889: Doentes com sequelas da covid tratados com tele-monitorização em Lisboa

SAÚDE/COVID-19/SEQUELAS

Projecto Inovação e cuidados de proximidade juntaram Centro Hospitalar de Lisboa Central e Altice Portugal.

A Covid-19 pode deixar sequelas que vão desde a fadiga constante à taquicardia, como à ansiedade e depressão.
© Artur Machado Global Imagens

Foram infectados pelo SARS-CoV-2. Quiseram voltar à sua actividade normalidade e não conseguiram. As sequelas deixadas pelo vírus que invadiu o mundo no final de 2019 retirou-lhes autonomia, obrigando-os à reabilitação para voltarem à vida que tinham. Mas, agora, alguns destes doentes, acompanhados na consulta específica para este efeito no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, que integra o Hospital de Santa Marta, já podem beneficiar de um tipo de cuidado diferente. Ou melhor, já podem ser tratados em casa, através de um projecto de tele-monitorização, graças a uma parceria entre o CHULC e Altice Portugal.

O objectivo é “proporcionar uma experiência diferenciadora na área da monitorização remota de doentes”, explicaram ao DN. Aliás, para a enfermeira de reabilitação, responsável pelos doentes neste projecto, logo à partida, “há uma vantagem que é a de associar a inovação aos cuidados de proximidade. A tele-monitorização permite-nos fazer a avaliação do doente e acompanhá-lo sem haver necessidade de o retirar do seu espaço nem de junto dos seus cuidadores informais”.

O projecto está a funcionar desde maio, mas só ontem foi apresentado oficialmente, no CHULC, e, como refere Neuza Reis, ao mesmo tempo que trabalha a confiança do doente em relação à sua saúde, do ponto de vista institucional também “diminui a carga de se ter mais uma pessoa dentro do hospital.

“A tele-monitorização tem a vantagem de associar a inovação aos cuidados de proximidade, permitindo acompanhar o doente sem o retirar do seu espaço nem de junto dos seus cuidadores.”

Neste momento, o projecto, coordenado pelo médico Miguel Toscano Rico, já está a acompanhar nove doentes, mas tudo indica que este número deverá aumentar no futuro. A selecção de quem o integra é feita pelo médico e pela enfermeira Neuza, e todos, à excepção de um, que é de Leiria, são da região da Grande Lisboa.

Mas o perfil que os caracteriza a todos, nem sequer é a região nem tão pouco a idade, embora a maioria tenha entre os 40, 50 e 60 anos, mas “mais os sintomas que apresentam, como fadiga constante, taquicardia e até um quadro de ansiedade ou de depressão”, refere a enfermeira. E só o facto de “o doente saber que há um médico e um enfermeiro que estão disponíveis diariamente para olhar para os seus dados e para os acompanhar faz que a sua confiança aumente e que acabe por ultrapassar os medos e os receios que a covid lhe trouxe”.

Segundo explicou ao DN, “o primeiro passo para este programa é a consulta presencial com o Dr. Miguel Toscano Rico e comigo, como enfermeira de reabilitação. Na consulta são avaliados todos os sinais e sintomas do doente, desde a avaliação das saturações de oxigénio, frequência cardíaca até aos sinais neurológicos e psicológicos”. Depois, o doente é informado do programa, dos seus objectivos e de como este pode deve ser executado, mediante a definição de um programa de tarefas e de objectivos.

“Explicamos ao doente como é acompanhado e o que tem de fazer em casa, desde a medicação ao programa de exercícios, treino respiratório e de marcha. Ou seja, é feito presencialmente todo um plano terapêutico, desde a medicação à avaliação de sinais, que terá de ser feita pelo próprio doente. E diariamente toda os dados recolhidos têm de nos ser reportados, ou através da plataforma ou por um telemóvel, que lhe é fornecido. A informação é avaliada por nós, vemos se há algum sinal que faça soar os alarmes, ou se o doente tem alguma queixa que não era expectável, e se for necessário entramos logo em contacto com o doente.”

Ao fim de dois meses, o projecto de tele-monitorização já está a dar resultados, “os doentes sentem confiança no acompanhamento que estão a ter e cumprem o programa estando todos a colaborar para a sua reabilitação e autonomia”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
15 Julho 2021 — 00:44

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