1029: DGS recomenda dose adicional de vacina a pessoas com imunossupressão

SAÚDE PÚBLICA/VACINAÇÃO/IMUNOSSUPRESSÃO

Pessoas com mais de 16 anos e em condições de imunossupressão estão elegíveis para dose adicional de uma vacina de mRNA contra a covid-19

© ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) passou a recomendar a administração de uma dose adicional de uma vacina contra a covid-19 para as pessoas com mais de 16 anos e em condições de imunossupressão, anunciou em nota enviada às redacções.

A norma actualizada esta quarta-feira “prevê a administração de uma dose de vacina de mRNA com um intervalo mínimo de 3 meses, após a última dose do esquema vacinal anteriormente realizado”.

Esta recomendação, indica a DGS, “tem como objectivo salvaguardar a eficácia das vacinas em pessoas com imunossupressão que possam não ter alcançado o nível de protecção adequado”.

A nota esclarece que “as pessoas elegíveis são as que poderão ter sido vacinadas durante um período de imunossupressão grave, nomeadamente as que realizaram transplantes de órgãos sólidos, pessoas com infecção VIH com contagem de linfócitos T-CD4+ <200/µL, doentes oncológicos e pessoas com algumas doenças auto-imunes que tenham efectuado tratamentos referidos na Norma”.

Ainda assim, “a vacinação de pessoas com imunossupressão deve ser efectuada sob orientação e prescrição do médico assistente”.

A DGS sublinha que esta recomendação “está alinhada com a evidência científica mais recente e poderá ser ajustada em função da evolução do conhecimento”.

De acordo com Graça Freitas em declarações à Lusa, a partir desta quarta-feira, os médicos assistentes poderão fazer esta prescrição, “como já fazem para outras patologias e como já fizeram no passado e as pessoas serão vacinadas” nos centros de saúde.

Segundo a directora-geral da Saúde, os “centros de saúde terão capacidade de as vacinar”, uma vez que este processo “será exactamente como já aconteceu nas outras fases” com a vacinação das pessoas com insuficiência cardíaca, respiratória e renal e doentes graves que foram considerados prioritários.

“Serão certamente menos de 100 mil pessoas” que estarão em condições de receber esta dose adicional das vacinas de mRNA da Pfizer e da Moderna, adiantou ainda a directora-geral da Saúde.

“Isto não é um reforço. É uma dose adicional de vacina, porque pode ter acontecido que, na altura em que estas pessoas foram vacinadas, não estivessem com o seu sistema imunitário com capacidade de reagir à vacina”, explicou.

Questionada sobre a possibilidade de uma dose de reforço para os idosos, Graça Freitas referiu que a indústria farmacêutica ainda não submeteu o respectivo processo de autorização à Agência Europeia do Medicamento (EMA).

“Quando eu digo que está a ser avaliado é no sentido de ser estudado. Não quer dizer que seja para ser administrado já, até porque temos o cuidado de perceber o que é que os próprios reguladores internacionais (EMA) e nacional (Infarmed) nos indicam neste processo”, assegurou.

De acordo com Graça Freitas, a DGS está, assim, na fase de compilar informação e de analisar em continuo a evidência científica disponível pelos vários países sobre este assunto, aguardando as indicações da EMA e do Infarmed.

Diário de Notícias
DN
01 Setembro 2021 — 20:37

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1024: Médicos de saúde pública defendem terceira dose para idosos com vacina da gripe

– Isto já não é caldeirada a mais de vacinas? A da gripe, ainda se justifica, mas com a terceira dose da Covid-19 junta?

SAÚDE PÚBLICA/IDOSOS/VACINAS DA GRIPE+COVID-19

Os idosos, um dos grupos com elevada incidência de infecções, devem receber a terceira dose contra a covid-19 em Outubro e Novembro, em simultâneo com a vacina da gripe, defendeu hoje Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP).

Centro de vacinação em Lisboa
© Leonardo Negrão / Global Imagens

“O Serviço Nacional de Saúde (SNS) está preparado para vacinar os mais vulneráveis para a gripe todos os anos. Se temos essa possibilidade, é adicionar na mesma altura a vacinação da covid-19. Aproveitando esta oportunidade, protegemos de duas doenças e isso é algo que é fundamental que a Direcção-Geral da Saúde e o SNS organizem para que, no inverno, não haja este problema”, disse à Lusa o presidente em exercício da ANMSP.

Os idosos estão entre os grupos etários que apresentam uma subida da incidência de novas infecções pelo vírus SARS-CoV2, apesar de, segundo o último relatório da DGS, cerca de 97% das pessoas com 65 ou mais anos ter a vacinação completa contra a covid-19.

O último relatório das “linhas vermelhas” da pandemia alerta para a “provável tendência crescente” da actividade epidémica no grupo acima dos 65 anos, avançando que a faixa etária dos idosos com 80 ou mais anos “apresentou uma incidência cumulativa a 14 dias de 149 casos por 100 mil habitantes”.

“Este valor de 149 não é propriamente uma incidência elevada que faça soar todos os alarmes, mas é algo a que devemos prestar atenção e deve ser avaliado pela tutela de modo a perceber o que é que falhou aqui”, adiantou Gustavo Tato Borges.

Segundo o médico de saúde pública, uma das causas para esta incidência de infecções nos idosos, o grupo com a mais alta taxa de vacinação completa no país, está relacionada com a variante Delta, a predominante em Portugal e considerada mais transmissível do que a Alpha.

“O facto de a variante Delta estar a circular é, claramente, uma das causas desta incidência, até porque as vacinas que estão em uso não foram criadas com esta variante em mente, porque ainda não existia na altura”, lembrou o presidente em exercício da ANMSP.

De acordo com o especialista, em causa poderão estar também pessoas “muito vulneráveis com um risco altíssimo de vir a falecer e que, mesmo com uma vacinação bem administrada, poderá não ter sido suficiente para garantir a imunidade”.

Além destas razões, Gustavo Tato Borges admite que o número de infecções entre idosos vacinados poderá estar relacionado “com um pequeno relaxamento nas medidas de protecção e contenção” em contexto familiar, através de contactos com pessoas não imunizadas.

“Há toda esta variante comportamental que também pode ajudar a explicar porque é que os idosos estão a ser um grupo afectado pela pandemia”, adiantou o médico.

De acordo com Gustavo Tato Borges, é necessário que as autoridades de saúde percebam se a incidência nesta faixa etária se deve a uma questão comportamental ou a uma redução da resposta imunitária, tendo em conta que os idosos foram os primeiros a ser vacinados em Portugal.

“Era importante que a DGS, o Ministério da Saúde e a Solidariedade Social se juntassem para perceber o que se passa aqui”, defendeu.

Questionado se esta incidência faz com que seja urgente uma terceira dose da vacina, Gustavo Tato Borges considerou que “fundamental, neste momento, é garantir que há 85% de pessoas completamente vacinadas” no país.

“Precisamos de manter este foco e este ritmo de vacinação naqueles que ainda não foram vacinados. Mas há que também perceber que os mais vulneráveis vão precisar muito provavelmente de uma terceira dose antes da época de inverno”.

Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 17.730 pessoas e foram contabilizados 1.036.019 casos de infecção confirmados, segundo dados da Direcção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e actualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil ou Peru.

Diário de Notícias
Lusa
30 Agosto 2021 — 17:28

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997: Anticorpos em imuno-deprimidos crescem mais 43% após terceira dose

– Ou seja… a velhada (eu tenho 75 feitos) com mais de 65 anos, está completamente lixada! 🙂

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/ANTICORPOS

Um estudo realizado em Israel envolveu 240 pacientes que receberam a terceira dose da vacina contra a covid-19.

© RODRIGO ANTUNES/LUSA

As pessoas imuno-deprimidas menores de 65 anos que receberam a terceira dose da vacina Pfizer em Israel desenvolveram 43% mais anticorpos que depois da segunda injecção, revela um estudo do Centro Médico Sourasky de Telavive.

O estudo, divulgado este sábado em media israelitas, envolveu 240 pacientes imuno-deprimidos que receberam a terceira dose da vacina contra a covid-19 desde que o governo aprovou a medida no mês passado.

Segundo os investigadores, apenas 25% dos pacientes transplantados tiveram uma resposta de anticorpos à vacina após a primeira e a segunda doses, mas depois da terceira a resposta rondou os 50%, refere a agência noticiosa espanhola EFE.

Na semana passada, o Centro Médico Rabin-Beilinson Campus em Petah Tikva publicou um relatório semelhante, indicando que com a terceira vacina duplicava o número de transplantados que desenvolviam anticorpos contra o coronavírus.

O governo israelita aprovou na sexta-feira a vacinação dos maiores de 50 anos, operação que começa no Domingo e que já conta com mais de 50.000 pessoas inscritas.

Depois de ter começado a dar a terceira dose da vacina aos imuno-deprimidos em meados de Julho, Israel aprovou a administração de uma terceira dose a maiores de 60 anos no final do mesmo mês, injecção que já foi recebida por mais de 775.000 pessoas.

Israel é um dos países pioneiros na administração de uma terceira dose da vacina contra a covid-19, depois de uma rápida campanha de vacinação no início do ano que, meses depois, conseguiu reduzir quase a zero as infecções e permitiu a suspensão de praticamente todas as restrições

Existem, no entanto, 1,1 milhões de israelitas que recusam ser vacinados, o que aliado ao aparecimento da contagiosa variante Delta do vírus terá provocado a quarta vaga de infecções no país, que continuam a aumentar, com os novos casos diários a rondarem os 6.000 na última semana.

Diário de Notícias
DN/Lusa
14 Agosto 2021 — 14:16

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Terceira dose em Portugal? “Antes, é preciso vacinar toda a população”

– Com tanta contradição a verificar-se entre “especialistas”, “cientistas” e afins, em que uns dizem que sim senhor, outros não senhor e ainda outros “nim” senhor, é caso para dizer: andam a enganar as pessoas ou as farmacêuticas, com esta terceira “dose”, querem facturar mais uns milhare$ de milhõ€$? De quem eu “gosto” mais é dos “especialistas”… 🙂

SAÚDE/PANDEMIA/VACINAÇÃO/TERCEIRA DOSE

O bastonário dos Médicos e o presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde Pública (APMSP) concordam que reforço na vacinação poderá ser inevitável, mas dizem ser preciso mais evidência científica e proteger todas as pessoas com as duas doses.

Médicos concordam que terceira dose pode ser inevitável, mas primeiro é preciso vacinar toda a gente
© Rita Chantre Global Imagens

Há países, como a Hungria, Turquia, Israel, Rússia e Republica Dominicana, que já avançaram com a terceira dose para a população mais idosa, vulnerável e profissionais de saúde. Outros, como a Alemanha e a França, já anunciaram que vão avançar em breve, apesar de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter solicitado aos países mais ricos que não o façam e que disponibilizem essas vacinas para os países mais pobres.

Em Portugal, o bastonário dos médicos e o presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde Pública (APMSP), apesar de aceitarem que a terceira dose deverá ser inevitável, defendem que, “neste momento, é preciso vacinar primeiro toda a população com as duas doses”. O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, na sexta-feira passada, questionado pelos jornalistas sobre a necessidade de uma terceira dose para as populações mais susceptíveis, confirmou que a questão ainda não está em cima da mesa. “Não devemos abrir expectativas em relação a algo que ainda não está sobre a mesa. Precisamos de robustez científica, precisamos de dados devidamente consolidados e só depois podemos ouvir os nossos organismos técnicos, nomeadamente, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) e depois, em conformidade com as decisões tomadas com o órgão técnico, podermos planear e actuar”, disse António Lacerda Sales.

Um estudo serológico realizado pelos serviços de Patologia Clínica e de Saúde Ocupacional do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC), divulgado ontem pelo DN, vem demonstrar que a presença de anticorpos desce para um sexto em relação ao valor inicial, ao fim de três meses da vacinação completa, e que a tendência de descida se mantém ao fim de seis meses, embora de forma mais atenuada, para cerca de um terço em relação aos valores anteriores. A médica responsável laboratorial pelo diagnóstico covid-19 desta unidade hospitalar referiu ao DN que estes resultados são significativos e que, mais tarde ou mais cedo, a terceira dose será “inevitável”.

Até terça-feira passada Portugal tinha 5 851 054 de pessoas com vacinação completa (57%) e 7 059 701 (69%) só com uma dose.

O bastonário Miguel Guimarães, em declarações ontem dadas ao DN, lembra que quem começou por colocar a questão da terceira dose foi mesmo um dos laboratórios, a Pfizer, que desenvolveu uma das vacinas aprovadas para combater a covid-19, depois de acompanhar a evolução da eficácia da vacina na população em geral, mas, por agora, ele próprio considera que “Portugal tem de aguardar mais algum tempo”.

Miguel Guimarães argumenta que “é necessário ter a noção, através de estudos mais abrangentes, não só de imunidade humoral, mas também de imunidade celular, que também é protectora, sobre o estado de imunidade geral após a vacinação”. Ou seja, “é preciso aumentar a evidência científica sobre esta questão, como é preciso aumentar o nível de vacinação da população”, sustenta.

O bastonário salienta ainda que Portugal já tem neste momento um nível confortável de população vacinada com a primeira dose, mas que as próprias “autoridades de saúde já perceberam que só com a segunda dose é que a resposta à doença é mais robusta. Portanto, é preciso ir mais longe e vacinar mais rapidamente”. De qualquer forma, sublinha que a vacinação já está a ter o seu impacto na população, “no que é a gravidade da doença, sobretudo nos lares, porque com a incidência que temos provavelmente teríamos muitas mais pessoas internadas em enfermarias e em cuidados intensivos, e um número de óbitos muito superior ao que estamos a ter”.

Para o representante dos médicos, os números actuais da infecção no nosso país provam que “a vacina funciona”. Por isto, “não me parece que uma decisão sobre uma terceira dose seja tomada já. Não quer dizer que não se venha a tomar no futuro. A terceira dose, provavelmente, será inevitável – há estudos que nos vão dizer certamente quando é que esta deverá acontecer -, mas temos de investir na vacinação completa da população e o Governo tem de continuar a passar a mensagem que, mesmo vacinados, há que cumprir as regras básicas de protecção”.

Miguel Guimarães argumenta também que, a iniciar-se um processo de reforço de vacinação, há que olhar primeiro para o que estão a fazer os outros países, que iniciaram a terceira dose “pelas pessoas mais idosas, mais frágeis, com comorbilidades complexas associadas, que são os que podem ter um desfecho fatal, e pelos profissionais de saúde e cuidadores que são os que estão mais expostos ao vírus”.

O presidente da APMSP, Ricardo Mexia, considera importante que, à medida que o processo de vacinação avança, se vá tendo dados sobre a imunidade adquirida, à semelhança do que está a acontecer em outros países, pois tais dados “serão úteis para tirarmos conclusões”, mas, sublinha, haver “um factor importante que temos de ter em conta”. “Nós podemos ter um indicador de descida de anticorpos, mas não quer dizer que não estejamos protegidos, porque há uma imunidade humoral, mas também a imunidade celular, que também permite responder a uma eventual infecção”.

Para Ricardo Mexia, os dados alcançados são importantes para se tomarem decisões, mas também “é muito importante percebermos que ainda nos falta vacinar muita gente com a primeira dose e com a segunda para completar a vacinação. E este deve ser o foco. Se, entretanto, tivermos dados robustos que apontem para a necessidade de uma terceira dose, então devemos ponderar a situação, mas, como digo, primeiro temos de concluir a vacinação de toda as pessoas”.

O médico e epidemiologista concorda que, em relação aos últimos surtos conhecidos em lares portugueses, as vacinas estão a cumprir os seus objectivos. “As vacinas foram desenhadas para evitar a doença grave e a mortalidade e mesmo no contesto dos lares, que é dos mais vulneráveis, isso está a acontecer, porque, apesar de tudo, do ponto de vista da severidade da doença e da mortalidade estamos longe do que foi a realidade de Janeiro e de Fevereiro. A questão também tem de ser colocada nesta perspectiva”.

A Pfizer anunciou na semana passada que durante este mês iria pedir aos reguladores dos EUA a aprovação de uma dose de reforço. Segundo noticiaram jornais norte-americanos, a empresa publicou novos dados, sugerindo que a administração de uma terceira injecção aumenta “fortemente” a protecção contra a variante delta do coronavírus. No entanto, e após a divulgação destes dados, foi o próprio director de Saúde dos EUA, Vivek Murphy, veio insistir na questão de que as pessoas que estão totalmente vacinadas não precisam de uma terceira dose e que a decisão sobre se esta é necessária e quando, cabe às autoridades de saúde.

A directora de imunização da OMS, Dra. Kate O’Brien, disse, na quarta-feira passada, que actualmente “não há informações suficientes para oferecer uma recomendação” para uma terceira dose e que os países que impulsionam injecções de reforço sem testes podem piorar os problemas. “Se os países avançarem e começarem a aplicar os reforços, agrava-se o problema que temos, que (é que) neste momento há uma oferta insuficiente para que todos os países tenham vacinado todos os seus grupos, de maior prioridade, e depois os de menor prioridade”, explicou.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
09 Agosto 2021 — 00:03

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974: Estudo revela que anticorpos caem a pique meses após vacinação e que terceira dose é inevitável

– Já não sei se o projecto e/ou o objectivo da terceira dose é mesmo pela queda dos anti-corpos ou se é para as farmacêuticas facturarem mais uns milhões…

SAÚDE/PANDEMIA/ANTICORPOS/TERCEIRA DOSE

Os serviços de Patologia Clínica e de Saúde Ocupacional do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) quiseram avaliar a resposta dos profissionais à vacina contra a covid-19 e qual a durabilidade dos anticorpos protectores. E já têm resultados completos de, pelo menos, mais de quatro mil pessoas: 97,7% responderam com nível elevado de anticorpos, mas estes caem em um sexto do valor inicial ao fim de 90 dias. A médica Lucília Araújo diz ser necessário revacinar profissionais e população em geral.

CHUC começou a realizar este estudo serológico logo em Dezembro, ao mesmo tempo que se preparava o Plano de Vacinação para os profissionais.
© Pedro Granadeiro Global Imagens

A ideia surgiu ainda em Dezembro do ano passado, assim que os serviços de Patologia Clínica e de Saúde Ocupacional do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) começaram a preparar o plano de vacinação para os profissionais contra a covid-19 e perceberam que teriam de recolher informação para saberem qual a resposta que estes dariam à vacina e quanto tempo é que ficariam imunes ao vírus.

Passados oito meses, já têm os resultados completos de metade da população que aderiu a este estudo, quase a totalidade dos profissionais, os quais fazem a responsável laboratorial de diagnóstico de covid-19 defender ao DN que, mais tarde ou mais cedo, será necessária uma terceira dose, já que os anticorpos detectados ao fim de seis meses da vacinação podem não ser já protectores.

Mas, refere Lucília Araújo, uma das especialistas que coordenou este estudo, a revacinação deveria ser extensível à comunidade, primeiro aos mais susceptíveis, aos vacinados há mais de seis meses e depois “a toda a população, independentemente da idade, para que os surtos possam ser controlados. evitando ainda a evolução para variantes mais agressivas”.

Segundo contou ao DN a médica especialista em patologia clínica, este projecto teve de imediato a adesão massiva dos profissionais do CHUC, cerca de nove mil pessoas, e está a cumprir todos os objectivos definidos. “Inicialmente, até a nós nos parecia muito ambicioso, mas está a correr lindamente e a cumprir os objectivos. A participação dos profissionais aconteceu quase na totalidade, quase todos tiveram curiosidade em saber como tinham respondido à vacinação, e isso permitiu-nos recolher informação que se tem revelado muito importante”, nomeadamente sobre a fase pré-vacinal e sobre o que fazer na fase que se segue.

Lucília Araújo explica que o primeiro objectivo era “monitorizar a resposta imunitária da população profissional de saúde através da determinação de anticorpos, quer pré quer pós-vacinação. E para isso definimos cinco fases no tempo”. No entanto, e como destaca, antes de avançarem, a equipa que se dedicou a este projecto teve de desenvolver de imediato um longo trabalho a avaliar o que já estava a ser feito a nível de estudos serológicos noutros países.

Lucília Araújo, médica especialista em patologia clínica e responsável laboratorial pelo diagnóstico covi, é defensora da vacinação e de uma terceira dose para se combater o vírus e mitigar a possibilidade de mutações mais agressivas.
© DR

“Só depois de analisarmos vários modelos é que criámos o nosso próprio plano, com todas as etapas muito bem definidas, para vermos qual a informação que nos poderia trazer cada uma.” As cinco fases distribuídas no tempo, designadas como T0, T1, T2, T3 e T4, vão desde o período da pré-vacinação até um ano depois da vacinação completa de todos os profissionais envolvidos no projecto. Até agora, os resultados alcançados reportam a dados completos de metade da população total que aderiu, mais de quatro mil profissionais, mas a avaliação, pelo menos de uma das fases, já abrange cerca de sete a oito mil profissionais”, especifica, sublinhando, contudo, que “o estudo irá durar, pelo menos, até Julho do próximo ano, já que é nesta altura que alguns profissionais completarão um ano após a vacinação completa”.

Isto porque, continua, “metade da população da instituição foi vacinada entre o final de Dezembro e o mês de Janeiro, mas a restante veio sendo ao longo do tempo, embora tenhamos algumas pessoas que ainda não estão vacinadas, ou porque ficaram infectadas ou até porque, na altura, se negaram a fazê-lo. O processo tem tido muitas fases, mas a mais importante, porque foi a que reuniu maior número de funcionários, decorreu entre Dezembro e Janeiro, quando se começaram a dar as segundas doses”.

“A vacinação é a única arma que temos de reduzir a gravidade da doença, a mortalidade e de mitigar o aparecimento de mutações mais agressivas”.

E é deste grupo de funcionários que já há resultados completos e indicadores de que “uma terceira dose será necessária em breve, porque o que verificámos é que a nossa população teve uma resposta extraordinária à vacina – 97,7% responderam com um nível muito elevado de títulos de anticorpos ao fim dos 14 dias da segunda dose da vacina -, mas que estes desceram abruptamente ao fim de três meses, em média para cerca de um sexto. Esta descida manteve-se ao fim dos seis meses”.

Um resultado que é significativo para Lucília Araújo, assumidamente defensora da vacinação, por ser a única arma que temos de reduzir a gravidade da doença, a mortalidade e de mitigar o aparecimento de mutações mais agressivas. A médica considera mesmo que o registo da descida de anticorpos coloca em cima da mesa a necessidade da “terceira dose”. Aliás, “estes mais de quatro mil funcionários foram avaliados até à terceira fase, mas acredito que irão levar uma terceira dose da vacina antes de serem avaliados na quarta fase, que será a que se completa ao fim de um ano”.

Antes da vacinação, 6% das pessoas já tinham anticorpos

Mas para se explicar fase a fase e o que foi detectado em cada uma, a médica percorre um período de trabalho de oito meses. Ou seja, desde Dezembro, quando começaram a avaliação serológica na fase pré-vacinação, designada T0 (Tempo Zero), para identificar se já haveria profissionais que teriam adquirido ou não algum nível de imunidade ao vírus sem o saberem. É então que surge a primeira surpresa. “Começámos a seguir logo metade do total da população que aderiu ao estudo, mesmo antes da vacinação, cerca de 4400 pessoas, e detectámos logo que, destas, 6% já tinham anticorpos, provavelmente pessoas que terão tido contacto com o vírus sem qualquer história de sintomatologia e que desenvolveram infecções que nunca foram diagnosticadas.”

Um dado que se revelou logo “muito importante”, porque “nos permitiu solicitar a estas pessoas que adiassem a vacinação, uma vez que tinham anticorpos, o que foi aceite por uma grande parte, fazendo com que estas vacinas pudessem ser dirigidas para uma população mais susceptível”, afirma a médica, recordando que no início da vacinação em Portugal, que começou a 26 de Dezembro, “havia escassez de vacinas”.

A segunda fase do projecto, a T1, acontece na mesma população e 14 dias depois da toma da segunda dose da vacina. “A segunda validação, que pretendia avaliar a resposta imediata à vacina, aconteceu ao fim dos 14 dias da segunda toma e permitiu-nos verificar que este processo tinha tido um enorme sucesso”, sublinha a responsável laboratorial de diagnóstico covid-19. De acordo com o cut off usado – ou seja, a metodologia definida para este estudo -, “a resposta dos funcionários à

vacina foi quase de 100%, como já disse, com títulos de anticorpos muito elevados para um nível protector”, salientando que as poucas pessoas que não responderam tão bem tinham uma explicação para tal. “Tinham doenças crónicas ou faziam terapêuticas imuno-supressoras.”

Ao fim de três meses, anticorpos caem para um sexto

O terceiro tempo do estudo, T2, na qual se pretendia fazer a avaliação cinética dos anticorpos, de forma a observar quanto tempo é que estes se mantinham bem activos, aconteceu ao fim de três meses da vacinação completa. Os resultados, como salienta, “trouxeram-nos alguma tristeza. Verificámos que os anticorpos tinham descido de forma abrupta, em média, para um sexto dos valores iniciais”. Mas, ao mesmo tempo, outro dado revelador era o de que “esta descida foi mais suave em indivíduos que tinham tido contacto com o vírus anteriormente, demonstrando que estas pessoas desenvolveram uma resposta mais robusta”.

Ao estudo levado a cabo pelos serviços de Patologia Clínica e Saúde Ocupacional do CHUC aderiram quase todos os funcionários da unidade.
© DR

A última fase a ser avaliada, a T3, ocorreu ao fim dos seis meses da vacinação. Para o grosso dos mais de quatro mil profissionais aconteceu em Junho/Julho. Os dados já estão tratados e vieram confirmar a tendência de descida de títulos de anticorpos. “Esta avaliação ao fim dos seis meses tinha como objectivo perceber se os anticorpos se mantinham positivos ou não. Verificámos que se mantém, mas que continuaram a diminuir, não de forma tão abrupta como aconteceu na fase T2, para cerca de um terço em relação aos valores anteriores”, explicando ser previsível que “em breve desçam para níveis que poderão já não ser protectores”.

Aliás, “mesmo nesta fase, já não podemos garantir que alguns dos títulos de anticorpos ainda sejam protectores. A verdade é que já encontrámos alguns casos de covid-19, ou pelo menos de testes positivos, em indivíduos vacinados que foram infectados”.

“Sou totalmente favorável à administração de uma terceira dose e acredito que, mais dia menos dia, esta terá de ser disponibilizada, sobretudo para o contexto hospitalar.”

A especialista de Coimbra refere, no entanto, que até agora estes casos são muito esporádicos e com situações de infecção com uma gravidade muito inferior ao que foi detectado nas fases anteriores da pandemia ainda sem vacinação. Por isso volta a referir ser 100% a favor da vacinação e da revacinação, sobretudo de profissionais de saúde, já que estes continuam a estar mais expostos ao risco.

“Na minha opinião, e dentro da população profissional de saúde, qualquer indivíduo que tivesse respondido menos bem à vacina ou que tivesse registado uma descida marcada de anticorpos, deveria ser o primeiro candidato à revacinação. Para mim isto é indiscutível. Depois, viriam todos aqueles que já foram vacinados há mais de seis meses e em quem os anticorpos começam a baixar de forma bastante marcada”, argumenta, acrescentando: “Sou totalmente favorável à administração de uma terceira dose e acredito que, mais dia menos dia, esta terá de ser disponibilizada, sobretudo para o contexto hospitalar.”

Na idade, anticorpos descem mais década a década

O estudo realizado no CHUC permitiu observar, em termos de idade, que a resposta imunitária, a nível de títulos de anticorpos, “foi descendo ao longo de década para década. Os funcionários mais jovens responderam de uma forma mais exuberante, com títulos de anticorpos mais elevados, enquanto nos mais idosos a resposta ia descendo”. Outro dado curioso “é que o género masculino respondeu pior do que o género feminino ao longo do tempo”. Ou seja, os homens foram registando pior nível de anticorpos do que as mulheres, e mesmo assim a resposta ainda foi baixando mais com a idade.

Transpondo estes resultados para a comunidade, Lucília Araújo afirma concordar que “as pessoas mais idosas, que poderão não responder de forma adequada à vacinação, deveriam ser monitorizadas a nível de anticorpos”, para se saber se necessitam ou não de um reforço da vacina. Uma questão que foi colocada em cima da mesa devido à quantidade de surtos que estão a surgir novamente em lares, que integram populações completamente vacinadas, mas há mais de seis meses. O Ministério do Trabalho e da Segurança Social anunciou ontem que os estudos irão avançar para mais de cinco mil utentes de lares.

A médica dos CHUC explica que para “se fazerem estudos serológicos na comunidade há que harmonizar metodologias, de forma que todas as situações possam ser comparáveis e que os títulos de anticorpos possam ser quantificados, mas não vejo nenhum inconveniente para que tal seja feito aos indivíduos com mais idade e até com comorbilidades, porque são esses os mais susceptíveis ao vírus e que respondem de forma menos adequada à vacina”.

A equipa do CHUC já tem os dados completos de mais de quatro mil profissionais, mas o estudo vai continuar até à fase T4, para avaliar a imunidade ao fim de um ano. Lucília Araújo diz que está a ser recolhida informação suficiente para o futuro, “sem ter de haver necessidade de repetir”.

anamafaldainacio@dn.pt

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
08 Agosto 2021 — 00:03

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