922: Há duas variantes de um gene que provocarão a covid-19 grave em homens jovens

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Foram identificadas duas variantes do gene TLR7 que estão associadas à forma grave de covid-19, sugere estudo. Investigadores consideram que esta pode ser a explicação pela qual homens jovens e saudáveis desenvolvem pneumonia grave devido à infecção pelo novo coronavírus.

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Duas variantes do gene TLR7 que estão associadas à forma grave de covid-19 foram descobertas agora. Esta pode ser a explicação para que homens jovens e saudáveis desenvolvam pneumonia grave devido à infecção pelo novo coronavírus, concluem investigadores do estudo levado a cabo pelo Bellvitge Biomedical Research Institute (Idibell), Instituto Catalão de Oncologia (ICO), Hospital de Bellvitge e pela Universidade de Barcelona.

Na investigação, que contou com a participação da Universidade de Radbound, dos Países Baixos, foi feito o sequenciamento do gene TLR7 em 14 homens, entre os 30 e os 45 anos, que não tinham antecedentes clínicos, e que necessitaram de respiração artificial no tratamento à covid-19. Em dois deles destacou-se a presença “de variantes genéticas que afectam a resposta imunológica”, refere o instituto Idibell, em comunicado.

As duas variantes do gene não tinham sido descritas anteriormente, sendo que os irmãos homens desses dois doentes também as tinham e ambos desenvolveram forma grave de covid-19.

Os resultados do estudo, dado a conhecer na publicação Frontiers in Immunology, mostram a importância do rastreamento genético para mutações do gene TLR7 em homens jovens e sem factores de risco para a doença provocada pelo SARS-CoV-2.

Segundo a médica Conxi Lázaro, do grupo de Cancro Hereditário do Idibel e do Instituto Oncológico OIC, detectar as mutações deste gene “ajuda a escolher o melhor tratamento para o paciente”, mas não só.

“Diagnosticar deficiências no TLR7” também pode “ajudar a identificar pacientes pré-sintomáticos em risco” e colocar em prática, de forma precoce, “terapêuticas” para fazer face à infecção pelo novo coronavírus, considerou uma das responsáveis pelo estudo.

No cromossoma X estão localizados vários genes fundamentais para o funcionamento do sistema imunológico, entre os quais o TLR7. Em comparação com as mulheres, os homens ficam mais expostos a alterações do TLR7, uma vez que só têm uma cópia dos genes do cromossoma X. Se o gene desse cromossoma tiver um defeito não há um par que possa desempenhar a sua função. As mulheres são portadores de dois cromossomas X e os homens têm um Y e um X, logo são mais afectados pelas alterações do gene em causa.

No sexo feminino, para que a função deste gene seja afectada é necessário que ambas as cópias sejam alvo de alterações.

O gene que marca o início da resposta imunológica ao SARS-CoV-2

Recorda o jornal ABC que em Julho do ano passado foi descrita pela primeira vez uma relação entre alterações no gene TLR7 e o desenvolvimento de forma grave de covid-19 em dois pares de irmãos.

O investigador principal da Idibell, Xavier Solanich, no comunicado divulgado pelo instituto, considera que estas descobertas “reafirmam o papel fundamental do TLR7 no reconhecimento” do vírus responsável pela covid-19 e “no início de uma resposta imune antiviral precoce”.

Afinal, explica o instituto de investigação biomédica, o “TLR7 codifica um receptor na superfície das células imunes que reconhecem e iniciam a resposta imune contra vírus de RNA, como é o SARS-CoV-2”, que é um vírus de ácido ribonucleico.

DN
26 Julho 2021 — 18:50

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