A questão do isolamento, dos dez aos 12 dias, terá que ver com a característica do vírus. Até agora, tem-se mantido muito estável em relação ao que já sabemos, como o período de transmissibilidade e de incubação. As novas variantes não têm alterado este padrão e isso tem-nos permitido reduzir o tempo de isolamento das pessoas. Temos vindo a aprender. No ano passado, nesta altura, não lhe conseguiria dizer isto em relação ao período de isolamento. Ou seja, há uma grande tendência para manter a mesma filosofia, mas se calhar com outra periodicidade e com a capacidade de as próprias pessoas se auto monitorizarem.


“Neste tempo, já aprendemos que o sector da saúde e o social são indissociáveis na resposta à doença.”


E relativamente à testagem no caso de haver propagação da doença?
Isso é outra questão, o plano prevê o regresso da estratégia de testagem em massa, para a detecção precoce dos casos. Mas prevê outro aspecto muito importante, que é a resposta inter-sectorial. Neste tempo, já aprendemos que o sector da saúde e o social são indissociáveis na resposta à doença, já sabemos também quais são os grupos mais vulneráveis e as situações mais graves do ponto de vista social e vamos ter de continuar a trabalhar em conjunto – ou seja, saúde, educação, segurança social e trabalho.

Que mudanças vai trazer a pandemia à DGS?
Se aprendemos algo com esta pandemia foi precisamente o termos que ter uma capacidade enorme de ser flexíveis e de adequação. São duas palavras importantes. A adequação é não fazer nem de mais nem de menos, é fazer o que é certo na altura certa, e isto é muito difícil. Sou médica de saúde pública e digo muitas vezes aos meus alunos que não é difícil sê-lo. É só multiplicar por 10 milhões o que se faz quando se é médico clínico. O que se quer dar é a dose certa de um medicamento ao doente, nem a mais nem a menos. Portanto, na saúde pública queremos adequar as medidas, e para isto é necessário flexibilidade, para isto as instituições do Estado e da sociedade têm de aprender novas formas de se gerir, de se interligar sem burocracias excessivas. Temos de falar uns com os outros e sobretudo ter uma meta comum de onde queremos chegar.

Essa é a grande mudança?
É uma das grandes questões. O sabermos onde queremos chegar e com quem é que temos de fazer esse caminho. Se o temos de fazer com a Segurança Social, com os professores, com os pais ou com a população em geral. Esta nossa necessidade de trabalhar de forma estanque, separados uns dos outros, não mais vai ser possível. No futuro, vamos ter de ser transversais, sob pena de não estarmos a fazer o que é adequado no timing certo e com a rapidez que uma pandemia exige. Com esta pandemia podemos ter feito coisas menos certas ou menos adequadas, mas tivemos de ser rápidos, mais do que alguma vez tivemos de ser. Tenho 64 anos, trabalho há mais de 40, e o que notei mais foi exactamente a necessidade da decisão rápida. Para isto é necessário termos informação em cima da hora de todos os sectores, porque temos de ter capacidade de resposta, mas também uma resposta ágil, adequada e com resistência.

A pandemia trouxe a resiliência…
A resiliência implica sermos resistentes e persistentes, mas há outra coisa que a pandemia nos ensinou: é que quem conduz a pandemia não são os serviços de saúde, mas os 10 milhões de pessoas dos quais fazemos parte. Por isso, o último pilar do plano outono-inverno é o termos de aprender a comunicar, porque vivemos num mundo novo. Nesta pandemia tivemos uma grande lição em directo do que foi a comunicação, nas redes sociais ou nos media clássicos. Foi um desafio, toda a gente comunicou, informou ou interagiu com toda a gente. Temos todos muito a aprender.


Uma das grandes perguntas para o futuro é a comunicação e a interacção entre sociedade e técnicos, técnicos e políticos e políticos e sociedade.


O que quer dizer? Melhor comunicação e gestão entre o lado técnico e político, por exemplo?
Entre a gestão dos lados técnico, político e da sociedade. As pessoas perguntam sempre como foi a gestão política e a gestão técnica, mas vivemos numa plataforma que se chama sociedade. E como foi a interacção dos políticos e dos técnicos com a sociedade? Com as pessoas que fizeram opinião em termos de epidemiologia, de vacinação, de saúde publica, dos medicamentos? Como foi esta interacção? É uma das grandes perguntas para o futuro.

Não houve gestão e interacção?
Houve. Acho que fizemos milagres, porque se conseguiu, numa situação de grande instabilidade, fazer uma aprendizagem rápida do que é a comunicação no século XXI. Uma comunicação em directo, em tempo real. Estava a sair dum artigo científico do outro lado do mundo e já alguém aqui estava a comentar em directo. Isto foi completamente novo. Não tivemos só uma pandemia, porque pandemias já as tivemos no passado, tivemos uma pandemia no século em que toda a gente interage e comunica com toda a gente, os políticos com os técnicos, os técnicos com a sociedade, a sociedade com os políticos. Para mim, este é o grande desafio para o futuro. E porquê? Dou um exemplo, o êxito da vacinação em Portugal. Tínhamos um histórico de confiança na vacinação que valeu que 10 milhões de pessoas aderissem voluntariamente ao processo. A palavra-chave é: confiança, porque a sociedade interage e influencia-se.

E o que se viveu aqui na DGS?
O que se viveu aqui foi de uma intensidade e uma velocidade tal que é difícil ter a noção do tempo. Hoje somos confrontados com algumas coisas, mesmo pelos jornalistas, das quais já nem sequer temos memória, porque aconteceram tantas que se me fizerem uma pergunta concreta sobre o início da pandemia tenho de pensar muito bem.

Algo como quando disse que poderíamos chegar a um milhão de infectados e que gerou tanta polémica?
Exactamente. Esse era o cenário que tinha sido traçado em estimativas feitas pelos técnicos em 2006 ou 2007 no caso de uma pandemia. Era o cenário mais benigno e, quando me perguntaram o que poderia acontecer, achei que falar do cenário mais benigno era o adequado. Para uma pandemia era um cenário normal de atingir no primeiro ano e veja o que deu.

Graça Freitas diz que quem está no planeamento prevê que até Dezembro seja possível vacinar a população acima dos 65 anos contra a gripe e com o reforço para covid-19.

Para si o que correu mal e bem na gestão da pandemia?
Não queria começar por dizer que correu muito bem a vacinação, mas é evidente que correu. Se hoje estamos aqui com alguma descontracção é porque nos vacinámos e muito. Também correu bem a forma como os portugueses aderiram às medidas que lhe foram sempre pedidas. Temos a tendência para fixar momentos menos bons, como grandes ajuntamentos, esquecendo-nos de que neste ano e sete meses a maior parte das vezes os portugueses tiveram um comportamento exemplar, perceberam que as medidas eram justas e necessárias. Também correu bem, e tenho de o dizer, a forma como os serviços se organizaram, não estávamos completamente despreparados, tínhamos tido uma epidemia, em 2009, com a gripe A, e outra, em 2003, com o SARS-CoV-1. Conseguimos aguentar a fase de contenção, de 2 de Março a 4 de Abril. Tínhamos um plano com hospitais de referência perfeitamente identificados e com pessoal treinado. O INSA fazia exames, o INEM transportava as pessoas e a Linha de Apoio ao Médico, que já toda a gente esqueceu, foi muito importante. Tudo isto levou a que não tivéssemos o impacto dantesco que houve em Itália.

E o que correu mal?
O que pode ter corrido menos bem, e com todo o respeito que tenho pela comunicação, enquanto instrumento dos seres humanos para entendimento e remar no sentido de fazer coisas positivas, foi o ter havido um ruído comunicacional grande a todos os níveis. Houve alturas em que eu, como cidadã normal, se não tivesse tido acesso a alguma informação, teria ficado bastante baralhada. Houve alturas em que tivemos acesso quase indiferenciado a informação antagónica, não se chegava a perceber qual era a informação credível ou a fonte mais credível. Por outro lado, do ponto de vista da nossa saúde mental, a informação mono-temática também pode não ter sido positiva. Já estávamos perante uma ameaça pandémica, um vírus desconhecido, a maior parte das pessoas tinha parentes, amigos ou alguém conhecido doente, se tivéssemos tido acesso a outro tipo de informação teria sido benéfico.

Há respostas concretas que ainda não existem. A directora-geral lembra que o vírus SARS CoV-2 ainda é muito recente e que ainda podemos ser surpreendidos neste inverno.

Mas na realidade da saúde houve muitas críticas, falta de planeamento, de recursos, desorganização. Parou-se o atendimento a outras doenças para tratar a covid. Isso não correu mal?
O que pergunto é: quem estava preparado para lidar com a situação? Nenhum país ou sistema de saúde estava preparado para esta dimensão. Fomos todos apanhados de surpresa por este novo coronavírus. Obviamente que houve aspectos negativos, mas perante a dimensão que a doença estava a assumir, não havendo qualquer garantia de que uma pessoa que começasse por ter um quadro benigno continuasse a evoluir desta forma, era difícil de gerir a situação. E houve que concentrar os recursos, já escassos, porque é assim em saúde, para este novo acontecimento, que trazia muitas incógnitas. Se me pergunta se isto foi bom, é claro que não, mas não havia recursos para tudo e tivemos de fazer escolhas. Fizemos as que nos pareceram as mais acertadas. Os próprios sistemas informáticos não estavam dimensionados para uma situação destas. Não vale a pena dizermos que tínhamos sistemas informáticos fantásticos no dia em que a pandemia começou. Ainda agora não são e estão sempre a ser melhorados, e terão de ser muito mais no futuro.


Apesar da pandemia, os portugueses não baixaram os indicadores de saúde. Melhorámos na alimentação, no exercício físico e não aumentámos os hábitos tabágicos.


Criou-se uma nova arquitectura nesta área?
Fomos fazendo uma arquitectura nova dos sistemas de informação, das plataformas tecnológicas digitais, sempre em cima do acontecimento. Hoje, um dos debates internos para o futuro é se vamos pegar no que já fizemos ou se vamos pegar num edifício novo, construido de raiz, com bons alicerces e uma boa arquitectura. Do ponto de vista tecnológico, não havia um projecto delineado. Tudo o que foi feito foi a partir da realidade. E internamente temos debatido muito esta situação. O que vamos fazer no futuro, melhorias na plataforma do trace covid ou vamos construir uma completamente nova? Ainda não há uma resposta certa, mas o mais provável é que seja feita uma coisa de raiz, concebida com outra estrutura.

E o que é que a pandemia vai trazer de diferente à saúde dos portugueses? Quais vão ser as recomendações da DGS neste sentido?
Estamos a fazer um novo Plano Nacional de Saúde. Há um ponto básico que é: não podemos retroceder nunca mais. Temos de perceber as necessidades que as pessoas têm e estas não são estáticas. Têm de ser constantemente analisadas. Hoje são umas, amanhã serão outras. Mais uma vez, o que temos de entender é quais são as metas e como as vamos alcançar . E só o conseguimos com as pessoas.

Mas a pandemia baixou os níveis de saúde dos portugueses?
Apesar da pandemia, conseguimos melhorar alguns indicadores de saúde. Não estamos tão mal na área alimentar, o nosso nível de actividade física aumentou, não houve um aumento dos hábitos tabágicos, pode ter havido nalguns nichos, mas comparado com o passado, estamos melhores. Agora, temos de olhar cada vez mais para os determinantes da saúde e para a questão social. A saúde não vive dissociada da pobreza, do emprego, da pessoa se sentir útil ou não. E isto não se faz de um dia para outro e tem de ser feito através do trabalho em conjunto. Se calhar, nunca os vários organismos do Ministério da Saúde tinham trabalhado tanto em conjunto como neste tempo de pandemia. Temos de continuar a fazê-lo.

A saúde mental terá sido a área mais afectada pela pandemia?
Talvez sim, mas temos de esperar para ver o impacto nas doenças crónicas, sobretudo nas doenças oncológicas, porque o diagnóstico precoce nestas doenças é muito importante. Por agora, o impacto mais visível é o da saúde mental e para esta área estamos com um programa muito forte, que já está a ser desenvolvido.


“Quando me reformar o que quero fazer é nada, rigorosamente nada, porque foi coisa que nunca fiz na vida.”


Vamos ao lado pessoal, está com 64 anos. Quando olha para trás o que destaca na sua vida?
Nasci em Angola. E obviamente que na minha vida há o período de África e o da Europa. Mas olhando para trás acho que tive a sorte de nascer e de viver noutro continente, e de uma forma diferente, mais livre, da que tive de viver o resto da minha vida aqui, apesar de ser uma europeísta convicta. Foi uma sorte e um privilégio essa parte da minha vida, não direi que a olho com saudade, porque não é isso que sinto, mas tenho-a como muito relevante. Depois, há um outro momento muito interessante, aquele em que tomo a decisão de seguir uma carreira na saúde pública e não uma carreira clínica. Quando olho para trás, este é o momento em que tomei uma decisão com base em muitas pequenas decisões e em muitos pequenos momentos.

Se me perguntar objectivamente se me sentei e pensei racionalmente para decidir: é isto que vou escolher? Não. Foi uma sucessão de acontecimentos ao longo da minha vida profissional que me levou a que, quando tive de escolher uma especialidade, tivesse optado pela saúde pública, de forma livre e espontânea, porque tinha notas para ir para outras áreas. Este foi um momento muito importante, do qual não me arrependo e que foi determinante para todos os outros da minha vida.

A vigilância, a vacinação e a forma como vamos gerir os casos serão fundamentais para gerir e a evolução da pandemia.

Se tivesse de se definir, com que palavras o faria?
Não quero usar a palavra resiliente. Está muito na moda e tem algumas conotações, mas sou um pouco assim. Por mais que sofra não gosto de deixar as coisas a meio, agora se isso é resiliência, obstinação ou resistência, não sei. É um pouco de tudo. Entro nas coisas e sinto a obrigação de as acabar, a menos que descubra que não estou a fazer bem. Aí tenho autocrítica suficiente para não o fazer, mas não sou de desistir.

Tem alguma coisa que gostaria de fazer e ainda não fez?
Tenho. E tenho pensado muito nisso. A pandemia trouxe a muitos de nós algumas alterações do sono, a mim também. Antes dormia muito bem, agora acordo e fico a pensar e a ler. Alguns familiares e amigos têm-me perguntado o que vou fazer quando a pandemia acabar ou deixar de ser directora-geral. Há quem pense que quero dar a volta ao mundo, cultivar orquídeas, mas, nas últimas semanas, tenho dado comigo a pensar nisso e encontrei a resposta certa. O que quero fazer é nada, rigorosamente nada, porque foi coisa que nunca fiz na vida.

Acha que aguenta?
Não sei, devo aguentar algum tempo. Isso lhe garanto. É um objectivo.

Foi uma das pessoas infectadas pelo vírus . Isso afectou-a muito?
A covid manifesta-se de formas muito diferentes, a mim o sintoma dominante foi uma vontade de dormir que não era normal. Tive algum medo da doença, que ela evoluísse mal, até por causa dos meus antecedentes médicos e da minha idade, mas estive sempre bem. Tive um decréscimo na saturação do oxigénio durante vários dias, que nunca correspondeu a sintomas. Não tive falta de ar, dor no peito ou febre. Tive sono, tosse e uma distorção do paladar. Toda a comida me sabia a sal, até as maçãs e as peras cozidas.

Que alterações trouxe a pandemia à sua vida pessoal?
Vou ser completamente sincera. Espero que as pessoas tenham memória curta, porque gosto do anonimato, e se não o voltar a recuperar é algo que vai condicionar. Não estava preparada para um nível de exposição que me levasse a sair à rua e ser reconhecida. Um dia vinha com o Dr. Francisco George de um restaurante aqui perto da DGS e ele foi interpelado tantas vezes que eu pensei: “Meu Deus ,ainda bem que é ele o director-geral, porque não deve ser fácil lidar com isto” Em termos pessoais esta é a questão mais difícil de lidar, porque tudo o resto, o que disseram de mim e o que me fizeram, acho que vou superar, se se conseguirem esquecer de mim e eu puder passear sem que ninguém me conheça. Mas estou muito grata às pessoas, que, de um modo geral, foram muito simpáticas.

Sentiu-se maltratada ou injustiçada pelos cidadãos ou pelo lado político? Isso mexeu consigo?
Talvez tenha mexido menos do que o que se pensa. De qualquer maneira dependeu sempre de quem era o emissor da injustiça, e sobretudo em relação a alguns temas. Acho que as pessoas se focaram demasiado e desproporcionalmente em relação a alguns assuntos. Se me perguntar se isso me provocou uma grande sensação de injustiça? Não. Fazia parte da época que se vivia. E não acho que me vá perseguir no futuro, apesar de ter havido situações em que algumas pessoas disseram coisas chatas sobre mim. Mas na altura em que as vivi tinha tanto que fazer que não foram uma preocupação, fizeram parte do pacote da pandemia.

E quanto ao futuro? Esta é a sua casa, pensa continuar por aqui?
Esta é de facto a minha casa e vou ficar aqui enquanto a casa me quiser. Se a casa não me expulsar e eu não me sentir mal, acabo a minha carreira na DGS, não necessariamente como directora-geral, mas esta é a minha casa, foi aqui que vivi mais intensamente e por mais tempo. E também tenho claro que cumprirei o meu tempo até à reforma e não trabalharei até aos 70.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio (Texto) Reinaldo Rodrigues (Fotografias)
25 Outubro 2021 — 00:13

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

Please follow and like us:
Pin Share

Novos remédios para a enxaqueca garantem “óptimo controlo da dor logo desde o início”

SAÚDE PÚBLICA/ENXAQUECAS/REMÉDIOS

Avançadas terapias no combate às cefaleias devolvem qualidade de vida a quem sofre desta doença. Tal é possível porque a ciência descobriu o que leva às crises, o que será, para a presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia, mais um passo na direcção da cura.

© Ilustração Vítor Higgs / DN

Doença que, estima-se, atinge cerca de 1,5 milhões de pessoas em Portugal, a enxaqueca pode ser profundamente debilitante. Mas hoje, utilizando os mais recentes avanços na investigação neurológica e genética, existem novos tratamentos. O mais recente permitiu descobrir o agente responsável pelo desencadear ou intensificar de uma crise de enxaqueca e avanços na medicina ajudam a combatê-lo. Este é o ponto de partida para esta entrevista, feita por e-mail, a Isabel Luzeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia.

Há pessoas que dizem parecer que estão a enlouquecer quando têm dores de cabeça fortes ou enxaquecas. O que é que está efectivamente a acontecer no seu cérebro?
O que acontece frequentemente é que a dor por vezes é tão, tão intensa, que é muito mal tolerada. E está associada a uma dilatação dos vasos sanguíneos. O envolvimento de outras áreas do cérebro provoca também hipersensibilidade à luz e ao barulho, náusea ou até vómito, e por vezes vertigem. Alguns doentes têm ainda o nariz a “pingar” (rinorreia), uma urgência de urinar ou abrir a boca… outros têm alterações visuais. Mesmo nos doentes que toleram a dor, a frequência dos episódios e o tempo de duração (duas a quatro horas) exaspera-os. Ora, se a dor já é difícil de tolerar, toda esta constelação é o caos. Interfere com o dia a dia, diminuindo muito a qualidade de vida.

A investigação mais recente dá conta de que o CGRP será responsável pelo desencadear de uma crise de enxaqueca. O que é o CGRP?
CGRP é a sigla de um neuropéptido [ler abaixo] relacionado com o gene da calcitonina (calcitonine gene-related peptide). Os níveis de CGRP no sangue estão aumentados durante as crises de enxaqueca e mesmo no intervalo das crises, principalmente se a enxaqueca for frequente ou crónica.

O CGRP é sintetizado em vários locais do corpo, como o cérebro (alfa-CGRP) e o intestino (beta-CGRP), a partir do gene da calcitonina, localizado no cromossoma 11, e tem uma função reguladora a nível do cérebro, sistema intestinal e no controlo da dor.

Neuropéptidos são “mensageiros” químicos produzidos pelos neurónios (as células nervosas do cérebro, por exemplo) que permitem a comunicação entre estas, modulando a actividade cerebral. Têm também um papel importante em outros órgãos, como o coração ou os intestinos. Existe mais de uma centena de tipos conhecidos.

Há alguma preponderância do CGRP nas mulheres vs. homens? É um dado conhecido que as crises de enxaqueca são mais prevalecentes nas mulheres…
De facto, atinge duas a três vezes mais as mulheres. Mas há outros factores: há outros neuropéptidos e neurotransmissores envolvidos e temos de considerar o factor genético, a hereditariedade.

Se a mãe tem enxaqueca, a probabilidade de a transmitir é de 66%, se ambos os pais tiverem enxaqueca esse risco é de 77%. Isto quer dizer que há um predomínio de transmissão pelo sexo feminino. Temos ainda factores hormonais, como os associados à menstruação, e os psicológicos, como a ansiedade e depressão, que também são mais frequentes na mulher.

Que medicamentos já existem no mercado para parar a CGRP?
A toxina botulínica tipo A, o botox, que actua também no CGRP. Trimestralmente administra-se o fármaco em 31 pontos da cabeça, via subcutânea. E agora os mAbs [ler abaixo] estão também disponíveis

mAbs ou anticorpos monoclonais são produzidos pela clonagem de um único glóbulo branco, com um só propósito – uma única função genética -, pelo que todos têm o mesmo alvo específico. Esta técnica aplicada em bioquímica permite criar fármacos extremamente precisos, que atacam a doença na origem sem efeitos secundários.

O que são e como funcionam os mAbs, os anticorpos monoclonais?
Os anticorpos monoclonais utilizados na enxaqueca são fármacos que bloqueiam o CGRP directamente (anti-CGRP) ou bloqueiam os receptores onde o CGRP se iria ligar. São usados na enxaqueca frequente (mais de quatro crises por mês) ou crónica. Em Portugal dispomos de três fármacos: dois que se ligam directamente ao CGRP e um que se liga ao receptor impedindo a acção do CGRP, com administração injetável e de periodicidade mensal ou trimestral. Têm um perfil de segurança e de efeitos adversos muito favorável e um óptimo controlo da dor logo desde o início.

Que sintomas deve uma pessoa ter para se considerar “candidata” a um tratamento deste tipo?
Ter enxaqueca frequente ou crónica e ter já feito tratamento com três fármacos diferentes indicados para a prevenção ou ser alérgica ou mesmo não tolerar [estes últimos], devido a efeitos adversos ou outras doenças concomitantes.

Bastará ir ao seu médico de família ou terá de procurar um médico mais especializado?
Os mAbs são prescritos no hospital e cedidos pela farmácia hospitalar. Não existem disponíveis para prescrição em ambulatório. Cabe ao médico de família orientar o doente para uma consulta especializada em cefaleias.

Uma enxaqueca ou cefaleia pode ser tão violenta que provoque danos permanentes no cérebro?
Com a repetição das crises ficam pequenas mazelas no cérebro, quer anatómicas, quer funcionais.

Por outro lado, durante uma crise, embora raramente e mais nas mulheres que usam a pílula e têm enxaqueca com aura, pode ocorrer um evento vascular, um enfarte migranoso.

Há uma idade-tipo para a enxaqueca?
Sim, de facto é na terceira e quarta década que a enxaqueca é mais frequente. Nos rapazes surge habitualmente mais cedo. Com a menopausa, a enxaqueca desaparece em dois terços das mulheres.

Há uma dieta alimentar que possa minimizar ou aligeirar a ocorrência de cefaleias?
Cada doente reconhece os alimentos que lhe desencadeiam a enxaqueca. No entanto, o chocolate, o vinho, os morangos, o glutamato monossódico [ler abaixo]

Para além da alimentação, as alterações do sono, as mudanças do tempo, o cansaço, as alterações hormonais, etc., podem desencadear enxaqueca.

Glutamato monossódico é um aditivo que se associa aos alimentos para realçar sabor; é usado nos restaurantes chineses e nos cubos que se juntam aos alimentos na cozinha, comida com nitratos como os cachorros-quentes, alimentos que contêm tiramina, como queijos maturados, soja, favas, peixe fumado ou desidratado e alguns tipos de frutas secas.

Alguma vez teremos uma cura?
Sim, cada vez mais temos uma medicina de precisão dirigida à causa das patologias. Sabida toda a constelação etiológica, surgirá a cura, em minha opinião.

As dores de cabeça são com ela

Presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia há dois anos, a neurologista Isabel Luzeiro (pela Universidade de Coimbra) tem ainda especialização em Ciências da Dor. Além disso, graduou-se em eEG/neurofisiologia clínica e tem competências ao nível do estudo do sono. A experiência adquirida e a actividade permanente – actualmente dá consultas na CUF Coimbra – permitem-lhe ter uma perspectiva actualizada do conhecimento científico de uma área cuja evolução não para de progredir. Os actuais tratamentos não existiam há uma década.

ricardo.s.ferreira@dn.pt

Diário de Notícias
Ricardo Simões Ferreira
24 Outubro 2021 — 00:13

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

Please follow and like us:
Pin Share

1192: Mais 604 novos casos e 4 mortos por covid-19 em 24 horas

– Estatísticas até hoje, Domingo:

24.10.2021 – 604 infectados – 4 mortos
23.10.2021 – 883 infectados – 4 mortos
22.10.2021 – 930 infectados – 8 mortos
21.10.2021 – 865 infectados – 8 mortos
20.10.2021 – 927 infectados – 3 mortos
19.10.2021 – 832 infectados – 6 mortos
18.10.2021 – 291 infectados – 3 mortos

Total da semana: 5.332 infectados – 36 mortos

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Dados da DGS mostram que há agora 269 internados, dos quais 52 estão em unidades de cuidados intensivos.

A terceira dose de vacinação contra a covid-19 já está a decorrer
© Fernando Fontes / Global Imagens

Foram registados, em 24 horas, 604 novos casos de covid-19 em Portugal, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). O relatório​​​ deste domingo (24 de Outubro) indica também que morreram mais quatro pessoas devido à infecção por SARS-CoV-2.

Os dados mostram que há agora 269 internados (menos cinco face ao reportado no sábado), dos quais 52 (menos três) estão em unidades de cuidados intensivos. Volta assim a repetir-se a tendência de decréscimo de pessoas hospitalizadas pela doença.

Nestas 24 horas também se registaram mas 387 casos activos, 243 pessoas recuperadas da doença e menos 274 contactos em vigilância.

Na distribuição geográfica dos novos casos de infecção, a região de Lisboa e Vale do Tejo continua à frente com 226 novos casos e um morto, seguida da do norte, com 160, embora com dois óbitos. A região do centro tem mais 131 casos de pessoas infectadas, a do Alentejo 13 e a do Algarve 47.

Na região autónoma dos Açores há mais 13 casos de covid-19 e na da Madeira 14, sem que em qualquer delas tenha sido registado um óbito.

123 mil cidadãos já com terceira dose

A terceira dose da vacina contra a covid-19 foi administrada a 123 mil cidadãos portugueses, no âmbito da segunda fase da campanha de vacinação contra a gripe, iniciada na segunda-feira, anunciou este domingo a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Na segunda fase da campanha de vacinação contra a gripe, que arrancou na segunda-feira, 123 mil cidadãos receberam a terceira dose ou dose adicional da vacina contra a covid-19 e 279 mil a vacina da gripe, refere uma nota de imprensa da DGS.

Esta fase integra os cidadãos com idade igual ou superior a 65 anos e que não estão abrangidos nos grupos-alvo da 1.ª fase e começou com os utentes acima de 80 anos, estando a decorrer por ordem decrescente de idades.

“O ritmo de vacinação da gripe está dependente da entrega das vacinas no território nacional e sujeita a ajustes de acordo com a disponibilidade de vacinas”, advertiu a DGS, garantindo que “a partir do início de Novembro se prevê que o número de vacinas disponíveis seja suficiente para acelerar o ritmo da vacinação”.

À semelhança do que aconteceu na primeira fase, os cidadãos são convocados através de uma mensagem escrita para a toma simultânea das duas vacinas ou apenas para a vacina contra a gripe.

Volta a ser possível o agendamento automático no Portal Covid-19, estando disponível a partir de terça-feira para cidadãos com idade igual ou superior a 80 anos

“Poderá haver casos, porém, em que sejam chamados doentes abaixo da faixa que se encontra aberta por já cumprirem todos os critérios de elegibilidade e para não atrasar o processo”, informou a DGS.

A vacinação completa contra a covid-19 abrange 85,7% da população portuguesa.

Pandemia já matou pelo menos 4,94 milhões de pessoas

A pandemia provocada pelo novo coronavírus já fez pelo menos 4.941.032 mortos em todo o mundo desde que foi notificado o primeiro caso na China, segundo o balanço diário da agência France-Presse.

Mais de 243.270.300 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus em todo o mundo, segundo o balanço, feito às 10:00 TMG (11:00 em Lisboa) de hoje com base em fontes oficiais.

Desde sexta-feira até hoje, registaram-se 14.453 mortes e 876.990 novas infecções, segundo os números coligidos e divulgados pela agência.

No sábado, morreram 86.072 infectados e foram contabilizados 394.025 novos casos de covid-19.

Os países que registaram mais mortes nesse dia foram a Rússia (1.072), os Estados Unidos (590) e a Índia (561).

Os Estados Unidos continuam a ser o país mais afectado, tanto em número de mortes como de infecções, com um total de 735.801 mortes e 45.427.539 casos, segundo os dados da universidade Johns Hopkins.

Depois dos Estados Unidos, os países mais afectados são o Brasil, com 605.457 mortes e 21.723.559 casos, a Índia, com 454.269 mortes (34.175.468), o México, com 286.259 mortes (3.781.661 casos) e a Rússia, com 230.600 mortes (8.241.643 casos).

Entre os países mais atingidos, o Peru é o que regista o maior número de mortes em relação à sua população, com 607 mortes por cada 100.000 habitantes, seguido pela Bósnia (345), Macedónia do Norte (338), Bulgária (331), Montenegro (328), Hungria (316) e República Checa (315).

Em termos de regiões do mundo, a América Latina e Caraíbas totalizam 1.514.642 mortes para 45.718.783 casos, a Europa 1.373.413 mortes (72.449.471 casos), a Ásia 862.678 mortes (55.455.754 casos), os Estados Unidos e Canadá 764.541 mortes (47.124.343 casos), África 216.752 mortes (8.465.317 casos), o Médio Oriente 206.339 mortes (13.814.060823 casos) e a Oceânia 2.667 mortes (242.573 casos).

O balanço foi feito com base em dados obtidos pela AFP junto das autoridades nacionais e informações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Diário de Notícias
24 Outubro 2021 — 14:04

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

Please follow and like us:
Pin Share

1191: Portugal com mais 883 casos confirmados e 4 mortes

– Quando nesta sociedade existe uma choldra naturalmente anormal, naturalmente acéfala, naturalmente indigente, naturalmente Walking Dead, naturalmente irracional e naturalmente irresponsável, é lógico que a PANDEMIA não sairá de cá tão cedo e os casos infecciosos estão a agravar-se de dia para dia. Basta ler as estatísticas. Siga o baile!

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Christo Anestiev / Pixabay

Portugal regista hoje mais 883 casos confirmados de covid-19 e quatro óbitos pela doença, assim como 729 pessoas recuperadas e menos internamentos em enfermaria e unidades de cuidados intensivos, de acordo com o boletim diário.

Segundo os dados divulgados pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), estão internadas 274 pessoas, menos 10 do que as registadas na sexta-feira, 55 das quais em unidades de cuidados intensivos, menos cinco do que no dia anterior.

Dois dos óbitos ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo e os outros dois na região Norte.

Os 883 novos casos confirmados aumentam o total desde o início da pandemia para 1.084.534 pessoas infectadas, sendo que nas últimas 24 horas recuperaram da doença mais 729 pessoas, aumentando o total para 1.035.450 recuperados.

Há hoje mais 150 casos activos, num total de 30.955 casos, e mais 146 contactos em vigilância, num universo de 21.077.

Todas as regiões do país, incluindo as regiões autónomas, registam novos casos nas últimas 24 horas, mas a maioria concentra-se nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo (+329), Norte (+238) e Centro (+187).

Desde o início da pandemia, 501.583 homens e 582.210 mulheres foram infectados pelo novo coronavírus, havendo neste momento 741 infectados de género desconhecido, permanecendo em investigação, uma vez que estes dados não são comunicados de forma automática, explica a DGS no boletim epidemiológico diário.

Quanto aos óbitos, desde o início da pandemia morreram 9.509 homens e 8.620 mulheres.

Já morreram em Portugal 18.129 pessoas devido à covid-19, com a maioria dos óbitos a concentrar-se na faixa etária dos 80 ou mais anos.

A covid-19 provocou pelo menos 4.926.579 mortes em todo o mundo, entre mais de 242,39 milhões de infecções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse, divulgado na sexta-feira.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e actualmente com variantes identificadas em vários países.

 ZAP // Lusa

Por Lusa
23 Outubro, 2021

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

Please follow and like us:
Pin Share

1190: DGS lança plano de acção para inverno com três cenários: do melhor ao pior

– Quando nesta sociedade existe uma choldra naturalmente anormal, naturalmente acéfala, naturalmente indigente e naturalmente irresponsável, é lógico que a PANDEMIA não sairá de cá tão cedo e os casos infecciosos estão a agravar-se de dia para dia. Basta ler as estatísticas. Siga o baile!

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19

A Direcção-Geral da Saúde lançou hoje o Plano Referencial Outono-Inverno 2021-2022, que assenta em três cenários: um de estabilidade, a situação em que estamos agora, outro de maior propagação da doença e outro ainda, de maior gravidade, se for identificada uma variante resistente às vacinas. Este cenário é o mais perigoso, pouco plausível, mas possível. O objectivo do plano final é evitar a doença grave.

Há um ano Portugal começava a entrar na segunda vaga da doença.

Há um ano precisamente que os portugueses ouviram falar do Plano Outono-Inverno como mais um meio de combate à covid-19. Este plano, designado como Referencial para o Outono-Inverno 2021-2022, define os cenários e como se deve agir e como as autoridades de saúde, os cidadãos e a própria sociedade deve agir. Um ano e sete meses depois do início da pandemia, quase dois após a identificação do SARS CoV-2, na província de Wuhan, na China, é a própria director-geral, Graça Freitas, que admite ao DN que o vírus ainda nos pode surpreender este inverno. “É um vírus muito novo, muito recente, e não sabemos o que vai acontecer”.

Por isso mesmo, explica, o plano para o outono inverno foi traçado para três cenários: “O cenário que vivemos agora, perfeitamente estável, outro em que a efectividade da vacina começa a perder-se, podendo haver aumento de casos, foi o que aconteceu com os mais idosos, e, por isso, mesmo começámos já a fazer a dose de reforço. E o terceiro, que seria o pior, aquele em que apareceria uma nova variante, com capacidade de escapar ao nosso sistema imunitário e à protecção dada pelas vacinas”, acrescentando que este “não é um cenário plausível, mas que tem de estar sempre presente, enquanto o vírus continuar a fazer o seu percurso entre nós”.

Ou seja, o vírus ainda nos pode surpreender este inverno. Aliás, já o está a fazer. Basta olhar para países como o Reino Unido, Israel e Rússia que estão a registar um aumento considerável de número de casos. No Reino Unido, por exemplo, ainda não foram tomadas medidas de restrição, porque a letalidade não tem aumentado, mas, no caso da Rússia, em que esta semana o número de casos atingiu os 40 mil por dia e o de mortes 15 mil, a sociedade começou a fechar e milhões de pessoas foram enviadas, de novo, para casa.

Graça Freitas, em declarações ao DN admite que tudo ainda pode acontecer, e que, por isso, este “plano referencial para o Outono-Inverno está preparado para fazer face a qualquer um destes cenários, quer seja o da estabilidade, de maior transmissibilidade ou de variantes mais agressivas”. O foco é sempre: “Conter a doença grave, mais do que não ter infecção. Posso dizer que, neste momento, esta é a nossa preocupação principal”.

De acordo com esta avaliação, as medidas vão sendo tomadas e adaptadas. No fundo, e como diz, não se vai inventar, mas reforçar o que já se aprendeu. Daí que a vigilância epidemiológica seja o primeiro pilar deste plano. “As medidas serão tomadas conforme forem ocorrendo os cenários e poderão ser de maior ou menor intensidade. Por isso, é muito importante a vigilância epidemiológica – que em saúde pública significa ‘vigiar para agir’ -, baseada na informação que diariamente vai sendo recolhida pelas várias entidades de saúde.

“A informação recolhida diariamente até pode não ser perfeita, mas dá-nos uma fotografia da realidade no momento, que é muito importante. É com esta informação que sabemos se devemos ou não intensificar a vigilância e as respostas que têm de ser dadas”.

Testagem em massa e confinamentos podem voltar

As medidas, como refere, “são as que todos nós já conhecemos” e que, em primeiro lugar, devem ser assumidas pelo próprio cidadão”. Para a directora-geral, a vigilância é um pilar para o combate à pandemia porque começa precisamente pela responsabilidade de cada um de nós. “A responsabilidade de cada um em se proteger continua a ser essencial, mesmo numa situação como a que vivemos agora, que é de estabilidade e em que temos mais de 85% da população vacinada”.

Esta responsabilidade continua a ser tão importante quanto se sabe que a pandemia também evolui pelos nossos comportamentos, portanto Graça Freitas diz mesmo ao DN que se esta vigilância individual e de protecção não existir, “em última análise podemos chegar a uma situação em que se pode evoluir para um retrocesso, voltar ao passado e aos confinamentos”.

Segundo sublinhou ao DN, “a vigilância é um dos pilares deste plano e tem sido sempre reforçada desde o início da pandemia quer nos aspectos que são avaliados como na criação de plataformas tecnológicas sofisticadas com cada vez maior capacidade de análise. Em função dos resultados, adaptamos a acção”. É a partir da vigilância que serão tomadas as decisões, como se haverá ou não necessidade de vacinar com doses de reforços a população, em caso de perda de efectividade das vacinas, em que a imunidade começa a decair.

Daí que o segundo pilar de actuação para este inverno seja o da vacinação. Neste momento, “já estamos a fazer isso em relação aos imuno-deprimidos e aos idosos, que é dar as doses de reforço”, mas “se a ciência nos indicar que são precisos fazer reforços em outros grupos, também o faremos”.

O terceiro pilar para actuar, se nos depararmos com uma situação de uma nova variante mais agressiva, e uma vez que ainda não há um medicamento que trate a doença grave provocada pelo SARS-CoV-2, poderá ser a adopção de medidas de maior restrição, como até voltar aos confinamentos.

Uma realidade que a directora-geral espera que não aconteça, mas que é possível. Daí que este plano mantenha as estratégias de testagem rápida em massa para evitar a propagação da transmissibilidade. Daí também que, nas unidades de saúde, os planos de contingência tenham de estar a postos, com circuitos e escalas diferenciadas para se conseguir responder à doença. “O vírus ainda está entre nós e não se sabe o que pode acontecer”, volta a sublinhar “O objectivo é sempre o de não termos doença grave, mais pessoas internadas e mais letalidade”.

Ao contrário do que vivíamos há um ano, em que o país entrava na segunda vaga da pandemia, hoje Portugal vive uma situação endémica. Ou seja, uma situação estável e controlável em termos de número de casos e de letalidade. Outros países europeus, com taxas de vacinação mais baixas, estão piores. O plano para o este outono e próximo inverno assenta nos mesmos pilares do que o que foi lançado no ano passado. Este ano, com mais conhecimento, é necessário que este seja implementado por todos: cidadãos e autoridades de saúde, locais e centrais.

Como refere a nota lançada pela DGS, o documento, que esta noite foi publicado no site da DGS, e tal como aconteceu com o do ano passado “contempla um conjunto de estratégias que serão implementadas face aos possíveis cenários para o período de outono e inverno. O objectivo é fornecer uma resposta eficiente e coordenada, reduzindo o potencial impacto deste período na saúde da população em geral e, em especial, nos grupos de risco”.

Especificando até que este plano Outono Inverno para 2021-2022, foi elaborado para “orientar a operacionalização das respostas à população quer ao nível central, regional e local, assentando em três linhas estratégicas principais: vigilância e intervenção em Saúde Pública; vacinação e gestão de casos”, embora depois tais estratégias se estendam também às respostas inter-sectorial, literacia e comunicação”. Como refere a nota da DGS, o documento “é dirigido às entidades do Ministério da Saúde e não substitui os planos específicos de reforço da capacidade de resposta e recuperação do sistema de saúde e do Serviço Nacional de Saúde”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
22 Outubro 2021 — 20:49

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

Please follow and like us:
Pin Share