552: Cientistas testaram as capacidades paranormais de 12 videntes (e correu como se esperava)

 

CIÊNCIA/NEUROLOGIA

Enrique Meseguer / Pixabay

Ao longo da história da humanidade, milhares de auto-proclamados mediums e videntes alegaram ser capazes de falar com os mortos e adivinhar o futuro. Esta prática milenar, que chegou até aos nossos dias, foi recentemente posta à prova por cientistas — com um resultado quase nada surpreendente.

Do mítico astrólogo, boticário e profeta francês Nostradamus à famosa vidente búlgara Baba Vanga, que há alguns anos previu que a Europa se desintegraria no fim de 2016, milhares de adivinhos, videntes e profetas ao longo da história alegaram ter capacidades paranormais como prever o futuro da Humanidade, adivinhar o destino de uma determinada pessoa ou falar com os seus entes queridos já partidos.

Estes voyants atraíram invariavelmente a atenção de numerosos crentes e seguidores, ávidos de informação sobre o futuro do planeta ou a sorte que teriam à sua espera — em alguns casos, dispostos a pagar pequenas fortunas para conhecer o destino ou ter uma última conversa com um familiar desaparecido.

Ao mesmo tempo, depararam-se com grande cepticismo e intenso escrutínio à sua arte, com destaque para o mágico e entertainer canadiano James Randi, falecido em Outubro aos 92 anos, que em 1972 ofereceu um prémio de um milhão de dólares a qualquer pessoa que conseguisse demonstrar cientificamente as suas capacidades paranormais.

Em 1995, depois de mais de mil pessoas se terem candidatado ao prémio sem ter conseguido fazer prova científica das suas habilidades, a fundação de James Randi extinguiu o One Million Dollar Paranormal Challenge, mas manteve o prémio para quem conseguisse passar pelo menos testes preliminares em condições científicas.

Recentemente, uma equipa de investigadores da Universidade de San Diego e do Instituto de Ciência Noética, na Califórnia, decidiu colocar à prova as capacidades paranormais de um grupo de mediums — e o resultado não abona a favor da profissão. Os resultados do estudo foram publicados na revista Brain and Cognition no passado dia 20.

No âmbito do estudo, a equipa de investigadores pretendia verificar se um grupo de 12 mediums conseguia efectivamente estabelecer contacto com os mortos, e até que ponto os mediums eram capazes de descobrir a causa da sua morte, comparando os resultados obtidos com os de 12 pessoas normais.

Segundo reporta a IFLS, foram mostradas fotografias de 180 pessoas falecidas aos 24 participantes no estudo, que tinham que adivinhar a causa da morte do retratado. Durante as experiências, o ritmo cardíaco e actividade cerebral dos participantes foram monitorizados.

O estudo pressupunha que, se os mediums tinham efectivamente a capacidade de contactar com os mortos, seriam capazes de identificar a causa da morte mais vezes do que os restantes participantes — que estavam basicamente a tentar adivinhá-la. Mas de forma algo surpreendente, no entanto, os mediums obtiveram na realidade piores resultados.

Quando o grupo de controlo tentou adivinhar a causa da morte, teve melhores resultados do que a mera sorte, com mais 4% de acertos do que os cientistas esperavam se estivessem simplesmente a carregar aleatoriamente em botões com as hipóteses apresentadas.

Em contrapartida, os mediums obtiveram não só piores resultados do que o grupo de controlo, como conseguiram até menos 0.2% de acertos do que a aleatoriedade pura faria prever. Além disso, os mediums demoraram em média mais tempo a responder, em particular nos casos em que falharam a resposta.

A monitorização da actividade cerebral e cardíaca também mostrou algumas diferenças. Ao longo do estudo, os mediums mostraram um ritmo cardíaco 10% mais elevado, em média, o que parece indicar que se encontravam mais pressionados do que os participantes do grupo de controlo.

Os resultados do ECG recolhidos enquanto os participantes olhavam para as fotografias também mostraram diferenças de actividade cerebral entre os dois grupos no que diz respeito às áreas em que focavam a sua atenção.

Neste parâmetro, os participantes do grupo de controlo manifestaram mais actividade cerebral no lobo occipital, a zona do cérebro que processa estímulos visuais, do que os mediums, o que parece sugerir que o grupo de controlo dedicou mais atenção efectiva à aparência das fotografias do que o grupo de mediums. A diferença de actividade cerebral, no entanto, não mostrou qualquer relação com a taxa de acertos.

Como se explica então que o grupo de controlo tenha obtido melhores resultados do que o grupo de mediums? A resposta simples e, para alguns, desoladora, é que afinal talvez não seja possível de todo contactar com os mortos.

No entanto, questionados sobre a sua participação na experiência, alguns dos mediums explicaram que talvez houvesse outra explicação para o seu fraco resultado.

“Alguns dos mediums alegaram que lhes foi difícil encontrar a causa da morte dos retratados, porque sentiram a dor dos falecidos mas não a causa dessa dor“, explica o neuro-cientista Arnaud Delorme, investigador do Instituto de Ciência Noética e um dos autores do estudo.

“Os mediums poderão ter interpretado um dado tipo de dor como um ataque cardíaco, mas a dor poderia ser semelhante à causada por um tiro no peito ou ao trauma associado a um acidente de viação”, acrescentam os investigadores.

Independentemente das explicações dadas pelos mediums, os resultados do estudo parecem indicar que não têm de facto as capacidades paranormais que anunciam.

E se é verdade que este é um campo da ciência particularmente difícil de pesquisar, também é verdade que, dezenas de anos depois, o milhão de dólares que James Randi ofereceu continua por arrecadar.

Por Armando Batista
1 Janeiro, 2021

 

 

 

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292: Inteligência artificial contraria prognósticos de coma e salva pacientes

(PPD/C0) geralt / Pixabay

Um sistema de inteligência artificial (IA) desenvolvido na China ajudou a salvar a vida de vários pacientes num estado de coma considerado “sem esperança” por vários médicos. A IA contrariou o prognóstico – e os pacientes acordaram.

Por norma, os neurologistas conduzem uma série de avaliações para determinar o potencial de recuperação de um paciente com lesões cerebrais. No teste conduzido é atribuída uma determinada pontuação. Uma baixa pontuação implica que o doente tem poucas hipóteses de acordar tendo, por isso, a família o direito legal de desligar o suporte básico de vida.

Um dos principais neurologistas da China atribuiu sete dos 23 pontos desta escala a um paciente de 19 anos com síndrome de não-responsividade, um resultado bastante baixo. No entanto, ao ser reexaminado com a ajuda do sistema de inteligência artificial, o resultado aumentou para mais de 20 pontos – muito perto da pontuação total.

Num outro caso, aponta o South China Morning Post, os médicos atribuíram a uma mulher de 41 anos, vítima de derrame cerebral e em estado vegetativo há três meses, uma pontuação potencial de recuperação de seis. O computador atribuiu 20.

O jovem, a mulher e outros cinco pacientes – que os médicos acreditavam que nunca recuperariam a sua consciência – acabaram por acordar até 12 meses após os exames cerebrais, exactamente como previsto pelo modelo computorizado.

Previmos com êxito que um determinado número de pacientes recuperaria a consciência mesmo depois de serem inicialmente apontados como sem esperança”, escreveram os investigadores da Academia Chinesa de Ciências em comunicado.

Contudo, a “máquina” também comete erros: um homem de 36 anos com danos no tronco cerebral recebeu baixas pontuações quer da IA, quer da avaliação dos médicos. Ao contrários dos prognósticos, o homem recuperou totalmente em menos de um ano.

Quase 90% de precisão

Sinteticamente, o sistema recém-criado recorre à IA e, através de imagens médicas, ajuda os médicos a determinar se pacientes diagnosticados com danos cerebrais graves podem ou não recuperar a consciência.

Apesar de ser um diagnóstico, os testes que recorrem ao sistema de inteligência artificial têm uma de quase 90%, de forma a que raramente se cometam erros a atribuir pontuações mais baixa, nota a RT.

Depois de oito anos, os cientistas conseguiram finalizar o projecto, tendo disponibilizados as suas conclusões em pré-publicação no mês passado num artigo no eLife. 

Para o Song Ming, médico e principal autor do estudo, este sistema diferencia-se dos demais sistemas de IA utilizados no diagnóstico de doenças. “A nossa máquina pode ver coisas que são invisíveis ao olho humano“, explicou.

Contudo, sublinha Ming, esta é apenas “uma ferramenta para ajudar médicos e famílias a tomar deciões2, não podendo “nunca substituir os médicos”, reiterou.

ZAP //

Por ZAP
12 Setembro, 2018

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