1034: Já foram detectados 24 casos da variante Mu em Portugal

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VARIANTE MU

Portuguese Gravity / Unsplash

A variante foi detectada em Portugal pela primeira vez a 31 de Maio. A circulação no país é “muito limitada”, já que a Delta é responsável por 100% dos casos no país.

Foram detectados já 24 casos da variante Mu em Portugal, segundo noticia o Observador. Esta nova variante do coronavírus foi identificada pela primeira vez em Janeiro, na Colômbia. De acordo com um relatório da OMS, a variante tem mutações que podem indicar resistência às vacinas, mas ainda são necessários mais estudos.

A Mu foi detectada pela primeira vez em Portugal a 31 de Maio, “tendo atingido a sua maior frequência relativa (1.2%) durante a segunda semana de Junho, altura a partir da qual apresentou uma frequência com tendência decrescente”, adianta o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) ao mesmo jornal.

O último caso foi detectado no final de Julho e desde então não foi identificado mais nenhum caso desta variante “entre as centenas de amostras analisadas até à data do mês de Agosto”.

O INSA já tinha afirmado à TVI que a prevalência da Mu em Portugal vai ser “muito limitada”: “Estas observações apontam que a circulação da variante “Mu” (B.1.621) em Portugal será muito limitada, sendo que a epidemia de SARS-CoV-2 em Portugal é actualmente dominada pela variante Delta”.

Recorde-se que actualmente a variante Delta é responsável por 100% dos casos de covid-19 em Portugal e é a única em circulação no país. Em 2020, perante o surgimento de novas variantes, a Organização Mundial da Saúde começou a organizá-las como sendo de “interesse” ou “preocupantes”, dando-lhes nomes baseados em letras do alfabeto grego.

“A variante Mu tem uma constelação de mutações que indicam propriedades potenciais de resistência imunológica“, escreveu a OMS no boletim semanal onde revelou que está a vigiar a Mu, que continua a ser uma variante de “interesse”

Actualmente, há quatro variantes que geram mais preocupação, incluindo a Alpha, presente em 193 países, e a Delta, que domina em Portugal. A variante Mu é a quinta a receber uma monitorização mais próxima da OMS.

OMS vigia a Mu. Prevalência da variante aumenta na Colômbia e Equador

A Organização Mundial de Saúde (OMS) está a monitorizar uma nova variante do SARS-CoV-2, a Mu, identificada pela primeira vez…

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Adriana Peixoto, ZAP //

Por Adriana Peixoto
3 Setembro, 2021

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1006: Pandemia já provocou 4,38 milhões de mortes em todo o mundo

– Esta “gripezinha” tem feito uma autêntica devastação global! Mas isso não contraria os feitos “gloriosos” dos Walking Deads que continuam na sua labuta sistemática, sem parar, a desafiar o bicho e a infectar terceiros!

SAÚDE PUBLICA/PANDEMIA/INFECÇÕES/MORTES/MUNDO

A pandemia de covid-19 provocou a morte, até à data, de pelo menos 4.381.911 pessoas em todo o mundo, tendo sido registados 10.906 óbitos a nível mundial nas últimas 24 horas, revelou hoje o balanço da France-Presse (AFP).

No total, e desde que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) foi identificado na China em Dezembro de 2019, mais de 208.545.350 casos de infecção foram oficialmente diagnosticados em todo o mundo.

A grande maioria dos pacientes recupera da doença covid-19, provocada pelo SARS-CoV-2, mas uma parte destas pessoas ainda relatam sentir alguns sintomas associados durante semanas ou mesmo até meses, segundo a agência noticiosa.

Nas últimas 24 horas, registaram-se mais 637.703 novos casos da doença em todo o mundo, número que está em linha com os valores do dia anterior (636.698).

Já em relação aos óbitos diários, os dados revelam uma subida, das 8.388 mortes comunicadas na terça-feira para as 10.906 hoje contabilizadas.

Os países que registaram mais mortes nas últimas 24 horas foram, e de acordo com os respectivos balanços nacionais, a Indonésia com 1.128 óbitos, o Brasil (1.106) e os Estados Unidos da América (998).

Os Estados Unidos da América (EUA) continuam a ser o país mais afectado a nível global, tanto em número de mortos como de casos, com um total de 623.322 mortes entre 37.017.859 casos recenseados, segundo a contagem da universidade norte-americana Johns Hopkins.

Depois dos EUA, a lista dos países mais afectados pela crise pandémica em termos globais é composta pelo Brasil (570.598 mortos e 20.416.183 casos), pela Índia (432.519 mortos e 32.285.857 casos), pelo México (249.529 mortos e 3.123.252 casos) e pelo Peru (197.539 mortos e 2.135.827 casos).

Segundo a análise da AFP, o Peru surge novamente como o país (ou território) que conta actualmente com mais mortos em relação à sua população, com 599 óbitos por cada 100.000 habitantes, seguido pela Hungria (311), Bósnia-Herzegovina (296), República Checa (284), Brasil (268) e a Macedónia do Norte (268).

Por regiões do mundo, a zona da América Latina e Caraíbas concentra actualmente os dados de mortalidade mais altos, ao totalizar até hoje às 10:00 TMG (11:00 em Lisboa) 1.411.061 mortes em 42.244.484 casos de infecção confirmados.

Segue-se a Europa (1.225.748 mortes e 61.020.725 casos), a Ásia (736.146 mortes e 47.832.134 casos), os Estados Unidos e o Canadá (650.037 mortes e 38.474.538 casos), a África (185.599 mortes e 7.337.955 casos), o Médio Oriente (171.730 mortes e 11.533.827 casos) e a Oceânia (1.590 mortes e 101.689 casos).

Diário de Notícias
18 Ago 13:04
Por Carlos Nogueira

Por cá, nesta pacóvia turba, a situação de infectados tem sido a seguinte:

Apenas para “recordar” os números de INFECTADOS DIÁRIOS pelo coronavírus SARS-CoV-2, COVID-19, desde o passado mês de Julho até ao presente, em Portugal:

– 2.983 – 18.08.2021
– 2.118 – 17.08.2021
– 1.135 – 16.08.2021
– 2.217 – 15.08.2021
– 2.571 – 14.08.2021
– 2.598 – 13.08.2021
– 2.708 – 12.08.2021
– 2.948 – 11.08.2021
– 2.232 – 10.08.2021
– 1.094 – 09.08.2021
– 1.982 – 08.08.2021
– 2.621 – 07.08.2021
– 2.377 – 06.08.2021
– 2.581 – 05.08.2021
– 3.203 – 04.08.2021
– 2.076 – 03.08.2021
– 1.190 – 02.08.2021
– 2.306 – 01.08.2021
– 2.590 – 31.07.2021
– 2.595 – 30.07.2021
– 3.009 – 29.07.2021
– 3.452 – 28.07.2021
– 2.316 – 27.07.2021
– 1.610 – 26.07.2021
– 3.396 – 24.07.2021
– 3.794 – 23.07.2021
– 3.622 – 22.07.2021
– 4.376 – 21.07.2021
– 2.706 – 20.07.2021
– 1.855 – 19.07.2021
– 3.677 – 17.06.2021
– 3.547 – 16.06.2021
– 3.641 – 15.06.2021
– 4.153 – 14.06.2021
– 2.650 – 13.07.2021
– 2.323 – 11.07.2021
– 3.162 – 10.07.2021
– 3.194 – 09.07.2021
– 3.269 – 08.07.2021
– 3.285 – 07.07.2021
– 2.170 – 06.07.2021
– 2.041 – 04.07.2021
– 2.436 – 02.07.2021

Coisa pouca e sem importância para uma “gripezinha”…

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640: Neurocirurgião diz que Brasil é um celeiro de novas estirpes capazes de criar outro vírus

 

SAÚDE/COVID-19/BRASIL

Neuro-cirurgião brasileiro Miguel Nicolelis avisa que o Brasil poderá produzir um novo vírus se a doença não for controlada.

© EPA/Raphael Alves

O médico brasileiro Miguel Nicolelis considera que o Brasil constitui um celeiro de novas estirpes do vírus SARS-CoV-2, causador da covid-19, e poderá produzir um novo vírus se a doença não for controlada, um ‘SARS-CoV-3’.

“O Brasil virou o foco, o epicentro da pandemia neste momento uma vez que nos Estados Unidos houve uma queda de mais de um terço dos óbitos. O Brasil é o foco [da doença] no mundo”, afirmou o neuro-cientista em entrevista à Lusa.

Médico e neuro-cientista, Miguel Nicolelis liderou por onze meses um grupo de especialistas responsáveis por orientar um consórcio de governadores no nordeste do país para o combate à pandemia. Também professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, já esteve numa lista dos maiores cientistas do mundo, realizada pela revista Scientific American.

À Lusa, Nicolelis afirmou que a nova estirpe registada no país, conhecida como variante brasileira ou amazónica, é mais transmissível e, embora ainda não existam dados confiáveis sobre a sua letalidade – não há certeza se ela é ou não mais mortal do que outras variantes do SARS-CoV-2 em circulação no país – é um sinal de alerta, já que uma transmissão pode provocar o surgimento de um novo tipo de coronavírus.

Números de contágio no Brasil potenciam as mutações do vírus, avisa o neurocirurgião brasileiro Miguel Nicolelis.
© Wikimedia Commons

“O perigo é que nós estamos dando chance para o coronavírus, aqui no Brasil, se replicar e [infectar] entre 70 mil e 80 mil pessoas por dia. Isto gera um número incrível de mutações no vírus. Isto pode dar origem a novas variantes e inclusive, no limite, a mistura do material genético de diferentes variantes pode gerar um novo vírus, um SARS-Cov-3″, explicou.

Nicolelis salientou que o aparecimento de um novo vírus ainda é uma possibilidade teórica, mas há uma probabilidade biológica de que este cenário se concretize.

Dados divulgados pelo Imperial College de Londres em 05 de Março indicam que a taxa de transmissão da covid-19 no Brasil estava em 1,1.

“Estamos criando um reservatório gigantesco de pessoas infectadas gravemente. Estamos criando [novas estirpes], como esta variante amazónica. É muito provável que nós tenhamos outras variantes surgindo no Brasil, como esta ocorrendo nos Estados Unidos”, afirmou.

“Quando você tem um reservatório humano muito grande de um vírus e o vírus se multiplica demais é inevitável que ocorram mutações por acidente na replicação do vírus. Nós estamos dando para a biologia [o vírus] o que ela necessita para gerar mutações e variantes”, acrescentou.

O Brasil registou uma média acima de 60 mil nos últimos 14 dias, segundo dados do Ministério da Saúde.

Mais de 11,2 milhões de pessoas já foram diagnosticadas com a doença desde que houve a confirmação do primeiro caso em território brasileiro, em 26 de Fevereiro de 2020.

Também foram registadas oficialmente mais de 275 mil mortes provocadas pela doença.

Nicolelis também explicou que a taxa de crescimento e replicação do vírus muda constantemente, mas usando os valores médios dos últimos 14 dias para fazer uma estimativa, uma curva de crescimento de casos e óbitos, é possível prever que o Brasil vá superar a marca de 500 mil mortes por covid-19 em Julho.

“No caso [do Brasil] o valor está tão alto, há um crescimento ainda exponencial, que é possível fazer uma aritmética simples. Estamos com mais de 270 mil óbitos, se fizer [um cálculo] com 2 mil óbitos em média por dia, nos próximos 90 dias, haverá 180 mil óbitos. Em três meses batemos 450 mil óbitos. Se houver um colapso completo vai morrer gente e [muitos] nem vão chegar ao hospital”, explicou.

“Se usar uma média de 2 mil a 3 mil [mortes diárias] chega nos quinhentos mil óbitos em 90 dias a partir do final de Março. Três meses, entre Abril até Julho, não tem muito segredo, é aritmética”, avisou.

DN/Lusa

Mas não são o presidente e os filhos dele que até mandam o povo meter a máscara no rabo? Onde está a admiração?

 

 

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629: O vírus veio para ficar? Sim. E as vacinas protegem mesmo? Há uma forte possibilidade

 

SAÚDE/SARS-CoV-2/COVID-19

Mais de um ano depois de se começar a ouvir falar da chegada à Europa do novo coronavírus, que tinha sido detectado no final de 2019 na cidade chinesa de Whuan, ainda há muitas dúvidas por esclarecer.

© Diana Quintela / Global Imagens

Desde Março de 2020 que a atenção dos portugueses tem sido focada nas consequências do vírus SARS-CoV-2. Com muitas questões ainda por resolver, o DN colocou a três especialistas algumas dúvidas — as mesmas questões a cada um — que ainda existem na sociedade sobre este vírus, a sua evolução e as vacinas.

Manuel Santos Rosa

Imunologista, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

O SARS-CoV-2 veio para ficar?

Os vírus podem manter-se longo tempo, dependendo da existência de hospedeiros que lhes permitam a replicação e propagação. Os coronavírus têm mostrado aspectos erráticos na sua adaptação ao hospedeiro, mas o SARS-CoV-2 tem, de alguma forma, surpreendido pelo sucesso mutacional, pelo que pode ter vindo para ficar.

O vírus pode enfraquecer e evoluir para uma “gripezinha” ou as novas estirpes podem torná-lo mais perigoso?

Sim, pode acontecer, seria bom que acontecesse, que o vírus pudesse modificar-se por forma a tornar-se menos patogénico e a ter menos capacidade de infecção. Muitas mutações poderão mesmo ser suicidas, ou muito enfraquecedoras da sua capacidade agressora, mas outras (e muitas já foram detectadas) permitem uma melhor adaptação do SARS-CoV-2 ao ser humano, com a consequente facilitação da entrada no nosso organismo e do aumento da patogenicidade.

As vacinas são eficazes para interromper a transmissão comunitária ou apenas para prevenir as formas mais graves da doença e/ou mortes?

Tudo depende da eficácia vacinal, da capacidade de vacinação (percentagem da população vacinada e rapidez de vacinação), do tempo de manutenção da imunização (tempo em que o indivíduo vacinado se mantém protegido), das mutações do vírus e de um conjunto vasto de factores que podem influenciar a relação vírus-hospedeiro. De qualquer forma, parece ser definitivo que haverá uma forte capacidade para prevenir as formas mais graves de doença e/ou as mortes.

E se as vacinas não forem suficientes para atingir a tão desejada imunidade de grupo no tempo que seria desejável? Há algo mais que se possa fazer?

Muito se poderá, se pode, fazer. Por exemplo, se a imunidade de grupo estiver ameaçada pela capacidade mutacional do vírus, novas vacinas direccionadas para essas variantes poderão ajudar significativamente. Por outro lado, estamos longe de esgotar as capacidades de defesa contra o SARS-CoV-2: parece-nos fundamental evoluir no processo vacinal para o estímulo da imunidade inata, especialmente através da capacidade de a treinar a melhor responder face a agressores como o SARS-CoV-2. Também entendemos ser fundamental o desenvolvimento de terapias que possam complementar a profilaxia vacinal. Muitos fármacos têm sido propostos e inclusive alguns na área da imunoterapia, como é o caso do EXO-CD24, que poderão representar uma nova capacidade de impedir a agressividade do vírus e uma resposta imunitária desajustada.

O SARS-CoV-2 pode contribuir para que o sistema imunitário dos humanos reforce as suas defesas para enfrentar futuras pandemias?

Não me parece. Embora os estudos ainda não sejam suficientes, alguns apontam para, depois de infecção pelo SARS-CoV-2, a resposta imunitária ter falhas de coordenação, especialmente entre as vertentes de imunidade por anticorpos e celular, e também entre as formas inatas e adquiridas. Também é factual que distintos patogénicos (vírus ou outros) têm um grau elevado de especialização (quer dos receptores, que lhes permitem a entrada nas nossas células, quer de sinalização imunitária) e por isso não conferem reforço significativo face a outras agressões. Veja-se, por exemplo, a gripe sazonal, que ao longo dos anos em nada melhorou a nossa capacidade de resposta. Por outro lado, sabe-se que estímulos/agressões imunitárias por via respiratória são muito pouco educativos para a nossa imunidade, contrariamente ao que acontece com estímulos/agressões por via digestiva, esses, sim, podem ser fortemente protectores e educativos, reforçando a nossa capacidade de resposta e de resistência.

Margarida Saraiva

Presidente da Sociedade Portuguesa de Imunologia e investigadora do i3s (Porto)

O SARS-CoV-2 veio para ficar?

Muito provavelmente sim, mas associado a formas menos graves de doença. Claro que isto vai depender muito da imunidade atingida, quer por infecção natural quer por vacinação. Os outros quatro coronavírus que causam as constipações são “bem tolerados” pela população, não exigindo confinamentos, distanciamento social, máscaras, etc.

O vírus pode enfraquecer e evoluir para uma “gripezinha” ou as novas estirpes podem torná-lo mais perigoso?

Se conseguirmos atingir um nível de imunidade (por infecção natural e vacinação) que permita uma protecção de manifestações severas da doença, sim, a pandemia pode evoluir para uma situação de vírus endémico, sem causar os problemas actualmente conhecidos. Algumas das mutações que o vírus adquire podem traduzir-se numa vantagem competitiva para o vírus, que normalmente assenta numa maior transmissão e, eventualmente, maior replicação. Isto explica a predominância de algumas estirpes relativamente a outras. No entanto, a relação entre mutação/transmissão e gravidade da doença não é directa.

As vacinas são eficazes para interromper a transmissão comunitária ou apenas para prevenir as formas mais graves da doença e/ou mortes?

Os dados que temos até ao momento permitem concluir uma eficácia na prevenção de formas mais graves da doença, mas ainda não são suficientes para concluir definitivamente sobre a questão da transmissão. Com o aumento e follow up do número de pessoas vacinadas, vamos começar a ter uma melhor ideia do que acontece em termos de transmissão. De qualquer forma, para já pelo menos, é imperativo que as regras e os comportamentos preventivos individuais se mantenham, mesmo para quem já foi vacinado.

E se as vacinas não forem suficientes para atingir a tão desejada imunidade de grupo no tempo que seria desejável? Há algo mais que se possa fazer?

A imunidade de grupo resulta em princípio da vacinação e também da infecção natural. O tempo que demorará a atingir depende obviamente do progresso/taxa de vacinação. O que podemos fazer enquanto sociedade é manter uma atitude colectiva com comportamentos individuais adequados, de forma a contribuir para a manutenção de um baixo número de casos, alívio do SNS e, consequentemente, a mínima disrupção.

O SARS-CoV-2 pode contribuir para que o sistema imunitário dos humanos reforce as suas defesas para enfrentar futuras pandemias?

Há sempre uma co-evolução do sistema imune com os patogénos, no sentido de haver uma certa adaptação mútua. É difícil prever até que ponto esta pandemia poderá ter um impacto no sistema imunitário, sendo certo que dependerá também do tipo de “pandemia futura”.

Luís Graça

Imunologista, professor da Faculdade de Medicina de Lisboa e investigador no iMM

© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

O SARS-CoV-2 veio para ficar?

O SARS-CoV-2 já está disseminado por todo o mundo e é certo que ficará connosco. É muito raro conseguir-se erradicar um vírus com uma disseminação tão grande. Aconteceu uma vez, com o vírus da varíola, e o vírus da poliomielite está perto de ser erradicado. Contudo, mesmo para vírus em que se atinge a imunidade de grupo, como o vírus do sarampo, não é possível a sua erradicação. Deste modo, teremos de viver com o SARS-CoV-2, embora com um novo equilíbrio, menos grave, próximo do que sucede com outros vírus endémicos.

O vírus pode enfraquecer e evoluir para uma “gripezinha” ou as novas estirpes podem torná-lo mais perigoso?

É pouco provável assistirmos a uma mudança muito profunda da biologia do vírus. A mudança que vai fazer que o SARS-CoV-2 cause menos problemas de saúde dependerá, sobretudo, da alteração da nossa resposta imune ao vírus, e não de uma mudança do vírus. Estamos a caminhar, fruto da vacinação, para um estado em que a generalidade da população estará protegida contra doença grave. Com o tempo, a circulação do vírus, mesmo entre pessoas vacinadas, reforçará essas defesas, de um modo semelhante a uma nova dose da vacina. Deste modo, a percepção será que o vírus enfraqueceu, mas na realidade as nossas defesas é que se adaptaram. Isto é o que sucede quando um vírus deixa de ser pandémico. Um bom exemplo deste fenómeno foram as doenças que os navegadores europeus levaram para o Novo Mundo: os vírus eram os mesmos, mas a adaptação do sistema imunitário dos europeus e dos americanos a esses vírus era diferente.

As vacinas são eficazes para interromper a transmissão comunitária ou apenas para prevenir as formas mais graves da doença e/ou mortes?

Já temos uma resposta a esta pergunta baseada em factos. As vacinas conseguem reduzir, mas não eliminar completamente a capacidade de transmissão do SARS-CoV-2. Também é importante lembrar que nenhuma vacina tem eficácia de 100%. Sabe-se, por isso, que haverá pessoas vacinadas, ainda que poucas, que ficarão doentes, embora a probabilidade de desenvolver doença grave seja muito reduzida.

E se as vacinas não forem suficientes para atingir a tão desejada imunidade de grupo no tempo que seria desejável? Há algo mais que se possa fazer?

É mais importante centrar a atenção na protecção de toda a população, e especialmente as pessoas mais vulneráveis, contra as formas mais graves da doença, do que na imunidade de grupo. Desse modo, estando todos protegidos das formas graves da doença, será mais fácil retomar as actividades sociais mesmo que a imunidade de grupo ainda não tenha sido plenamente atingida.

O SARS-CoV-2 pode contribuir para que o sistema imunitário dos humanos reforce as suas defesas para enfrentar futuras pandemias?

Não. A história de infecções passadas não permite ao sistema imunitário adquirir protecção contra infecções futuras (excepto em casos muito especiais de vírus com muitas semelhanças com vírus de infecções passadas).

Diário de Notícias
05 MAR 2021

 

 

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615: Mutação em proteína do SARS-Cov-2 torna-o até oito vezes mais infeccioso

 

SAÚDE/INFECÇÕES/COVID-19/MUTAÇÕES

Investigação revela que a mutação D614G, existente nas variantes britânica, sul-africana e brasileira, torna o novo coronavírus até oito vezes mais infeccioso nas células humanas, em comparação com o que surgiu na China.

© D.R.

Uma mutação na proteína Spike do SARS-Cov-2, existente nas variantes britânica, sul-africana e brasileira, torna o novo coronavírus até oito vezes mais infeccioso em células humanas do que o que surgiu inicialmente na China, revela um estudo científico.

A investigação, publicada na revista eLife, liderada por especialistas da Universidade de Nova Iorque (UNY), do Centro do Genoma de Nova Iorque e do Hospital Mount Sinai, “confirma as descobertas de que a mutação D614G torna o SARS-CoV-2 mais transmissível”.

Estas descobertas acrescentam “um consenso cada vez maior” entre os cientistas de que esta mutação é mais infecciosa, mas ainda não é claro se a sua rápida propagação “tem um impacto clínico na progressão da doença”, já que vários estudos sugerem que esta mutação “não está associada a uma doença mais grave ou à hospitalização”, indicou a UNY em comunicado.

Mutação “atingiu uma prevalência quase universal”

Um dos autores do estudo, Neville Sanjana, daquela universidade, assinalou que nos meses que se seguiram ao início da investigação, a D614G “atingiu uma prevalência quase universal” e está incluída em todas as variantes relevantes atualmente.

“Confirmar que a mutação conduz a uma maior transmissibilidade pode ajudar a explicar, em parte, por que o vírus se propagou tão rapidamente no último ano”, acrescentou.

Esta mutação, que está localizada na proteína Spike (a que o vírus utiliza para entrar nas células), surgiu provavelmente no início de 2020 e é agora a forma mais prevalecente e dominante em muitos países do mundo.

Para o estudo, os cientistas introduziram um vírus com a mutação D614G em células humanas do pulmão, fígado e cólon. Paralelamente introduziram uma versão do mesmo vírus sem a mutação nos mesmos tipos de células, e compararam os resultados, concluindo que a variante D614G aumentava a transmissibilidade do vírus “até oito vezes em comparação com o vírus original”, além de o tornar mais resistente.

Descobertas “podem influenciar” o desenvolvimento da vacina contra a covid-19

A equipa destacou que estas descobertas “podem influenciar” o desenvolvimento da vacina contra a covid-19, nomeadamente, incluindo nas futuras vacinas de reforço “diversas formas da proteína Spike, das diferentes variantes em circulação”.

As vacinas licenciadas e as vacinas em desenvolvimento foram criadas utilizando a sequência original da proteína Spike, e estão agora em curso estudos para avaliar a sua eficácia contra as variantes que surgiram no Reino Unido, África do Sul e Brasil, todas elas contendo a mutação D614G, recorda o estudo.

Trabalhos recentes sugerem que as vacinas com a forma inicial de D614 podem proteger contra a forma mais recente, embora seja necessário mais trabalho para compreender como as múltiplas mutações podem interagir umas com as outras e afectar a resposta imunitária.

Diário de Notícias
Lusa
19 Fevereiro 2021 — 08:11

 

 

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595: Variante britânica sofreu mais uma mutação. Cientistas mostram-se preocupados

 

SAÚDE/COVID-19/VARIANTES

A variante britânica do novo coronavírus está a espalhar-se no Reino Unido e não só. Esta poderá ser responsável por 50% das infecções na zona de Lisboa e Vale do Tejo em Portugal e, de acordo com cientistas, aparenta estar a sofrer uma nova mutação.

Vários testes em algumas amostras mostram a mutação – a que foi dado o nome de E484K – já detectada na estirpe da África do Sul e do Brasil. Para já, os especialistas britânicos encontraram apenas alguns casos, cerca de uma dezena.

Os investigadores, que se mostram preocupados com as novas mutações, sugerem que estas alterações podem afectar a eficácia da vacina. Contudo, acreditam que as vacinas que estão a ser usadas actualmente devem funcionar.

No Reino Unido as medidas de controlo já foram apertadas para evitar a transmissão da nova variante e de outras, como a sul-africana, que levou a uma campanha massiva de testagem em alguns bairros de Londres e outras zonas de Inglaterra. Foram ainda introduzidas restrições à entrada no país, medidas que afectam também quem as ligações entre Portugal e o Reino Unido.

Em 214 159 amostras analisadas, os especialistas da Public Health England (instituto de saúde inglês) encontraram 11 casos da variante britânica com a mutação E484K.

Embora estejam preocupados, os cientistas não ficam surpreendidos com estes resultados, uma vez que todos os vírus sofrem mutações.

Porém, é “um desenvolvimento preocupante, embora não totalmente inesperado”, refere Julian Tang, especialista em vírus da Universidade de Leicester, em declarações à BBC.

A epidemiologista defende que é necessário que continuem a ser observadas as medidas sanitárias para travar a disseminação do vírus, de modo a reduzir as mutações.

Tang instou a população a respeitar as restrições vigentes para travar a pandemia, uma vez que “os vírus não apenas se propagam, como também evoluem” para se adaptarem ao meio envolvente.

“Caso contrário, o vírus não só pode continuar a espalhar-se, como também pode evoluir”, alerta Tang.

Segundo a BBC, alguns estudos sugerem que a mutação E484K pode ajudar o vírus a escapar da acção dos anticorpos. A Moderna é uma das farmacêuticas que indicou, no entanto, que os resultados da sua vacina indicam que o fármaco ainda é eficaz contra as variantes com esta mutação.

De acordo com a agência de notícias espanhola (Efe), o académico junta-se a outros especialistas que alertam que a propagação desta mutação dentro da variante detectada no Reino Unido pode ter um efeito negativo sobre a eficácia das vacinas, como acontece com as variantes detectadas no Brasil e na África do Sul, ainda que as actuais vacinas consigam oferecer um certo nível de protecção.

Caso seja necessário, as farmacêuticas podem reajustar o processo de desenvolvimento das vacinas, tendo em conta esta nova realidade.

Várias localidades inglesas começam hoje a fazer análises ao domicílio para detectar e isolar casos positivos da variante com origem na África do Sul, face aos indícios que se está a estender entre a população do Reino Unido.

O governo conservador britânico confirmou na segunda-feira esta iniciativa, depois de se terem detectado em diferentes pontos do país os primeiros casos dessa variante que não estão relacionados directamente com viagens à África do Sul ou a outros casos positivos conhecidos.

Ana Moura Ana Moura, ZAP // Lusa

Por Ana Moura
2 Fevereiro, 2021

 

 

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