1042: Mais de 14 mil suspeitas de reacções adversas às vacinas registadas em Portugal

– Para que conste: eu (75 anos e meio) e minha filha (55 anos e meio), fomos inoculados com as duas doses da vacina Pfizer e não surgiram reacções adversas, mesmo que ligeiras.

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VACINAS/REACÇÕES ADVERSAS

Os dados do Infarmed indicam que por cada mil doses administradas foram comunicadas uma reacção adversa no caso das vacinas da Pfizer (Comirnaty), Moderna e Jansen, enquanto no caso da caso da AstraZeneca (Vaxzevria) o valor passa para duas.

© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Mais de 14 mil suspeitas de reacções adversas às vacinas contra a ​​​​​​​covid-19 foram registadas em Portugal e houve 82 casos de morte comunicados em idosos, mas não está demonstrada a relação causa-efeito, segundo o Infarmed.

De acordo com o último relatório a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, até ao dia 31 de Agosto foram notificadas 14.447 reacções adversas (uma por cada 1.000 vacinas administradas), a maior parte (7.581) referentes à vacina da Pfizer/BioNtech (Comirnaty), seguindo-se a da AstraZeneca (Vaxzevria), com 4.188, a da Moderna (Spikevax), com 1.486, e a da Janssen, com 1.136 casos.

O Infarmed sublinha, contudo, que estes dados “não permitem a comparação dos perfis de segurança entre vacinas”, uma vez que foram utilizadas em subgrupos populacionais distintos (idade, género, perfil de saúde, entre outros) e “em períodos e contextos epidemiológicos distintos”.

Os dados do Infarmed indicam que por cada mil doses administradas foram comunicadas uma reacção adversa no caso das vacinas da Pfizer (Comirnaty), Moderna e Jansen, enquanto no caso da caso da AstraZeneca (Vaxzevria) o valor passa para duas.

No entanto, face ao número total de vacinas administradas, o Infarmed refere que as reacções adversas “são pouco frequentes”, com cerca de um caso em cada mil inoculações, “um valor estável ao longo do tempo”.

Registadas 82 mortes. Grupo etário com mais casos de efeitos adversos graves foi o dos 25 aos 49 anos

No total de 14.664.616 doses administradas, o Infarmed registou 14.447 casos de reacções adversas, das quais 5.373 graves (37,2%), entre elas 82 casos de morte entre pessoas com uma média de 77 anos de idade.

“Os casos de morte ocorreram num grupo de indivíduos com uma mediana de idades de 77 anos e não pressupõem necessariamente a existência de uma relação causal entre cada óbito e a vacina administrada, decorrendo também dentro dos padrões normais de morbilidade e mortalidade da população portuguesa”, escreve o Infarmed.

O relatório acrescenta ainda que, dos casos de reacções adversas classificados como graves, “cerca de 90% dizem respeito a situações de incapacidade temporária (incluindo o absentismo laboral) e outras consideradas clinicamente significativas pelo notificador, quer seja profissional de saúde ou utente”.

Por grupo etário, aquele que mais casos de efeitos adversos graves registou foi o dos 25 aos 49 anos (2.536 casos), aquele que teve também o maior número de vacinas administradas (5.052.411).

No relatório, a Autoridade do Medicamento dá conta de 17 casos não graves de efeitos adversos em crianças com menos de dois anos, justificando: “Relativamente aos casos ocorridos na faixa etária dos menores de 2 anos, estes dizem respeito a ocorrências não graves de febre, regurgitação ou irritabilidade em crianças cujas mães poderão ter sido expostas à vacina”.

Diz ainda que na faixa etária dos 12-17 anos, os 20 casos notificados como graves referem-se na sua maioria a “situações já descritas na informação das vacinas”, e que são reacções de tipo alérgico, que dependem do perfil individual do vacinado.

“São casos que motivaram observação e/ou tratamento clínico, mas todos tiveram evolução positiva e sem sequelas. Quatro destes casos foram casos de miocardite”, acrescenta.

Nos casos de reacções graves, o Infarmed informa que foram confirmados três casos de trombose e trombocitopenia (dois relacionados com a vacina Vaxzevria e um da Jansen), quatro considerados “prováveis” e cinco classificados como “possíveis”.

Confirmada “uma associação estatística possível entre as vacinas de mRNA e o aparecimento de miocardite/pericardite”

A Autoridade do Medicamento refere ainda que o Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância (PRAC) reviu os dados disponíveis e “confirmou uma associação estatística possível entre as vacinas de mRNA e o aparecimento de miocardite/pericardite” e indica que em Portugal foram notificados como potencialmente associados a uma vacina contra a COVID-19 de mRNA mais uma dezena de casos (três confirmados, sete prováveis e um classificado como “possível”).

O Infarmed refere ainda a notificação de um caso confirmado de Síndrome de Guillain-Barré (SGB) – doença inflamatória do sistema nervoso periférico -, associado à vacina da Janssen, quatro casos considerados “prováveis” (dois potencialmente associados à vacina Janssen e outros dois à Vaxzevria) e de outros dois casos considerados “possíveis” (Janssen).

Acrescenta que, após avaliação de todos os dados disponíveis, “o PRAC considerou que é possível a existência de uma relação causal entre as vacinas Vaxzevria e covid-19 Janssen e a SGB” e que “não foi identificada uma relação causal entre a SGB e as vacinas Comirnaty e Spikevax”.

Quais são as reacções mais reportadas?

Lembra ainda que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) iniciou “um procedimento de sinal de segurança para avaliar o grau de associação entre as vacinas contra a covid-19 e o desenvolvimento de síndrome inflamatória multissistémica (MIS, sigla em inglês), em crianças ou adultos, e refere que até dia 31 de Agosto foi notificado em Portugal um caso, ocorrido numa adolescente de 16 anos, associado à vacina Comirnaty.

“Não eram conhecidos quaisquer antecedentes pessoais de relevo e foi laboratorialmente confirmada a inexistência de infecção por SARS-CoV-2. A reacção adversa implicou internamento hospitalar, mas a doente encontra-se estável e já em recuperação”, acrescenta.

As 10 reacções mais notificadas referem-se a casos de Mialgia/dor muscular (3.044), cefaleia/dor de cabeça (3.534), pirexia/febre (3.532), mialgia (dor muscular (3.481), dor no local da injecção (2.999), fadiga (1.677), calafrios (1.494), náusea (1.339) e artralgia/dor articular (1.084).

Foram ainda registados casos de dor generalizada (980), tonturas (854), mal estar geral (815), Linfadenopatia /aumento de volume dos gânglios linfáticos (743), dor nas extremidades corporais (727), astenia/fraqueza orgânica (676) e vómitos (659).

Diário de Notícias
DN/Lusa
06 Setembro 2021 — 11:36

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913: Fez reacção à vacina? É bom sinal. O sistema imunitário está a criar anticorpos

SAÚDE/COVID-19/VACINAS/REACÇÃO

População mais jovem está a ter reacções mais intensas à vacinação. Especialistas dizem que é uma situação normal, tal como a de quem não tem qualquer reacção. Tanto uma manifestação como outra não indicam que algo está mal ou que o sistema imunitário não está a produzir anticorpos.

A faxia etária com mais casos de reações é a dos 30 aos 39 anos, segue-se a dos 40 aos 49.,
© Pedro Correia Global Imagens

Tem dores no local onde levou a vacina ou nas articulações? Tem cefaleias, fadiga, náuseas, tonturas, mal-estar e até diarreia? Tem a sensação de que está com gripe, calafrios ou febre? Não é razão para alarme. Este tipo de reacção está identificado na literatura como efeito adverso das vacinas que estão a ser administradas contra a covid-19 e são consideradas “reacções benignas”. Aliás, segundo explicaram ao DN, até são “um sinal positivo”, sublinha o pneumologista e director da Faculdade de Medicina de Coimbra, Carlos Robalo Cordeiro. “São sinal de que o sistema imunitário está a dar uma boa resposta vacinal”, especifica.

Mas se é jovem e não teve qualquer reacção ou se tem 50, 60 ou mais anos e também não registou qualquer sintoma. Não se preocupe. O facto de não ter uma reacção mais forte não é indicador de que algo não esteja bem com o sistema imunitário ou que não esteja a criar anticorpos à vacina.

“A maioria das pessoas não tem reacção às vacinas, não é só em relação à covid, mas também em relação à gripe, à pneumonia ou outras. Quando muito tem-se as tais reacções locais, dor no braço ou uma certa sensação febril, por isso é que se recomenda colocar gelo no local dorido ou tomar um medicamento para atenuar os sintomas”, refere Carlos Robalo Cordeiro, acrescentando que “é uma situação normal, não significando que não está a produzir anticorpos”.

As reacções adversas às vacinas contra a covid-19 voltam a estar em cima da mesa. Sobretudo porque chegou a hora de começar a vacinar as populações mais jovens, as quais estão, de alguma forma, a sentir mais o efeito da vacina. Há casos relatados logo na primeira dose, outros na segunda, mas o certo é que os sintomas referidos estão na literatura das vacinas que estão a ser usadas em Portugal – Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen.

O professor de Coimbra confirma: “Sabemos que algumas pessoas mais jovens estão mesmo a ir à cama com dores nas articulações, fadiga, cefaleias ou com a sensação de síndrome gripal, mas isto deve-se ao facto de serem jovens e de terem um sistema imunitário mais robusto”, mas, “como digo, é precisamente por serem uma população jovem e porque tem um sistema imunitário mais capaz e competente que desenvolvem uma resposta vacinal mais intensa.”

O médico e imunologista Luís Graça, que integra a Comissão Técnica de Vacinação para a Covid-19, da Direcção-Geral da Saúde, defende o mesmo, salientando que as suspeitas de reacções adversas graves às vacinas têm sido reportadas e analisadas de imediato”, o que quer dizer que “os sistemas de farmaco-vigilâncias estão a funcionar bem e que são seguros”, dando como exemplo a situação verificada há dias num dos centros de vacinação do concelho de Mafra, a qual foi avaliada de imediato e a administração da vacina em causa suspensa.

Para Luís Graça, “a população deve estar tranquila porque não há razões para alarme”. Até agora, refere o imunologista do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM), “não há qualquer relação entre efeitos das vacinas e a resposta imunitária”, sustentando também que o facto de se estar a notar reacções mais fortes à vacina por parte dos mais jovens tem a ver com o terem “um sistema imunitário mais vigoroso”. No entanto, sublinha também, não quer dizer que que quem não tem sintomas não esteja a responder à vacina”.

De acordo com o último relatório do Infarmed, autoridade do medicamento, sobre reacções adversas aos medicamentos (RAM), de 2 de Julho, já foram reportadas 8.470 reacções adversas, de um total de 8.470.118 de doses administradas, sendo o número de casos de RAM por 1.000 vacinas de 1.

Do total de 8.470, o Infarmed revela que 3.290 foram graves e que o sintoma mais referido é a mialgia, depois as dores nas articulações, com 2.638 casos, as cefaleias, com 2.341, a dor no local da vacina com 2.203, a febre com 2.156, a fadiga com 948, as náuseas com 938, e ainda as tonturas, mal-estar, vómitos e diarreia. O mesmo documento revela ainda que a vacina sobre a qual há mais reacções é a da Pfizer, com 5.651 reacção notificadas, a da AstraZeneca com 2.133, a da Moderna com 556 e a Janssen, que, no caso de Portugal está apenas a ser administrada em mulheres com mais de 50 anos e nos homens a partir dos 18 anos.

As faixas etárias que mais reacções adversas, graves e não graves, reportaram são as dos 30 aos 39 anos, com 624 reacções graves e 1.155 não graves, e a dos 40 aos 49 anos, com 690 reacções graves e 118 não graves. A partir destas faixas, as reacções começam a diminuir, sendo apenas da ordem das dezenas e das poucas centenas entre os 60 e até mais dos 90 anos.

O relatório do Infarmed dá também conta de que, “na maioria dos casos, o desconforto causado pela dor ou febre é um sinal normal de que o sistema imunitário está a reagir e estas reacções resolvem-se em poucas horas ou dias, sem necessidade de intervenção médica, e não deixando sequelas. As situações não resolvidas ou agravadas nesse período ou de natureza clínica mais grave poderão requerer avaliação clínica”.

No entanto, tanto o Infarmed como os especialistas têm vindo a alertar para uma situação: se uma pessoa vacinada contra a covid-19 considerar que pode estar a desenvolver uma reacção alérgica grave, após a toma da vacina e passados cerca de 30 minutos, deve procurar atendimento médico.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
24 Julho 2021 — 00:10

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845: Recolher à noite é obrigatório e incumprimento pode dar prisão

SAÚDE/COVID-19/RECOLHER OBRIGATÓRIO

Governo esclarece que impedimento de circulação na via pública é uma obrigação. Violar esta regra constitui desobediência agravada em um terço, com pena máxima de quase ano e meio de prisão ou multa a 160 dias.

Autoridades podem ordenar aos cidadãos que regressem a casa, se estiverem na rua sem ser ao abrigo das excepções previstas. Restrição abrange 3,9 milhões de pessoas.
© André Luís Alves / Global Imagens

O dever de permanecer no domicílio e não circular na via pública entre as 23h00 e as cinco da manhã – que se aplica desde sexta-feira em 45 concelhos em risco elevado ou muito elevado de contágio por covid-19, num total de 3,9 milhões de pessoas – é obrigatório e pode ser sancionado com prisão até um ano e quatro meses ou 160 dias de multa.

A formulação que consta da resolução do Conselho de Ministros da última quinta-feira tem levantado dúvidas quanto à natureza da medida, ao referir que os “cidadãos devem abster-se de circular em espaços e vias públicas”, sem falar expressamente em proibição. Mas Tiago Antunes, secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, não deixa margem para dúvidas. “É um dever, e em direito um dever é sinónimo de uma obrigação jurídica. E tanto o é que acarreta uma sanção que é das mais graves no nosso ordenamento, uma sanção criminal”, diz ao DN.

Em causa está o crime de desobediência, que tem uma moldura penal de prisão até um ano ou 120 dias de multa, mas que neste caso é ainda “agravado em um terço” – ou seja, passa a um ano e quatro meses de prisão ou 160 dias de multa. Uma sanção prevista no Código Penal e que, neste caso em concreto, resulta do estabelecido na Lei de Bases da Protecção Civil e na resolução que declarou o estado de calamidade.

“Se alguém estiver na rua a partir daquela hora os agentes da autoridade devem dar ordem àquela pessoa para se recolher”, sublinha o secretário de Estado. Quem não respeitar essa ordem incorre então num crime de desobediência agravada. Significa isto que alguém pode ser preso por mais de um ano por estar na rua à meia-noite? A resposta é sim, embora o penalista Magalhães e Silva sublinhe ao DN que “raramente um tribunal aplica o máximo previsto na lei” nestes casos, dizendo não acreditar que se possa passar de penas suspensas ou multas de 30 dias, por exemplo.

Quanto à questão da constitucionalidade desta medida, depois de vários constitucionalistas terem já defendido que a norma é contrária à Lei Fundamental, Tiago Antunes sustenta que não, dado que se trata de uma “restrição” e não de uma “suspensão” de direitos, que “de facto não poderia ocorrer”.

O secretário de Estado argumenta que a decisão do governo se fundamenta não no artigo 19 da Constituição – aquele que tem vindo a ser invocado em defesa da inconstitucionalidade da norma – mas no anterior. O artigo 18 estipula que “a lei só pode restringir os direitos, liberdades e garantias nos casos expressamente previstos na Constituição, devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos”. O artigo 19, que “regula a suspensão do exercício de direitos”, estabelece que “os órgãos de soberania não podem, conjunta ou separadamente, suspender o exercício dos direitos, liberdades e garantias, salvo em caso de estado de sítio ou de estado de emergência, declarados na forma prevista na Constituição”.

Em favor desta tese, Tiago Antunes cita o acórdão do Supremo Tribunal Administrativo (STA) do último fim de semana, relativo à proibição de entrada e saída na Área Metropolitana de Lisboa, que resultou de uma intimação (acção urgente) apresentada por André Ventura. O STA determinou, por maioria, que aquela medida se refere “a uma restrição e não a uma suspensão de direitos, liberdades e garantias fundamentais, a qual se apresenta, ponderada a sua justificação, alcance e, relevantemente, todas as largas excepções previstas, não violadora do princípio da proibição do excesso, da necessidade, adequação e proporcionalidade”.

Tiago Antunes defende que este é o mesmo princípio que se aplica à regra adicional tomada agora pelo Conselho de Ministros: “A medida não é permanente, é temporária, e tem um conjunto de excepções.” As mesmas que estiveram em vigor quando a mesma norma foi posta em prática ao abrigo do estado de emergência, e que incluem, por exemplo, deslocações para o trabalho.

Norma é “inconstitucional”

Mas a interpretação do governo não é partilhada por muitos constitucionalistas. Para Jorge Miranda a medida é “inconstitucional”: “São restrições muito fortes à liberdade de circulação das pessoas, que é um direito, liberdade e garantia, portanto pressuporia uma declaração do estado de emergência, eventualmente adaptado aos municípios em que a situação é mais grave.”

Muitas vezes considerado como o “pai” da Constituição, Jorge Miranda defende que “há uma coisa que o legislador devia fazer: reformular a lei do estado de sítio e do estado de emergência” e definir em termos mais precisos o que é calamidade. “É um conceito que precisa de ser determinado, uma calamidade pode ser de muitas naturezas, pode ser uma calamidade natural, sanitária, pode haver calamidades que determinem umas situações, outras não” e a lei deve prever essa diferenciação, defende. “Há todo um trabalho de reformulação legislativa que me parece absolutamente indispensável. Toda a legislação tem de ser vista em conjunto e repensada para se evitar confusões”, sustenta o constitucionalista.

Para Paulo Otero, a inconstitucionalidade está a montante, na própria Lei de Protecção Civil, que permite restrições à circulação – “essa norma legal é inconstitucional”. Na mesma linha de Miranda, defende também que o “parlamento já podia e devia ter legislado” sobre a situação de emergência sanitária, “nem que para isso fosse necessário acrescentar um novo artigo à Constituição”. Assim, “a Constituição é hoje uma peça de arqueologia”, argumenta o constitucionalista: “Nos momentos-chave o que se vê é aquilo a que estamos a assistir agora.” Ou seja, uma confusão em torno das figuras jurídicas que são usadas para responder à situação de pandemia.

O Presidente da República, ele próprio um constitucionalista, já se manifestou favorável às medidas tomadas pelo governo, defendendo que o executivo está a desenvolver um caminho “diferente” e “alternativo” no combate à pandemia. “Para situações diferentes têm de se encontrar soluções diferentes e a solução diferente que é encontrada agora não é uma solução nem de estado de emergência nem de confinamento total em todo o território, mas intervenções que são selectivas em função da situação dos municípios”, disse Marcelo na última quinta-feira, depois de serem conhecidas as decisões do Conselho de Ministros. Recorde-se que Marcelo já disse que o país não voltaria atrás no desconfinamento, uma afirmação que deu início a uma troca de palavras com o primeiro-ministro, que na reacção defendeu que ninguém, nem mesmo o Presidente da República, poderia dar essa garantia. Um episódio que terminou com Marcelo a dizer que o primeiro-ministro não desautoriza o Presidente da República e Costa a falar num “equívoco” e a negar conflitos com Belém.

IL faz queixa à Provedora de Justiça

Entre os partidos, a reacção mais contundente foi a da Iniciativa Liberal, que apresentou queixa à provedora de Justiça das restrições impostas fora do estado de emergência, pedindo a Maria Lúcia Amaral que envie a resolução do Conselho de Ministros para o Tribunal Constitucional, para que seja verificada “a fiscalização da constitucionalidade das limitações e da Lei de Bases da Protecção Civil”, segundo avançou no Twitter Bruno Horta Soares, candidato da IL a Lisboa. Também o PCP tem “muitas dúvidas” de constitucionalidade sobre esta medida, resultado do “tremendo erro” do Governo de “insistir nesta lógica de medidas restritivas”, nas palavras do líder parlamentar, João Oliveira.

susete.francisco@dn.pt

Diário de Notícias
Susete Francisco
02 Julho 2021 — 23:00

 

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740: Revelação do Infarmed. Quase 6.700 suspeitas de reacções adversas à vacina registadas em Portugal

 

SAÚDE/COVID-19/VACINAS/REACÇÕES ADVERSAS

07 jun 08:26
Por Nuno Fernandes

Quase 6.700 suspeitas de reacções adversas à vacina registadas em Portugal

Quase 6.700 suspeitas de reacções adversas às vacinas contra a covid-19 foram registadas em Portugal e houve 44 casos de morte comunicados em idosos com várias doenças, mas não está demonstrada a relação causa-efeito, segundo o Infarmed.

De acordo com o último relatório a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, até final de maio foram notificadas 6.995 reacções adversas, a maior parte (68,3%) referentes à vacina da Pfizer/BioNtech, com 4.782 casos, seguindo-se a da AstraZeneca (Vaxzevria), com 1.509, a da Moderna, com 387, e a da Janssen, com 17 casos.

O Infarmed sublinha, contudo, que “a notificação no âmbito do Sistema Nacional de Farmacovigilância não pressupõe necessariamente a existência de uma relação causal com a vacina administrada” e que a vacinação contra a covid-19 “é a intervenção de saúde pública mais efetiva para reduzir o número de casos de doença grave e morte originados por esta pandemia”.

Os dados do Infarmed indicam que por cada 1.000 doses administradas foram comunicadas 1,21 reações no caso da Pfizer (Comirnaty), 1,24 no caso da AstraZeneca (Vaxzevria), 0,74 referentes à Moderna e 0,16 à vacina da Janssen.

No total de 5.790.080 doses administradas, o Infarmed registou 44 notificações de casos de morte em idosos com outras comorbilidades e em que não está demonstrada a relação causal com a vacina administrada.

“Os casos de morte ocorreram em pessoas com uma mediana de idades de 81 anos e não pressupõem necessariamente a existência de uma relação causal com a vacina administrada, uma vez que podem também decorrer dos padrões normais de morbilidade e mortalidade da população portuguesa”, refere a Autoridade Nacional do Medicamento.

Das reacções registadas, 3.957 referem-se a casos não graves (59,1%) e 2.738 a casos graves (40,9%), refere o Infarmed, sublinhando que a maior parte (90%) das reacções adversas a medicamentos classificadas como graves se referem a “casos de incapacidade, maioritariamente temporária”.

A maioria das reacções notificadas ao Infarmed foram registadas em mulheres (4,712) e, por faixas etárias, aquela que mais notificações tem é a dos 30 aos 49 anos.

As 10 reacções mais notificadas referem-se a casos de reacção no local de injecção (3.250), dores musculares ou nas articulações (3.007), dores de cabeça (1.964), febre (1.800), astenia, fraqueza ou fadiga (1.123), náuseas (773), tremores (687), alterações/aumento dos gânglios (569), eritema/eczema ou erupção (481) e parestesias (400), ou seja, sensação de formigueiro ou picadas.

Lusa

Diário de Notícias


07 Junho 2021 — 07:01

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Para Eric Clapton, as garantias de que a vacina da AstraZeneca é segura são “propaganda”

 

SAÚDE/VACINAS/ASTRA-ZENECA

Eric Clapton, lenda do blues e do rock, já gravara com o irlandês Van Morrison uma canção contra o confinamento e o “medo” da pandemia. Agora, questiona a eficiência da vacina da AstraZeneca.

Eric Clapton, uma das grandes figuras da história da música popular britânica e do rock and roll, considera que as garantias científicas de que a vacina da AstraZeneca é segura não passaram de “propaganda”. A opinião foi dada pelo guitarrista, cantor e compositor numa carta enviada a um amigo chamado Robin Monotti, um arquitecto e produtor de filmes que tem vindo a desvalorizar o impacto e a gravidade da Covid-19 e a criticar medidas de contenção da pandemia adoptadas pelos Estados — como os confinamentos e o distanciamento social.

A carta, em que Eric Clapton detalha os efeitos secundários que sentiu após lhe terem sido administradas duas doses da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19, foi tornada pública por Robin Monotti na app de mensagens Telegram. De acordo com a revista Rolling Stone, a publicação terá sido feita com o consentimento do músico. A revista diz ainda ter “confirmado a autenticidade” da carta.

Na carta, Eric Clapton escreveu: “Tomei a primeira dose da AZ [AstraZeneca] e tive logo reacções severas que duraram dez dias. Acabei por recuperar e foi-me dito que receberia a segunda dose doze semanas depois da primeira. Cerca de seis semanas depois foi-me dada e administrada a segunda dose da AZ mas já tinha um pouco mais conhecimentos sobre os perigos”.

Nem preciso de dizer que as reacções foram desastrosas, as minhas mãos e os meus pés ou estavam congelados, adormecidos ou a arder, e fiquei bastante inútil durante duas semanas. Temi nunca mais poder tocar novamente [guitarra]. (Sofro de neuropatia periférica e nunca me deveria ter aproximado da agulha). Mas a propaganda dizia que a vacina era segura para todos…”, escreveu ainda Eric Clapton.

De acordo com a revista Rolling Stone, o músico descreve ainda na carta que nos últimos meses ficou a conhecer “heróis” como Desmond Swayne, um político britânico que se opôs terminantemente aos confinamentos para travar a propagação da pandemia, bem como “canais de Youtube” em que se questionava o consenso científico em torno da Covid-19.

Eric Clapton já tinha lançado um tema inspirado na pandemia intitulado “Stand and Deliver”, em conjunto com o guitarrista, cantor e compositor Van Morrison, outra grande figura da música mundial e da história da música popular britânica, que recebeu mesmo o título de sir e que foi autor de alguns dos grandes discos do blues-jazz e do folk-jazz.

No tema, Eric Clapton e Van Morrison opunham-se ao confinamento e alertavam para a importância de não adoptar esta medida de contenção do novo coronavírus para que a indústria da música e os seus profissionais pudessem ser salvos. A letra sugeria que as autoridades fomentavam o medo e não diziam a verdade às pessoas e questionava se o Reino Unido era ainda “uma nação soberana ou um Estado policial”.

No Reino Unido já morreram mais de 120 mil pessoas infectadas com o novo coronavírus e que tiveram um teste de diagnóstico positivo à infecção durante um período de 28 dias antecedentes à morte. O número de casos e mortes tem vindo a cair abruptamente desde que se intensificou o programa de vacinação, que está mais adiantado na Grã-Bretanha do que nos países da União Europeia.

Observador

Gonçalo Correia

19 Mai 2021, 00:37

 

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704: Mais de 5.660 suspeitas de reacções adversas à vacina registadas em Portugal

 

SAÚDE/COVID-19/VACINAS

O Infarmed sublinha, contudo, que “as reacções adversas (RAM) notificadas não têm necessariamente uma relação causal com a vacina administrada”.

Mais de 5660 suspeitas de reacções adversas à vacina registadas em Portugal
© Rui Manuel Fonseca / Global Imagens

Mais de 5.660 suspeitas de reacções adversas à vacina contra a covid-19 foram registadas em Portugal e houve 35 casos de morte comunicados em idosos com várias doenças, mas não está demonstrada a relação causa-efeito, segundo o Infarmed.

De acordo com o último relatório a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, datado de sexta-feira (14 de Maio), foram notificadas 5665 reacções adversas, a maior parte (72,9%) referentes à vacina da Pfizer/BioNtech, com 4.129 casos, seguindo-se a da AstraZeneca (Vaxzevria), com 1.234, e a da Moderna, com 302.

O Infarmed sublinha, contudo, que “as reacções adversas (RAM) notificadas não têm necessariamente uma relação causal com a vacina administrada”.

Os dados do Infarmed indicam que por cada 1.000 doses administradas foram comunicadas 1,34 reacções no caso da Pfizer, 1,05 no caso da AstraZeneca (Vaxzevria), 0,66 referentes à Moderna e 0,05 à vacina da Janssen.

No total de 4.655.370 doses administradas, o Infarmed registou 35 notificações de casos de morte em idosos com outras comorbilidades e em que não está demonstrada a relação causal com a vacina administrada.

“Estes casos ocorreram maioritariamente em idosos que apresentam condições de saúde mais frágeis (alguns com diversas comorbilidades). A vacinação contra a covid-19 nestes grupos não reduzirá as mortes por outras causas, que continuarão a ocorrer”, sublinha o Infarmed.

Foram igualmente registados outros 2.418 casos graves e 3.212 não graves, refere o Infarmed, sublinhando que muitas das reacções adversas a medicamentos classificadas como graves se referem a “casos de incapacidade temporária”.

A maioria das reacções notificadas ao Infarmed foram registadas em mulheres e, por faixas etárias, aquela que mais notificações tem é a dos 30 aos 49 anos.

As 10 reacções mais notificadas referem-se a casos de dores musculares/articulares (2.620), cefaleias (1.717), febre (1.566), astenia/fraqueza/fadiga (965), náuseas (672), tremores (587), linfadenopatia (512), ou seja, alterações/aumento dos gânglios, eritema/aczema/rash (406) e parestesias (400), ou seja, sensação de formigueiro ou picadas.

No relatório, o Infarmed lembra ainda que a vasta maioria destas reacções adversas a medicamentos “são observadas em geral em qualquer processo de vacinação”.

Diário de Notícias

DN/Lusa

 

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