1008: Há medicamentos para a diabetes que podem atrasar a progressão do Alzheimer

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Um novo estudo encontrou uma associação entre uma classe particular de medicamentos usados para tratar diabetes tipo 2 e redução de bio-marcadores da doença de Alzheimer.

A razão pela qual este medicamento está a surtir este efeito neuro-protector é desconhecida, mas cientistas pedem agora ensaios clínicos em grande escala para explorar esses tratamentos potenciais em grupos não diabéticos, escreve o New Atlas.

Investigadores observaram taxas mais altas de demência em pacientes com diabetes tipo 2. Um estudo realizado no início do ano sugeriu que tensão alta pode explicar a relação entre diabetes e demência, mas ainda não é claro o que liga as duas condições.

Por outro lado, tem havido cada vez mais observações de taxas anormalmente baixas de doenças neuro-degenerativas em grupos de pacientes diabéticos que tomam alguns medicamentos anti-diabéticos.

Um outro estudo mostrou que pacientes idosos que tomavam metformina registaram um declínio cognitivo mais lento em comparação com pessoas sem diabetes que não tomavam esta medicação.

Agora, este novo estudo científico analisou uma classe particular de medicamentos para diabetes chamados inibidores da dipeptidil peptidase 4 (DPP-4i), também conhecidos como gliptinas.

Os investigadores compararam dados de TACs ao cérebro e resultados de testes cognitivos de 70 pacientes diabéticos que tomavam DPP-4i, 71 pacientes diabéticos que não tomavam DPP-4i e 141 pacientes não-diabéticos.

Todos os participantes mostraram os primeiros sinais da doença de Alzheimer e tinham uma idade média de 76 anos.

Acompanhados ao longo de cerca de seis anos, os pacientes diabéticos que se medicavam com DPP-4i apresentaram taxas significativamente mais lentas de declínio cognitivo em comparação com os outros grupos.

Olhando para aquele que é o bio-marcador primário da doença de Alzheimer, a acumulação de proteína amilóide no cérebro, o estudo descobriu que os pacientes que tomavam DPP-4i tinham níveis médios mais baixos do que outros pacientes diabéticos e não diabéticos.

“Pessoas com diabetes demonstraram ter um risco maior de doença de Alzheimer, possivelmente devido aos altos níveis de açúcar no sangue, que foram associados à acumulação de beta amilóide no cérebro”, disse o co-autor Phil Hyu Lee, citado pela Academia Americana de Neurologia.

Os resultados do estudo foram recentemente publicados na revista científica Neurology.

Por Daniel Costa
19 Agosto, 2021

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326: Conhecido medicamento para diabetes pode conter um carcinógeno

SAÚDE

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A Food and Drug Administration, agência federal e reguladora do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, está a testar amostras de metformina, um medicamento para diabetes que pode conter o carcinógeno N-Nitrosodimetilamina (NDMA).

De acordo com a Mayo Clinic, a metformina é, geralmente, a primeira medicação prescrita a pacientes com diabetes tipo 2. A droga reduz a produção de glicose no fígado e aumenta a sensibilidade do corpo à insulina, para que a use com mais eficácia.

De acordo com o WebMd, mais de 30 milhões de pessoas nos Estados Unidos têm diabetes – e entre 90 a 95% são do tipo 2. A metformina é o quarto medicamento mais prescrito nos Estados Unidos.

O anúncio da Food and Drug Administration acontece após a o anulamento de três versões da metformina em Singapura e a solicitação da Agência Europeia de Medicamentos para que os fabricantes a testem em busca de NDMA, de acordo com a Bloomberg News.

“A agência está nos estágios iniciais do teste da metformina. No entanto, a agência não confirmou se o NDMA em metformina está acima do limite aceitável de ingestão diária (ADI) de 96 nanogramas nos Estados Unidos”, disse Jeremy Kahn, porta-voz da FDA. “Não se espera que uma pessoa que esteja a tomar um medicamento que contenha NDMA diariamente no ou abaixo do limite aceitável de ingestão diária durante 70 anos tenha um risco aumentado de cancro”.

A Valisure, uma farmácia online norte-americana que testa todos os lotes de medicamentos vendidos antes de distribuí-los, rejeitou 60% da sua metformina desde que iniciou os testes em busca de NDMA em Março. “O público deveria preocupar-se com a crescente descoberta de substâncias cancerígenas em medicamentos, especialmente naqueles que são tomados diariamente, onde até pequenas contaminações podem aumentar com o tempo”, afirmou David Light, CEO da Valisure.

Enquanto a FDA investiga, as autoridades apelaram aos pacientes com diabetes para que não parem de tomar metformina. “Esta é uma condição séria e os pacientes não devem parar de tomar a metformina sem antes conversar com o seu médico”.

A contaminação de drogas com esta mesma substância já levou à anulação de medicamentos para pressão arterial e azia nos últimos dois anos.

ZAP //

Por ZAP
8 Dezembro, 2019

 

252: Como um remédio da diabetes pode combater a malária

Sara Matos / Global Imagens

Equipa de Maria Mota, no Instituto de Medicina Molecular, descobriu “interruptor” que dita virulência do parasita. E fármaco que o afecta

O combate ao Plasmodium, parasita causador da malária, é um dos principais desafios do planeta em termos de saúde pública. Apesar dos progressos alcançados neste milénio, com quebras significativas no número de casos e de mortes, o balanço desta doença continua a ser assustador: em 2012, mais de 200 milhões pessoas tinham a doença e cerca de 627 mil morreram. Sobretudo na África subsariana e no Sul da Ásia e entre as crianças com menos de 5 anos. Não existe outro ser vivo no planeta – à excepção do próprio ser humano – tão eficaz a matar a nossa espécie.

Para alguns, a guerra contra este minúsculo inimigo, transmitido por mosquitos, tem de ser combatida sem quartel e até às últimas consequências. É o caso da Fundação Bill & Melinda Gates, que já assumiu compromissos da ordem dos dois mil milhões de euros para o combate direto à doença, acrescidos de cerca de 1,5 mil milhões para a luta combinada contra o HIV, tuberculose e malária.

O multimilionário casal de norte-americanos, donos da Microsoft, – responsável por cerca de 50% de todo o investimento nesta área -, só aceita um desfecho: um mundo livre da malária.

Mas também há quem tenha dúvidas de que uma doença espalhada por cerca de cem países, que tem relevado grande resiliência após décadas de combate, possa simplesmente ser erradicada da face da terra. Maria Mota, diretora-executiva do Instituto de Medicina Molecular (IMM) e uma das maiores especialistas mundiais nesta doença, está entre os cientistas que acreditam que as hipóteses de sucesso estão mais em tentar dominar o parasita do que em conseguir exterminá-lo.

No laboratório que lidera, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, investigadores portugueses e estrangeiros, alunos recém-licenciados e bolseiros de pós-doutoramento, trabalham unidos pelo objetivo de procurar fragilidades no Plasmodium que possam ser utilizadas para o enfraquecer e controlar.

“Tudo o que trabalhamos aqui é só malária e o nosso objetivo nunca foi desenhar uma vacina ou um fármaco contra a malária, porque o nosso projeto não é nesse sentido”, explica Maria Mota. “O nosso objetivo é, no fundo, perceber melhor o inimigo, compreendê-lo melhor.”

A frase poderia ser uma citação de A Arte da Guerra, de Sun Tzu, e a investigadora não tem problemas em assumir a analogia militar. “Se temos um exército que queremos atacar, se o entendermos, o ataque pode ser feito de forma mais funcional”.

No caso concreto, explica, “o objetivo é compreender como é que o parasita da malária vive dentro de nós, e como é que vive tão bem, o que é que ele usa de nós – porque é um parasita. Se percebermos o que é que lhe fornecemos, simplesmente podemos tratar isso”.

A dieta e o remédio da diabetes

Maria Mota não fala em abstrato. Muitas das descobertas que a sua equipa tem feito ao longo dos anos baseiam-se nesta abordagem. E uma das mais recentes, ainda em fase de investigação, poderá conter a chave para que a doença venha finalmente a ser dominada.

“Compreendemos que um parasita como a malária tem a capacidade de perceber o seu ambiente, nomeadamente o estado do hospedeiro”, conta.

Os diferentes regimes alimentares das populações afetadas e a forma como estes se relacionam com a intensidade dos casos de malária são um dos principais focos da investigação. “Ele [parasita] adapta a sua replicação e a sua virulência de acordo com o que o hospedeiro come”, conta.

Esta é uma conclusão que tem motivado alguma polémica. ” Recebi um e-mail de uma pessoa a dizer: como é que é possível estar a propor que as pessoas em África passem fome”, conta a investigadora. “Obviamente” não é isso que pretendem os investigadores. “O objetivo é perceber qual é o interruptor que permite que o parasita passe a replicar-se menos”, explica. “Se o manipularmos, conseguimos fazer que o parasita seja menos virulento e passe a ser mais atenuado”.

Unir remédios para ter sucesso

Associada a esta descoberta está outra, que deu origem a um projeto de investigação autónomo, intitulado “Reuse4malaria”, que foi recentemente apoiado com uma bolsa avançada do Conselho Europeu de Investigação. A equipa de Maria Mota já descobriu uma forma de interferir com esse interruptor. E a boa notícia é que os meios para o fazer já existem, em larga escala. “O mais engraçado é que este interruptor ou esta molécula no parasita – chamemos-lhe assim – é afetada por uma droga que já é utilizada para a diabetes, que é a metformina.” O objetivo do projeto de investigação não é usar este fármaco para eliminar a malária e sim descobrir a melhor forma de o utilizar de modo a que o parasita “se replique menos” e que, “provavelmente associado a outras terapias, acabe por matá-lo mais rapidamente”.

A ideia de não matar diretamente o parasita poderá não ser tão popular como outras abordagens mais radicais. Mas, do ponto de vista da investigadora, tem melhores hipóteses de sucesso: “O parasita provavelmente nem vai criar resistência, não vai por ali para tentar “fugir” a isto. Simplesmente vai sentir que está num ambiente diferente e vai viver de uma forma diferente, o que para nós é mais agradável.”

No entanto, a expectativa é que esta abordagem, combinada com outras terapias, possa mesmo ser um passo decisivo para eliminar a doença. “No fundo, vamos precisar das várias ferramentas que estamos a desenvolver”, diz Maria Mota ao DN. Se para a Fundação Gates o objetivo é encontrar a magic bullet que extermine o parasita de uma vez, no laboratório do Instituto de Medicina Molecular procura-se um ataque em várias frentes.

“Sabemos que este fármaco em si não vai matar o parasita. Terão de ser dadas combinações. Este fármaco com outros que matem o parasita”, assume. “Este baixa o número, não cria resistência e temos outro a seguir. Essa provavelmente poderia ser uma fórmula vencedora”, considera, ressalvando estarmos “só ainda na hipótese teórica”. O certo é que a equipa de Maria Mota já está a testar combinações, nalguns casos utilizando fármacos da mesma linha do que combate a diabetes e, noutros, recorrendo a medicamentos já existentes no mercado para combater a doença. O desafio é encontrar “a combinação perfeita”.

Diário de Notícias
investigação
07 DE AGOSTO DE 2017 | 00:01
Pedro Sousa Tavares

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