966: Portugal com mais 18 mortes e 2.377 casos nas últimas 24 horas

Enquanto não PUNIREM SEVERAMENTE quem não cumpre as regras sanitárias referentes ao ESTADO DE CALAMIDADE em que (ainda) nos encontramos, deixando andar à solta labregos acéfalos indigentes a organizar, promover e efectivar festas de toda a espécie, eventos “sociais” & afins, para repasto dos seus enormes egos, nem a terceira, nem a quarta, nem a 10ª. dose de vacina darão algum resultado no combate a esta pandemia.

SAÚDE/PANDEMIA/INFECÇÕES/MORTES

O país contabiliza agora um total de 982.364 casos e 17. 440 óbitos desde o início da pandemia.

Portugal registou mais 2.377 casos e 18 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, indica o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta sexta-feira, 6 de Agosto.

O país contabiliza agora um total de 982.364 casos e 17.440 óbitos desde o início da pandemia.

Há agora 44.646 casos activos de infecção por SARS-CoV-2, menos 552 do que na véspera, em que também já se tinha registo uma diminuição.

Relativamente a hospitalizações, há agora 866 pessoas internadas (menos 32 do que no dia anterior), 194 das quais em unidades de cuidados intensivos (menos dois do que na véspera).

O boletim da DGS aponta também que há mais 2.911 recuperados da doença, num total de 920.278.

Task force afasta terceira dose sem “evidência científica” da sua necessidade

O coordenador da task force para a vacinação contra a covid-19 afastou esta sexta-feira a possibilidade da administração de uma terceira dose da vacina em idosos nos lares, enquanto “não houver evidência científica” da sua necessidade.

“Não há evidência científica, neste momento, para dizer que a terceira dose é necessária e, enquanto não houver evidência científica, não devemos começar a criar uma imagem que vem aí qualquer coisa e temos que ir já para uma terceira dose”, afirmou.

Falando aos jornalistas no final de uma visita ao Centro de Vacinação Covid-19 de Évora, o coordenador da ‘task force’, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, apontou a necessidade de se “esperar pela evidência científica” para se tomar uma decisão.

Questionado sobre a hipótese de se realizarem testes à imunidade nos lares, o responsável, recorrendo ao que disse ter ouvido “dos técnicos de saúde”, considerou que a medida “pode não ser suficiente” para dar uma ideia da situação.

“A medida de anticorpos pode não ser suficiente para nós percebermos se estamos ou não protegidos contra o vírus, porque nas Células T há memória do vírus e as Células T em presença do vírus criam anticorpos”, disse.

Nesse sentido, realçou Gouveia e Melo, se forem medidos os anticorpos a uma pessoa que “não teve contacto com o vírus recentemente”, esta “pode ter os anticorpos a zero”, mas isso “não significa que não tenha defesa para o vírus”.

“Agora, começo a medir os anticorpos na população e, se não houver o vírus, chego à conclusão que ninguém está protegido e, depois, se calhar, vou ter que vacinar outra vez, sem motivo nenhum”, advertiu.

O coordenador da ‘task force’ para a vacinação aludiu a “estudos” sobre as Células T que “indicam, exactamente, o contrário”, nomeadamente que a imunidade “fica adquirida por um longo período, se não para a vida toda”. “Portanto, temos de esperar para que esses estudos se desenvolvam”, acrescentou.

Sobre os surtos activos de infecção pelo SARS-CoV-2 em lares de idosos, o responsável lembrou que “a vacina não é 100% eficaz”, pelo que “os surtos aparecem”, mas vincou que “a consequência é complemente diferente do que era há três meses atrás”.

“As pessoas que morrem com a vacinação concluída são uma percentagem ínfima e, se formos ver, apesar de estarem infectadas, não estão a morrer da infecção”, mas sim “de outras complicações”, devido à idade e situação de saúde.

Segundo o vice-almirante Gouveia e Melo, a protecção que a vacina oferece “é gigantesca e isso é evidente”, uma vez que agora “estão a morrer 30 a 40 vezes menos” pessoas do que em Janeiro deste ano.

“É o vírus que deixou de ser agressivo? Não, o vírus até é mais agressivo e propaga-se muito mais rapidamente. É fruto da vacinação”, acentuou, apelando aos portugueses para que “tenham confiança” nas vacinas.

Os espectáculos ao ar livre, mesmo os gratuitos, devem ter bilhetes de ingresso, entradas controladas e o público deve ser distribuído por lugares marcados, indica uma orientação actualizada pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).

No documento, a DGS sublinha que, “nesta fase não são permitidos espectáculos com público não distribuído por lugares marcados”, insistindo que os lugares no recinto do espectáculo ao ar livre devem estar previamente identificados (cadeiras ou marcação no chão), “dando preferência a lugares sentados”.

Sublinhando a importância de se cumprir sempre a distância de 1,2 metros entre espectadores não coabitantes, “atendendo a que os espectadores não se movimentam, estão ao ar livre e estão a usar obrigatoriamente e durante todo o tempo máscara facial”.

A DGS diz ainda que nos espectáculos ao ar livre “o período de entradas e saídas do público deve ser alargado para que a entrada dos espectadores possa ser desfasada, cumprindo, no acesso, as regras de distanciamento físico mínimo de 1,5 metros entre pessoas não coabitantes”.

Nos espectáculos com palco, não devem ser ocupadas as duas primeiras filas junto ao palco ou, em alternativa, deve ser garantida a distância de, pelo menos, dois metros entre o palco e a primeira fila de espectadores a ocupar, indica.

A orientação define igualmente que eventos com público realizados fora de espaços ou estabelecimentos fixos de natureza artística, “devem ser precedidos de avaliação de risco pela autoridade de saúde territorialmente competente”, em articulação com o organizador do evento, ouvindo as forças de segurança locais, para determinar se há viabilidade e condições de realização.

“As cenas e os espectáculos realizados ao vivo (ex: peças de teatro, orquestras) devem ser adaptadas, sempre que possível, de forma a minimizar o contacto físico entre os envolvidos (artistas e espectadores)”, refere a DGS, que proíbe a “partilha de microfones, instrumentos, objectos e acessórios durante os ensaios e as actuações entre artistas e entre artistas e espectadores”.

A orientação da DGS define ainda que os equipamentos culturais podem funcionar com uma lotação de até 66% e que é necessário apresentar certificado digital ou teste negativo em salas de espectáculo ou em espectáculos em recintos em ambiente fechado ou aberto sempre que o número de participantes / espectadores seja superior a 1.000, em ambiente aberto, ou superior a 500, em ambiente fechado.

O país acordou esta quinta-feira com mais uma notícia sobre um surto de covid-19 em lares. Um surto que parece já estar controlado, mas que envolveu 127 infectados – 22 profissionais e 105 utentes – e a morte de um utente. Um surto que surgiu numa instituição da Misericórdia de Proença-a-Nova, onde “todas as pessoas, quer profissionais quer utentes, estavam vacinadas com as duas doses”, assegura ao DN Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP).

E se nos casos anteriores, conhecidos em Junho, que reportaram a lares de Mafra e de Faro, onde houve três mortes, duas no primeiro concelho e uma no segundo, os utentes tinham sido vacinados, mas os profissionais não, porque alguns rejeitaram a vacinação, acabando por ficarem infectados, aqui não foi o caso.

O que faz alguns questionarem-se sobre como é que é possível. Ou melhor, como é que o vírus pode atingir uma população completamente vacinada? Quanto tempo dura a imunidade num vacinado ou numa pessoa infectada é uma questão para a qual a própria ciência ainda não tem certezas, mas já pode explicar que, em primeiro lugar, e como tem sido explicado por cientistas, nenhum medicamento nem nenhuma vacina é 100% eficaz – portanto, há sempre uma percentagem reduzida de pessoas que podem não desenvolver a quantidade necessária de anticorpos para ficarem protegidos. Em segundo lugar, porque se há algo que se sabe é que a imunidade vai reduzindo ao longo tempo. E é esta situação que faz Manuel Lemos defender, que, se calhar, “está na hora de se começar a pensar a sério na realização de testes à imunidade dos idosos, sobretudo aos que já foram vacinados há mais de seis meses”.

No caso de Proença-a-Nova, Manuel Lemos diz que a indicação que tem é que a unidade terá sido das primeiras do país a ser vacinada. “Segundo sei foi ainda em Dezembro e estavam todos vacinados. Como é que se explica a situação? Só se formos avaliar a imunidade das pessoas.”

A origem do surto, segundo explicou ao DN, pode estar num utente que teve necessidade de receber cuidados numa unidade hospitalar. “Pensa-se que tenha vindo de lá infectado e que infectou os outros, mas se foi infectado e estendeu a doença é porque a imunidade nestas pessoas já é baixa e não dá protecção”, sublinha, embora admita: “Não sou cientista, estes é que podem explicar a situação, mas julgo que se deve pensar seriamente na solução dos testes à imunidade e na discussão sobre se há ou não necessidade de uma terceira dose.”

Diário de Notícias
DN
06 Agosto 2021 — 14:54


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934: Fim do recolher obrigatório, restaurantes até às duas. Discotecas em Outubro

SAÚDE/COVID-19/FIM DAS RESTRIÇÕES

António Costa apresentou esta tarde um plano de alívio de três fases. A primeira começa no domingo, 1 de Agosto, com a normalização dos horários da restauração e comércio. No início de Setembro começa a fase seguinte, com o fim de uso de máscaras na rua. Discotecas reabrem em Outubro.

© MIGUEL A. LOPES/LUSA

Está definido o plano para a “libertação da sociedade e da economia”. Começa no próximo domingo, 1 de Agosto, e acompanhará o ritmo do processo de vacinação.

Segundo as metas traçadas na tarde desta quinta-feira por António Costa, no final da reunião do Conselho de Ministros, no próximo domingo 57% da população portuguesa deverá ter o processo de vacinação completo, iniciando-se nessa data a fase um. No início de Setembro 70% dos portugueses terão tomado as duas doses da vacina, começando então a fase dois. Em Outubro a taxa chegará aos 85%, permitindo então a reabertura de bares e discotecas e o fim das lotações máximas nas várias actividades, no que será já o terceiro patamar.

Com este plano acabam as medidas de implementação concelhia, com as novas regras a aplicarem-se a todo o território nacional. A matriz de risco deixará de determinar as medidas de restrição, como tem acontecido até aqui, mas que se manterá como um instrumento importante de monitorização da pandemia.

FASE 1 – A partir de Domingo

– Acaba a proibição de circulação na via pública entre as 23 horas e as cinco da manhã.

– Fim das restrições horárias: restaurantes, comércio e espectáculos “podem retomar horários normais”, com encerramento até às duas da manhã. O mesmo limite horário é aplicável às festas familiares. Os bares regem-se também pelas mesmas regras dos restaurantes, segundo esclareceu o Governo, corrigindo a informação inicial avançada por António Costa, que remeteu a reabertura dos bares para a terceira fase, em Outubro.

– Eventos desportivos com público (regras a definir pela DGS).

– Espectáculos culturais com dois terços da lotação (66%)

– Casamentos e baptizados com lotação de 50%.

– Equipamentos de diversão segundo regras da DGS, em local autorizado pelo município

– Teletrabalho passa de obrigatório para recomendado, quando as actividades o permitam.

– Bares e discotecas continuam encerrados.

– Festividades e romarias continuam proibidas.

FASE 2 – A partir do início de Setembro

Na segunda fase do alívio das medidas de restrição, a partir do início de Setembro, será decretado o fim do uso obrigatório de máscara na via pública: a máscara só será exigível em espaços ao ar livre em situação de ajuntamentos. Segundo afirmou entretanto António Costa, continuará obrigatória nos espaços interiores.

– Os espectáculos culturais, bem como casamentos ou festividades similares podem ter uma taxa de ocupação até aos 75%.

– Deixa de haver limitação de lotação nos transportes públicos.

– Serviços públicos passam a funcionar sem marcação prévia.

FASE 3 – A partir de Outubro

– Na fase 3, com 85% da população com vacinação completa, reabrem os bares e discotecas, sendo necessário certificado digital ou teste negativo para entrar.

– Restaurantes deixam de ter um limite máximo de pessoas por grupo.

– Acabam os limites de lotação nas várias actividades.

Certificado ou teste para aulas de grupo em ginásio

A obrigação de apresentação de um certificado de vacinação digital ou teste negativo mantém-se para a entrada em estabelecimentos turísticos e alojamento local, para permanecer nos espaços interiores dos restaurantes, aos fins de semana e feriados, e para as viagens por via área ou marítima. Mas também para aulas de grupo em ginásios, para frequentar termas e spas, bem como casinos e bingos.

O certificado, ou o teste negativo, é ainda exigido em eventos culturais, desportivos ou corporativos com mais de 1.000 pessoas (em ambiente aberto) ou 500 pessoas (em ambiente fechado) e em casamentos e baptizados com mais de 10 pessoas.

Na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, António Costa avisou que o Governo “não hesitará em parar ou recuar” nas medidas de alívio das restrições “se for necessário”. Por outro lado, admitiu que as fases de alívio podem ser antecipadas face às datas hoje anunciadas, se o processo de vacinação decorrer de forma mais rápida que o previsto.

Diário de Notícias
Susete Francisco
29 Julho 2021 — 18:41



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933: Recolher obrigatório termina no Domingo. Restaurantes até às 2 horas

Ei malta!!! Já podemos ir p’rá borga! Quando andei na recruta (Exército), tinha dispensa de recolher e de pernoita (já era casado, podia ir a casa); agora com o bicho ainda à solta por aí, acabou-se o recolher obrigatório!

SAÚDE/COVID-19/RECOLHER OBRIGATÓRIO

29 jul 17:26

Fase 2. Máscaras na rua só em ajuntamentos

Na segunda fase do alívio das medidas de restrição, a partir do início de Setembro, a máscara só será exigível na via pública em situação de ajuntamentos.

Os espectáculos culturais, bem como casamentos ou festividades similares podem ter uma taxa de ocupação até aos 75%.

Deixa de haver limitação de lotação nos transportes públicos.

29 jul 17:22

Medidas da primeira fase do confinamento, que avançam domingo:

– Acaba o recolher obrigatório.

– Fim das restrições horárias: restaurantes, comércio e espectáculos “podem retomar horários normais”, com encerramento até às duas da manhã.

– Eventos desportivos com público.

– Espectáculos culturais com dois terços da lotação.

– Bares e discotecas continuam encerrados.

– Festividades e romarias continuam proibidas.

29 jul 17:13

Recolher obrigatório acaba domingo

Costa anuncia que o recolher obrigatório entre as 23 horas e as cinco da manhã acaba no próximo domingo.

29 jul 17:10

António Costa. Imunidade de grupo em Outubro

António Costa inicia a conferência de imprensa após o Conselho de Ministros. Primeiro-ministro passa em revista a evolução da pandemia desde meados de Março, atribuindo o aumento do numero de contágios ao “impacto da variante delta”, que resultou num “crescimento muito acentuado, o que levou às medidas restritivas aplicadas a partir de 17 de Junho”.

Invocando a taxa de vacinação, António Costa avança novos números: “Prevemos que no próximo dia 1 de Agosto 57% da população portuguesa esteja completamente vacinada”, 70% no início de Setembro e 85% (o valor em que se deverá atingir a imunidade de grupo) em Outubro.

Costa anuncia um plano de desconfinamento em três fases. Já num primeiro, as medidas deixam de ter um âmbito concelhio e passam a abranger todo o território nacional.

Já numa primeira fase vão ser eliminadas as restrições horárias à restauração, que pode ficar aberta até às duas da manhã.

29 jul 17:05

António Costa apresenta novas medidas aprovadas em Conselho de Ministros

Siga aqui a emissão:

Diário de Notícias
29/07/2021



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Covid-19. “Se relaxarmos medidas corremos o risco de ter novo pico em Agosto”

SAÚDE/COVID-19/DESCONFINAMENTO/RELAXO

O país ultrapassou os 4 mil casos de infecção. O número pode não reflectir sequer o pico desta vaga. O fecho das escolas e as férias poderão alterar o curso da doença, mas o que o Conselho de Ministros decidir hoje será decisivo para o mês de Agosto.

Casos de infecção crescem exponencialmente na região norte, sobretudo no Porto.
© Igor Martins Global Imagens

Na Europa, há especialistas que já falam de um novo pico da pandemia de covid-19 em Agosto – isso mesmo prova um estudo divulgado pelo Imperial College relativamente à situação no Reino Unido. Tudo por conta do alívio das medidas de confinamento face à variante Delta – aquela que já se sabe que tem um grau de transmissibilidade muito superior ao da Alpha ou da variante original.

Em Portugal, o receio de que tal também possa acontecer começa a ser visível entre alguns especialistas e a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que desde o início da pandemia faz a modelação da evolução da doença, volta a lançar um alerta. “O que fizermos agora vai ser determinante para um novo pico em Agosto”, afirmou ao DN Carlos Antunes.

Os especialistas têm os olhos postos na reunião de hoje do Conselho de Ministros, porque, e como explicou Carlos Antunes, “poderá haver a tendência para se criar a expectativa de que – como se começa a vislumbrar um certo desaceleramento da situação na região de Lisboa e Vale do Tejo e com a vacinação a avançar – temos melhores condições para combater o vírus e que a situação epidemiológica está a ser resolvida, mas a verdade é que cada vez que se aligeira as medidas de confinamento, quer seja em Portugal ou em outra parte do mundo, o vírus surpreende-nos. Veja-se o que se está a passar em Holanda, Grécia, França, Itália, Espanha, Rússia – que aligeiraram as medidas, os casos cresceram exponencialmente e já começaram a retroceder. No fundo, foi o que aconteceu connosco. Ou seja, se relaxarmos ou atenuarmos as medidas estamos a dar mais oportunidades ao vírus para crescer e corremos o risco de em Agosto ter novo pico”.

Especialista pede precaução nas medidas

O professor relembra que faz parte de uma equipa que desde o início do desconfinamento defende o princípio da precaução, “em Abril defendemos que deveríamos esperar mais uma ou duas semanas para abrir, o governo não o fez, e logo em seguida vivemos o resultado”.

Agora, volta a defender que deve ser “mantido o princípio da máxima precaução. Qualquer decisão deve ser muito ponderada”, porque o vírus, ou melhor, a variante Delta, com origem associada à Índia, já nos mostrou que “sempre que relaxamos as medidas ou os comportamentos a incidência aumenta e sempre que apertamos a incidência é contida ligeiramente”.

Por isso, é da opinião que “até se deveria ir mais longe. O país tem de definir o limite da linha vermelha que quer aceitar e tomar logo medidas em relação aos concelhos de risco elevado e muito elevado o mais rapidamente possível – assim que um concelho de elevada densidade populacional ultrapassasse os 240 por 100 mil habitantes deveriam estar a ser tomadas medidas para travar a transmissão”, reforçando que não se pode fazer o que foi feito na capital.

“Vimos Lisboa a chegar ao amarelo, depois ao vermelho e só uma semana depois é que se tomaram medidas. Não podemos continuar a esperar tanto tempo para confirmar se um concelho mantém ou ultrapassa os 240 casos, assim não conseguimos reduzir a transmissão.”

Pico a chegar a Lisboa. Norte vai passar casos da capital

Os olhos estão postos na reunião de hoje para se saber que concelhos se mantêm em elevado risco, os que retrocedem ou os que aliviam medidas, mas Lisboa não deixa de ser exemplo. Há três semanas estava na linha vermelha. Começou a crescer em maio, em Junho atingiu os 480 casos por 100 mil habitantes. O R(t) – índice de transmissibilidade – chegou a estar em 1,25, desceu para 1,15, voltou a subir e agora está em 1,05.

Como irá evoluir ainda é uma incógnita, até porque há variáveis muito fortes que podem mudar o rumo da evolução epidemiológica, mas o que se sabe até agora é que Lisboa passou a nova variante aos concelhos vizinhos e que, hoje, a variante Delta já tem a sua marca em 100% dos casos nesta região e no Algarve. E, segundo os dados actuais, refere Carlos Antunes, “parece começar a haver um desaceleramento, uma descida sustentada na incidência e no R(t), o que nos leva a pensar que estamos próximos do pico, porque é o que significa quando tal acontece”.

O boletim de ontem da Direcção-Geral da Saúde sobre a covid-19 indicava mais 4153 novos casos. O número mais alto desta semana. Lisboa e Vale do Tejo à frente com 1928 casos, o norte com 1305, o Algarve com 441, o centro com 316 e o Alentejo com 102. Os Açores e a Madeira com 42 e 19, respectivamente. A incidência voltou a subir no país e no continente, embora o R(t) continue a descer.

O professor da Faculdade de Ciências explica ainda que os dados demonstram que a região de Lisboa e Vale do Tejo pode estar a atingir o pico da curva epidémica, que o norte ainda está longe, porque “está em crescimento, mas vai ultrapassar os casos de Lisboa, e no Algarve começa a haver indícios de que também estamos a atingir o pico na região. O centro tem vindo a crescer menos, mas também há algum indício de que o pico possa estar a acontecer”.

E o receio entre os especialistas é o de que possa haver “alguma redução na incidência em certas regiões e que o governo e os municípios tenham a tentação para aliviar as medidas, passando a haver restaurantes abertos durante mais tempo e poder circular-se sem horário”.

Segundo argumenta o professor, “todos os indícios que temos podem levar-nos a crer, e como estamos no verão, que pode haver uma desaceleração da transmissão, mas eu não arriscaria nada neste momento. Há uma série de variáveis que podem inverter por completo a situação”.

Férias podem cruzar cadeias de transmissão e gerar pico

“Por exemplo, estamos a assistir a uma desaceleração em Lisboa e Vale do Tejo, mas de um momento para o outro, tanto a questão do fecho das escolas como a mobilidade em período de férias, quer seja para o Algarve, para o norte ou para o interior, podem levar a um cruzamento de cadeias de transmissão, e alterarem rapidamente a configuração da situação epidemiológica”. Um ano e meio depois da pandemia as incertezas perante a evolução da situação pandémica voltam a ser “muito grandes e aconselham-nos a ter cautela e a não criar expectativas, porque tal pode levar a um comportamento errático da população”, reforça Carlos Antunes.

As variáveis de que dispomos hoje “são difíceis de controlar” e tanto nos podem levar para o melhor dos cenários, para o desaceleramento da transmissão, como para o pior, novo pico na transmissão e consequências inerentes – mais casos, mais enterramentos e óbitos também, embora não se chegue ao nível de gravidade atingindo nas anteriores vagas. Acrescentando: “O fecho das escolas pode representar um mitigar da transmissão para a faixa menor de 10 anos, mas na faixa acima dos 15 e até aos 25 pode representar um acelerar da transmissão, porque estamos a falar de alunos do secundário e de universitários que após as aulas e exames podem conviver ainda mais, fazendo aumentar a transmissão.” Por outro lado, “há as medidas em vigor de fecho de restaurantes a uma certa hora e de corte na mobilidade nos municípios de elevado risco, que podem mitigar a transmissão, mas depois há o turismo que pode multiplicar essa transmissão“.

Para Carlos Antunes, “todas estas situações dizem-nos o seguinte: se relaxarmos as medidas é certo e sabido que com a nova variante – sobre a qual já se sabe que um infectado pode contagiar entre cinco e nove pessoas, enquanto com a Alpha um infectado contagiava duas a três – a transmissão será elevada”.

Até porque “já se sabe que para este vírus não há sazonalidade, há em relação à doença e à letalidade, mas isso tem que ver connosco, com o hospedeiro, e com o nosso sistema imunitário. O vírus em si não teme a sazonalidade”. Na verdade, a grande incerteza é comportamental e quando assim é, Carlos Antunes e muitos outros especialistas têm vindo a defender que a aposta deve ser no risco em relação à saúde pública.

Do meu ponto de vista, devemos insistir na limitação dos contactos, porque as pessoas não o farão por iniciativa própria, com excepção das pessoas mais idosas ou cautelosas. Os jovens não o farão, já se percebeu que só por imposição é que acomodam os seus comportamentos. Se lhes dermos liberdade, vão amplificar os contactos e isso vai potenciar a transmissão.”

Carlos Antunes admite que a vacinação é a única segurança que temos, bem como a redução dos contactos, e se ainda há quem duvide disto basta olhar para o que se está a passar à nossa volta. Aliás, a nível internacional, esta semana está a ser um exemplo de que em relação à pandemia ainda nada pode ser dado como garantido, porque quando se pensa que a situação pode estar a aliviar e o risco diminuído, eis que o SARS-CoV-2, quer seja por uma nova variante ou não, faz das suas.

Como diz, basta olhar para o Reino Unido, com abertura da actividade marcada para 19 de Julho, mas que um aumento de casos já levou Boris Johnson atenuar o discurso – “o uso de máscara em Londres ia deixar de ser obrigatório nos transportes e já voltou a ser. Na Holanda, o número de casos cresceu exponencialmente, em França e Itália também, a ponto de estes países discutirem a obrigatoriedade da vacinação e uma terceira dose em breve; e Espanha volta a falar em retroceder medidas. Não é só Portugal”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
15 Julho 2021 — 00:45

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