1112: Mais de dois milhões de vacinas contra a gripe começam hoje a ser administradas

– Não percebi a que se refere “residentes”…

SAÚDE PÚBLICA/VACINAS/GRIPE

Esta primeira fase destina-se a residentes, utentes e profissionais de estabelecimentos de respostas sociais, doentes e profissionais da rede de cuidados continuados integrados e profissionais do SNS e grávidas.

© Ivo Pereira / Global Imagens

A vacinação contra a gripe arranca hoje em Portugal, mais cedo do que o habitual devido à pandemia de covid-19, havendo 2,24 milhões de vacinas para serem distribuídas gratuitamente a grupos de risco pelo Serviço Nacional de Saúde.

Hoje inicia-se a primeira fase da vacinação gratuita destinada a residentes, utentes e profissionais de estabelecimentos de respostas sociais, doentes e profissionais da rede de cuidados continuados integrados e profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e também as grávidas, segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Na segunda fase, serão integrados os outros grupos-alvo abrangidos pela vacinação gratuita, destacando-se pessoas com idade igual ou superior a 65 anos e pessoas portadoras de doenças ou outras condições previstas na norma da vacinação contra a gripe 2021/22.

Para esta época gripal (2021/2022), haverá 2,24 milhões de doses de vacinas contra a gripe, mais cerca de 146.000 doses face à época gripal 2020/2021, o que representa um aumento de 7%, de acordo com a DGS.

À semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, as vacinas disponíveis em Portugal serão tetravalentes, incluindo quatro tipos de vírus da gripe: Dois do tipo A e dois do tipo B.

As autoridades de saúde decidiram antecipar o início da campanha de vacinação, que começa habitualmente em Outubro, devido à situação pandémica.

“Em 2021, em contexto de pandemia covid-19, mantêm-se medidas excepcionais e específicas no âmbito da vacinação gratuita contra a gripe, nomeadamente o início mais precoce, a vacinação faseada e a gratuitidade para os profissionais que trabalham em contextos com maior risco de ocorrência de surtos e/ou de maior susceptibilidade e vulnerabilidade”, refere a DGS em comunicado.

Na sexta-feira, a ‘task force’ que coordena a vacinação contra a covid-19 informou em comunicado que os centros onde são administradas as vacinas anti-covid iriam “em breve” ser empenhados na vacinação da gripe.

A Lusa pediu mais informações à ‘task force’ sobre este processo de administração da vacina da gripe nestes centros, mas não foi disponibilizada mais informação.

A Direcção-Geral da Saúde apela à adesão das pessoas que têm critério para a vacinação contra a gripe, num processo que será feito de forma organizada, decorrendo nos próximos meses.

A DGS recorda que habitualmente a gripe é curada espontaneamente, mas podem ocorrer complicações, particularmente em pessoas com doenças crónicas ou com 65 ou mais anos.

A vacina contra a gripe é fortemente recomendada para grupos prioritários da população e é uma medida de prevenção primária com impacte na ocorrência e gravidade da doença.

Em Portugal, a vacina é gratuita para cidadãos a partir dos 65 anos, para residentes e internados em instituições, mas também para um grupo de pessoas com doenças específicas, profissionais de saúde do SNS e para os bombeiros.

Diário de Notícias
Lusa
27 Setembro 2021 — 07:46

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‘Task force’ está a preparar transição para a vacina da gripe

SAÚDE PÚBLICA/VACINAS/GRIPE/TASK FORCE

“Vim a descobrir aqui na saúde uma humildade e uma entrega que, eventualmente, supera a dos próprios militares”, elogiou Gouveia e Melo.

O vice-almirante e coordenador da task-force para a vacinação, Gouveia e Melo
© TIAGO PETINGA/LUSA

A ‘task force’ criou um núcleo que vai ajudar a assegurar a transição da vacinação contra a covid-19 para a vacinação contra a gripe, afirmou este sábado o coordenador daquela estrutura, Henrique Gouveia e Melo.

“Na minha ‘task force’, já preparámos um núcleo de transição que ajudará a fazer esse processo de transição para o internalizar no Ministério da Saúde, como deve ser, e passar a operações correntes e a não ser uma operação extraordinária como o foi até agora”, disse aos jornalistas Henrique Gouveia e Melo, que falava à margem das comemorações do Dia do Farmacêutico, no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra.

Segundo o responsável, o processo de vacinação deverá terminar entre o fim de Setembro e o início de Outubro, acreditando que a ‘task force’ terminará quando acabar também esse esforço de vacinação contra a covid-19.

Henrique Gouveia e Melo recordou que a infra-estrutura usada contra a covid-19 vai manter-se disponível, “com pequenas adaptações”, para vacinar a gripe e também para vacinar quem necessitar de uma terceira dose contra a covid-19.

“Vamos continuar todos de alguma forma ligados a este processo para ajudar nesta transição, para que a transição seja suave e para que todos os portugueses beneficiem do seu sistema nacional de saúde na sua máxima extensão”, referiu, salientando que, apesar de se sair de uma crise, surge agora um período também “preocupante”, porque as máscaras e todas as restrições face à pandemia poderão ter retirado “alguma protecção natural à gripe”.

Durante a cerimónia, organizada pela Ordem dos Farmacêuticos, o coordenador da ‘task force’ realçou que sempre julgou – “até de forma ~’snob'” -, que os militares tinham “o condão da entrega e da missão”.

“Vim a descobrir aqui na saúde uma humildade e uma entrega que, eventualmente, supera a dos próprios militares”, frisou.

Na cerimónia, também participaram a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, e a ministra da Saúde, Marta Temido, através de uma mensagem em vídeo.

Nessa mensagem, a ministra realçou o papel dos farmacêuticos no combate à pandemia, mas também apontou para o futuro, considerando que é altura de “continuar o caminho de tornar o Serviço Nacional de Saúde mais justo, mais inclusivo e com mais respostas de proximidade”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
25 Setembro 2021 — 20:23

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1102: Vacinação de crianças? Só se for comprovada a eficácia

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VACINAÇÃO/CRIANÇAS

As crianças maiores de cinco anos devem ser vacinadas contra a covid-19, desde que a segurança e a eficácia da vacina estejam comprovadas cientificamente nestas idades, defende o médico especialista em saúde pública e ex-director-geral da Saúde, Francisco George.

Francisco George elogia do trabalho da sua sucessora e diz que, em tempos de pandemia, teve um pensamento egoísta: “Ainda bem que não estou lá”.
© Filipa Bernardo Global Imagens

A vacinação das crianças está a ser a discutida e analisada, tendo a Pfizer já anunciado que a sua vacina contra a covid-19 é eficaz em crianças dos 5 aos 11 anos e que vai requerer autorização nos Estados Unidos para este grupo em breve. Em entrevista à Lusa, o ex-director-geral da Saúde Francisco George não vê entraves na vacinação deste grupo etário, desde que as vacinas “tenham uma base de comprovação científica, da sua segurança e do resultado positivo”.

“Se as coortes [N.W.-Grupo de pessoas, usado em estudos ou em investigação, que possuem características em comum, como a idade, a classe social, a condição médica, etc..] estudadas por epidemiologistas perceberem que as crianças são fontes de transmissão do vírus, da infecção, e que precisam de ser protegidas, e se tivermos a certeza da segurança da vacina, não vejo porque não”, diz em entrevista à agência Lusa na sede da Cruz Vermelha Portuguesa, instituição a que preside, no Palácio da Rocha do Conde D’Óbidos, em Lisboa.

Em Portugal, as crianças são vacinadas desde a nascença até à entrada no ensino secundário, observa o médico que durante 12 anos foi director-geral da Saúde, cargo que deixou em 20 de Outubro de 2017, na véspera de completar 70 anos, pondo fim a uma carreira de 44 anos ao serviço da Função Pública.

Então, questiona: “Se há reforço para as outras vacinas, e se há vacinação de crianças com menos de 5 anos para outras doenças, porque é que não há de haver também para estas?”.

Quanto à terceira dose da vacina, defende que a sua necessidade é ditada pelo nível de anticorpos produzidos pelas vacinas anteriores e que a decisão terá de ser tomada com base científica.

“Não são as opiniões, sobretudo de comentadores, que devem ser ouvidas em termos dos comentários que formulam, que são livres, que são justos, que são legítimos, mas não tem base científica”, declara.

Portanto, sustenta, “não há aqui nenhuma opinião a não ser aquela que é baseada na demonstração de que o número de doses anteriores [da vacina] tenha protegido o cidadão, a sua família, a comunidade, através da medição em laboratório dos anticorpos que circulam no soro”.

Entre 1980 e 1991, Francisco George esteve na Organização Mundial da Saúde e em 1990 desempenhou as funções de epidemiologista do Programa Mundial de Luta Contra a Sida como coordenador para a África Austral.

Desde então lidou com outras crises epidémicas, como a SARS – Síndrome Respiratória Aguda Severa, em 2003, a infecção respiratória do Médio Oriente, dez anos depois, e agora com o coronavírus SARS-CoV-2, uma “doença nova” que surgiu na China no final de 2019.

Francisco George fala com entusiasmo da actual pandemia pelas medidas tomadas para a combater, mas sobretudo da vacina: “É extraordinária. Ao contrário de outras, é uma vacina inteligente” e “é absolutamente seguro ser vacinado”.

“É espantoso como a evolução científica, com base nos conhecimentos recentes da biologia molecular, foi agora adaptada ao fabrico com sucesso destas vacinas”, em que é inoculada uma proteína mensageira do vírus, em vez do vírus morto ou atenuado, diz com eloquência.

Considera também “absolutamente único” a desinfecção com um álcool-gel que “não é abrasivo e protege as mãos”.

“Nunca mais vamos deixar de ter a higiene das mãos em conta”, diz, destacando os benefícios desta medida, a par com o uso da máscara, na diminuição da frequência de “muitas outras doenças” como a gripe.

À pergunta se a população deve usar máscara na rua no outono/inverno, responde rapidamente que “só traz benefícios”.

E se esta medida deve voltar a ser obrigatória nos períodos de maior actividade gripal, a resposta vem em jeito de pergunta: “Mas porque não? qual é o problema?”.

“É socialmente aceite se for caso disso, não vejo nenhuma preocupação”, refere, e pode ser até usada de forma espontânea pela população.

Voltando à vacina contra a covid-19 e se esta devia ser obrigatória, Francisco George afirma que não, mas reitera o apelo deixado na sua última intervenção enquanto director-geral de Saúde, para que se altere a Constituição de 1976, que apenas prevê o internamento compulsivo de portadores de anomalia psíquica.

“Eu não estou a defender a obrigatoriedade da vacina, estou a defender que, por exemplo, um doente que tenha ébola não possa sair do hospital e entrar no metropolitano. Isso é que eu defendo”, justifica.

O objectivo é que “não haja diferença entre anomalia psíquica e doença contagiosa” e, para isso, “a Constituição pode e deve ser mudada para ir ao encontro dos interesses da saúde pública, defende, frisando que este “é um tema urgente que não pode ser ignorado”.

“É necessário criar princípios inteligentes, mais flexíveis, que não tornem difícil a prevenção e o controle dos problemas em saúde pública”, evitando-se assim estar a decretar-se “sucessivamente estados de emergência” como aconteceu com a covid-19.

Doença pode vir ser erradicada

Na entrevista à Agência Lusa, o médico e antigo director-geral da Saúde considera ainda ser cedo para se perceber o que se vai passar com o novo coronavírus mas admite: “Há ferramentas e meios que a ciência hoje disponibiliza que podem vir a controlar e eliminar o vírus”.

“É possível que isso venha a acontecer. Ninguém pode dizer que nunca nos libertaremos deste vírus. Mas também ninguém pode dizer que nos vamos libertar o vírus dentro de pouco tempo”, afirma.

A luta contra o Sars-Cov-2, que provoca a doença covid-19, é um assunto que está, diz, em análise permanente, a nível mundial.

E acrescenta: “Nós, aqui em Portugal, também deveríamos ter mais pensamento sobre estas questões, e equipas que devem seguir estes problemas, para antever na medida do possível aquilo que possa acontecer”.

Porque, garante, é preciso antecipar a reemergência ou a emergência de novos problemas.

Na entrevista, Francisco George não se cansa de enfatizar a importância do estudo, da análise científica, do trabalho de prevenção. Porque a natureza de um vírus como o actual assim o exige.

Cauteloso, o especialista não quer avançar se no inverno vai haver, como no ano passado, um aumento exponencial de casos de covid-19. E lembra, sem ser crítico, mas compreendendo, declarações de Graça Freitas, actual directora-geral da Saúde, no início da pandemia, a minimizar a importância do novo coronavirus.

“Aquilo que se diz hoje pode perder actualidade, é verdade naquele dia, mas pode não ser verdade uma semana depois. Este vírus apresenta uma capacidade de mutação que nós já conhecemos pela formação das variantes que estão a circular. Isso é verdade, mas ainda é cedo para antever o final da pandemia. Nós ainda não podermos dizer acabou”, diz.

As variantes, explica, resultam de um conjunto de mutações do vírus durante a fase de replicação nas células, e estão relacionadas com a magnitude da propagação epidémica, pelo que é mais passível de acontecerem em países grandes, como a China ou a Índia,

Um conjunto de pequenas alterações formam uma variante e essa variante adquire características que podem ser melhores ou piores do que a estirpe inicial, diz, para explicar o quanto é difícil ter certezas nesta matéria. Mas certo é que a história recente da medicina mostrou que os vírus podem ser eliminados e controlados. Aconteceu, lembra, com a varíola, considerada erradicada, deve acontecer com a poliomielite. E há as vacinas, sobre as quais Francisco George fala diversas vezes. E entretanto surgirão os medicamentos, admite.

Segundo Francisco George, os Estados, sobretudo no ocidente, não fazem investigação científica no sentido de produção de vacinas, o que compete às empresas farmacêuticas. O que agora aconteceu, refere, foi que se percebeu que, tendo o vírus sido sequenciado, era mais rápido procurar uma vacina do que um antiviral. “E foi isso que aconteceu em todos os centros da indústria farmacêutica, de diferentes continentes, que produziram uma vacina quase simultâneo, se bem que com características distintas”, diz.

E acrescenta: “No que respeita aos medicamentos a linha de trabalho foi estudar os antivirais que tinham sido ensaiados na epidemia de ébola de 2014”.

Nessa linha de investigação foram seleccionados alguns medicamentos que agora estão em fase avançada de estudo e que podem “estar acessíveis em breve”.

E conclui Francisco George: é natural que venhamos a ter em breve mais medicamentos.

Comunicação não foi a melhor

O ex-director-geral da Saúde refere ainda nesta entrevista que a comunicação sobre a covid-19 terá de ser analisada no futuro, mas deixa uma certeza: “A comunicação não foi a melhor”. E não o foi “quer por parte de autoridades do Governo quer por outros”, diz.

“Eu mesmo tive dificuldade em compreender a versatilidade das medidas semanais em função deste ou daquele indicador, se eram quatro pessoas à mesa se eram seis, se era dentro se era fora, se como máscaras sem máscara”, diz.

No auge da pandemia de covid-19 diz Francisco George que se criou confusão porque foram sendo anunciadas e comunicadas questões sucessivamente, anulando outras anteriores.

“Penso que não terá sido a melhor” comunicação, reafirma, considerando no entanto que, mesmo assim, sobretudo os comerciantes e a restauração terão percebido, de maneira geral, essas medidas. “Nem tudo foi mau, mas a esse nível poderíamos ter feito mais e melhor”, diz Francisco George.

O ex-director-geral afirma que também não queria ser ele a estar nesse papel. Francisco George esteve no cargo entre 2005 e 2017, sendo substituído pela actual responsável, Graça Freitas. O novo coronavirus surgiu dois anos após ter deixado o lugar.

Na entrevista o antigo responsável pela pasta (Graça Freitas era directora adjunta) não critica, antes elogia, o trabalho nesta matéria da sua sucessora e da ministra da Saúde, Marta Temido.

Francisco George ri-se quando confrontado com a pergunta se em algum momento pensou que era bom estar ele ainda no lugar e na “linha da frente” da luta contra a pandemia: “O meu pensamento foi sempre mais egoísta, foi no sentido de ´ainda bem que não estou lá´”.

“Sou muito amigo e reconheço grande competência à ministra da Saúde, reconheço competência muito elevada à minha sucessora, com quem eu sempre trabalhei. Tenho imensa confiança na Direcção-Geral da Saúde, nos governantes, sobretudo neste caso concreto o Ministério da Saúde. Estou absolutamente tranquilo. E penso que o meu egoísmo é compreensível, ninguém com bom senso gostaria de estar no inferno que vivemos”, declarou.

Diário de Notícias
Lusa
25 Setembro 2021 — 09:41

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1101: Investigador diz que terceira dose generalizada só faz sentido com vacina actualizada

– Miguel Castanho diz que persistir nas mesmas vacinas “é chover no molhado”. A terceira dose “só faz sentido” com “uma vacina actualizada”

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Miguel Castanho diz que persistir nas mesmas vacinas “é chover no molhado”. A terceira dose “só faz sentido” com “uma vacina actualizada”, assume.

© EDUARDO COSTA/LUSA

A administração generalizada de uma terceira dose só faz sentido com uma vacina contra a covid-19 actualizada às novas variantes do vírus SARS-CoV-2, defendeu esta quinta-feira o investigador Miguel Castanho, para quem persistir nas mesmas vacinas “é chover no molhado”.

“Não creio que seja necessário, a breve trecho, uma terceira dose de forma generalizada – eventualmente para doentes do sistema imunitário, sim – e, em minha opinião, só faz sentido considerar essa hipótese para uma vacina actualizada”, adiantou à Lusa o investigador do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Segundo disse, a administração generalizada na população de uma dose de reforço com as vacinas que já estão a ser utilizadas é “chover no molhado”, face às novas variantes do coronavírus que provoca a covid-19, caso da Delta, predominante em Portugal e considerada mais transmissível.

“A imunidade conferida pelas vacinas em uso neste momento durará tempo suficiente para se actualizar, produzir e distribuir as vacinas actualizadas”, defendeu Miguel Castanho.

Já para José Aranda da Silva, especialista em indústria farmacêutica e antigo bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, a evolução da pandemia “será favorável” nos próximos meses, uma vez que os “dados referentes à vacinação são muito positivos”, mas admitiu a possibilidade de um reforço da imunização.

“A evolução será favorável, mas possivelmente teremos de ter um reforço da vacinação. Até ao momento, as notícias sobre medicamentos que possam erradicar a doença, como acontece com outros vírus, não são animadoras”, disse à Lusa o primeiro presidente do Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).

Segundo Aranda da Silva, como acontece em todos os medicamentos, a eficácia das vacinas contra a covid-19 não é de 100%, “pelo que haverá sempre uma parte da população que não fica imunizada”.

“Esta é uma realidade com todas as vacinas e a verdade é que, mesmo assim, com as vacinas conseguimos erradicar do planeta doenças infecciosas que foram devastadoras para a população de diversos continentes durante séculos”, salientou o especialista.

O virologista José Miguel Pereira reitera também que a vacina contra a covid-19 não confere 100% de imunidade, uma vez que “há sempre um grupo de indivíduos que não adquirem a capacidade de criarem uma resposta imunologicamente competente para este agente viral”.

Segundo o especialista, as vacinas actualmente em uso, sendo eficazes a prevenir a covid-19, “não permitem aparentemente evitar que o vírus SARS-CoV-2 infecte e colonize as células das vias respiratórias dos vacinados”, apesar de se tratar, na maioria dos casos, de infecções assintomáticas ou benignas.

No entanto, diversos estudos revelam que as pessoas vacinadas e que ficam infectadas possuem menores cargas virais e de menor duração nas vias respiratórias, adianta o investigador.

“Ou seja, a probabilidade de haver transmissão a partir de um hospedeiro vacinado que tenha sido infectado é muito menor do que a que se verifica quando essa infecção ocorre num hospedeiro não vacinado”, assegura José Miguel Pereira.

A administração de uma terceira dose de vacina contra a covid-19 pode vir a ser administrada a dois grupos distintos da população, admitiu quarta-feira a directora-geral da Saúde (DGS), Graça Freitas.

“A questão da terceira dose tem duas componentes: para os imuno-suprimidos é uma outra oportunidade de ficarem imunizados; para as pessoas que tiveram a sua vacinação, mas porque são velhos, doentes ou terem outra condição que não os deixou duradouramente protegidos, está a ser equacionado um reforço. São estes estudos que estão a ser feitos e que têm muito a ver com a duração da imunidade”, afirmou a responsável da DGS.

A covid-19 provocou pelo menos 4.461.431 mortes em todo o mundo, entre mais de 213,79 milhões de infecções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 17.689 pessoas e foram contabilizados 1.028.421 casos de infecção confirmados, segundo dados da Direcção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e actualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil ou Peru.

Diário de Notícias
DN/Lusa
26 Agosto 2021 — 16:48

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1100: EMA deverá autorizar terceira dose aos idosos. Portugal só aguarda luz verde

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VACINAÇÃO/TERCEIRA DOSE/IDOSOS

O primeiro-ministro António Costa anunciou que o país já tem calendário para avançar com o reforço vacinal contra o SARS-CoV-2 para os maiores de 65 anos. O DN apurou que esta é a opinião dos peritos da Comissão Técnica da DGS e que a mesma vai ao encontro do que deve ser decidido, na próxima semana, pelos peritos da EMA.

Evidência científica tem revelado que protecção imunitária contra a covid-19 é mais elevada logo após a vacinação do que ao fim de seis meses.
© Ivo Pereira Global Imagens

A evidência científica disponibilizada até agora vai no sentido de que o esquema vacinal é eficaz, mas começa a ficar claro que esta protecção, apesar de ser significativa, não é tão elevada ao fim de uns meses, como logo após a vacinação nas faixas etárias acima dos 65 anos. Neste sentido, tendo em conta os resultados de dois grandes estudos científicos e a experiência de alguns países, que iniciaram a terceira dose, tudo indica que a administração desta tem risco reduzido e um impacto positivo nestas pessoas.” Foi desta forma que fonte ligada ao processo da vacinação explicou ao DN o que deve ser seguido em relação ao reforço vacinal para a faixa etária sénior.

De acordo com a mesma, esta é também a interpretação que deverá ser aceite pelos peritos do Comité de Medicamentos de Uso Humano (CHMP na sigla inglesa) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), do qual se espera uma decisão no início de Outubro, provavelmente já na próxima semana, no sentido da autorização do reforço vacinal aos maiores de 65 anos. “À luz da evidência científica tudo aponta que a decisão da EMA vá nesse sentido”, sublinhou a mesma fonte.

Portanto, quando nesta quinta-feira o primeiro-ministro, António Costa, se dirigiu ao país a anunciar que estavam reunidas as condições para se avançar para a terceira e última fase do desconfinamento prolongado iniciado em Julho e ainda que estava tudo pronto para se avançar com a terceira dose aos maiores de 65 anos, sabia ser este o entendimento dos peritos da Comissão Técnica de Vacinação (CTV) contra a Covid-19.

Portugal aguarda assim apenas luz verde da EMA para avançar, já que “”vivemos num espaço europeu e devemos aguardar pela autorização da EMA, até para que sejam disponibilizadas vacinas para este efeito”, explicaram ao DN. No entanto, há Estados membros da UE que já decidiram administrar esta dose de reforço, mesmo sem decisão da autoridade de saúde europeia, embora “enfrentem riscos legais mais elevados, sem uma decisão formal da EMA”, argumentaram as fontes do DN.

Mas, na quinta-feira passada, António Costa garantiu que o país tem doses suficientes de vacinas para iniciar esta nova campanha contra a covid-19, esperando que esta esteja finalizada pelo Natal, de forma a que todos possamos viver esta quadra “mais protegidos”.

Recorde-se que Portugal já conseguiu atingir 83% de população vacinada, estando a seis pontos percentuais do total de população que pode ser inoculada (89%) -11% são menores de 12 anos. Mas Portugal é também dos países que, desde o início de Setembro, pode vacinar com a terceira dose todas as pessoas maiores de 16 anos com imunossupressão. A recomendação foi feita pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) a 1 de Setembro, após parecer da CTV, e de o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) ter considerado que esta deveria ser recomendada “para pessoas com sistema imunológico gravemente enfraquecido, como parte da sua vacinação primária”.

A norma da DGS inclui pessoas transplantadas (há menos de três meses), com VIH/sida, doentes com doença oncológica ativa, síndrome de Down e com outras doenças auto-imunes. Uma recomendação que também já é seguida por outros países fora do espaço europeu, nomeadamente os EUA, que, nesta semana, também autorizaram o reforço vacinal para maiores de 65 anos. O epidemiologista conselheiro da Casa Branca, Anthony Fauci, tinha afirmado, no domingo passado, numa entrevista, que era inevitável a terceira dose para os idosos e que a administração Biden estava apostada em fazê-lo.

A União Europeia espera luz verde da EMA, que, desde o dia 6 de Setembro, e tal como foi anunciado, está a avaliar os dados apresentados pela Pfizer/ BioNTech sobre os resultados em relação aos estudos realizados sobre a dose de reforço a pessoas como mais de 65 anos, dada seis meses após a segunda toma.

Ainda não há evidência para terceira dose nos mais novos

A discussão da terceira dose da vacina contra a covid-19 não vai ficar por aqui, mesmo depois desta decisão da EMA. Para as fontes do DN, este reforço vacinal tem de continuar a ser monitorizado. Até porque a questão também já está a ser colocada em relação à população em geral, mas, segundo os peritos portugueses, “ainda não há informação suficiente disponível sobre este assunto. Ou seja, em relação aos mais idosos sabemos que existe uma diminuição da protecção que acaba por se traduzir num aumento de risco em relação à doença, mas para os grupos mais novos isto não é assim tão evidente”.

Por isso, sublinharam os mesmos, “a questão tem de continuar a ser monitorizada, mesmo em relação a outros grupos de risco. Daqui a uns tempos pode chegar-se à conclusão de que a população adulta também deve receber a terceira dose“, acrescentando: “As vacinas foram criadas para nos proteger em relação à doença grave e muito grave e, neste aspecto, já provaram a sua eficácia. Basta olhar para o que se passa nos lares portugueses, onde vão sendo registados alguns surtos, mas com um número reduzido de óbitos e com infecções ligeiras ou mesmo sem sintomas.”

As mesmas fontes ressalvam que, em relação às faixas etárias menores de 65 anos que esta avaliação deve ter em conta a realidade de cada país. “Mesmo dentro do espaço europeu, as realidades são diferentes. Há países que têm uma cobertura vacinal mais elevada do que outros e há países que têm uma população muito mais idosa do que outros, como é o caso de Portugal. E, por agora, é esta que deve ser protegida”, sustentam. Recorde-se que o ECDC, num parecer emitido no início deste mês, admitiu “não haver necessidade urgente” de administrar doses de reforço a indivíduos totalmente vacinados na população geral.

A decisão da EMA em relação à terceira dose deve ser conhecida já na próxima semana. A vacina da Pfizer/BioNTech foi a primeira a ser analisada, mas, de acordo com um comunicado da UE, o laboratório da Moderna também vai apresentar à EMA os resultados a que chegou.

A União Europeia assinou três acordos com a Pfizer/BioNTech para a compra de 2,4 mil milhões de doses, sendo que o último acordo prevê a disponibilização de cerca de 900 milhões de vacinas, o que significa que uma parte destas será utilizada em reforços, caso estes venham a ser considerados necessários ou se surgirem novas variantes do vírus. Neste momento, 70% da população da UE já foi totalmente vacinada. Situação muito diferente é a que vivem outros países de continentes como África, Ásia e América Latina. Por isso mesmo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem vindo a solicitar aos países mais ricos que retardem este reforço em prol da campanha de vacinação para os países mais carenciados.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
25 Setembro 2021 — 00:15

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1097: Agência Europeia prevê decisão sobre terceira dose no início de Outubro

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/TERCEIRA DOSE/VACINAÇÃO

À Agência Europeia de Medicamentos (EMA) chegou até agora apenas um pedido submetido esta semana pelas empresas Pfizer/BioNTech para restabelecer a protecção de vacinados com 16 anos de idade ou mais após seis meses da segunda dose.

© Dn/Lusa

A Agência Europeia de Medicamentos disse esta quinta-feira (23) esperar emitir, no início de Outubro, uma decisão sobre a eventual terceira dose de reforço da vacina anticovid-19, a administrar seis meses depois da segunda dose, nomeadamente a pessoas vulneráveis, como solicitado pela Pfizer/BioNTech.

“Compreendemos que os Estados-membros da UE e outros países do mundo considerem já agora a opção de um reforço, particularmente nos grupos vulneráveis, e é por isso que temos vindo a acelerar a nossa análise sobre a vacina Comirnaty [nome comercial da vacina da Pfizer/BioNTech contra a covid-19], que é a única que temos agora nas nossas mãos, a fim de apresentarmos uma opinião até ao início de Outubro”, declarou o responsável pela estratégia de vacinação da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), Marco Cavaleri.

Falando em conferência de imprensa na sede do regulador da UE, em Amesterdão (Países Baixos), o responsável indicou que a EMA está “em diálogo com as empresas a fim de compreender que dados estão a surgir”.

Ainda assim, quando questionado sobre eventuais pressões do sector farmacêutico para avançar com esta terceira dose de reforço, Marco Cavaleri garantiu que o regulador europeu irá “basear sempre a decisão em provas e não em qualquer pressão“.

À EMA chegou então até agora apenas um pedido submetido esta semana pelas empresas Pfizer/BioNTech para restabelecer a protecção de vacinados com 16 anos de idade ou mais após seis meses da segunda dose.

Apesar de o regulador estar a analisar tal pedido, o responsável pela vacinação na EMA reiterou esta quinta-feira que as provas actuais sobre a eficácia da vacina e a duração da protecção mostram que as vacinas anticovid-19 aprovadas na UE asseguram alta protecção contra doenças graves e internamentos na população em geral das vacinas, pelo que uma terceira dose só é admitida para grupos vulneráveis como imuno-deprimidos.

A posição do regulador dos medicamentos é idêntica à do Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), que num relatório divulgado no início de Setembro – e co-assinado por especialistas da EMA – defendeu não existir “necessidade urgente” de administrar doses de reforço da vacina anticovid-19 à população em geral, dado que os fármacos aprovados na UE são “altamente protectores” contra doença grave.

Ainda assim, o ECDC admitiu “a opção de administrar uma dose adicional de vacina a pessoas que possam ter uma resposta limitada ao ciclo primário de vacinação”, incluindo “indivíduos imuno-deprimidos, por exemplo, receptores de transplantes”, bem como “indivíduos mais velhos e frágeis”.

Em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde actualizou, também no início de Setembro, as normas para admitir uma terceira dose adicional da vacina a imuno-deprimidos com mais de 16 anos, como transplantados, seropositivos e doentes oncológicos.

Marco Cavaleri foi ainda questionado sobre o anúncio feito pela Pfizer/BioNTech, de que a vacina é segura para crianças com mais de cinco anos e que pode estar no mercado já em Outubro.

Sobre esta questão, o responsável indicou à imprensa que o consórcio farmacêutico não informou formalmente a EMA sobre o assunto e que isso poderá acontecer “mais tarde, talvez em Outubro”.

Diário de Notícias
Lusa
23 Setembro 2021 — 16:56

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