14: 13 dúvidas sobre constipações

O que são, os sintomas, como se previnem, qual o tratamento e quando ir ao médico

Não é de estranhar que, a partir do momento em que chega o frio, as salas de espera de consultórios médicos e urgências comecem a receber inúmeras pessoas com o pingo no nariz.

De facto, todos acabamos por ser enredados nas malhas dos vírus respiratórios e muitas vezes sem percebermos como tal aconteceu. Quantas vezes se assoou no último mês? Pois é, certamente mais do que uma.

Mas se, mesmo assim, não deu grande importância ao assunto e acha que este Inverno ainda não esteve constipado, está na altura de saber de que falamos quando o assunto é constipações.

O que é uma constipação?

Uma constipação é uma infecção das vias respiratórias superiores provocada por um vírus. O que pode tornar uma constipação mais complicada é o facto de poderem ter na sua origem vários tipos de vírus.

Quais são os vírus mais comuns?

Nos adultos, os mais comuns são o rinovírus e o coronavírus, nas crianças o vírus sincial respiratório, o para-influenza e o adenovírus.

Quais são os sintomas da constipação?

A constipação pode provocar conjuntivite, rinite – inflamações dos olhos e do nariz – faringite, tosse, pode dar alguma rinorreia (aquilo a que as pessoas chamam habitualmente «ranho»), muito raramente febre, alguma prostração, dor de garganta e dor de cabeça.

Qual é a diferença entre a constipação e a gripe?

O quadro de sintomas da constipação não é tão intenso como o da gripe. A gripe provoca sempre febre e uma grande fraqueza, um enorme mal-estar geral e dores musculares. Aliás, quando temos constipações andamos todos de pé e a trabalhar e quando temos outro tipo de infecção respiratória, nomeadamente uma gripe, ficamos em casa na cama..

Mas a febre pode surgir quando nos constipamos?

A partir dos cinco anos é muito raro que a constipação provoque febre, apesar de em algumas situações isso acontecer. Mesmo nesses casos é uma febre ligeira e de pouca duração, porque este é um dos sintomas que melhor distingue a constipação da gripe.

Uma pessoa pode constipar-se mais do que uma vez por ano?

Sim, isto porque na origem de uma constipação podem estar vários tipos de vírus respiratórios próprios do homem, em que este funciona como seu hospedeiro natural. Estes vírus circulam entre as populações e facilmente se transmitem. No entanto, esta doença é mais comum nos meses frios, no Outono, Inverno e início da Primavera.

Qual é o meio de transmissão desta doença?

A forma mais frequente é através de gotículas de saliva através do ar ou de mãos contaminadas (quando se utilizam para pôr à frente da boca).

Quais são os principais factores de risco para que nos constipemos?

Um forte factor de risco são os locais fechados como os transportes públicos, pois basta estarem duas ou três pessoas a espirrar ou a tossir para poder haver transmissão. Aconselha-se a que as pessoas não se aglomerem em sítios fechados, como tendas, salas ou transportes públicos. Os locais devem ser sempre ventilados e arejados.

E as correntes de ar são perigosas?

A maioria das pessoas tem muito medo das correntes de ar e de andar descalço pela casa e, apesar de não ser aconselhável que sejamos submetidos a mudanças de temperaturas bruscas para não favorecer a instalação dos vírus no nosso organismo, no caso das constipações é preferível estar perto de uma janela aberta do que num local fechado e sem ventilação.

As crianças estão mais propensas a ficar constipadas do que os adultos?

As crianças têm mais probabilidade de sofrer uma constipação porque a sua imunidade é mais fraca e o mesmo acontece com os idosos. Por outro lado, as crianças podem ser mais vulneráveis por estarem sujeitas a uma série de outros agentes para os quais ainda não criaram defesas ou por terem outras complicações respiratórias que, quando associadas a uma constipação, podem provocar sintomatologia muito exuberante.

Como se pode prevenir uma constipação?

Estes vírus estão amplamente disseminados entre nós e é difícil escapar a uma constipação. As medidas são as regras de higiene normais, uma boa alimentação, não estar sujeito a muito stress, não ter outro tipo de patologias, não estar em sítios fechados com muita gente e sem arejamento das instalações. Tudo isso favorece o não aparecimento, mas não nos torna completamente resguardados.

Quando se deve ir ao médico?

Nesta época, a concentração de doentes nas salas de espera é enorme, podendo agravar a situação do doente. Aconselha-se que as pessoas que estejam doentes e que não tenham febre nem um grande mal-estar, a não irem directamente ao médico. Isto porque, nas salas de espera dos médicos (sítios fechados), estão outros doentes com outros vírus, portanto a probabilidade de passarem o seu vírus para outras pessoas é grande e vice-versa. Antes de ir ao médico, pode aconselhar-se junto da linha Saúde 24 (telefone: 808 24 24 24).

Em que consiste o tratamento da constipação?

Ao contrário das bactérias, para estes vírus não há medicamentos específicos, a única solução é o uso de terapêuticas sintomáticas, ou seja, para tirar os sintomas. Podem pôr-se pingos nos olhos, soro no nariz, tomar um analgésico se a garganta doer, tomar alguma coisa para baixar a febre no caso desta existir. São terapêuticas para nos dar algum bem-estar, mas daqueles quatro ou cinco dias de constipação ninguém se livra.

Texto: Lúcia Vinheiras Alves

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13: Gripes e constipações

As melhores maneiras de as prevenir

Apesar da constipação comum e da gripe serem duas infecções causadas por vírus e provocarem um aumento da mucosidade, lacrimejo, espirros ou tosse, nem todos os seus sintomas coincidem. Os vírus que provocam estas duas infecções respiratórias altas são diferentes.

O processo gripal caracteriza-se por produzir uma temperatura corporal elevada, mal-estar geral e, por vezes, estomacal, dores no corpo e de cabeça, espirros e perda de apetite.

O seu vírus é mais contagioso do que o da constipação. Para além disso, afecta a população em geral, pode ter consequências graves, obrigar à hospitalização e levar à morte. A constipação comum apresenta, sobretudo, manifestações respiratórias como aumento de mucosidade e tosse, congestão e secreção nasal, sensação de picadas e ardor na garganta, mas não produz febre e o mal-estar é mais leve. A constipação afecta mais as crianças, dura menos tempo e as suas complicações são muito menos frequentes.

São ambas causadas por vírus (ainda que vírus diferentes), são muito contagiosas, têm uma alta incidência sobre a população e atacam nas estações frias. Chegam através das vias respiratórias e causam um grande mal-estar. Uma vez contraídas, a única coisa a fazer é aliviar os seus sintomas e reduzir a duração ou a intensidade do processo. Existem medidas eficazes para não as contrair ou para diminuir a sua intensidade. Apenas tem de as pôr em prática.

Estas duas infecções costumam ser confundidas. No entanto, não são a mesma coisa. Coincidem apenas no facto de saturarem as consultas médicas e de ainda estarem envoltas em muito desconhecimento.

De qualquer das formas, apesar da sua incubação, sintomas, evolução e tratamentos apresentarem certas diferenças, as medidas de prevenção são muito semelhantes, com uma excepção, só a gripe pode ser prevenida através da vacinação anual. Apesar destas medidas de protecção não serem eficazes a 100% (nem mesmo a vacina contra a gripe), ajudam a minimizar a possibilidade de contágio.

Se faz parte daquele grupo de pessoas que não prestam atenção aos conselhos médicos ou que, simplesmente, não os seguem, por acharem que se tiverem de adoecer, adoecem mesmo, independentemente daquilo que fizerem (como se fosse uma imposição do destino) está completamente enganado. O primeiro passo consiste em acreditar que a prevenção é eficaz, porque realmente funciona! Eis as 11 medidas higiénicas e naturais que pode adoptar para que os germes o respeitem:

1. Evite as aglomerações em lugares fechados

As mudanças na humidade relativa do ar fazem com que os vírus se multipliquem e penetrem mais facilmente nas mucosas nasais. Os ambientes fechados e lugares com muito fluxo de pessoas, como os centros comerciais, salas de espectáculos ou estádios e transportes públicos, aumentam as possibilidades de contágio, pelo que convém evitá-los.

2. Cuidado com os ambientes extremos ou mutáveis

Apesar do frio favorecer as infecções virais, não é o seu único elemento desencadeante. As mudanças bruscas de temperatura, como as que ocorrem ao passar de zonas climatizadas (no carro ou lugares fechados) para as condições naturais do ar livre, bem como as condições exageradas de secura ou humidade, favorecem a proliferação de vírus no ambiente e uma maior vulnerabilidade das nossas membranas aos seus ataques.

3. Afaste-se dos cigarros. Dos seus e dos alheios!

Os fumadores têm mais possibilidades de contrair uma infecção, tal como as pessoas que convivem habitualmente em ambientes com fumo. Fumar baixa as defesas do aparelho respiratório e da actividade imunológica em geral, favorecendo a entrada dos vírus e o facto de inspirar o fumo, mesmo de forma passiva, irrita os tecidos respiratórios, tornando-os mais vulneráveis.

Apesar de ser impossível viver em condições de isolamento (a única forma de evitar um contágio), pode-se evitar os ambientes com atmosferas carregadas.

4. Mantenha uma boa higiene

Lave as mãos frequentemente e, em especial, depois de estar em contacto ou cumprimentar uma pessoa que possa estar infectada. Tente não tocar nos olhos, nariz ou boca se não tiver antes oportunidade de as limpar convenientemente, já que o vírus pode chegar até si, após tocar em objectos contaminados. Se não tiver água, utilize um desinfectante de mãos (sem enxaguar).

5. Tome precauções perante pessoas infectadas

Quando o inimigo está em casa, limpe e desinfecte com frequência as superfícies onde a pessoa constipada ou engripada tocou, como as maçanetas das portas, os corrimãos das escadas, as mesas ou copos. Evite partilhar toalhas, loiças e utensílios e, sobretudo, não toque nos seus lenços, um autêntico viveiro de vírus. Os beijos, ou partilhar o mesmo alimento também não são recomendáveis porque o contacto é mais directo.

6. Actividade física regular

Caminhar uma hora por dia, treinar no ginásio duas vezes por semana ou andar de bicicleta, bem como a prática de qualquer exercício moderado em geral, reduz de forma significativa o risco de contrair este tipo de doenças. As pessoas com uma vida fisicamente activa têm o seu sistema imunológico mais bem preparado para se defenderem da imensidão de vírus que existem no ambiente e que nos podem atacar a qualquer momento.

7. Conheça as formas de contágio

As gotas de saliva expelidas ao falar, tossir ou espirrar são as principais causas de contágio. São partículas com vírus que chegam aos 20-25 m metros de distância.

Não desaparecem imediatamente, permanecem activas no ar que respiramos, nos objectos que nos rodeiam e na pele, durante bastante tempo.

São mais contagiosas durante os primeiros dias da doença, mas depois o seu poder de infecção decresce.

8. Se as suas defesas baixarem, esteja alerta!

As possibilidades de contágio e de complicações provocadas pela gripe e pela constipação são maiores nas crianças, que têm as suas defesas imaturas, e nos idosos, que as têm debilitadas. Nas pessoas com doenças crónicas, como diabetes, asma, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), doenças cardíacas ou pulmonares, ou que têm as suas defesas diminuídas por qualquer outro motivo, a infecção pode ter complicações bem mais graves. Nestes casos convém levar as precauções ao extremo e consultar o médico.

9. Vírus sob controlo em ambiente humidificado

Manter as vias respiratórias húmidas e uma temperatura ambiental moderada, entre os 18 e os 20 graus, evita que as mucosas fiquem ressequidas e, por conseguinte, com fraca capacidade protectora. O vapor emitido pelo humidificador eléctrico humedece as membranas mucosas do nariz e da garganta, facilitando a captura e a expulsão dos germes. No caso de crianças com menos de dois anos e dos lactentes, é aconselhável fazer-lhes uma limpeza periódica com soro fisiológico e um aspirador nasal. As inalações de eucalipto também são benéficas.

10. Beba líquidos com abundância

A hidratação é o mucolítico mais poderoso, ou seja, faz com que as secreções nasais sejam mais fluídas e capturem e bloqueiem os germes. Beba entre 1,5 e 2 litros de líquidos por dia (água, caldos, sumos de fruta, etc), e deixe de lado os refrescos, as colas e as bebidas com cafeína, e em especial o álcool porque provoca desidratação.

Comer rebuçados de mentol, por exemplo, também é benéfico, pois aumentam a secreção de saliva, amolecendo a dureza da mucosa faríngea, o que reduz a irritação nesta zona.

11. Equinácia e propólis

«Apesar de não existir qualquer evidência científica sobre o carácter preventivo destas duas substâncias, há quem refira resultados positivos com o seu uso», refere Isabel Santos, regente da disciplina de Medicina Geral e Familiar na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa. A equinácia é uma planta medicinal que se considera ser estimulante das defesas naturais, pela sua acção na produção e actividade dos macrófagos, linfócitos, leucócitos e outras células que combatem os vírus, ajudando a impedir que as infecções se desenvolvam. Nesta circunstância, recomenda-se começar o tratamento 15 dias antes do início da época fria, com gotas ou comprimidos.

Outra opção para reforçar a prevenção é o propólis, uma substância elaborada pelas abelhas, que se utiliza como agente preventivo devido às suas propriedades activadoras do sistema imunológico. É considerado por alguns como um antivírico potente, eficaz para proteger das doenças das vias respiratórias superiores e inferiores. Para além disso, é revigorante e contém vitaminas, aminoácidos essenciais e minerais.

Relaxamento e vitamina C para combater o stress

Desportos intensos, trabalhos exigentes, épocas de exames, situações conflituosas, excesso de esforço físico e mental, ritmo de vida vertiginoso, problemas financeiros.

O stress deprime o sistema imunológico, facilitando o contágio das infecções respiratórias. Qualquer técnica de relaxamento, desde a meditação ao yoga, até às respirações profundas e os alongamentos ajudam a contrariar os seus efeitos negativos e a reforçar a barreira defensiva contra o vírus.

Por outro lado, e apesar de alguns estudos descartarem a hipótese da vitamina C ajudar a prevenir as doenças virais na população em geral, os especialistas concordam que as pessoas submetidas a um stress contínuo ou severo podem beneficiar com o seu consumo e reduzir o risco de adoecer.

Apesar do papel protector dos suplementos vitamínicos não ser claro, há um consenso relativamente ao facto da ingestão desta vitamina antioxidante através dos alimentos ajudar a aumentar a resposta do sistema imunológico perante o vírus. Por isso, continua a ser aconselhável reforçar a ingestão de vitamina C, durante os meses de maior risco, através de frutas e dos seus sumos, especialmente citrinos e quivis, e de verduras, como batata-doce, couves, pimentos, espinafres, tomate, batatas cozidas com casca e vegetais verdes no geral.

Vacina contra a gripe

A imunização é a melhor arma para combater a gripe em grupos de pessoas com um risco acrescido. Para saber se deve vacinar-se deve falar com o seu médico.

A imunização está indicada, sobretudo, para pessoas com mais de 65 anos, doentes crónicos (pulmonares, cardiovasculares ou metabólicos), pessoas imuno-deprimidas e grupos expostos a contrair ou a propagar a doença, como profissionais de saúde, professores, assim como pessoas que vivam em lares ou estejam em contacto com pacientes de risco.

Os vírus da doença mudam aos poucos e a vacina é modificada todos os anos, para que seja o mais eficaz possível, razão pela qual o facto de se ter vacinado no ano anterior não confere protecção para o ano em curso. O início da campanha de vacinação determina a época em que o vírus começa a circular. Normalmente ocorre em finais do Outono e princípios do Inverno.

A protecção da vacina antigripal pode durar até um ano e chegar aos 70 a 90%, apesar de depender da idade e saúde da pessoa, e da semelhança entre os vírus circulantes e os da vacina. Em todo o caso, consegue reduzir a gravidade da gripe, no caso de contrair a doença. A vacina, que é administrada numa dose, começa a fazer efeito passadas duas semanas após a sua aplicação, pelo que convém recebê-la quando os vírus começam a circular, se bem que é igualmente útil se for administrada mais tarde.

Algumas pessoas têm uma leve reacção à vacina que surge entre as seis e as 12 horas seguintes e que consiste em febre, mal-estar e outros sintomas que podem ser confundidos com uma infecção gripal. Esta reacção desaparece em 24 ou 48 horas. «A vacina da gripe não confere imunidade para a vulgar coriza (inflamação aguda da mucosa nasal) ou constipação. Por isso não espere que a vacine lhe traga um ano sem constipações. Isso poderá não acontecer», conclui Isabel Santos.

Texto: Madalena Alçada Baptista com Isabel Santos (regente da disciplina de Medicina Geral e Familiar na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa)

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12: É hipertenso?

Saiba se pode tomar medicamentos de venda livre para as constipações

De um modo geral, os medicamentos que se destinam a aliviar os sintomas de constipações possuem uma composição complexa, isto é, possuem mais do que uma substância activa.

Os mais comuns possuem uma substância com propriedades analgésicas e antipiréticas (para a febre), uma substância anti-histamínica (antialérgica) e uma substância descongestionante nasal.

O analgésico antipirético destina-se a aliviar as dores corporais e a febre que podem acompanhar a constipação, o anti-histamínico alivia a rinorreia (corrimento nasal), sintoma habitual na constipação, e o descongestionante alivia a congestão nasal, vulgarmente designado por «nariz tapado ou entupido».

Acontece que este descongestionante alivia a congestão nasal pelo seu efeito vasoconstritor, o que, por consequência, pode ocasionar aumento da pressão arterial.

Nestas condições, os medicamentos que possuem vasoconstritores para aliviar a congestão nasal não devem ser tomados por doentes hipertensos, dado o risco de descompensarem a pressão arterial, isto é, o doente pode apresentar aumento da pressão arterial mesmo que mantenha o seu tratamento habitual.

Assim, recomenda-se que um doente com hipertensão não tome medicamentos para a constipação que possuam o vasoconstritor.

Texto: Maria Augusta Soares (professora na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa)

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11: O que é a tensão (pressão) arterial?

O que acontece no nosso corpo e os valores que denunciam a hipertensão arterial

A hipertensão arterial (HTA) é o problema de Saúde Pública mais importante em Portugal, sendo responsável por elevado número de complicações cardiovasculares.

Os valores da pressão arterial de cada indivíduo são determinados pela pressão a que o sangue circula nas artérias do organismo, em consequência da acção de bombeamento que o coração efectua por pulsação.

Assim, de cada vez que o coração se contrai (sístole), o sangue é expelido através da artéria aorta. A pressão máxima atingida durante a expulsão do sangue é a chamada pressão sistólica (pressão máxima). Em seguida, a pressão dentro das artérias vai descendo à medida que o coração se relaxa. A pressão mais baixa atingida é a chamada pressão diastólica (pressão mínima).

A pressão ou tensão arterial de cada indivíduo varia de momento a momento em resposta às diferentes actividades e emoções. É importante saber-se que, em alguns indivíduos, a pressão arterial se eleva no acto da medição, só pela presença do médico (reacção de alarme), sendo então chamada de «hipertensão de bata branca».

Por este motivo, é por vezes difícil ao médico decidir, numa única visita, se um determinado indivíduo é hipertenso. No entanto, a pressão arterial tem tendência a baixar para os valores habituais do indivíduo à medida que ele se habitua às manobras de medição e ao médico, em visitas sucessivas.

Torna-se por isso necessário, sobretudo com níveis tensionais só ligeiramente elevados, que o doente seja observado em várias visitas, durante alguns meses, antes que o diagnóstico de hipertensão e a sua terapia possam ser estabelecidos com segurança. Durante esse período de espera, em que, aliás, não se devem administrar medicamentos, o indivíduo suspeito de hipertensão arterial deve iniciar um programa de medidas não farmacológicas, que adiante descreveremos.

Considera-se que um indivíduo é hipertenso quando tem uma pressão arterial repetidamente superior ou igual a 140mmHg para a sistólica e/ou 90mmHg para a diastólica.

No entanto, para certos doentes, como os diabéticos e os renais ou já com doença cardiovascular, recomenda-se que tenham valores inferiores a 130/80mmHg.

Não existe uma definição claramente estabelecida para os valores da pressão arterial nas crianças. No entanto, considera-se, geralmente, que os valores tensionais acima 110/70 mmHg, devem ser considerados suspeitos, antes dos 10 anos de idade.

Com a idade a pressão arterial tem tendência a subir. Todavia a pressão arterial elevada no idoso não deve ser considerada normal.

Texto: Prof. Manuel Carrageta , médico cardiologista e presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia

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10: Riscos da hipertensão arterial

As principais doenças associadas à hipertensão arterial e as lesões que pode causar em diversos órgãos vitais

A hipertensão arterial é um factor de risco importantíssimo de doença cardiovascular e a principal causa de morte e incapacidade no nosso País

Hoje, reconhece-se que a adopção de um estilo de vida saudável pode prevenir, pelo menos em parte, o aparecimento de hipertensão arterial (HTA). Por outro lado, sabe-se que existe um enorme potencial para reduzir a incidência de doença e de morte cardiovascular se a HTA for detectada precocemente e controlada adequadamente. Está bem demonstrado que uma pressão arterial sistólica (PAS) superior a 160mmHg ou uma diastólica (PAD) superior a 95mmHg triplicam o risco de acidente vascular cerebral, duplicando também o risco de doença coronária.

Nos primeiros anos, a HTA não provoca geralmente quaisquer sintomas ou sinais de doença, à excepção dos valores tensionais elevados detectáveis através da medição da pressão arterial, o que levou a que se apelidasse a HTA de «assassino silencioso». Contudo, com o decorrer dos anos, a pressão arterial acaba por lesar os vasos sanguíneos e os principais órgãos vitais do organismo, ou seja o cérebro, o coração e o rim, provocando sintomas e sinais.

As principais doenças associadas à HTA, e por ela causadas, são:

– Acidente vascular cerebral

– Cardiopatia isquémica, incluindo angina de peito, enfarte do miocárdio e morte súbita

– Insuficiência cardíaca

– Aneurisma dissecante da aorta

– Insuficiência renal

Esta doença pode levar a graves lesões dos órgãos vitais, tais como:

– Diminuição gradual da função do órgão, devido a um fornecimento insuficiente de sangue. Esta diminuição ou perda da função pode ser rápida e maciça quando um vaso estreitado se fecha completamente, se rompe ou é obstruído por um coágulo, interrompendo totalmente o fornecimento de sangue ao órgão. A consequência pode ser, por exemplo, um enfarte do miocárdio, um acidente vascular cerebral ou uma gangrena do pé, de acordo com o território afectado.

– A parede arterial enfraquecida pela pressão arterial elevada pode ceder e dilatar-se, formando um pequeno balão, que chamamos aneurisma.

Se isto acontecer, na artéria aorta ou numa artéria do cérebro, poderá ocorrer uma crise cardiovascular que põe em risco a vida do indivíduo.

– A HTA obriga o coração a trabalhar mais para bombear o sangue através dos vasos. Este maior esforço leva o coração a hipertrofiar-se e, finalmente, a dilatar-se.

Como consequência pode surgir insuficiência cardíaca (quando o coração já não consegue bombear sangue suficiente para satisfazer as necessidades do organismo).

Por outro lado, o fluxo de sangue ao músculo cardíaco pode tornar-se insuficiente surgindo angina de peito.

Texto: Prof. Manuel Carrageta , médico cardiologista e presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia

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9: A ameaça silenciosa da hipertensão

Surge sem apresentar sintomas mas pode ser controlada. Nós dizemos-lhe como

Sabia que a hipertensão arterial é um factor de risco importantíssimo de doença cardiovascular e a principal causa de morte e incapacidade no nosso país?

É verdade. Um estudo realizado em Portugal revelou que apenas onze por cento dos doentes hipertensos portugueses têm a sua pressão arterial correctamente controlada. Esta investigação concluiu ainda que no nosso país existem 42% de hipertensos.

Desses,apenas 39% estão a ser tratados. Preocupante, não acha? Mas, segundo a Fundação Portuguesa de Cardiologia, «hoje sabe-se que a adopção de um estilo de vida saudável pode prevenir, pelo menos em parte, o aparecimento de hipertensão arterial. Por outro lado, sabe-se que existe um enorme potencial para reduzir a incidência de doença e de morte cardiovascular se a hipertensão arterial for detectada precocemente e controlada adequadamente». Não quer dar o exemplo?

Alerta vermelho

Antes de mais, interessa perceber o que é a pressão arterial. De acordo com a definição do «Pequeno Larousse da Medicina», a pressão arterial é «a pressão pulsada que resulta da contracção regular do coração (quase todos os segundos) e que cria um sistema de forças que propulsa o sangue em todas as artérias do corpo», pode ler-se.

A maioria dos médicos considera que 120/80 mmHg é o valor da pressão arterial média normal para adultos. A hipertensão arterial acontece quando, depois de medições repetidas, a pressão arterial permanece igual ou superior a 140/90 mmHg, isto é, acima dos níveis estabelecidos como normais.

As consequências de uma pressão arterial elevada podem ser bastante perigosas. Os hipertensos sofrem um envelhecimento muito mais acelerado do que as pessoas que têm a tensão normal ou baixa e correm riscos muito superiores de vir a sofrer enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência renal ou problemas na retina. Por isso é tão importante tratar e controlar a pressão arterial, no sentido de reduzir o risco de vir a sofrer graves problemas de saúde, aumentar a esperança e a qualidade de vida.

Estado de vigia

A hipertensão não tem cura, mas pode ser tratada e controlada, reduzindo-se o risco de complicações. Uma vez que é uma doença crónica, a forma de a controlar passa por seguir um tratamento permanente, diário, sem interrupções mesmo quando se sente melhor ou os valores voltam à normalidade.

Por outro lado, se mantiver hábitos salutares como uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável, poderá reduzir, ou, em alguns casos, até eliminar a necessidade de tomar medicamentos para manter a pressão arterial controlada.

Uma das maiores dificuldades no controlo e na prevenção da hipertensão arterial, prende-se com o facto de esta ser uma doença que não apresenta qualquer sintoma, a não ser quando evolui para uma situação grave. Se não existir uma vigilância cuidada, muitas pessoas só descobrem que são hipertensas depois de sofrerem alguma consequência grave da doença. Assim, é fundamental medir a pressão arterial com alguma frequência para despistar eventuais complicações, principalmente no caso de existência de obesidade, diabetes, hábitos tabágicos ou história de doença cardiovascular na família.

Tratamento de choque

Não há dúvida que é vantajoso dominar a pressão arterial sem ter de recorrer a medicamentos, ou pelo menos conseguir reduzir a sua dosagem. Quando se trata de uma hipertensão ligeira, adoptar algumas medidas saudáveis pode ser suficiente para baixar a pressão arterial para valores normais e prescindir de fármacos.

Muitas pessoas conseguem-no através da perda do peso em excesso, restrição na ingestão de sal e dominando o stress e a ansiedade. Outra regra obrigatória é a prática de exercício físico. A verdade é que desenvolver uma actividade física regular pode reduzir significativamente a pressão arterial. Qualquer que seja o exercício escolhido, deve incluir movimentos cíclicos como a marcha, corrida, natação e dança.

Caminhar um pouco, diariamente, é outra sugestão que pode encaixar na sua rotina, assim como pequenos esforços como preferir as escadas ao elevador e aproveitar o fim de semana para dar um passeio a pé mais prolongado.

Cigarro encerrado

Não menos importante é deixar de fumar ou, pelo menos, reduzir a quantidade de cigarros. Lembre-se que o tabaco, um forte aliado da hipertensão, além de ser prejudicial para os pulmões, anda de mãos dadas com as doenças cardiovasculares. Assim, não há motivo mais forte do que este para deixar definitivamente de fumar.

Ao eliminar este hábito, o seu coração e pulmões começarão a funcionar bastante melhor, beneficiando o seu organismo de uma maneira geral. Desengane-se se pensa que o tabaco já provocou muitos estragos e que a sua saúde não vai melhorar por largar o vício.

Fique a saber que, decorrido um ano depois de deixar de fumar, diminui em cinquenta por cento a possibilidade de sofrer um ataque cardíaco, além do mais, o risco de morte por outras doenças também é reduzido com o tempo. Independentemente da sua idade ou do tempo durante o qual fumou, deixar este mau hábito pode efectivamente melhorar a sua saúde global e aumentar a sua esperança de vida.

Atenção à tensão

Cuidados a ter para conseguir dominar a pressão arterial elevada:

  • Controle regularmente a sua pressão arterial
  • Reduza o consumo de bebidas alcoólicas e deixe de fumar Vigie o seu peso
  • Pratique exercício físico
  • Evite alimentos ricos em gorduras saturadas e o sal
  • Fuja às situações de stress e encare a vida com descontracção

Os acusados

Factores que estão associados ao aparecimento de hipertensão:

– História familiar
Se os progenitores forem hipertensos, o risco dos filhos virem a ter hipertensão aumenta perto de cinquenta por cento.

– Idade
A hipertensão poder surgir em qualquer faixa etária, embora seja mais comum nos adultos. Cerca de metade das pessoas com mais de sessenta e quatro anos são hipertensas.

– Excesso de peso
A pressão arterial elevada é mais frequente em pessoas com excesso de peso ou obesas.

– Outros factores
Ingestão excessiva de sal, diabetes, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, vida sedentária e/ou tabagismo.

A responsabilidade editorial desta informação é da revista

Texto: Sónia Gomes Costa

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