1076: Natal é o próximo grande desafio no controlo da pandemia

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/PANDEMIA/VACINAÇÃO

Reunião no Infarmed salientou o sucesso da vacinação no controlo desta “fase da pandemia” e deixou cenários para o outono/inverno. Máscara mantém-se em transportes e lares

Marcelo elogiou processo de vacinação
© Miguel A. Lopes /Lusa

Sei o que fizeste no Natal passado. Este podia ser o mote dos cenários traçados para a evolução da pandemia nos próximos outono e inverno e apresentados ontem, na reunião de peritos em saúde pública que decorreu no Infarmed. Numa sessão que assinalou sobretudo o “extraordinário êxito” do processo de vacinação em Portugal, que contribuiu decisivamente para “provavelmente antecipar o fim de uma fase da pandemia”, DGS e INSA apontaram para o próximo período festivo de final de ano como uma fase crucial para avaliar a evolução da covid-19 no país, pois “as festividades podem coincidir com um período de menor efectividade da vacina” nos grupos de risco que já foram inoculados no início de 2021.

Depois de exporem vários dados para atestar a importância da vacinação – como o facto de, na primeira semana de Agosto, quatro em cada cinco casos de internamentos por covid-19 não terem vacinação completa, aumentando para 14 em cada 15 doentes em cuidados intensivos – Pedro Pinto Leite (DGS) e Baltazar Nunes (INSA – Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge) alertaram para os novos desafios trazidos pelo outono e inverno, com o regresso às escolas e ao trabalho presencial e as festas de Natal e Ano Novo a fazerem aumentar a mobilidade e eventuais cadeias de transmissibilidade do vírus, como aconteceu no ano passado.

Na memória de todos ficaram as consequências desse período, com o país a enfrentar a pior vaga da pandemia no início de Janeiro, deixando hospitais quase em rotura e recordes diários de mortes. Desta vez, os peritos da DGS e do INSA traçam três cenários para o outono-inverno, do menos grave até ao mais grave, colocando de novo o ênfase na vacinação.

No cenário mais “benigno”, que contempla um período médio de imunidade vacinal de cerca três anos e o não aparecimento de qualquer outra variante de preocupação (actualmente a Delta representa praticamente 100% dos casos em Portugal), não haverá razões para preocupações de maior. Nos outros dois cenários, que contemplam a redução da imunidade vacinal para apenas um ano e, no pior deles, também o surgimento de uma nova variante de preocupação, o período festivo de final de ano pode ver as hospitalizações em cuidados intensivos e o número de óbitos ultrapassarem os limites das linhas vermelhas. Dependendo desses cenários, a resposta prevista pelas autoridades de saúde será de “transição” (cenário mais favorável), controlo (intermédio) ou de mitigação (mais grave).

De resto, com 81,5% da população já com a vacinação completa, segundo a apresentação do coordenador da task-force da vacinação, Gouveia e Melo, para quem “a primeira batalha está ganha”, com um índice de transmissibilidade (Rt) que “nunca esteve com valores tão baixos [0,84 a nível nacional]” sem que medidas de restrição muito acentuadas estivessem em vigor, e com o decréscimo de vários outros indicadores epidemiológicos, como a incidência de contágios, a positividade, internamentos hospitalares e mortalidade, os peritos consideram estarem reunidas as condições não para uma espécie de “dia da libertação”, mas para uma fase de “transição responsável”. Assim lhe chamou Raquel Duarte, a quem o Governo tem encomendado as propostas que servem de base aos planos de desconfinamento adoptados.

Máscaras, testes e dose de reforço

Em relação ao alívio das restrições em curso, a anunciar pelo Governo, o que se ouviu dos especialistas no Infarmed foi uma recomendação de “transição da obrigatoriedade das medidas para uma responsabilidade individual”, sugeriu Raquel Duarte. A importância de manter a testagem – com a identificação de populações de maior risco e a promoção dos testes gratuitos -, a monitorização de variantes ou o uso de máscara em transportes públicos e outros espaços fechados como lares de idosos também foram sugeridos, enquanto o certificado de vacinação poderia manter-se apenas para visitas a lares e controlo de fronteiras.

Numa sessão em que os peritos se mostraram em sintonia, ficou também uma recomendação unânime em “antecipar desde já um plano para a eventual necessidade de reforço massivo da vacinação”. Afinal de contas, são as vacinas, assinalaram todos, o passaporte para uma vida mais normalizada.

rui.frias@dn.pt

Diário de Notícias
Rui Frias
16 Setembro 2021 — 22:47

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1068: Covid-19: Governo convoca para quinta-feira reunião no Infarmed sobre situação epidemiológica

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/GOVERNO/INFARMED

José Sena Goulão / Lusa

As reuniões sobre a evolução da situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, juntando políticos e especialistas, vão ser retomadas esta quinta-feira no Infarmed, em Lisboa, disse à agência Lusa fonte do executivo.

A reunião de quinta-feira, prevista para as 15:00, de acordo com a mesma fonte, decorrerá em formato “semi-presencial”, esperando-se que, tal como aconteceu em 09 de Julho passado, o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa, estejam na sede do Infarmed.

Como tem sido habitual, a ministra da Saúde, Marta Temido, e grande parte dos especialistas estarão presentes e, desta vez, os diferentes partidos com assento parlamentar poderão enviar um elemento à reunião. Os restantes acompanharão os trabalhos por videoconferência.

Na semana passada, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, adiantou que nesta nova reunião do Infarmed será debatido o novo patamar do processo de desconfinamento, num momento em que Portugal está próximo de ter 85% da população vacinada contra a covid-19.

“A intenção do Governo é que se realize uma nova reunião do Infarmed para debater este novo patamar e as medidas que se devem aprovar”, declarou a ministra da Presidência.

Apesar de não ter fornecido detalhes sobre o que vai acontecer quando Portugal atingir esse patamar de 85% da população vacinada, Mariana Vieira da Silva advertiu que, mesmo assim, o país, a partir de Outubro, vai ter de continuar a conviver com algumas “medidas obrigatórias” e com recomendações da Direcção Geral da Saúde.

Na última semana, o número de infectados e de internamentos tem estado a baixar em Portugal. De acordo com os dados de hoje, a taxa de incidência nacional de infecções com SARS-CoV-2 nos últimos 14 dias em Portugal baixou de 240 para 208,3 casos por 100 mil habitantes e o índice de transmissão desceu para 0,85.

Segundo o boletim epidemiológico conjunto da Direcção-Geral da Saúde e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a taxa de incidência (média de novos casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias) nacional baixou dos 240,7 casos, na sexta-feira, para 208,3. Em Portugal continental, a taxa de incidência baixou de 247,9 para 214.

O Rt – que estima o número de casos secundários de infecção resultantes de uma pessoa portadora do vírus – está hoje em 0,85 a nível nacional e em 0,87 em Portugal continental. Na sexta-feira estava em 0,87 em todo o território.

Os dados do Rt e da incidência de novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias – indicadores que compõem a matriz de risco de acompanhamento da pandemia – são actualizados pelas autoridades de saúde à segunda-feira, à quarta-feira e à sexta-feira.

O nível de risco na matriz de monitorização da pandemia de covid-19 fixa-se em 480 casos por 100 mil habitantes a 14 dias.

ZAP // LUSA

Por Lusa
13 Setembro, 2021

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923: Tudo alinhado para a reunião no Infarmed. A ordem é para desconfinar

Se confinando, os números continuam a ser aterradores, então se vão desconfinar é que o baile vai ser em grande! Esta gente nem “vê” os exemplos que vêm lá de fora? Os acéfalos labregos “walking deads” agradecem!

SAÚDE/COVID-19/INFARMED

José Sena Goulão / Lusa
A ministra da Saúde, Marta Temido

Governo, Presidente da República, partidos e especialistas voltam a sentar-se na sede do Infarmed para decidirem os passos seguintes. Actualização da matriz de risco, alívio no uso de máscara e fim das medidas e horários por concelho são algumas das propostas.

Depois de mais de dois meses sem ouvir os especialistas, Governo, Presidente da República e partidos políticos voltam esta terça-feira à sede do Infarmed para decidirem os passos seguintes.

Uma das sugestões em cima da mesa é a alteração da matriz de risco de modo a acomodar menos restrições no país. Um especialista revelou ao jornal online Observador que a incidência a 14 dias por 100 mil habitantes e o risco de transmissão R(t) vão manter-se, mas as cores deverão alterar, dado que o impacto da incidência é agora inferior graças à cobertura vacinal.

O expectável é que as linhas vermelhas sejam alargadas, de modo a que seja mais difícil o país entrar no vermelho. Actualmente, há três linhas vermelhas essenciais: a incidência alcançar os 240 casos em duas semanas por 100 mil habitantes (vai em 427,5 a nível nacional), o R(t) atingir 1 (está em 1,04) e os internamentos em unidades de cuidados intensivos chegarem a 245 (estavam em 198 esta segunda-feira).

O diário adianta, porém, que o limite dessas linhas vermelhas ainda não está decidido.

Outra das propostas vai no sentido de Portugal deixar de andar a várias velocidades. Isto significa que todas as medidas serão aplicadas a todo o território, independentemente da situação epidemiológica de cada concelho.

As regras para a utilização de máscaras deverão também ser revistas, com a sugestão de as tornar obrigatórias apenas em locais fechados e com muita concentração de pessoas em cima da mesa.

Deverá também ser proposto o abandono das restrições aos horários dos serviços, como restaurantes e centros comerciais.

Uma fonte ouvida pelo Observador revelou que algumas regras irão manter-se, nomeadamente as que dizem respeito à participação em grandes eventos, como festivais de verão, casamentos ou baptizados. A ideia é que, nestas circunstâncias, a lotação permaneça limitada a 50%.

Bares e discotecas? Ainda não

O Expresso escreve que a abertura de bares e discotecas poderá ser discutida esta terça-feira, mas poucos acreditam que os especialistas venham a defender isso. Pelo menos, para já.

O Observador também salienta que os especialistas defendem que se aguarde pelo balanço inglês do FreedomDay para decidir como e em que termos o Governo pode dar luz verde aos bares e discotecas.

Se correr bem em Inglaterra, Portugal deve avançar na mesma direcção. Seja quando for, terá sempre de se mostrar um comprovativo de vacinação ou um teste negativo para entrar nos espaços.

Governo “não está refém da ciência”

O Governo vai esperar pelos pareceres dos especialistas para decidir se alivia as restrições e se vacina crianças entre os 12 e os 15 anos, mas lembra que a política não está refém da ciência.

“A política não deve interferir na ciência, deve respeitar a ciência, mas também não está capturada nem refém da ciência. São dois âmbitos de decisão diferentes, mas com certeza muitas decisões que tomamos, ponderadas, com equilíbrio técnico, com equilíbrio político, são baseadas em suporte técnico e científico”, disse o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales.

O governante respondia aos jornalistas no final de uma visita à Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, onde na segunda-feira foi reactivado o serviço Balcão Nascer Cidadão para o registo de recém-nascidos.

Questionado sobre a possibilidade de alívio nas restrições, nomeadamente na possibilidade de se pôr fim às limitações nos horários de funcionamento em lojas e restaurantes, por exemplo, o governante remeteu qualquer decisão para os resultados da reunião de peritos que decorre esta terça-feira no Infarmed, mas deixando espaço para a tomada de decisões políticas.

A mesma ideia foi repetida quando questionado sobre a vacinação das crianças e jovens entre os 12 e 15 anos, sublinhando que o Governo aguarda a decisão da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

“Ao Estado compete estar preparado, planear e programar as diferentes decisões. Nós estamos preparados para arrancar com a vacinação dos 12 aos 15 anos antes do início do ano lectivo, obviamente esperando por aquilo que será a decisão final da DGS, que eu penso que relativamente breve estará cá fora. Teremos que ouvir a DGS. Mais uma vez repito, a política não deve interferir na ciência, mas não pode estar capturada e refém da ciência e por isso o Estado tem a obrigação de preparar e planear essa possibilidade”, disse.

Em planeamento está também a próxima época gripal, adiantou Lacerda Sales, no dia em foram conhecidos dados que apontam para uma mortalidade nula em consequência do vírus da gripe no último inverno.

“Fizemos na última época com um reforço vacinal e obviamente que faremos este ano um novo reforço vacinal”, disse o secretário de Estado.

Ainda sobre uma notícia avançada pela TSF relativa à inoperacionalidade de aceleradores lineares para tratamentos de radioterapia por falta de físicos médicos e ao encerramento de blocos operatórios por falta de médicos e enfermeiros no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, Lacerda Sales adiantou que já foi autorizada a contratação de 78 profissionais.

“Já foi autorizada a contratação de mais 78 profissionais de saúde, entre os quais quatro físicos médicos para poder acorrer à questão da radioterapia e dos aceleradores lineares e muitos outros, cerca de 20 médicos, enfermeiros e outras classes profissionais”, disse.

Por Liliana Malainho
27 Julho, 2021

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