1614: Guerra aberta na Ordem dos Médicos (e a culpa é dos milhões das farmacêuticas)

– Em Portugal, a culpa sempre morreu solteira. Nada a fazer. Em todas as áreas da sociedade existem historietas deste tipo onde uns ganham milhões à custa dos pacientes – neste caso -, sem que sejam severamente punidos por quem de direito. Este episódio não se encaixa em crime de corrupção? De desprezo pela saúde pública e pelos doentes? Afinal onde para o juramento de Hipócrates que toda esta malta faz quando termina o curso de medicina? Se já não acreditava nos políticos há décadas, creio que vou ter de encaixar uma nova área nessa desconfiança.

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/VACINAS/FARMACÊUTICAS

(dr) Ordem dos Médicos
Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos

As vacinas contra a covid-19 vieram colocar sal numa ferida antiga devido a eventuais conflitos de interesses por haver vários médicos, em funções de responsabilidade e aconselhamento quanto a medidas de saúde pública, a receberem dinheiro de farmacêuticas.

Foi o mais recente caso do médico António Pedro Machado que veio retomar esta guerra aberta, e antiga, entre médicos. Este profissional é um dos defensores da suspensão da vacinação contra a covid-19 em crianças e tem aconselhado o uso de Ivermectina, um remédio contra os piolhos, como tratamento da infecção pelo coronavírus.

Na semana passada, noticiou-se que António Pedro Machado recebeu mais de 200 mil euros da farmacêutica que produz a Ivermectina.


Médico que defende remédio para piolhos contra a covid recebeu 224 mil euros da farmacêutica
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Entretanto, no seio da própria estrutura directiva da Ordem dos Médicos (OM), há profissionais que também têm recebido dinheiro da indústria farmacêutica, nomeadamente de empresas envolvidas no desenvolvimento das vacinas contra a covid-19.

Um desses casos é o do pneumologista Filipe Froes, dirigente do gabinete de crise da OM para a covid-19, que terá recebido, desde 2013, mais de 380 mil euros de diversas farmacêuticas, segundo nota o Correio da Manhã (CM). Só a Pfizer ter-lhe-á pago cerca de 134 mil euros, segundo apurou o jornal.

Mas há outros casos de médicos próximos do bastonário da OM, Miguel Guimarães, que terão recebido dinheiro de farmacêuticas, incluindo da Pfizer e da AstraZeneca, duas das empresas com vacinas contra a covid-19 aprovadas.

Alguns desses médicos denunciaram à Ordem o presidente do Colégio de Pediatria, Jorge Amil Dias, que pediu a suspensão da vacina contra a covid-19 em crianças.

Em sequência da denúncia, Miguel Guimarães convocou o Conselho Nacional da Ordem e admite-se que Jorge Amil Dias pode ser destituído.

O CM repara que o bastonário quer a OM a falar a uma só voz, ou seja, a defender a vacinação das crianças. Já Amil Dias alega que a sua posição contra essa vacinação foi feita a título exclusivamente pessoal.

Entretanto, um grupo de 23 clínicos escreveu uma carta aberta com críticas duras a Miguel Guimarães, acusando-o de achar que tem “poderes de autoridade científica suprema ou de verdade absoluta”, como cita o CM.

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12 Fevereiro, 2022

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886: Especialistas apresentam novo indicador para a matriz de risco

SAÚDE/COVID-19/MATRIZ DE RISCO

A actual matriz “é lenta” e “são precisos indicadores mais rápidos”, sustenta o matemático Henrique Oliveira.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, na conferência de imprensa de apresentação do novo indicador de avaliação do estado da pandemia,
© António Pedro Santos/Lusa

Uma equipa de especialistas apresentou esta quarta-feira um novo indicador, que acrescenta uma avaliação da gravidade, para determinar o estado da pandemia de covid-19 e esperando agora que este seja adoptado pelas entidades competentes como futura matriz.

Na sessão de apresentação do indicador, na Ordem dos Médicos, em Lisboa, o matemático Henrique Oliveira, especialista em sistemas dinâmicos, explicou que os dois indicadores que compõem a actual matriz de risco “não chegam” e “começam a dar uma visão parcial do problema”.

A proposta apresentada esta quarta-feira, que resultou de um “trabalho de equipa” de especialistas do Instituto Superior Técnico e da Ordem dos Médicos, não deita fora os dois indicadores existentes – incidência e transmissibilidade (Rt) -, mas complementa-os com mais três: letalidade, internamentos em enfermaria e internamentos em unidades de cuidados intensivos.

O novo indicador pode ser usado em qualquer sítio e a qualquer escala, permitindo que se adoptem medidas adaptadas a regiões ou concelhos.

“É um indicador feito com conhecimento científico”, acrescentou Henrique Oliveira, considerando que a actual matriz “é lenta” e “são precisos indicadores mais rápidos”.

“É uma ferramenta interessante para achatar a curva”, resumiu o bastonário da Ordem dos Médicos, na mesma sessão.

O novo indicador assenta em dois pilares: mantém a actividade, com as dimensões já aplicadas da incidência e da transmissibilidade (Rt); e acrescenta a gravidade, com as dimensões da letalidade, dos internamentos em enfermaria e dos internamentos em UCI.

“Estamos sempre a correr atrás da pandemia”, lamentou Henrique Oliveira, considerando que as medidas em vigor para responder à pandemia estão “sempre com atraso”.

“O combate à pandemia exige reuniões de equipas especializadas em cima do acontecimento, não se pode esperar uma semana para reagir”, alerta.

Além disso, “a incidência acumulada a 14 dias é um indicador fraco”, que impede a rapidez na resposta. No entender do especialista, essa incidência devia ser “usada a sete dias, no mínimo”.

O que impede um pior cenário é a vacinação, “que não está a falhar”, concluiu.

Os especialistas foram unânimes em considerar a vacinação a chave do controlo da pandemia.

“Se, nesta altura, não houvesse vacinação, as circunstâncias seriam semelhantes às de Janeiro e Fevereiro”, sublinhou Henrique Oliveira,

Recordando que “as novas variantes serão sempre piores e mais transmissíveis”, o especialista salientou a “flexibilidade” do indicador proposto.

De acordo com o indicador, Portugal está, nesta altura, nos “92,3, um bocadinho abaixo da ebulição [que se dá aos 100]”, esclareceu Henrique Oliveira.

Convencido de que “a vacinação está a ter efeito e a puxar os indicadores para baixo”, o matemático explicou que, mesmo se a incidência subir aos quatro mil casos por dia (o que já não lhe parece “tão provável”), o indicador subirá “ao máximo de 94/95 e depois vai descer”.

Henrique Oliveira acredita que “a incidência vai descer dentro de 10 a 15 dias”.

Portugal sé esteve “em ebulição” entre Outubro e final de Fevereiro. “Sem vacina, estaríamos acima do nível crítico outra vez, nesta altura”, notou.

Miguel Guimarães adiantou na sessão que a ministra da Saúde já recebeu a proposta de novo indicador e que esta sabia que havia uma equipa a trabalhar o assunto há mais de um mês — a Ordem dos Médicos referiu-o pela primeira vez a 07 de Junho.

“O Presidente da República já tem conhecimento [sobre o indicador], o Governo terá de decidir”, afirmou, sublinhando que a Ordem dos Médicos está disponível para prestar esclarecimentos sobre a nova ferramenta, que classifica como “democrática”, porque “pode ser feita em casa, por qualquer um”.

Sublinhando que aos especialistas compete “apresentar soluções e fazer recomendações”, o bastonário frisou que “era importante que quem tem responsabilidade olhasse e levantasse questões”.

Este indicador “devia substituir a actual matriz de risco”, defende o bastonário. Porém, reconheceu, “há várias coisas” que a Ordem propôs e que “não foram adoptadas”, dando como exemplo o “apelo urgente” para que os médicos de família sejam libertados das “tarefas covid” e “se contrate médicos fora do Serviço Nacional de Saúde” para as realizar.

Aliás, “desde que tomou posse como ministra, [Marta Temido] fez zero reuniões com a Ordem dos Médicos”, lamentou, assinalando que “também as decisões políticas podem salvar vidas”.

Notícia actualizada às 13.55.

Diário de Notícias
Lusa
14 Julho 2021 — 13:21

– Apenas gostava de saber se o “bicho” não entra com o especialista (seta)… Só ele é que não tem máscara, porque será?

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162: Ordem dá instruções a médicos de família para não fazerem medicina do trabalho

A Ordem dos Médicos vai dar instruções aos clínicos para se recusarem a realizar consultas de medicina do trabalho, conforme está determinado num diploma que entra em vigor no domingo.

dd20062014«A portaria não é cumprível e não vai ser aplicada. É mais uma das várias iniciativas legislativas do Ministério da Saúde que não vão ser aplicadas», disse à Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva.

O responsável adiantou mesmo que «a Ordem dos Médicos vai dar indicações no sentido de não cumprirem e não se sentirem coagidos a fazê-lo».

Uma portaria publicada no mês passado, e que entra em vigor no dia 22, regula a possibilidade de a promoção e vigilância da saúde a determinados grupos de trabalhadores — independentes, de serviço doméstico, agrícolas sazonais, aprendizes de artesãos, pescadores e funcionários de microempresas – poder ser assegurada através de unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

José Manuel Silva justifica a decisão com o facto de esta não ser uma das competências dos médicos de medicina geral e familiar, considerando que ao cumprir o diploma, os profissionais estão a “extravasar o limite das suas competências”, violando o código deontológico, nos pontos 1 e 2 do artigo 36.

“A medicina do trabalho é uma carreira específica que não pode, por portaria, passar a ser desempenhada por um profissional de outra carreira. Seria o mesmo que decidir por portaria que um médico de medicina interna passava a operar doentes”, afirmou.

Para o bastonário esta é mais uma decisão que vem demonstrar que “o Ministério da Saúde está completamente desnorteado”.

Além disso, argumenta com a falta de tempo dos médicos de família, que “estão cheios de utentes e com problemas gravíssimos no sistema informático”.

José Manuel Silva sublinha que a Ordem é favorável e apoia a existência de medicina do trabalho nos centros de saúde para trabalhadores liberais e de microempresas, mas desempenhada especificamente por esses profissionais.

“Os ACES [Agrupamentos de Centros de Saúde] devem criar carreiras de medicina do trabalho nos cuidados de saúde primários”, disse.

José Manuel Silva lamentou ainda que a tutela dê “sinais de que não pretende dialogar, ao não atender a propostas justas e de bom senso”.

O bastonário referia-se ao pedido de revogação do diploma feito pela Ordem e pelos sindicatos dos médicos, e aos pareceres dos colégios de especialidade de saúde pública, de medicina geral e familiar e de medicina de trabalho, todos eles contrários à medida, e que não foram atendidos pelo ministério.

In Diário Digital online
Diário Digital com Lusa
20/06/2014 | 17:36