1220: Sindicato denuncia. INEM está a demorar quase uma hora para enviar ambulâncias

– Segundo o sindicato, os atrasos no socorro pelo INEM é recorrente por falta de técnicos. E mesmo nesta situação caótica ainda fazem greve? O que está primeiro? Não será a vida das pessoas?

SAÚDE PÚBLICA/EMERGÊNCIA MÉDICA/INEM

O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Médica que os elevados tempos de espera é “uma situação recorrente” e mais acentuada na região de Lisboa e Vale do Tejo. Actuais condições motivaram um dia de greve a 22 de Outubro.

© Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) está sem capacidade de resposta para situações urgentes, com tempos de espera para envio de ambulâncias de quase uma hora, denunciou esta sexta-feira o sindicato dos técnicos deste organismo.

“Hoje, às 14.00 estavam 29 ocorrências por dar resposta por não haver ambulância, sendo que a que estava à espera há mais tempo estava há, pelo menos, há 50 minutos”, revelou Rui Lázaro, presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Médica, em declarações à agência Lusa, acrescentando que esta é uma “situação recorrente”, mais acentuada na região de Lisboa e Vale do Tejo, que dura há meses, sendo do conhecimento do INEM e do Ministério da Saúde.

Os tempos de espera de quase uma hora explicam-se pela falta de técnicos nos quadros do INEM, disse Rui Lázaro, referindo que actualmente existem apenas cerca de 900 técnicos de emergência pré-hospitalar, quando o previsto é serem 1400.

“Isto é provocado pela elevada taxa de abandono que temos”, disse o presidente do sindicato, justificando os níveis de abandono com a fraca atractividade da carreira, cujas actuais condições motivaram um dia de greve a 22 de Outubro.

Rui Lázaro referiu que o concurso actualmente em curso para a contratação de 178 técnicos recebeu até agora menos de 50 candidaturas, quando em concursos abertos em 2012, 2013 ou 2014 para 100 vagas concorriam cerca de 10 mil candidatos.

“A consequência de sermos menos é que há ambulâncias fechadas diariamente. Fizemos greve há duas semanas e os serviços mínimos que garantimos no dia de greve foram superiores ao que o INEM consegue garantir durante vários dias. Estamos neste ponto, o INEM já nem sequer consegue garantir os mínimos exigidos numa greve geral”, disse o responsável sindical.

Rui Lázaro acrescentou ainda que nem as ambulâncias das corporações de bombeiros ou as da Cruz Vermelha conseguem atenuar o problema, porque se os centros de atendimento não enviam ambulâncias para os locais de emergência é porque até estas estão ocupadas.

Há ainda muitas “ambulâncias fechadas”, ou seja, paradas, por falta de técnicos, com algumas que deviam estar operacionais durante 24 horas a estarem ao serviço apenas 16 horas, e outras que em vez de 16 horas funcionam apenas durante oito horas, acrescentou.

Parte do problema podia ser resolvido com recurso a técnicos que estão nos CODU (Centros de Orientação de Doentes Urgentes), se a sua formação tivesse sido concluída, disse Rui Lázaro.

“O último concurso de técnicos que ocorreu em 2019, por ineficácia e incapacidade do INEM para prestar a formação toda, os técnicos não têm formação para trabalhar nas ambulâncias, estão obrigados a trabalhar só na central de emergência, onde aparentemente não faltará gente, porque as chamadas são atendidas”, disse.

Segundo Joana Amaro, dirigente sindical e técnica de emergência pré-hospitalar na margem sul do Tejo, só esta semana chegaram ao sindicato pelo menos cinco denúncias por atrasos no socorro, sendo que na margem sul de Lisboa são os concelhos de Almada e Seixal onde a situação é mais grave.

Os casos de atraso de socorro, que já motivaram anteriormente denúncias do sindicato ao Ministério Público, provocam cada vez mais reacções negativas de quem aguarda o envio da ambulância.

“As pessoas reagem mal à nossa chegada, porque acham que chegámos tarde por culpa nossa, quando, na verdade, fomos activados há cinco minutos”, disse Joana Amaro, sublinhando ainda que também para os operadores do CODU “esta é uma situação de desgaste permanente”.

A Lusa contactou o INEM para obter uma reacção e aguarda resposta.

Diário de Notícias
Lusa
05 Novembro 2021 — 18:40

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219: Quase metade dos doentes com ataque cardíaco atendidos sem o tratamento mais eficaz

Inquérito apresentado este sábado conclui que é necessário melhorar, “de forma significativa, o recurso ao 112”, já que a chamada para número de emergência permite “a assistência médica pré-hospitalar e o encaminhamento para o hospital mais adequado”.

Quase metade dos doentes que sofreram um Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM) deram entrada em serviços de urgência hospitalar sem capacidade para o tratamento mais eficaz para este ataque cardíaco, que é a angioplastia primária.

A conclusão é do inquérito anual da iniciativa Stent For Life Portugal, que será divulgado este sábado e que resultou de uma análise de todos os dados de doentes que sofreram um EAM, a qual foi realizada durante um mês.

O objectivo desta análise foi “identificar os factores que influenciaram o tratamento” do ataque cardíaco.

De acordo com os resultados do inquérito, apenas 37% dos doentes que sofreram um EAM recorrem ao Número Europeu de Emergência (112) para ter “a necessária assistência médica pré-hospitalar e o encaminhamento para o hospital adequado ao seu tratamento”.

O inquérito indica que “46% destes doentes dão entrada no serviço de urgência de hospitais que não têm capacidade para realizar uma Angioplastia Primária, o tratamento mais eficaz para o EAM”.

Os autores do documento apontam para a necessidade de melhorar, “de forma significativa, o recurso ao 112”.

“O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) dispõe de profissionais qualificados para identificar precocemente o EAM e assegurar que as várias entidades intervenientes na emergência médica pré-hospitalar transportam o doente para um hospital que disponha de unidade de hemodinâmica onde possa ser realizada a angioplastia primária”, lê-se nas conclusões do inquérito.

Os especialistas que compõem o Stent for Life Portugal – uma iniciativa da Sociedade Europeia de Cardiologia para “melhorar o acesso dos doentes à melhor terapêutica actual para o EAM” – para que a angioplastia primária possa ser eficaz é fundamental que este procedimento seja efectuado idealmente até 90 minutos após início dos sintomas.

Para Hélder Pereira, coordenador da iniciativa Stent For Life Portugal, “este atraso no tratamento dos doentes verifica-se sobretudo porque a população continua a desconhecer quais são os sintomas do enfarte”.

Nos casos em que o doente sabe quais são os sintomas, existe “uma desvalorização dos mesmos, fica-se na expectativa que não seja nada de grave e que a dor no peito acabe por desaparecer, o que significa que se perde tempo precioso para a realização do tratamento”, segundo este cardiologista.

A dor no peito é o sintoma mais comum no EAM e é muitas vezes descrita como uma sensação de pressão, aperto ou ardor.

Esta dor pode também ocorrer noutras partes do corpo (geralmente no braço esquerdo, pescoço ou queixo) e é acompanhada de falta de ar, náuseas, vómitos, batimentos cardíacos irregulares, suores, ansiedade e sensação de morte eminente.

“Logo desde o início dos sintomas é importante ligar 112 e não tentar chegar a um hospital pelos seus próprios meios ou com a ajuda de familiares”, aconselha Hélder Pereira.

As doenças cardiovasculares, como o EAM, continuam a ser uma das principais causas de morte em Portugal.

Jornal Expresso
31.05.2015 12h45
Lusa

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169: Actos clínicos só com formação e supervisão médica

Ténicos do INEM

Os Técnicos de Emergência do INEM só podem praticar actos clínicos sob supervisão de um responsável médico e se tiverem formação específica e treino adequado, determina um despacho do Ministério da Saúde hoje publicado em Diário da República.

O despacho, que entra hoje em vigor, estabelece as competências destes profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que actuam no âmbito da emergência médica pré-hospitalar e “cuja acção pode ser determinante para a sobrevivência de pessoas com doença súbita ou em situação de emergência clínica, nomeadamente vítimas de situações traumáticas”.

“Volvidos quase dois anos da clarificação do âmbito das competências dos Técnicos de Emergência e da sua aplicação a uma nova gestão da emergência médica no que respeita à actuação dos profissionais, torna-se necessário adequar o âmbito do conteúdo funcional e das capacidades daqueles Técnicos de Emergência a esta nova realidade”, sublinha o despacho do secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa.

Segundo o despacho, os Técnicos de Emergência ficam “expressamente impedidos” da prática de actos clínicos sem adquirirem a formação adequada.

“Os actos clínicos de natureza médica no âmbito da emergência médica praticados por Técnicos de Emergência estão dependentes da conclusão, com aproveitamento, de um curso de formação específico e treino adequados”, de acordo com programas definidos pelo INEM, depois de ouvida a comissão técnico-científica do INEM e as ordens dos Médicos e dos Enfermeiros.

A administração de medicação e a manutenção da via aérea, ventilação e circulação só podem ser praticados por delegação e sob supervisão de um responsável médico e com formação específica e treino adequado, precisa a legislação.

No passado dia 11 de Julho, o tribunal administrativo de Lisboa decretou a suspensão parcial e provisória da eficácia do despacho do Ministério da Saúde, de 2012, que estabelecia as competências dos Técnicos de Emergência, depois de a Ordem dos Enfermeiros ter interposto uma providência cautelar para impedir que o Ministério da Saúde e o INEM pusessem em prática um modelo de emergência pré-hospitalar assente nos Técnicos de Ambulância e Emergência.

Por decisão do tribunal, os técnicos estavam temporariamente impedidos de administrar medicamentos por via endovenosa e/ou intra-óssea e também de aplicar técnicas invasivas, como a entubação supraglótica e o acesso venoso.

O despacho hoje divulgado vem revogar o despacho de 2012 que estabelecia as competências dos Técnicos de Ambulância de Emergência.

In Diário de Notícias online
01/08/2014
por Lusa

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153: Suspensão de despacho pode colocar saúde dos diabéticos em risco

Suspensão de despacho impede técnicos de ministrar injecção de glicose em casos de hipoglicemia. Especialistas contestam. “Até a avozinha, o pode fazer”, diz à Renascença um dirigente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia.

Foto: DR

Foto: DR

A saúde dos diabéticos pode estar em risco, devido à suspensão provisória do despacho governamental que determina novas competências dos técnicos de ambulância e emergência.

A decisão de suspensão foi tomada pelo Tribunal Administrativo de Lisboa, em resultado de uma contestação da Ordem dos Enfermeiros, que interpôs uma providência cautelar, aceite pela juíza.

A suspensão impede os técnicos de administrar, mesmo que sob supervisão médica, uma injecção de glicose em vítimas de hipoglicemia, facto que Luis Gardete Correia, da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, diz não entender.

Em declarações à Renascença, o especialista sustenta que o acto em questão “não contém riscos para o doente e pode, até, salvar vidas “. Luis Gardete Correia concluiu; “Esta decisão do tribunal não faz sentido”.

O dirigente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia lembra que se trata de um acto de urgência, que, caso não seja praticado, “pode levar a danos ao nível do cérebro”.

O especialista sublinha que o procedimento costuma ser “usado pelo próprio doente” ou, quando este não tem condições para o fazer, a injecção é, muitas vezes, ministrada “por pessoas que estão à sua volta e que são ensinadas para isso”.

“Até a avózinha o pode fazer”, reforça.

In Rádio Renascença online
29-05-2014 11:00
por Teresa Almeida

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