“Utentes preferem esperar 4 a 6 horas na urgência do que voltar ao centro de saúde”

– Seria bom que esta gajada dos hospitais e dos centros de saúde se compenetrassem que nem todas as pessoas possuem posses financeiras para se deslocarem a um médico particular ou a clínicas privadas! Infelizmente os centros de saúde raramente disponibilizaram serviços competentes a todos os níveis. Eu estou há mais de um mês à espera que a médica de família informe sobre uma pergunta que efectuei por e-mail – a única via de comunicação possível porque telefonicamente nem vale a pena tentar -, sobre os efeitos secundários de um medicamento receitado por um clínico de um hospital! E depois admiram-se, coitados (!!!), destas “anomalias” nas urgências!

SAÚDE PÚBLICA/URGÊNCIA/HOSPITAIS/CENTROS DE SAÚDE

A afluência às urgências está a regressar aos números pré-pandemia. Tal como antes, a maioria das situações, cerca de 40%, é injustificada e vão desde dores musculares a problemas de pele, capilares (caspa), alergias a febre. A directora do Serviço de Urgência Polivalente do CHULC, diz que tal acontece por “uma questão cultural. Falta de literacia para a saúde”.

Doentes crónicos estão a chegar em situação mais grave e quando já é mais difícil de resolver descompensações.

No Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC), que integra seis hospitais, São José, Santa Marta, Curry Cabral, Capuchos, Maternidade Alfredo da Costa e o pediátrico D. Estefânia, e três urgências centrais nas áreas polivalente de adultos, pediátricas e ginecologia e obstetrícia, foram atendidos cerca de 740 doentes por dia durante o mês de Março.

O dia 28 foi o que registou maior procura, 912 doentes. A urgência polivalente de adultos teve 480 doentes, a Estefânia 383 e a MAC 49. O mês acabou com quase 23 mil doentes (22 929) a acorrerem às urgências destas unidades.

Segundo explicou ao DN, a directora do Serviço de Urgência Polivalente do Hospital São José, Catarina Pereira, o aumento da afluência começou a ser notado nas últimas semanas de Março e mantém-se nos primeiros dias de Abril. “Para ter uma ideia estávamos a receber na urgência de adultos cerca de 350 doentes, indo até aos 380 quando tínhamos um pico, agora, e desde a última semana de Março, estamos acima dos 400 doentes, com as segundas-feiras, que é o nosso pior dia a chegar aos 480”, o que quer dizer que “estamos quase nos números pré-pandemia, em que o normal era 450 a 500 utentes por dia”, confirma a médica.

E a bem dizer, o padrão de patologias e de situações que estão a chegar à urgência também “não mudou após a pandemia. A maioria das situações não se justifica. É triada com pulseiras verdes e azuis”, justifica a médica, sublinhando mesmo que nos dias mais complicados “a espera destes utentes já ultrapassou as duas horas normais, chegando às quatro horas e, excepcionalmente, às seis”.

No entanto, e quando confrontados com este tempo, e sabendo que o hospital lhes tinha conseguido uma consulta no seu centro de saúde para aquele mesmo dia, “os utentes preferem ficar à espera no hospital do que irem ao centro saúde”, argumenta Catarina Pereira, explicando que o encaminhamento dos doentes não urgentes para os centros de saúde é possível porque hoje “o hospital está muito mais próximo dos centros de saúde da sua área.

Temos uma plataforma partilhada em que nos permite marcar consulta ao doente no seu centro de saúde, mas a esmagadora maioria rejeita, porque sabem que daqui já saem com análises, RX e com a medicação que necessitam. Isto é uma questão cultural, falta de literacia para a saúde, porque, no fundo, é nos centros de saúde que estas situações têm de ser tratadas”.

Falsas urgências continuam a representar 40% das situações

A questão não é nova, porque este é o padrão de comportamento que já antes da pandemia enchia os serviços de urgência. Ou seja, as falsas urgências continuam a representar cerca de 40% das situações que acorrem aos serviços de urgência. A título de exemplo a médica refere algumas das situações que estão a chegar ao seu serviço.

“Há quem chegue com dores articulares, que depois diz ter há meses, com problemas de pele ou com situações tão ridículas como problemas capilares, caspa, ou com alergias, falta de força ou perda de apetite, ou porque têm febre há uma hora ou porque vomitaram uma vez”. Tudo situações que estão “completamente fora do âmbito de uma urgência polivalente e às quais, muitas vezes, nem sequer conseguimos dar resposta, porque exigem um estudo mais contínuo, que não é possível dar numa urgência”.

Segundo Catarina Pereira, que dirige um dos maiores serviços de urgência de adultos do país, “a distribuição de prioridades nas urgências mantém-se em proporção semelhante ao que era o habitual antes da pandemia – cerca de 40% dos doentes triados ficam com pulseiras verdes e azuis, 30% a 40 % com pulseira amarela, que já tem alguma urgência e uma espera média de uma hora, embora esta espera possa chegar às 3 ou 4 horas em dias mais complicados.

Em percentagens muito baixas são triados os doentes urgentes e emergentes, que, por definição, não têm tempo de espera. O doente com pulseira vermelha entra na sala de emergência e o que tem a laranja é entregue em mão a um médico”.

A médica refere que a esmagadora maioria dos doentes com pulseiras verdes e azuis chega à urgência “sem qualquer referenciação de um médico do centro de saúde ou da Linha Saúde 24. Quase que arriscaria dizer que 90% vem por auto referenciação, directamente”, destacando também que as explicações que os utentes dão para se dirigirem à urgência sem motivo válido são quase sempre as mesmas.

“Muitos justificam com o facto de não terem médico de família, outros com a dificuldade de obterem uma consulta no centro de saúde e outros assumem mesmo que vão ali e que resolvem de uma só vez as suas queixas. Algumas destas justificações poderão ser verdade para alguns centros de saúde, mas para outros não”.

Catarina Pereira aconselha os utentes a manterem “um seguimento regular no seu médico de família para fazerem uma medicina preventiva”. Em primeiro lugar, “devem recorrer ao centro de saúde ou à Linha Saúde 24 e não irem de imediato a uma urgência central sem estarem referenciados, até porque têm toda a vantagem nisso. Se vierem referenciados passam à frente de quem chegou directamente e tem a mesma cor da triagem, porque assumimos que os primeiros já foram visto por um médico que encontrou motivos para o encaminhar à urgência”.

Gripes, pneumonias, viroses e doentes crónicos

Ao fim de dois anos, quem está nos hospitais percebe que o padrão de comportamento da afluência às urgências não se modificou, mas o mesmo acontece também com o padrão de patologias. Ou seja, doentes com patologias não urgentes, doentes crónicos descompensados e doentes do foro respiratório.

“O padrão de patologias é igual àquele que sempre tivemos, doentes com patologias não urgentes ou doentes crónicos com muitas comorbilidades, embora estes estejam a chegar em estado de maior gravidade, e em situação mais difícil de compensar do que anteriormente à pandemia, e doentes com sintomas respiratórios”.

A médica explica que o seu serviço está dividido em duas urgências.”Um circuito para as situações em geral e outro só para as do foro respiratório, que se mantém e que exigem isolamento, embora nesta altura a percentagem de doentes positivos à covid-19 seja muito baixa. A maior parte dos doentes vem com situações respiratórias de outras etiologias”.

Por exemplo, “do ponto de vista dos doentes triados com pulseira amarela e até laranja temos muito o doente idoso acima dos 80 anos ou dos 90 com muitas comorbilidades, hipertensão, insuficiência cardíaca e diabetes, que quando registam um quadro respiratório agravam todas as comorbilidades”.

Mas os quadros virais registados são também os normais para a época. “Temos quadros de Gripe A, que tem tido algum significado, embora considere que se passou a testar mais com a covid-19 e com a necessidade de separar os doentes, como de todos os outros quadros de gripe normais. Temos ainda as situações de pneumonia bacteriana, as quais, têm tido um peso importante nos internamentos, porque são situações de maior gravidade porque condicionam maior descompensação das doenças de base, mas todas estas situações estão de acordo com o frio que temos este ano, que em vez de chegar em Janeiro chegou mais tarde”.

O problema que a médica diz estar a causar mais disrupção na organização dos serviços é o facto de as equipas terem de estar divididas em dois circuitos, o geral e o respiratório, sendo que este último exige isolamento e não permite a mobilização de recursos de um lado para o outro, quando há necessidade, mas até agora “ainda não houve necessidade de reforçar as equipas”.

Uma das medidas que constam do XXIII Governo é precisamente a melhoria do acesso do utente aos cuidados primários. Ao DN, na semana passada, o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar deixava um alerta à tutela, pedindo que ouvisse quem está no terreno, para “fazerem bem” o que ainda há para mudar nesta área.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
05 Abril 2022 — 00:10

 

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1684: Temido admite reforçar centros de saúde dada procura pelas urgências

– No passado dia 2 de Fevereiro de 2022, solicitei à minha médica de família uma informação (por e-mail, via secretaria da USF, única forma de contacto dado que por via telefónica não se consegue), sobre o seguinte: “Gostaria de saber a sua opinião sobre este medicamento, se é mesmo necessário a sua toma.” O medicamento foi receitado por um médico da Consulta Externa de um hospital. No dia 3 de Fevereiro de 2022, recebi a seguinte resposta da secretaria: “Confirmamos que recebemos o seu e-mail, o mesmo foi encaminhado para a médica de família.” Hoje, dia 26 de Março de 2022, ainda estou à espera da resposta da médica, se realmente é necessária a toma desse medicamento dado que os efeitos secundários são aterradores…

SAÚDE PÚBLICA/CENTROS DE SAÚDE/URGÊNCIAS

Apesar de a utilização das urgências hospitalares “ainda estar abaixo do número de há dois anos”, a ministra da Saúde salientou haver um aumento da procura em algumas unidades.

© RODRIGO ANTUNES/LUSA

A ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu este sábado reforçar o serviço nos centros de saúde tendo em conta a procura dos serviços de urgência dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nos últimos dias.

“Estamos com alguma procura decorrente de casos de gripe que está, em termos temporais, um bocadinho mais tardia em relação a anos pré-pandémicos. Estamos atentos à situação e em contacto com os nossos hospitais e atentos à necessidade de reforçar os centros de saúde”, explicou a ministra da Saúde.

Apesar de referir que a análise dos números de utilização dos serviços de urgência dos hospitais do SNS relativa aos meses de Janeiro e Fevereiro de 2022, em comparação com os meses homólogos em 2019, “ainda estar abaixo do número de há dois anos”, Marta Temido salientou haver um aumento da procura das urgências em algumas unidades hospitalares.

“Comparado com Janeiro e Fevereiro de 2019, um ano pré-pandémico, [a análise dos números] mostra que ainda estamos abaixo dos números de há dois anos, de qualquer forma há acréscimo em algumas instituições de procura de urgência”, disse a ministra.

De acordo com Marta Temido, estávamos ainda no mês de Fevereiro “em linha com aquilo que era a procura pré-pandémica”, observando, igualmente, que não está ainda fechada a análise do mês de Março.

A ministra acrescentou que se verifica a presença de casos classificados como verdes, azuis e brancos “muito superiores” aquilo que é desejado em Portugal, sublinhando que a resposta “passa pela disponibilização de alternativas à população para resolver as suas situações de saúde em atendimento programado, é um processo que se tem feito”.

As cores da triagem de Manchester nas urgências hospitalares são vermelho (emergente), laranja (muito urgente), amarelo (urgente), verde (pouco urgente) e azul (não urgente) branco é um atendimento programado.

“Os vários hospitais têm referido nos tempos mais recentes que a procura que agora sentem é de casos um pouco mais complexos, mais graves, o que significa alguma reorientação da procura, que por um lado traduz um indicador positivo, por outro preocupa-nos porque significa que estamos a ter uma procura mais complexa”, frisou a responsável.

Marta Temido falava aos jornalistas no Centro Ismaili de Lisboa, onde se associou à jornada de doação de sangue para assinalar o Dia Nacional do Dador de Sangue, que se celebra no domingo, tendo igualmente participado como dadora e apelado à doação.

O Jornal de Notícias (JN) revelou hoje que, desde 2017, “não havia tanta procura como na última segunda-feira” nas urgências hospitalares, altura em que no hospital de São João, no Porto, foi atingido o máximo em 13 anos.

“Os serviços de urgência estão a rebentar pelas costuras. Na última segunda-feira, os hospitais registaram 21.655 episódios, um número que já não se via desde 2017”, refere o JN, salientando que os centros de saúde “tiveram no mesmo dia uma procura normal”.

De acordo com o JN, foram feitos 952 atendimentos num só dia no São João “sem uma justificação clara, enquanto em Lisboa, o Hospital de Santa Maria registou também na segunda e terça-feira, cerca de 800 doentes.

Diário de Notícias
Lusa/DN
26 Março 2022 — 14:39

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1284: Chefes das urgências de cirurgia do Santa Maria demitem-se

– E só ao fim de vários ANOS é que constataram isso??? Ah! As eleições…!!!

SAÚDE PÚBLICA/MÉDICOS/DEMISSÕES

Médicos concretizam ameaça feita no passado dia 10. Queixam-se da sucessiva degradação do serviço nos últimos anos.

Os dez chefes da equipa de urgências de cirurgia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, demitiram-se esta segunda-feira, avançou a RTP.

Os médicos, que tinham dado precisamente o dia de hoje como prazo para a resolução do problema das escalas de serviço, concretizaram assim a ameaça de demissão feita no passado dia 10.

Na altura, em carta entregue à direcção clínica, os médicos referiam também que o serviço tem vindo a degradar-se nos últimos anos, tendo sofrido recentemente um agravamento devido ao facto de os assistentes hospitalares se recusarem a fazer mais do que as horas extraordinárias estipuladas na lei.

A 10 de Novembro, Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, tinha adiantado que os chefes de equipa deste serviço estavam “fartos das promessas do director clínico”, sendo que também estavam em causa “as condições de trabalho, contratação, remuneração das próprias chefias, falta de investimento em material, a incapacidade geral de fixar os que estão”.

“A minha expectativa sempre é que a situação se resolva o mais rapidamente e que haja o menos de entropia no processo”, disse na altura António Lacerda Sales.

Questionado sobre os motivos alegados pelos médicos, o governante disse reconhecer o problema neste e noutros hospitais e que o Ministério da Saúde estava a fazer “um esforço em resolver o problema juntamente com os conselhos de administração”.

“Na grande maioria destes hospitais os problemas têm-se resolvido com diálogo (…). E é com diálogo que vamos continuar a trabalhar com os profissionais de saúde para irmos resolvendo estes casos”, vincou na altura.

Em actualização.

Diário de Notícias
DN
22 Novembro 2021 — 14:49

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169: Actos clínicos só com formação e supervisão médica

Ténicos do INEM

Os Técnicos de Emergência do INEM só podem praticar actos clínicos sob supervisão de um responsável médico e se tiverem formação específica e treino adequado, determina um despacho do Ministério da Saúde hoje publicado em Diário da República.

O despacho, que entra hoje em vigor, estabelece as competências destes profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que actuam no âmbito da emergência médica pré-hospitalar e “cuja acção pode ser determinante para a sobrevivência de pessoas com doença súbita ou em situação de emergência clínica, nomeadamente vítimas de situações traumáticas”.

“Volvidos quase dois anos da clarificação do âmbito das competências dos Técnicos de Emergência e da sua aplicação a uma nova gestão da emergência médica no que respeita à actuação dos profissionais, torna-se necessário adequar o âmbito do conteúdo funcional e das capacidades daqueles Técnicos de Emergência a esta nova realidade”, sublinha o despacho do secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa.

Segundo o despacho, os Técnicos de Emergência ficam “expressamente impedidos” da prática de actos clínicos sem adquirirem a formação adequada.

“Os actos clínicos de natureza médica no âmbito da emergência médica praticados por Técnicos de Emergência estão dependentes da conclusão, com aproveitamento, de um curso de formação específico e treino adequados”, de acordo com programas definidos pelo INEM, depois de ouvida a comissão técnico-científica do INEM e as ordens dos Médicos e dos Enfermeiros.

A administração de medicação e a manutenção da via aérea, ventilação e circulação só podem ser praticados por delegação e sob supervisão de um responsável médico e com formação específica e treino adequado, precisa a legislação.

No passado dia 11 de Julho, o tribunal administrativo de Lisboa decretou a suspensão parcial e provisória da eficácia do despacho do Ministério da Saúde, de 2012, que estabelecia as competências dos Técnicos de Emergência, depois de a Ordem dos Enfermeiros ter interposto uma providência cautelar para impedir que o Ministério da Saúde e o INEM pusessem em prática um modelo de emergência pré-hospitalar assente nos Técnicos de Ambulância e Emergência.

Por decisão do tribunal, os técnicos estavam temporariamente impedidos de administrar medicamentos por via endovenosa e/ou intra-óssea e também de aplicar técnicas invasivas, como a entubação supraglótica e o acesso venoso.

O despacho hoje divulgado vem revogar o despacho de 2012 que estabelecia as competências dos Técnicos de Ambulância de Emergência.

In Diário de Notícias online
01/08/2014
por Lusa

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