961: DGS actualizou regras para a utilização dos transportes públicos

– Mandar bitaites, é fácil. Difícil é cumprir as regras. E quando esta gente que faz as leis, não conhece o terreno onde elas são aplicadas, então ainda pior, ou seja, das vezes (poucas) que tenho de ir à rua, utilizo a Carris (autocarro e eléctrico) como meio de transporte porque não tenho outro. Em nenhuma das vezes que me fiz transportar nessa operadora constatei indícios de higiene, ou seja, lugares sentados sem qualquer tipo de distanciamento físico e higienização de varões, bancos, puxadores, etc.. Por isso, e sempre que saio, além da máscara na cara (e não pendurada nos queixos ou nos braços) calço luvas de Nitril e desinfecto-as quando saio dos veículos. Numa viagem, por exemplo, da carreira de eléctricos 15 – Algés -> Praça da Figueira, são centenas de mãos a segurarem varões, puxadores e afins. Não existindo limpeza, onde para a higienização? Pois… conversa da treta… E mais… neste tempo de temperaturas elevadas, dentro de um transporte destes que têm ar condicionado mas que não funciona na maioria deles, acumulando o desconforto de ter a máscara na face, vê-se mesmo que esta gente das leis desconhece o martírio que os utentes passam.

SAÚDE/PANDEMIA/TRANSPORTES PÚBLICOS/HIGIENE

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) actualizou as regras para frequência dos transportes públicos no âmbito da pandemia, estabelecendo, por exemplo, a lotação recomendada e medidas para o funcionamento da restauração nos comboios de longo curso.

© Paulo Spranger / Global Imagens

O novo documento actualiza um outro publicado em maio de 2020 e surge uma semana depois de o Governo ter anunciado que a limitação de lotação nestes transportes deve terminar no início de Setembro.

A DGS mantém que cada operadora de transporte público colectivo (terrestre, fluvial, marítimo e ferroviário) é responsável por determinar a lotação máxima preconizada para cada meio de transporte, embora reitere que a lotação recomendada para a utilização dos transportes colectivos onde o transporte se faça em lugares sentados e em pé é de dois terços da capacidade dos veículos, “mas com possibilidade de [este limite] ser ajustado caso sejam implementadas medidas de melhor controlo de transmissão de infecção”.

No entanto, “quando o transporte público colectivo é assegurado exclusivamente através de lugares sentados”, como acontece com os comboios de longo curso da CP Alfa Pendular ou intercidades, ou com os autocarros da Rede Expressos, por exemplo, “é permitida a utilização da lotação máxima nesses meios de transporte”, destacou a DGS no documento.

Reconhecendo que, “pelas suas características, os transportes podem ser locais de transmissão da infecção por SARS-CoV-2”, a DGS mantém as medidas preventivas que já estão em vigor, designadamente, o cumprimento de planos de contingência, da etiqueta respiratória, “de distanciamento físico mínimo entre pessoas, de uso adequado e obrigatório de máscara, de limpeza e de desinfecção de mãos e de superfícies e de arejamento de espaços”, e de limpeza e desinfecção de instalações sanitárias.

O consumo de alimentos e bebidas no interior dos meios de transporte “é desaconselhado”, e há uma excepção para a venda de alimentos nos transportes públicos ferroviários. Aqui, “a venda e consumo de bens alimentares deve ser efectuado em local próprio, identificado com a devida sinalética, que permita o distanciamento físico de dois metros entre pessoas não coabitantes, tal como o distanciamento entre mesas para consumo dos bens alimentares”, destaca a autoridade de saúde no documento, realçando que estes locais “devem cumprir com os procedimentos de limpeza e desinfecção”.

Cabe às empresas operadoras seguir recomendações de testagem dos seus trabalhadores, disponibilizar produtos de limpeza e desinfecção de superfícies pelos colaboradores e colocar produtos de desinfecção de mãos à entrada e saída dos veículos, em locais visíveis e acessíveis pelos utentes, assim como sinalizar os circuitos de entrada e saída.

Para o pagamento dos serviços, as empresas e os clientes devem preferir o uso de vias sem contacto, através da Internet, de aplicações informáticas ou de cartões ‘contactless’.

Estas medidas também se aplicam, de uma forma geral, aos transportes públicos de uso individual, como táxis e veículos para transporte a partir de plataformas electrónicas (TVDE).

Nestes casos, a DGS realça que as empresas devem fornecer aos colaboradores materiais de limpeza para as superfícies internas do veículo, que devem ser “preferencialmente de uso único”.

Além do uso de máscaras e das etiquetas de higiene, em táxis e TVDE “os passageiros devem ser transportados apenas nos bancos traseiros”, sempre que possível as bagagens devem ser colocadas pelo cliente na bagageira, e, “se possível”, manter as janelas abertas durante o transporte, “para promover o arejamento adequado do espaço interior do veículo”.

A DGS relembrou ainda que os factores associados ao aumento do risco de transmissibilidade e infecção nos transportes públicos “são a exposição prolongada, contacto próximo entre utilizadores e a ausência ou ventilação inadequada do espaço físico fechado“.

Na semana passada, o Governo anunciou que a limitação de lotação dos transportes públicos deve terminar no início de Setembro, enquadrando-se numa segunda fase de alívio das restrições para controlar a pandemia, aplicada em função da vacinação contra a covid-19, que deve então atingir os 70% da população com vacinação completa.

No âmbito do plano de desconfinamento, desde 10 de Junho que os transportes públicos podem circular com lotação de dois terços ou com a totalidade da lotação no caso de terem exclusivamente lugares sentados (táxis e viaturas de transporte em veículos descaracterizados a partir de plataformas electrónicas – TVDE – com lotação limitada aos bancos traseiros).

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Agosto 2021 — 18:52


© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

427: Transportes públicos são “ponto nevrálgico” da transmissão da covid-19

 

SAÚDE/COVID-19/TRANSPORTES PÚBLICOS

Mário Cruz / Lusa

O infecciologista Jaime Nina defendeu hoje que é necessário quadruplicar a oferta dos transportes públicos para permitir a distância necessária entre os passageiros, considerando que são um “pontos nevrálgico” da transmissão da covid-19.

“Os transportes públicos é um dos pontos nevrálgicos da transmissão”, afirmou, defendendo que “para manter o distanciamento, os autocarros, os comboios e o Metro deviam ter fila sim, fila não, com passageiros”.

Mas para isso era preciso “ter quatro vezes mais carruagens, autocarros, e quatro vezes mais motoristas e maquinistas”, disse o infecciologista do Hospital Egas Moniz em entrevista à agência Lusa, a propósito do agravamento da situação epidemiológica da covid-19.

Se esta solução tivesse começado a ser pensada em Maio, tinha havido tempo para reforçar a frota e ter “maquinistas e motoristas suficientes”. “É caro? É, mas ter a economia fechada não é mais caro”, questionou, argumentando que “só uma semana de economia fechada para tentar evitar [a propagação do vírus] pagava isto tudo e ainda sobrava muito dinheiro”.

O especialista lamentou que não haja “uma abordagem global” e que se esteja a ver “sector a sector”, prevendo “um problema com o inverno”.

“Enquanto que no verão as pessoas evitam os transportes públicos, têm as janelas abertas, se estiver uma chuva desgraçada não estou a ver ninguém a andar de carro com as janelas abertas, nem a andar muito na rua quando pode andar de autocarro”, disse o professor na Universidade Nova de Lisboa, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical e da Faculdade de Ciências Médicas.

Sobre a evolução da epidemia, Jaime Nina disse que já está na segunda “onda”: “o Agosto foi um bocado molhado, houve chuva, e isso teve logo uma repercussão em toda a Europa, não só em Portugal”.

Mas, nesta fase, está a atingir mais os jovens, uma situação que disse estar relacionada com o aumento de testes: “estão a apanhar pessoas infectadas que há três meses não eram apanhadas porque tinham uma doença mais ligeira, e como tal, a letalidade está a baixar porque há mais casos ligeiros”.

O infecciologista saudou o aumento da testagem, mas considerou que tem sido “muito lentamente” e “muito longe daquilo que deveria ser feito”.

A este propósito, fez uma analogia futebolística: “a táctica que Portugal e a Europa está a usar é como se chamasse os 10 jogadores de campo tudo em frente da baliza de olhos fechados a tentar apalpar a bola e não a deixar passar”.

“Era muito mais preferível andar a correr pelo campo todo atrás da bola” e tentar apanhá-la e controlá-la.

Exemplificou com o que países como Singapura, Taiwan, Hong Kong e Coreia do Sul estão a fazer ao nível de testes para apanhar os casos ligeiros e cortar as cadeias de transmissão.

“Portugal fez cerca de dois milhões de testes, Singapura vai quase em 100 milhões para uma população um bocadinho mais pequena que a nossa”, disse, observando que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, Portugal tem mais de 1.900 mortes e Singapura tem 27, com um número de casos sensivelmente igual.

No seu entender, “há muita coisa que está a falhar no rastreio e no encaminhamento de casos” porque “o Ministério da Saúde está a utilizar quase exclusivamente os recursos próprios”.

“Depois não tem médicos e técnicos de saúde pública, não tem laboratórios de biologia molecular quando há um manancial enorme de pessoas disponíveis”, salientou.

Em Abril e Maio, contou, “quando toda a gente estava aflita porque não havia capacidade de fazer os testes todos”, os laboratórios de biologia molecular da Universidade Nova estavam fechados com as pessoas em teletrabalho, apesar da faculdade os ter colocado ao dispor.

Por outro lado, podiam chamar os estudantes de medicina: “Era bom para eles porque estavam a fazer um trabalho útil e relevante para o seu curso e, obviamente, era bom para o Ministério da Saúde porque triplicava ou quadruplicava a mão de obra necessária para fazer rastreio de casos”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Setembro, 2020

[ratingwidget_toprated type=”posts” created_in=”all_time” direction=”ltr” max_items=”5″ min_votes=”1″ order=”DESC” order_by=”avgrate”]