1190: DGS lança plano de acção para inverno com três cenários: do melhor ao pior

– Quando nesta sociedade existe uma choldra naturalmente anormal, naturalmente acéfala, naturalmente indigente e naturalmente irresponsável, é lógico que a PANDEMIA não sairá de cá tão cedo e os casos infecciosos estão a agravar-se de dia para dia. Basta ler as estatísticas. Siga o baile!

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19

A Direcção-Geral da Saúde lançou hoje o Plano Referencial Outono-Inverno 2021-2022, que assenta em três cenários: um de estabilidade, a situação em que estamos agora, outro de maior propagação da doença e outro ainda, de maior gravidade, se for identificada uma variante resistente às vacinas. Este cenário é o mais perigoso, pouco plausível, mas possível. O objectivo do plano final é evitar a doença grave.

Há um ano Portugal começava a entrar na segunda vaga da doença.

Há um ano precisamente que os portugueses ouviram falar do Plano Outono-Inverno como mais um meio de combate à covid-19. Este plano, designado como Referencial para o Outono-Inverno 2021-2022, define os cenários e como se deve agir e como as autoridades de saúde, os cidadãos e a própria sociedade deve agir. Um ano e sete meses depois do início da pandemia, quase dois após a identificação do SARS CoV-2, na província de Wuhan, na China, é a própria director-geral, Graça Freitas, que admite ao DN que o vírus ainda nos pode surpreender este inverno. “É um vírus muito novo, muito recente, e não sabemos o que vai acontecer”.

Por isso mesmo, explica, o plano para o outono inverno foi traçado para três cenários: “O cenário que vivemos agora, perfeitamente estável, outro em que a efectividade da vacina começa a perder-se, podendo haver aumento de casos, foi o que aconteceu com os mais idosos, e, por isso, mesmo começámos já a fazer a dose de reforço. E o terceiro, que seria o pior, aquele em que apareceria uma nova variante, com capacidade de escapar ao nosso sistema imunitário e à protecção dada pelas vacinas”, acrescentando que este “não é um cenário plausível, mas que tem de estar sempre presente, enquanto o vírus continuar a fazer o seu percurso entre nós”.

Ou seja, o vírus ainda nos pode surpreender este inverno. Aliás, já o está a fazer. Basta olhar para países como o Reino Unido, Israel e Rússia que estão a registar um aumento considerável de número de casos. No Reino Unido, por exemplo, ainda não foram tomadas medidas de restrição, porque a letalidade não tem aumentado, mas, no caso da Rússia, em que esta semana o número de casos atingiu os 40 mil por dia e o de mortes 15 mil, a sociedade começou a fechar e milhões de pessoas foram enviadas, de novo, para casa.

Graça Freitas, em declarações ao DN admite que tudo ainda pode acontecer, e que, por isso, este “plano referencial para o Outono-Inverno está preparado para fazer face a qualquer um destes cenários, quer seja o da estabilidade, de maior transmissibilidade ou de variantes mais agressivas”. O foco é sempre: “Conter a doença grave, mais do que não ter infecção. Posso dizer que, neste momento, esta é a nossa preocupação principal”.

De acordo com esta avaliação, as medidas vão sendo tomadas e adaptadas. No fundo, e como diz, não se vai inventar, mas reforçar o que já se aprendeu. Daí que a vigilância epidemiológica seja o primeiro pilar deste plano. “As medidas serão tomadas conforme forem ocorrendo os cenários e poderão ser de maior ou menor intensidade. Por isso, é muito importante a vigilância epidemiológica – que em saúde pública significa ‘vigiar para agir’ -, baseada na informação que diariamente vai sendo recolhida pelas várias entidades de saúde.

“A informação recolhida diariamente até pode não ser perfeita, mas dá-nos uma fotografia da realidade no momento, que é muito importante. É com esta informação que sabemos se devemos ou não intensificar a vigilância e as respostas que têm de ser dadas”.

Testagem em massa e confinamentos podem voltar

As medidas, como refere, “são as que todos nós já conhecemos” e que, em primeiro lugar, devem ser assumidas pelo próprio cidadão”. Para a directora-geral, a vigilância é um pilar para o combate à pandemia porque começa precisamente pela responsabilidade de cada um de nós. “A responsabilidade de cada um em se proteger continua a ser essencial, mesmo numa situação como a que vivemos agora, que é de estabilidade e em que temos mais de 85% da população vacinada”.

Esta responsabilidade continua a ser tão importante quanto se sabe que a pandemia também evolui pelos nossos comportamentos, portanto Graça Freitas diz mesmo ao DN que se esta vigilância individual e de protecção não existir, “em última análise podemos chegar a uma situação em que se pode evoluir para um retrocesso, voltar ao passado e aos confinamentos”.

Segundo sublinhou ao DN, “a vigilância é um dos pilares deste plano e tem sido sempre reforçada desde o início da pandemia quer nos aspectos que são avaliados como na criação de plataformas tecnológicas sofisticadas com cada vez maior capacidade de análise. Em função dos resultados, adaptamos a acção”. É a partir da vigilância que serão tomadas as decisões, como se haverá ou não necessidade de vacinar com doses de reforços a população, em caso de perda de efectividade das vacinas, em que a imunidade começa a decair.

Daí que o segundo pilar de actuação para este inverno seja o da vacinação. Neste momento, “já estamos a fazer isso em relação aos imuno-deprimidos e aos idosos, que é dar as doses de reforço”, mas “se a ciência nos indicar que são precisos fazer reforços em outros grupos, também o faremos”.

O terceiro pilar para actuar, se nos depararmos com uma situação de uma nova variante mais agressiva, e uma vez que ainda não há um medicamento que trate a doença grave provocada pelo SARS-CoV-2, poderá ser a adopção de medidas de maior restrição, como até voltar aos confinamentos.

Uma realidade que a directora-geral espera que não aconteça, mas que é possível. Daí que este plano mantenha as estratégias de testagem rápida em massa para evitar a propagação da transmissibilidade. Daí também que, nas unidades de saúde, os planos de contingência tenham de estar a postos, com circuitos e escalas diferenciadas para se conseguir responder à doença. “O vírus ainda está entre nós e não se sabe o que pode acontecer”, volta a sublinhar “O objectivo é sempre o de não termos doença grave, mais pessoas internadas e mais letalidade”.

Ao contrário do que vivíamos há um ano, em que o país entrava na segunda vaga da pandemia, hoje Portugal vive uma situação endémica. Ou seja, uma situação estável e controlável em termos de número de casos e de letalidade. Outros países europeus, com taxas de vacinação mais baixas, estão piores. O plano para o este outono e próximo inverno assenta nos mesmos pilares do que o que foi lançado no ano passado. Este ano, com mais conhecimento, é necessário que este seja implementado por todos: cidadãos e autoridades de saúde, locais e centrais.

Como refere a nota lançada pela DGS, o documento, que esta noite foi publicado no site da DGS, e tal como aconteceu com o do ano passado “contempla um conjunto de estratégias que serão implementadas face aos possíveis cenários para o período de outono e inverno. O objectivo é fornecer uma resposta eficiente e coordenada, reduzindo o potencial impacto deste período na saúde da população em geral e, em especial, nos grupos de risco”.

Especificando até que este plano Outono Inverno para 2021-2022, foi elaborado para “orientar a operacionalização das respostas à população quer ao nível central, regional e local, assentando em três linhas estratégicas principais: vigilância e intervenção em Saúde Pública; vacinação e gestão de casos”, embora depois tais estratégias se estendam também às respostas inter-sectorial, literacia e comunicação”. Como refere a nota da DGS, o documento “é dirigido às entidades do Ministério da Saúde e não substitui os planos específicos de reforço da capacidade de resposta e recuperação do sistema de saúde e do Serviço Nacional de Saúde”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
22 Outubro 2021 — 20:49

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1189: Incidência sobe e R(t) mantém-se em dia com 930 casos de covid-19 e 8 mortes

“O balanço diário da agência AFP refere ainda que mais de 242.393.310 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus desde o início da pandemia.” “o país já confirmou, no total, 1.083.651 diagnósticos da infecção pelo novo coronavírus e 18.125 óbitos.” O estrago que faz uma “gripezinha”…

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Dados da DGS mostram que há agora 284 internados, dos quais 60 estão em unidades de cuidados intensivos.

Profissional de saúde realiza um teste de antigénio em Tomar
© Carlos Alberto / Global Imagens

Foram registados, em 24 horas, 930 novos casos de covid-19 em Portugal, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). O relatório​​​ desta sexta-feira (22 de Outubro) indica também que morreram mais oito pessoas devido à infecção por SARS-CoV-2.

Os dados mostram que há agora 284 internados (menos quatro face ao reportado na quinta-feira), dos quais 60 (mais dois) estão em unidades de cuidados intensivos.

No que se refere aos valores da matriz de risco, o índice de transmissibilidade, R(t), mantém-se nos 1,02, tanto a nível nacional como no continente.

Já a taxa de incidência a 14 dias regista uma subida. Passa de 84,4 para 86,1 casos de covid-19 por 100 mil habitantes em todo o território nacional. No continente, a incidência passa de 84,8 para 86,5 infecções por 100 mil habitantes.

© DGS

As oito mortes reportadas no boletim de hoje ocorreram nas regiões Norte (duas), Centro (duas), Alentejo (duas), Lisboa e Vale do Tejo (uma) e Algarve (uma).

Em relação à idade das vítimas, quatro tinham mais de 80 anos e outras quatro tinham entre os 70 e os 79 anos.

Na distribuição geográfica dos novos casos de infecção, Lisboa e Vale do Tejo apresenta-se como a região com o maior número diário de infecções (377), seguida do Norte (223).

Verificaram-se mais 186 diagnósticos da doença no Centro, 53 no Alentejo, 52 no Algarve, 22 na Madeira e 17 nos Açores.

© DGS

DGS indica que há mais 678 pessoas que recuperaram da doença, elevando para 1.034.721 o número total de recuperados. Desta forma, os casos activos de covid-19 em Portugal sobem para 30.805 (mais 244 face ao dia anterior).

Com estes dados, o país já confirmou, no total, 1.083.651 diagnósticos da infecção pelo novo coronavírus e 18.125 óbitos.

Há ainda a registar mais 354 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde, num total de 20.931.

Delta já originou 32 novas variantes. Portugal com uma dezena de casos da AY.4.2

A actualização da evolução da pandemia acontece numa altura em que há uma nova variante que está a preocupar as autoridades – a AY.4.2, que deriva da Delta.

A Organização Mundial da Saúde já classificou esta variante como sendo de “interesse”. E já há países a adoptar novas restrições e outros a avaliar se avançam com elas ou não, para conter a transmissibilidade.

Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) já analisou quase dez mil sequências da variante Delta, desde que esta entrou no nosso país no início do ano. E detectou que, até este momento, já se dividiu em 32 sub-variantes.

Até agora, nenhuma tinha sido classificada de “interesse”, mas, em Setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os países para uma nova sub-variante que já se estava a desenvolver com evidência epidemiológica no Reino Unido, na Rússia e em muitos outros países, pedindo que fosse feita a monitorização do seu desenvolvimento e que se actuasse em consonância.

O investigador em biologia molecular e responsável da Unidade de Investigação e Desenvolvimento do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA, João Paulo Gomes, referiu que até agora foram registados apenas uma dezena de casos da sub-variante AY.4.2 , na sua maioria associados ao Reino Unido, o que é explicável devido ao turismo e à mobilização profissional e até de migrantes de e para aquele território.

Pandemia responsável por 4,92 milhões de mortes em todo o mundo

Ainda no que se refere à evolução da pandemia, mas a nível global, a covid-19 já matou pelo menos 4,92 milhões de pessoas em todo o mundo desde que foi notificado o primeiro caso na China, em Dezembro de 2019.

O balanço diário da agência AFP refere ainda que mais de 242.393.310 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus desde o início da pandemia.

Os EUA continuam a ser o país mais afectado, tanto em número de mortes como de infecções, com um total de 733.218 mortes e 45.301.092 casos, segundo os dados da universidade Johns Hopkins.

Diário de Notícias
DN
22 Outubro 2021 — 14:44

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1188: Delta já originou 32 novas variantes, mas há países com pouca vacinação e vão aparecer mais

– Sem problema, cambada! Os Walking Dead’s podem continuar a caminhar pelos campos, os estádios de futebol podem estar cheios, as discotecas idem, as festas de casamentos e baptizados ibidem, espectáculos e afins, tudo na boa! Brinquem com o fogo e depois não se queixem que se queimam…

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VARIANTES

Há uma nova variante que está a preocupar as autoridades – a AY.4.2, que deriva da Delta e foi identificada em Israel. A Organização Mundial da Saúde já a classificou como tendo ” interesse”. E já há países a adoptar novas restrições e outros a avaliar se avançam com elas ou não, para conter a transmissibilidade.

Número de casos dispara no Reino Unido devido à nova variante e os testes de rastreio voltaram às ruas.
© EPA/ANDY RAIN

Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) já analisou quase dez mil sequências da variante Delta, desde que esta entrou no nosso país no início do ano. E detectou que, até este momento, já se dividiu em 32 sub-variantes.

Até agora, nenhuma tinha sido classificada de “interesse”, mas, em Setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os países para uma nova sub-variante identificada em Israel e que já se estava a desenvolver com evidência epidemiológica no Reino Unido, na Rússia e em muitos outros países, pedindo que fosse feita a monitorização do seu desenvolvimento e que se actuasse em consonância.

Trata-se da sub-variante AY.4.2, a qual já fez as autoridades britânicas, um mês depois deste alerta, recomendar, nesta semana, ao governo de Boris Johnson que estude a possibilidade de introduzir na sociedade novas restrições. O objectivo é conter a transmissibilidade, já que os casos de covid-19 voltaram a disparar nas duas últimas semanas, apesar da taxa elevada de população vacinada (ontem o Reino Unido registou 52 009 novos casos, o número mais elevado desde 17 de Julho).

Até ao momento, nenhuma entidade científica veio confirmar que esta sub-variante da Delta, que continua a ser dominante no mundo, possa ser tanto ou mais contagiosa, tanto ou mais resistente às vacinas existentes do que as suas antecessoras, a Alpha e a Delta.

“É muito, muito cedo”, referiu ontem o investigador em biologia molecular e responsável da Unidade de Investigação e Desenvolvimento do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA, João Paulo Gomes, sublinhando que vai ser necessário “esperar várias semanas para se perceber se o impacto epidemiológico que parece estar a ter no Reino Unido terá reflexos ou não em outros países”.

Contudo, o investigador do INSA reforça que anteriormente também já foram dados outros “pequeninos alertas com outras pseudo-variantes” que apareceram, mas que depois não deram em nada. Por agora, refere, “podemos estar descontraídos, mas vamos estar naturalmente atentos ao evoluir da situação”.

Desde Abril de 2020 que o INSA faz estudos de diversidade genética do novo coronavírus SARS-CoV-2. Nas últimas duas semanas os resultados apontam ainda a Delta como sendo a predominante no nosso país, com uma frequência de 100%.

No entanto, e como explica o instituto em informação disponibilizada ao DN, os estudos vão continuar a ser feitos, embora agora mais assentes em amostragens semanais, mas de amplitude nacional, porque o objectiva continua a ser o de mostrar como o novo coronavírus está a evoluir, até dentro da própria variante Delta.

Em relação a esta nova sub-variante AY.4.2, João Paulo Gomes referiu que até agora foram registados apenas uma dezena de casos, na sua maioria associados ao Reino Unido, o que é explicável devido ao turismo e à mobilização profissional e até de migrantes de e para aquele território.

Embora o aparecimento de novas sub-variantes ou de sub-linhagens seja normal no mundo dos vírus, os especialistas sublinham que, e apesar de vacinados, os cuidados de protecção individual continuam a ser necessários, porque, na verdade, e embora pareça que a pandemia está a acalmar, “ainda ninguém pode afirmar com certezas qual o caminho que vai tomar”, explicaram ao DN.

Desequilíbrio na vacinação vai originar mais variantes

O responsável da Unidade de Investigação e Desenvolvimento do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA já tinha explicado, muito recentemente, durante a última reunião que juntou políticos e peritos no Infarmed, em Setembro, para avaliar a situação epidemiológica do país, que “enquanto houver grandes desequilíbrios” no mundo no processo de vacinação – com países com baixa taxa de imunização – “é mais do que normal que apareçam novas variantes”, sustentando que “nos países com baixas taxas de vacinação há mais vírus em circulação” e menos pessoas protegidas para os combater. “É normal que isto possa levar à emergência de novas variantes”, as quais poderão chegar aos outros países, mesmo os que têm uma vacinação elevada, como Portugal.

Aliás, o desequilíbrio entre países na vacinação já está a ter repercussões mesmo na Europa e dentro dos 27 Estados membros da União Europeia. Basta olhar para o que está a acontecer no leste Europeu, com a Rússia, onde nos últimos dias o número de mortes ultrapassa o milhar e o número de novos casos atinge quase os 40 mil (36 339), a fechar de novo a sociedade e a colocar milhões de pessoas em casa.

A Ucrânia, cujo número de casos rondou, nesta semana, os 15 mil por dia e mais de 500 mortes, está a fazer o mesmo. E a República Checa, a Sérvia e Croácia também. Dentro da UE, a Letónia e a Eslováquia, onde as taxas de vacinação da população são da ordem dos 16%, também já voltaram a impor restrições, para tentar conter a transmissão da covid-19.

Neste momento, quando muitos pensavam que a situação começava a acalmar, os alarmes voltam a soar, uma nova variante pode mudar o curso da pandemia.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
22 Outubro 2021 — 00:15

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1187: Novo tratamento pode oferecer protecção de até 18 meses contra covid-19 grave

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/TRATAMENTOS

NIAID / Wikimedia

Um novo tratamento desenvolvido pela AstraZeneca pode oferecer uma protecção de até 18 meses contra a forma de doença mais grave da covid-19.

Em breve, um novo tratamento poderá ajudar a proteger as pessoas do desenvolvimento de covid-19 grave. A AstraZeneca acaba de divulgar os resultados de um ensaio clínico de fase 3 — o estágio final de testes antes de um medicamento ser autorizado — que sugere que o seu novo tratamento, AZD7442, é eficaz na redução de doença grave ou morte em pacientes não hospitalizados.

O tratamento contém anticorpos, que geralmente são produzidos naturalmente em resposta a uma infecção por covid-19 ou vacinação. Os anticorpos funcionam reconhecendo partes específicas do SARS-CoV-2 e atacam-nos directamente ou ligam-se a eles para impedir o funcionamento do vírus e sinalizá-lo para destruição por outras partes do sistema imunitário.

Depois de terem feito o seu trabalho de limpar o vírus, os anticorpos permanecem no corpo por um período de tempo, fazendo parte da nossa memória imunitária. Se o que procuram for encontrado novamente, podem entrar em acção.

O novo tratamento, AZD7442, usa anticorpos especiais chamados anticorpos mono-clonais. Estes são anticorpos produzidos em laboratório que imitam as defesas naturais do corpo.

O desenvolvimento artificial de anticorpos para combater doenças não é uma técnica nova. Esta tecnologia já é usada no tratamento de diversas doenças, incluindo leucemia, cancro da mama e lúpus. Na realidade, esta nem é a primeira vez que a técnica é usada para a covid-19.

O primeiro tratamento com anticorpos mono-clonais covid-19 foi aprovado no Reino Unido em Agosto de 2021.

Como é que o tratamento da AstraZeneca funciona?

O AZD7442 é um cocktail de dois anticorpos monoclonais — tixagevimabe e cilgavimabe — projectado para reduzir a gravidade de uma infecção por SARS-CoV-2 e, assim, evitar que as pessoas fiquem gravemente doentes.

Ambos os anticorpos ligam-se a diferentes partes aos peplómeros do vírus, que cobrem a sua superfície externa e são o que o vírus usa para infectar as células. Acredita-se que a junção a estas proteínas é o que dá ao medicamento o seu efeito, pois isso impede que o vírus seja capaz de entrar nas células e reproduzir-se.

Os dois anticorpos mono-clonais no cocktail são baseados em anticorpos obtidos de pacientes que sobreviveram à covid-19. Cientistas da AstraZeneca recolheram amostras de sangue de pacientes e isolaram células do sistema imunitário chamadas células B, que são as fábricas de anticorpos do corpo humano.

De seguida, cultivaram mais dessas células B em laboratório e usaram-nas para fazer grandes quantidades dos dois anticorpos, que identificaram como tendo como alvo específico o peplómero do coronavírus.

Mas a principal diferença entre este e outros tratamentos baseados em anticorpos é que no AZD7442, os anticorpos foram modificados para que permaneçam no corpo por mais tempo.

Estudos usando anticorpos modificados de forma semelhante contra outro vírus respiratório — vírus sincicial respiratório — mostraram que essa abordagem oferece protecção a longo prazo, com os anticorpos modificados tendo o triplo da durabilidade dos anticorpos convencionais.

Espera-se que uma única dose de AZD7442 possa oferecer protecção de 12 a 18 meses contra covid-19 grave, embora tenhamos que esperar para ver exactamente quanto tempo dura a protecção.

Por ZAP
22 Outubro, 2021

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1186: Portugal com mais 8 mortes e 865 casos de covid-19

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Mário Cruz / Lusa

Portugal registou, esta quinta-feira, mais oito mortes e 865 casos de infecção pelo novo coronavírus, segundo o último boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o último boletim da DGS, dos 865 novos casos, 334 são na região de Lisboa e Vale do Tejo, 224 no Norte, 152 no Centro, 65 no Algarve, 35 no Alentejo, 33 nos Açores e 22 na Madeira.

No total, o número de pessoas infectadas pela doença desde o início da pandemia é agora de 1.082.721. Há, neste momento, 30.561 casos activos, mais 193 do que na quarta-feira.

O boletim da DGS também indica que se registaram mais oito mortes nas últimas 24 horas, sendo que se verificaram óbitos em todas as regiões do continente (três no Centro, dois em Lisboa e Vale do Tejo, um no Norte, um Alentejo e outro no Algarve). No total, já morreram 18.117 pessoas devido à covid-19 em Portugal.

Neste momento, existem 288 doentes internados (mais dois do que ontem), dos quais 58 se encontram nos cuidados intensivos (número que se manteve inalterado).

O boletim da DGS também aponta para mais 664 doentes recuperados, verificando-se já um total de 1.034.043. Há ainda 20.577 pessoas em vigilância pelas autoridades de saúde, menos 124 em relação ao dia de ontem.

O país tem uma média de 84,4 casos de infecção por 100 mil habitantes a nível nacional e de 84,8 casos no continente. O índice de transmissibilidade (Rt) é de 1,02 tanto a nível nacional como no continente.

A pandemia da covid-19 matou, até hoje, pelo menos 4.919.395 pessoas em todo o mundo desde o final de Dezembro de 2019, segundo um balanço realizado pela agência de notícias France-Presse com base em fontes oficiais.

Por Filipa Mesquita
21 Outubro, 2021

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1185: No Reino Unido, o aumento de infeções está a causar preocupação. O que explica este cenário?

SAÚDE PUBLICA/COVID-19/REINO UNIDO

Facundo Arrizabalaga / EPA

No Reino Unido, os casos e internamentos estão a subir, sendo que alguns especialistas já apelam a um regresso de algumas restrições antes do inverno. Mas o que pode estar a causar este aumento dos números?

Numa altura em que a subida das infecções está a preocupar vários especialistas britânicos, o Governo de Boris Johnson está a ser desafiado a adoptar um “plano B”, de regresso a algumas restrições para impedir contágios da covid-19 antes do inverno. A preocupação é proteger o sistema nacional de saúde que já está novamente próximo do limite.

O Reino Unido, que foi um dos países do mundo a avançar mais rapidamente para o processo de vacinação, está agora a assistir a um aumento de casos que pode ser comparável com os meses assoladores do inverno passado, refere a BBC.

O número de pessoas com teste positivo para a covid-19 tem aumentado nas últimas semanas e já houve dias em que se registaram 40.000 casos.

Embora grande parte da população já esteja vacinada, há outros factores que podem justificar esta situação.

De acordo com a BBC, houve um relaxamento do uso de máscara por parte dos britânicos. Os habitantes de Inglaterra mostram ter uma probabilidade significativamente mais alta de não usar qualquer tipo de protecção facial, comparando com pessoas que vivem, por exemplo, na Alemanha, França, Espanha ou Itália.

Vários estudos já comprovaram que o uso de máscara é fulcral para prevenir a infecção, ainda assim, desde que o processo de vacinação começou a acelerar, muitos habitantes optaram por pôr de lado o uso desta protecção mesmo quando se encontram em zonas de grande fluxo de pessoas.

Uma outra razão que pode explicar esta nova onda de infecções é o facto do Reino Unido ter abandonado a maior parte das restrições mais cedo do que a maioria dos restantes países da Europa Ocidental.

As pessoas tiveram “autorização” para começar a frequentar bares e discotecas no início do verão, enquanto na maior parte dos outros países europeus este passo só foi dado mais tarde. Veja-se o caso de Portugal, em que os estabelecimentos de diversão nocturna só reabriram no início de Outubro.

Por outro lado, uma pesquisa do Imperial College também sugere que os britânicos são ligeiramente mais propensos, do que alguns dos seus vizinhos europeus, a usar transportes públicos e têm menos tendência a evitar sair de casa.

Há ainda uma outra situação que pode influenciar esta subida drástica de casos: em Inglaterra há cada vez mais pessoas a deixaram o teletrabalho e a voltarem ao trabalho presencial.

A questão da imunidade da vacina

Apesar de Inglaterra ter sido um dos primeiros países a avançar com o processo de vacinação em massa, esse avanço pode estar agora a ter consequências negativas, já que as pessoas que foram vacinadas há mais tempo podem estar a perder a tão desejada imunidade.

Um estudo sugere que a protecção da vacina contra a infecção do vírus diminui significativamente após cinco ou seis meses da toma das suas doses – o que também pode justificar o cenário de aumento de casos.

Contudo, embora o Reino Unido seja pioneiro no processo de vacinação, há um grupo populacional que foi sendo deixado para trás: as crianças.

As vacinas para crianças de 12 a 15 anos no Reino Unido só começaram a ser administradas a 20 de Setembro. Até agora, apenas 15% dos jovens dos 12 aos 15 anos recebeu uma dose da vacina, o que comparado com muitos países coloca o Reino Unido no fim da lista de países com uma boa taxa de vacinação em menores.

Em declarações ao Público, Tiago Correia, professor de Saúde Internacional e investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, destaca ainda que em Inglaterra os níveis de vacinação não são suficientemente altos para evitar um aumento do número de casos.

Esta razão é corroborada pelos números, que indicam que o país só tem 66% da população totalmente vacinada e a administração da terceira dose aos mais vulneráveis não está a ser tão rápida quanto esperado, realça o The Guardian.

O especialista coloca em cima da mesa outro factor que pode contribuir para este aumento, recordando que a vacina mais usada para inocular os britânicos foi a da Oxford/AstraZeneca – que apresenta uma taxa de eficácia mais baixa do que, por exemplo, a da BioNTech/Pfizer (a vacina mais usada em Portugal).

Tiago Correia diz ainda que o aumento já era previsto pelo SAGE, o grupo de especialistas que aconselha o Governo.

Surge a dúvida de qual é o limite a atingir para que se tome a decisão política de voltar a impor algumas restrições.

Esta quarta-feira, após o Governo rejeitar adoptar o chamado “Plano B” e voltar a impor algumas medidas, o organismo que junta os serviços públicos de saúde (NHS) de Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte apelou à reintrodução do uso obrigatório de máscara em locais fechados e com muitas pessoas.

Caso não o faça, os serviços de saúde vão enfrentar “uma crise no Inverno”, alertou o chefe executivo do organismo, Matthew Taylor.

A seu ver, frisa Tiago Correia, continua a ser cedo para discutir se poderá vir a ser necessário aplicar medidas mais restritivas novamente. Tudo dependerá da evolução da pandemia.

Por Ana Isabel Moura
21 Outubro, 2021

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