793: Imunidade do grupo com 70% de vacinados é ideia ultrapassada, defende investigador

 

SAÚDE/COVIF-19/IMUNIDADE DE GRUPO

Sedat Suna / EPA

O investigador Miguel Castanho afirmou esta segunda-feira que a ideia da imunidade do grupo com 70% da população vacinada contra a covid-19 está “completamente desactualizada” porque a vacina não protege contra a infecção e a transmissão do vírus.

“Essa ideia está ultrapassada porque as vacinas não são 100% eficazes, por um lado, mas sobretudo porque as vacinas não protegem contra a infecção e contra a capacidade de transmissão e, portanto, qualquer pessoa mesmo vacinada em algum grau contribui para a transmissão do vírus”, adiantou o investigador do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

O professor catedrático de bioquímica explicou que o conceito de imunidade de grupo, neste momento, nem se aplica muito, porque isso acontece quando uma série de pessoas não pode ser infectada e não transmite o vírus a outras pessoas.

Portanto, defendeu, “é melhor pensarmos melhor que temos de completar o plano de vacinação e deixarmos de fazer contas parciais”, disse Miguel Castanho, que falava à agência Lusa a propósito da prevalência da variante Delta, associada à Índia, já ser superior a 60% na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Para o investigador, também se deve evitar “grandes dicotomias entre mais novos e mais velhos”, porque, vincou, “qualquer um pode adoecer, pode transmitir o vírus” e contribuir para “um agravar da situação”.

De qualquer forma, frisou, “é sempre melhor estar vacinado com qualquer uma das vacinas do que não estar vacinado”.

Questionado sobre se as medidas tomadas para controlar a disseminação do vírus, nomeadamente a proibição de circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa aos fins de semana, Miguel Castanho disse serem necessárias “medidas mais assertivas”, sobretudo, para as áreas metropolitanas.

“Eu compreendo que estas medidas foram tomadas para ganhar tempo e poder eventualmente construir uma resposta para o resto do país. De qualquer maneira, na Área Metropolitana de Lisboa a situação já está um pouco crítica”, declarou.

Segundo o investigador, já existem “todos os elementos” que permitem prever que a situação em Lisboa tem uma tendência a agravar-se nos próximos dias, porque já se sabe o que a variante Delta está a causar no Reino Unido e o que se passou no verão passado em Lisboa, “esteve sempre numa situação mais ou menos crítica”, adiantou.

“O que distingue a variante Delta não é nada que esteja relacionado com o contexto, é uma alteração do vírus em si e, portanto, aquilo que se está a passar no Reino Unido provavelmente vai-se passar aqui também”, explicou.

Para evitar esta situação, Miguel Castanho defendeu que é preciso “olhar com mais cuidado” e ter “um plano específico” para os transportes públicos, que são “um meio confinado” onde as pessoas permanecem durante um tempo considerável em contacto umas com as outras.

Defendeu também o teletrabalho para evitar deslocações e o desfasamento de horários, para “não ser tão grave o problema das horas de ponta”.

“As nossas áreas metropolitanas estão muito mal planeadas, muito mal estruturadas, toda a gente vive aglomerada na periferia, o centro das cidades está completamente vazio, e as pessoas são obrigadas a um trânsito compacto e diária e fazem-no através dos transportes públicos”, adiantou.

Por outro lado, apontou Miguel Castanho, é preciso “tomar mais atenção” à distribuição das pessoas nos espaços: “o que conta é a distância entre as pessoas e não tanto o número de pessoas que está dentro de um espaço” como recintos desportivos, eventos familiares ou na restauração, onde mais do que “os horários muito restritivos”.

“Se vamos deixar entrar público nos estádios e respeitar uma determinada lotação, mas depois os adeptos se juntarem todos na mesma bancada a torcer pela sua equipa, aí temos proximidade entre pessoas outra vez e pode haver transmissão”, elucidou.

ZAP // Lusa

Por Lusa
21 Junho, 2021

 

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563: Nem todas as pessoas vacinadas vão ficar imunizadas, avisa DGS

 

SAÚDE/VACINAS/IMUNIZAÇÃO/COVID-19

Tiago Petinga / Lusa

A directora-geral da Saúde avisou esta terça-feira que nem todas as pessoas vacinadas contra a covid-19 vão ficar imunizadas, uma vez que a vacina administrada não é 100% eficaz e ainda não há imunidade de grupo.

Graças Freitas falava na habitual conferência de imprensa na Direcção-Geral da Saúde (DGS), em Lisboa, sobre a evolução da pandemia da covid-19 em Portugal.

Vacinar não quer dizer abandonar critérios de protecção“, frisou, advertindo que “nem todas” as pessoas vacinadas “vão ficar imunizadas”. “A vacina não é 100% eficaz e nós não temos ainda imunidade de grupo”, justificou.

Graça Freitas reforçou, por isso, a necessidade de se manterem medidas de protecção até se atingir a imunidade de grupo, como o uso de máscaras, a higienização das mãos, a ventilação de espaços e o distanciamento físico.

A campanha de vacinação contra a covid-19 iniciou-se em Portugal em 27 de Dezembro com a inoculação de profissionais de saúde nos hospitais.

Na segunda-feira, foi alargada aos lares de idosos.

A vacina que está a ser administrada é a do consórcio Pfizer-BioNTech, para cujo uso de emergência foi aprovada em 21 de Dezembro pela Agência Europeia do Medicamento.

Até à data foram dadas em Portugal 32 mil doses.

Em Portugal, morreram 7.286 pessoas dos 436.579 casos de infecção de covid-19 confirmados, de acordo com o boletim mais recente da DGS. O país contabilizou esta terça-feira mais 90 mortes e 4.956 novos casos de infecção pelo novo coronavírus.

Em declarações ao jornal Observador, o especialista Carlos Antunes considerou que Portugal já entrou numa terceira vaga da doença, alertando ainda que as novas infecções registadas diariamente podem “chegar a valores insuportáveis”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
6 Janeiro, 2021

 

 

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