812: AR recomenda ao Governo que garanta acesso a tele-consultas com recurso a imagem

SAÚDE/AR/TELE-CONSULTAS

O parlamento aprovou esta sexta projectos de resolução que recomendam ao Governo que garanta o acesso a tele-consultas e que avance com o Plano Estratégico Nacional de Tele-saúde criado em 2019.

Assembleia da República
© ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Os quatro projectos de resolução (iniciativas sem força de lei) foram aprovados na sessão plenária desta sexta-feira por unanimidade.

O projecto de resolução do PS recomenda ao Governo que “impulsione a actualização e implementação do Plano Estratégico Nacional de Tele-saúde aprovado em 2019, bem como da regulamentação já existente nesta matéria, criando um comité consultivo permanente de tele-saúde, coordenado pelo Centro Nacional de Tele-saúde”.

Os socialistas propõem ao Governo que “promova a implementação da tele-consulta (preferencialmente com som e imagem), nos cuidados de saúde primários, de forma a melhorar o acesso dos utentes ao seu médico família” e “generalize a oferta de serviços de tele-saúde nos diferentes níveis de cuidados”.

O PSD propõe ao Governo que sejam garantidos, ainda este ano, “o acesso universal dos utentes do Serviço Nacional de Saúde [SNS] aos respectivos médicos de família ou outro médico assistente, através de tele-consulta com recurso a imagem” e que seja criada uma “equipa de missão com função técnica de implementação do Plano Estratégico Nacional de Tele-saúde (PENTS), em articulação com as ordens profissionais na área da saúde, associações de doentes e sociedades científicas”.

O BE recomenda ao Governo o reforço das “unidades do SNS para a realização de tele-consultas, através da instalação de equipamentos tecnológicos modernos e capazes”, e também o reforço e formação dos recursos humanos “de forma a garantir uma resposta eficaz e atempada na área da tele-medicina”.

Os bloquistas querem também que o executivo que “garanta a interoperabilidade dos sistemas de informação existentes no SNS, permitindo a comunicação e acesso a informação, dentro das regras estritas e já existentes que respeitam a privacidade e segurança desses mesmos dados”.

Também o PCP defende “o acesso universal à tele-consulta com recurso a imagem, por decisão do utente” e propõe uma equipa de missão para a implementação do plano estratégico de tele-saúde.

O PCP recomenda ao Governo que “proceda às alterações legislativas necessárias para a consideração do acesso à tele-saúde como parte integrante do direito à saúde” e garante os meios para essa resposta.

Hoje, foram também aprovados projectos de resolução pelo reforço da protecção social e do apoio a vítimas de violência doméstica no âmbito da pandemia (apresentado pela deputada não inscrita Joacine Katar Moreira), pela construção de novas instalações para o Departamento de Investigação Criminal da PJ de Portimão e pela criação da área marinha protegida de interesse comunitário na baía de Armação de Pêra (ambas do BE).

Foi também aprovado um projecto de resolução do PCP que recomenda ao Governo a simplificação do acesso ao título de reconhecimento do estatuto da agricultura familiar e concretização de apoios concretos aos seus titulares e outro do PAN pela publicação de dados relativos à prestação de cuidados nas áreas da obstetrícia e neo-natologia.

Diário de Notícias
DN com Lusa
25 Junho 2021 — 15:16

 

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238: Doentes vão poder ser seguidos em casa através da box da televisão

O Centro Nacional de Tele Saúde (CNTS) está formalmente criado e pode agora arrancar no terreno.
Foto DR

O acompanhamento de doentes em casa através de meios como a televisão está previsto num acordo quadro de tele-medicina, que vem agilizar a criação de um centro nacional dotado de pessoal e tecnologias que farão consultas à distância.

Denominado Centro Nacional de Tele-saúde (CNTS), este centro de tele-medicina está formalmente criado, mas só agora poderá arrancar no terreno, uma vez que foi assinado na semana passada o Acordo Quadro de Tele-medicina, entre os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) e empresas fornecedoras de serviços de tele-medicina.

Segundo Artur Mimoso, da SPMS, este acordo, que foi iniciado em 2014, pretendeu qualificar pequenas empresas já no terreno, através de consórcios com empresas grandes para fazerem trabalho de tele-medicina.

Essas empresas no terreno desenvolveram projectos-piloto de medicina à distância, tendo apresentado bons resultados, mas sem capacidade técnica e financeira para se estender.

No fundo, trata-se de aliar pequenas empresas que prestam os serviços a outras grandes empresas que vendem os equipamentos tecnológicos.

“Não fizemos nenhuma compra, mas a selecção de um grupo de serviços já existentes mas sem capacidade técnico-financeira para chegar a sítios mais distantes. O objectivo era precisamente dotar o SNS de capacidades de prestar serviços de tele-medicina”, explicou.

Na senda deste acordo, será desenvolvido o CNTS, um projecto pioneiro a nível europeu, que “depois de equipado com pessoal e as tecnologias que o acordo vai permitir” vai fazer tele-consultas, acompanhamento de doentes em casa à distância.

“De futuro, o acompanhamento feito hoje nos hospitais pode chegar a casa das pessoas através da rede. Estamos a maximizar o que já existe. Tínhamos os projectos sustentados em pequenos mercados. Estamos a preparar o mercado para avançar com os projectos piloto que tão bons resultados deram, mas que foram com empresas sem capacidade de expansão”, afirmou Artur Trindade.

Os cinco projectos-piloto, que decorreram em Viana do Castelo, Évora e Beja, foram na área da principal doença respiratória, a DPOC, ao longo de 7 meses de acompanhamento de centenas de doentes.

O resultado foi uma “significativa redução” nas idas às urgências, nas hospitalizações (menos 60%), no número de dias de internamento (que passou de uma média de 276 dias para 105 dias). Foi possível ainda atrasar o começo das complicações das doenças.

A forma de o doente passar a aceder às consultas a partir de casa vai depender da doença e dos equipamentos que de que possa dispor.

“O aparelho mais acessível é a televisão, mas o que pretendemos é poder usar as boxes de televisão para conseguir passar alguma informação e literacia em saúde”.

Segundo Artur Mimoso, o acordo previu usar esses aparelhos em casa de pessoas com menos meios e menos literacia e, numa segunda fase, a possibilidade de colocar as operadoras a funcionar não só com a box de televisão, mas incorporar componentes de medicina através da box e não introduzir mais aparelhos: maximizar aparelhos que já existem em casa mas dar-lhes novas funcionalidades.

Com esta tecnologia será possível tornar o SNS acessível a todos, mesmo quem vive em zonas rurais ou do interior, cabendo ao doente, por exemplo, inserir os seus dados para fazer a medição diária da tensão arterial, da oximetria (quantidade de oxigénio no sangue), da temperatura e do número de passos dados (pedómetro).

Os dados inseridos pelo doente seguem para o call center clínico, composto por uma equipa de técnicos de cardiopneumologia, enfermeiros e farmacêuticos, que fazem a gestão dos dados em tempo real e, em função do estado de saúde do doente, é emitido um alerta no sistema de monitorização e analisado o encaminhamento necessário.

O médico especialista faz a avaliação dos dados e, em casos graves, pode marcar consulta ou direccionar para as urgências.

Rádio Renascença
11 dez, 2016 – 11:22

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