“Solução é proteger o organismo o ano todo para podermos ter um Natal sem regras”

SAÚDE PÚBLICA

Teresa Branco defende que estar saudável não é o mesmo que não estar doente e refere que o consumo de alimentos como o açúcar e o glúten contribuem, e muito, para termos o nosso organismo inflamado.

Teresa Branco lançou recentemente um livro intitulado “Anti-inflamação – Reduza a inflamação para perder peso e ganhar saúde”.
© Bruno Lisita/Global Imagens

O Natal é época de exageros alimentares, mas para Teresa Branco, doutorada em Gestão de Peso e autora do livro “Anti-Inflamação – Reduza a inflamação para perder peso e ganhar saúde”, estes exageros não são sinónimo de maltratar o corpo, se tivermos cuidado no resto do ano. O que na maioria dos casos não acontece.

“A solução é proteger o organismo o ano todo para podermos ter um Natal sem regras. Se nós nos protegermos sempre, o facto de termos uma noite de consoada, uma noite de passagem de ano, não terão um impacto significativo. É esta a gestão que é importante as pessoas fazerem e eu acho que entrámos aqui num modelo de estar em que isto representa um sacrifício, tratar de nós representa um sacrifício, e as pessoas estão tão cansadas com tudo isto que tem acontecido que só querem ter comportamentos, só têm comportamentos, para os quais estão, neste caso, a inflamar e que julgam estar a fazê-las felizes, ainda não tendo a consciência de que sem um comportamento de compensação desses podem ser igualmente felizes. É este mindset que tem de mudar”, explica ao DN Teresa Branco.

E para esta especialista, mudar o tal mindset é uma coisa possível, antes de mais, informando as pessoas, mas tendo a consciência de que as pessoas já estão mais receptivas a estas questões e já procuram essa informação. “Acho que é um trabalho que deve ser continuado, mas também acho que cada um de nós tem de ser responsável por si e pela sua saúde e não deixar isso à responsabilidade dos outros, para que tomem conta de si. Sou eu que tenho de tomar as rédeas da gestão da minha vida e da minha saúde e, neste caso, sou eu que tenho de me responsabilizar por isso e não os meus médicos. E acho que é importante passar essa mensagem às pessoas”, prossegue Teresa Branco.

O novo livro desta especialista em gestão do peso é a anti-inflamação do nosso organismo, mas que não tem a ver com o contrariar de uma situação de inflamação de um dedo ou órgão, mas sim de uma inflamação sistémica, que afecta todo o nosso organismo e a nossa qualidade de vida. “Quando estamos cronicamente inflamados com esta inflamação sistémica temos mais predisposição para aumentar de peso, porque o nosso corpo deixa de funcionar tão bem.

Quando estamos com excesso de peso ou somos obesos, a nossa massa gorda produz substâncias inflamatórias. E então se tivermos uma gordura visceral, que nos engorda o fígado e nos engorda os órgãos de uma maneira geral, essa gordura é ainda mais inflamatória e produz ainda mais inflamação. Então entramos num ciclo difícil de sair. Quanto mais inflamados mais engordamos, quanto mais engordamos mais inflamamos. E por aqui se abrem depois portas para outras doenças associadas”, explica.

Os factores principais para se ter o organismo inflamado são a poluição, o sedentarismo e a alimentação. Mas também os químicos presentes em coisas do dia-a-dia como os cosméticos. “O segredo é estar sempre a desinflamar, porque nós não conseguimos não viver num ambiente anti-inflamatório, isso é impossível. A imagem aqui, um bocadinho metafórica, pode ser um caixote do lixo.

Nós vamos enchendo o caixote do lixo e têm de vir depois as pessoas que tratam do lixo tirar os sacos, esvaziar o recipiente. Se não houver esta pessoa sempre a tirar os sacos, esse recipiente do lixo vai enchendo e nunca esvazia. E quando nós temos uma situação que enche ainda mais o caixote do lixo, como o Natal, e sendo que no dia 25 ninguém trabalha, como é que ficam os caixotes do lixo? Extravasam. E o nosso corpo é igual. Tal como os senhores do lixo têm de constantemente esvaziar os recipientes do lixo, também nós constantemente devemos estar a desinflamar-nos e isso não acontece”, defende Teresa Branco.

No topo da lista dos alimentos que mais inflamam o organismo estão o açúcar, os alimentos processados e o glúten. Do lado oposto está “aquilo que a natureza nos oferece”. “Os vegetais, as frutas, a carne de boa proveniência, os ovos, o peixe, os cereais com baixo teor de hidrato de carbono e com mais fibra e que não têm glúten, são tudo alimentos que a terra nos oferece e que, quando são de uma boa proveniência, são excelentes alimentos”, enumera.

E quais são os sintomas de que uma pessoa está com o seu organismo inflamado? “Estar saudável não é exactamente o contrário de não estar doente. Se eu tiver constantemente o meu intestino preso, inchada, com flatulência, a sentir-me tufada, se eu estiver constantemente com dores de cabeça, se eu não dormir, não me posso considerar doente, ninguém me considera doente, mas eu não estou com saúde.

E, portanto, as pessoas que têm dores de cabeça recorrentemente, que não dormem, que estão permanentemente tristes, que têm fome a mais, dores articulares, é muito característico, muita retenção de líquidos, falta de energia, um cansaço enorme, estas pessoas não estão doentes, mas podem estar inflamadas. E é isso que temos de identificar entre análises clínicas e os sintomas que as pessoas têm e fazer um cruzamento clínico que pode determinar se a pessoa está inflamada ou não”.

ana.meireles@dn.pt

Diário de Notícias

Ana Meireles
25 Dezembro 2021 — 00:19

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597: Obesidade pode agravar os efeitos da doença de Alzheimer

 

SAÚDE/OBESIDADE/ALZHEIMER

Tony Alter / Flickr

O excesso de peso é um “fardo adicional” para a saúde do cérebro e pode agravar os efeitos da doença de Alzheimer, que afecta cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo e para a qual não há ainda cura.

A conclusão é de uma nova investigação levada a cabo pela Universidade de Sheffield, no Reino Unido, e os seus resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada The Journal of Alzheimer’s Disease Reports.

De acordo com a investigação, a obesidade pode contribuir para a vulnerabilidade do tecido neuronal e, em sentido oposto, manter um peso saudável durante um quadro clínico de Alzheimer ou demência pode ajudar a preservar a estrutura do cérebro.

“É importante enfatizar que este estudo não mostra que a obesidade causa a doença de Alzheimer, mostrando antes que o excesso de peso é um fardo adicional para a saúde do cérebro e pode agravar a doença”, explicou a autora principal do estudo, Annalena Venner, citada em comunicado difundido pelo portal Eureka Alert, frisando que a prevenção tem um papel muito importante na luta contra esta doença neuro-degenerativa.

“As doenças que causam a demência, como o Alzheimer e a demência vascular, permanecem em segundo plano durante muitos anos. Por isso, esperar até aos 60 anos para perder peso é tarde de mais. Precisamos de começar a pensar na saúde do cérebro e na prevenção destas doenças muito mais cedo”, sustentou, destacando ainda o papel da educação: “Educar crianças e adolescentes sobre o papel que o excesso de peso desempenha nas multi-morbilidades, incluindo doenças neuro-degenerativas, é vital“.

Recorrendo a técnicas pioneiras de neuro-imagem, a equipa de cientistas analisou imagens de ressonância magnética do cérebro de 172 voluntários: 47 pacientes com diagnóstico clínico de demência leve da doença de Alzheimer, 68 pacientes com comprometimento cognitivo leve e 57 indivíduos cognitivamente saudáveis.

A equipa comparou as imagens e procurou diferenças na anatomia do cérebro, fluxo sanguíneo, bem como nas fibras do cérebro, avaliando o volume da massa cinzenta – que se degenera no início da doença de Alzheimer – e a integridade da substância branca, associada ao fluxo sanguíneo cerebral e à obesidade.

O estudo também evidenciou que manter um peso saudável num quadro de demência leve causada pela doença de Alzheimer pode ajudar a preservar a estrutura do cérebro.

“A perda de peso é, por norma, um dos primeiros sintomas nos estágios iniciais da doença de Alzheimer, quando as pessoas se esquecem de comer ou começam a fazer pequenos lanches com biscoitos ou batatas fritas, em vez de refeições mais nutritivas”, explicou ainda o co-autor do estudo Matteo De Marco.

E rematou: “Descobrimos que manter um peso saudável pode ajudar a preservar a estrutura do cérebro em pessoas que já sofrem de demência leve da doença de Alzheimer”.

Por Sara Silva Alves
4 Fevereiro, 2021

 

 

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522: Há um mecanismo que bloqueia a produção de gordura após as refeições. Pode tratar a obesidade

 

SAÚDE/OBESIDADE

happy_lark / Canva

Um novo estudo revela um mecanismo até agora desconhecido, no qual uma hormona libertada do intestino desliga os processos de produção de gordura do corpo após as refeições.

Depois de uma refeição, o nosso corpo dedica-se a um processo-chave chamado de lipogénese, que ocorre quando o fígado começa a converter os alimentos em gorduras que depois são armazenadas no corpo.

Como refere o New Atlas, a lipogénese é estimulada pela insulina, no entanto, ainda não se sabe detalhadamente o que acontece algumas horas depois de comer, altura em que o fígado começa a diminuir a produção de gordura.

Anteriormente, estava em cima da mesa a hipótese de que a lipogénese diminui à medida que os estímulos da insulina diminuem nas horas após a ingestão de uma refeição. Contudo, a nova pesquisa sugere que a lipogénese não é suprimida pela diminuição dos níveis de insulina, mas sim reprimida por uma hormona libertada no intestino.

Uma equipa liderada por Jongsook Kim Kemper, descobriu que uma hormona intestinal chamada FGF19 é produzida algumas horas após a refeição. Foi observado que a FGF19 suprime directamente a actividade do gene no fígado associada à lipogénese.

“Esta hormona intestinal actua como um interruptor da acção da insulina e, especificamente, inibe a lipogénese no fígado para que seja rigidamente regulado”, explica Kemper.

O especialista explica que, por exemplo, “se comermos algumas bolachas, o corpo vai libertar insulina, o que promove a lipogénese. Se a lipogénese não for reduzida mais tarde, quando o corpo entrar em jejum, o excesso de gordura vai-se acumular no fígado, é nesta altura que a hormona FGF19 bloqueia a produção de gordura“.

Estudos anteriores demonstraram que os níveis de FGF19 geralmente atingem o pico no sangue cerca de três horas após a alimentação, num ponto em que os níveis de insulina já voltaram ao valor base. Os investigadores sugerem que isso significa que o mecanismo desempenha um papel na transição do corpo de um estado de alimentação para um estado de jejum.

O novo estudo também investigou a actividade da FGF19 em pacientes humanos com a doença hepática gordurosa não alcoólica e em ratos obesos. Em ambos os casos, os especialistas identificaram anormalidades significativas neste mecanismo, descobrindo que a hormona intestinal é ineficaz em reprimir a actividade do gene necessária para desligar a lipogénese com eficácia.

“O estudo aumenta a nossa compreensão sobre a obesidade, doença hepática gordurosa não alcoólica e outros distúrbios metabólicos. Também pode ter implicações para outras doenças, como diabetes ou certos tipos de cancro”, afirma Kemper.

No estudo publicado na Nature Communications, os investigadores notam que pode haver mais vias reguladoras desconhecidas que contribuem para ligar e desligar a lipogénese, mas está claro que a FGF19 tem um papel importante nesta transição metabólica de alimentação para jejum.

ZAP //

Por ZAP
1 Dezembro, 2020

 

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389: Consumo de alimentos ultra-processados favorece o envelhecimento

 

SAÚDE/ENVELHECIMENTO

thomashawk / Flickr

O consumo frequente de alimentos industrializado ultra-processados favorece o envelhecimento biológico, sugere uma nova investigação levada a cabo por cientistas da Universidade de Navarra, em Espanha.

Em comunicado, citado pelo portal Eureka Alert, a Associação Europeia para o Estudo da Obesidade revela os resultados da investigação, que serão apresentado na Conferência Internacional sobre Obesidade (ECOICO 2020), entre 1 e 4 de Setembro.

De acordo com o estudo, uma dieta que inclua o consumo frequente destes produtos, que incluem refeições pré-preparadas, bolachas e refrigerantes, faz com que as células humanas envelheçam mais rápido, potenciando o envelhecimento.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas mediram um marcador de envelhecimento biológicos – os telómeros – de 886 espanhóis com mais de 55 anos, tendo em conta o seu conta o seu consumo diário de alimentos ultra-processados.

Tal como explica a agência noticiosa AFP, os telómeros são estruturas protectoras que preservam a estabilidade e integridade do património genético e, portanto, do ADN necessário para o funcionamento de cada célula do corpo.

À medida que envelhecemos, estes componentes ficam mais curtos, uma vez que cada vez que uma célula se divide, esta perde uma parte do telómero.

Este processo repete-se, culminando no envelhecimento biológico das células, que deixam, então, de se dividir e funcionar normalmente.

Partindo deste marcador, a equipa, liderada por Lucía Alonso-Pedrero, concluiu que as pessoas que consumiam mais de três porções diárias de alimentos processados ​​tinham quase o dobro do risco de ter telómero curtos, quando comparadas com pessoas que consumem estes alimentos com menos frequência.

Outra patologias associadas

Apesar de reconhecerem que são necessários mais estudos para confirmar uma correlação directa entre uma dieta rica em alimentos processados e o envelhecimento, os cientistas frisam que já existem investigações que associam doenças graves, como a hipertensão, a obesidade, depressão, dia bates ou cancro, a estes alimentos.

Os cientistas observaram ainda que os participantes que consumiam mais produtos ultra-processados ​​eram mais susceptíveis a ter histórico familiar de doenças cardiovasculares e outras patologia.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada American Journal of Clinical Nutrition.

ZAP //

Por ZAP
6 Setembro, 2020

 

286: A obesidade não causa risco maior de morte

(CC0/PD) Tirachard Kumtanom / pexels

Acreditamos normalmente que a obesidade está ligada a problemas de saúde, mas aparentemente isso pode não ser exactamente verdade.

Segundo um novo estudo, publicado esta quinta-feira na revista Clinical Obesity, ser obeso por si só não significa necessariamente ser doente.

Investigadores da Faculdade de Saúde da Universidade de York, nos EUA, descobriram que pacientes obesos, mas sem nenhum outro factor de risco metabólico, como diabetes, hipertensão ou alto nível de colesterol, não têm um aumento na taxa de mortalidade.

O estudo, liderado por Jennifer Kuk, professora da Escola de Cinesiologia e Ciências da Saúde da Universidade de York, mostrou que, ao contrário de condições como hipertensão ou diabetes, que por si só estão relacionadas com um alto risco de mortalidade, esse não é o caso da obesidade, quando considerada isoladamente.

O estudo acompanhou mais de 54 mil homens e mulheres que participaram em outros cinco estudos. Os sujeitos foram colocados em três grupos: os que tinham apenas obesidade, aqueles com algum factor metabólico isolado, seja glicose, pressão arterial ou lípidos elevados, e os obesos e com outro factor metabólico agindo em conjunto.

Os investigadores observaram quantas pessoas dentro de cada grupo morreram, em comparação com a população de peso normal e sem factores de risco metabólicos, e descobriram que 1 em cada 20 indivíduos obesos não apresentava outras anomalias metabólicas.

“Mostramos que os indivíduos com obesidade metabolicamente saudável não têm uma taxa de mortalidade elevada. Descobrimos que uma pessoa com peso normal e sem outros factores de risco metabólicos tem a mesma probabilidade de morrer que a pessoa com obesidade e sem outros factores de risco”, assegura Kuk.

“Isso significa que centenas de milhares de pessoas com obesidade metabolicamente saudável estão a ser orientadas a perder peso quando é questionável o benefício que realmente terão”, alerta.

Segundo Kuk, os resultados deste estudo podem afectar a forma como pensamos sobre a obesidade e a saúde. “Isto contrasta com a maior parte da literatura”, diz Jennifer Kuk.

Segundo a investigadora, a maioria dos estudos definiu a obesidade saudável como tendo um factor de risco metabólico.  “É provável que a maioria dos estudos tenha relatado que a obesidade saudável ainda está relacionada com maior risco de mortalidade”, diz.

E isso é um problema, já que condições como açúcar elevado no sangue e colesterol mau aumentam o risco de mortalidade de qualquer pessoa, magra ou gorda.

Por HS
16 Julho, 2018

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283: Cientistas curam obesidade e diabetes tipo 2 em testes com cobaias

ressaure / Flickr

Uma equipa de investigadores da Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) encontrou a cura para a obesidade e para a diabetes tipo 2 em cobaias através de um tratamento de terapia genética.

O estudo, publicado esta segunda-feira na revista científica EMBO Molecular Medicine, foi apresentado pela equipa de investigação numa conferência de imprensa realizada no Campus da Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) em Bellaterra, onde o grupo de investigadores, liderado pela professora Fátima Bosch, esteve presente.

Com a introdução, numa única injecção, de um vector viral adeno-associado (AAV) portador do gene FGF21, Factor de Crescimento de Fibroblastos 21, que permite a manipulação genética do fígado, tecido adiposo ou músculo-esquelético, o animal produz continuamente a proteína FGF21.

Trata-se de uma hormona produzida naturalmente por vários órgãos e que actua em muitos tecidos para regular o funcionamento correto no nível de energia, induzindo assim a sua produção por terapia genética, e levando a que o animal reduza o seu peso assim como a resistência à insulina.

No que diz respeito à obesidade, a terapia aplicada através do projecto de pesquisa foi testada com sucesso em dois modelos da doença, induzidos tanto geneticamente como por dieta.

Os investigadores perceberam que a administração da terapia genética em indivíduos saudáveis causa igualmente um envelhecimento mais saudável e protege-os do excesso de peso e resistência à insulina relacionados com a idade.

Após o tratamento com AAV-FGF21, e durante o ano e meio em que os animais foram seguidos, os ratos perderam peso e reduziram o acumulo de gordura e a inflamação no tecido adiposo.

A deposição de gordura (esteatose), a inflamação e fibrose no fígado (NASH) também foram neutralizadas, enquanto a sensibilidade à insulina e a saúde geral aumentaram à medida que envelheceram, sem terem sido observados efeitos colaterais.

A partir de todo o processo, os resultados foram reproduzidos pela manipulação genética de vários tecidos para produzir a proteína FGF21, seja o fígado, o tecido adiposo ou o músculo.

Isso dá uma flexibilidade muito grande à terapia, já que permite seleccionar o tecido mais apropriado e, caso haja alguma complicação que previna a manipulação de qualquer um dos tecidos, pode ser aplicada a qualquer um dos outros”, disse a professora responsável pelo estudo.

Fátima Bosch acrescentou que quando um desses tecidos produz a proteína FGF21 e a coloca na corrente sanguínea, a mesma é distribuída por todo o corpo e destacou a relevância dos resultados perante o aumento dos casos de diabetes tipo 2 e da obesidade em todo o mundo.

Segundo os investigadores, a obesidade aumenta o risco de mortalidade e representa um factor de risco para doenças cardiovasculares, doenças imunes, hipertensão, artrite, doenças neuro-degenerativas e alguns tipos de cancro.

“Esta é a primeira vez que a obesidade e a resistência à insulina a longo prazo foram neutralizadas pela administração de uma única sessão de terapia genética no modelo animal, que mais se assemelha à obesidade e diabetes tipo 2 em humanos”, explicou a primeira signatária do artigo, a pesquisadora da UAB Verónica Jiménez.

Os resultados do estudo mostram também como a administração de terapia genética tem um efeito protector contra o risco de formação de um tumor quando o fígado é submetido a uma dieta altamente calórica por um longo período de tempo.

ZAP // Lusa

Por Lusa
10 Julho, 2018

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112: “A campanha do colesterol é o maior escândalo médico do nosso tempo”

Entrevista a Uffe Ranskov, investigador dinamarquês e fundador da Liga Internacional dos Cépticos do Colesterol que defende que o colesterol alto não é causa mas apenas um sintoma das doenças cardiovasculares.

activa15062013Como começou o seu interesse no colesterol?

Quando a campanha anti-colesterol começou na Suécia, em 1989, fiquei surpreendido porque nunca tinha visto indicações na literatura médica que mostrassem que o colesterol elevado ou as gorduras saturadas fossem prejudiciais. Como sabia pouco do assunto comecei a ler de forma sistemática e rapidamente percebi que o rei ia nu.

Parece haver uma guerra de estudos nesta matéria…

Quase todas as pesquisas nesta área são pagas pelas farmacêuticas e pela indústria das margarinas. É também um facto triste que muitos investigadores que mostraram que o colesterol elevado não é mau, não o percebam eles próprios. Por exemplo, dois grupos de investigação norte-americanos mostraram recentemente que o colesterol de doentes que deram entrada no hospital com ataque cardíaco estava abaixo do normal. Concluíram que era preciso baixar o colesterol ainda mais. Um dos grupos fez isso mesmo. Três anos depois tinha morrido o dobro dos pacientes a quem tinham baixado o colesterol, comparativamente aqueles em que o colesterol foi deixado na mesma.

Se o colesterol não tem influência na doença coronária como se explica que haja tantos estudos a mostrar efeitos positivos das estatinas em pessoas com historial de doenças coronárias?

A razão prende-se com o facto das estatinas terem outros efeitos, anti inflamatórios, além de baixarem o colesterol. O seu pequeno benefício só foi demonstrado em pessoas jovens e homens de meia- idade que já tiveram um ataque cardíaco. Nenhum ensaio de estatinas foi capaz de prolongar a vida às mulheres ou pessoas saudáveis cujo único ‘problema’ é terem o colesterol alto. E há mais de 20 estudos que demonstram que pessoas mais velhas com colesterol vivem mais tempo.

– Há quem não desvalorize completamente o papel do colesterol, nomeadamente o LDL, mas enfatize a importância do tamanho das partículas.

O investigador norte-americano Ronald Krauss descobriu que o LDL existe em vários tamanhos e que um número elevado de partículas pequenas e com maior densidade está associado a um maior risco de ataque cardíaco, enquanto que um numero alto de partículas de LDL grandes está associado a um risco menor. Também demonstraram que ao comer gordura saturada o número de partículas pequenas no sangue descia e que o número das grandes subia. Isto não significa que as partículas pequenas sejam a causa dos ataques cardíacos. Haver uma relação não implica que seja de causa efeito. O que estes estudos demonstraram foi que comer gorduras saturadas não causa doenças coronárias. De qualquer forma, uma análise do colesterol diz pouco. O nível de colesterol depende de muitas coisas. O stress pode aumentar o nível de colesterol em 30% a 40% em meia hora.

Diz ainda que as gorduras saturadas não são um problema mas sim a comida processada, com gorduras hidrogenadas, e o açúcar…

Sim, o triste é que até os autores do mais recente relatório da OMS/FAO admitiram que a gordura saturada é inocente e apesar disso continuam com as recomendações de dietas com baixos teor de gordura e altos teores de hidratos de carbono. O relatório diz ‘As provas disponíveis de ensaios controlados não permitem fazer um juízo sobre efeitos substantivos da gordura na dieta no risco de doença cardiovascular’. Na Suécia, milhares de diabéticos obesos puderam deixar a medicação para a diabetes evitando os hidratos de carbono e comendo alimentos ricos em gordura saturada.

O que recomenda às pessoas relativamente à toma de estatinas?

Não usem estatinas! O seu benefício é mínimo e o risco de efeitos adversos é muito mais alto do que o que as farmacêuticas dizem. Vários investigadores independentes mostraram que há problemas musculares em25 a 50% das pessoas, especialmente nos mais velhos. Pelo menos 4% ficam com diabetes e parece haver também ligação a perdas de memória ou Alzheimer. Os problemas de fígado também são um risco. A campanha do colesterol é simplesmente o maior escândalo médico do nosso tempo.

In Activa online
Por: Bárbara Bettencourt
03 Maio 2013, às 14:59

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101: Consumo de carne processada associado a causas de morte prematura

Carne-processada2Elevado consumo deste tipo de carne aumenta em 72% o risco de morte por doença cardiovascular e em 11% o risco de cancro mortal, concluiu um estudo.

O estudo European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC), publicado nesta quinta-feira na revista científica BMC Medicine, identifica o consumo de carnes processadas – como bacon, salsichas ou presunto – como um factor que potencia doenças cardiovasculares, cancros e outros problemas de saúde mortais.
Os resultados do estudo sugerem que, num período de 13 anos, um elevado consumo de carne processada aumenta em 44% a probabilidade de uma morte prematura. O consumo deste tipo de alimentos é responsável por potenciar o risco de doenças cardiovasculares em 72% e o risco de cancro em 11%.

Os cientistas responsáveis pelo estudo observaram uma co-relação proporcionalmente maior entre as taxas mortalidade precoce e a quantidade de carne processada ingerida.

Sabine Rohrmann, professora na Universidade de Zurique e responsável pelo estudo, garante que 3% das mortes precoces ocorridas podiam ter sido evitadas se o consumo de carne processada fosse inferior a 20 gramas por dia. O sal e substâncias químicas utilizadas na preservação destes alimentos são outros dos elementos com efeitos nocivos para os consumidores.

A investigação, financiada pela Europe Against Cancer Program of the European Commission (SANCO), analisou a relação entre o consumo de carnes vermelhas, carnes brancas e carnes processadas e o risco de morte prematura.

O estudo foi conduzido em 10 países europeus, utilizando uma amostra de 448.568 pessoas, com idades entre os 35 e os 69 anos, recolhendo informação completa sobre a sua dieta, hábitos tabágicos, actividade física e índice de massa corporal. Nenhum deles tinha historial de doenças graves ou significativas.

Verificou-se que o consumo de carnes processadas está ainda relacionado com outros hábitos prejudiciais à saúde, como um consumo insuficiente de vegetais e fruta. Aqueles que comem mais carne processada são também os que tem uma maior probabilidade de ser fumadores ou obesos.

Os resultados relacionaram um alto consumo de carne vermelha com uma maior mortalidade, ligação considerada como residual e por isso insuficiente para se considerar estatisticamente válida. O consumo de carnes brancas não foi associado à mortalidade.

Apesar disso, os responsáveis pelo estudo não descartam totalmente as carnes vermelhas da dieta, reconhecendo como benéficos para a saúde os nutrientes que estas contêm.

Mariana Dias
In Público

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42: Chocolate pode ajudar a emagrecer

Saúde

Chocolate preto tem propriedades anti-oxidantes # Fotografia © Nicola Solic-Reuters

Contraria o senso comum, mas o consumo regular deste alimento é saudável e os que o evitam ficam mais gordos.

As pessoas que consomem chocolate várias vezes por semana, poderão ser mais magras do que aquelas que evitam este alimento, sugere um estudo realizado nos Estados Unidos e cujos resultados foram publicados na revista científica Archives of Internal Medicine. A contrariar o senso comum, a investigação apurou que o elemento importante é a frequência do consumo de chocolate e não a quantidade consumida. Enfim, pode comer-se, desde que seja de forma regular.

Os cientistas investigaram 1000 pessoas, observando a sua dieta, consumo de calorias e índice de massa corporal (IMC), indicador que identifica a obesidade. Ora, o consumo regular de chocolate, apesar de implicar a absorção de muitas calorias, estava ligado a um IMC mais baixo. As hipóteses destes resultados serem obtidos por acaso são de apenas 1%, dizem os investigadores, liderados por Beatrice Golomb, da Universidade da Califórnia em San Diego.

Com esta base estatística, a conclusão da equipa é de que a composição das calorias tem importância na formação do peso. E o chocolate preto é um alimento que os cientistas sabem ter efeitos positivos para o organismo, pois possui anti-oxidantes que eliminam os radicais livres instáveis capazes de danificarem as células, além de outros compostos que melhoram a pressão arterial ou o nível de colesterol. Apesar de todos estes aspectos positivos, a informação não exclui a prudência. Demasiado chocolate fará certamente engordar. Comer de vez em quando, além de uma prazer, será também benéfico.

In Diário de Notícias online
por LN
26/03/2012

30: Jovens rurais mais propensos à obesidade

Foto: D.R.

Os jovens que habitam em meio rural têm mais probabilidade de ser obesos do que os jovens urbanos, já que são mais sedentários e passam mais horas a ver televisão, revela um estudo da Universidade de Coimbra.

O estudo, “Comportamento sedentário e dispêndio energético: influência de factores biológicos, sociais e geográficos”, procurou avaliar o gasto energético diário e o sedentarismo em 500 adolescentes com idades entre os 13 e os 16 anos de escolas da zona centro do país, em igual proporção de jovens de meio rural e urbano.

Contactado pela Agência Lusa, o investigador principal explicou que havia necessidade de estudar o estilo de vida na população pediátrica, uma vez que Portugal sofreu grandes transformações ao longo das últimas quatro décadas do ponto de vista laboral, da alimentação e do transporte, tanto de casa para a escola como de casa para o trabalho.

“A par da Espanha, Itália e Grécia, Portugal tem uma população de adolescentes com taxas elevadas de sobrepeso, apesar de a obesidade ser uma variável complexa de estudar, pela sua etiologia, mas sentimos que havia varáveis de estilo de vida que seriam pertinentes de estudar nestas franjas etárias”, adiantou Aristides Machado.

De acordo com o investigador, o estudo mostrou que os anos terminais da adolescência são problemáticos do ponto de vista do estilo de vida ativo e durante este período os adolescentes entre os 15 e os 16 anos têm maior risco de sedentarismo porque passam mais horas frente ao televisor.

Aristides Machado apontou que o nível de sedentarismo aumenta significativamente ao fim-de-semana e nos períodos pós-escolar durante a semana.

“Durante o período escolar, todos os sujeitos, tanto rapazes como raparigas, mais velhos ou mais novos, têm o mesmo padrão de envolvimento nas diferentes actividades. As diferenças foram sobretudo marcantes no final do dia e ao fim-de-semana, já que tanto no meio rural como urbano, ao fim-de-semana, há uma diminuição acentuada de actividade. Entre os rapazes do meio rural e urbano, há uma diferença também no período pós-escolar”, explicou o investigador.

No global, o estudo mostra que “os adolescentes que vivem em meio rural são mais sedentários e passam mais horas em frente ao televisor do que os adolescentes de proveniência urbana”, o que, na opinião de Aristides Machado, mostra que entre os adolescentes de meio rural “há mais probabilidade de pertencerem a grupos classificados como tendo excesso de peso e com obesidade”.

“No nosso entendimento, o meio rural é um contexto mais precário do que o meio urbano, do ponto de vista da saúde, da educação, do ponto de vista das infraestruturas, do ponto de vista dos estímulos materiais, até da família”, apontou o investigador para logo de seguida defender que “não se pode pedir só à escola que resolva um problema de organização social, familiar e de estilo de vida”.

“Tem que haver uma simbiose entre os diferentes agentes, no sentido de serem não só mais activos, mas mais saudáveis”, defendeu, referindo-se não só à escola, como à família, autarquias e demais agentes sociais.

O investigador alertou que há adolescentes que passam quatro horas frente ao televisor, muito acima das duas horas máximas recomendadas, e defendeu como possível solução o desporto nas horas pós-periodo escolar ou qualquer outra solução que “retire os adolescentes de casa de frente do televisor”.

A investigação decorreu durante cinco anos e foi financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Teve a colaboração de investigadores das universidades do Texas e Michigan, nos Estados Unidos, Estadual de Londrina, no Brasil, Saskatchewan, no Canadá e University of Bath, e, Inglaterra.

In i online
Por Agência Lusa
publicado em 8 Fev 2012 – 16:34