1282: Positividade nos testes de rastreio já está acima do valor de risco

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A positividade nos testes é de 4,3%, quando o limiar de risco é de 4%. A situação em Portugal é moderada, mas com tendência a crescer. É preciso um reforço dos níveis de alerta.

Especialistas defendem regresso de testes em massa para travar cadeias de transmissão.

Em sete dias, proporção de testes de rastreio positivos a nível nacional disparou, passando de 3,4% para 4,3%. Desde o dia 17 de Novembro, data a que se reporta o último relatório sobre as Linhas Vermelhas da pandemia, divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), que Portugal está acima do limiar de risco definido pelas directrizes europeias, que é de 4%.

De acordo com o relatório, “a fracção de casos notificados entre os testes realizados para SARS-CoV-2, de 11 a 17 de Novembro, foi de 4,3%, valor que se encontra acima do limiar dos 4%, com tendência crescente”. Além do aumento do número de pessoas em que foi detectado o SARS-CoV-2, observa-se também a realização de uma maior quantidade de testes – mais 47 mil. No relatório de 12 de Novembro, era referido que tinham sido feitos 244 367 testes, e no da última sexta-feira foram 291 725.

Para os especialistas, o aumento na positividade dos testes é de imediato um dos sinais de alarme, podendo significar que ainda haverá mais casos por diagnosticar e que a evolução da doença ainda mantém uma tendência crescente.

Daí que, na sexta-feira, na reunião do Infarmed, a pneumologista Raquel Duarte, que foi convidada pelo governo para coordenar a elaboração das propostas de desconfinamento, tenha defendido o regresso da estratégia de testagem em massa, porque quanto mais cedo forem diagnosticados os casos, mais cedo será possível quebrar as cadeias de transmissão, evitando novos casos.

A pneumologista considera ainda importante que em situações alargadas de “convívio familiar devam ser realizados auto-testes”, bem como a “avaliação da realização de eventos dessa natureza”. A médica considera fundamental “a monitorização das variantes e a quebra das cadeias de transmissão”, devendo retomar-se a apresentação do Certificado Digital Covid para teste negativo, em espaços interiores e eventos com aglomerados populacionais.

De acordo com o INSA, a notificação dos casos e o seu isolamento têm decorrido dentro do período normal, explicando que “os casos confirmados de infecção por SARS-CoV-2 são contabilizados na plataforma informática de suporte ao Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE), através das notificações laboratoriais realizadas com indicação de resultado positivo”.

Relativamente à proporção de casos confirmados com atraso, “nesta última semana foi de 2,8%, na semana anterior tinha sido de 4,1%”. No entanto, este atraso está abaixo do limiar de 10%, o que os técnicos consideram importante.

No que respeita à identificação dos casos e ao seu isolamento, factores que podem levar a colocar um travão mais rápido na evolução da doença, o relatório de 11 a 17 de Novembro indica que “96% dos casos notificados foram isolados em menos de 24 horas após a notificação e 92% de todos os casos notificados tiveram todos os seus contactos rastreados e isolados no mesmo período”.

“96% dos casos notificados foram isolados em menos de 24 horas após a notificação e 92% de todos os casos notificados tiveram todos os seus contactos rastreados e isolados no mesmo período.”

Na última semana, estiveram envolvidos diariamente no processo de rastreamento, em média, 303 profissionais a tempo inteiro no continente, mais 36 do que na semana anterior.

O INSA confirma o que tem vindo a ser dito pelos especialistas que, neste momento, é notória “uma tendência crescente da incidência cumulativa a 14 dias em todos os grupos etários”, sendo que o grupo que regista uma incidência cumulativa a 14 dias mais elevada é o das crianças com menos de 10 anos, com 298 casos por 100 mil habitantes, e os quais não são ainda elegíveis para vacinação.

Por sua vez, o grupo etário dos indivíduos com 80 ou mais anos apresentou uma incidência cumulativa a 14 dias de 120 casos por 100 mil habitantes, reflectindo assim um risco de infecção inferior ao apresentado pela população em geral e com uma tendência estável. Segundo explicam os técnicos do INSA, “eventualmente fruto de protecção conferida pela cobertura crescente com dose de reforço das vacinas contra a covid-19”.

Por agora, e da análise às linhagens de variantes do SARS CoV-2, o INSA confirma também que a variante Delta, conhecida como B.1.617.2, é a que predomina em todas as regiões do país, com uma frequência relativa de 100%.

No relatório pode ainda ler-se que “a análise dos diferentes indicadores revela uma actividade epidémica de SARS-CoV-2 de intensidade moderada, mas com tendência crescente a nível nacional”. “A pressão nos serviços de saúde e o impacto na mortalidade são moderados, mas com uma tendência crescente”, acrescenta-se.

No entanto, “o agravamento da situação epidemiológica na Europa e o aumento da intensidade epidémica em Portugal deverão condicionar um aumento do nível de alerta do sistema de saúde” para dar resposta a uma maior “procura de cuidados de saúde no próximo mês e reforço da capacidade de isolamento e rastreamento”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
22 Novembro 2021 — 07:00

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