1125: Colégio de Lisboa distribui aos pais carta aberta contra vacinação

SAÚDE PÚBLICA/SAÚDE MENTAL/NEGACIONISTAS

A denúncia partiu dos encarregados de educação do colégio “O Pelicano”, cuja direcção justificou ter-se limitado a distribuir aos funcionários e aos pais a informação que chegou.

Encarregados de educação de um colégio em Lisboa denunciaram esta sexta-feira ter recebido na escola uma carta aberta, datada de Julho, que considera que os jovens e as crianças não devem ser vacinados contra a covid-19, considerando a situação “muito peculiar”.

Em declarações à Lusa, Hugo Mouro disse ter achado a “situação muito estranha”, depois de ter percebido que os papéis que uma das auxiliares lhe tinha dado à entrada do estabelecimento de ensino tinham a ver com uma carta contra a vacinação e não sobre a questão da baixa da educadora do seu filho.

“Vi que estavam outros pais a receber os papéis, mas só quando cheguei ao carro vi o que eram. Como a educadora do meu filho está de baixa e não recebemos qualquer tipo de informação oficial até agora, pensei que era esse o caso”, começou por explicar.

No entanto, depois de ler os documentos em questão, a carta aberta datada de 24 de Julho, em que diversos médicos sustentam que a vacina contra a covid-19 tem poucos benefícios nos jovens e nas crianças, decidiu ir buscar o filho e retirá-lo da escola em questão.

Hugo Moura explicou que até ao dia de hoje não tinha qualquer tipo de queixa contra o colégio “O Pelicano”, adiantando ter investigado sobre o mesmo, na altura de escolher a escola do filho. “Ainda estou a processar, não estava nada à espera. Vê-se que a primeira folha do documento é descaracterizada, não há logótipo nenhum do colégio, só se encontra datada de 30 de Outubro e é assinado pela Direcção do Colégio.

Para o encarregado de educação, “não são as escolas a ditar a saúde pública”, pelo que se mostrou desagradado com a “situação peculiar” que viveu.

Outra encarregada de educação, que preferiu não ser identificada, confirmou igualmente que o documento de várias páginas tinha sido distribuído à entrada por uma auxiliar do colégio, na presença da directora da escola, que habitualmente se encontra numa das entradas a receber as crianças.

Na primeira folha do documento que foi facilitada à Lusa, tanto pelo encarregado de educação, como pela direcção da escola, lê-se: “Caros pais, os directores dos Agrupamentos de Escolas, de Escolas Secundárias, das Escolas Profissionais, das Escolas Básicas e dos Colégios Particulares recebemos a informação que juntamos”.

Numa resposta à Lusa via email, a direcção do colégio “O Pelicano” explicou ter recebido a carta aberta e ter entendido distribuir aos funcionários e aos pais a informação que chegou.

“No dia 30 de Setembro, a directora do colégio entregou estes papéis aos 19 funcionários. No dia 1 de Outubro foram entregues aos pais do grupo de crianças dos três anos”, refere a resposta assinada pela directora do colégio e vice-presidente da Fundação A Caridade, Marina Aires Pereira.

Em 24 de Julho deste ano, diversos médicos de diferentes especialidades mostraram-se contra a vacinação contra a covid-19 em crianças e jovens saudáveis, por considerarem que os benefícios de administração da vacina nesta população não superam os riscos.

Através de uma carta aberta, os especialistas sustentaram que o argumento de protecção dos mais idosos para justificar a vacinação em jovens “não é eticamente aceitável”, defenderam que a vacina tem poucos benefícios neste grupo etário, lembram que a doença se manifesta nesta população quase sempre de forma ligeira ou assintomática e apontam para alguns efeitos secundários mais graves, como uma relação das vacinas (Pfizer/BioNTech e Moderna) com um risco muito raro de inflamações cardíacas (miocardite e pericardite).

Rui Martins, da Confederação Nacional Independente dos Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), avançou à Lusa “não ter tido qualquer tipo de queixa até ao momento” sobre este documento poder estar a ser distribuído em outras escolas do país.

“Não é normal [a situação]. Os pais que se negam à vacinação querem fazer prevalecer que esse é o caminho, mas tal não é correto. Tem a ver com a corrente negacionista, que respeitamos, mas os números da vacinação falam por si”, acrescentou.

Fonte do Ministério da Educação indicou à Lusa não ter conhecimento do caso, nem de qualquer tipo de queixa.

Também contactado pela Lusa, Rodrigo Queirós e Melo, da Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, revelou não ter tido conhecimento “nem deste caso, nem de nenhum semelhante no sector de escolas que engloba”.

Na carta, que se dirige aos “pais, avós, famílias, professores, profissionais de saúde, agentes e militares das forças de segurança e a todos quanto se preocupam com a humanidade” pode ler-se, entre outras frases, “esta ‘vacina’ pode matar ou deixar sequelas permanentes”.

Diário de Notícias
Lusa
01 Outubro 2021 — 16:48

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1102: Vacinação de crianças? Só se for comprovada a eficácia

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VACINAÇÃO/CRIANÇAS

As crianças maiores de cinco anos devem ser vacinadas contra a covid-19, desde que a segurança e a eficácia da vacina estejam comprovadas cientificamente nestas idades, defende o médico especialista em saúde pública e ex-director-geral da Saúde, Francisco George.

Francisco George elogia do trabalho da sua sucessora e diz que, em tempos de pandemia, teve um pensamento egoísta: “Ainda bem que não estou lá”.
© Filipa Bernardo Global Imagens

A vacinação das crianças está a ser a discutida e analisada, tendo a Pfizer já anunciado que a sua vacina contra a covid-19 é eficaz em crianças dos 5 aos 11 anos e que vai requerer autorização nos Estados Unidos para este grupo em breve. Em entrevista à Lusa, o ex-director-geral da Saúde Francisco George não vê entraves na vacinação deste grupo etário, desde que as vacinas “tenham uma base de comprovação científica, da sua segurança e do resultado positivo”.

“Se as coortes [N.W.-Grupo de pessoas, usado em estudos ou em investigação, que possuem características em comum, como a idade, a classe social, a condição médica, etc..] estudadas por epidemiologistas perceberem que as crianças são fontes de transmissão do vírus, da infecção, e que precisam de ser protegidas, e se tivermos a certeza da segurança da vacina, não vejo porque não”, diz em entrevista à agência Lusa na sede da Cruz Vermelha Portuguesa, instituição a que preside, no Palácio da Rocha do Conde D’Óbidos, em Lisboa.

Em Portugal, as crianças são vacinadas desde a nascença até à entrada no ensino secundário, observa o médico que durante 12 anos foi director-geral da Saúde, cargo que deixou em 20 de Outubro de 2017, na véspera de completar 70 anos, pondo fim a uma carreira de 44 anos ao serviço da Função Pública.

Então, questiona: “Se há reforço para as outras vacinas, e se há vacinação de crianças com menos de 5 anos para outras doenças, porque é que não há de haver também para estas?”.

Quanto à terceira dose da vacina, defende que a sua necessidade é ditada pelo nível de anticorpos produzidos pelas vacinas anteriores e que a decisão terá de ser tomada com base científica.

“Não são as opiniões, sobretudo de comentadores, que devem ser ouvidas em termos dos comentários que formulam, que são livres, que são justos, que são legítimos, mas não tem base científica”, declara.

Portanto, sustenta, “não há aqui nenhuma opinião a não ser aquela que é baseada na demonstração de que o número de doses anteriores [da vacina] tenha protegido o cidadão, a sua família, a comunidade, através da medição em laboratório dos anticorpos que circulam no soro”.

Entre 1980 e 1991, Francisco George esteve na Organização Mundial da Saúde e em 1990 desempenhou as funções de epidemiologista do Programa Mundial de Luta Contra a Sida como coordenador para a África Austral.

Desde então lidou com outras crises epidémicas, como a SARS – Síndrome Respiratória Aguda Severa, em 2003, a infecção respiratória do Médio Oriente, dez anos depois, e agora com o coronavírus SARS-CoV-2, uma “doença nova” que surgiu na China no final de 2019.

Francisco George fala com entusiasmo da actual pandemia pelas medidas tomadas para a combater, mas sobretudo da vacina: “É extraordinária. Ao contrário de outras, é uma vacina inteligente” e “é absolutamente seguro ser vacinado”.

“É espantoso como a evolução científica, com base nos conhecimentos recentes da biologia molecular, foi agora adaptada ao fabrico com sucesso destas vacinas”, em que é inoculada uma proteína mensageira do vírus, em vez do vírus morto ou atenuado, diz com eloquência.

Considera também “absolutamente único” a desinfecção com um álcool-gel que “não é abrasivo e protege as mãos”.

“Nunca mais vamos deixar de ter a higiene das mãos em conta”, diz, destacando os benefícios desta medida, a par com o uso da máscara, na diminuição da frequência de “muitas outras doenças” como a gripe.

À pergunta se a população deve usar máscara na rua no outono/inverno, responde rapidamente que “só traz benefícios”.

E se esta medida deve voltar a ser obrigatória nos períodos de maior actividade gripal, a resposta vem em jeito de pergunta: “Mas porque não? qual é o problema?”.

“É socialmente aceite se for caso disso, não vejo nenhuma preocupação”, refere, e pode ser até usada de forma espontânea pela população.

Voltando à vacina contra a covid-19 e se esta devia ser obrigatória, Francisco George afirma que não, mas reitera o apelo deixado na sua última intervenção enquanto director-geral de Saúde, para que se altere a Constituição de 1976, que apenas prevê o internamento compulsivo de portadores de anomalia psíquica.

“Eu não estou a defender a obrigatoriedade da vacina, estou a defender que, por exemplo, um doente que tenha ébola não possa sair do hospital e entrar no metropolitano. Isso é que eu defendo”, justifica.

O objectivo é que “não haja diferença entre anomalia psíquica e doença contagiosa” e, para isso, “a Constituição pode e deve ser mudada para ir ao encontro dos interesses da saúde pública, defende, frisando que este “é um tema urgente que não pode ser ignorado”.

“É necessário criar princípios inteligentes, mais flexíveis, que não tornem difícil a prevenção e o controle dos problemas em saúde pública”, evitando-se assim estar a decretar-se “sucessivamente estados de emergência” como aconteceu com a covid-19.

Doença pode vir ser erradicada

Na entrevista à Agência Lusa, o médico e antigo director-geral da Saúde considera ainda ser cedo para se perceber o que se vai passar com o novo coronavírus mas admite: “Há ferramentas e meios que a ciência hoje disponibiliza que podem vir a controlar e eliminar o vírus”.

“É possível que isso venha a acontecer. Ninguém pode dizer que nunca nos libertaremos deste vírus. Mas também ninguém pode dizer que nos vamos libertar o vírus dentro de pouco tempo”, afirma.

A luta contra o Sars-Cov-2, que provoca a doença covid-19, é um assunto que está, diz, em análise permanente, a nível mundial.

E acrescenta: “Nós, aqui em Portugal, também deveríamos ter mais pensamento sobre estas questões, e equipas que devem seguir estes problemas, para antever na medida do possível aquilo que possa acontecer”.

Porque, garante, é preciso antecipar a reemergência ou a emergência de novos problemas.

Na entrevista, Francisco George não se cansa de enfatizar a importância do estudo, da análise científica, do trabalho de prevenção. Porque a natureza de um vírus como o actual assim o exige.

Cauteloso, o especialista não quer avançar se no inverno vai haver, como no ano passado, um aumento exponencial de casos de covid-19. E lembra, sem ser crítico, mas compreendendo, declarações de Graça Freitas, actual directora-geral da Saúde, no início da pandemia, a minimizar a importância do novo coronavirus.

“Aquilo que se diz hoje pode perder actualidade, é verdade naquele dia, mas pode não ser verdade uma semana depois. Este vírus apresenta uma capacidade de mutação que nós já conhecemos pela formação das variantes que estão a circular. Isso é verdade, mas ainda é cedo para antever o final da pandemia. Nós ainda não podermos dizer acabou”, diz.

As variantes, explica, resultam de um conjunto de mutações do vírus durante a fase de replicação nas células, e estão relacionadas com a magnitude da propagação epidémica, pelo que é mais passível de acontecerem em países grandes, como a China ou a Índia,

Um conjunto de pequenas alterações formam uma variante e essa variante adquire características que podem ser melhores ou piores do que a estirpe inicial, diz, para explicar o quanto é difícil ter certezas nesta matéria. Mas certo é que a história recente da medicina mostrou que os vírus podem ser eliminados e controlados. Aconteceu, lembra, com a varíola, considerada erradicada, deve acontecer com a poliomielite. E há as vacinas, sobre as quais Francisco George fala diversas vezes. E entretanto surgirão os medicamentos, admite.

Segundo Francisco George, os Estados, sobretudo no ocidente, não fazem investigação científica no sentido de produção de vacinas, o que compete às empresas farmacêuticas. O que agora aconteceu, refere, foi que se percebeu que, tendo o vírus sido sequenciado, era mais rápido procurar uma vacina do que um antiviral. “E foi isso que aconteceu em todos os centros da indústria farmacêutica, de diferentes continentes, que produziram uma vacina quase simultâneo, se bem que com características distintas”, diz.

E acrescenta: “No que respeita aos medicamentos a linha de trabalho foi estudar os antivirais que tinham sido ensaiados na epidemia de ébola de 2014”.

Nessa linha de investigação foram seleccionados alguns medicamentos que agora estão em fase avançada de estudo e que podem “estar acessíveis em breve”.

E conclui Francisco George: é natural que venhamos a ter em breve mais medicamentos.

Comunicação não foi a melhor

O ex-director-geral da Saúde refere ainda nesta entrevista que a comunicação sobre a covid-19 terá de ser analisada no futuro, mas deixa uma certeza: “A comunicação não foi a melhor”. E não o foi “quer por parte de autoridades do Governo quer por outros”, diz.

“Eu mesmo tive dificuldade em compreender a versatilidade das medidas semanais em função deste ou daquele indicador, se eram quatro pessoas à mesa se eram seis, se era dentro se era fora, se como máscaras sem máscara”, diz.

No auge da pandemia de covid-19 diz Francisco George que se criou confusão porque foram sendo anunciadas e comunicadas questões sucessivamente, anulando outras anteriores.

“Penso que não terá sido a melhor” comunicação, reafirma, considerando no entanto que, mesmo assim, sobretudo os comerciantes e a restauração terão percebido, de maneira geral, essas medidas. “Nem tudo foi mau, mas a esse nível poderíamos ter feito mais e melhor”, diz Francisco George.

O ex-director-geral afirma que também não queria ser ele a estar nesse papel. Francisco George esteve no cargo entre 2005 e 2017, sendo substituído pela actual responsável, Graça Freitas. O novo coronavirus surgiu dois anos após ter deixado o lugar.

Na entrevista o antigo responsável pela pasta (Graça Freitas era directora adjunta) não critica, antes elogia, o trabalho nesta matéria da sua sucessora e da ministra da Saúde, Marta Temido.

Francisco George ri-se quando confrontado com a pergunta se em algum momento pensou que era bom estar ele ainda no lugar e na “linha da frente” da luta contra a pandemia: “O meu pensamento foi sempre mais egoísta, foi no sentido de ´ainda bem que não estou lá´”.

“Sou muito amigo e reconheço grande competência à ministra da Saúde, reconheço competência muito elevada à minha sucessora, com quem eu sempre trabalhei. Tenho imensa confiança na Direcção-Geral da Saúde, nos governantes, sobretudo neste caso concreto o Ministério da Saúde. Estou absolutamente tranquilo. E penso que o meu egoísmo é compreensível, ninguém com bom senso gostaria de estar no inferno que vivemos”, declarou.

Diário de Notícias
Lusa
25 Setembro 2021 — 09:41

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1018: 120 mil jovens dos 12 aos 15 anos vacinados no primeiro dia

SAÚDE PÚBLICA/JOVENS/VACINAÇÃO

Foram vacinados 118 mil jovens até às 17:00 deste sábado, o primeiro dia em que iniciaram o processo todos os que têm entre 12 e 15 anos. Estima-se que ultrapassem os 120 mil neste dia.

Primeiro dia da vacia para quem tem com idades entre os 12 e 15 anos no centro de vacinação covid de Cascais
© TIAGO PETINGA/LUSA

O último balanço da task-force do plano de vacinação indica que 118 mil jovens se vacinaram até às 17:00 deste sábado, o que significa 29% do grupo etário dos 12 aos 15 anos. As estimativas do Instituo Nacional de Estatística indicam 409.873 residentes com estas idades em Portugal.

O coordenador, o vice-almirante Gouveia de Melo, estima que se ultrapassem os 120 mil neste primeiro dia de vacinação dos mais novos.

Agendaram a vacina 110 mil jovens para este fim de semana, muitos mais apareceram através da modalidade “Casa Aberta”. Funciona segundo o horário de cada centro de vacinação e mediante uma senha (retirada via Internet ou no local).

A vacinação deste grupo etário continua este domingo, prologando-se para o próximo fim de semana.

Esta manhã, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo manifestou-se confiante de que irá ser ultrapassado em muito o número de jovens inscritos para a vacinação neste fim de semana, e que se ficou por um terço do universo elegível.

“Com esta pandemia é muito difícil fugir ao vírus”, disse, recordando a proximidade da abertura do ano lectivo. E recomendou aos pais que sigam as recomendações da DGS e vacinem os filhos.

O vice-almirante foi recebido com aplausos no posto de vacinação de Alcabideche, em Cascais, e confessou-se emocionado. “Não estava à espera. Já visitei muitos pavilhões, mas eu julgo que os problemas recentes fizeram com que os pais também tomassem mais consciência deste processo. Acho que estes aplausos foram mais para me animar e eu agradeço imenso e fico comovido”, disse Gouveia e Melo, aos jornalistas, no final da visita.

Diário de Notícias
DN
21 Agosto 2021 — 19:29

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45 mil jovens já vacinados este sábado e vice-almirante “emocionado”

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/VACINAÇÃO JOVENS

Henrique Gouveia e Melo apelou a que os pais sigam a recomendação da DGS e vacinem os seus filhos. Foi recebido em Alcabideche com palmas.

Vice-almirante Henrique Gouveia e Melo está a acompanhar o processo de vacinação dos mais jovens
© Rita Chantre / Global Imagens

O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo quis acompanhar de perto o processo de vacinação dos jovens entre os 12 e 15 anos, que está a decorrer este fim de semana. E no posto de vacinação de Alcabideche O coordenador da task force para o processo de vacinação contra a covid-19 emocionou-se. Não só porque recebeu a informação que já estariam vacinadas durante amanhã 45 mil pessoas, como pelo incentivo que recebeu à chegada, com palmas.

Aos jornalistas, o vice-almirante admitiu que recebeu com agrado as palmas de jovens, que o acolheram à sua chegada. Recordou o episódio que se viu envolvido na semana passada quando foi insultado por um grupo de activistas anti-vacinação para concluir: “A barreira do negacionismo é muito pequena em Portugal e ainda bem para nós”.

“A barreira do negacionismo é muito pequena em Portugal e ainda bem para nós.”

Gouveia e Melo manifestou-se confiante que irá ser ultrapassado em muito o número de jovens inscritos para a vacinação e que se ficou por um terço do universo elegível. “Com esta pandemia é muito difícil fugir ao vírus”, disse, recordando a proximidade da abertura do ano lectivo. E recomendou aos pais que sigam as recomendações da DGS e vacinem os filhos.

O coordenador da task force para a vacinação admitiu ainda aos jornalistas que “faz sentido” uma terceira dose para os mais vulneráveis, mas sempre com a ressalva: “Não sou técnico”.

“Estamos a acabar um processo de emergência, com esforço colectivo, incluindo da população, e essa terceira dose será já num processo normal”, afirmou.

Diário de Notícias
Paula Sá
21 Agosto 2021 — 12:35

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984: Já há acordo na vacinação juvenil. Mas não há na utilidade dos testes

SAÚDE/PANDEMIA/VACINAÇÃO JUVENIL

A DGS foi ao encontro do que o Governo (e o PR) defendiam no que toca à vacinação da faixa etária dos 12 aos 15 anos. Pode começar, incondicionalmente. Contudo, há divisões agora sobre a utilidade de testes serológicos para avaliar a necessidade ou não de terceiras doses.

Governo assegura que jovens dos 12 aos 17 estarão vacinados até 19 de Setembro
© António Cotrim/Lusa

Está resolvida a controvérsia sobre a vacinação na faixa etária 12-15 anos. Em conferência de imprensa, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, anunciou que “a DGS recomenda a vacinação de todos os adolescentes dos 12 aos 15 anos de idade”, sem necessidade de indicação médica.

Com esta directiva, a vacinação deste grupo deixa de ficar circunscrita a situações específicas, como os casos em que os jovens têm doenças de risco. A chefe da DGS explicou que a decisão surge depois de analisados “novos dados disponibilizados nos últimos dias”, em concreto os impactos registados nos “mais de 15 milhões adolescentes vacinados nos Estados Unidos e na União Europeia” que revelaram ser “extremamente raros” os casos de miocardites e pericardites.

Portanto, tendo em conta os novos dados, a DGS decidiu então alargar a todos os jovens desta faixa etária a vacina contra a covid-19 que deverá começar a ser ministrada em breve. “Está aberto o caminho para a vacinação”, disse Graça Freitas, sublinhando que não se pode criar a “expectativa de que é hoje que começa”, estando dependente do plano de vacinação da task force que coordena este processo. Sobre a possibilidade de os mais novos – cerca de 400 mil – começarem a ser vacinados contra a covid-19 antes do arranque do ano lectivo, Graça Freitas disse esperar que tal aconteça, mas caso arranque uns dias depois do início das aulas tal “não terá um impacto negativo importante” para a saúde.

Há muito que o governo defendia que devia ser este o caminho – para o início do ano lectivo se fazer sem problemas pelo lado dos estudantes. Logo a seguir à conferência de imprensa de Graça Freiras, o primeiro-ministro veio a terreiro saudar a decisão da DGS. “Congratulo-me que a ciência tenha confirmado ser possível cumprir o nosso dever de garantir protecção universal a todas as crianças maiores de 12 anos”, escreveu António Costa numa mensagem publicada na sua conta oficial na rede social Twitter.

Segundo garantiu, “tudo está a postos para garantir a administração de duas doses de vacinas até ao início do ano lectivo”. “As vacinas foram compradas, a logística aprontada e o calendário definido: os jovens entre 12 e 17 anos podem ter vacinação completa até 19 de Setembro.”

A decisão da DGS pareceu assim vir ao encontro das pressões que o governo há muito fazia. Contudo, a directora-geral enquadrou-a em “novos dados”. Admitiu, porém, que a DGS não esteve “nem surda nem cega” às diversas opiniões que se foram manifestando. “Obviamente, não estivemos surdos nem cegos a tudo o que foi sendo dito, mas a decisão foi baseada num parecer da Comissão Técnica de Vacinação sobre o qual a Direcção-Geral da Saúde não tem a mínima intervenção”, salientou Graça Freitas.

“Nós temos de estar certos à data, com o que sabemos, com os dados que temos, que os benefícios superam os riscos e que esses riscos são conhecidos, são controlados, são mínimos, têm um carácter e uma evolução benigna e são extremamente raros e, há dez dias, faltava-nos alguma informação, nomeadamente gerada na União Europeia”, afirmou. E quanto às “variadíssimas opiniões” que têm acontecido sobre a pandemia, afirmou que a diversidade “é um bem em si”: “Estamos numa democracia. As pessoas que têm informação privilegiada ou que têm a sua opinião podem e devem dá-la.”

Há consenso agora nesta questão – mas ainda não há na utilidade dos testes para efeitos de calibragem do processo de vacinação – nomeadamente para decidir o problema, não resolvido ainda, da terceira dose de vacina. Aqui a DGS parece estar de um lado e o governo do outro, mais uma vez.

No sábado, o governo – através de um comunicado do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social – anunciou que iria promover um estudo serológico a 5 mil funcionários e utentes de lares de idosos (no Alentejo e no Algarve). Objectivo: aumentar o conhecimento científico actual sobre a duração dos efeitos da vacina na população idosa. “Os resultados do estudo serão partilhados com as autoridades de saúde e poderão contribuir para decisões futuras sobre esta matéria”, lia-se no comunicado. Nas entrelinhas ficava claro: as “decisões futuras” são sobre a terceira dose.

Isto foi no sábado. Ontem, na conferência de imprensa, o imunologista Luís Graça, membro da membro da Comissão Técnica de Vacinação, disse, basicamente, “não, obrigado”: “A decisão sobre a necessidade de uma terceira dose terá de ser tomada com base em dados da protecção que as vacinas continuam a manter contra a doença que é causada por esta infecção e não por dados serológicos.”

“Os testes serológicos não estão recomendados em Portugal nem nos outros países para ser base para a tomada de decisões sobre o estado de protecção conferido pelas vacinas contra a covid-19”, disse o especialista, lembrando que os ensaios clínicos que foram a base da autorização da utilização das vacinas não se basearam em serologia, mas sim na eficácia das vacinas em prevenir infecções e prevenir a doença causada por essa infecção em pessoas vacinadas. O que importa é ir sempre medindo se há ou não um aumento de infecções. E é isso que “deve condicionar medidas para reforçar a protecção de grupos populacionais onde esta efectividade possa estar a decair”.

joao.p.henriques@dn.pt

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
11 Agosto 2021 — 00:20

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