947: Youtubers denunciam campanha de fake news contra vacina da Pfizer

Diariamente, quem navega pela Net, encontra-se sujeito a actos criminosos se não tiver o mínimo de cuidado ao aceitar tudo e mais alguma coisa (opiniões, ofertas – ninguém dá nada a ninguém sem um objectivo, etc.). Ainda hoje recebi um e-mail informando que tinha na minha conta (não tenho conta nenhuma no sítio que indicavam), de quase 9.000 bitcoins! E diariamente recebo e-mails de gajos e gajas a quem “morreram” os maridos e querem que eu aceite vários milhões de dólares (com uma comissão), para depois poder transferi-los para as contas deles numa off-shore. CUIDADO com e-mails fraudulentos e informações falsas sem se ter o cuidado de averiguar a proveniência e a veracidade das mesmas.

SAÚDE/FAKE NEWS/ALDRABÕES NA NET

Jean-Francois Monier / AFP

De acordo com a imprensa brasileira, uma agência de marketing terá tentado que influenciadores digitais de todo o mundo partilhassem desinformação sobre as vacinas contra a covid-19.

A denúncia foi feita por alguns dos influenciadores digitais que receberam a proposta e decidiram denunciar a agência de marketing, escreve a BBC.

“Tudo começou com um e-mail”, contou Mirko Drotschmann, um youtuber e jornalista alemão, em declarações à publicação.

Por norma, Drotschmann ignora as ofertas que recebe de diversas marcas, que lhe pedem para partilhar os produtos com os seus mais de 1,5 milhões de seguidores. Mas, em maio deste ano, recebeu uma proposta diferente de qualquer outra.

Uma agência de marketing, chamada Fazze, pediu-lhe que partilhasse informações falsas, que sugeriam que a taxa de mortalidade entre as pessoas que recebiam a vacina da Pfizer era quase três vezes maior que a de quem era vacinado com a da AstraZeneca.

Já em França, a denúncia foi feita por Léo Grasset, um youtuber a quem a agência ofereceu dois mil euros para que partilhasse a informação “de um cliente que desejava permanecer anónimo”.

“É um grande indício de que algo estava errado“, disse Grasset.

Tanto Grasset como Drotschmann ficaram revoltados e decidiram fingir interesse na proposta para descobrir o que estava por trás.

Num inglês que não parecia natural, receberam então um briefing que os instruía a agir como se tivessem “paixão e interesse neste tópico”.

O documento pedia ainda que não mencionassem que o vídeo tinha um patrocinador e que fingissem que estavam simplesmente a dar conselhos espontâneos — apesar de as diversas redes sociais terem regras que proíbem a não divulgação de que o conteúdo é patrocinado.

Dados fora de contexto

Além disso, as instruções da Fazze pediam que os influenciadores partilhassem uma notícia do jornal francês Le Monde sobre uma fuga de informação da Agência Europeia de Medicamentos — a fuga de informação era verdadeira, mas o texto não falava sobre taxas de mortalidade.

As “informações” que os influenciadores teriam de partilhar eram, na verdade, uma mistura feita a partir de diferentes fontes e retiradas do contexto. O número de pessoas que morreram em vários países algum tempo depois de terem recebido diferentes vacinas contra a covid-19, por exemplo, era um dado que não estava relacionado com a toma da vacina em si, mas sim com factores externos.

Nos países de origem das estatísticas, um maior número de pessoas tinha recebido a vacina da Pfizer e, portanto, era de esperar que morresse um maior número de pessoas após a vacina da Pfizer do que de outra vacina qualquer — cujas doses tinham sido tomadas por um menor número de pessoas.

Os influenciadores também receberam uma lista de links para compartilhar com os seguidores, da qual faziam parte artigos duvidosos em que todos usavam o mesmo conjunto de números que supostamente mostrava que a vacina Pfizer era perigosa.

Quando Grasset e Drotschmann expuseram a campanha da Fazze no Twitter, todos os artigos, exceto a reportagem do Le Monde, desapareceram da Internet.

Entretanto, pelo menos quatro outros influenciadores de França e da Alemanha revelaram publicamente que também rejeitaram a proposta da Fazze.

Mas o jornalista alemão Daniel Laufer identificou alguns que podem ter aceitado a oferta.

É o caso de Ashkar Techy, um youtuber indiano, e de Everson Zoio, um youtuber brasileiro que publicou um vídeo — posteriormente eliminado —, no qual levantava dúvidas sobre a segurança da vacina da Pfizer.

Zoio conta mais de três milhões de seguidores no Instagram, onde o vídeo sobre a Pfizer foi publicado, e 12,8 milhões no YouTube.

Ambos os youtubers publicaram vídeos nos quais transmitiam a mesma mensagem da campanha da Fazze, compartilhando também links de notícias falsas que estavam nas instruções enviadas pela agência.

A BBC teve acesso ao vídeo publicado por Zoio: “Galera, estou fazendo esse vídeo aqui para passar algumas informações que eu tenho sobre a vacinação, tá ligado?”, perguntou.

“Há algumas coisas que me deixam muito pensativo. Estive vendo alguns artigos e deparei com algo muito preocupante mesmo”, disse antes de partilhar os “dados” sobre a taxa de mortalidade das pessoas inoculadas com a vacina da Pfizer, que seria “três vezes maior que a da AstraZeneca”.

“Chega a ser algo ilógico e muito preocupante mesmo, vocês não concordam? A gente tem que se manter bem informados porque no final de tudo somos nós que vamos ser beneficiados ou até mesmo prejudicados por tudo isso”, continuou.

Depois de Daniel Laufer os contactar, Everson Zoio e Ashkar Techy removeram os vídeos, mas não responderam a perguntas.

ZAP // BBC
Por ZAP
1 Agosto, 2021



© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes