1063: Há vacinas mas a situação em Portugal é pior que há um ano

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VACINAS/SITUAÇÃO

Novos mortos por dia, novos infectados por dia, internamentos gerais e internamentos nos cuidados intensivos. Os números desmentem a tese de que hoje a situação pandémica é melhor do que há um ano. Falso: a situação é pior.

Pressão da pandemia sobre o SNS é hoje maior do que há um ano
© Artur Machado / Global Imagens

O avanço da vacinação – com os números a aproximarem dos 85 por cento, fasquia para o desconfinamento total – tem criado a percepção de que actualmente a situação pandémica é melhor do que a de há um ano. A verdade crua dos números mostra, porém, o contrário: nos quatro mais importantes indicadores (ver infografia em baixo), Portugal está hoje pior do que Setembro de 2020.

O DN comparou os números específicos relativos a 9 de Setembro: nesse dia, em 2020, morriam três pessoas; agora morreram dez. O número de novos infectados por dia era de 646; agora é mais do dobro (1408). O número de pessoas internadas era de 392 e agora 569; e as pessoas internadas em unidades de cuidados intensivos são mais do dobro; 52 contra 118.

Estes dados objectivamente desmentem a tese que o avanço da vacinação fez melhorar a situação pandémica: morre-se mais, há mais novos infectados por dia, maior pressão sobre o SNS. O que o avanço da vacinação então poderá eventualmente determinar é que, quando o inverno chegar, a pandemia não terá a progressão absolutamente alucinante que aconteceu no início deste ano, muito por culta do desconfinamento especial determinado pelo Governo no Natal. Os dias 28 e 31 de Janeiro foram os piores da pandemia em Portugal: 303 mortos em cada um desses dias. Este é um cenário que nenhum perito em Portugal prevê que se repita.

Comparação de dados Setembro 2020 com Setembro 2021
© Infografia DN

Ontem a DGS e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) divulgaram o chamado o relatório das “linhas vermelhas”. Portugal regista uma situação pandémica de covid-19 de “moderada intensidade”, mas com uma tendência decrescente em todo o país e na pressão sobre os serviços de saúde.

“A análise dos diferentes indicadores revela uma actividade epidémica de infecção por SARS-CoV-2 de moderada intensidade, com tendência decrescente a nível nacional, assim como na pressão sobre os serviços de saúde e na mortalidade por covid-19”, refere o documento.

Segundo o relatório, o número de novas infecções por cem mil habitantes, acumulado nos últimos 14 dias, foi de 231 casos, e apenas o Algarve regista uma incidência superior ao limiar de 480.

O grupo das pessoas entre os 20 a 29 anos apresenta o valor mais elevado neste indicador, com 479 casos, mas também a diminuir, e a faixa etária dos idosos com 80 ou mais anos registou uma incidência cumulativa a 14 dias de 116 casos por cem mil habitantes, o que “reflete um risco de infecção inferior ao risco da população em geral, com tendência decrescente”.

Relativamente aos serviços de saúde, o número de pessoas com covid-19 internadas em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) no continente está a decrescer, correspondendo a metade do valor crítico definido de 255 camas ocupadas, quando na semana anterior era de 55%.

Na quarta-feira, estavam em UCI 127 doentes, adianta o relatório, que avança ainda que a proporção de testes positivos foi de 3,1 por cento, encontrando-se abaixo do limiar definido de quatro por cento.

No que se refere à mortalidade atribuída à covid-19, apresenta também uma “tendência estável a decrescente”, com 14,1 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, o que corresponde a um decréscimo de 03% relativamente à semana anterior. Este valor é inferior ao limiar de vinte óbitos definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC).

“Observou-se uma diminuição do número de testes para detecção de SARS-CoV-2 realizados nos últimos sete dias”, com um total de 314.823 despistes da covid-19, contra os 346.320 realizados na semana anterior, indicam ainda os dados da DGS e do INSA.

O relatório refere ainda que mais de 29 mil pessoas com a vacinação completa contra a covid-19 foram infectadas com o vírus SARS-Cov-2, o que representa 0,4% do total de vacinados, e 309 morreram, mas estes dados são actualizados mensalmente, o que aconteceu pela última vez a 03 de Setembro.

A covid-19 provocou pelo menos 4, 6 milhões de mortos em todo o mundo, entre mais de 223 milhões de infecções, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse. Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 17.843 pessoas. O número total de infectados já é superior a um milhão (1.053.450 casos).

joao.p.henriques@dn.pt

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
11 Setembro 2021 — 01:13

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