1185: No Reino Unido, o aumento de infeções está a causar preocupação. O que explica este cenário?

SAÚDE PUBLICA/COVID-19/REINO UNIDO

Facundo Arrizabalaga / EPA

No Reino Unido, os casos e internamentos estão a subir, sendo que alguns especialistas já apelam a um regresso de algumas restrições antes do inverno. Mas o que pode estar a causar este aumento dos números?

Numa altura em que a subida das infecções está a preocupar vários especialistas britânicos, o Governo de Boris Johnson está a ser desafiado a adoptar um “plano B”, de regresso a algumas restrições para impedir contágios da covid-19 antes do inverno. A preocupação é proteger o sistema nacional de saúde que já está novamente próximo do limite.

O Reino Unido, que foi um dos países do mundo a avançar mais rapidamente para o processo de vacinação, está agora a assistir a um aumento de casos que pode ser comparável com os meses assoladores do inverno passado, refere a BBC.

O número de pessoas com teste positivo para a covid-19 tem aumentado nas últimas semanas e já houve dias em que se registaram 40.000 casos.

Embora grande parte da população já esteja vacinada, há outros factores que podem justificar esta situação.

De acordo com a BBC, houve um relaxamento do uso de máscara por parte dos britânicos. Os habitantes de Inglaterra mostram ter uma probabilidade significativamente mais alta de não usar qualquer tipo de protecção facial, comparando com pessoas que vivem, por exemplo, na Alemanha, França, Espanha ou Itália.

Vários estudos já comprovaram que o uso de máscara é fulcral para prevenir a infecção, ainda assim, desde que o processo de vacinação começou a acelerar, muitos habitantes optaram por pôr de lado o uso desta protecção mesmo quando se encontram em zonas de grande fluxo de pessoas.

Uma outra razão que pode explicar esta nova onda de infecções é o facto do Reino Unido ter abandonado a maior parte das restrições mais cedo do que a maioria dos restantes países da Europa Ocidental.

As pessoas tiveram “autorização” para começar a frequentar bares e discotecas no início do verão, enquanto na maior parte dos outros países europeus este passo só foi dado mais tarde. Veja-se o caso de Portugal, em que os estabelecimentos de diversão nocturna só reabriram no início de Outubro.

Por outro lado, uma pesquisa do Imperial College também sugere que os britânicos são ligeiramente mais propensos, do que alguns dos seus vizinhos europeus, a usar transportes públicos e têm menos tendência a evitar sair de casa.

Há ainda uma outra situação que pode influenciar esta subida drástica de casos: em Inglaterra há cada vez mais pessoas a deixaram o teletrabalho e a voltarem ao trabalho presencial.

A questão da imunidade da vacina

Apesar de Inglaterra ter sido um dos primeiros países a avançar com o processo de vacinação em massa, esse avanço pode estar agora a ter consequências negativas, já que as pessoas que foram vacinadas há mais tempo podem estar a perder a tão desejada imunidade.

Um estudo sugere que a protecção da vacina contra a infecção do vírus diminui significativamente após cinco ou seis meses da toma das suas doses – o que também pode justificar o cenário de aumento de casos.

Contudo, embora o Reino Unido seja pioneiro no processo de vacinação, há um grupo populacional que foi sendo deixado para trás: as crianças.

As vacinas para crianças de 12 a 15 anos no Reino Unido só começaram a ser administradas a 20 de Setembro. Até agora, apenas 15% dos jovens dos 12 aos 15 anos recebeu uma dose da vacina, o que comparado com muitos países coloca o Reino Unido no fim da lista de países com uma boa taxa de vacinação em menores.

Em declarações ao Público, Tiago Correia, professor de Saúde Internacional e investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, destaca ainda que em Inglaterra os níveis de vacinação não são suficientemente altos para evitar um aumento do número de casos.

Esta razão é corroborada pelos números, que indicam que o país só tem 66% da população totalmente vacinada e a administração da terceira dose aos mais vulneráveis não está a ser tão rápida quanto esperado, realça o The Guardian.

O especialista coloca em cima da mesa outro factor que pode contribuir para este aumento, recordando que a vacina mais usada para inocular os britânicos foi a da Oxford/AstraZeneca – que apresenta uma taxa de eficácia mais baixa do que, por exemplo, a da BioNTech/Pfizer (a vacina mais usada em Portugal).

Tiago Correia diz ainda que o aumento já era previsto pelo SAGE, o grupo de especialistas que aconselha o Governo.

Surge a dúvida de qual é o limite a atingir para que se tome a decisão política de voltar a impor algumas restrições.

Esta quarta-feira, após o Governo rejeitar adoptar o chamado “Plano B” e voltar a impor algumas medidas, o organismo que junta os serviços públicos de saúde (NHS) de Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte apelou à reintrodução do uso obrigatório de máscara em locais fechados e com muitas pessoas.

Caso não o faça, os serviços de saúde vão enfrentar “uma crise no Inverno”, alertou o chefe executivo do organismo, Matthew Taylor.

A seu ver, frisa Tiago Correia, continua a ser cedo para discutir se poderá vir a ser necessário aplicar medidas mais restritivas novamente. Tudo dependerá da evolução da pandemia.

Por Ana Isabel Moura
21 Outubro, 2021

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1165: Eis a Melhor Forma de Lavar a Sua Máscara

SAÚDE PÚBLICA/CIÊNCIA/MÁSCARAS

Quer esteja a usar uma máscara cirúrgica descartável ou uma máscara de tecido, eis como garantir que o seu equipamento de protecção permanece higienizado.

Se costuma sair de máscara e luvas, descubra como as limpar, quando as deve descartar e as razões pelas quais não deve recear a presença do coronavírus nas suas roupas.
Fotografia de Bobby Doherty, National Geographic

Usar uma máscara em público costumava estar associado ao Carnaval, ao Halloween, ou a um assalto a um banco. Contudo, em poucos meses, devido à COVID-19, esta peça de vestuário tornou-se num item do nosso quotidiano.

A Organização Mundial de Saúde recomenda a utilização de uma máscara cirúrgica – como as usadas nos hospitais – apenas se nos sentirmos doentes ou se estivermos a cuidar de uma pessoa doente. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA vai ainda mais longe e aconselha uma protecção de tecido para quem necessita de frequentar locais com muitas pessoas. E há quem exceda estas directrizes oficiais e use também luvas reutilizáveis ou descartáveis.

Contudo, os especialistas alertam que a utilização indevida de qualquer um destes equipamentos de protecção pode potencialmente resultar numa exposição a germes – porque as próprias máscaras e luvas ficam contaminadas se não forem limpas ou trocadas com frequência, e podem contaminar as nossas mãos ou coisas em que mais tarde tocamos sem protecção.

“Quando vejo alguém [a usar luvas] a tocar em balcões e depois coloca as mãos na carteira, penso: Agora criaram uma contaminação cruzada e anularam qualquer protecção que estejam a usar”, diz Jade Flinn, educadora de enfermagem na unidade de bio-contenção da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland.

O distanciamento social e a lavagem frequente das mãos continuam a ser as melhores armas, dizem os especialistas, para evitar a propagação ou infecção por SARS-CoV-2, o vírus responsável por esta pandemia global.

O CDC publicou instruções passo a passo para a remoção das luvas e recomenda que se lavem as mãos depois deste processo.
Fotografia de Bobby Doherty, National Geographic

Se costuma sair de máscara e luvas, descubra como as limpar, quando as deve descartar e as razões pelas quais não deve recear a presença do coronavírus nas suas roupas.

Como limpar uma máscara de tecido
De acordo com a OMS e o CDC, um ciclo de lavagem padrão na máquina da roupa é suficiente para retirar o coronavírus dos tecidos.

“Dado que se trata de um vírus envelopado, é muito susceptível aos detergentes”, diz Rachel Graham, virologista da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. O envelope que encapsula vírus como a influenza e o SARS-CoV-2 é composto por uma camada delicada de proteínas e lípidos oleosos, que se mantêm unidos através de uma tensão superficial.

Os detergentes para a roupa e os sabonetes contêm surfactantes, químicos que desfazem facilmente o envelope, reduzindo a tensão superficial, explica Joshua Santarpia, patologista do Centro Médico da Universidade do Nebrasca, em Omaha. As moléculas de surfactante têm uma extremidade que é atraída pelos óleos e gorduras, e outra que é atraída pela água. A extremidade atraída pelo óleo encaixa-se no envelope do coronavírus, quebrando-o. O restante fica preso em vagens circulares do surfactante, chamadas micelas, e é lavado pela água.

“A interacção deste surfactante com o envelope viral destrói rapidamente a capacidade de infecção do vírus”, diz Santarpia. Grande parte dos produtos de limpeza, sejam domésticos ou comerciais, contêm surfactantes potentes.

A temperatura da água da máquina de lavar não faz diferença, desde que se use detergente. “As máscaras de algodão suportam temperaturas mais elevadas; portanto, se se sentir mais confiante com uma lavagem de temperatura mais elevada, pode fazê-lo”, diz Graham. E as concentrações de calor de um secador oferecem protecção adicional: é o suficiente para matar a maioria dos microrganismos.

E se estiver a usar uma máscara cirúrgica ou um respirador N95?
Ao contrário do que acontece com as máscaras de tecido, as máscaras cirúrgicas descartáveis são feitas de produtos sintéticos que não suportam o ciclo normal de lavagem da máquina.

“Se lavar estas máscaras, vai provocar muitos danos na sua capacidade de filtragem”, diz Santarpia. Os profissionais de saúde têm reutilizado os respiradores N95 por questões de necessidade – máscaras mais justas e em forma de cúpula que são consideradas as únicas que filtram eficientemente as pequenas partículas como os vírus. As instalações onde Flinn e Santarpia trabalham usam desinfectantes de nível hospitalar que preservam a integridade das máscaras durante o processo de limpeza.

E o hospital onde Santarpia trabalha, no Nebrasca, também está a higienizar máscaras com luz UV-C, um tipo de luz ultravioleta com muita intensidade energética. Isto permite que a equipa reutilize as suas máscaras várias vezes, diz Santarpia. De acordo com o CDC, como a UV-C é considerada mais intensa e tem mais probabilidades de provocar cancro do que a UV-A e a UV-B, esta forma de esterilização só deve ser feita com a supervisão de especialistas treinados na utilização de luz UV-C.

Para o público em geral, é importante lembrar que, idealmente, só se devem usar as máscaras cirúrgicas uma vez – e se for imperativo reutilizar a máscara, esta deve ser colocada de parte durante tempo suficiente para o vírus se degradar.

“A mensagem a reter é a de que o vírus pode permanecer infeccioso durante várias horas, potencialmente alguns dias, em várias superfícies, incluindo nas máscaras.”
por AMANDINE GAMBLE, UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA, LOS ANGELES

E quanto tempo é? Os cientistas ainda estão a tentar descortinar exactamente qual é a duração do vírus SARS-CoV-2 nas superfícies, no ar e nas máscaras. As evidências preliminares divulgadas em finais de Abril, ainda sem uma revisão por pares, encontraram vestígios do coronavírus que persistiram durante um período considerável nos respiradores N95.

“A mensagem a reter é a de que o vírus pode permanecer infeccioso durante várias horas, potencialmente alguns dias, em várias superfícies, incluindo nas máscaras”, diz Amandine Gamble, uma das autoras do estudo e especialista em doenças infecciosas da Universidade da Califórnia em Los Angeles. Amandine suspeita que o coronavírus pode ficar nas fibras de uma máscara, representando um risco até que o germe se degrade espontaneamente com o tempo. Por esse motivo, o CDC desaconselha a utilização de um respirador N95 durante mais de oito horas no total e, a não ser que o fabricante tenha outras especificações, estes filtros faciais devem ser descartados após cinco reutilizações.

E mesmo fora dos hospitais, a reutilização continuada dos respiradores pode fazer com que o vírus se acumule ao longo do tempo e pode aumentar as probabilidades de exposição acidental do seu utilizador.

“É importante ter em mente que as probabilidades de infecção aumentam com o número de partículas virais encontradas”, diz Amandine. “Não é um processo de ligar-desligar, mas sim gradual.”

Podemos lavar e reutilizar luvas?
As organizações de saúde pública não recomendam a utilização de luvas de qualquer tipo para evitar a infecção por coronavírus.

“Desde que a nossa pele esteja intacta, é uma barreira imunitária muito eficaz”, diz Graham, acrescentando que também não existem evidências de que o coronavírus consiga atravessar ferimentos, e que não circula bem na corrente sanguínea.

Porém, para quem está muito preocupado, se não quiser seguir as directrizes de saúde e deseja ter uma camada de protecção extra, deve ter o mesmo tipo de cuidado que teria se não estivesse a usar luvas.

“A minha preocupação é a de que algumas pessoas pensem que estão protegidas pelas luvas”, diz Jane Greatorex, virologista da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. “As luvas devem ser descartadas ou lavadas da mesma forma que lavamos as mãos.”

O CDC publicou instruções passo a passo para a remoção das luvas e recomenda que se lavem as mãos depois deste processo.

“As luvas descartáveis não devem ser lavadas, porque é provável que fiquem com brechas” diz Santarpia. “As pessoas devem concentrar-se muito mais na higienização das mãos do que na utilização de luvas.”

E em relação ao resto da roupa?
Ir ao supermercado não significa que precisamos de deitar a roupa fora. Os vírus envelopados, como o coronavírus, não sobrevivem facilmente em superfícies porosas, como nas camisas de algodão, em blusas de poliéster ou nas calças de ganga.

Os coronavírus propagam-se maioritariamente através de gotículas respiratórias, que são principalmente água e mantêm o vírus húmido até este atingir outro corpo. Com o passar do tempo – entre alguns dias a uma semana – os vírus secam e deterioram-se, diz Gerardo Lopez, microbiologista ambiental da Universidade do Arizona que estudou a forma como os vírus se transmitem em várias superfícies.

“Não é com as roupas que nos devemos preocupar.”

Com um germe que se propaga tão facilmente como o SARS-CoV-2, Gerardo diz que o importante é limpar tudo – mãos, máscaras, maçanetas das portas, telemóveis – que tenha contacto humano frequente. “Não subestime a possibilidade de um vírus permanecer nos objectos”, acrescenta Gerardo.

Não é com as roupas que nos devemos preocupar. Quando as gotículas respiratórias entram em contacto com um tecido como o algodão, o tecido absorve um pouco da humidade, seca as gotículas e expõe as partículas do vírus e o seu frágil envelope ao ar.

“A camada externa de lípidos seca e a proteína que necessita para se ligar aos receptores fica inoperante”, diz Gerardo. O material genético do vírus pode manter-se, “mas perde a sua viabilidade”, acrescenta. E as máquinas de lavar roupa tratam bem do resto.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

Por Sarah Gibbens
Publicado 1/06/2020, 15:34

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1160: E depois da máscara, o que se segue? Mais infecções respiratórias e alergias

SAÚDE PÚBLICA/MÁSCARAS/ALERGIAS/INFECÇÕES

A máscara foi uma arma protectora durante a pandemia, mas o que se segue “é o que era normal”. Vamos ter mais infecções e mais alergias. Só é preciso que a população tome cuidados.

Deixar de usar máscara pode trazer de novo irritabilidade na garganta, espirros, congestionamento nasal.
© André Rolo Global Imagens

A pandemia da covid-19 trouxe a Portugal o uso obrigatório de máscara como forma de protecção contra o SARS CoV-2, quer se estivesse no espaço exterior ou interior, no trabalho, nas escolas, em áreas comerciais ou em instituições pública. A medida foi mesmo imposta pelo Decreto-lei n.º 10-A/2020, de 13 de Março.

Um ano e sete meses depois, mais precisamente desde o dia 1 de Outubro, em Portugal, o uso de máscara deixou de ser obrigatório ao ar livre, e sempre que seja possível manter a distância, mas ainda se mantém em espaço fechados e com áreas superior a 400 metros quadrados, nas escolas, salas de espectáculos, cinemas, recintos de eventos, transportes, estabelecimentos e serviços de saúde.

Ao longo da pandemia, a máscara revelou ser uma das medidas mais protectoras contra o novo coronavírus, mas à medida que a vacinação avança, e Portugal atingiu este fim de semana 85% de população vacinada, o primeiro país do mundo a fazê-lo, é normal que a população, aos poucos, comece a retirá-la. E a partir daqui o que pode acontecer? A médica Elisa Pedro, presidente cessante da Sociedade Portuguesa de Imunoalergologia, diz que é muito simples: “Vamos voltar ao normal, com mais infecções respiratórias para a população em população em geral e mais sintomatologia para os doentes alérgicos”.

Este era o quadro que existia antes da pandemia e é o que virá a seguir. Antes já se estimava que um terço da população sofria de doenças alérgicas e este número também não vai mudar. O que se verificou é que “a máscara funcionou como uma barreira protectora em relação ao vírus pandémico, mas também em relação à transmissão de infecções respiratórias, como a gripe e outras, para a população em geral. No inverno passado, tivemos muito menos gripe.

Na primavera, os próprios doentes alérgicos tiveram menos sintomatologia do que costumavam ter habitualmente. Tivemos muito menos queixas de rinite, por exemplo”,argumenta a médica e directora do Serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte. Embora, sublinha, “tenham mantido as queixas de conjuntivite, uma forma de alergia, e porque a máscara não lhes protegia os olhos, o que foi uma constatação interessante”.

A máscara protegeu os portugueses em relação aos vírus e aos agentes alergénios. Agora, com a retirada da máscara, é normal que estas situações voltem a reaparecer. Vai ser normal que as pessoas desenvolvam situações de infecções respiratórias em que os sintomas sejam de comichão na garganta, tosse, congestionamento das vias superiores, etc.

No entanto, “o retirar-se a máscara não significa que vamos ter mais doentes alérgicos. Não é assim, porque a doença alérgica tem uma componente genética. O que vai acontecer é que a população em geral possa desenvolver mais situações de infecção respiratória, do que se tivesse a usar a máscara, e que os doentes alérgicos podem vir a registar mais sintomatologia em relação às suas alergias”.

O único conselho é que voltem a ter mais cuidados com a exposição a certos ambientes, como às diferenças de temperatura, quente e frio, à poluição, aos ácaros, etc. “Se for num transporte público e alguém com uma infecção respiratória, gripe, laringite ou faringite, por exemplo, começar a espirrar é normal, se não estiver a usar máscara, que a transmissão aconteça”, explica: “Por isso, é que a Direcção-Geral da Saúde tem insistido tanto na vacinação contra a gripe”, sublinha a médica.

Mas não só. “É importante que as pessoas percebam que têm de ter, sobretudo nesta época, mais cuidado com a exposição às situações de quente e frio, a situações de ácaros, poluição, etc. Há também, mas isso só é possível por indicação médica, a vacinação contra bactérias, que também reforçam o sistema imunitário. É uma vacina que os nossos doentes asmáticos fazem muito nesta altura. Depois, é ter hábitos de alimentação saudáveis, fazer um reforço de vitamina C, comer vegetais e fruta, evitar situações de resfriados, mudança de temperatura, molhas, manter cuidados de protecção individuais”.

De uma forma ou de outra, o voltar ao normal passará pela retirada do uso de máscara como forma de nos proteger contra o SARS COV-2, mas não quer dizer que esta deixe deva ser posta de lado totalmente, porque em muitas situações, e sobretudo para quem já tem um sistema imunitário vulnerável, esta continua a ser uma barreira de protecção. Basta olhar para muitos países da Ásia em que a máscara faz parte dos hábitos diários como forma de protecção em relação a doenças e a ambientes poluidores.

Retrato das alergias em Portugal

Um terço da população portuguesa sofre de alergias, mas muitos destes ainda não têm diagnóstico médico e outros não são tratados adequadamente. A alergia é uma doença que tem uma componente genética e as doenças mais frequentes são a rinite e a asma.

Rinite Alérgica

Corresponde a uma inflamação crónica da mucosa nasal desencadeada pelo contacto com poeiras comuns no meio ambiente (aeroalergénios – ácaros do pó, pólenes, fungos, faneras de animais), em indivíduos a elas sensibilizados. Os sintomas mais característicos são a obstrução nasal, o “pingo”, os espirros e a “comichão” no nariz. A Rinite Alérgica pode associar-se a várias outras doenças (comorbilidades) existindo, por exemplo, uma forte associação com a asma (dada a via aérea única) em todas as idades.

Entre 10 a 40% dos doentes com rinite sofrem também de asma e mais de 80% dos asmáticos têm rinite. Estudos epidemiológicos sobre a doença alérgica em Portugal, dinamizados pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, revelaram uma prevalência estimada de rinite em indivíduos acima dos 16 anos de idade de 26.1%.

Asma

A asma afecta cerca de 700 mil portugueses (6,8% da população) – (300 milhões em todo o mundo), dos quais cerca de 175 mil crianças e adolescentes (8,4% das crianças). Cerca de metade dos doentes asmáticos portugueses não têm a sua asma controlada (51% crianças e 43% população geral). Isto deve-se à fraca adesão ao tratamento preventivo, regular e contínuo e à incorrecta utilização dos dispositivos inalatórios.

Contudo 9 em cada 10 doentes com asma não controlada, tem uma percepção errada do estado de controlo da sua doença, o que dificulta a procura de melhor tratamento. Isto deve-se ao facto de os doentes se habituarem a viver com as suas limitações, e isto não deve acontecer. Os doentes asmáticos podem ter uma vida normal como qualquer outra pessoa. A asma não deve limitar a sua qualidade de vida. As consequências do mau controlo da asma são as agudizações da asma, com necessidade de internamento, consultas de urgência e absentismo escolar e laboral. (1/3 das crianças asmáticas portuguesas é internada por asma pelo menos uma vez na vida – em média cada criança com asma vai 1 a 2 vezes ao ano aos serviços de urgência e falta 6 dias ao ano à escola).

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
11 Outubro 2021 — 00:22

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1126: DGS divulga normas para uso obrigatório de máscaras

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/MÁSCARAS/DGS

Normas da Direcção-Geral da Saúde vão ao encontro do que já tinha sido revelado pelas disposições do governo.

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas.
© JOÃO RELVAS/LUSA

O uso de máscaras devido à pandemia de covid-19 mantém-se em estabelecimentos e serviços de saúde, espaços comerciais e cabeleireiros ou barbeiros, segundo normas divulgadas na sexta-feira pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).

“Apesar da elevada cobertura vacinal em Portugal e da actual situação epidemiológica suportarem uma estratégia de flexibilização gradual, progressiva e proporcionada das medidas de saúde pública implementadas no contexto pandémico, a utilização de máscaras continua a ser uma importante medida de contenção da infecção, sobretudo em ambientes e populações com maior risco para infecção por SARS-CoV-2”, considera a DGS.

De acordo com as orientações divulgadas, o uso de máscara permanece obrigatório nas estruturas residenciais para pessoas idosas, unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, salas de espectáculo, cinemas, salas de congresso e recintos de eventos de natureza corporativa ou recintos improvisados para eventos.

Em relação aos espaços e estabelecimentos comerciais, a DGS explica que está incluído o uso de máscara em centros comerciais com área superior a 400 m2.

“Espaços e estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, em que necessariamente ocorra contacto físico com o cliente, por exemplo cabeleireiros, barbeiros ou esteticistas”, constam igualmente da lista da DGS.

Nos transportes colectivos de passageiros, incluindo táxis e TVDE há também a obrigação de usar máscaras, o mesmo acontecendo nas Lojas de Cidadão e nos recintos para eventos e celebrações desportivas.

“Nos termos da legislação em vigor, o uso de máscara é ainda obrigatório pelos profissionais de bares, discotecas, restaurantes e similares”, refere a orientação 011/2021 da DGS.

Numa outra orientação relativa às instituições de culto e religiosas, a DGS divulgou uma série de recomendações a adoptar pelos cidadãos e pelas instituições.

Promover a ventilação do local de culto, antes, durante e depois de uma celebração, se possível mantendo as janelas e portas abertas, higienizar todo o espaço, nomeadamente bancos, apoios e puxadores de portas, divulgar e incentivar medidas de protecção e distanciamento físico e disponibilizar um dispensador de solução à base de álcool para as pessoas desinfectarem as mãos são algumas das recomendações.

“As pias de água benta, junto à entrada das igrejas, deverão manter-se vazias”, refere ainda a DGS.

Em relação aos cidadãos que frequentam estas instituições, a DGS recomenda, por exemplo, que cumpram as orientações de entrada e saída, o uso de “máscara facial durante a celebração” e que mantenham a distância de outras pessoas, evitando saudações com contacto físico.

Diário de Notícias
DN/Lusa
02 Outubro 2021 — 01:32

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1120: Máscaras deixam de ser obrigatórias no trabalho

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/MÁSCARAS

Neil Hall / EPA

As máscaras de protecção deixam de ser obrigatórias no local de trabalho, salvo algumas excepções, mas os empregadores têm liberdade para decidir as medidas que garantam a protecção dos trabalhadores.

De acordo com o decreto-lei publicado esta quarta-feira, que prevê o alívio das restrições associadas à pandemia e que entra em vigor na sexta-feira, deixa de ser obrigatório o uso de máscaras nos locais de trabalho, mas os empregadores terão liberdade para definir o uso da protecção individual para prevenir a transmissão do coronavírus.

“Nos locais de trabalho, o empregador pode implementar as medidas técnicas e organizacionais que garantam a protecção dos trabalhadores, designadamente a utilização de equipamento de protecção individual adequado, como máscaras ou viseiras”, pode ler-se.

No entanto, continua a haver casos em que o uso de máscara ou viseira pelos trabalhadores será obrigatório: “trabalhadores dos bares, discotecas, restaurantes e similares, bem como dos estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços em que necessariamente ocorra contacto físico com o cliente.”

No decreto-lei, o Governo ressalva porém que, nestes casos, os trabalhadores podem ser dispensados de usar a máscara “quando, em função da natureza das actividades, o seu uso seja impraticável“.

O uso obrigatório de máscara mantém-se nos espaços comerciais com área superior a 400 metros quadrados, incluindo centros comerciais, esclarece o mesmo diploma.

De acordo com as medidas da terceira fase do desconfinamento, a partir de 1 de Outubro o uso de máscara é obrigatório também nas Lojas de Cidadão; nos estabelecimentos de ensino (excepto nos espaços de recreio ao ar livre); nas salas de espectáculos, cinemas, salas de congressos, recintos de eventos; estabelecimentos e serviços de saúde; estruturas residenciais ou de acolhimento ou serviços de apoio domiciliário para populações vulneráveis, pessoas idosas ou pessoas com deficiência e locais em que tal obrigação seja determinada em normas da Direcção-Geral da Saúde.

Também a partir desta sexta-feira, o Governo vai deixar de recomendar o teletrabalho e de obrigar as empresas com locais de trabalho com mais de 150 pessoas a testar os trabalhadores.

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“Estamos em condições para avançar para a terceira fase de desconfinamento.” Foi com esta frase que António Costa deu início…

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  ZAP // Lusa

Por ZAP
30 Setembro, 2021

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1118: Uso de máscara obrigatório em espaços comerciais com mais de 400m2

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/MÁSCARAS

O decreto-lei que altera as medidas excepcionais e temporárias relativas à pandemia de covid-19 esclarece que o alívio das medidas em espaços fechados.

© JN/Lusa

O uso obrigatório de máscara mantém-se nos espaços comerciais com área superior a 400 metros quadrados, incluindo centros comerciais, esclarece o diploma que prevê o alívio das restrições associadas à pandemia e que entra em vigor na sexta-feira.

De acordo com o decreto-lei que altera as medidas excepcionais e temporárias relativas à pandemia de covid-19, “é obrigatório o uso de máscaras ou viseiras para o acesso ou permanência no interior” dos “espaços e estabelecimentos comerciais, incluindo centros comerciais, com área superior a 400 m2”.

Na sexta-feira, um dia depois da aprovação do diploma em Conselho de Ministros, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) defendeu a necessidade de se clarificar na lei quais os espaços comerciais que iam continuar abrangidos pelo uso obrigatório de máscara a partir de 01 de Outubro.

Em declarações à Lusa, o director-geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier, considerou, na altura, positivo o alívio das restrições, mas sublinhou a necessidade de se “perceber o alcance desta medida”, realçando que, do ponto de vista legal, tudo indicava que a obrigatoriedade seria “para espaços superiores a dois mil metros quadrados”.

Lobo Xavier considerou que as declarações do primeiro-ministro após o Conselho de Ministros, que referiu que o uso de máscaras iria manter-se obrigatório nas grandes superfícies, “não foram completamente claras quanto aos outros espaços do retalho alimentar e do retalho especializado”.

O líder da APED considerou, no entanto, que os portugueses “tiveram um comportamento exemplar do cumprimento das regras ao longo de 18 meses e habituaram-se a entrar nos espaços e a colocar uma máscara”, pelo que acredita que “esse vai ser um hábito que ainda vai perdurar, independentemente da dimensão dos espaços”.

De acordo com as medidas da terceira fase do desconfinamento associadas à pandemia de covid-19, a partir de 01 de Outubro o uso de máscara é obrigatório também nas Lojas de Cidadão, nas escolas (excepto nos espaços de recreio ao ar livre), nas salas de espectáculos, cinemas, salas de congressos, recintos de eventos, estabelecimentos e serviços de saúde, estruturas residenciais ou de acolhimento ou serviços de apoio domiciliário para populações vulneráveis, pessoas idosas ou pessoas com deficiência.

Diário de Notícias
Lusa
29 Setembro 2021 — 15:13

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