1782: Detectados casos de infecção por vírus Monkeypox em Portugal

– Porra, pá! Já não basta o vírus putineiro, temos agora de levar com o vírus macaco?

SAÚDE PÚBLICA/VÍRUS MONKEYPOX

DGS apela aos “indivíduos que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço” para que procurem aconselhamento clínico.

Foram detectados mais de 20 casos suspeitos de infecção pelo vírus Monkeypox, todos na região de Lisboa e Vale do Tejo, cinco dos quais já confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, adianta a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Os casos, confirmados precisamente esta quarta-feira, foram identificados maioritariamente em jovens, e todos do sexo masculino. Os infectados “estão estáveis, apresentando lesões ulcerativas.”

Segundo comunicado enviado às redacções, a DGS “identificou o alerta e centraliza, nesta fase, todas as acções de detecção, avaliação, gestão e comunicação de risco relacionadas com estes casos, através do Centro de Emergências em Saúde Pública (CESP)”.

“O vírus Monkeypox é do género Ortopoxvírus e a doença é transmissível através de contacto com animais ou ainda contacto próximo com pessoas infectadas ou com materiais contaminados. A doença é rara e, habitualmente, não se dissemina facilmente entre os seres humanos”, indica a nota.

A DGS comunicou esta terça-feira o alerta aos profissionais de saúde, nomeadamente aos médicos e aos enfermeiros, “com o objectivo de identificarem eventuais casos suspeitos e de os notificarem”, e apela aos “indivíduos que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço” para que procurem aconselhamento clínico.

Perante o aparecimento destes sintomas, deverão ser evitados “contactos físicos directos”.

O Reino Unido reportou recentemente casos semelhantes de lesões ulcerativas, com a confirmação de infecção por vírus Monkeypox.

A DGS está a acompanhar a situação a nível nacional e em articulação com as instituições europeias.

Diário de Notícias
DN
18 Maio 2022 — 10:53

 

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Alterações climáticas estão a “criar novos reservatórios de vírus no nosso quintal’

SAÚDE PÚBLICA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/NOVOS VÍRUS

Estudo prevê que até 2070 pelo menos 15 mil estirpes de vírus estarão prontas a cruzar a barreira entre espécies animais, podendo provocar novas pandemias. Morcegos são maior ameaça

Morcegos, apontados como a origem do SARS-CoV-2, promovem maioria dos primeiros contactos entre mamíferos

As alterações climáticas estão a levar os animais a procurarem áreas mais frias e a aumentar os contactos entre espécies, elevando em muito o risco de novos vírus infectarem humanos e de surgirem novas pandemias, alertaram investigadores nesta quinta-feira.

Actualmente, existem pelo menos 10.000 vírus que têm a capacidade de cruzar a barreira das espécies para os humanos, “circulando silenciosamente” entre mamíferos selvagens, principalmente nas profundezas das florestas tropicais, de acordo com um estudo publicado na revista Nature.

Mas, à medida que as temperaturas crescentes forçam esses mamíferos a abandonar os seus habitats nativos, essas espécies (e respectivos vírus) encontrarão outras espécies pela primeira vez, criando pelo menos 15.000 novas estirpes de vírus prontas a cruzar barreiras entre animais até 2070, prevê o estudo.

Esse processo provavelmente já começou e seguirá em curso mesmo que o mundo aja rapidamente para reduzir as emissões de carbono, representando uma grande ameaça tanto para animais quanto para humanos, destacam os cientistas.

“Nós demonstrámos um mecanismo novo e potencialmente devastador para o surgimento de doenças que podem ameaçar a saúde das populações animais no futuro, o que provavelmente também terá ramificações para a nossa saúde”, disse o co-autor do estudo Gregory Albery, ecologista de doenças na Universidade de Georgetown (EUA)

“Este trabalho fornece evidências incontestáveis ​​de que as próximas décadas não serão apenas mais quentes, mas mais doentes”, acrescentou Albery.

O estudo, que durou cinco anos, analisou 3.139 espécies de mamíferos, modelando como os seus movimentos mudariam sob uma série de cenários de aquecimento global e analisando como a transmissão viral seria afectada.

Os investigadores descobriram que novos contactos entre diferentes mamíferos efectivamente duplicariam, com novos encontros entre espécies a ocorrer em todo o mundo, mas particularmente concentrados na África tropical e no Sudeste Asiático.

A ameaça dos morcegos

O aquecimento global também fará com que esses primeiros contactos ocorram em áreas mais populosas, onde as pessoas “provavelmente serão vulneráveis, e alguns vírus poderão se espalhar globalmente, de forma mais fácil, a partir de qualquer um desses centros populacionais”.

Os pontos de contacto inicial mais prováveis ​​incluem o Sahel, as terras altas da Etiópia e o Vale do Rift, Índia, leste da China, Indonésia, Filipinas e ainda alguns centros populacionais europeus, segundo o estudo.

A pesquisa foi concluída apenas algumas semanas antes do início da pandemia de coronavírus, mas enfatizou a ameaça única representada pelos morcegos, na qual acredita-se que o Covid tenha surgido pela primeira vez.

Como o único mamífero que pode voar, os morcegos podem viajar distâncias muito maiores do que os seus “irmãos terrestres”, espalhando doenças à medida que avançam.

Acredita-se que os morcegos já estejam em movimento e o estudo descobriu que eles foram responsáveis ​​​​pela grande maioria dos possíveis primeiros encontros com outros mamíferos, principalmente no Sudeste Asiático.

Mesmo que o mundo reduza massiva e rapidamente as suas emissões de gases de efeito estufa – um cenário que ainda parece um pouco distante – isso pode não ajudar neste problema.

A modelagem mostrou que os cenários de mudança climática mais suaves podem levar até a mais transmissão entre espécies do que os piores cenários, porque o aquecimento mais lento dá aos animais mais tempo para viajar.

‘Já não é evitável’

Os investigadores também tentaram descobrir quando é que esses primeiros encontros entre espécies poderiam começar a acontecer, esperando que fosse no final deste século.

Mas, “surpreendentemente”, as projecções descobriram que a maioria dos primeiros contactos ocorreria entre 2011 e 2040, aumentando constantemente a partir daí.

“Ou seja, isto já está a acontecer. Não é evitável, mesmo nos melhores cenários de mudanças climáticas, e precisamos implementar medidas para construir infra-estruturas de saúde capazes de proteger as populações animais e humanas“, disse Gregory Albery.

Os investigadores enfatizaram que, embora se tenham concentrado em mamíferos, outros animais podem abrigar vírus zoonóticos – o nome de vírus que saltam de animais para humanos. E pediram mais pesquisas sobre a ameaça representada por pássaros, anfíbios e até mamíferos marinhos, já que o degelo marinho permite que eles se misturem mais.

O co-autor do estudo Colin Carlson, biólogo de mudanças globais também em Georgetown, alertou que as alterações climáticas estão a “criar inúmeros focos de risco zoonótico futuro – ou risco zoonótico actual – bem no nosso quintal”. “Temos que reconhecer que a mudança climática será o maior factor a originar o surgimento de doenças, e temos que construir sistemas de saúde que estejam prontos para isso”.

Diário de Notícias
DN/AFP
28 Abril 2022 — 17:35


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

 

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1676: Ébola pode “esconder-se” no cérebro após tratamento e causar infecções recorrentes

SAÚDE PÚBLICA/ÉBOLA/VIROLOGIA

NIAID / FLickr
Imagem do vírus do Ébola obtida com microscopia electrónica da superfície de uma célula epitelial do fígado de um macaco africano

O vírus do Ébola pode esconder-se no cérebro de macacos que recuperaram após tratamento médico sem causar sintomas e levar a infecções recorrentes.

O Ébola é uma das ameaças de doenças infecciosas mais mortais conhecidas pela humanidade, com uma taxa média de mortalidade de cerca de 50%.

É conhecido por um alto nível de persistência viral, o que significa que o vírus permanece à espreita no corpo mesmo após a recuperação do paciente. Mas onde fica esse esconderijo permanece, em grande parte, um mistério.

Em 2021, houve três surtos de Ébola em África, todos ligados a sobreviventes infectados anteriormente. O Ébola também ressurgiu na Guiné no mesmo ano, associado a um sobrevivente do surto de 2013-2016.

Os cientistas queriam entender melhor onde é que o vírus se “esconde” no corpo dos sobreviventes e o que é que desencadeia infecções recorrentes. Os resultados do estudo foram publicados na revista Science Translational Medicine.

Assim, examinaram 36 macacos-rhesus que foram tratados para o Ébola com terapia de anticorpos monoclonais, um tipo de tratamento que ajuda o sistema imunitário a montar um ataque contra a infecção. Esses macacos foram considerados totalmente recuperados sem sintomas de infecção ou vírus detectável no sangue.

Quando examinaram mais de perto os tecidos de diferentes órgãos ao microscópio, no entanto, descobriram que cerca de 20% dos macacos recuperados ainda tinham o vírus visível localizado exclusivamente no sistema ventricular do cérebro.

Esta região do cérebro produz, circula e armazena o líquido cefalorraquidiano, que protege, fornece nutrientes e remove os resíduos do cérebro.

É importante realçar que, apesar de serem assintomáticos no início do estudo, dois dos macacos observados desenvolveram sintomas de Ébola antes de morrerem 30 e 39 dias após a infecção inicial, respectivamente.

As descobertas sugerem que o vírus do Ébola pode esconder-se nos cérebros dos sobreviventes mesmo após o tratamento, e o vírus pode reactivar-se e causar infecções fatais mais tarde.

O tratamento com anticorpos monoclonais é o padrão actual de tratamento para o Ébola. Mas infecções recorrentes podem ocorrer mesmo após tratamento aparentemente bem-sucedido, e os pacientes podem transmitir inadvertidamente o vírus e causar novos surtos.

O novo estudo reforça a importância do acompanhamento médico cuidadoso de longo prazo de sobreviventes do Ébola tratados com sucesso para combater o custo individual e de saúde pública da doença recorrente.

Os cientistas não sabem porque é que o vírus persiste no cérebro e causa infecções recorrentes. Também não é claro se essa persistência pode estar relacionada com tratamentos com anticorpos monoclonais e se outros tipos de terapias, como antivirais, podem produzir um efeito diferente.

ZAP
22 Março, 2022

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1480: Cientistas estão a criar vírus de auto-propagação como vacinas. Consequências podem ser “irreversíveis”

– Não terá sido assim que o coronavírus SARS-CoV-2, Covid-19, se espalhou pelo Mundo?

SAÚDE PÚBLICA/VIROLOGISTAS/AUTO-PROPAGAÇÃO

herraez / Canva

Cientistas nos EUA e na Europa podem estar a criar perigosos vírus de auto-propagação na batalha para desenvolverem vacinas e insecticidas. E estas pesquisas podem ter “consequências irreversíveis” para o planeta, como alerta um estudo internacional.

Uma equipa internacional de investigadores liderada pelo King´s College London lança um alerta quanto ao desenvolvimento de vírus de auto-propagação, em laboratório, para motivarem a sua disseminação fácil entre hospedeiros.

Esta prática em sido usada na Agricultura para criar “insecticidas”, para proteger as colheitas, ou como “vectores para modificar colheitas plantadas”, no sentido de espalhar a imunidade de um hospedeiro para outro, conforme se refere no estudo agora publicado pela revista Science.

Na Saúde, estes vírus têm sido “promovidos como vacinas” para animais, notam ainda os investigadores, referindo-se ao seu uso para limitar a propagação de doenças e para evitar a transferência dessas doenças para os humanos.

“Pesquisa arriscada”

O uso destes vírus de auto-propagação não é novo. Nos anos de 1980, na Austrália, foram utilizados para esterilizar e controlar espécies consideradas pragas como ratos e coelhos.

“Em Espanha, cientistas estão, actualmente, a vacinar porcos com vírus de auto-propagação”, que não foram modificados em laboratório, para combater a febre africana nestes animais, no âmbito de uma “experiência controlada”, como refere a Technology Networks.

Além disso, a DARPA – a Agência de Projectos de Pesquisa Avançada dos EUA – também financiou uma investigação sobre se as vacinas animais de auto-propagação, modificadas em laboratório, podem ajudar a prevenir a propagação de patógenos a humanos.

Estes projectos e outras iniciativas que receberam financiamento da União Europeia e do Instituto Nacional de Saúde dos EUA levaram o King´s College London a debruçar-se sobre o assunto e a investigar os impactos do desenvolvimento deste tipo de vírus.

A conclusão é que as consequências podem ser graves e “irreversíveis” para o nosso planeta, como se aponta no estudo divulgado pela revista Science.

A investigadora que liderou o estudo, Filippa Lentzos, do Departamento de Saúde Global e Medicina Social do King’s College London, tem muitas dúvidas de que “os benefícios esperados superem os riscos“, conforme refere o comunicado sobre a pesquisa.

“Desenvolver vírus de auto-propagação para libertação ambiental é outro exemplo de pesquisa arriscada em virologia, como a caça de vírus em cavernas de morcegos ou tornar patógenos perigosos ainda mais perigosos em laboratório, tudo em nome da preparação para uma pandemia”, alerta Lentzos no comunicado citado pelo Irish Examiner.

“Erosão das normas”

O estudo nota que pesquisas feitas por “gerações de virologistas” concluíram que os vírus de auto-propagação modificados em laboratório são “geneticamente demasiado instáveis para serem usados de forma segura e previsível fora de instalações controladas”.

Assim, os investigadores denunciam uma aparente “erosão das normas”, apelando a mais regulação e a uma discussão aberta sobre o assunto.

“Apenas um esforço de governança global coordenado e coerente, com implementação regional, nacional e local, pode enfrentar os desafios da auto-propagação de vírus que têm o potencial de transformar radicalmente a vida selvagem e as comunidades humanas”, destacam os autores do estudo.

  ZAP //

ZAP
8 Janeiro, 2022

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632: Biólogo defende que pandemia pode ter nascido de “erro honesto” em laboratório chinês

 

SAÚDE/SARS-CoV-2/COVID-19/CHINA

BarnabyChambers / Canva

Professor de Princeton defende que não é possível descartar a possibilidade de que a pandemia tenha começado com uma fuga acidental num laboratório de virologia de Wuhan.

A origem da pandemia de Covid-19 continua por apurar um ano depois e na comunidade científica ganha força a exigência de uma investigação à possibilidade de um acidente laboratorial, posição sustentada também pelo biólogo norte-americano Bret Weinstein.

Em entrevista à agência Lusa, o professor convidado da universidade de Princeton, comunicador e podcaster defende não é possível descartar a possibilidade de que a pandemia tenha começado com uma fuga acidental num laboratório de virologia de Wuhan, sustentando que o comportamento do vírus assim o sugere.

Nos últimos meses, um número crescente de artigos pede mais transparência na investigação das origens da pandemia, quer em revistas científicas como a Nature, quer na imprensa internacional, com um editorial de Fevereiro no jornal norte-americano Washington Post a questionar: “O que é que a China está a tentar esconder sobre as origens da pandemia e porquê?”

Num artigo de opinião publicado em Janeiro no Wall Street Journal, a bióloga molecular Alina Chan, do Instituto Broad, associado ao MIT, defendia que “o mundo precisa de uma investigação que admita não só uma origem natural, mas a possibilidade de o vírus que provoca a Covid-19, ter escapado de um laboratório”.

Especializado em morcegos e em biologia evolutiva, Weinstein afirma que há várias características no comportamento do SARS-CoV-2 que sugerem que a sua capacidade de infectar mais de 100 milhões em todo o mundo em menos de um ano pode não ter tido origem num processo natural de transmissão entre espécies.

“O vírus comportou-se de uma forma inesperada desde o princípio”, afirma Bret Weinstein apontando que é altamente transmissível entre indivíduos e foi capaz de descobrir modos de infectar vários tecidos diferentes nos seres humanos, “mesmo aqueles que não contribuem para a sua capacidade de se transmitir entre portadores”.

Weinstein admite que a discussão da hipótese tenha sido, de certa forma, “envenenada” pela convicção manifestada pelo antigo Presidente norte-americano Donald Trump, e pela sua administração, de que o vírus teria tido origem num laboratório de Wuhan.

“Por razões difíceis de explicar, há quem, especialmente nos Estados Unidos, mas na realidade no Ocidente inteiro, visse tudo o que Donald Trump dissesse como falso à partida. E isso é, obviamente, absurdo, e dá-lhe demasiado poder, o poder de matar uma ideia simplesmente por a dizer”, afirma Weinstein.

Erro honesto, mas um erro grave

Bret Weinstein salienta que “se a pandemia foi desencadeada por uma fuga laboratorial, parece evidente que se tratou de um erro honesto, um erro grave, mas que resultou de pessoas honradas a tentarem fazer um trabalho que acreditavam ser necessário”.

Contudo, quando as portas do laboratório se fecharam à investigação externa e quando os peritos da OMS se limitam a aceitar que os responsáveis desse laboratório lhes digam que nada tiveram a ver com o início da pandemia, Weinstein já hesita em falar de “um erro inocente”.

“Eu não afirmo que isto começou no laboratório de Wuhan. Nós não sabemos. No entanto, o que afirmo é que o que sabemos até agora é completamente consistente com essa possibilidade e não com qualquer outra”, salienta. “O facto de este vírus, desde que apareceu, causar uma doença grave e ser incrivelmente sofisticado na sua capacidade de saltar de pessoa para pessoa é notável e significa que não tivemos um período em que nos poderíamos ter adiantado ao vírus, algo que seria expectável se olharmos para outras pandemias zoonóticas”, ou seja, de origem animal, assinala o cientista

“É possível que haja alguma história na qual o vírus emergiu inicialmente da natureza e que depois evoluiu e aprendeu esses ‘truques’ antes de chegar a Wuhan. Mas após um ano a procurá-la, ninguém encontrou provas de que isso tenha acontecido, o que em si é muito invulgar”, sugere.

Foi em Fevereiro de 2020 que Weinstein, acabado de regressar de uma expedição científica na América do Sul com a sua mulher, a bióloga Heather Heying — com quem partilha o podcast semanal Darkhorse —, tomou consciência da existência do novo coronavírus e, como estudioso dos morcegos, considerou plausível que tivesse tido origem directa nesses mamíferos.

No entanto, os seus seguidores na rede social Twitter apontaram-lhe a existência em Wuhan do Instituto de Virologia onde são estudados coronavírus oriundos de morcegos e que segue o protocolo de segurança mais alto para riscos biológicos.

“É uma grande coincidência e eu penso que todas as pessoas que lidaram com isto de uma forma cientificamente responsável também se deram conta do nível de coincidência. Não é impossível que tenha sucedido naturalmente e tenha aparecido em Wuhan primeiro, mas é muito, muito improvável”, argumenta.

O caminho que Bret Weinstein aponta como possível é que a investigação em laboratório do vírus tenha seguido um método chamado “ganho de função”, uma área que tem tido “rápida expansão” nos últimos anos. Nesse método, os vírus recolhidos na natureza são artificialmente reforçados com técnicas moleculares ou através de um processo de evolução manipulado e tornados mais virulentos, infecciosos e perigosos para se perceber como se comportariam num cenário de pandemia.

Entre as pistas que o comportamento do vírus deixa está o facto de infectar com grande eficácia animais da classe dos mustelídeos, como martas, ferrões ou doninhas, “o que poderá indicar que o vírus foi transmitido em série num laboratório entre esses animais”, argumenta. Apesar de considerar que chegar ao fundo da origem do vírus não é “a bala de prata” que vai conseguir uma cura e acabar com a ameaça, Bret Weinstein sustenta que a urgência de o compreender e aprender a controlá-lo é espectacularmente alta”.

“Eu colocaria em segundo plano qualquer outra preocupação em favor dessa. A descoberta de qual possa ter sido a origem do SARS-CoV-2 é também a chave de evitar que isto alguma vez volte a acontecer”, avisa Weinstein.

Respostas da OMS são “difíceis de engolir”

O biólogo diz também que há “aspectos difíceis de engolir” nas respostas da missão de peritos que se deslocou a Wuhan, China, para averiguar as origens da pandemia e aponta o dedo ao que considera uma falha essencial: “A equipa da OMS disse especificamente que não estava mandatada para investigar no laboratório [do Instituto de Virologia de Wuhan] e que não estava equipada para o fazer.”

No Instituto de Virologia de Wuhan, cidade do centro da China onde foram detectados os primeiros casos de infecção, realiza-se um tipo de investigação designado por “ganho de função”, em que se aceleram capacidades de vírus recolhidos na natureza, aumentando a sua capacidade de se transferir entre espécies ou de contagiar mais facilmente.

Uma carta aberta subscrita por 24 cientistas internacionais divulgada na passada quinta-feira aponta como “essencial que todas as hipóteses sobre as origens da pandemia sejam examinadas e haja acesso total a todos os recursos sem olhar a sensibilidades políticas ou outras”. Uma das hipóteses que defendem, a mesma que Weinstein e outros cientistas sustentam há vários meses que seja considerada é, na expressão usada na carta aberta, “um acidente relacionado com investigação” científica.

Essa hipótese foi descartada pela missão da OMS — constituída por especialistas de 10 países, incluindo EUA, Reino Unido, Alemanha e Rússia – numa conferência de imprensa em Wuhan, em Fevereiro. Contudo, o director-geral da OMS viria a rectificar a situação, afirmando que “todas as hipóteses permaneciam em cima da mesa” para explicar a origem da pandemia, e anunciou que o relatório final seria divulgado em 15 de Março.

Em vez disso, propuseram uma hipótese que Pequim também avançou, a de o vírus poder ter chegado a Wuhan em carne congelada de furões-texugo (animais próximos das doninhas que são criados e caçados para comer) oriunda da China ou noutro país asiático. “Essa história é difícil de engolir, porque se há algo que podemos dizer é que não temos provas de transmissão de carne congelada a seres humanos”, sublinhou Bret Weinstein.

Segundo o biólogo, este vírus parece, sim, excelente a transmitir-se através de gotículas e partículas em aerossol. “Portanto, esta história é, no mínimo, uma hipótese que precisa de provas e, no pior dos cenários, uma distracção para nos impedir de investigar a possibilidade óbvia de este vírus estar em Wuhan porque estava presente no Instituto de Virologia”, argumenta.

“Acho que nesta altura, este trabalho [em ganho de função] não devia estar a ser feito. É demasiado perigoso e é muito mais provável que desencadeemos uma pandemia do que a evitemos”, considera. “Neste caso, a probabilidade é que o vírus tenha sido melhorado para conseguir infectar melhor tecidos humanos e transmitir-se entre indivíduos para poder ser um modelo de epidemia zoonótica”, admite.

ZAP // Lusa Lusa

… ” “Neste caso, a probabilidade é que o vírus tenha sido melhorado para conseguir infectar melhor tecidos humanos e transmitir-se entre indivíduos para poder ser um modelo de epidemia zoonótica””…

Quando se cria um vírus em laboratório, seja ele qual for, para que fins o fazem? E um vírus “melhorado” para conseguir infectar melhor tecidos humanos? Isto não se chamará melhor uma arma biológica de destruição maciça? E quando se cria um vírus em laboratório (criminoso), não é norma criar um antídoto para ele?

 

 

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585: Virologista fala em vírus com taxa de mortalidade de 75% (e aconselha humanidade a aprender como evitar futuros surtos)

 

SAÚDE/VÍRUS/EPIDEMIOLOGIA

Wikimedia

No meio de uma pandemia global que já infectou quase 100 milhões de pessoas, a Ásia deverá estar atenta a outra ameaça de um vírus com taxa de mortalidade muito maior do que a do SARS-CoV-2.

O vírus Nipah, que tem origem em morcegos e é muito parecido com o SARS-CoV-2, já causou muitos surtos na Malásia, Singapura, Índia e no norte da Austrália, ao longo dos últimos 20 anos.

Agora, investigadores estão a alertar para o facto de este vírus ter o potencial de afetar muitas pessoas, se as lições não forem aprendidas com o surto de covid-19.

De acordo com a IFL Science, o primeiro surto do vírus Nipah aconteceu no ano de 1999, na Malásia, e, na altura, foram registados 265 casos de encefalite aguda que foram originalmente atribuídos à encefalite japonesa.

Desde então, pequenos surtos ocorreram quase anualmente entre 2000 e 2020, sempre com uma taxa de mortalidade surpreendente de até 75%.

Normalmente, vírus com uma taxa de mortalidade tão elevada acabam por matar os seus hospedeiros muito rapidamente e, por isso, acabam por não ser transmitidos com eficácia suficiente para que se tornem uma ameaça generalizada.

No entanto, o vírus Nipah difere de muitos outros. Embora os sintomas ocorram, normalmente, entre o 4.º e o 14.º dias após a infecção, o vírus pode incubar por períodos de tempo muito elevados – até 45 dias, de acordo com a Organização Mundial de Saúde -, o que permite um longo período de transmissão.

Depois do período de incubação, os sintomas aparecem e incluem febre, dores de cabeça e vómitos, entre outros que são semelhantes à infecção por influenza, e são seguidos por tonturas, sintomas neurológicos e encefalite aguda.

Embora sejam usados vários medicamentos antivirais como tratamento de suporte para os pacientes, não existe ainda nenhuma cura ou tratamento directo para o vírus e os pacientes que sobrevivem ficam, por vezes, com problemas neurológicos de longo prazo, incluindo alterações de personalidade e convulsões.

As estirpes actuais do vírus Nipah, apesar de continuarem a ser uma ameaça, não são transmissíveis por aerossol, nem são transportadas pelo ar, o que significa que não representam o mesmo risco de transmissão do SARS-CoV-2, que provoca a covid-19.

O vírus Nipah transmite-se, maioritariamente, através da ingestão de alimentos contaminados que estiveram em contacto com morcegos da fruta infectados. Além disso, a doença pode ser transmitida por contacto com fezes de suínos infectadas e também já foi observada a transmissão de pessoa para pessoa.

O estudo e análise de vírus como o Nipah podem permitir que o mundo se prepare para as ameaças de vírus emergentes.

Com a covid-19 espalhada por todo o planeta, é fundamental compreender quais são as doenças existentes que podem causar uma devastação semelhante – particularmente como é que o mundo se pode proteger de vírus transmitidos por morcegos, sugere a virologista Veasna Duong.

“Sessenta por cento das pessoas que entrevistamos não sabiam que os morcegos transmitem doenças. Ainda há falta conhecimento”, disse Duong em declarações à BBC.

“Observamos [morcegos da fruta] aqui [no Cambodja] e na Tailândia. Existem em mercados, áreas de culto, escolas e locais turísticos como Angkor Wat [no Cambodja] – há um grande poleiro de morcegos lá”, disse.

“Num ano normal, Angkor Wat hospeda 2,6 milhões de visitantes: isso significa que há 2,6 milhões de oportunidades para o vírus Nipah ser transmitido de morcegos para humanos, num local apenas”, acrescentou Duong.

Por Sofia Teixeira Santos
27 Janeiro, 2021

 

 

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555: Médico que descobriu o ébola alerta para o surgimento de novos vírus letais

 

SAÚDE/VÍRUS/CONTÁGIOS

Vírus com origem nos animais, que depois são transmitidos aos seres humanos, são “uma ameaça à humanidade”. Mais vão surgir, diz o cientista.

O cientista Jean-Jacques Muyembe Tamfum, professor e uma das pessoas que descobriu o ébola, diz à CNN que a humanidade enfrenta um número novo e potencialmente fatal de vírus saídos da floresta tropical de África. Chama-lhes “uma ameaça para a humanidade” e avisa que mais doenças que passam de animais para humanos vão aparecer

Não são casos raros. A febre amarela, gripe, raiva, brucelose ou a doença de Lyme (febre da carraça) são exemplos de doenças que passam de animais para humanos. Outro caso, é o vírus do HIV, que começou nos chimpanzés, sofreu uma mutação e se espalhou pelo mundo. O vírus aloja-se num animal e é esse animal que o transmite aos humanos. No caso do SARS-Cov-2 acredita-se que tudo terá começado com morcegos, na China.

O cenário traçado por Jean-Jacques Muyembe Tamfum é pessimista. Acredita que outras pandemias podem acontecer num futuro próximo. “Sim, sim, acredito que sim”, diz à CNN.

Novos vírus estão a ser descobertos – três ou quatro por ano, a maioria oriundos de animais. Os números crescentes devem-se sobretudo à destruição dos ecossistemas e ao comércio de animais selvagens.

Os habitats são destruídos, os animais de maior porte desaparecem enquanto ratos, morcegos e insectos crescem e se multiplicam. Convivem com seres humanos e transportam doenças.

Foi, acredita-se, o que aconteceu com o ébola.

Uma história com 44 anos

O ébola foi descoberto em 1976. O professor Jean-Jacques Muyembe Tamfum recolheu as amostras de sangue daqueles doentes que contraíam um vírus que matava 88% dos doentes e 80% dos profissionais de saúde que cuidavam deles. As descobertas resultaram da cooperação entre o que se detectava no hospital do então Zaire e era levado para laboratórios na Bélgica e EUA.

Ainda que não se saiba exactamente como é que o ébola foi transmitido aos seres humanos, os cientistas acreditam que foi a forte intrusão na floresta tropical que levou à disseminação do ébola. Os locais onde eclodiram surtos da doença coincidem com locais alvo de desflorestação um par de anos antes.

Na República Democrática do Congo, Jean-Jacques Muyembe Tamfum continua o seu trabalho no laboratório que abriu as portas em Fevereiro e onde dezenas de amostras de sangue são analisadas, financiados por fundos japoneses, norte-americanos da Organização Mundial de Saúde (OMS). Procuram doenças ainda desconhecidas.

“Se um vírus for detectado cedo haverá oportunidade para se desenvolverem novas estratégias para combater estes patogénicos”, explica o cientista.

É no processo em que os animais são vendidos para serem comidos que os cientistas acreditam que se dá a passagem destes vírus. Essa carne é considerada iguaria e muito apreciada entre os mais ricos. -macacos, crocodilos e outros animais selvagens. No Congo, provêm da floresta tropical e, apesar de ser meio de subsistência de muitos agricultores de pequena e média escala, a solução, dizem os cientistas, é proteger os ecossistemas.

Diário de Notícias
22 Dezembro 2020 — 12:41

 

 

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263: Vírus Zika é eficaz contra células cancerígenas no cérebro de adultos

Midiamax
O Aedes aegypti pode transmitir três doenças: Zika, dengue e chikungunya

Investigadores da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no Brasil, descobriram que o vírus Zika se mostrou eficaz no combate a células cancerígenas no cérebro de adultos.

Os investigadores chegaram a essa conclusão, publicada numa revista científica norte-americana, depois de terem injectado o vírus em células que continham “glioblastoma”, o tumor do sistema nervoso central mais comum e maligno, dado que apenas 24 horas depois, o Zika já tinha eliminado metade das células cancerígenas.

Esse processo foi repetido nas horas seguintes sem que as células saudáveis fossem afetadas pela ação do vírus.

A experiência ocorreu sob a premissa de que o vírus Zika é consideravelmente destrutivo em células cerebrais em recém-nascidos, mas não em adultos.

“As células do bebé têm uma alta taxa de proliferação. Parecida com as do cancro, que nada mais é do que uma doença que prolifera de forma descontrolada. E as células saudáveis, não. Então ele protegeria as células normais do adulto, mas eliminaria apenas as células do cancro, tornando um tratamento mais específico do que uma quimioterapia”, explicou a investigadora Estela de Oliveira Lima, citada pelo portal de notícias brasileiro G1.

Além disso, os investigadores notaram que quando ocorreu o contacto entre o Zika e a célula cancerígena aumentou significativamente a quantidade de “digoxina”, uma substância responsável pela morte dos tumores e que é utilizada já na medicina no tratamento de algumas doenças cardíacas.

“A descoberta da substância e o mecanismo com que ela também atua no glioblastoma, nesse tipo de cancro, é inédito no mundo“, afirmou o médico Rodrigo Ramos Catarino.

Após as descobertas em laboratório, o próximo passo será realizar testes com animais e, por fim, em humanos, o que poderá levar, a confirmarem-se os resultados da investigação, a um novo tratamento contra o referido tumor e mesmo ao desenvolvimento de uma vacina.

O Zika, tal como a dengue, a chikungunya e a febre amarela, é transmitido pelo Aedes aegypti, um mosquito cuja população se multiplica com a chegada do verão.

O Brasil foi um dos países mais afetados pelo Zika em 2016, que declarou estado de emergência antes de a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) alertar para a gravidade da doença.

Em 2016, foram registados 216.207 casos prováveis de febre pelo vírus Zika no Brasil e foram confirmadas laboratorialmente oito mortes.

ZAP // Lusa
Por Lusa
13 Janeiro, 2018

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171: Risco de propagação do Ébola em Portugal é ínfimo, diz especialista

O risco de propagação do Ébola em Portugal é ínfimo, mesmo que entre alguma pessoa infectada, não só devido aos meios e às práticas existentes no país, mas também às características de contágio desta doença, assegura um infecciologista.

dd13082014“A probabilidade de chegar uma pessoa infectada não é tão pequena, mas a de propagação da doença é infinitesimal”, garantiu Jaime Nina à agência Lusa, justificando com os meios de rastreio e de isolamento eficazes, com a preparação dos hospitais para receber os doentes e com as práticas de higiene, prevenção e segurança já existentes há muito tempo entre os profissionais de saúde.

“Em Portugal, se chegar alguém com febre ao hospital, não há enfermeira que lhe faça análises sem luvas. Em África isso não acontece”, exemplificou.

O Ébola é uma doença que não se transmite durante a fase de incubação do vírus, apenas quando a doença já se manifesta, e apenas se transmite por contacto directo com fluidos biológicos, como o sangue ou o sémen, e não por via aérea como acontece com a gripe.

Estas características diminuem o risco de contágio, pois permitem que todas as medidas preventivas sejam tomadas.

“Só se pode transmitir por via aérea se a pessoa tossir e tiver sangue, pois faz aerossol de partículas de sangue. Estes são os doentes mais perigosos e que justificam isolamentos mais rigorosos e utilização dos escafandros pelos profissionais de saúde”, explicou.

Se o doente só tem febre e hemorragias pequenas debaixo da pele, não tem perigo de contágio por via aérea, acrescentou.

“Se um doente viesse com diagnóstico ou com o vírus incubado, não haveria problema, pois seria isolado em tempo útil e quando se manifestasse a doença já estaria controlado”, sublinhou o especialista em medicina tropical.

Após um período de incubação do vírus que dura entre uma semana e dez dias, e em que a doença não é contagiosa, esta manifesta-se através de febre, hemorragias, vómitos e diarreias, variando a taxa de mortalidade entre os 25 e os 90 por cento.

O surto de Ébola que assola a África Ocidental superou a barreira dos mil mortos, com 1.013 vítimas mortais e 1.848 casos, de acordo com o último balanço da Organização Mundial de Saúde.

In Diário Digital online
13/08/2014 |20:01

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170: O que é o ébola? Perguntas e respostas sobre o vírus

O que é? Como acontece a infecção? Quais os sintomas? E como se trata?

ebolaO actual surto de ébola começou em Fevereiro e já fez 932 mortes, segundo o balanço disponível a 8 de Agosto, dia em que a Direcção-Geral de Saúde decretou o estado de emergência de saúde pública.

O que é?
O ébola é um vírus identificado pela primeira vez em 1976, que provoca febres hemorrágicas. Não existe vacina, nem tratamentos específicos e a taxa de mortalidade situa-se entre os 25 e os 90%.

Como acontece a infecção?
A infecção resulta do contacto directo com líquidos orgânicos de doentes – como sangue, urina, fezes, sémen. A transmissão da doença por via sexual pode ocorrer até sete semanas depois da recuperação clínica. O período de incubação da doença pode durar até três semanas.

Quais os sintomas?
A febre costuma ser o principal sinal, acompanhada de fraqueza e dores musculares, de cabeça e de garganta. Outros sintomas nos tempos seguintes são náuseas, diarreia, feridas na pele, problemas hepáticos e hemorragia interna e externa.

Entre a infecção pelo vírus e os primeiros sintomas podem decorrer entre dois e 21 dias.

Como se trata?
Não existe cura nem um tratamento específico para a febre hemorrágica provocada pelo vírus do ébola. A estes doentes são dados os tratamentos que costumam ser administrados nos cuidados intensivos, com destaque para a hidratação.

Quais os hospitais de referência em Portugal?
Em Portugal, os hospitais para onde serão encaminhados os doentes suspeitos de estarem infectados com o vírus do ébola são os hospitais Curry Cabral e Dona Estefânia, em Lisboa, e São João, no Porto.

E qual é o laboratório de referência?
O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Qual é a resposta de emergência médica?
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) tem equipas especializadas, com formação específica e equipamento de protecção elevada. Serão estas equipas que irão acompanhar os casos suspeitos ou de doença e encaminhá-los para os hospitais de referência.

Que medidas as autoridades portuguesas têm em vigor?
– Reforço da articulação internacional, nomeadamente com a OMS, com o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), em Estocolmo, e com outros Estados;
– Recomendação aos cidadãos para que ponderem viajar apenas em situações essenciais, tendo em atenção o princípio da precaução, apesar de não estarem interditadas, actualmente, viagens internacionais para áreas afectadas;
– Os viajantes são alertados para procurarem aconselhamento médico caso se verifique exposição ao vírus ou desenvolvam sintomas de doença;
– Portugal tem em estado de prontidão mecanismos para detectar, investigar e gerir casos suspeitos de doença por vírus ébola, incluindo capacidade laboratorial para confirmação da doença;
– Estão previstas medidas para facilitar a evacuação e a repatriação dos cidadãos que possam ter estado expostos ao vírus.

Este é o pior surto?
Desde 1976 registaram-se vários surtos, nenhum com tantos infectados e países atingidos como o actual. Começou em Fevereiro e, até segunda-feira, causou em vários países africanos 1.711 casos (1.070 confirmados, 436 prováveis, 205 suspeitos) e 932 mortes.

Que países já foram afectados?
Até ao momento e neste surto registaram-se casos na Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa e Nigéria.

Rádio Renascença
08-08-2014 17:33 por Lusa

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