1000: Nível de glucose no sangue é um dos factores mais influentes na severidade da covid-19

SAÚDE PÚBLICA/GLUCOSE/COVID-19

v1ctor Casale / Flickr

Um novo estudo utilizou Inteligência Artificial para avaliar mais de 240 mil estudos e concluiu que o nível de glucose no sangue é a variável biológica mais referida e que mais influencia a severidade de quem é infectado com covid-19.

Desde o início da pandemia que uma das questões que mais intrigam a comunidade científica é a disparidade dos efeitos da covid-19 dependendo das pessoas, com alguns infectados a serem completamente assintomáticos e nem sequer saberem que contraíram o vírus, enquanto outros lutam pela vida ou acabam mesmo por sucumbir à doença.

A idade mais avançada, ter um sistema imunitário mais frágil ou sofrer de doenças crónicas são alguns dos factores de risco já conhecidos, e um novo estudo publicado em Julho na Frontiers vem juntar os elevados níveis de glucose no sangue à lista.

O Blue Brain é um projecto de machine-learning – o uso de algoritmos que melhoram sozinhos através da análise de grandes volumes de dados – que avaliou mais de 240 mil estudos que estão acessíveis na base de dados COVID-19 Open Research Database, também conhecida como CORD-19.

Dados todos os dados disponíveis, os fundadores da CORD-19 desafiaram os criadores de Inteligência Artificial a arranjar um sistema que processasse toda a informação e que encontrasse pistas comuns que ajudem a comunidade científica a descobrir mais sobre a doença. O Blue Brain concluiu que os níveis de glucose no sangue são a variável biológica mais referida nos estudos.

“Com o acesso à base de dados CORD-19, o Blue Brain chamou rapidamente uma ferramenta de IA e tentou descobrir porque algumas pessoas ficam doentes e outras não. Porque é que tantas pessoas aparentemente saudáveis morrem de covid-19? Porque é que tantas pessoas morrem nas UCI?”, afirma o professor Henry Markram, autor do estudo, num comunicado citado pelo IFLScience.

Para responder a estas questões, os investigadores usaram a IA para acompanhar todos os passos da infecção desde o momento em que o vírus entra nos pulmões, até quando se espalha pelo corpo e infecta os órgãos.

“Também criámos o vírus num nível atomístico e desenvolvemos um modelo computacional da infecção para que pudéssemos testar o que estava a sair dos estudos. Acho que encontrámos a razão pela qual algumas pessoas ficam mais doentes que outras”, revela Henry Markram.

Os testes concluíram que o nível alto de glucose no sangue cria as condições ideais para que o vírus passe pelas defesas iniciais do corpo, quando entra no sistema respiratório e luta contra o sistema imunitário dos pulmões. Caso tenha sucesso, o vírus consegue replicar-se rapidamente e causar bastantes mais danos do que se fosse neutralizado logo.

A destruição das defesas anti-virais dos pulmões e a fragilização do sistema imunitário, que causa uma tempestade de citocinas, são outras consequências dos níveis de glucose altos, que também tornam mais fácil a entrada do vírus nas células via o receptor ACE2.

Apesar desta hipótese ainda não estar completamente provada, o artigo ajuda a perceber o impacto que os altos níveis de glucose têm no corpo e em como este pode ser um factor de risco. O estudo demonstra também o potencial que a Inteligência Artificial tem na revisão de literatura científica e em como pode ser útil para agregar informação e encontrar padrões.

AP, ZAP //

Por ZAP
15 Agosto, 2021

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562: Pessoas com diabetes tipo 1 baixaram os níveis de glicose durante o confinamento

 

SAÚDE/DIABETES/CONFINAMENTO

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De acordo com um novo estudo, de uma forma geral, os níveis de glicose no sangue melhoraram durante o confinamento, sobretudo em pessoas que vivem com diabetes tipo 1.

Louis Potier e a sua equipa conduziram uma pesquisa observacional a partir de um questionário auto-relatado sobre mudanças comportamentais e informações glicémicas da monitorização de glicose durante o confinamento. O estudo foi publicado no Diabetes Care em Novembro de 2020.

Segundo o Medical Xpress, a análise foi feita em 1378 indivíduos que vivem com diabetes tipo 1, e foi registada uma mudança no nível médio de glicose dois meses antes e um mês depois do confinamento, que se deveu à pandemia de de covid-19.

Os investigadores concluíram que os participantes apresentaram níveis de glicose mais baixos durante esse período.

A redução do consumo de álcool, o facto das pessoas praticarem algum exercício em casa, um aumento na frequência de exames e uma percepção mais fácil de controlo da diabetes foram factores associados a esta melhoria.

“O nosso estudo sugere que, embora o confinamento tenha sido um momento de grande ansiedade para muitas pessoas com diabetes tipo 1, também foi uma oportunidade de fazer mudanças comportamentais positivas“, escrevem os autores.

“A persistência das pessoas após o alívio do restrições também deve ser estudada”, sugere a equipa de pesquisa.

Por Ana Moura
6 Janeiro, 2021

 

 

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